Escape

39 Tio Mills


Notas iniciais
Eu poderia estar dormindo, sonhando, roncando, babando, mas estou aqui a essas horas da madrugada, postando capítulo para vocês, então por favor, não briguem comigo pela demora. Sim, demorei e não tenho uma defesa para isso, mas tem um capítulo bem grandinho para me redimir pela demora. Agradeço imensamente a todas que passaram por aqui, responderam a enquete, e deixaram todos aqueles reviews lindos. Como já disse várias vezes, vocês são as melhores e é por vocês que estou aqui as 4:30 da manhã. Bom, como o sono tá grande, já nem sei mais o que dizer, então vou só deixar o capítulo.

Regina estava trancada em seu quarto há pouco mais de duas horas. Assim que chegou em casa, teve a infelicidade de dar de cara com Robin, que teve a cara de pau em aparecer para a festa do filho. Como a casa já estava cheia, e ela ainda não tinha conversado com Henry sobre aquilo, não teve outra opção a não ser aceitar a presença dele lá.

Para sua surpresa, seu pai e sua madrasta, também apareceram para a festa, e os dois junto com ela, trocaram um total de dez palavras, durante a meia hora que passaram sentados no sofá da morena, tentando de todos os jeitos, engatarem uma conversa. Graças a Nathalie e Derick, que chegaram um tempo depois, e juntaram-se a eles no sofá, Regina pôde enfim desistir de qualquer tipo de diálogo, levantar-se e fugir dali.

Antes que mais algum convidado inesperado resolvesse aparecer, a ex-detenta resolveu adiantar a cantoria dos parabéns, e liberar a comida. Quanto antes todos comessem, antes iriam embora, ou seja, antes Robin desapareceria dali.

Sorriu satisfeita ao ganhar o primeiro pedaço do bolo, e forçou um sorriso quando Anna, ganhou o segundo. Ficou de olho na aprendiz de nora por um bom tempo. Bufou algumas vezes quando viu o filho e a “namoradinha”, trocarem sorrisinhos e gracinhas, e rolou os olhos todas as vezes que os dois deram-se as mãos. Lançou um olhar nada amigável para a menina, quando a mesma trocou algumas piadas e risadas com o amigo do filho, enquanto Henry não estava por perto.

Para não correr o risco de ser mais infantil do que uma adolescente de dezessete anos, nem esbarrar no ex-marido que começava a lhe cercar, e nem tentar outro tipo de conversa com o pai e a madrasta, resolveu refugiar-se em seu quarto, e estava lá desde então.

Estava completamente dispersa da festa e das pessoas que estavam lá embaixo, há muito tempo, seus pensamentos estavam em Emma. De olhos fechados, abraçada ao travesseiro e com um sorriso bobo no rosto, recordava as últimas 24 horas que passou com a namorada. Se sentia uma boba, uma adolescente apaixonada, com direito a suspiros e coração acelerado a cada lembrança, e era tão bom sentir-se daquele jeito.

Três batidas na porta, a fizeram suspirar, abrir os olhos e desconcertar-se do mundo de lembranças felizes em que estava. Antes de levantar-se para abri-la, resolveu primeiro saber que estava batendo.

– Quem é? – Indagou em alto e bom som.

– A Chapeuzinho Vermelho. – Sorriu ao ouvir a voz da amiga. Levantou-se e foi até a porta, a destravando e abrindo. – Olá, vovozinha! – Rolou os olhos, e saiu da frente da porta, dando espaço para Ruby entrar.

– Vovozinha é a sua vozinha. – Resmungou, fazendo a ruiva rir.

– Nossa, Mills! Quantos anos de estudo precisou para saber que vovozinha é minha vó? – Regina lhe mostrou o dedo do meio, antes de atirar-se de novo em sua cama.

– Você está atrasada. – Avisou.

– Cheguei há mais de uma hora, não tenho culpa se você não estava lá embaixo. – Deu de ombros.

– Então você chegou pelo menos uma hora atrasada. – Voltou a implicar.

– Eu não gosto muito de festas. – Deu a desculpas.

– Não gosta muito de festas, ou está tentando evitar alguma pessoa? – Ruby deitou-se ao lado da amiga e resolveu mudar de assunto.

– Por que diabos o seu ex-marido está lá embaixo? – Regina suspirou ao ouvir aquilo, pensou que talvez ele já tivesse ido embora.

– Quando cheguei ele já estava aqui, a casa já estava cheia, e eu ainda não conversei com Henry sobre o que ele fez. Então decidi não fazer um escândalo. – Explicou. – Me diz, tem muitas pessoas lá embaixo ainda? – Ruby negou.

– Não. Tem Robin, que está conversando com seu pai. E Nathalie que está implicando com seu filho. – Contou. – Há quanto tempo está aqui em cima? – Regina deu de ombros.

– Umas duas horas, eu acho.

– E o que estava fazendo trancada aqui esse tempo todo? – Regina suspirou e Ruby riu. – Ah, nem precisa me dizer. Estava sonhando acordada com uma certa loira que atende pelo nome de Emma. – A morena afirmou.

– Eu amo ela! – Soltou com o ar, antes de abrir um sorriso bobo.

– Sério? Sabe que nunca tinha percebido? – Ruby debochou.

– Chata! – Regina lhe mostrou a língua, fazendo a amiga rir. – O que eu quero dizer é... – Não sabia exatamente como explicar. – É possível amar uma pessoa cada vez mais? Porque eu amo mais do que amava quando tinha meus vinte e poucos anos, e amo mais do que amava na prisão, amo mais do que amava ontem. – Suspirou. – Você acha que isso é normal? – O tom preocupado com o qual perguntou aquilo, fez a amiga sorrir.

– Acho. Você está vivendo o que se privou de viver por todo esse tempo, então sim, acho que isso é normal. – Tranquilizou a amiga. — Não sei o que aconteceu, e tenho quase certeza que vou ser privada dessa parte da história, mas pelo pouco que presenciei, vi que vocês de algum jeito se acertaram. – Regina confirmou em um aceno. – Então fiquem juntas, apenas façam isso.

– Essa é a ideia. – Soltou com o ar.

– Uma ótima ideia. – Ruby opinou, arrancando outro sorriso bobo da amiga.

– Provavelmente a melhor ideia da minha vida. – Derreteu-se.

– Oh, Mills! Você com esses seus sorrisos bobos, esses seus suspiros, essas frases apaixonadas, acho que eu vomitar. – Pegou no pé da amiga, que lhe estapeou o braço. – Preciso dizer o quanto estou feliz por vocês, principalmente por você, ou podemos pular essa parte? – Indagou.

– Acho que podemos pular essa parte. Podemos pular para a parte em que você beijou a minha irmã. – Ao ouvir tal coisa, as bochechas de Ruby ganharam um tom de vermelho e ela desviou os olhos da amiga.

– Por favor! – Resmungou.

– Ruby, você pode ser qualquer coisa, menos envergonhada.

– O que você quer que eu diga? – Estava desconcertada, se apaixonar pela irmã de Regina nunca esteve em seus planos.

– Não sei. O que quer dizer? – A ruiva suspirou, antes de encarar a amiga.

– Isso é muito louco, é insano, mas ela é tão diferente... gosto da positividade irritante dela, da felicidade constante, dos planos malucos, do brilho nos olhos quando ela fala sobre alguma coisa que a deixa feliz. Ela é tão cheia de vida. – Sorriu. — Claro que ela é, ela só tem vinte e um anos, e eu torço para que ela continue assim. Torço para que ela nunca apanhe da vida, para que ela nunca perca o brilho nos olhos, nem o sorriso fácil. – Derreteu-se.

– Você sabe que está apaixonada, não sabe? – Regina murmurou com amiga, que mais uma vez suspirou e levou as mãos até o rosto.

– Sei, e isso está me matando. – Soltou com o ar. Regina levou as mãos até as mãos da amiga e as puxou para si.

– E você sabe também que não pode desistir sem tentar.

– Sei? – Se sabia, então porque tinha pensado naquela possibilidade algumas vezes?

