Escape

28 Um jeito um tanto quanto egoísta de amar


Notas iniciais
Bom dia! Boa tarde! Boa noite! Enfim, oi! Demorei um pouquinho mais dessa vez, mas aqui estou, com um capítulo não muito feliz, devo acrescentar. Quero agradecer a todas que passaram por aqui e deixaram aqueles comentários fofos-lindos, quero agradecer a quem favoritou e quero agradecer as leitoras que deixaram de ser fantasmas. E leitoras novas, sejam muito bem vindas, e espero que vocês curtam essa viagem. Quero fazer um agradecimento especial a fofa da Olivia, que fez uma recomendação muito amada a ff. Olivia, mais uma vez, muito obrigada, adorei suas palavras, li e reli algumas vezes. Muito obrigada! Acho que hoje não tenho nenhum aviso, tá tudo bem tranquilo e acho que vocês já sabem o que espera vocês ali embaixo. Então, é isso, vamos lá!

As crises de choro de Emma continuaram durante toda semana, um pouco mais contidas, um pouco menos desesperadas, mas continuaram. Sempre que estava prestes a chorar, tentava dar um jeito de fugir de Regina, preferia chorar sozinha, preferia sofrer sozinha, era mais fácil desse jeito. Se sentia cada vez mais culpada, cada vez mais errada quando a morena lhe pegava chorando, e chorava junto enquanto tentava a consolar sem saber o verdadeiro motivo. Algumas vezes até tentou falar a verdade, mas fracassou em todas essas vezes, então começou a adiar de um dia para o outro, e o tão temido momento acabava nunca acontecendo.

Regina já não sabia mais o que pensar sobre as crises da namorada. As vezes achava que ela estava daquele jeito, porque mais dia, menos dias, a morena teria que ir embora, e ela teriam que se separar, mesmo que temporariamente. Outras vezes achava que não era exatamente aquele o motivo das choradeiras, as vezes tinha quase certeza que Emma não estava lhe contando algo, e era esse algo, que estava a deixando daquele jeito. Tentou de todos os jeitos possíveis descobrir se existia mesmo alguma coisa. Mais dúvidas foi tudo o que conseguiu. Por fim, resolveu desistir, antes que acabasse fantasiando coisas que não existiam e brigasse com Emma por tal motivo. Se existia mesmo alguma coisa de errado, uma hora ou outra, Emma acabaria contando, não conseguiria sofrer daquele jeito sozinha por muito tempo, então tudo que Regina precisava fazer era ser paciente, e esperar até o momento de desabafo.

Mais um domingo tinha chego e mais um domingo as duas se atrasaram para as visitas, coisa que acontecia cada vez com mais frequência e que deixava Robin muito irritado. Regina não fazia por mal, odiava se atrasar, odiava fazer o que estava fazendo com o marido, ele não merecia aquilo, mas simplesmente perdia a noção da hora. Ao avistar o homem ela abriu um sorrisinho de desculpa, e caminhou rapidamente até ele, lhe deu um breve abraço e um beijo no rosto, e antes que ele tentasse um contato maior, ela sentou-se.

O homem suspirou, coçou a cabeça, e lançou um olhar mortal em direção a Emma, que tinha acabado de sentar à mesa com os pais. Não pôde deixar de sorrir para a loira, ao vê-la olhando em sua direção. Não estava nem um pouco feliz com o atraso da mulher, e ficava ainda pior sabendo o motivo de tal atraso, mas não se permitiria ficar irritado naquele dia, já que enfim, veria Emma se dando mal. Dali alguns minutos, a maldita loira voltaria a ser passado, e ele faria de tudo para que ela jamais saísse de lá outra vez. Em sua mão, segurava um envelope amarelo, dentro dele, estava a destruição de Emma Swan. Segurou o papel com força, antes de sentar-se de frente para sua mulher e sorrir parar ela.

– Está tudo bem? Cadê Henry? – Estranhou a ausência do filho, e seu lado paranoico protetor, já a fez pensar que tinha acontecido algo com o garoto.

– Está tudo ótimo, querida. – Voltou a sorrir. – Henry está esperando lá fora, tenho alguns assuntos para tratar com você e não acho interessante ele presenciar. – Desconfiada, Regina assentiu com a cabeça. Manteve os olhos no marido tentando imaginar quais assuntos seriam esses. Emma logo veio em sua mente, mas pelo semblante tranquilo do homem, teve quase certeza que não se tratava da loira.

– E que assuntos seriam esses? – Indagou com curiosidade. O homem lhe estendeu as mãos, pedindo pôr as dela. Ao recebe-las ele as afagou com os polegares.

– Tenho dois, um ótimo e outro nem tanto. – De novo ela assentiu. – Vou começar pelo ótimo, pode ser? – Concordou.

– Fala logo, homem! Esse suspense está me matando. – Ele sorriu.

