Escape
27 Talvez eu não mereça você
Notas iniciais
Quando você nasce, já nos seus primeiro segundos no mundo, a primeira coisa que você ganha é um tapa. Dor, é o primeiro sentimento que você conhece. Esse “gesto” de boas-vindas nada mais é do que uma mensagem subliminar, que deixa bem claro o propósito da vida. Sofrer. Esse tapa é só o primeiro, dos muitos que virão, e essa dor é como cócegas perto das que você vai conhecer.
Você se machuca ao aprender a engatinhar, andar, correr, andar de bicicleta. Se machuca quando não sabe o real significado das palavras “queimar”, “cortar”, “cair”. Se machuca quando o dedo mindinhos do seu pé, se atrai pela quina da cama, ou por uma porta qualquer. Se machuca quando não calcula direito o salto da árvore ou do muro que você escalou. Se machuca quando seus pés por não entenderem direito essa coisa de gravidade, acabam tropeçando uns nos outros e levando você ao chão. Enfim, o que você mais faz desde o dia que nasce até a adolescência, é se machucar, o que certamente leva você a sentir dor.
Por mais que você sangre, se rale, fique com hematomas e quebre algumas partes do corpo, esses machucados são algo simples de consertar, remendar, engessar, sarar. Na maioria das vezes um simples Merthiolate, BAND-A ID, analgésico, resolvem, e deixam você pronto para outra.
Como seriamos felizes, se a vida fosse feita de machucados físicos, mas infelizmente ela não é.
De tanto você desejar crescer na velocidade da luz, um dia você cresce e nem se dá conta disso. Você cresce, abandona a adolescência, e começa a fase adulta. Você fica tão encantado com essa nova fase que muitas e muitas vezes acaba enfiando os pés pelas mãos, e ninguém faz questão de avisar para você que seus erros já não serão mais sem importância, fáceis de consertar. Ninguém faz questão de avisar que a partir de tal momento, seus atos, suas atitudes, suas decisões podem comprometer o resto da sua vida.
É você quem tem que descobrir isso sozinho, e é quando você faz tal descoberta, que você conhece a pior das dores, a dor do arrependimento, e infelizmente não há no mundo Merthiolate, BAND-A ID, e analgésicos que resolvam isso.
Quando entrou para o tráfico, Emma jamais imaginou que seria por tanto tempo, jamais imaginou as consequências que tal decisão viria a causar, jamais imaginou que sua vida mudaria tanto por tal motivo, jamais imaginou que perderia sua liberdade e jamais imaginou que colocaria em risco, a vida das pessoas que amava.
Se odiava, se odiava cada dia mais, se odiava por ter escolhido o tráfico ao invés de ter se arriscado por Regina, se odiava por ter sido covarde, por ter acreditado no irmão, por ter partido, por não ter voltado, por ter cruzado os braços e esperado acontecer.
Se perguntava como pôde por todos esses anos ter tido coragem de conviver com as piores pessoas do mundo, ter se envolvido com drogas, dinheiro sujo, chantagens, assassinos e ter sido tão covarde ao ponto de ter fugido por medo. Medo da sua melhor amiga, medo da pessoa que a amava, que a fazia feliz, que a consolava, abraçava, mimava, que fazia tudo por ela. Medo de um futuro, medo de ser feliz. Claro que elas teriam sido felizes, cada dia que passava tinha mais certeza sobre aquilo.
Quando fechava os olhos conseguia imaginar como teria sido, imaginar a vida que teriam tido. Regina com certeza teria a colocado nos eixos, teria a feito largar a história de tráfico enquanto isso ainda era possível de se fazer. Começariam do zero, sem ajuda dos pais. Morariam em um apartamento alugado no Bronx ou no Brooklyn, estudariam de manhã até um pedaço da tarde, depois cada uma correria para seu trabalho, um trabalho que pagaria tão pouco que só daria para pagar o aluguel e comprar o essencial para não morrerem de fome.
