Notas iniciais
Oiiii, gente linda! Tudo bem com vocês? De novo eu demorei, sei, mas não me xinguem, além de ter problemas com o capítulo, tive que resolver alguns problemas pessoais e acabou atrasando aqui. Quero agradecer imensamente a todos os comentários lindos, fofos, amados, que vocês deixaram no último capítulo. AMEI! Me diverti muito lendo e respondendo. Vocês são as melhores leitoras! Um agradecimento especial a Branquinha, que fez uma recomendação amável a história. Amiguinha, mais uma vez, muito obrigada! Adorei suas palavras, adorei o jeito como colocou tudo, adorei, adorei! Obrigada de coração! Agora sobre o capítulo, a carta da Regina estará em itálico. Preparem-se para uma breve despedida. Adele está patrocinando mais esse capítulo, já que não existe nada de triste que as músicas dela não possam dar um jeito de piorar, certo? Acho que é isso. Aproveitem!

Um quadrado de 2x2mts, com muita iluminação, cheirando a mofo, vômito e urina, uma privada nojenta e um chão sujo, assim era a tão temida solitária. Emma encontrava-se deitada sobre o chão, ao lado de um amontoado e malcheiroso monte de comida que a mesma construiu durante aqueles dias.

Desejava que as luzes daquele lugar fossem apagadas, desejava viver no escuro, desejava esconder-se de si, desejava de algum jeito fugir, se esconder do mundo. Viver no escuro, talvez daquele jeito fosse mais fácil.

Não sabia há quanto tempo estava ali, não sabia sobre o dia da semana, sobre as horas, ou sobre ser noite ou dia, e também não se importava em saber. Não se importava com mais nada, honestamente não se importava. Um enorme vazio tinha tomado conta de si.

Quando chegou ali, chorou tudo que tinha para chorar, chorou até ficar exausta, chorou tanto que no final, as lágrimas acabaram. Na verdade, tudo tinha acabado, lágrimas, esperanças, vontade de viver. Tinha se dado conta que de nada adiantaria chorar, espernear, gritar, implorar, não, nada daquilo mudaria as coisas, nada traria Regina de volta, em algum momento passou a aceitar aquilo, o problema era que mesmo aceitando, não conseguia parar de pensar na amiga.

Seu olhar há muito perdido em um ponto qualquer do teto, junto com sua total falta de expressão e movimentos, a faziam parecer um vegetal e era exatamente o que ela desejava se tornar. Se houvesse um jeito, uma maneira, uma chance de não pensar mais, com certeza optaria por aquilo. Seria menos infeliz se de algum jeito, sua mente fosse desligada.

A verdade é que estava cansada, exausta de viver. Desejava morrer, desejava que aquela porcaria de vida chegasse de uma vez ao seu final. Viver era com certeza uma perda de tempo enorme. Sua família não merecia aquilo, não merecia o fardo, o incômodo que ela se tornou. A realidade é que era uma pedra no sapato de todos, para o bem deles e para o bem da própria Regina e sua família, era melhor que morresse logo, assim a vida de nenhum deles estaria mais em risco.

O problema é que era tão covarde, que não estava conseguindo dar cabo da própria vida, e ali dentro não tinha muita coisa que pudesse lhe ajudar com tal tarefa. Desde que chegou ali, ainda não tinha colocado um grão de comida na boca. As refeições que lhe era entregue todos os dias, estavam jogadas no chão, como não tinha apetite algum, aquilo não era difícil de fazer, o problema era que não conseguia fazer o mesmo com a água. Conseguiu ficar sem o líquido por um dia talvez, mas logo seu corpo, e seu instinto de sobrevivência a traíram, a fazendo voltar a tomar água, o que acabou com seu plano de morrer desidratada.

A falta de comida, junto com todo o tempo que passou ali sempre acordada, estavam a deixando fraca, abatida e apática. Há muito seu estômago e cabeça doíam, todo seu corpo estava aos poucos sendo tomado pela mesma dor. Já tinha vomitado algumas vezes, e como não tinha nada em seu estômago para pôr para fora, água e suco gástrico era tudo que vomitava.

O frio absurdo que se apossou de si, a fez pensar em levantar-se para procurar sua jaqueta, foi então que se deu conta de quão mal estava, já que só a menção de se levantar, fez tudo começar a girar. Fechou os olhos com força e quando os abriu, sentiu-se ainda pior. Desistiu da jaqueta, deixou sua cabeça cair contra o chão, voltou a concentrar os olhos na rachadura do teto que se movia cada vez mais.

Regina, a menina magricela, assustada, acuada, com olhos expressivos e uma cicatriz incrível, foi a última coisa que lhe veio em mente e a fez sorrir, até por fim perder a consciência.

(...) Regina andava lentamente pelo corredor, cabisbaixo, olhos no chão, olheiras profundas, ombros caídos, mãos dentro dos bolsos, com cabelos caídos sobre os olhos. A solidão e uma tristeza quase sem fim acompanhavam seus passos. Seu abatimento chamava atenção por onde quer que ela passasse, a morena não lembrava em nada a Regina segura, inabalável, de postura perfeita e caminhar seguro que andava por ali há dias atrás e aquilo chegava a ser perturbador. Sabia que sua briga com Emma era assunto ali dentro da prisão. Sabia que por onde passava, murmuravam sobre o assunto. Ouviu muitas fofocas a respeito, mas não tinha condições de bater boca, ou discutir com alguém sobre aquilo, então simplesmente ignorava.

Entrou na cela vazia e parou em frente a cama de Emma, seus olhos ficaram encarando o vazio por algum tempo. Deus! Como sentia falta dela, dos sorrisos, das risadas, dos abraços, da sua voz, de tudo. Fazia pouco mais de uma semana que não a via, mas aqueles dias tinham certamente durado alguns anos. Sentia-se angustiada, sozinha, perdida, ferrada. Sentia os ombros pesados, como se de repente carregasse o mundo nas costas.

Desde que Emma foi para a solitária, ficava o mínimo possível naquela cela, não gostava de ficar lá, porque mesmo que não quisesse, ficar lá a fazia ficar esperando. Esperando Emma voltar a qualquer momento. Esperando a amiga voltar para cela, parar em frente ao seu beliche, lhe falar alguma gracinha, lhe sorrir e subir, ou puxa-la para sua cama, para que passassem um tempo juntas. Esperando a loira voltar para os seus planos, para os seus sonhos, para a sua vida. Por mais que soubesse que não ia acontecer, esperava mesmo assim.