– O próximo domingo vai ser seu último domingo aqui. – Contou com empolgação. Ao ouvir tal coisa o pequeno sorriso da morena desapareceu, e o coração dela acelerou. – Dia sete, uma quarta-feira, as 13:00 horas, você se tornará uma mulher livre novamente, querida. Dez dias, apenas dez dias separam você da liberdade. Isso não é incrível? – Não. Não. De incrível aquela notícia não tinha nada, era horrível. Não que quisesse continuar presa, porque não queria. Queria muito voltar para o seu filho, seu trabalho, para a sua vida, o problema era que pra fazer tal coisa, teria que deixar Emma, e honestamente, não estava nem um pouco preparada para fazer tal coisa. Pensou que tinha pelo menos mais um mês por ali, não estava preparada para míseros dez dias. Se perguntava o que fazer. Como daria a notícia a Emma? Tinha medo que a namorada tivesse outra das suas crises de choro. Tinha medo de não conseguir consola-la. Na verdade, tinha medo de se descontrolar junto com ela. E por último mais não menos importante, tinha medo de ir embora. Não conseguia imaginar uma despedida, não conseguia imaginar-se dando as costas para Emma e caminhando para fora dali sem a namorada. Não conseguia se imaginar indo embora, na verdade tinha pavor de imaginar tias coisas. Porque por mais que tentasse ser otimista e pensar que dessa vez tudo seria diferente, que elas poderiam enfim tentar alguma coisa, tinha medo do futuro. Medo de quem não conseguissem, medo de mais uma vez perder-se da amiga. E caso tal tragédia acontecesse, não fazia ideia do que faria da vida. Tinha se tornado completamente dependente de Emma, precisava de altas doses diárias da namorada para se sentir bem. Então como seria feliz lá fora sem ela? Sabia que durante o dia teria distração e conseguiria encarar, mas e as noites? E quando todos já estivessem dormindo, e a sua única companhia fosse a solidão? E quando a saudade batesse e as lembranças atormentassem? – Querida? – A voz do marido a trouxe de volta a realidade. Tinha lágrimas represadas em seus olhos e naquele momento estava fazendo de tudo para não deixa-las cair.

– Como? – Sua voz saiu embargada, e Robin sabia exatamente o motivo daquilo, sabia também o motivo pelo qual os olhos da mulher estavam cheios de lágrima, mas naquele momento aquilo não estava o preocupando. Tinha certeza que quando desse a segunda notícia, Regina iria embora dali sem ao menos olhar para trás.

– Isso não é incrível? – Indagou de novo. Regina tentou sorrir e concordou.

– Claro. – Foi tudo que pôde dizer, e teve certeza que aquele “claro” não foi nem um pouco convincente, mas não se importou muito com aquilo, estava abalada demais para pensar em como não magoar o marido.

– É por ela que você está assim, aparentemente triste com a notícia? – A pergunta totalmente direta de Robin, faz a morena desviar os olhos dos dele.

– Por favor! – Pediu, querendo não entrar naquele assunto.

– Tudo bem, eu não vou fazer uma cena nem nada disso. – Garantiu. – Apenas me responda. – Ela suspirou e voltou a encara-lo. Se era o que ele queria saber, então diria.

– O que você acha, Robin? – Indagou sem desviar os olhos dos dele. Naquele exato momento ele teve vontade de pular no pescoço da mulher, teve vontade de lhe dar uns tapas, gritar algumas palavras e lembra-la que ela era e seria dele para sempre, mas não faria aquilo naquele dia, tinha uma ideia muito melhor, machucaria Regina sem sequer encostar um dedo nela. A segunda notícia que tinha para dar, deixaria a mulher arrasada e ele ficaria satisfeito em assistir aquilo de camarote.

– O que eu acho? Acho que ela não merece seu amor. – Respondeu tranquilamente.

– Robin, nós precisamos muito conversar sobre isso entre outras coisas, mas não hoje e nem aqui. – Soltou com o ar.

– Eu imagino que você queira conversar, e imagino também o teor da conversa, mas acho que nós não vamos chegar a tê-la, querida. – O sorriso cínico que lançou para a mulher a deixou com nojo. – Sabe por quê? – Voltou a sorrir. – Por que a segunda notícia que eu tenho para lhe dar envolve sua... namorada? Mulher de prisão? Que termo vocês usam? – Indagou com deboche. Regina sentiu o sangue ferver nas veias, teve vontade de levantar e virar a mão na cara do marido, mas ao invés de fazer tal coisa, apenas respirou fundo, fechou os olhos e massageou as têmporas.

– Namorada, mulher de prisão, amante, amor da minha vida... – Abriu os olhos e lhe devolveu o sorriso cínico. – Você pode escolher, querido, use o termo que achar melhor. – Qualquer sorriso que o homem tinha no rosto, desmanchou-se ao ouvir tamanha provocação. De novo sentiu vontade de dar uns tabefes na mulher. Ela lhe traia sem nenhuma cerimônia e ainda fazia questão de debochar como se ela fosse a pessoa certa da história? Respirou fundo, engoliu a raiva e lhe retribuiu o sorriso.

