Escape

19 Uma outra vida


Notas iniciais
Olá, meninas! Só para variar estou aqui outra vez :D Quero agradecer novamente a todas que gastaram um minutinho ou dois deixando review. E deixar um agradecimento especial para iheartkatyp, que deixou uma recomendação maravilhosa para a FF. Muito obrigada pela recomendação linda, obrigada pelas palavras, obrigada, obrigada, obrigada! Ai gente, sério, vocês são umas fofas e me deixam sem saber o que dizer. Sinceramente, do fundo do coração, muito obrigada a todas que se importam, deixam reviews, recomendações ou MPs. Vocês não sabem o quão gratificante é ler todas essas coisas, então muito obrigada!

– Catherine era minha irmã caçula. — Contou ao virar-se para Ruby. — Ela morreu, faz muito tempo, afogada na piscina do clube. — Murmurou de olhos baixos, enquanto a fatídica cena ameaçou invadir sua mente.

– Eu sinto muito! — Foi tudo que Ruby pode dizer.

– Eu também! — French também se manifestou. A morena balançou a cabeça em sinal de concordância e um silêncio um pouco incomodo tomou conta do lugar.

– Você sabe que não foi culpa sua. — Emma voltou a puxar a amiga pela cintura e a abraçou por trás. Elas nunca tinham falado abertamente sobre aquilo. Fazia cinco meses da morte da irmã de Regina, quando se conheceram, e sempre que aquele assunto vinha a tona, a morena dava um jeito de pôr fim a ele em questão de segundos. Mesmo nunca tendo conversado sobre aquilo, Emma sabia que Regina se sentia culpada, mesmo ela não tendo culpa nenhuma. Aquilo aconteceu em uma tarde de inverno, as poucas pessoas que estavam no clube, estavam reunidas no salão de festas, comemorando o aniversário da mãe das meninas. Kate deu um jeito de escapar para rua sem ser notada, ou quase isso, Regina a viu saindo e foi atrás, quando chegou lá a menina já estava na piscina, a morena não sabia nadar, então tudo que fez foi gritar por socorro, que acabou chegando um pouco tarde. Desde então Regina se arrependia amargamente por não ter pulado atrás da irmã. Se tivesse morrido, pelo menos teria feito aquilo tentando salvar a menina.

– Vou descer. Preciso ligar para casa. — A morena avisou ao se desvencilhar de Emma.

– Qual é, Regina? Converse comigo. — Pediu segurando a mão da morena, que suspirou e a encarou. Não queria conversar sobre aquilo, na verdade não podia, porque aquele assunto com toda certeza do mundo levaria a um ainda mais doloroso. O suicídio da sua mãe. Os olhos tristes da morena fizeram Emma suspirar e soltar sua mão. A morena sorriu em sinal de agradecimento e sem dizer mais nada saiu dali. As três detentas a acompanharam ir sem dizerem um palavra. Assim que Regina sumiu da visão delas, Emma suspirou e jogou as mãos para dentro dos bolsos.

– Quantos anos tinha a garota? — Ruby questionou em um sussurrar.

– Quase cinco. — Emma soltou com o ar.

– E eu me pareço mesmo com ela? — A loira suspirou, tirou os olhos do vazio e encarou a detenta.

– Não sei. Quando eu conheci Regina, Kate já tinha morrido, então eu só a conheci por fotos. Talvez os olhos pareçam mesmo. E a primeira e única vez que Regina falou um pouco sobre ela, a primeira coisa que contou foi o quanto a irmã era falante.

– Oh, por favor, Ruby, não é hora para um interrogatório. — French impediu uma próxima pergunta. — O que você está esperando para ir atrás dela? — Indagou a Emma que mais uma vez suspirou.

– Ela precisa de alguns minutos sozinha, se eu for agora só vou piorar as coisas. — Explicou. French encarou a loira por um tempo, então sorriu.

– Você realmente conhece ela. — Emma afirmou com a cabeça, e retribuiu o sorriso.

– Muito. Mais que a mim. — Contou. — Bom, vou descer também. Tenho uma mudança para fazer. — Avisou.

– Mudança? — Ruby indagou curiosa.

– Lucas deixou um lugar vago na cela de vocês, vou me apoçar dele. — A ruiva riu incrédula. French também parecia não acreditar no que ouvia.