Suspirou e sem se dar conta, jogou-se na cama de Emma, fechou os olhos e abraçou o travesseiro da amiga, agarrou-se a ele e inspirou o máximo que pôde, sentido o cheiro dela invadir sua narina. Tal coisa chegava a ser quase reconfortante. De olhos fechados, sentindo o cheiro da ex-namorada, era quase como conseguir toca-la, senti-la, ouvi-la. Desejava ficar daquele jeito para sempre, ou pelo menos até Emma voltar correndo, com alguma solução mágica para que pudessem ficar juntas.

Ao sentir a cama afundar ao seu lado, seu coração bateu mais rápido, por uma fração de segundos pensou que podia ser Emma, mas perdeu o fio de esperança assim que abriu os olhos e deu de cara com Ruby. Os olhos verdes da amiga lhe analisavam atentamente, e a expressão em seu rosto era de pena.

– Hey, você! – Sorriu para a morena.

– Hey! – Foi tudo que respondeu. Desde os acontecimentos de domingo, Regina tinha voltado a se fechar para mundo. Então falava sempre o básico do básico.

– Como você está? – Indagou sem se abalar com a aparente falta de interesse da morena.

– Bem. – Ruby negou com a cabeça.

– Você parece muitas coisas, Regina. Bem não é uma delas. – Regina desviou os olhos da detenta e os prendeu nas grades do beliche de cima. – Converse comigo. – Ruby insistiu.

– Eu não tenho nada para conversar. – A voz da morena embargou.

– Por que você não me conta o que aconteceu no domingo? – Embora a prisão toda soubesse que Regina e Emma tinham brigado, ninguém sabia exatamente o motivo. Aquele assunto era com certeza o mais comentado ali, existiam até apostas sobre ele.

– Me deixa em paz, Ruby! – Pediu.

– Não. Eu deixei você em paz todos esses dias, e parece que você está cada vez pior. Eu sou sua amiga, não sou? – Insistiu e ganhou silêncio como resposta. – Qual é, Regina? Desabafa comigo, garanto que você vai se sentir menos mal se pôr para fora tudo que está represando aí dentro de você. – Regina manteve os olhos fixos nas grades por alguns segundos, antes de suspirar e lentamente encarar a amiga insistente. Ruby lhe lançou um sorriso solidário e bateu com as mãos sobre as pernas para que a morena deitasse lá e foi o que ela acabou fazendo. – Você já me ouviu e consolou incontáveis vezes, me deixa tentar retribuir isso. – Murmurou ao levar a mão até os cabelos negros da amiga, que deu um leve aceno com a cabeça, concordando. – O que está acontecendo? – Regina tirou os olhos da detenta e pensou por onde começar.

– Por que as pessoas amam? – Sussurrou a pergunta.

– Já imaginou como seria o mundo se as pessoas não amassem? – Os olhos da morena voltaram para os da detenta.

– Feliz. – Respondeu sem pestanejar. Ruby sorriu e discordou.

– Vazio. Um mundo cheio de pessoas vazias.

– Mesmo assim, seria melhor do que um mundo cheio de pessoas tristes. – Opinou. – Essa droga de sentimento só ferra com a vida da gente, Ruby. Todas as pessoas que eu amei, elas simplesmente foram tiradas de mim, de um jeito ou de outro. – Lamentou-se. – Minha irmã, morreu afogada. Minha mãe, suicidou-se, e essas fatalidades fizeram meu pai se afastar. Eu era só uma criança quando essa droga de sentimento começou a desgraçar minha vida. – Fechou os olhos, tentando não chorar. – Foram dias difíceis, dolorosos, intermináveis. — Soltou com o ar. — Emma, foi ela quem me ajudou a vence-los. É engraçado, porque éramos só crianças e eu não sei... nós sempre tivemos um tipo de ligação, ou coisa assim. – Suspirou. – Tem alguma coisa nos seus braços, seus abraços, nos seus sorrisos, na certeza da sua voz, eu não sei... ela simplesmente consegue deixar as coisas mais leves, mais suportáveis, menos tristes. – Sorriu. – Emma salvou a minha vida, ela foi minha amiga, minha família, meu muro das lamentações. Ela se importou, quando ninguém mais se importava. Como eu poderia não ama-la? Emma foi minha salvação, e um dia, tornou-se minha ruína. – Voltou a suspirar, ficou alguns segundos em silêncio, apenas engolindo a vontade de chorar. – Você não faz ideia do quanto eu sofri quando ela foi embora. Nem meu pai fez eu me senti tão rejeitada, quanto Emma fez quando disse que não me amava e por isso precisava se afastar. Foi então que esse maldito sentimento ferrou com a minha vida de novo. Pela primeira vez na vida eu me vi completamente sozinha, perdida, sem saber o que fazer, para onde ir. – Sua testa franziu e de novo precisou respirar para não deixar as lágrimas vencerem. – Você já sentiu como se estivesse sozinha no mundo? Era exatamente assim que me sentia. Simplesmente não tinha ninguém a quem recorrer, a quem desabafar, a quem receber um abraço de consolo. A pessoa, a única pessoa a qual eu pediria ajuda, tinha me dado as costas e ido embora. – Fez uma pausa para organizar os pensamentos. – Eu a odiei por isso, odiei muito, muito mesmo. O ódio me fez esquecer tudo que ela já tinha feito por mim, fez eu esquecer o quanto ela tinha me ajudado, me consolado, me feito sorrir quando tudo que eu queria era chorar. Bloqueei todas as lembranças boas. Sempre que pensava nela, pensava só nas coisas que eu tinha feito por ela, nunca ao contrário. Esse ódio só cresceu com o tempo. Cresceu a cada ano que passei sem receber sequer uma carta, um bilhete com um simples “oi”. Depois de todo esse tempo pensei ter superado, sabe? Pensei que só tinha restado o ressentimento, até o dia que nós nos esbarramos aqui. – Abriu os olhos e os fixou no teto. – Eu tentei lutar contra, juro que tentei. Tentei me manter o mais afastada possível, porque eu sabia que se a deixasse chegar perto de novo, todo o ódio que eu construí, seria destruído e não deu outra, foi o que aconteceu. A verdade é que eu nunca deixei de ama-la, apenas camuflei o amor com o ódio, mas esse sentimento idiota nunca deixou de existir. – Balançou a cabeça em sinal de descrença. – Eu ainda a odeio, mas eu a amo muito mais e mais uma vez essa droga de sentimento está acabando comigo. – Lamentou-se.