– Muito bem, querida, vamos falar sobre o “amor da sua vida”, então. – Avisou. – Trouxe algumas fotos para você. – Pegou o envelope amarelo que estava sobre suas pernas e o estendeu para a mulher, que prendeu os olhos lá.

– O que é isso? – Mentalmente estava se perguntando o que aquele envelope tinha a ver com a Emma, e pediu a Deus que não tivesse nada.

– Fotos, como eu já disse. – Tirou os olhos do envelope e voltou a prende-los no marido, que mantinha o sorriso debochado no rosto. De novo ele lhe voltou a lhe oferecer o envelope, e um pouco hesitante ela o pegou. Não fazia ideia do que aquilo tinha a ver com Emma, mas estava com um certo receio de descobrir, por tal motivo tirou as fotos lá de dentro sem pressa alguma.

– Quem é esse? – Indagou ao ver a foto de um homem completamente desconhecido, de meia idade e com cara de poucos amigos.

– Gold. – Foi tudo que respondeu. Regina lhe lançou um olhar de quem não estava entendendo absolutamente nada. Quando pensou em perguntar o que aquilo tinha a ver com a bicicleta, Robin voltou a falar. – Passe para a próxima foto, querida. – A mulher deu de ombros e fez o que lhe foi sugerido. O homem com cara de mau também fazia parte daquela foto, mas não estava sozinho, um outro homem, muito mais jovem estava ao lado dele. Regina teve a impressão que já tinha visto o mais jovem em algum lugar. Seus olhos ficaram nele, enquanto sua mente buscava informações sobre ele. Não demorou muito para lembrar-se, até porque ele tinha estado ali naquela prisão há exatamente duas semana. Tinha vindo visitar Emma, segundo ela, eles eram velhos amigos. Seus olhos continuavam presos a foto, seu coração estava acelerado. Sabia que tinha alguma coisa de errado com aquelas fotos que pareciam ter sido feitas por um detetive, investigador ou coisa do gênero, e estava tentando não pensar que Emma tinha alguma coisa a ver com aquilo. – Reconheceu? – O indicador de Robin parou em cima da imagem do homem mais novo. – Sei que sim, além de ter uma memória extraordinária, você não perde um movimento do “amor da sua vida”, então com certeza você lembra que esse cara esteve aqui há duas semanas. – Regina não conseguia desprender os olhos da imagem, suas mãos já tremulas não conseguiam passar para a foto seguinte.

– Quem são eles? – Não, ela não queria saber, até porque no fundo já sabia, só não queria uma confirmação, mas precisava, precisava daquela resposta.

– O que você acha que eles são? – Irritada ela bufou e lançou um olhar nada amigável para o marido.

– Você vai falar ou vai tentar um jogo de adivinhações? Estou sem paciência para os seus joguinhos, queridos. Deixe pra tripudiar mais tarde. – Esbravejou, o fazendo levantar as mãos em sinal de inocência.

– Ok, não se irrite. – Pediu. – Eles são traficante, Regina. – Pronto, ele tinha acabado de confirmar o que ela já sabia e fez aquilo com muito prazer. Não deu nem tempo para a mulher assimilar aquilo, puxou as fotos das mãos dela, e resolveu continuar. – O mais novo se chama Jefferson. – Contou e jogou uma nova foto em cima da mesa, foto em que Jefferson estava em um carro, observando Robin entrar em seu escritório. – Ele está me perseguindo. Não sei como começou, muito menos porquê, mas percebi no começo dessa semana, chamei um detetive e resolvi pagar com a mesma moeda, mandei o investigar. – Os olhos assustados e surpresos da morena estavam na foto que o marido tinha atirado a mesa. – Sabe o que eu descobri? – Ela estava louca para gritar que não sabia e nem queria saber, mas estava tão perplexa com aquilo que sequer conseguiu abrir a boca. – Que ele também está perseguindo Henry. – Jogou uma outra foto para mulher, nela o tal Jefferson também estava em um carro, dessa vez observando Henry parado em frente ao portão do colégio, conversando com alguns colegas. – Ele foi no café também. – Mais uma foto foi atirada a mesa. – Regina estava tão mortificada que não conseguiu sequer levantar os olhos para ver a nova imagem. – Não sei exatamente o que um traficante quer com a nossa família, mas posso lhe afirmar com toda certeza do mundo que isso tem e muito a ver com o amor da sua vida. – Falou com desprezo. — Jefferson trabalha para esse tal Gold, que por sinal é um dos maiores traficantes de Nova York. E ao que tudo indica, Gold também é patrão do amor da sua vida. – Lágrimas nublaram a visão da morena. Decepção, decepção tomou conta de todo seu ser. Emma mentiu, de novo. E de novo, pelo maldito mesmo motivo. O problema não era só esse, não, o problema foi que jurou falar a verdade, e afirmou mais de uma vez que estava longe do tráfico.