– Como você conseguiu? — Indagou a detenta.

– Dei meu jeito. — Foi tudo que falou a respeito.

– Mills sabe? — Ruby fez a pergunta.

– Não. É segredo, quer fazer surpresa. Não contem. — Pediu antes de dar as costas para elas e andar para fora daquele lugar. Ao lembrar de uma coisa a loira parou e voltou-se para as detentas. — Ah, French? — Chamou, fazendo a detenta olhar em sua direção. — Agora que eu vou ficar ainda mais longe da sua irmã, será que a gente pode deixar as desavenças de lado e voltar ao normal? Afinal seremos colegas de cela. — Antes de responder a detenta tirou os cabelos da frente dos olhos.

– Fica esperta, Swan. Continuo de olho. — Avisou ao piscar para a loira, que entendeu aquilo como sinal de paz. Concordou com a cabeça, sorriu e foi.

(...) Depois de ligar para casa e conversar civilizadamente com o marido por quase meia hora, Regina colocou o telefone no gancho com um sorriso no rosto. Falar com o filho e o marido tinha lhe feito bem, eram bom saber que lá fora tinha pessoas que se importavam com ela. Suspirou pensando no seu pai, por impulso voltou a tirar o telefone do gancho e rapidamente discou o numero do homem. Esperaria o telefone tocar três vezes, se ele não atendesse, desistiria. Esse era o plano. Seu coração começou a bater forte quando ele atendeu já no primeiro.

– Regina? — Ouvir a voz do seu pai a fez suspirar.

– Oi, pai!

– Até que enfim resolveu me ligar. — Deu bronca.

– Me desculpe! — Pediu.

– As vezes acho que você esquece que eu existo. — A morena sorriu irônica, e precisou de concentração para não dizer o que pensava. Sete anos depois que sua mão morreu, seu pai arrumou outra mulher, teve outros filhos com ela, e a morena foi meio que deixada de lado. Seu pai nunca lhe deixou faltar nada, sempre deu a morena tudo o que ela precisava e até o que não precisava, exceto uma coisa, atenção. A magoa fez a morena ir se distanciando, até chegarem aquele ponto. Se falavam poucas vezes, e quando aquilo acontecia, era por telefone.

– E você, lembra que eu existo, pai? — Murmurou a pergunta.

– Não diga bobagens, Regina. É claro que eu me lembro. Fui na prisão hoje atrás de você, mas não me deixaram entrar para. — A morena arregalou os olhos em sinal de surpresa. Aquilo sim que ela chamava de notícia inesperada e surpreendente.

– Visitas são só permitidas nos domingos, pai. E seu nome precisa estar na lista. — Explicou.

– Foi o que me disseram. Mas eles deveriam ter me aberto uma exceção, afinal é o seu aniversário. — Sorriu ao ver que seu pai lembrava daquilo.

– Você pode vir no próximo domingo. — Pediu.

– No próximo domingo já não é mais seu aniversário. — Resmungou, fazendo a morena rolar os olhos.

– Mesmo que não seja, eu vou continuar com saudades. — Soltou com o ar, então o silêncio se fez presente entre eles. O homem fez tanto silêncio do outro lado da linha, que a morena pensou que a ligação tivesse caído. — Pai? — O chamou.

– Ponha meu nome nessa lista de visitas. — Se seu pai soubesse como chorar, Regina poderia apostar que ele estava fazendo aquilo.

– Vou colocar.

– Feliz aniversário, amorzinho. — A morena sorriu ao ouvir aquela palavra. Era daquele jeito que seu pai lhe chamava quando ela era criança. — Continue sendo essa pessoa maravilhosa que eu sei que você é, me desculpe por ter me tornado um pai tão distante. — A morena balançou a cabeça concordando.

– Tudo bem, acho que eu entendo. — Talvez ficar longe dela, foi um jeito que o pai achou para se defender do passado. — Eu sinto falta delas. — Confidenciou em um sussurrar.

– Eu sei. Eu também.

– Será que tudo isso um dia vai passar? — De novo houve silêncio do outro lado da linha. Dessa vez Regina esperou pacientemente seu pai responde-la.

– Acho que não. — Respondeu em um fio de voz, fazendo um nó se formar na garganta da mulher.