– Essa provavelmente foi a coisa mais bonita que já escutei em toda minha vida. – Ruby deixou escapar seu pensamento, arrancando um sorriso irônico de Regina.

– De bonito isso não tem absolutamente nada, a não ser que você tenha tendência a dar esse nome a desastres. – Voltou a fechar os olhos.

– Ah, qual é? Regina, eu não sei sobre a história que você tem com o seu marido, nem duvido que você goste dele ou coisa assim, mas o pouco que eu sei sobre a história que você tem com a Swan, é suficiente para eu afirmar com toda a certeza do mundo, que ela é a sua pessoa. E tudo que eu presenciei durante todos esses meses, me faz ter certeza também que você é a pessoa dela. – Regina se sentiu ainda mais triste ao ouvir tal coisa, se eram uma da outra então porque diabos não podiam realmente ser? – Tudo bem, ela errou com você, mas quantos anos vocês tinham? Dezenove? Vinte? Ninguém é expert nessa história de amor com tão pouca idade. – Seus dedos alisavam ternamente os cabelos da morena. – Eu gosto daquela loira encrenqueira, mas você, gosto de você como se você da minha família, algo como, a irmã que eu nunca tive. – A morena esboçou um sorriso ao ouvir aquilo. – Então você pode ter certeza que eu não diria nada que pudesse de algum jeito, vir a prejudicar ou magoar você. Eu acompanhei esse romancezinho de prisão desde os primórdios. – Seu indicador cutucou o nariz da morena, de novo a arrancando um sorriso. – E eu posso lhe dizer que o que eu vi aqui, não foi só um romancezinho de prisão, não, foi muito além de disso. O que eu presenciei aqui foi o amor de uma vida inteira. Não perca isso por medo, ou por uma briga boba. Seja feliz Mills, você merece muito ser feliz, e você sabe exatamente quem é a pessoa que pode dar isso a você. – Regina concordou com a cabeça, as últimas palavras de Ruby fizeram com que as temidas lágrimas caíssem, suas mãos foram imediatamente ao rosto, livrando-se daquilo.

– Eu quero, você não tem ideia do quanto eu quero. – Soltou com o ar. Respirou fundo antes de abrir os olhos e encarar a amiga. – Mas eu não posso. – Os olhos desesperados e marejados da morena, gritavam por ajuda.

– Por que não? – Ruby queria de alguma formar poder ajudar, ver Regina, a até então inabalável Regina daquele jeito, era no mínimo angustiante.

– Você sabe por que Emma está aqui? – A ruiva afirmou com a cabeça. – Digamos que ela está presa a isso pelo resto da vida, mesmo que ela não queira, ela tem que continuar, porque sabe demais para ser livre. – Explicou rapidamente. – Descobri isso naquele domingo que ela foi para a solitária e descobri da pior forma possível. Robin me trouxe umas fotos, dos... – Antes de continuar passou os olhos pela cela, para ter certeza que não tinha ninguém por perto. – Dos traficantes com quem ela trabalha. – Sussurrou e mais uma vez Ruby assentiu. – Um deles estava perseguindo a minha família. Tem fotos dele observando Robin, Henry, a cafeteria, a nossa casa. Tem fotos até do nosso cachorro. – Sempre que pensava sobre aquilo, a raiva voltava a tomar conta de si. – Tudo isso porque, segundo ela, ela pediu “demissão”, ou sei lá o termo que eles usam.

– Eles usaram sua família para fazer chantagem com ela? – Regina afirmou.

– Sim. E sabe o que é pior? Emma me jurou que estava fora disso, que não fazia mais parte dessa loucura. Ela fez isso antes de nos envolvermos. Ela mentiu para mim, e por causa dessa mentira, esses malditos sabem sobre Henry. Eles perseguiram meu filho. – Estreitou os olhos. – Eu a odeio quando penso sobre isso. – Esbravejou.

– Eu... eu... não sei o que dizer. – Ruby imaginou diversos motivos pela briga que presenciou na sala de visitas há dois domingos, mas o real motivo nunca passou por sua cabeça.

– Você não precisa dizer nada, até porque não existe nada para dizer. Emma pode até ser minha pessoa, mas Henry, meu filho está acima de qualquer outra pessoa. Sem Emma, sei que vou sofrer, vou penar, vou chorar, mas vou sobreviver. Eu morreria se algo acontecesse a Henry, com certeza morreria. — Se sentia angustiada só de pensar sobre aquele assunto.

– Deve existir algum jeito. – Ruby murmurou enquanto tentava pensar em alguma saída.

– Já pensei muito sobre isso, e acredite, não existe. – Suspirou. – E mesmo que existisse. Como eu confiaria nela para dividir uma vida? Não tem como, não depois de tudo, de todas as mentiras, e acredite, não foram poucas. Não consigo mais, viveríamos de desconfianças. – A ruiva acenou com a cabeça, concordando. Por mais que gostasse de Emma, por mais que achasse que as duas tinham que ficar juntas, não tinha como fazer uma defesa diante daquilo. Além de estar envolvida com traficantes e ter metido indiretamente Regina e o filho naquilo, Emma ainda mentiu sobre tudo. Não existia excesso de confiança e boa vontade capazes de passar por cima daquilo, pelo menos não em um curto período de tempo.

– Eu sinto muito. – Regina concordou com a cabeça.

– Eu sinto muito também, mas sentir muito infelizmente não resolve nada. – Suspirou e voltou a abrir os olhos. Seus olhos se prenderam nos olhos verdes da amiga, que lembravam e muito os da sua irmã. Sorriu para ela. – Mas obrigada! — Agradeceu.

– Mesmo que vocês não fiquem juntas, acho que deveriam pelo menos conversar, sabe? Acertar as coisas. Só vocês, com mais calma, e sem toda uma plateia. — Opinou.

– Não vejo no que isso ajudaria. – Na verdade talvez tornasse as coisas ainda piores. Provavelmente acabariam abraçadas, chorando e se lamentando pelo o que não podia ser.