– Ruby, pelo amor de Deus! Não seja uma Emma você também, não surte, não fuja, não tente prever o futuro, não magoe. Fique e encare, você não é nenhuma criança. – Ordenou.

– E se não der certo? – Regina rolou os olhos.

– E se der? Mills são pessoas boas, não merecem mesmo esse negócio de apaixonarem-se por covardes. – Implicou com a amiga, lhe arrancando um meio sorriso.

– Eu não sou a Emma, tampouco Nathalie é Regina. – Esclareceu.

– Ótimo! Isso é ótimo. Então não cometam os mesmos erros de Emma e Regina. – Sugeriu.

– Eu não gosto dessa história de gostar de alguém, isso machuca. – Reclamou.

– Sim isso pode machucar as vezes, mas pode também dar uma sensação absoluta de paz, e você consegue ser feliz, e sorrir, e esquecer o quanto a vida lhe bateu. Estou errada? – A ex-detenta negou.

– Não, você não está. – Soltou com o ar.

– Então encare, para de fingir que não se importa, pare de fazer de conta que aí dentro do seu peito bate uma pedra, ao invés de um coração. Você só vai saber se pode dar certo ou não, se encarar. Caso contrário vai viver o resto da sua vida com esse “e se”, e acredite em mim, nada pode atormentar mais do que “e se? ”. Encare, Ruby, você merece isso. – Apertou as mãos da amiga. – Não estou falando isso pela minha irmã, estou falando por você. – A ruiva esboçou um sorriso e concordou com a cabeça.

– Você é a melhor amiga que alguém poderia ter, sabia? – Regina retribuiu o sorriso.

– Isso significa que você vai tentar? – Antes de responder, a ex-detenta respirou fundo.

– Isso significa que eu vou tentar. – Soltou com o ar. – Que Deus me ajude! – Feliz com a resposta, Regina sentou-se, fez a amiga fazer o mesmo e a puxou para um abraço. – Obrigada por ser minha amiga, ouvir minhas paranoias e me entender. – Murmurou abraçada à morena.

– Obrigada você, por todos esses motivos e mais alguns. – Também murmurou.

– Rum! – Nathalie que chegou por ali há alguns segundos, resolveu entrar sem se anunciar e deparou-se com a irmã, abraçada a sua... amiga? Ficante? Pretendente? Não sabia exatamente o que eram, mas sabia o que queria que fossem, só precisava de coragem para falar abertamente sobre aquilo com a ruiva. – Atrapalho? – Indagou um pouco incomodada com aquilo, o que fez as outras duas rirem antes de porem um fim ao abraço.

– Não. – Foi Ruby quem respondeu.

– Estávamos falando sobre você. – Regina contou, fazendo a irmã arquear as sobrancelhas.

– Não sei se quero saber sobre isso. – A dúvida em sua voz, de novo as fez rir.

– Acho que deveria. – Regina opinou, o que deixou a irmã curiosa.

– Sobre o que estavam falando? – Questionou com Ruby, que sorriu.

– Sobre o quanto você é linda de várias formas diferentes. – Respondeu.

– HUG! – Regina fez vomitar. – Sim, Ruby estava se derretendo por você. Eu poderia repetir exatamente o que ela disse sobre seus olhos e o seu sorriso, mas acredito que seja melhor você ouvir tudo isso dela. – A vergonha das duas, estava fazendo Regina se divertir. – Vocês sabem que precisam conversar, não sabem? – A pergunta saiu completamente séria.

– Eu... eu... – Nathalie respirou fundo e encarou Ruby. – Terminei com o Alex. – Contou.

– Sério? – Indagou um tanto quanto surpresa.

– Sério. Eu estava pensando que mais tarde talvez nós pudéssemos conversar? – Sugeriu um tanto quanto sem jeito.

– Sim, me parece uma boa ideia, podemos conversar lá em casa.

– Eu acho que... na sua casa talvez... a gente acabe não conversado. – Estava desconcertada por estar falando sobre aquilo na frente da irmã, que continuava se divertindo com o constrangimento de ambas sem nem ao menos disfarçar.

– Nathalie é uma Mills, e como tal, gosta de conversar primeiro. – Meteu-se no assunto das duas.

– Preciso pegar algumas dicas com Emma. – Ruby murmurou consigo.

– Então, você e Emma, é sério mesmo? – Questionou com a irmã, que se se pôs de pé.

– Somos apenas amiguinhas, iguaizinhas a você e Ruby. – Debochou ao apertar as bochechas da irmã. – Agora eu vou descer, aproveitem para conversar. CONVERSAR. – Resolveu enfatizar bem a palavra. Pegou seu celular que estava em cima do criado-mudo e caminhou até a porta.

– Eu não diria iguaizinhas. Nathalie e eu somos amiguinhas do tipo que se beijam, você e Emma são amiguinhas que além de se beijarem, fazem muitas sacanagens juntas e sem roupas. – Ruby rebateu a provocação, fazendo a morena desistir de abrir a porta e voltar-se para a amiga.

– Wow! – Ao ouvir tal afirmação, Nathalie arregalou os olhos.

– Gosto de fazer muitas sacanagens com Emma, ela sabe fazer isso como ninguém. – A resposta desavergonhada, faz Ruby rir alto.

– Quem te viu, quem te vê, Mills. – Respondeu rindo. Regina nada disse, apenas riu, e de novo tentou ir.

– Ah, Regina, só para você ficar sabendo, Robin ainda está lá embaixo. – Nathalie avisou. – E o papai, subiu com o Henry. Estão no quarto dele, então talvez não seja uma boa ideia você descer. – Ao ouvir tal coisa, a morena bufou e abriu a porta.

– É muito cara de pau mesmo. – Reclamou. – Sim, descer é uma boa ideia, e expulsa-lo daqui, é uma ideia ainda melhor. – Resmungou, antes de ir.

Caminhou irritada, a passos largos pelo corredor, enquanto pensava em tudo que latiria contra o ex-marido. Estava tentada a chamar a polícia, a ideia de vê-lo saindo dali algemado, a agradava e muito, mas tinha Henry, ou seja, pouparia o filho daquilo.

Pensou também em voltar até o quarto, tirar da bolsa a arma que Emma lhe deu, e ameaçar o marido com a mesma. Sorriu ao imaginar a cara de assustado que ele faria, quando a visse apontar a arma em direção a ele, muito provavelmente sairia correndo. Ah sim, aquela era uma ótima ideia, mas de novo, tinha Henry.

Seus passos firmes ao descerem as escadas, chamaram a atenção de Robin, que tirou os olhos da TV e os concentrou na mulher, que em momento algum olhou em direção a ele. Regina parou no último degrau, e prendeu os olhos em um dos seus quadros.

– Posso saber por que você ainda não foi embora? – Indagou sem um pingo de paciência.

– Querida, nós precisamos conversar. – Ao ouvi-lo lhe chamando de “querida”, Regina entendeu perfeitamente o que Emma sentiu, quando foi chamada pela morena pelo mesmo apelido. Ânsia de vômito.

– Nós não temos absolutamente nada para conversar, você perdeu esse direito quando tentou me esganar. Agora acho melhor você sair da minha casa, antes que eu chame a polícia. Acho que não preciso lembra-lo que está descumprindo uma ordem. – Mostrou seu celular ao homem, em uma clara ameaça.

– Querida, o que eu fiz foi lamentável, por favor, me ouça, me deixe explicar. – Usou seu melhor tom de arrependido, o que por muitos anos, enganou Regina.

– Nove, um, um. – Falou em alto e bom som, enquanto discava o número. Lançou um olhar desafiador ao ex-marido, ao lhe mostrar o display do celular. – Se você não estiver fora daqui em um minuto, eu não vou hesitar em chama-los. – Avisou, fazendo o homem bufar e se pôr de pé.

– Eu não vou lhe dar o divórcio. – Vociferou contra a mulher.

– Isso é o que nós vamos ver. – Rebateu no mesmo tom.