Não teria a vida fácil que o tráfico costumava lhe dar, teria dias que pensaria sobre aquilo, mas aí, ao chegar em casa e encontrar Regina lá, espalhada no sofá, usando seus óculos de grau dignos de nerd, com um olho no trabalho da faculdade, e o outro na série que passava na TV, se daria conta do quanto era feliz.
Depois de formadas se mudariam para um apartamento maior em SoHo, e teriam um emprego melhor. Sairiam de casa juntas e conseguiriam fugir do trabalho para almoçarem juntas. Regina chegaria em casa tarde, graças a outro curso que começaria, ser universitária de novo deixaria Emma enciumada e a faria ir buscar a mulher quase todas as noite na porta da universidade. Muitas vezes discutiriam por aquele motivo, todas essas vezes fariam as pazes da melhor forma possível.
Henry seria ideia de Regina, o que a princípio pegaria Emma de surpresa e a deixaria apavorada, mas mesmo com medo, acabaria aceitando e quando seus olhos o vissem pela primeira vez, deixaria muitas lágrimas fugirem, e todo o medo e receio que um dia sentiu, se transformariam em um amor sem fim, amor incondicional.
Passaria horas a fio admirando mãe e filho enquanto eles dormiam, pensando no quanto os amava, no quanto era feliz, no quanto eles faziam sua vida fazer sentindo, e era nesse momento que se daria conta de que ter ficado com Regina, fez sua vida fazer absoluto sentindo. Agradeceria a Deus por isso e muito provavelmente adormeceria rezando, pedindo a ele que protegesse sua família de todo mal.
Infelizmente, as coisas não eram assim, estavam longe de serem sequer parecidas com isso. Era só abrir os olhos e tudo voltava ao normal, a escolha errada que fez no início da sua vida adulta, voltava a se fazer presente e a vida voltava a ser uma piada de muito mau gosto.
Emma suspirou e passou as mãos pelos cantos dos olhos, tentando-se livrar das lágrimas. Como o mundo gostava mesmo de vê-la sofrer, a música que considerava uma das mais tristes do mundo, começou a tocar no seu radinho, preenchendo seus ouvidos, seus poros, cada célula do seu corpo, sua alma, e fez a dor do arrependimento bater ainda mais forte. Estava em desespero, levou as mãos até os cabelos e os puxou com força, enquanto as lágrimas voltaram a tomar conta do seu rosto e soluços escaparam de sua boca.
Estava se achando a pessoa mais mesquinha, egoísta e desprezível do mundo. Era um verme, um verdadeiro verme, digna de nojo. Não sabia pensar em mais ninguém além de si mesma, se colocou sempre em primeiro lugar e graças a isso, a pessoa mais importante da sua vida, estava sendo ameaçada.
Através de uma visita de Jefferson, Emma foi informada de que Gold sabia, sabia sobre Regina, sabia sobre o namoro delas, sabia o quanto Regina significava, sabia sobre o passado de ambas, sabia sobre tudo. De nada adiantou esconder, disfarçar, desviar, não, nada funcionou. O maldito tinha olhos e ouvidos em todos os lugares. Provavelmente ele soube sobre o caso delas há alguns meses, mas deixou para coloca-la a par da situação faltando pouco mais de três meses para Regina deixar a prisão. Esse era o jeito que ele usava para aterrorizar.
Não podia deixa-la abandonar a porra do “emprego” porque ela sabia muito sobre muitas coisas, ou seja, podia fazer com que ele e seus aliados mofassem na prisão para o resto da vida.
Emma entregou o ex patrão sem dó nem piedade. Tá certo que quando ela fez isso ele já não era mais seu patrão, mas fez e muito provavelmente estaria morta, se Gold não a tivesse acolhido, e muito provavelmente Gold não teria a acolhido, se Killian Jones, seu maior inimigo, não fosse ex patrão da loira. Resumindo, Gold sabia que Emma não era uma pessoa confiável, então a única garantia que tinha de que ela não abriria a boca para denuncia-lo, era a mantendo ao seu lado.