– Da última vez que vocês terminaram desse jeito torto, ficaram treze anos sem se falar, não é isso? – Regina afirmou. – Bom, treze anos para quem é jovem, não faz tanta diferença assim, mas daqui treze anos, vocês já não vão ser assim tão jovens. – Deu de ombros. – O que eu quero dizer é, não é porque vocês não vão dividir uma vida, ou coisas do tipo, que precisam terminar assim, brigadas. – Regina desviou os olhos dos da detenta. – Mills, você sabe como são as coisas aqui, você sabe que ela vai pensar todo o santo dia na briga que tiveram, nas coisas que você disse para ela quando estava com raiva e você sabe o quanto isso vai atormenta-la. Deixe seu orgulho de lado e termine isso de uma forma decente. – A morena suspirou, as palavras de Ruby já ecoavam em sua cabeça.

– Mesmo que eu quisesse, ela está na solitária, e acho que ela não vai sair até as 15:00 horas de lá. — Deu a desculpa.

– Então escreva. Escreva uma carta, xingue, desabafe, perdoe, se declare. Deixe tudo esclarecido, faça isso, não só por ela, mas por você também. Ninguém sabe o dia de amanhã, vai que por um milagre tudo se resolva. Ela não vai voltar a procurar você, caso você não dê essa chance. – Suspirou. – Dê a ela uma esperança, Regina, porque isso com certeza vai ser tudo ao que ela vai poder se agarrar aqui dentro. – Regina voltou a suspirar e lentamente concordou com a cabeça. Escrever, escrever com certeza era mais fácil e muito mais seguro do que ter que encarar a loira e olha-la nos olhos sabendo que não poderiam ter mais nada.

– Vou pensar. – Aquele era o jeito da morena de dizer que escreveria, Ruby sorriu, sabendo daquilo.

– Você é uma mulher difícil, Regina Mills. – O rosto da morena se contraiu em uma careta, ao ouvir a detenta lhe chamando pelo nome e sobrenome.

– Regina Mills, não me chame assim. – Pediu.

– Por quê? Não é esse seu nome? – Ruby arqueou as sobrancelhas, em sinal de dúvida.

– É, mas, só Emma me chama assim. Soa estranho ouvir de qualquer outra pessoa. – Compartilhou sua opinião, fazendo a detenta rir.

– Oh, que fofinha. – Apertou as bochechas da amiga. – Só Emma me chama assim. – Pegou no pé da morena. – Se Emma consegue de algum jeito patentear isso, vai ficar rica. – Regina riu ao ouvir tal coisa.

– Cala a sua boca! – Tirou a mão da amiga do seu rosto.

– Eu vou sentir sua falta, Mills. – Confidenciou ainda sorrindo.

– Eu também vou sentir a sua. – Lembrou-se da primeira vez que viu Ruby, do quanto a tinha achado louquinha. Naquele dia jamais imaginou que no final daquilo tudo, passaria suas última horas ali, deitada sobre as pernas da ruiva, sendo consolada por ela e ouvindo seus conselhos. – Eu quero que você me ligue. – Pediu.

– Ligar? – Arqueou as sobrancelhas, surpresa com aquilo.

– Sim. Vou deixar meu número. Quero que me ligue toda semana, para me falar de você e você sabe... – A detenta sorriu e afirmou com a cabeça. – Só não deixe ela saber disso. – Pediu. – Não me pergunte, apenas faça isso.

– Tudo bem, patroa, você quem manda. – Concordou.

– Quando você sair daqui, se não tiver ninguém para buscar você, ou qualquer coisa, me chame. — De novo a ruiva arqueou as sobrancelhas.

– Você está falando sério? – Sua expressão surpresa, deixou Regina sem entender.

– Por que não estaria?

– Eu não sei... – Deu de ombros. – Eu só pensei que você ia voltar a ser você... quer dizer... voltar para a sua vida, você sabe... — Tropeçou nas palavras.

– Você realmente me acha assim tão insensível? – Teve vontade de rir ao ver o quanto a detenta ficou sem jeito.

– Não. Não. Eu só... – Não esperava que Regina fosse sequer pedir que ela a ligasse, imagina então se oferecer para aparecer por ali no dia que fosse embora. – Sou uma presidiaria. – Regina acho graça.

– Eu também sou. – Ruby negou.

– É diferente. Você nem merecia estar aqui. Já eu estou aqui porque roubei e muito. – Tentou explicar.

– Oh sim, isso. Bom, eu espero que você tenha superado essa fase, porque não vou ficar nada feliz, se você continuar afanando coisas quando começar a trabalhar lá na cafeteria. – Os olhos de Ruby voltaram a crescer.

– O QUÊ? – Praticamente gritou.

– O que, o quê? – Se fez de desentendida.

– Repete o que você falou. – Pediu.

– Vou ficar brava com você se você continuar afanando as coisas quando for trabalhar lá na cafeteria. – Repetiu alto e claro.

– Qual cafeteria? – Regina rolou os olhos com a pergunta.

– A única que eu tenho.

– Você não pode estar falando sério. – A morena juntou as sobrancelhas.

– Por que não estaria? – Indagou com dúvida.

– Eu sou uma ladra! – Mais uma vez a lembrou sobre aquilo.

– Você era uma ladra. – Corrigiu. – E está pagando por isso. – Continuou.

– Eu.. eu... — Estava sem palavras, não conseguia entender o porquê daquilo. — Por que está fazendo isso? Por que você se importa? – A dúvida e incredulidade no rosto da detenta fizeram a morena sorrir.

– Porque eu gosto de você. E também porque segundo uma amiga meio filosofa, temos que ter algo ao que nos agarrar aqui dentro, não é isso? Bom, não é muito, mas quando sair daqui você pode com certeza se considerar uma assalariada. – Ruby sorriu e balançou muitas vezes a cabeça em sinal de descrença. Lagrimas de felicidade apareceram em seus olhos.

– Eu não sei o que dizer. Quer dizer... as pessoas não costumam me dar muita esperança. – Regina sorriu. Entendia perfeitamente sobre aquilo, talvez por tal motivo tenha se tornado amiga de Ruby. De algum jeito, as vezes se via na vida um tanto quanto solitária da detenta alguns anos mais jovem do que ela.

– Bom, você vai ter que se acostumar com isso. Além de dar esperança, fique sabendo que futuramente eu lhe darei muitas ordens. – Ruby riu, não tinha nenhum tipo de dúvidas sobre aquilo.

– Não espero nada menos de você, chefe. — Seus olhos brilhavam de felicidade, e seu sorriso, ele não conseguia desfazer-se, coisas que fizeram Regina se sentir um pouco menos triste.

– Cuide-se e cuide de Emma, por favor, faça isso por mim. — Pediu, voltando aquele assunto.