Mentiu, manipulou, traiu, fez tudo aquilo na maior cara de pau. Ao pensar sobre aquilo, Regina sentiu-se enganada, manipulada, sentiu nojo e raiva de si mesma por mais uma vez ter acreditado e confiado cegamente na maldita mentirosa.

Irritada, magoada, ressentida, juntou as fotos que estavam em cima da mesa, as pegou, levantou-se e sem trocar uma palavra com o marido, saiu dali. Caminhou a passos largos em direção aonde Emma estava com seus pais.

Ao percebe-la se aproximando, a loira sorriu, mas tal sorriso foi se desmanchando aos poucos, quando viu o quanto a namorada parecia nervosa e irritada. Regina parou em frente a amiga mentirosa, ignorou os tios que lhe diziam alguma coisa, balançou a cabeça em sinal de reprovação e jogou as fotos em cima da mesa. Lentamente Emma tirou os olhos da morena e os concentrou no que a mesma tinha lhe atirado, suas pernas fraquejaram quando viu do que se tratava.

– Não sei porque ainda vou perguntar isso para você, não sei porque ainda vou perder meu tempo com você. – Sua voz saiu dura e fria. Pânico, Emma sentiu o pânico tomar conta de si.

– Isso o quê? – Indagou em um fio de voz, seus olhos continuavam nas imagens, não tinha coragem de levantar a cabeça para encarar Regina.

– Esse cara da foto estava aqui há dois domingos. Qual o nome dele? – Manteve o mesmo tom de voz.

– Jefferson. – Sussurrou.

– Jefferson! – O último fio de esperança que seu coração idiota insistia em ter sobre tudo aquilo ser um mal entendido, morreu com a confirmação do maldito nome. — O que Jefferson é seu? – Não sabia como ainda tinha o controle da situação, não sabia como ainda estava mantendo o tom de voz calmo, quando na verdade sua vontade era gritar, xingar, acusar.

– Amigo. – Regina balançou a cabeça em sinal de indignação com a mais nova mentira.

– Amigo, ou “colega de trabalho?” – Sua pergunta soou sarcástica. — Robin percebeu que estava sendo perseguido, então contratou um detetive e colocou atrás do perseguidor. – Ainda não tinha lhe caído a ficha, ainda não conseguia acreditar que Emma tinha metido sua família naquilo. – Descobriu que não era só ele quem estava sendo perseguido, Henry também estava. – Ao imaginar um maldito traficante atrás de seu filho a raiva a dominou. – HENRY, EMMA, HENRY! – Fechou a mão em punho e a chocou contra a mesa diante de si. Ao ver que tinha chamado a atenção de todos com seus berros e o soco que deu na mesa, fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes, tentando se controlar. – Sabe o que mais ele descobriu? – Indagou ao abrir os olhos. Sua irritação cresceu ainda mais por Emma não ter coragem de encara-la. – Olha para mim! – Ordenou. Lentamente, a loira a obedeceu, levantou a cabeça e a encarou. Lágrimas vieram aos seus olhos ao ver o semblante irritado e decepcionado de Regina. – Ele descobriu que esse perseguidor trabalha para um dos maiores chefões do tráfico aqui de Nova York, e olha só que coincidência, esse perseguidor ninguém mais é do que seu amigo Jefferson. – Respirou fundo e voltou a chocar as mãos contra a mesa. – Agora eu lhe pergunto, por que diabos a minha família está sendo perseguida por um maldito traficante? – Emma deixou a primeira lágrima cair. Regina sabia de tudo. Descobriu da pior maneira possível, e agora estava a odiando, claro que estava, estava nítido nos seus olhos irados. E pior, não tinha o que falar, não tinha como se defender. Mentiu quando teve a chance de falar a verdade, e não teve só uma chance para fazer tal coisa. Teve dias, semanas, meses, e a única coisa que fez foi empurrar com a barriga, adiar, deixar para lá, fingir que não existia um problema, fingir que estava tudo bem e que seriam muito felizes, obrigada. Claro que Regina acabaria descobrindo, como sempre descobria.

– Eu não sei... – Simplesmente não tinha coragem de admitir aquilo, porque sabia que a partir de tal momento, Regina deixaria de ser sua.

– A VERDADE, EMMA! – Em um momento de descontrole por mais uma mentira acabou gritando mais uma vez. – A droga da verdade, pelo menos uma vez na vida, seja honesta. – Ordenou. Emma respirou fundo, balançou a cabeça concordando, e deixou mais algumas lágrimas caírem.

– Jefferson trabalha para Gold. – Começou completamente hesitante. – Assim como eu. – Ouvir Regina suspirar, a fez ter vontade de se descabelar, de se atirar aos pés da namorada e implorar por perdão. – Eu tentei sair, depois daquela conversa que tivemos no dia que discuti com Robin no telefone. Eu liguei para Jefferson e pedi para ele avisar Gold que eu estava fora. Por uns meses eu pensei que tinha conseguido, juro que pensei, até que Jefferson apareceu por aqui. – Fez uma pausa para tomar ar e junto tomar coragem para contar tudo. – Ele me trouxe um recado de Gold. Eu não posso sair do tráfico, Regina. Quero, mas não posso, não é algo negociável. Não posso porque sei demais e foi então que ele contou que Gold sabe sobre nós, sobre você. Por isso meu desespero durante essa última semana. Por ter metido você nisso. Por querer o que não posso ter. – Seus olhos desesperados e marejados, gritavam por perdão, ou pelo menos, para que a amiga tentasse entender seu lado.