Como era um “bom” patrão, prometeu que a deixaria de “férias” os anos que ela passaria na prisão, mas assim que saísse, teria que voltar a trabalhar. Foi quando ela recusou-se a fazer tal coisa, que Jefferson contou que o patrão sabia sobre Regina. Não precisou falar a loira que aquilo era uma ameaça para ela entender, como dizem por aí, para bom entendedor, meia palavra basta.
Não existia esperança no final das contas. Não conseguiria transformar a mentira que contou para Regina em verdade, não se arriscaria a tal coisa, tinha muito a perder. Se alguma coisa acontecesse a namorada, jamais se perdoaria, jamais conseguiria conviver com tal situação, ou seja, não existia um futuro para elas e pensar sobre o assunto, transformou seu choro contido em um choro de desespero.
Não sabia o que fazer, a quem recorrer, como agir. Estava de mãos atadas, não podia simplesmente mandar matar Gold, porque não confiava em ninguém para sequer tocar no assunto e não podia mata-lo enquanto não saísse dali. O problema era que faltava mais de dois anos para sair, enquanto isso Regina estaria lá fora, e seria vigiada, observada e investigada de todas as maneiras. Sentia pavor só de imaginar os capangas de Gold seguindo ela para todos os lugares, indo até a cafeteria, lhe desejando bom dia, boa tarde, boa noite e pior, se dando conta da existência de Henry.
Desesperada, tentou arrancar os cabelos, enquanto esperneava na cama e soluçava alto, chamando a atenção de quem passava perto da cela.
Regina que já estava por ali alguns minutos, e assistia com o coração a mil e as pernas tremulas, o desespero da namorada, resolveu agir. Sentou-se na beirada da cama, tirou-lhe os fones de ouvido e agarrou os braços de Emma, fazendo com que ela largasse os cabelos.
– O que está acontecendo? – Indagou assustada e com lágrimas nos olhos, por ver Emma tão descontrolada emocionalmente. – O que está acontecendo com você, Emma? – Voltou a indagar. Sabia que a amiga não estava bem, fazia uma semana que ela tinha mudado, se tornado um tanto quanto distante, chorosa, e talvez ansiosa. Regina tinha certeza que estava acontecendo alguma coisa. Sempre que Emma ficava nervosa com alguma situação, vomitava, e aquilo aconteceu todos os dias daquela semana. O problema é que não conseguia descobrir o que tinha de errado com a namorada, por mais que tentasse, perguntasse e insistisse, Emma desconversava, dizia que estava tendo uma virose e mudava de assunto. Bom, a morena descartou a hipótese da virose ao entrar na cela e se deparar com o desespero da amiga. – Fala comigo, por favor! – Pediu com tom de voz embargado. Emma não conseguiu falar, não conseguiu sequer abrir os olhos para encara-la, então só balançou a cabeça se negando a abrir a boca. Sem saber o que dizer ou que fazer para acalma-la, Regina a puxou pelos braços a fazendo sentar, logo em seguida a envolveu em um abraço.
Emma jogou-se lá, entregou-se aquele abraço. Apertou Regina em seus braços enquanto chorava copiosamente. A abraçou apertado, talvez mais do que deveria. A abraçou de um jeito que a impossibilitava de se mexer, a abraçou com medo, medo de perdê-la, medo de deixa-la escapar, medo de não aguentar aquilo. Soluçou alto e apertou ainda mais Regina em seus braços, quando pensou que deveria deixa-la ir. Como seria possível? De que maneira conseguiria abrir mão daquilo? Como faria tal coisa de novo? Deus! De onde juntaria força e coragem para fazer aquilo?