– Prometo cuidar. Toda semana você vai ter um relatório completo sobre nossas agitadas vidas de prisioneiras. — Regina concordou com a cabeça. — Cuide-se você também, Mills. — Pediu.

– Não se preocupe comigo. — Soltou com o ar. — Vou sobreviver. — Tentou sorrir.

– Sabe, você pode me achar uma boba idiota, mas sei lá, minha intuição me diz que um dia vocês vão rir de tudo isso. Posso ver as duas velhinhas, cheias de rugas e dores de velhos, sentadinhas nas cadeiras de balanço, de mãos dadas, rindo enquanto contam toda a história um tanto quanto complicada que tiveram, aos netos. — Ao ouvir tal coisa, a morena visualizou a cena, e sorriu junto com Ruby, mas tal sorriso logo desmanchou-se, aquilo não iria acontecer, não tinha como, então era melhor não se iludir.

– Quem sabe em uma outra vida? — Ao ver o quanto falar sobre o futuro perturbava a morena, Ruby suspirou e resolveu mudar de assunto.

– Agora que nós somos amigas, que você é quase minha chefe e é também algo como minha tutora, eu estava pensando que talvez pudéssemos nos abraçar? – Sugeriu um pouco sem jeito.

– Bom, eu não costumo abraçar meus funcionários, nem sou muito bom com essa história de abraços, mas, como somos amigas, acho que podemos tentar. – Deu de ombros e em um impulso, sentou-se e abriu os braços. Achou graça por ver a ruiva sempre tão desinibida um pouco hesitante e tomou a iniciativa de puxa-la para um abraço. Fechou os olhos e suspirou, quando os braços da detenta apertaram-se em torno de si. Não era exatamente aqueles braços que desejava naquele abraço, mas mesmo assim, ele não deixava de ser reconfortante. Era bom poder contar com alguém as vezes, bom desabafar, choras as mágoas, lamentar-se. Era bom saber que alguém se importava, ao ponto de ouvir sem pedir nada em troca.

– Obrigada por tudo! – Agradeceu ainda de olhos fechados.

– Obrigada você! Obrigada pelos conselhos, pelas conversas, pela atenção. Sabe, quando nos conhecemos, tudo que desejava ao ver você, era de algum jeito conseguir perder um dia ou talvez dois com você, você sabe como... – Admitir aquilo a deixou com as bochechas vermelhas e fez a morena rir sem graça. – E não sei exatamente como e nem quando, esse desejo passou. Agora sempre que olho para você tudo que eu vejo é uma amiga, daquelas que a gente não tem vontade de beijar, nem fazer outras coisas. – Regina balançou a cabeça em sinal de descrença. – Não que você tenha deixado de ser gostosa, não, longe disso, mas é que você é muito mais do que um rosto bonito, Mills. Você é uma pessoa incrível, e meu ego se enche de orgulho sempre que penso que você é minha amiga.

– Só para constar, fico feliz que você tenha desistido da ideia de perder dois dias comigo, porque honestamente, não ia acontecer. – Avisou rindo. – Essa história de mulheres... Emma foi a única pela qual me interessei até hoje, mas enfim, obrigada pelos elogios. Você também é uma pessoa incrível, precisa parar de se autodepreciar, e mesmo que não entenda, precisa de alguma forma aceitar a morte da sua namorada e precisa seguir em frente. Você precisa fazer isso. – Ruby balançou a cabeça concordando.

– Eu sei. – Foi tudo que respondeu.

– French parece uma pessoa bem legal, e ela está totalmente na sua. Pelo o que posso ver, você também sente alguma coisa por ela. Não fuja, não tenha medo, apenas, viva o que você tem para viver, talvez ela seja a pessoa capaz de cicatrizar seus machucados. – Talvez a ruiva estivesse gostando mesmo da companheira de cela, não tinha certeza sobre aquilo, porque não se permitia pensar sobre o assunto. Tinha pavor de amar outra vez, pavor de mais uma vez se dar mal. Seus medos sempre lhe faziam afastar-se de quem quer que fosse, sempre que achava que estava se apegando demais e era aquilo que pretendia fazer com French.

– Vou pensar. – Resmungou, fazendo Regina se desfazer do abraço e encara-la.

– Você promete? – Pediu. – Promete que antes de terminar com aquela coitada, vai pelo menos parar para pensar no que sente por ela? – Ruby desviou os olhos. – Por favor? – Insistiu. – Por mim? – A detenta suspirou e voltou a encarar a amiga.

– Tudo bem, prometo pensar antes de chuta-la. – Deu-se por vencida.

– Ótimo, obrigada! – Sorriu para a ruiva, que retribuiu tal sorriso e pôs-se de pé.

– Bom, como você é a única que ganhou carta de alforria do trabalho escravo, preciso ir, o dever me chama. Nos encontramos no refeitório, para seu último almoço como detenta. – Regina concordou.

– Parece mentira. – Comentou, pensando que faltavam apenas horas para sair daquele lugar.

– Acredite, não é. Ainda hoje você estará na sua casa, com seu filho, seu cachorro, suas coisas. Falta pouco para você dar as costas para esse lugar, e nunca mais olhar para trás. – Nunca pensou que no final de sua pena, de algum jeito ficaria com medo e com um certo pesar de ir embora dali. – Preciso ir. Até depois! – Ruby não esperou por resposta, deu as costas para amiga e foi.

Regina suspirou, pôs as mãos na cintura, voltou a pensar em Emma, e quando deu por si, estava sentada em sua cama, pensando nas palavras que usaria para começar uma carta de despedida.

Ficou perdida naquela carta por algumas horas, chorou, relembrou, sorriso, lamentou, desistiu, e desistiu de desistir. Quando finalmente pôs um ponto final aquilo, sentiu-se um pouco melhor, um pouco mais leve, conseguiu até fechar os olhos e descansar.

Não sabia por quanto tempo tinha dormido, mas abriu os olhos assustada e um pouco perdida, quando sentiu alguém chocalhar seus ombros. Ao abrir os olhos deparou-se com French. A detenta descabelada estava um tanto quanto ofegante, como se tivesse acabado de correr, e olhava para a morena um pouco assustada, ou coisa do gênero.

– O que aconteceu? – Indagou um tanto preocupada, pensando que talvez tivesse acontecido algo com Ruby.

– Emma! – Seu coração acelerou ao ouvir o nome da ex-namorada. – Ela está na enfermaria. – Contou.

– O quê? Por quê? – Regina já estava sentada. Tentava acalmar suas pernas bambas para se pôr de pé.