– Você mentiu para mim, de novo. – Não foi uma pergunta, foi uma fria afirmação. A Regina indiferente dos primeiros dias naquele lugar, estava de volta, Emma teve certeza daquilo.

– Se eu falasse a verdade, você se afastaria, não teria ficado comigo. – Tentou se defender, arrancando um meio sorriso irônico da morena.

– Você mentiu, e olha só que gozado, eu não vou ficar com você. – Suas palavras saíram duras, e seguras. Falou com intenção de machucar e machucou. Emma sabia daquilo, mas ouvir a afirmação da boca da morena tornava tudo ainda pior. – Você não mudou, Emma. Você continua a mesma egoísta e mentirosa, você só pensa em você, na sua felicidade. – Não conseguiu manter os olhos nos da morena. Não queria ver a raiva, a decepção, a magoa que tinha lhe causado. – Estou falando com você, olha para mim! – Voltou a ordenar. Depois de engolir os soluços que ameaçavam escapar, Emma a obedeceu. – Você tem noção do que você fez? Tem noção do que a sua mentira fez? – Indagou perplexa. — Você meteu meu filho nisso. O desgraçado de um traficante tem fotos dele. Sabe onde ele estuda, onde ele mora, com quem ele sai ou deixa de sair e tudo isso é culpa sua. – Acusou. Emma não disse nada, não tinha o que dizer, não tinha como se desculpar, então só balançou a cabeça concordando. – Se alguma coisa acontecer com ele, Emma, eu juro por tudo que existe de mais sagrado, que eu mato você, juro que mato. – Ameaçou, antes de dar as costas para agora ex-namorada para sair dali. Emma rapidamente se pôs de pé e puxou Regina pela mão, não a deixando ir. Não podia ir, pelo menos não daquele jeito. As coisas não poderiam terminar de novo assim, não teria forças para aguentar.

– Regina, espera, me deixa tentar explicar. – Pediu. A morena bufou, voltou-se para a mentirosa e puxou sua mão para longe da dela, não queria mais nenhum tipo de contato entre elas.

– Explicar? Explicar que você é a droga de uma mentirosa, mesquinha e egoísta? Não precisa, eu já sei. – Cuspiu as palavras.

– Regina, eu sinto muito, ok? De verdade, sinto muito. – Falou em tom de desespero. – Não passou pela minha cabeça que isso pudesse acontecer. Pelo amor de Deus, Regina! Eu adoro o seu filho, jamais colocaria ele nessa situação, por favor, acredita em mim. – Implorou entre as lágrimas, mas não, aquilo não comoveu a morena, que continuava com semblante de indiferença.

– Acreditar? Eu acreditei em você todas as vezes que você disse que era a última vez que estava vendendo as malditas drogas. Eu acreditei em você, quando você disse que ia largar a faculdade por apenas um período. Acreditei em você quando você disse que faltou a entrevista de trabalho porque teve uma mal-estar. Acreditei em você quando você jurou que carregar a sua maldita mala de dinheiro não me traria problema algum. Acreditei quando você disse que precisava ir porque não sentia por mim o que eu sentia por você. – Droga! A última frase trouxe lágrimas aos seus olhos e fez sua voz embargar. Não podia chorar, Emma não merecia suas lágrimas, mas mesmo assim a primeira resolveu cair. – Acreditei quando você voltou e disse que foi embora por medo que as coisas não desse certo entre nós e acabássemos perdendo até a amizade. Acreditei quando você declarou o seu amor. Acreditei quando você disse que gostava do meu filho. E acreditei quando você disse que não estava mais envolvida com o tráfico de drogas. – Suspirou e passou a mãos pelos olhos, tentando se livrar das lágrimas estúpidas. – Passei uma boa parte da vida acreditando em você, Emma. E o que eu ganhei em troca? Mentiras. – Suspirou. – Então não, Emma, não me peça mais para acreditar em você, porque eu simplesmente não consigo. Cansei, simplesmente cansei. – Uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto. Olhou nos olhos marejados e desesperados da amiga por uma última vez e voltou a lhe dar as costas.

– Eu amo você, por favor! – Emma soluçou a frase.