Travava uma batalha interna consigo, sabia que tinha que pôr um fim ao relacionamento delas o quanto antes, tinha que fazer pelo bem de Regina, tinha que se afastar o máximo possível, precisava exigir distancia, precisava fazer a amiga voltar a odiá-la, precisava fazer aquilo. Tinha que deixar de ser egoísta, mas não conseguia, simplesmente não conseguia. Passou a semana tentando achar um jeito de pôr um fim ao que elas tinham, ensaiou vários discursos, mas na hora de coloca-los em pratica, simplesmente desistia. Já tinha arruinado a sua vida uma vez, praticamente pelo mesmo motivo, não queria cometer o mesmo erro duas vezes.
Quando desistiu de Regina, dedicou-se quase que exclusivamente ao trabalho, não foi um exemplo de pessoa durante todos aqueles anos. Mentiu, manipulou, ameaçou, aterrorizou, foi cruel. Com certeza arruinou muitas vidas, destruiu muitos sonhos, e talvez tivesse sendo castigada por tais motivos. Provavelmente merecia o castigo, mas não conseguia aceita-lo, porque se Regina sumisse mais uma vez da sua vida, levaria junto com ela sua sanidade.
Nunca conversou muito com Deus, nunca foi muito de rezar, e muitas vezes duvidou da existência do mesmo, mas no mesmo dia em que Gold mandou o sutil recado, fez o que jamais se imaginou fazendo, foi até a capela, caiu de joelhos em frente ao altar e timidamente começou uma conversa com o tal Deus. Desculpou-se por tudo de errado que já tinha feito na vida, desculpou-se por tê-lo ignorado por muito tempo, mostrou-se arrependida e contou a ele sobre sua salvação, Regina. Contou o quanto a amava, o quanto a amiga lhe fazia bem, o quanto a fazia ser uma pessoa melhor. Passou um bom tempo falando sobre Regina e os motivos pelo qual a amava. Por fim, fez o que fazia quando era criança e desejava muito alguma coisa, juntou as mãos, apoiou a testa nas mesmas, fechou os olhos com força e pediu, pediu mais uma chance, uma chance para consertar tudo, uma chance para ser feliz, uma chance para provar que a sua vida não era um grande erro.
Pediu por um milagre, uma intervenção divina, uma ajuda, implorou por sua felicidade. Fez aquilo todos os dias daquela semana, mas infelizmente, Deus provavelmente estava muito ocupado, ou muito magoado pelas coisas erradas que ela fez, então talvez não viesse a ajudá-la. Estava sozinha como esteve nos últimos anos, não tinha mais ninguém a quem recorrer e mesmo que tivesse, ninguém poderia ajuda-la, nem ela poderia ajudar-se. Oh não, não existe no mundo dor maior do que a do arrependimento, com certeza não.
– Eu estou aqui com você, vai ficar tudo bem. – Regina prometeu com a voz embargada, de olhos fechados, mantendo o abraço apertado. Emma que tinha conseguido conter suas lágrimas, voltou a deixa-las escapar ao ouvir tal coisa. Queria muito acreditar naquelas palavras, queria muito, mas tinha certeza que não ficaria tudo bem.
– Eu sinto muito! – Desculpou-se em um fio de voz.
– Sente muito pelo quê? – Queria muito entender o desespero da namorada, precisava entender, antes que entrasse em desespero junto com ela.