– Tudo que sei é que encontraram ela desacordada ontem à noite, pelo que eu entendi, parece que ela estava sem comer desde o dia que foi parar lá. Acho que a fome, a fez desmaiar ou coisa assim. – Explicou. – Não sei exatamente o que aconteceu, mas pelo o que a enfermeira falou ela está bem fraca e debilitada. Ficou a noite toda em observação lá na ala hospitalar, acabaram de traze-la para a enfermaria. Ela está no soro, tomou alguns remédios e está dormindo desde ontem. – O corpo todo da morena tremia diante daquela notícia. Sentia o coração na boca. Não sabia o que fazer, como agir, a vontade que tinha era descabelar-se até acordar daquele terrível pesadelo. Perguntou-se como tudo podia ficar ainda pior. Tudo já estava horrível, bem difícil de encarar e aceitar, não precisavam mesmo daquele bônus.

– Eu vou lá. – Falou ao se colocar de pé.

– Não sei se ainda dá tempo. Você dormiu demais, praticamente desmaiou aí, não acordou nem para o almoço. Faltam poucos minutos para as 15:00 horas. – Avisou.

– Eu preciso ir até lá, não vou conseguir ir embora sem vê-la, sem me certificar que ela vai ficar bem. – Os olhos da morena imploraram por aquilo, ela simplesmente não conseguiria ir embora se não visse Emma e se fosse preciso ficar mais um dia naquele lugar para que pudesse vê-la, então ficaria sem problema algum. French coçou a cabeça, suspirou e mesmo sabendo que aquilo poderia mete-la em problemas, resolveu ajudar.

– Ok, eu dou cobertura. Vou distrair a enfermeira para que você consiga entrar, mas tem que ser rápido, senão você vai me ferrar. – Avisou. Regina sorriu e concordou com a cabeça.

– Obrigada! – Com as mãos tremulas, as pernas bambas e o coração a mil, Regina pegou a carta que escrevera, e sem trocar mais nenhuma palavra com French, caminhou até a enfermaria ao lado da detenta.

Não foi difícil French, distrair a enfermeira e arrasta-la para fora da enfermaria, deixando o caminho livre para Regina, que antes de entrar, respirou fundo, tentando inalar coragem junto com o ar.

Silenciosamente, entrou no lugar, seus olhos lacrimejaram quando viram Emma lá, desacordada, deitada naquela cama enferrujada, com uma agulha de soro enterrada em seu braço.

Caminhou até a ex-namorada, e deixou as lágrimas caírem ao parar ao lado dela. Mesmo dormindo Emma tinha um semblante cansado. Estava diferente, visivelmente mais magra, abatida, e bastante pálida. Parecia ter envelhecido bons anos durante aqueles dias.

Regina levou a mão até o rosto da loira, e cuidadosamente o tocou, jamais imaginou uma despedida como aquela. Sempre soube que sofreriam, mais jamais imaginou que seria tanto.

Emma não merecia aquilo, não merecia nada daquilo. Quando fez suas escolhas, era só uma jovem imatura, sem experiência, cheia de medos e dúvidas. Já tinha pagado por todos os seus pecados durante aqueles anos, já tinha sofrido todas as consequências, já tinha se arrependido, aprendido a lição, então por que a vida não lhe dava uma chance? Ela não merecia pagar o resto da vida por aquilo, não merecia aquela vida maluca, não merecia não poder fazer planos, formar família, ser livre para fazer o que quisesse. Perguntou-se quem afinal decide sobre a vida das pessoas, e porque estava pegando tão pesado com Emma? Injusto, aquilo era muito injusto, quase desumano.

Queria desesperadamente brigar com alguém, gritar para que deixassem a loira em paz, implorar para que parassem de castiga-la. Prometeria cuidar dela, e não permitir que voltasse sequer a pensar na vida que tinha. Faria aquilo, cuidaria de Emma, só precisava achar o responsável pela vida da loira. Seria Deus? Será mesmo que ele era capaz daquilo? Deus era um ser bondoso, não era? Sempre ouviu falar que sim. Mesmo perdendo sua mãe e sua irmã de forma trágica, nunca deixou de acreditar naquilo, mas naquele momento, estava duvidando.

Por que Deus não ajudava Emma? E por que não a ajudava? Por que nunca a ajudou? Mentalmente brigou com ele, o lembrou de todos os momentos em que ele simplesmente fez de conta que ela não existia, e a deixou, e lhe implorou para que pelo menos uma vez na vida, a ajudasse, ajudasse Emma.

Seus olhos se prenderam na mulher debilitada ali deitada, enquanto sua mão acariciava ternamente o rosto dela. Sentiu uma enorme vontade de jogar-se ali, de abraça-la, de aninha-la em seus braços, e prometer que tudo ficaria bem. Tudo que queria era ficar ali cuidando dela, velando seu sono, a esperando acordar, para que pudesse lhe dar bronca por ter deixado de comer, e depois enche-la de beijos e cuidados, mas de novo esbarrou no não poder.

Não podia sequer espera-la acordar, infelizmente estava na hora de ir embora e aquilo a fez chorar ainda mais, porque não sabia, não fazia o mínimo de ideia se um dia voltariam a se ver. Queria acreditar que sim, que um dia voltariam a se encontrar, nem que fosse algo rápido, do outro lado da rua, não precisavam nem trocar uma palavra, se apenas seus olhos voltassem a se encontrar, já se daria por satisfeita.