– Eu sinto muito, pai. — Soltou com o ar. — Eu deveria ter pulado atrás dela.

– Não diga isso. Não diga bobagens. — Esbravejou. — Se você tivesse feito isso, eu teria perdido você também. Não se culpe querida, você não teve culpa nenhuma. — Disse o que dizia sempre que tocavam naquele assunto.

– Como está Zelena? — A morena mudou de assunto e seu pai respirou aliviado com aquilo.

– Está bem. Gastando meu dinheiro com plásticas. As vezes acho que me casei com a mulher Botox. — Regina riu ao ouvir aquilo.

– Derick e Nathalie, estão bem também? — Perguntou pelos irmãos.

– Estão me deixando de cabelos brancos. — Lamentou-se, de novo arrancando risada da filha mais velha. — Derick resolveu fazer intercambio, está na Inglaterra, também gastando meu dinheiro. Sua irmã foi além, arrumou um namorado. — A morena gargalhou.

– Você está sendo dramático. Não me contou nada demais, eles só são adolescentes sendo adolescentes. — A morena gostava dos irmãos, que por um acaso eram gêmeos. Os três se davam muito bem. Na verdade ela tinha muito mais intimidade com os irmãos do que com o pai. Ambos já tinham vindo visitar a morena na prisão e lhe arrancado boas gargalhadas.

– Você era uma adolescente muito mais comportada. — Ela negou.

– Não, eu não era, eu só era mais reservada e o senhor não tinha muito interesse em saber das minhas coisas. — Disse a verdade. — Reze para eles não serem nem a metade do que eu fui. — Lembrou-se das coisas que aprontou com Emma.

– Rum! — Uma detenta qualquer apareceu por ali, coçou a garganta, encostou-se na parede ao lado da morena, cruzou os braços e começou a bater os pés em sinal de impaciência.

– Pai, eu preciso desligar, tem gente querendo ligar. — Avisou. — Posso esperar o senhor no domingo? — Indagou.

– Me espere. E comporte-se por aí. — Ela sorriu.

– Vou me comportar. Obrigada por ter vindo. — Apesar de não ter conseguido ver o pai, ela ficou feliz em saber que ele esteve ali única e exclusivamente para ver.

– Amo você, Regina! — De novo ela foi surpreendida, talvez seu pai não estivesse bem.

– Também te amo, pai! Um abraço. — Sorriu e devolveu o telefone ao gancho.

– Até que enfim! — A detenta impaciente resmungou. A morena nada disse, apenas a olhou de canto e caminhou em direção a sua cela, pensando na conversa que teve com o pai.
Estava tão perdida em pensamentos, que nem percebeu Emma, ao entrar na cela. Estava prestes a subir as escadas do seu beliche quando a voz da loira a fez parar.

– Não vai mesmo cumprimentar sua mais nova companheira de cela? — Antes de virar-se para a amiga ela sorriu e balançou a cabeça em sinal de negativo.

– O que está fazendo aqui? — Indagou ao arquear uma sobrancelha. A loira abriu um meio sorriso e fez sinal com o indicador, chamando a morena até ela.

– Vem aqui! — Pediu, batendo com a mão sobre a cama. Regina suspirou, mas acabou indo. Ao sentar-se lá, Emma a puxou para que deitasse ao seu lado.

– O que está fazendo aqui? — Questionou de novo.

– Estou descansando na minha nova cama. Afinal, hoje é feriado mundial, até as detentas tem direito a descanso. — Ao ouvir aquilo Regina rolou os olhos.

– Nova cama? — Emma afirmou com a cabeça.

– É.

– Você decidiu se mudar para cá, e o senhor Humbert resolveu simplesmente concordar, é isso mesmo? — O olhar desconfiado que Regina lhe lançou a fez sorrir.