– Por tudo. – Sussurrou, deixando mais lágrimas caírem. – Pelos lugares que não fomos, pelos filmes e séries que não assistimos, pelas noites que não dormimos juntas, pelas manhãs que não acordamos juntas, pelas madrugadas de amor e assaltos a geladeira que não tivemos, pelo filho que não compartilhamos, por não ter estado com você quando tudo o que você precisava era um abraço meu, por ter perdido muitas das suas conquistas, por não ter estado presente para fazer você sorrir quando você se sentiu a pessoa mais triste do mundo, pelas brigas bobas de ciúmes que não tivemos, pela dor que toda essa ausência nos causou. – Voltou a soluçar. O tom de tristeza e pesar com o qual disse tudo aquilo, fez com que Regina também voltasse a chorar. Deus! Por que sua intuição dizia que tinha algo de muito grave, por trás daquelas palavras? Medo, Regina estava com muito medo, não sabia do que, mas estava. – Sinto muito pela vida que não tivemos, muito mesmo. – Regina queria muito dizer alguma coisa, tentar acalma-la de algum jeito, mas para fazer tal coisa, precisava primeiro acalmar-se. Por um tempo nada disso, ficou no mais absoluto silêncio, tentando acalmar seu coração nervoso, suas mãos tremulas e suas pernas bambas. Só conseguiu fazer tal coisa quando a nova crise de choro da namorada cessou. Respirou fundo e tentou se desfazer do abraço, para encarar a namorada, mas Emma recusou-se a solta-la.
– Eu sinto muito também. – Começou. – Mas se Deus quiser, ainda teremos muita vida pela frente e nunca é tarde para começar, não é isso? – Sim, era isso, era exatamente isso que Emma pensava há uma semana atrás, mas já não tinha mais certeza sobre tal coisa, na verdade tinha quase certeza que aquilo era impossível.
– Eu amo você! Amo tanto, tanto que chega a doer. – Fungou. – Eu não sei, não sei explicar, não tenho palavras para descrever, para expressar o tamanho desse sentimento. Eu faria qualquer coisa por você, qualquer coisa mesmo, qualquer coisa para ver você feliz, para manter o sorriso despreocupado em seu rosto.
– Você me faz feliz. – Contou. – Você me faz sorrir, não importa o quanto eu esteja triste, chateada, odiando a vida, você sempre arruma um jeito de me fazer sorrir. – Ao ouvir tal declaração, Emma conseguiu esboçar um sorriso. Deus! Elas se amavam, então porque não podiam ficar juntas?
– Você me faz feliz também. – Lágrimas voltaram aos seus olhos. Sem nenhuma vontade e com muito medo, afrouxou os braços da namorada, desfazendo o abraço. Afastaram-se o mínimo possível, apenas o necessário para olharem-se nos olhos. Emma suspirou e levou a mão até o rosto da namorada, livrando-se de uma lágrima solitária que lá estava. – Por que você está chorando, garota estúpida? – Tentou sorrir. Regina tentou sorrir de volta e suas mãos foram para o rosto da amiga.
– Porque você está chorando. – Seus polegares tentaram secar as lágrimas de Emma. – Ver você triste, me deixa triste. – Emma esboçou um sorriso ao lembrar-se que já tinham tido aquela conversa há muito anos, quando ainda eram crianças, mas naquela situação era a loira que de alguma forma queria consolar a amiga.
– Não querendo repetir a mesma conversa, mas, eu não sei se vou mais conseguir ser feliz. – Deixou mais lágrimas caírem ao admitir aquilo. Ao ouvir tal coisa o coração da morena que já tinha se acalmado, voltou a bater forte. Não tinha mais nenhuma dúvida, Emma estava com problemas, estava lhe escondendo alguma coisa, e pelo jeito, alguma coisa grave.
– Você vai, confie em mim. – Pediu, afagando o rosto da amiga. Emma concordou e fechou os olhos.
– Eu confio. Aliás, você é a única pessoa no mundo na qual eu confio. – Soltou com o ar.
– Então me conta o que está acontecendo. – Sussurrou o pedido. — Por Deus, Emma! Você não está bem, eu conheço você. Alguma coisa está lhe fazendo muito mal, não só psicologicamente e não me venha com história de virose. – Emma concordou com a cabeça e respirou fundo.