– Você não tem noção do quão difícil é fazer isso. – Sussurrou. – Agora sei exatamente como você se sentiu quando foi embora. – Fungou. – Aqui estamos de novo, em outra maldita despedida. – Suspirou. – Eu sinto tanto, Emma, você não tem ideia do quanto eu sinto. Eu queria mesmo que houvesse outra saída, sabe? Se houvesse, de algum jeito eu ia dar um jeito de engolir todas as suas mentiras, de mais uma vez acreditar em você, de jogar tudo para cima e permitir que as coisas acontecessem. – Com a mão livre tentou livrar-se das lágrimas. – Mas nós sabemos que isso não existe. Eu preciso ir Emma, mas como você me disse um dia, você vai estar sempre comigo, no meu coração e na minha memória. Você sempre fará parte das minhas melhores lembranças, juro que fará. – Desceu a mão até a mão da amiga e a segurou, cuidadosamente entrelaçou seus dedos aos dela. — Nós tivemos uma história até que feliz, certo? Então não devemos nos importar com o fim, não é isso? Vou pôr o ponto final nessa história com final triste, sabendo que valeu apena cada dia, cada sorriso seu, cada palavra sussurrada, cada beijo, cada abraço, cada plano, mesmo que eles não venham a se concretizar. – Com a mão livre, voltou a secar as lágrimas. Seus olhos se prenderam no rosto da loira. Observou cada detalhe, querendo memorizar cada mínima parte dela. Por fim suspirou e levou as mãos até o rosto dela, o segurando entre elas. – Eu amo você, e eu sinto muito isso não ser o suficiente para que possamos ter uma vida juntas. – Tentou sorrir, e lentamente inclinou-se, até seus lábios alcançarem os de Emma. Depositou um beijo lá, suspirou e com muito pesar afastou-se. – Eu escrevi uma carta. – Contou, a tirando do bolso e a pondo sobre o peito da amiga. – Sempre que duvidar do meu amor, espero que a leia e lembre-se que vou ama-la para sempre, não importa o quão mentirosa você seja. – De novo tentou sorrir, e olhou por uma última vez a amiga. – Adeus, Emma! – Ao se despedir, as lágrimas voltaram a tomar conta do seu rosto. Deu as costas para a amiga, e sem olhar para trás, saiu dali, sem ver as lágrimas que rolavam dos olhos fechados de Emma.

Acordou quando ouviu a voz de Regina, mas não teve coragem de abrir os olhos para encarar aquela despedida, mais uma vez na vida, foi covarde. Fungou, passou as mãos pelo rosto, abriu os olhos, e os parou no envelope amarelo em cima de seu peito. Rapidamente o pegou, viu seu nome escrito lá, com a caligráfica perfeita e elegante de Regina. Abriu o mesmo e tirou as duas folhas lá de dentro. Ao mesmo tempo que queria ler, também não queria, por fim, optou por ler.

Adele – Make You Feel my Love

Emma

Quando você receber essa carta, certamente já estarei longe desse lugar, longe dessas pessoas, longe de você, da sua vida. Escrever foi o meio mais fácil que encontrei de lhe dizer o que precisa ser dito. Escrever é mais fácil do que olhar em seus olhos e ter que ser forte o suficiente para aceitar que não pode ser. Escrever é mais seguro, para você, para mim, para nossas vidas.

Você me magoou, me fez perder muitas noites de sono, me fez chorar e te odiar quando foi embora sem me dizer ao menos porque, sem ao menos se despedir, sem deixar ao menos um misero bilhete. Embora você mereça que eu dê o troco, decidi não fazer isso, não, fazer tal coisa não me deixaria feliz, ou menos triste. É engraçado lhe dizer isso porque por muito tempo tudo que mais desejei foi de algum jeito me vingar por tudo que você me fez passar, mas isso parece que foi a um milhão de anos atrás. A magoa, a insônia, as lágrimas, tornaram-se vagas lembranças, quase inalcançáveis e já não me machucam mais.

Não sei exatamente o que escrever em uma carta de despedida, não sei como dizer adeus, não sei como colocar um ponto final nessa história, mas assim como você, sei que é preciso fazer isso.

Apesar de você ser uma filha da mãe mentirosa e manipuladora, apesar de ter posto a vida do meu filho em risco, apesar de todos os pesares, eu ainda amo você, e provavelmente vou amar até o fim da minha vida. Amor bandido, é exatamente isso que você é, meu amor bandido. Eu faria loucuras por esse amor, viraria uma fora da lei, carregaria de novo e de novo dinheiro do tráfico para você, faria entregas de drogas se preciso fosse. Eu faria qualquer coisa por você, Emma, qualquer coisa mesmo, eu arriscaria a minha vida por você, mas eu não posso arriscar a do meu filho.

Não existe palavra no mundo capaz de expressão o quanto eu o amo, o tamanho desse sentimento. É um amor incondicional, diferente de tudo que você já sentiu e nada nem ninguém são capazes de competir com tal sentimento. É algo surreal, inexplicável, avassalador, espero que um dia você tenha a chance de conhecer esse amor, porque é por ele que estou abrindo mão de você, o amor da minha vida.

Se essa coisa clichê de tampa de panela, chinelo para o pé cansado, metade da laranja, existe mesmo, você com certeza é e sempre será o meu par, nunca duvide disso. Sinto muito, muito mesmo que não possamos seguir juntas. Jamais poderia imaginar que os cigarros de maconha que você aceitou entregar no nosso último dia de aula, faria sua vida tomar o rumo que tomou, jamais poderia imaginar que isso um dia nos separaria e jamais poderia imaginar que por causa disso, não poderíamos ser felizes juntas.

Sinto muito, Emma, sinto muito não ter sido esperta, não ter sido inteligente quando você mais precisou que eu fosse. Sinto muito não ter interferido na entrega dessas malditas drogas, sinto muito não ter te dado uns tapas e ter feito você largar isso enquanto ainda era fácil. Sinto muito ter deixado você ir. Sei que sentir muito não vai mudar nem resolver nada, mas mesmo assim eu sinto. Sinto pela vida que não tivemos e não teremos.

Você foi a melhor coisa que me aconteceu, e a pior também. Contraditório, não? Mas acho que esse maldito sentimento chamado amor, é exatamente isso, contraditório. Porque por mais que eu saiba sobre seus erros, suas mentiras, sobre a sua vida errada, não consigo deixar de gostar de você, de me preocupar com você, de querer proteger você. Talvez amar também seja isso. Conhecer o lado mau, obscuro, cruel da pessoa que você ama e mesmo com todos os motivos para sair correndo, ficar. Eu ficaria por você, Emma, se pudesse, juro que ficaria.

Obrigada por ter ido ao meu encontro e ter me oferecido amizade. Obrigada por ter gostado da minha cicatriz enquanto todas as outras crianças apontavam e riam. Obrigada por ter me ensinado a abraçar. Obrigada por ter me arrancado um sorriso quando me senti a pessoa mais triste do mundo. Obrigada por ter sido feliz comigo na tristeza. Obrigada por todas as séries e filmes de mulherzinha. Obrigada por ter me feito ouvir rock’n’roll. Obrigada pelos cigarros, pelas bebidas e pelas melhores madrugadas da minha vida. Obrigada por ter insistido em recuperar nossa amizade. Obrigada por ter insistido que eu fosse a sua Rainha Má. Obrigada pelos melhores beijos da minha vida. Obrigada pelo dia dos namorados. Obrigada por ter existido na minha vida e por tê-la salvo.