– Ele concordou, mas não assim simplesmente. — Explicou. — Nada que um sexo oral não tenha dado jeito. — Ao ouvir tal coisa os olhos da morena cresceram, e arrancaram uma sonora gargalhada de Emma. — Estou brincando. Ew! Não! Não precisei chegar a esse ponto. — Continuava rindo. — Assim que fiquei sabendo sobre o fim da pena de Lucas, fui até a sala do senhor Humbert, e contei para ele que estava sendo ameaçada de morte. O que não deixa de ser verdade. — Regina fez sinal com a mão para que ela continuasse. — Disse que na minha cela tinha uma lésbica lunática que não me deixava em paz e que certa vez até tentou abusar de mim enquanto eu dormia. Isso também não deixa de ser verdade. — Emma sorriu e resolveu dizer exatamente o que tinha dito ao conselheiro. — Senhor Hubert, a maluca está tão obcecada por mim, que recorreu a irmã. A mesma me ameaçou, disse que se eu partir o coração da irmãzinha dela, eu vou amanhecer com a boca cheia de formigas. Eu não sei mais o que fazer, senhor Humbert, estou sendo pressionada a ter um caso homossexual com essa menina. — Regina estava boquiaberta, enquanto sua cabeça balançava muitas vezes em sinal de descrença.

– Você não presta! — Murmurou. — Dissimulada! Mentirosa! Cafajeste! — Deu um tapa no braço da amiga, que ria da cara de incredulidade da morena.

– Preferia que eu tivesse oferecido o sexo oral? — Indagou.

– Preferia que você tivesse ficado onde estava. — Não que aquilo fosse verdade, a morena só não queria dar o braço a torcer e dizer que tinha gostado da mentira.

– Preferia mesmo? — Emma escorregou o corpo para mais perto da amiga, e virou-se de lado, ficando cara a cara com ela.

– Sim. — Respondeu com uma voz cheia de incerteza, arrancando um sorrisinho da loira.

– Não preferia não. — Concluiu. — Admita. — Pediu ao levar a mão até o rosto da morena, colocando seus cabelos para trás.

– Ok, ficou feliz que não tenha oferecido seus serviços ao senhor Humbert. — Sussurrou olhando nos olhos da loira.

– Estou guardando meus serviços para quem realmente os mereça. — A morena sorriu sem humor.

– Pelo que ouço, metade dessa prisão já os mereceu. — Não perdeu a oportunidade.

–O quê? Quem falou isso para você? — A morena achou engraçado o jeito desconcertado da amiga.

– Para mim, ninguém. Mas eu tenho ouvidos, sabe? As pessoas comentam, então... — Deu de ombros. Emma abriu e fechou a boca algumas vezes.

– As pessoas falam demais. — Regina arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse "então é mentira?" — Ok, eu fiquei com algumas meninas, não vou negar, mas nem fora tantas assim, e desde que Emma de Neve e Regina Má se beijaram, eu não fiquei com mais ninguém. — Regina riu.

– Nossa! Uma semana! Isso é o que eu chamo de recorde! — Debochou. — Relaxa, Emma! Você não me deve nenhum tipo de explicação. — Falou ao ver o quanto a loira estava sem jeito.

– Sabe qual é o problema? — A morena negou com a cabeça. — Eu quero dever todos os tipos de explicações para você. — Admitiu.

– Você não sabe o quanto eu estou tentada a cobra-las. — Murmurou a morena, fazendo a amiga sorrir.

– Quando você quiser, Regina Mills. Quando você quiser estarei aqui para lhe dar todas as explicações possíveis. — Ronronou ao beijar a testa da amiga.

– Vou poder questionar sobre as coisas que fez durante todos esses anos também? — Indagou de olhos fechados, sentindo os lábios da amiga acariciando sua testa.

– Vai. — Sussurrou. — Mas já adianto que você só vai ouvir coisas que não valem a pena. — Regina pensou sobre aquilo por um momento. Sabia que ouviria coisas ruins, afinal, ela conviveu com Emma quando a loira já trabalhava com o tráfico, e sabia muito bem o quanto ela podia ser má, ameaçadora e até cruel.

– Você matou alguém? — Mesmo com medo de ouvir a resposta, ela questionou.

– Não, eu não matei. — Soltou com o ar. — Muito embora eu tenha tido vontade algumas vezes. — Admitiu.

– Conte-me alguma coisa sobre a vida louca que você levava. — Pediu. Emma suspirou, sabia exatamente o que contar. Na verdade já queria ter contado, mas tinha medo da reação da amiga.

– Tem uma coisa que eu preciso contar. — Começou e afastou seu rosto do da morena para encara-la. — Mas acho que você vai ficar brava comigo. — Sussurrou sem tirar os olhos dos da amiga.