– Você tem um jeito um tanto quanto egoísta de amar. – Continuou de costas para a amiga. — Infelizmente eu também amo você, e provavelmente esse maldito sentimento nunca vai deixar de existir. Você não tem noção do quanto eu sofri, do quanto eu penei quando você simplesmente resolveu ir embora, mas eu aceitei. – Respirou fundo, engolindo a vontade de voltar a chorar. — Mesmo querendo você, mesmo sofrendo por saber que nunca teríamos nada, eu aceitei. Se era o que você queria, se seria o melhor para você, então eu precisava compreender e aceitar. Amar é isso, não é? Não pensar só em si, mas também em quem se ama. – Suspirou. – Você em momento algum pensou em mim, Emma. Não pensou nas possíveis consequências. Você simplesmente só pensou em você, no que você queria. Você fez o que sempre faz, colocou sua vontade acima de tudo, sem se importar com mais nada. – De novo tentou ir, e de novo Emma impediu, grudando a mão no pulso da morena.

– Não quis isso sozinha, não decidi por nós duas. – Regina balançou a cabeça concordando.

– Eu quis também, não estou dizendo que não. Quis como quis há treze anos e assim como aconteceu há treze anos, eu teria guardado essa vontade para mim, se você tivesse tido a decência de falar a verdade. – Rebateu. — Querer nem sempre é poder, Emma. Você tem que aprender isso, para o bem das pessoas que você diz amar. – Tentou liberar o braço do aperto da loira mentirosa, mas Emma não deixou. Não queria, não podia solta-la, não podia deixa-la ir, sabia que a partir do momento que a largasse, Regina voltaria a sair da sua vida. – Larga o meu braço, agora! – Ordenou. Sua paciência estava no limite, na verdade estava se esforçando e muito para não gritar, e fazer um escândalo. Só Deus, sabia o quão difícil estava sendo manter o tom de voz calmo.

– Nós podemos dar um jeito nisso, Regina. Não precisa terminar assim. – Implorou, fazendo a morena abrir um sorriso sarcástico, e voltar-se para a loira absurda.

– Não? Como você sugere que termine, então? Com seus traficantes pondo as mãos no meu filho sempre que você contraria-los? – Estreitou os olhos pensando naquilo. – Você não tem noção do quanto estou te odiando nesse momento. Ainda não consigo acreditar que por sua culpa, esses malditos, desgraçados, perseguiram meu filho. – Bufou, e balançou a cabeça em sinal de descrença.

– Nós podemos fugir. – Sugeriu. O desespero já tinha tomado conta de si há algum tempo. – Foge comigo, para bem longe desse maldito país. Vamos fugir, você, Henry e eu. – Se não estivesse tão brava e magoada, Regina talvez tivesse sentido pena da ex-namorada naquele momento.

– Eu não vou fugir com você. Primeiro, porque eu não tenho motivos para isso, não fiz nada de errado para sair fugida do meu país. Henry e eu temos uma vida aqui, temos família e amigos aqui e vamos continuar exatamente no mesmo lugar. – Ao ouvir sua única solução para toda aquela merda de história ser negada, o choro de Emma tornou-se compulsivo. – Segundo, para fugir com você, eu teria que confiar em você. E honestamente? Nem que eu quisesse muito, conseguiria mais fazer isso. – Emma abriu a boca para voltar a implorar, mas Regina foi mais rápida. – Terceiro, suas mentiras. Não importa para que lugar do globo você venha a se mudar, suas malditas mentiras vão sempre acompanhar você, Emma. Você... você é doente. Acho que você mentiu tanto e por tanto tempo que simplesmente não consegue mais dizer a verdade. – Puxou seu braço com força, conseguindo livrar-se da mão da loira. — Procure ajuda, trate-se disso, porque se você continuar assim, vai terminar seus dias sozinha. – Mais uma vez deu as costas para Emma, que aos prantos acompanhou a amiga atravessar o refeitório indo de encontro ao marido e a Henry, que tinha aparecido por lá.

Sentiu a mão do pai sobre seus ombros, e rapidamente as tirou de lá. Não queria conforto, nem queria mais sermões, não queria nada que não fosse Regina. Não queria abrir mão dela, não aceitava aquele fim, não podiam se separar. Seriam felizes juntas, só precisava convencer a morena a tal coisa. Sem pensar duas vezes, correu em direção a amiga, e antes que a mesma pudesse alcançar a mesa onde estava sua família, Emma a abraçou por trás, a imobilizando e assustando.

– Não faz isso. Não volta para ele, por favor, me dê mais uma chance. – Pediu aos prantos, enquanto apertava os braços em volta de Regina. Assustada pela ação inesperada de Emma, e ainda mais irritada por ela ter chamado a atenção de todas as pessoas que estavam naquele lugar, incluindo Henry, Regina bufou, e tentou libertasse daquele abraço.

– Me solta, Emma! Não me faça perder o pouco da paciência que ainda me resta. – Sua voz soou ameaçadora.

– Não posso fazer isso, não posso deixar você ir. De novo não, Regina, de novo não. – A voz desesperada e o jeito com o qual Emma estava agarrada a ela, fizeram a morena vacilar. Ela lembrou-se da conversa que tiveram no começo da semana, lembrou-se sobre a história do colete salva-vidas e por alguns segundos acabou rendida. Fechou os olhos e sentiu uma imensa vontade de acompanhar Emma naquele choro desesperado. Estava a odiando mas nem por isso conseguia deixar de ama-la. Não deveria pensar na loira mentirosa, não deveria se importar, não depois do que ela fez, mas naquele momento não estava conseguindo tal coisa.