– A minha vida é uma grande mentira, Regina. – Continuava de olhos fechados. – Você é a única verdade que existe nela. – Suspirou. – Sabe como eu me sinto? Como uma náufraga. Perdida em alto mar, sem saber para onde ir ou o que fazer, cansada de nadar, nadar e não sair do lugar, a única coisa que me mantém viva, que impede de me afogar é o colete salva-vidas ao qual eu estou agarrada. – Abriu os olhos e os prendeu nos da namorada. – Você é esse colete salva-vidas. Eu já estava me afogando quando você surgiu e me deu essa sobrevida. Eu não quero solta-la, Regina, eu não posso solta-la. – Sua voz voltou a embargar. – Porque por mais que eu esteja perdida, sem saber o que fazer ou para onde ir, eu tenho você, e isso me faz ter certeza de que tudo vai ficar bem. Eu não quero deixar você ir porque eu sei que assim que eu larga-la, vou voltar a me afogar, e não sei se vou ter mais forças para lutar contra a água. – Ao ouvir aquilo os olhos da morena se encheram de lágrimas. Faltava um pouco mais de três meses para ir embora, e talvez conseguisse sair antes desse tempo, por ter tido um bom comportamento. Fazia exatamente uma semana que tinha contado aquilo a Emma, e fazia exatamente uma semana que a loira estava daquele jeito.
Deduziu que Emma estava assim porque o tempo das duas ali dentro estava quase chegando ao fim. Culpada, estava se sentindo muito culpada, não deveriam ter se envolvido tanto, não deveria ter aceitado aquela ideia maluca de ficarem juntas, pelo menos não ali. Odiava imaginar o dia de ir embora, odiava imaginar o último beijo, o último abraço, odiava se imaginar dando as costas para a namorada, indo embora sem ela. Tinha horror em pensar em tais coisas. E se seria ruim para ela, para Emma seria ainda pior.
Regina voltaria para o filho, para o trabalho, teria como ocupar seus dias, seus pensamentos, sua vida, já Emma, Emma não teria ao que se agarrar. Viria para as visitas, com certeza viria, mas ambas sabiam que não seria a mesma coisa, teriam uma hora por semana, e essa hora seria dividida entre Regina, e a família da loira.
A morena desejava muito que os próximos anos voassem, queria muito encontrar Emma fora daquele lugar, queria muito ajudá-la a começar uma nova vida, e queria muito fazer parte dessa nova vida. Sabia que não seria fácil fazer Robin aceitar o divórcio, e sabia que seria ainda menos fácil, Henry entender a separação, sabia que magoaria o filho, mas estava disposta aquilo. Quando Emma saísse dali, Henry estaria quase entrando na universidade, provavelmente moraria a quilômetros de distância dela, provavelmente não se veriam toda semana, e provavelmente a vida da morena ficaria um tanto quanto vazia e solitária. Emma, só ela poderia dar um jeito de ocupar tal vazio. Elas mereciam aquilo, mereciam uma chance, mereciam ser felizes e se dependesse da morena, seriam.
– É porque está chegando o dia de eu sair desse lugar. Você está assim por isso? – Emma respirou fundo, a verdade estava engasgada na sua garganta. Abriu a boca para dizer que não era exatamente aquele motivo, mas desistiu no último segundo. Tinha certeza absoluta que a partir do momento que falasse a verdade, perderia a namorada, amiga, colega.
– Eu vou perder você, de novo. – Regina negou.
– Não, você não vai. – Garantiu. – Se você não me perdeu nesses treze anos que passamos afastadas, não serão os próximos dois, que farão isso acontecer. – Prometeu.
– Regina, ouça. – Tirou as mãos da morena de seu rosto e as segurou junto as suas. – Talvez... – Lágrimas nublaram seu rosto, respirou fundo tentado tomar coragem para falar o que era preciso. – Talvez eu não seja a pessoa certa para você, talvez eu não possa dar a você a vida que você merece ter. Talvez... talvez Robin seja a pessoa certa. – Os olhos da morena cresceram ao ouvir aquilo, um nó formou-se em sua garganta, e uma sensação de Déjà vu apossou-se de si. Lembrou-se imediatamente do dia em que Emma foi embora.