– Conte-me. — Pediu, de novo com medo de saber o que Emma tinha a dizer. Os olhos da loira ficaram presos no de Regina por mais alguns segundos. Suspirou e baixou os olhos, não queria contar aquilo olhando nos olhos da amiga, porque sabia que a decepcionaria.

– Eu passei a consumir drogas. — Sua voz não passou de um sussurrar, sussurrar que Regina entendeu perfeitamente.

– O quê? — Indagou desacreditada e um pouco irritada. — Sério, Emma? E todo aquele seu discurso sobre apenas vender as drogas e não usa-las? — Subiu o tom de voz.

– Eu levei ele a sério por muitos e muitos anos, até eu conhecer uma garota. — Contou.

– Uma garota? Que tipo de garota? Mulher, adolescente, menina? — Disparou as perguntas, com tom de voz ainda irritado.

– Uma mulher. Cinco ano mais nova do que eu.- Uma ruga de preocupação surgiu na testa da morena. Seu sexto sentido lhe dizia que essa mulher tinha sido importante para a loira.

– E o que tem ela?

– Ela era engraçada, inteligente, divertida, atraente. — Regina rolou os olhos mentalmente ao ouvir tantos elogios. — E eu me envolvi com ela. — Contou o que a morena já suspeitava. — Foi o relacionamento que mais durou. Nós moramos os últimos dois anos juntas. — Definitivamente, a morena não estava gostando nada, nada de ouvir sobre aquilo. — O fato é que, um dia estávamos em uma festa, a noite já estava no final, nós já tínhamos bebido muito além da conta, e quando estávamos indo embora, ela acabou esbarrando em um amigo ou coisa assim. Não sei exatamente o que aconteceu, nem como aconteceu, mas nós três fomos para o meu apartamento e você sabe... — Regina balançou a cabeça afirmando que não precisava de maiores detalhes para entender o que os três fizeram lá. — Jenny gostou tanto da brincadeira, que passou a exigir a presença do amigo sempre. — Jenny, então é esse o nome da vaca. Foi o que Regina pensou. — Eu não sei, talvez eu não goste mais de homem, sabe? Eu não gostava daquilo, aquela relação a três não estava dando para mim e eu avisei a eles que estava caindo fora e foi a partir daí que eu me perdi.- Suspirou. — Neal me ofereceu um comprimido de ecstasy, prometeu que eu teria o melhor sexo da minha vida. A principio eu neguei, como sempre fiz quando me ofereciam algum tipo de droga, mas Jenny acabou me convencendo e nós duas dividimos um comprimido. — Arriscou levantar os olhos e deu de cara com uma Regina perplexa e um pouco assustada. — Eu tive alucinações. — Murmurou e voltou a baixar os olhos. — De repente Jennifer não era mais Jennifer, ela era você. Juro que era. Você não tem noção da minha felicidade, quando vi você lá, diante de mim, sorrindo para mim, me abraçando, me beijando, me falando certas coisas. — Balançou a cabeça em sinal de negativo. — Aquilo era tão real, tão palpável que eu desejei ficar naquele mundo para sempre. — Deixou uma lágrima cair, e rapidamente livrou-se dela. — Neal não encostou as mãos nela naquela noite, nem nas noites que a sucederam, eu não deixei. Você era minha, só minha. Ele passou a ser um mero espectador, até que um dia cansou daquilo e convenceu Jenny a ir embora com ele. Fiquei sozinha, com as drogas, mas não fiquei triste, pelo contrario, estava feliz porque eu finalmente sabia um jeito de ter você. — Fez uma pausa para organizar os pensamentos. — Você não tem noção de quantas mulheres eu chamei de Regina. No final eu contratava garotas de programa, sabe? Era mais fácil assim, não precisava fingir e não magoava ninguém quando fazia troca de nomes. — Respirou fundo antes de contar o final da história. — Foi uma dessas garotas que me disse que se eu aumentasse a dose de ecstasy, as alucinações ficariam ainda mais reais. Foi o que eu fiz, coloquei três comprimidos de uma vez só na boca e esperei por você, mas dessa vez você não veio, eu comecei a passar muito mal, eu não conseguia mais falar, não conseguia mais ter controle sobre os movimentos do meu corpo, a minha cabeça parecia que iria explodir e a última coisa da qual eu me lembro foi que eu comecei a vomitar. — Não teve coragem de levantar a cabeça e encarar a amiga, na verdade estava esperando Regina levantar-se e ir para bem longe dali, mas não aconteceu. Mesmo que quisesse, Regina não saberia como sair. Estava muito ocupada digerindo tudo aquilo.