– Antes disso acontecer, eu mato você. – Ameaçou em um tom de voz frio. – E se eu souber que você está me traindo com ela, mato ela também. – Ao ouvir tal coisa o semblante de irritação da morena, deu lugar a um olhar ameaçador. Desceu o último degrau e caminhou até o ex-marido sem desviar os olhos dele, parando a centímetros do homem. Seu olhar se tornou sombrio, abriu um sorriso maquiavélico e prendeu os olhos nos do ex-marido.

– Ou eu mato você primeiro. – Sua voz soou sombria.

– Está me ameaçando, querida? – Regina ficou ainda mais irritada, pelo tom de deboche da pergunta. — Talvez eu deva ir até a polícia, falar sobre isso. – Ela lhe deu um meio sorriso e concordou.

– Por favor, faça isso. Diga o quanto você se aproximou de mim, fale sobre a ordem que você descumpriu. – Pediu. — Digamos que um dia você me mate, como sugeriu. O primeiro suspeito será você. – Concluiu. — Por outro lado, caso você por um acaso seja assassinado, posso dizer que estava apenas me defendendo. – Deu de ombros, fingindo casualidade.

– Você não deveria me desafiar desse jeito. – O jeito debochado da mulher, junto com suas conclusões, serviram para irritar Robin.

– Eu não tenho medo de você. – Avisou. – Deixe-me esclarecer uma coisa de uma vez por todas, você pode me ameaçar o quanto quiser, pode me estapear, pode tentar me esganar, mas eu não vou voltar para você, Robin. Se antes eu não sentia mais nada por você, agora eu sinto nojo. – O desprezo com o qual disse aquelas coisas, fez o homem levantar a mão para estapeá-la, mas conseguir frear antes de fazer tal coisa, o que de novo a fez sorrir. – Bate, bate aqui. – Deu um leve tapa no rosto o incentivando. – Bate, querido, você não sabe o quanto eu quero que você faça isso, porque se você fizer, dessa vez não vai ter fiança que lhe tire da prisão. – Provocou.

– Sabe quando eu vou aceitar me divorciar de você, Regina? Nunca! – Seu tom de voz alterado, o fez quase gritar aquilo.

– Ah Robin, assim você me decepciona! Nem parece um advogado conceituado. Divórcio litigioso, já ouviu falar? Talvez você deva fazer uma pesquisa sobre isso. Deixa eu esclarecer, nós vamos nos divorciar, quer você queira, quer não. – Lhe avisou.

– Caso insista nisso, não vai me sobrar alternativa a não ser pedir a guarda de Henry. – Regina gargalhou ao ouvir tal coisa, e então tirou a echarpe que lhe cobria o pescoço.

– Querido, olhe para as marcas que as suas mãos deixaram no meu pescoço e me diz, que juiz em sã consciência consideraria a hipótese de dar a guarda de Henry para você? Contente-se se eu concordar que você o veja de quinze em quinze dias. – Mais uma vez, Robin sentiu vontade de partir para a agressão física. Queria muito estapear Regina, queria muito espanca-la até tirar o sorriso de deboche do rosto dela.

Perplexo, Henry que estava no alto das escadas há algum tempo junto com o avô, assistindo em silêncio as ameaças que os pais trocavam, não conseguiu permanecer quieto quando a mãe mostrou ao pai, o que ele tinha feito.

Lembrou-se da voz da mãe lhe dizendo que pediria o divórcio e então tudo começou a fazer sentido. O semblante abatido que Regina tinha durante a sexta-feira, o atraso para lhe pegar no colégio, a voz que praticamente sumiu de uma hora para a outra, o celular desligado, as conversas sussurradas com Ruby. Sim, Robin tinha mesmo feito aquilo.

– Você bateu nela? – Indagou irritado enquanto descia as escadas, chamando a atenção dos pais para si.

– Não! – Robin respondeu de imediato, dando um passo para trás.

– Ele bateu em você? – Ignorou o pai e indagou com a mãe. Que pensou um pouco antes de suspirar e afirmar.

– Sim. – Foi tudo que disse.

– CALA A BOCA! – Gritou com a mulher, a fazendo recuar. – Não tente colocá-lo contra mim. – Esbravejou.

– Não grite com ela! – Henry ordenou. Ao alcançá-los, se pôs entre os dois, e voltou-se para o pai. – Você é um covarde. – Apontou o dedo em direção ao homem o acusando.

– Você não sabe o que está dizendo, não fale comigo assim. – Ao ver que o ex-marido estava à beira do descontrole, Regina tentou tirar o filho dali, mas não conseguiu.

– Henry! – Chamou, tentando de novo, afasta-lo do homem.

– Eu quero que você vá embora daqui e que não chegue perto dela nunca mais, porque se você fazer isso, se ela não ligar para a polícia, eu não vou hesitar em fazer. – Ameaçou o pai. – Vá embora! – Apontou em direção a saída.

– Isso tudo é culpa da sua amiguinha, Emma. Você sabe o que ela e a sua mãe, faziam na prisão? – Irritado, resolveu usar todas as armas que tinha.

– Já chega, Robin, vá embora. – Regina ordenou.

– Não quer que o nosso filho saiba que você me trocou por uma mulher? – Debochou. – Foi o que a sua protegida mãezinha fez. Ela teve um caso com a sua amiguinha na prisão e aparentemente não consegue superar isso. – Henry esbarrou as mãos no peito do pai.

– Vá embora! – Voltou a exigir.

– Espera, você sabia sobre isso? – Sentiu-se traído ao ver o jeito com o qual o filho lhe olhava. – Você está de acordo com isso? Você prefere ver sua mãe com outra mulher? Prefere ver nossa família desfeita? – Fez-se de vítima.

– Você machucou ela, tentou esgana-la. – Balançou a cabeça, ainda incrédulo com o que o pai fez. — Como posso preferir vê-la com você? – Robin fechou as mãos em punho, e deu um passo à frente. Emma, queria matá-la, queria muito fazer aquilo. Aquela mulher petulante, destruiu sua família. Além de ter roubado o amor de sua mulher, deu um jeito também de colocar Henry contra si. Ela pagaria caro por tal coisa, com certeza pagaria.

– Sabe o que eu deveria fazer? Meter a mão na sua cara também! – Ameaçou.

– Você não vai meter a mão na cara de ninguém. Você vai embora daqui agora e nunca, nunca mais ouse encostar um dedo em Regina, porque se eu souber que você fez isso, se souber que só pensou em ameaça-la, eu vou atrás de você nem que seja no inferno, e eu acabo com você, seu covarde, nem que seja a última coisa que faça na vida. – O pai de Regina que até então ainda não tinha se pronunciado, deixou a filha de queixo caído com a ameaça que fez a Robin, enquanto descia as escadas. – Acredito que saiba o caminho até a saída, mas se estiver com problemas para lembrar, posso acompanha-lo até lá. – Ofereceu-se ao parar ao lado da filha. A presença do sogro, deixou Robin um tanto quando acuado e o fez recuar.

– Eu vou, mas essa conversa não acaba aqui, Regina, você não vai se ver livre de mim. – Fez uma última ameaça, antes de dar as costas a todos, e ir. Os três permaneceram calados, até ouvirem o estrondo que a porta fez, quando Robin saiu pela mesma.

Regina soltou o ar preso em seus pulmões, enquanto Henry voltou-se para a mãe, para analisar os machucados que as mãos do pai deixaram nela.

– Eu não acredito, não acredito que ele fez isso com você. – Lamentou-se ainda descrente com toda aquela situação.

– Sinto muito, não era para você saber disso desse jeito, me desculpe. – Abraçou o filho.

– Tenho certeza de que se não fosse desse jeito, não seria de nenhum outro, porque você esconderia isso de mim. Você não pode esconder essas coisas de mim, mãe. – Reclamou com ela.

– Ele é o seu pai. – Soltou com o ar.

– Isso não lhe dá o direito de não me contar. É exatamente por ele ser meu pai, que eu preciso saber. Se eu soubesse sobre isso, não teria concordado que ele ficasse para a festa, o que com certeza teria evitado todas as ameaças que eu ouvi vocês dois trocando. – Reclamou.

– Sinto muito, Henry, eu só estava de cabeça quente, não é como se eu quisesse mesmo matar o seu pai. – Tentou tranquiliza-lo.