Tudo que eu falei para você, continua valendo. Nada mudou, meus sentimentos continuam os mesmos, meu amor continua o mesmo. Acredite, você estará em meus pensamentos sempre. Não importa quanto tempo passe, nunca vou esquecer o que vivemos aqui. Talvez soe um pouco estranho dizer isso estando onde estou, mas nesse lugar eu vivi alguns dos melhores dias da minha vida. Obrigada por eles, você não tem noção do quanto vou revive-los sempre que fechar os olhos para dormir.

Espero que de algum jeito você consiga sair dessa porcaria de tráfico, torço muito para isso. Você não tem noção do quanto pode ser feliz longe disso tudo, Emma. Tem um mundo fora dessa outra prisão que você vive há anos, esperando por você e você não tem noção do quanto eu torço para que você tenha oportunidade de conhece-lo. Caso um dia você tenha uma oportunidade de libertar-se disso, não tenha medo, faça, por favor faça.

Não sei porque as coisas não são do jeito que desejamos, não sei porque a felicidade é dada a alguns e tirada de outros, não sei quem decide sobre isso, nem como julga quem é merecedor ou não, mas espero que esse alguém tenha uma outra vida reservada a quem não conseguiu ser feliz nessa. Gosto de pensar que um dia, nessa outra vida, teremos outra chance. Espero que saibamos aproveitar essa outra chance, espero que sejamos muito felizes lá, e torço para que na primeira vez que nos olharmos nos olhos, por uma fração de segundos, consigamos nos lembrar de quem fomos, do que fomos uma para outra e que a partir de então, vivamos tudo que não foi possível viver aqui. Quando fecho os olhos posso ver isso tudo, posso até sorrir. Quando você se sentir muito triste, tente fazer isso, você vai ver o quão reconfortante pode ser. Imaginei que nossa felicidade está na sala ao lado e que um dia encontraremos a chave que dá acesso a ela. Até lá, precisamos nos distrair com as coisas dos cômodos que temos acesso.

Cuide-se, Emma. Por favor, cuide-se! Não faça mais nenhum tipo de besteiras, não volte a usar drogas, não tente me encontrar em outras pessoas. Quando a saudade apertar, apenas feche os olhos e lembre-se de tudo que vivemos nesses meses. Por favor Emma, não faça nenhuma estupidez, eu honestamente não sei se conseguiria viver caso... caso um dia recebesse uma trágica notícia sobre você. Então por favor, cuide-se, se não quer fazer isso por você, então faça por mim, mas faça, eu imploro.

Não sei como terminar, mas preciso fazer isso, então para finalizar, quero que saiba que embora eu não aceite as suas mentiras, as atitudes que tomou, os erros que cometeu, eu entendo e perdoo. Talvez, se estivesse no seu lugar teria feito exatamente a mesma coisa. Me desculpe se de algum jeito magoei você com as coisas que falei naquele domingo, eu estava de cabeça quente, e você sabe como eu fico quando isso acontece, então por favor, releve.

Adeus e me desculpe por todo o sofrimento, se pudesse, se existisse um jeito, pegaria ele todo para mim, juro que faria isso, mas infelizmente não posso, então tudo que me resta é pedir perdão.

Seja feliz, Emma, viva bem a sua vida, liberte-se, embora essas coisas agora pareçam impossíveis, sei que são completamente possíveis, então por favor, queira isso.

Amo você, loira mentirosa!

Regina Mills

Emma quase não conseguiu ler o final da carta, devido as lágrimas que caiam. Soluçou e abraçou aqueles papeis, como se de algum jeito estivesse abraçando Regina. Se sentia possivelmente a pessoa mais triste, e azarada do mundo, mas também sentia um certo alivio no peito, por saber que mais uma vez, Regina tinha a perdoado. Estava partindo sem mágoas, sem rancor, estava partindo apenas com amor.

Sem pensar duas vezes, arrancou a agulha de soro do seu braço, e com certa dificuldade se pôs de pé. Sentiu-se tonta imediatamente, e fechou os olhos tentando controlar aquilo. Ao voltar a abri-los, sentiu-se um pouco melhor e cambaleou para fora dali.

Segurando-se nas paredes, foi até sua cela, ao chegar lá e ver que nem a amiga, nem os pertences dela estava mais por ali, sentiu o desespero tomar conta de si. Com o coração acelerado, voltou a agarrar-se as paredes, e cambaleou o mais rápido que pôde até o segundo andar da prisão. Quando chegou no mesmo, viu Ruby e French paradas em frente à janela, olhando para fora. Foi até elas, e sem dizer nada, se enfiou entre as duas, tomando conta daquele espaço. Suas mãos chocaram-se contra o vidro, em uma falha tentativa de chamar a atenção da morena que caminhava lá fora a passos largos para longe dali.

– REGINA! – Gritou, desesperada. – REGINA! – Voltou a chamar. Fez aquilo mais algumas vezes, enquanto continuava chocando as mãos contra a janela.

Seu coração bateu ainda mais alucinado quando a morena parou em frente a porta de saída e devagar, virou-se, e levantou a cabeça, olhando em direção a loira. Sorriu entre as lágrimas e levantou a mão direita acenando.

– Eu amo você, Regina! – Declarou-se. Sorriu ainda mais, quando a morena levantou a mão esquerda, e acenou de volta. Ficaram daquele jeito, até o guarda falar alguma coisa para a morena, e sutilmente a fazer andar para a fora do lugar.

Já do lado de fora da prisão, Regina voltou a olhar para trás, e provavelmente continuaria lá parada chorando e olhando em direção a Emma por um bom tempo, se não tivessem fechando a porta do lugar, pondo um aparente fim aquela história.

Emma chorou compulsivamente quando aquilo aconteceu, e foi acolhida pelos braços de Ruby e French, que a envolveram em um abraço triste e silencioso.

Notas finais
Se a ff fosse dividida digamos em temporadas, esse seria o fim da primeira, mas como não tem mais muito para ser contado, não tem porque fazer isso. Bom, agora como sempre acontece, conto muito, muito, muito mesmo, com vocês. Me digam o que acharam, se gostaram, se não gostaram. Enfim, me deixem saber a opinião de vocês. Sendo repetitiva, a opinião de vocês é muito importante para a história, então por favor, não se contenham e comentem. Um beijo a todas! PS: Quem quiser trocar uma idéia no Twitter ou coisa assim: @YeahRegal