– Você teve uma overdose. — Concluiu para si mais do que qualquer outra coisa.

– Juro que eu não quis me matar, Regina. Juro que não. — Apressou-se em dizer. — Por mais que a minha vida tenha sido uma merda por todos esses anos, eu nunca desejei morrer, juro. — A morena suspirou e levou sua mão até o queixo de Emma.

– Olhe para mim. — Pediu, puxando seu queixo. Depois de respirar fundo, a loira a encarou. Seus olhos tristes e marejados fizeram Regina suspirar e desistir da bronca. — Você vai ficar longe disso tudo quando sair daqui, está me ouvindo? Longe do tráfico, das drogas, dessa tal Jenny e do amigo imbecil dela. — Emma concordou com a cabeça. — Tenho a sua palavra? — De novo afirmou.

– Apesar de não fazer ideia do que eu vou fazer com a minha vida, tem minha palavra que não vou voltar para essas coisas. — Prometeu.

– Você vai estudar. Vai voltar para a faculdade, vai se formar e vai ser alguém na vida. — Regina a avisou, lhe arrancando um sorriso.

– Tudo bem, mamãe. Se é o que você quer, tudo bem. — Riu ao imaginar-se na faculdade. — Vou ser uma tiazinha no meio da garotada. — Regina também riu.

– Vai é fazer sucesso com a garotada. Vai deixar as meninas apaixonadas. — Seu indicador cutucou o nariz da loira.

– Se isso acontecer vou deixa-las também de coração partido. Porque a única mulher por quem sou apaixonada e desejoso que seja apaixonada por mim, chama-se Regina Mills, e acho que não vou encontra-la em uma turma de calouros. — Emma levou as costas da mão até o rosto da amiga e começou a acaricia-lo. — Ela é tão inteligente, sabe? Tem três faculdades, isso sem falar nos mestrados e doutorados sobre os quais ela provavelmente ela não me contou. — A morena sorriu e fechou os olhos. — E ela é tão linda. Tão linda de tantas formas diferentes. Me pergunto todos os dias como fui deixa-la escapar. — Murmurou a ultima frase com pesar, fazendo a morena suspirar e abrir os olhos. — Você sabe, eu não sou muito religiosa, mas as vezes... as vezes eu peço a Deus para que essa história de uma outra vida, ela realmente exista. Nessa outra vida, Regina Mills, prometo não ser uma idiota, vou varrer o mundo a procura de você se preciso for, e daí sim, você vai ser minha, minha de verdade, e nós vamos ser felizes por toda uma vida. — Ao ouvir aquilo, lágrimas encheram os olhos da morena.

– Mal posso esperar por essa nova vida. — Admitiu, deixando uma lágrima cair.

– Eu também. — A loira beijou sua testa e então a puxou para um abraço. Regina se jogou em seus braços sem pestanejar. Os braços de Emma sempre foram o melhor lugar do mundo, a morena se sentia bem ali, se sentia segura, protegida, em paz. Se deu conta de que nunca tinha realmente deixado de gostar de Emma, apenas tinha dado um jeito de camuflar seus sentimentos, mas já não conseguia mais esconde-los, eles estavam de volta, aparentemente mais forte do que foram um dia.

– Eu amo você, Emm! — Surrou no ouvido da amiga, lhe arrancando lágrimas e um sorriso enorme.

– Eu também amo você, Regina Mills!

Notas finais
Então, o que acharam? Não sei qual dessas duas tem a vida mais ferrada. Acho que da empate técnico né? hahaha O que eu posso adiantar do próximo capitulo? Para a loucura da Regina, a Jennifer vai dar o ar da graça. Daniel também fará uma breve aparição. E assim, não que vocês estajam interessadas, mas as duas vão mudar o status de relacionamento hahaha. Já tenho medate do capitulo pronto, se vocês deixarem aquele review incentivador, prometo que logo, logo estarei de volta com mais. Combinado? Boa semana a todas! Beijos