– Eu sei. Tenho medo do que ele pode fazer com você, não ao contrário. – Esclareceu.

– Ele não vai fazer nada, ele não é assim tão estúpido. – Caso fosse, Regina com certeza precisaria mesmo usar a arma idiota que Emma tinha lhe dado.

– Por que você não procura Nathalie para mim, e me deixa falar com a sua mãe? – Christopher pediu, assim que mãe e filho puseram fim ao abraço. Ao ver o pai diante de si, Regina sentiu-se um pouco desconfortável com toda aquela situação.

– Ela está no meu quarto, com Ruby. – Avisou ao filho, que concordou com a cabeça, beijou o rosto da mãe e foi.

O silêncio que se instalou na sala, perturbou a morena, que não sabia o que dizer. Seu pai era quase um estranho, não tinham intimidade para conversar sobre qualquer coisa, imagina então, conversar sobre todo o bate-boca que o homem tinha acabado de presenciar.

– Você quer sentar? – Apontou para o sofá, e foi até o mesmo. O homem concordou e juntou-se a filha, sentando-se ao lado dela.

Regina cruzou as pernas, os braços e concentrou os olhos no fogo da lareira, enquanto seu pai prendeu os olhos nela e suspirou. Deveriam conversar abertamente sobre aquilo, certo? Mas passou tanto tempo distante da filha que não sabia nem ao menos como começar qualquer tipo de conversa.

– Eu não sei como começar. – Admitiu.

– Você não precisa começar, não precisa dizer nada, faça de conta que não viu, nem ouviu nada. – Sugeriu, ainda com os olhos do fogo.

– Estou cansado de fazer de conta que não vi nem ouvi nada. – Soltou com o ar. – Por que não me procurou? – Ao ouvir tal pergunta, Regina sorriu sem humor.

– Para falar sobre o que, exatamente? – Sua voz saiu ácida.

– Sobre o seu casamento, sobre a agressividade do seu marido, sobre o que ele fez com você.

– Desculpe a franqueza, mas mal temos intimidade para falar sobre o tempo, imagina então sobre o meu casamento. – Foi sincera.

– Eu poderia ter ajudado. – Voltou a sorrir sem humor, e balançou a cabeça negativamente.

– Como me ajudou quando a mamãe se suicidou? – As palavras escaparam de sua boca, e trouxeram silêncio a sala. Seus olhos continuaram presos à lareira, enquanto pensava se deveria se desculpar ou não. Talvez devesse, mas não queria. Foi ele quem teve a ideia de conversar, não foi? Então que aguentasse as consequências.

– Embora não pareça, embora eu não demonstre, eu me importo com você. – Tentou começar de novo. Regina decidiu ficar em silêncio, aquela tentativa de conversa chegaria ao fim mais rápido se apenas se limitasse a ouvir. — Você e Emma, isso é mesmo verdade? – Lentamente, ela afirmou com a cabeça.

– Sim.

– Ela pôs você na prisão. – Acusou, o que a fez abrir a boca para acusar o pai de muitas coisas, mas acabou desistindo.

– Eu não me importo. – Deu de ombros.

– Ela é traficante, Regina. – Tentou outra abordagem.

– Era, ela era traficante. – Corrigiu.

– Ela não faz bem para você. – Ouvir aquilo, foi a gota d’água. Não ficaria indiferente diante daquela afirmação. Um tanto quanto irritada, tirou os olhos do fogo e encarou o pai.

– Baseado em que, você está me dizendo isso? – Indagou. — Não diga bobagens, não fale do que não sabe. Nós só estamos aqui sentados, tendo essa tentativa de conversa, por causa de Emma. Porque quando minha morreu e você perdeu a coragem de me encarar, de se aproximar, Emma estava lá comigo. – Esbravejou contra o pai. — Ela foi a única pessoa que eu tive, a única pessoa que se importou, e ela era só uma criança. Graças a ela eu tive uma família, uma infância que apesar dos pesares, foi até que feliz. – Vomitaria tudo que estava engasgado há muito tempo. — Sinceramente, eu não sei, não sei o que teria acontecido comigo, o que teria sido de mim, caso não tivesse tido ela. Então não abra a sua boca para me dizer que ela não me faz bem. Ela me faz bem, só Deus sabe o quanto ela me faz bem. Se eu não tivesse tido um pai tão ausente, talvez não tivesse carregado a maldita mala de dinheiro, talvez não tivesse gostado da ideia de ser rebelde, talvez eu a tivesse convencido a não se envolver com tráfico. – Admitiu. — Mas eu queria de algum jeito chamar sua atenção, fazer você me ver, e sabe o que é mais engraçado? Nós falávamos abertamente sobre isso na sua frente, mas você esteve sempre tão distante, que nunca sequer desconfiou de algo. – Lamentou-se. — Emma é a parte boa da minha infância, da minha adolescência, da minha vida. Emma me deu uma família, família essa que me deu atenção, carinho e amor, coisa que você nunca fez. – O acusou. — Eu a amo pai, amo porque ela estava comigo quando eu mais precisei, porque ela não me impediu de ama-la, porque... ela sabe de mim, mais do que eu sei. – Sentiu como se tivessem tirado um peso enorme de suas costas, finalmente conseguiu pôr para fora todo o discurso que tinha em mente há muito tempo, e se sentia bem com aquilo.

– Talvez você esteja confundindo gratidão e amor. – Era só o que faltava, seu pai sugerir aquilo.

– Os beijos que trocamos, as roupas que arrancamos uma da outra, os suspiros, os abraços, os olhares, as juras silenciosas de amor, isso não é gratidão, pai, posso garantir que não. – Resolveu deixar aquilo bem claro.

– Okay, basta. – Não queria mesmo ouvir a filha falando sobre sua vida sexual. – Você tem certeza que é isso mesmo que você quer, ficar com Emma? – Insistiu no assunto.

– Amar Emma, é diferente de ficar com Emma. – Tentou se esquivar. – Não disse que estou com ela. – O homem sorriu.

– Então me diz que o motivo de você ter chegado atrasada no aniversário do seu filho, foi mesmo o esquecimento do seu celular na cafeteria e não você ter ido deixar Emma na prisão. – Ao ouvir tal coisa, Regina abriu e fechou a boca algumas vezes. – Existe um mundo de distância entre nós dois Regina, e eu sei que a culpa por isso é toda minha. Tudo que você me acusou, você está certa, absolutamente certa. Perder a sua irmã e a sua mãe do jeito como eu perdi, eu... – Balançou a cabeça. – Você tem tanto da sua mãe, os olhos, o sorriso, o jeito como preta atenção nas coisas, o amor pelo piano, o jeito como estreita os olhos quando fica brava. E pensar na sua mãe, doía tanto, e eu não aguentava mais sofrer. – Suspirou. – Quando percebi o que fiz com você, já era um pouco tarde, você já estava muito magoada, David já tinha assumido meu posto no lugar de pai. – Lamentou-se.

– E você já tinha uma outra família. – Sussurrou magoada.

– Cora do lugar onde está, deve ter dado um jeito de fazer com que Nathalie, viesse assim, tão parecida com você, e eu não digo só fisicamente. É impossível olhar para ela e não lembrar de você. Se vocês fossem filhas dos mesmos pais, não se pareceriam tanto. Até a veia na testa quando fica irritada, ela herdou de você. – Cutucou a testa da filha com o indicador, a fazendo sorrir.

– Os cabelos dela são mais claros, assim como o tom da pele. E ela tem um furinho no queixo. – O homem concordou com a cabeça.