Quantas vezes durante os últimos anos imaginou-se partindo o coração de Emma? Quantas vezes fantasiou aquilo? Quantas vezes desejou uma oportunidade para dar o troco? Desejou tanto, com tanta intensidade, que ganhou tal chance, estava diante dela. Então por que era tão difícil fazer aquilo?

– Mãe? – Ao ouvir a voz do filho, voltou a abrir os olhos e deparou com ele em sua frente. – O que está acontecendo? – Indagou um tanto quanto assustado. Instantaneamente Regina lembrou-se porque tinha que fazer aquilo, porque não podia ficar, nem ser o colete salva-vidas de Emma. Sua raiva voltou a tomar conta da situação, e sem nem um pouco de delicadeza, suas mãos agarraram os braços de Emma, tentando solta-los de si.

– Me larga! – Ordenou.

– Não! – Recusou-se.

– Me larga, agora! – Emma nada respondeu, apenas apertou ainda mais os braços em volta da amiga. – Eu não quero machucar você, então vou pedir uma última vez, me solta, Emma. – Respirou fundo, tentando se controlar. – Me solta antes que eu meta a mão na sua cara, e você sabe que quando eu começo, não consigo parar. – Sim, Emma sabia exatamente o que acontecia, mas mesmo assim não iria solta-la, o único jeito de fazer com que a soltasse era mesmo partindo para agressão física.

– O que está acontecendo? – Henry estava cada vez mais assustado. Não fazia ideia do motivo pelo qual Emma chorava daquele jeito, muito menos o porquê ela estava agarrada a sua mãe e recusando-se a solta-la. E Regina? Nunca a tinha visto daquele jeito, nunca tinha a visto tão irritada, nem com um olhar tão gélido, muito menos tinha a visto fazer algum tipo de ameaça.

– Swan, Mills, algum problema? O namoro acabou ou coisa assim? – Mendez, o guarda que Regina e Emma mais odiavam por usar e abusar do poder que tinha, e que estava acompanhando a aparente discussão fazia algum tempo, apareceu por ali quando Robin, fez sinal com as mãos para que ele viesse. O guarda tinha um meio sorriso debochado no rosto, aparentemente se divertia com a situação, enquanto alisava seu bigode.

– Faça com que ela me solte. – Regina odiava aquele homem, simplesmente o odiava, mas naquele momento, não tinha a quem recorrer.

– Swan, largue a sua namoradinha, ou ex-namoradinha. – Ordenou com descaso e não foi obedecido. – Swan, agora. Não me faça repetir isso. – Ameaçou.

– Emma, por favor. – Regina pediu, temendo pela loira mentirosa. – Você tem que me soltar, não é como se eu fosse embora hoje ou coisa assim. – Tentou tranquiliza-la, quem sabe daquele jeito conseguisse libertar-se.

– Você não vai mais falar comigo, sei que não. – Antes que Regina pudesse abrir a boca, Mendez agarrou Emma pelo braço.

– Ó, que vida triste! Parece que você perdeu a namoradinha. – Debochou ao apertar o braço da loira com mais força do que o necessário. A dor fez com que afrouxasse os braços da amiga, que aproveitou a oportunidade para fugir do abraço. – Mills, é muita areia para o seu caminhãozinho, Swan. – Continuou a provocando, enquanto sua mão fazia cada vez mais força contra o braço da detenta.

– Regina! – Chamou ao ver a morena puxar o filho pela mão para que saíssem dali. – Por favor, Regina. – Ao contrário do filho, a morena não olhou para trás.

– Deixa eu contar uma coisa para você. – Mendez a puxou sem nenhuma delicadeza, a fazendo ficar diante de si. Se divertiu ao ver o quanto a loira parecia estar sofrendo. – Regina, usou e abusou desse seu corpinho e agora não quer mais, aceite. – Lhe sorriu. – Mas se você for uma boa menina, e souber fazer um bom boquete, posso dar meu pau para você se divertir. – Emma canalizou toda a frustração, tristeza, magoa, ódio de si, da vida e do mundo na sua mão direita, a fechou em punho e a acertou bem no meio do rosto de Mendez, fazendo seu nariz sangrar instantaneamente. Assustado pela quantidade de sangue que saía de lá, o guarda não conseguiu reagir a tempo de um outro soco lhe acertar, dessa vez o largo esquerdo de sua face. Emma ainda teve tempo para mais um soco, antes de um outro guarda aparecer por ali e imobiliza-la.

– Segura essa vaca! – Mendez ordenou ao seu companheiro. Cuspiu o sangue que tinha na boca, e lançou um olhar irado a Emma. — Você já era, Swan! Vou acabar com você. – Ameaçou, antes de virar um tapa no rosto dela, que mesmo sentido o rosto arder e tendo vontade de gritar contra o maldito, levantou a cabeça e lhe lançou um sorriso de provocação.