– Alguma coisa ela precisava ter herdado da mãe. Derick morre de ciúmes dela comigo, ele diz que ela é minha protegida. E a verdade é que ele tem razão, eu mimo demais essa menina, eu faço todas as vontades dela, por mais absurdas que possam ser. – Admitiu. — E eu faço isso porque acho que é uma forma que encontrei de tentar me redimir comigo mesmo, e é como se de algum jeito, eu estivesse me redimindo com você também. – Suspirou. — Nós somos uma espécie de melhores amigos, sabe? Claro que evitamos o assunto “namorados” e tudo que isso implica, mas tirando esse fato, conversamos sobre tudo. – Regina perguntou-se mentalmente se aquele “tudo”, envolvia Ruby. — E é através dela, que ultimamente eu sei mais sobre você. Nathalie idólatra você, todas as noites nós conversamos sobre você, ela me fala o que você fez durante seu dia, ou o que deixou de fazer, me fala sobre seus gostos, sobre suas broncas, sobre os dias que você parece estar de mal humor, e sobre os muitos dias que você parece estar precisando desesperadamente de um abraço. – Regina esboçou um sorriso ao ouvir aquelas coisas. — É por isso que sei que Emma apareceu na cafeteria na sexta-feira, ela não foi para casa, mas me ligou só para me contar. – Voltou a suspirar. – A verdade é que estou magoado com Emma. Magoado por ela ter abandonado, fugido de você. Posso ter sido um pai ausente, mas sei que você sofreu quando ela sumiu. Sofreu tanto a ponto de procurar refúgio em casa, a ponto de ter aceitado um abraço meu, a ponto de ter me deixado vê-la chorar. Eu fiquei muito chateado com ela, muito chateado a ponto de ter ido atrás dela para tirar satisfação. – Ao ouvir tal coisa, Regina arqueou as sobrancelhas.

– Você está falando sério? – O homem afirmou.

– Sim, eu fui atrás dela, mas acabei não a encontrando em lugar algum. Ninguém soube me dizer onde podia encontra-la, ela simplesmente desapareceu. – Lamentou-se.

– É, eu sei.

– Então eu tenho essa bronca com ela, engasgada. Emma era a única pessoa que eu acreditava que nunca iria magoar você, ela conhecia você melhor do que qualquer outra pessoa, ela sempre soube como arrancar um sorriso seu, sempre entendeu esse seu olhar misterioso, sempre soube o que se passa dentro da sua cabeça. Eu confiava cegamente nela. Vocês eram algo como, unha e carne, eram inseparáveis, sempre foram. – Regina concordou com a cabeça. – Parece que do mesmo jeito que ela sumiu, reapareceu, e pelo que posso ver, isso virou sua vida de cabeça para baixo, outra vez. Eu me preocupo com você, Regina, como já disse, embora não pareça, embora você não acredite, você pode ter certeza que eu me preocupo. – O homem passou as mãos pelo rosto, antes de encarar a filha. – Eu soube que você seria presa, semanas depois que você já estava presa. Você sequer lembrou de pôr meu nome na lista de visitas. Você separou-se, seu marido lhe agrediu, e você sequer pensou em me procurar, ou ligar. – Seus olhos frustrados prenderam-se nos da filha. – Sei que essa é uma defesa sua, sei que não tenho direito de lhe cobrar nada, não depois desse tempo todo, mas eu quero que você saiba que eu me preocupo, por isso peço que me responda com sinceridade, você tem certeza que é isso que quer para sua vida? – Regina inspirou o máximo de ar que pôde, e lentamente o soltou.

– Isso, você quer dizer Emma? – Indagou e recebeu uma resposta afirmativa com a cabeça. – Sim, eu tenho certeza. Emma é uma das poucas certezas que eu sempre tive na vida. – Contou. – E honestamente, eu não consigo mais nega-la.

– E se um dia ela acordar com a ideia de ir embora de novo? – Regina pensou sobre aquilo por alguns segundos, antes de sorrir para o pai.

– Ela não vai. Tenho certeza absoluta que não. – Garantiu, seu sorriso cresceu ainda mais ao dar-se conta do quanto estava certa daquilo. – Ela vai ficar, isso é tão certo.

– Você realmente a ama. – Concluiu ao ver o sorriso bobo da filha e seus olhos brilhando ao falar da amiga.

– Você não faz ideia do quanto. – Derreteu-se.

– Acho que preciso de um pouco de tempo para me acostumar com essa ideia, eu sempre vi vocês duas como irmãs, então... – Regina concordou.

– Ah é, por um tempo eu também pensei que nós éramos algo como isso, até que um dia eu desejei muito beija-la, então desisti dessa ideia de irmãs. – O homem sorriu um pouco sem graça.

– Você... – Começou, mas decidiu desistir.

– Eu? – Regina o incentivou.

– Você namorava aquele rapaz, esqueci o nome, o irmão de Emma. – Juntou as sobrancelhas tentando lembrar.

– Daniel. – O ajudou.

– Isso, você namorava Daniel, mas gostava de Emma, é isso? – Questionou, tentando entender.

– Na verdade eu gostei dele, antes de gostar de Emma. – Explicou.

– Certo, você gostava dele, depois gostou de Emma, depois veio Robin, e agora tem Emma de novo. – Desviou os olhos da filha. – Você é... você teve outras namoradas, ou o quê? – O desconforto do pai, fez Regina rir.

– Segundo Emma, sou algo como Emmasexual. – Ao ouvir tal coisa, o homem juntou as sobrancelhas, de novo fazendo a filha rir. – Se Emma não existisse, eu seria hétero, como ela existe, eu sou segundo ela, uma falsa lésbica, ou algo assim. Acho que bissexual é a palavra. – Como não fazia ideia do que dizer, Christopher apenas balançou a cabeça concordando.

– Okay. Quero que saiba que pode contar comigo para qualquer coisa. – Regina balançou a cabeça concordando.

– Certo. Quero que saiba que se você quiser, pode aparecer por aqui mais vezes. – Antes que o homem pudesse responder, o celular da ex-detenta começou a tocar, interrompendo a conversa dos dois. Inclinou o corpo para frente e esticou o braço, alcançando o aparelho que estava em cima da mesa de centro. Sorriu ao ver o número desconhecido, concluindo que provavelmente era Emma. Teve certeza que sim, era a namorada, quando a telefonista avisou que a ligação era da prisão. — Falando nela... – Comentou com o pai.

– Ponha no viva-voz. – O homem pediu, e com a intenção de envergonhar a amiga, Regina concordou com aquilo.

– Regina? – Voltou a sorrir ao ouvir a voz da loira.

– Oi?

– Que bonitinha, vejo que sobreviveu ao encontro com a sua aprendiz de nora. – Começou debochando.

– Pois é, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. – Deu de ombros.

– E como foi? Você não olhou com cara de Regina Má, para ela, olhou? – A pergunta fez a morena rir.

– Não. Me comportei bem, entreguei o segundo pedaço de bolo a ela sem ao menos rolar os olhos. – Emma gargalhou ao ouvir aquilo.

– E quem ganhou o primeiro? – Indagou, já sabendo da resposta.

– A mulher que carregou ele por nove meses, vomitou muito durante esse período, ficou gorda, inchada e sem ver os próprios pés. Por último, mas não menos importante, o pariu. – De novo Emma gargalhou.

– Vulgo, Regina Mills. – A morena sorriu e concordou.

– Essa que voz fala. – Concordou.

– Você fez língua para ela quando ganhou o primeiro pedaço? – A pergunta fez a morena rir.

– Não, só usei meu ar de superior. – Admitiu, arrancando mais risadas da namorada.

– Que droga! Não acredito que perdi isso. Regina, você com ciúmes do seu filho é algo impagável. – Pegou no pé da amiga.

– Sou nada, sei me controlar muito bem, obrigada! – Emma discordou.

– Sabe nada, aposto que em algum momento, você lançou um olhar ameaçador para a coitada. Um olhar do tipo: “se você magoar o meu filho, eu te mato, vadia!” – Okay, talvez aquilo tivesse acontecido, algo completamente sem querer, que durou dois segundos ou cinco, mas Emma não precisava mesmo ouvir a confirmação.

– Você está me difamando. – Tentou não rir.

– Não estou não, mas sei que você não vai admitir, então vamos mudar de assunto. – Respirou fundo. – Nenhuma surpresa desagradável apareceu nessa festa? – Regina sabia muito bem a quem a namorada se referia. Como não queria mentir, mas também não podia dizer a verdade, já que tinha medo da reação de Emma caso soubesse da aparição de Robin, resolveu omitir.

– Bom, teve uma presença que eu não chamaria de desagradável, mas sim de inesperada. – Contou.

– Que seria? – Indagou com curiosidade.

– Meu pai. Na verdade, meu pai e toda a família dele, Zelena, Derick e Nathalie. – Ouviu Emma assoviar e pelo canto dos olhos, viu o pai sorrir sem graça.

– UAU! Christopher Mills, em carne e osso? – Regina sorriu e afirmou.

– Christopher Mills, em carne e osso. – Respondeu ao olhar para o pai.

– Aposto que você aproveitou esse momento raro em que a família estava toda reunida, e falou que nós duas passamos a madrugada nos pegando loucamente, e que graças aos seus orgasmos múltiplos, você aceitou ser minha namorada. Aproveitou para dizer também que você vai me pedir em casamento. – Tanto Regina, quanto o pai, ficaram desconcertado com as palavras de Emma e antes que a morena conseguisse dizer que o pai estava ouvindo, o homem se manifestou.

– Faz alguns minutos que ela me disse que ama você, para o bem dos meus ouvidos ela tinha me poupado sobre o assunto: “passamos a madrugada nos pegando loucamente.” – O homem respondeu com voz séria e firme, e por alguns segundos o silêncio se fez presente naquela ligação.

– Hey... tio... Mills! – Ao ouvir Emma tropeçando nas palavras, Regina começou a rir. Daria tudo para ver o quanto o rosto a amiga deveria estar vermelho, o quanto ela deveria estar desejando que a ligação caísse, ou o quanto deveria estar se controlando, para não encerrar a ligação, correr para a sua cela e se esconder debaixo da coberta.

– Oi, Emma! Como você está? – Continuava com o mesmo tom de voz, estava fazendo de propósito.

– Eu... eu... eu... – Tinha virado gaga. – Estou bem. – Soltou com o ar. – Você?

– Poderia estar melhor, se não tivesse ouvido sobre a madrugada. – A resposta fez o status de Emma mudar de gaga, para muda, o que fez Regina cutucar o braço no do pai, reclamando com ele. – Então, você está definitivamente de volta. – Não perguntou, apenas concluiu.

– Sim, eu estou. – Afirmou. – E dessa vez é para ficar. – Engoliu o nervosismo para garantir aquilo ao tio.

– Mesmo? – A pergunta foi feita em tom duvidoso.

– Ouça. – A ouviu respirar fundo, e então coçar a garganta. Era perceptível o quanto ela estava nervosa. – Eu sinto muito, por ter meio que abandonado Regina, eu recebi sua carta e... — Regina que ouvia atentamente, decidiu interromper a conversa dos dois ao ouvir sobre a carta.

– Que carta? – Indagou com o pai, mas antes que ele pudesse responder, Emma resolveu continuar.

– E eu sinto muito, muito mesmo, quando eu a li, já era um pouco tarde, cheguei a ir atrás dela, mas ela já estava casada ou coisa parecida, e estava esperando um filho, o que me fez desistir. O que ela menos precisava naquele momento, era que eu voltasse e bagunçasse tudo de novo. – Explicou. – Sei que está magoado comigo e tem razão de estar, Regina era parte da minha família e do dia para noite, acabei tirando isso dela e eu não tenho uma explicação para isso, não tenho uma defesa. Apenas fui covarde, então tudo que posso lhe dizer é que eu sinto muito, muito, muito mesmo, mesmo sabendo que sentir muito não resolve nada. – Tentou desculpar-se.

– Por que devo acreditar que você não vai fazer isso de novo? – Indagou.

– Porque eu não vou, sei que minha palavra não vale nada, sei que sou uma mentirosa, mas estou tentando melhorar, Regina está me ajudando a melhorar. Eu quero ser uma pessoa melhor, quero merecer o amor da sua filha, quero merecer essa chance que mesmo eu não merecendo, ela está me dando. – Estava sendo sincera e pedia a Deus, que o homem percebesse aquilo.

– Estou de olho em você. – Respondeu com tom de voz mais relaxado. – Saiba que se pudéssemos nos ver, nesse exato momento eu estaria lhe lançando um olhar ameaçador, um olhar que tem o seguinte significado: se você a magoar a minha filha, eu te mato, vadia! – Regina não conseguiu não rir ao ouvir o pai usando as palavras de Emma, contra Emma.

– Eu não vou, prometo! – A loira também estava rindo. – Lembra quando você entrava no quarto dela e a encontrava dormindo enquanto eu estava lá, assistindo TV? – Indagou.

– Sim, eu me lembro. – Suspirou saudoso. O único momento do dia em que se aproximava de verdade da filha, era quando a mesma dormia. Sentava-se na beirada da cama e ficava lá, a assistindo dormir. Muitas dessas vezes, encontrava com Emma lá.

– Você me chamava de Emma Problema, bagunçava meus cabelos e antes de sair do quarto me dizia: continue cuidando dela para mim, Emma. – O homem sorriu ao lembrar-se. – Eu cuidei por um tempo, certo? Do meio jeito, mas cuidei. – Ele afirmou.

– Certo, você fez isso por um tempo. – Concordou.

– Okay, agora eu preciso que você faça o mesmo por mim. Cuide dela para mim, tio Mills, faça isso enquanto estou presa, cuide dela. – Pediu. – Não tenha medo de se aproximar, nem tenha medo das patadas que ela pode lhe dar as vezes, eu sei que você sabe mais do que ninguém, que por trás dessa pessoa que tenta ao máximo parecer fria e inabalável, tem uma mulher maravilhosa. Conheça a sua filha, posso lhe garantir que vale muito a pena insistir nisso. – Espiou Regina pelo canto dos olhos e a viu fingindo não ouvir o que Emma tinha acabado de dizer, enquanto checava as unhas. Sorriu com aquilo.

– Eu sei. Vou cuidar, prometo que vou. – Garantiu.

– Pobre e indefesa Regina, quantos anos ela tem mesmo? – Regina sentiu-se na obrigação de debochar daquele absurdo. – Treze? Ah não, lembrei! Trinta e seis. – Enfatizou a idade, o que os fez rir. – Não preciso que ninguém tome conta de mim. – Dispensou.

– Você precisa sim. – Emma afirmou. – Precisa de alguém para protege-la daquele ogro, que alguém batizou de Robin. – Regina rolou os olhos ao ouvir tal coisa.

– Não, eu não preciso, pare de ser paranoica, Emma. – Sabia muito bem lidar com Robin, além de saber também o número da polícia, e a loira tinha lhe dado uma arma estúpida, então não precisava mesmo, de alguém para defende-la daquilo.

– Eu vou cuidar, Emma. Não se preocupe, vou ficar de olho em Robin. – Ótimo, os dois resolveram ignora-la, era tudo que precisava, mais um paranoico.

– Obrigada!

– Não me agradeça por isso, não estou fazendo mais do que a minha obrigação. – O homem soltou com o ar ao se pôr de pé. – Bom, vou deixa-las conversar e vou subir em busca de Nathalie. Boa noite, Emma! E não esqueça, estou de olho em você também. – Avisou.

– Boa noite, tio Mills! Prometo não decepcioná-lo dessa vez. – Regina rolou os olhos pela preocupação da amiga, e tirou o celular do viva-voz.

– Quanta preocupação com esse tio Mills. – Resmungou com a amiga, enquanto assistia o pai subir as escadas.

– Ainda está no viva-voz? – Perguntou preocupada.

– Não, você já pode voltar a respirar. – Avisou e riu ao ouvir a amiga soltando o ar.

– Depois preciso ir até o banheiro, e checar se não sujei a calcinha. – Ao ouvir tal comentário, Regina gargalhou.

– Quem ouve você falando isso, não acredita que você foi traficante, entre outras coisas. – Implicou.

– Seu pai quando quer, sabe ser aterrorizante, e eu tenho que tratá-lo bem, primeiro, porque ele é o tio Mills. Segundo, porque em breve será meu sogro. Então pare de rir da minha cara. – Pediu.

– Que história é essa de carta? – Indagou.