– Eu não tenho mais nada a perder, Mendez. – Deu de ombros. – Então faça esse favor para mim e para o mundo, acabe comigo. – Pediu.

Regina não viu o primeiro soco, mas virou-se a tempo de ver o segundo e o terceiro, e tais coisas a fizeram voltar, temendo por Emma. A amiga já não chorava mais, tinha um olhar vazio, e um sorriso desafiador. Sua última frase, que mais soou como um pedido, fez um arrepio percorrer a coluna da morena.

– Se você tocar a mão nela mais uma vez, como acabou de fazer, você vai arrumar um problema e tanto. – Regina ameaçou o guarda, chamando a atenção dele e de Emma para si. – Eu conheço muitos advogados, provavelmente conheço os melhores do país, mas para dar um jeito em um sujeito como você, não é preciso um dos melhores, qualquer um de porta de cadeia já resolve. – Apontou o indicador em direção ao homem, que tampava o nariz com a mão, tentando fazer com que o sangue parasse. – Você abusa do poder que tem, por todos esses meses vi você fazendo coisas asquerosas, e fiz não ver, agora chega. A próxima ameaça ou gracinha, que eu ver você fazendo, vou denunciar e eu juro por Deus que se isso acontecer, você vai parar atrás das grades. Será que você vai aguentar provar do próprio veneno, Mendez? – O olhar duro e irritado que a detenta lançava, junto com a ameaça que fez, fizeram com que o guarda recuasse.

– A leve para solitária! – Ordenou ao seu colega, e então voltou-se para Regina. – E você Mills, se não quiser terminar seus dias aqui no mesmo lugar que a sua namoradinha, sugiro que ande na linha. – Depois de tal sugestão, o homem lhe deu as costas e rumou para a enfermaria.

Adele — Don’t you Remember

Os olhos da morena, voltaram para Emma, que estava sendo arrastada dali, já que se recusava a andar. Emma manteve os olhos em Regina, enquanto a assistia ficar cada vez mais longe de si, dos seus planos, da sua vida.

O tapa que Mendez lhe deu, serviu para traze-la de volta a realidade, a fez enxergar com clareza, e seu coração deu lugar a razão, que tinha sido deixada de lado há algum tempo. Não podiam ficar juntas e não iam ficar, precisava e iria aceitar aquilo. Fez sua escolha há muitos anos, quando decidiu continuar com as drogas ao invés de arriscar-se por Regina, então teria que arcar com suas consequências. Não podia exigir que Regina entendesse, nem que aceitasse fugir consigo, não tinha aquele direito. Perdeu qualquer direito que talvez um dia teve sobre a amiga, quando resolveu deixa-la.

Quando foi embora deixou para trás a chance que tinha de ter uma vida ao lado de Regina. O que tiveram na prisão foi só uma amostra de como poderia ter sido, caso não tivesse sido covarde, mas a verdade é que por mais que tentasse, jamais conseguiria consertar as coisas, jamais voltaria a ter aquela chance que deixou para trás.

Regina já tinha a vida praticamente encaminhada, tinha uma família que a amava e faria qualquer coisa por ela. Tinha que aceitar que era com essa família que ela precisava seguir, tinha que aceitar perder. Em uma outra vida quem sabe, talvez conseguissem em fim ser felizes, talvez conseguissem pôr em prática tudo que planejaram, mas só em uma outra vida.

– Sinto muito! – Sibilou em direção a amiga. Foi impossível não lembra-se da primeira vez que foi embora.

Regina estava parada, com as mãos dentro dos bolsos, um semblante triste e cansado no rosto, e os olhos marejados presos a loira, assistindo de novo, a amiga sair da sua vida. Deixou uma lágrima fugir quando o guarda arrastou Emma corredor a dentro, a fazendo sumir da sua vista e novamente da sua vida. Nem na pior das hipóteses imaginou que tudo poderia terminar da pior forma possível mais uma vez, a verdade é que imaginou que dessa vez fossem finalmente ficar juntas.

Sentiu um vazio tomar conta de si, exatamente como há anos atrás, e exatamente como há anos atrás, ficou paralisada, os olhos fixos no lugar por onde Emma tinha saído, com uma falsa ilusão de que ela fosse voltar com uma solução mágica para toda aquela bagunça que era a vida delas, mas não aconteceu. Estava sozinha de novo, e tão perdida quanto quando tinha seus 20 anos, e mais uma vez, não fazia noção de como seguir em frente.

Notas finais
Então, o que acharam? Conto muitíssimo com a opinião de vocês. Próximo capítulo a Regina vai enfim embora, mas vai deixar uma cartinha. Quem quer saber se a Emma vai sair da solitária a tempo de receber essa cartinha das mãos da própria Regina, já sabe como faz, deixa um comentário, que eu prometo voltar o quanto antes. Sério, gente! Conto demais com a opinião de vocês. Beijo pra vocês e feliz páscoa a todas!