– Seu pai ama você, do jeito torto dele, mas ama. Ele me procurou quando eu sumi da sua vida, e como não me encontrou, me deixou uma carta nada amigável. Eu ainda a tenho, quando sair daqui a mostro para você. – Prometeu. – Agora preciso falar uma coisa. – O alerta soou na cabeça de Regina ao ouvir aquilo.

– Que coisa? – Não conseguiu disfarçar o tom de aflição.

– Estou com saudades. – Regina respirou aliviada ao ouvir aquilo.

– Eu também estou.

– Queria tanto estar aí agora, abraçada a você, ouvindo você tocar uma das muitas músicas melosas que tem na sua pasta. — Regina também queria tanto que aquilo fosse possível.

– Quanto tempo duraria a sua concentração na minha música melosa? – Indagou sorrindo.

– Isso depende. Se estivéssemos sozinhas, provavelmente duraria até chegar no refrão, se estivéssemos acompanhadas, meu comportamento impecável faria durar quantas músicas fossem necessárias. – A morena gargalhou ao ouvir tal coisa.

– Por que não consigo acreditar nisso? – Pegou no pé da namorada.

– Porque você é boba. Talvez assim, minhas mãos apertassem sua cintura, e dessem uma escorregadinha até suas coxas, mas tudo muito discretamente. – Regina voltou a rir.

– Claro, muito discretamente. – Debochou.

– Sabe o que eu queria fazer também? – Pelo tom da pergunta, provavelmente ouviria alguma bobagem.

– Não faço ideia. O quê?

– Assistir ao noticiário. – Ao ouvir tal coisa, Regina juntou as sobrancelhas.

– Oi?! – Provavelmente não tinha ouvido direito.

– Assistir ao noticiário. – Repetiu. – Você ainda usa óculos para assistir TV?

– Ainda uso.

– Então, na verdade eu queria assistir você assistindo ao noticiário. Você usando seus óculos de nerd, com os cabelos presos, um livro nas mãos e a atenção na TV. Aposto que você ainda resmunga muito sozinha quando vê uma notícia absurda. – Regina sorriu e concordou.

– Sim, eu ainda faço isso.

– Sabia! Ah preguiça, eu queria muito estar aí com você. – Soltou com o ar. – Como faz para fazer esse ano passar voando? – Queria muito uma resposta para aquela pergunta.

– Eu não sei, mas se você descobrir me avise, porque é tudo que eu mais quero também.

– Nós vamos ser desse tipo de pessoas que namoram todos os dias, não vamos? Pelo menos uma hora ou duas por dia, para recuperar ao menos um pouco do tempo perdido. – Sugeriu.

– Preciso consultar a minha agenda, mas acho que tenho um tempo disponível para você todos os dias. – Se fez de difícil.

– Tenho certeza que você tem, afinal, o que você faz da meia noite até as oito da manhã?

– Nada de muito interessante. – Afinal, dormir é coisa de quem não tem uma Emma.

– Eu vou fazer você fazer muitas coisas interessantes. – O tom sugestivo que usou, arrancou um sorrisinho da morena.

– Não tenho dúvidas sobre isso. – Respondeu.

– Se você me aceitar, vou ficar aí nos finais de semana. Mas todas as quartas-feiras, você vai dormir lá em casa. – Regina juntou as sobrancelhas ao ouvir tal coisa.

– Vou? – Ficar na casa dos tios com eles sabendo exatamente o que ela estava fazendo lá, não era algo muito agradável de se imaginar.

– Vai, claro que vai. Você vai me buscar na CUNY, nós vamos passar em algum drive thru, e vamos para a minha casa, onde vamos assistir algum filme velho na TV, entre outras coisas. – Regina não pode deixar de sorrir, ao ouvir Emma falando sobre a universidade.

– CUNY, então já até decidiu sobre isso? – Ah, se houvesse um jeito, com certeza estaria abraçando a namorada.

– Sim, CUNY de Manhattan. – Contou.

– Tem CUNY no Bronx também. – Bronx era o bairro onde os pais de Emma moravam.

– Eu sei, mas Manhattan fica perto da minha namorada, ou seja, não vai existir desculpas para não nos vermos todos os dias. – De novo a morena sorriu.

– Ok, CUNY de Manhattan então. – Mesmo que fosse a do Bronx, Regina com certeza daria jeito para que se vissem todos os dias, afinal, gastava apenas quarenta minutos para ir de um lugar ao outro, mas era bom ter Emma por perto, assim era mais fácil supervisiona-la nos estudos.

– Você acha que eu consigo entrar? Quer dizer, eu ainda tenho aquela carta de recomendação, mas minhas notas você sabe que são no máximo razoáveis, e eu não tenho muitas atividades extracurriculares. – O tom preocupado com o qual comentou aquilo, fez de novo Regina sorrir. Emma estava mesmo, mesmo, levando aquilo a sério.

– Tenho certeza que consegue. Só precisa estudar para o SAT. – A redação e principalmente a entrevista, Emma se sairia muito bem, então precisava mesmo focar na prova.

– Você será minha professora? – O tom de voz sugestivo da pergunta, arrancou um meio sorriso da morena. – Você, eu, seu quarto. Algo me diz que contrariando todas as expectativas, eu vou amar estudar. – Regina negou-se.

– Henry, vai ser seu professor. Assim não corremos risco de você tentar persuadi-lo para que desistam de estudar e tirem as roupas. – Ao ouvir tal coisa, Emma gargalhou.

– Ok, Henry será meu professor então. O que você acha de ser a responsável por aplicar uma prova final? Isso pode acontecer no seu quarto. A cada resposta errada, eu tiro uma peça de roupa. A cada resposta certa, você tira uma peça. Tipo strip poker, mas sem o poker. – Ah sim, Regina já gostava e muito de tal ideia.

– Digamos que você seja uma aluna exemplar, e responda tudo corretamente... minhas roupas acabarão antes da prova. – Claro que aquilo passava longe de ser um problema, só queria ter certeza do que viria depois.

– Digamos que quando as suas roupas acabarem, a cada resposta certa, vou poder tocar você. – O tom de voz sacana com o qual disse aquilo, fez Regina suspirar, já imaginando. Ah sim, definitivamente aquela era uma ótima ideia, pena que quando tal coisa acontecesse, provavelmente a prova seria esquecida.

– Ah, Emma! Para o seu próprio bem, é bom que gabarite essa prova. – Emma voltou a gargalhar.

– Para o seu próprio bem, você que dizer. – A morena concordou.

– Sim, para o meu próprio bem e para o seu também. Por motivos diferentes. – Diferentes, mas ao mesmo tempo, iguais.

– Prometo dar o melhor de mim. – Comprometeu-se.

– Não espero nada menos do que isso. – Soltou com o ar.

– Que voz é essa? Que suspiro foi esse?

– Voz e suspiro de quem está pensando em todas as suas respostas corretas. – Admitiu.

– Droga, Regina! – Soltou com o ar. – Você falando desse jeito, com esse tom de voz baixo que você sempre usa quando quer algo de mim, e suspirando desse jeito, me deixa com muita, muita vontade de estar aí. – Regina abriu um sorrisinho, ao perceber o que estava perturbando a namorada.

– Eu queria muito, muito, que você estivesse aqui. – Ouviu o longo suspiro da namorada, do outro lado da linha.

– Você está na sala? – Murmurou a pergunta.

– Sim.

– Sozinha? – Indagou com tom de voz baixo e arrastado.

– Completamente sozinha. – A morena fingiu um suspiro de lamento e ouviu a namorada resmungando.

– No sofá? – Riu e mordeu os lábios, imaginando Emma.

– No sofá. Sozinha nesse largo e extenso sofá. – De novo fingiu lamento. – Nós duas nos encaixaríamos perfeitamente bem nesse sofá. – Emma fez tanto silêncio do outro lado, que por um segundo, Regina pensou que ela tinha desligado.

– Eu não vou esquecer dessa provocação barata, Regina Mills. Quando eu sair daqui você está ferrada! – A voz abalada da namorada, fez Regina rir.

– Mal posso esperar para estar ferrada. – Continuou provocando.

– Você vai fazer uma coisa hoje à noite por mim. – O tom de voz sacana com o qual disse aquilo, fez a morena sorrir.

– Vou? – Ronronou a pergunta.

– Vai. – Afirmou.

– E que coisa seria essa? – Sabia que deveria pôr um fim àquela conversa, mas de repente, seu corpo pedia para que continuassem.

– Você vai por um acaso esquecer de pôr a sua camisola, pijama ou o que quer que for, e vai deitar-se nua, completamente nua. Acha que pode fazer isso? – Regina balançou a cabeça afirmando.

– Sim.

– Ótimo. Você vai fechar os olhos, vai relaxar o máximo possível e vai pensar em mim. – Regina deixou a cabeça cair contra o encosto do sofá e fechou os olhos. As instruções de Emma, estavam acelerando seu coração estúpido. – Vai pensar em mim aí ao seu lado, também nua, admirando sua beleza. Vai pensar nos meus lábios, quando usar sua mão para acariciar seu pescoço, e vai pensar nos meus suspiros, quando tocar seus seios, vai pensar na minha respiração contra a sua pele enquanto estiver os massageando, na minha língua, quando estiver brincando com a auréola enrijecida. – A voz sacana e baixa da namorada, junto com tudo que lhe dizia, já faziam a morena imaginar, o que obviamente, refletia em seu corpo, que lhe pedia para que seguisse as sugestões de Emma imediatamente. – Você pode fazer isso, Regina Mills? – Oh Deus! A voz provocante da namorada lhe chamando pelo nome, serviu para deixar tudo ainda pior, ou melhor.

– Posso. – Solto com o ar.

– Você poderia fazer isso agora, sabe? Tocar-se por cima das roupas mesmo. – Okay, se Emma estava dizendo que podia, então era porque podia. Sua mão até então inerte que repousava sobre suas pernas cruzadas, subiu pelo seu abdômen, indo de encontro aos seios, acariciou os dois, antes de dedicar-se exclusivamente a um. – Como você está? – Ouviu Emma ronronar a pergunta.

– Ficando molhada. – Respondeu com a respiração já um pouco pesada.

– Ótimo! Você não sabe o quanto eu amo deixa-la desse jeito. Só de ouvir isso, quem fica molhada sou eu. – Pelo tom de luxuria estampado naquela frase, Regina teve certeza que Emma estava em uma situação idêntica, senão pior do que a sua. – Agora imagine minha mão descendo pela lateral do seu corpo, alcançado sua coxa, fazendo você entreabrir as pernas bem devagar. – Instantaneamente Regina descruzou as pernas, e como lhe foi sugerido que imaginasse, as abriu. – Com a intenção de provocar, vou acariciar a parte interna de suas coxas, e virilhas. Vou fazer você resmungar, protestar para que eu faça o que você quer. – O bom de estar imaginado, era que podia usar a própria mão, então ao ouvir tal coisa, Regina desistiu dos seios e escorregou a mão até seu sexo, o acariciando por cima do vestido, o que a fez soltar um suspiro de satisfação. — Não seja desobediente, Regina, ainda não chegamos lá. Tire a mão daí. – De algum jeito, Emma sabia exatamente o que ela estava fazendo.

– Não! – Protestou.

– Tire! – Voltou a ordenar, fazendo a morena soltar um suspiro frustrado e obedece-la. – Como você está agora?

– Ensandecida para ser tocada. – Respondeu em um ronronar.

– Oh não, essa definitivamente não é uma boa ideia, não agora. – Ao ouvir uma nova voz, voz essa que não era nada parecida com a de Emma, a morena saiu do transe em que se encontrava e abriu os olhos. Ao dar de cara com Ruby, Nathalie, Henry e por último, mas não menos importante, seu pai, teve vontade de morrer.

O calor que já estava sentindo pelas ordens que Emma estava lhe dando, piorou com o flagrante. Sentiu seu rosto arder, tinha certeza que suas bochechas nunca mais recuperariam a cor normal, assim como tinha certeza que nunca mais olharia aquelas pessoas nos olhos, principalmente seu filho e seu pai. Ambos olhavam para ela um tanto quando assustados, envergonhados, incrédulos, sem reação. E não era para menos, se pudesse se ver, tinha certeza que também estaria em choque.

– Regina? – A voz de Emma, a trouxe de volta para o mundo dos vivos. Infelizmente seu desejo de morrer, não funcionou, continuava respirando, e os quatro continuavam ali, olhando para ela como se estivessem diante de uma atriz de pornô soft.

Sem condições de encara-los naquele momento, pôs-se de pé rapidamente, deu as costas para todos e caminhou até seu piano.

– Eu quero matar você. – Resmungou entredentes.

– Por quê? – Emma indagou.

– Porque você me deixou em um estado lamentável para se estar na presença do pai, filho, irmã e amiga. – Balançou a cabeça negativamente. – Você tem ideia de que eu nunca mais vou conseguir encara-los? Você me faz perder completamente a noção das coisas, Emma. – Esbravejou.

– Eu... eu... sinto muito. – Além de sentir muito, também sentia vontade de rir, mas claro que Regina nunca ia saber sobre aquilo.

– O que eu vou dizer para eles? – Não tinha uma explicação para aquilo, qualquer desculpa que viesse a dar, com certeza não colaria.

– Você não vai dizer nada, porque eu tenho certeza que eles não vão perguntar nada. Na verdade, vão fazer questão de não saber, exceto Ruby e talvez sua irmã, mas tenho certeza que elas não vão tocar no assunto, enquanto tio Mills e Henry estiverem presentes. Então, relaxa. – Relaxar? Não, não conseguiria mais relaxar tão cedo.

– Como você tem certeza sobre isso? – Indagou preocupada.

– Regina, estamos falando sobre o seu pai e o seu filho, você acha mesmo que eles querem saber detalhes do que você estava fazendo? Aposto que eles estão desesperadamente tentando esquecer, então quanto menos souberem, melhor. – É, pensando por aquele lado, talvez Emma tivesse razão.

– O que eu faço agora? – A preocupação da namorada, estava divertindo Emma.

– Você usa aquele semblante de Regina que não está para brincadeiras, e vai até eles. Com certeza eles vão estar falando sobre qualquer coisa, só para não correrem o risco de você aparecer e tentar se explicar. Então você se senta lá, faz de conta que nada acontece e começa a interagir com eles. – Deu a solução simples.

– Gosto mais da alternativa que envolve fugir e nunca mais olhar para trás. – Resmungou.

– Você não é covarde, então mesmo querendo, sei que não vai fazer isso. – Não ia? – Vai lá, tenho certeza que tudo vai acontecer exatamente como eu disse. – Incentivou.

– Eu odeio você! Na verdade, eu me odeio por sempre ouvir você. – Reclamou.

– Okay, Regina! Eu também amo você. – Não conseguia não rir do nervosismo da amiga. – Agora você vai lá e eu vou para minha cela. Preciso me enfiar debaixo da coberta e me masturbar pensando em você. – Regina sorriu sem humor.

– Eu precisava mesmo saber sobre isso? – Indagou.

– Claro, se vou fazer pensando em você, nada mais justo que você saiba. Ah, e se de alguma forma serve de consolo, pelo menos três detentas que estão na fila para usar o telefone, ouviram toda a minha conversa. – Ao ouvir tal coisa, Regina ficou completamente sem reação. Emma era louca, definitivamente, louca. – Regina? – Desistiu de falar com a namorada sem juízo e sem pudor, para não brigar com ela, apenas encerrou a ligação sem dizer mais nenhuma palavra.

Respirou fundo algumas vezes, se voltou para as pessoas que estavam na sala, pôs o semblante de Regina nada amigável no rosto, voltou a respirar fundo, e resolveu fazer o que lhe foi sugerido para que fizesse, encarar.

Notas finais
É isso meu povo, agora conto com vocês. Próximo capítulo tem visita na prisão, participação especial de Vauseman, e as ameaças, elas continuam. Quem quiser cenas do próximo capítulo, já sabe, deposite aqui seu comentário! Beijos