– Você está tentando terminar o que temos, é isso? – Sim, sim, Emma precisava dizer que sim, mas ao invés de fazer tal coisa, deixou mais lágrimas caírem e lentamente balançou a cabeça negando.
– Não eu não estou. Deveria, mas não estou. Não estou porque eu não consigo, eu não quero, mas eu deveria. Eu quero muito, muito ficar com você, Regina. Só Deus sabe o quanto eu quero. As vezes quando fecho os olhos, eu vejo o nosso futuro, vejo o quanto seriamos felizes, juro que vejo, mas talvez, talvez seja um pouco tarde. – Respirou fundo, levantou a cabeça e piscou algumas vezes, tentando fazer com que as lágrimas parassem. – Talvez eu não mereça você, o seu amor, a sua atenção. Talvez não seja para ser, talvez você seja um amor impossível, inalcançável. Talvez o nosso tempo tenha passado, Regina, e talvez insistir nisso seja um erro. – Voltou a respirar fundo, e mesmo sem coragem, voltou a encarar a amiga. Se odiou ainda mais ao ver a morena chorando e balançando a cabeça em sinal de descrença. Os olhos de Regina mostravam o quão aterrorizada ela estava. Como se Emma estivesse se despedindo de novo, era exatamente assim que se sentia. – Por favor, não chore! – Emma pediu, ao levar a mão ao rosto da namorada que instantaneamente fechou os olhos.
– Então cale a boca! Por favor, cale a boca! – Implorou. – Se você me ama, como faz questão de me dizer todos os dias, por favor, cale a boca. Não faça isso, Emma, não se despeça, como seu sei que você está fazendo. Se você quer que seja, então não diga que não pode ser, não torne isso impossível. Se você me ama, então lute para tornar possível, porque eu não posso fazer isso sozinha. – Suspirou, abriu os olhos e os prendeu nos olhos marejados da namorada. – Você me ama? – Indagou, seu coração batia a mil. Tinha medo da resposta, medo de se decepcionar, medo de ter seu coração partido mais uma vez e medo de não saber como aceitar aquilo.
Seus olhos apavorados estavam presos na namorada, que escondeu o rosto entre as mãos e voltou a soluçar. Não sabe por quanto tempo ficou ali, imóvel, esperando a sua resposta, até por fim entender que Emma não responderia. O silêncio nada mais era do que a resposta, certo? Aquele era o fim. Por algum motivo, Emma não queria mais aquilo.
Suspirou, livrou-se das lágrimas que insistiam em cair, pôs um semblante de indiferença na cara e mesmo com raiva e com vontade de falar muitas coisas contra ela, resolveu não dizer nada, porque se fosse falar alguma coisa, acabaria chorando, e não, Emma não merecia suas lágrimas, não merecia o seu amor, não merecia seu sofrimento.
Sem dizer mais nada, levantou-se dali, precisava respirar, pensar, pôr a cabeça no lugar. Precisava de ar frio. Assim que deu o primeiro passo para sair dali, Emma a puxou pela mão sem um pingo de delicadeza. Fez com que a morena voltasse a sentar e a abraçou.
– Eu amo! Amo! Amo! Eu não quero que você vá, eu não quero! – Falou em tom de desespero. Ao ouvir aquilo, Regina suspirou e retribuiu ao abraço esmagador e desesperado. – Só não sei como tornar isso possível. – Confidenciou em um sussurro.
– Nós vamos dar um jeito. – A morena prometeu. – Se conseguíamos dar jeito até nas suas provas finais de matemática, então com certeza daremos jeito nisso. – Beijou o rosto da namorada, antes de soltar-se do abraço. – Agora para de chorar. – Pediu e levou as mãos até o rosto de Emma, mais uma vez tentando secar suas lágrimas. – Vamos ao banheiro, você precisa passar uma água gelada no rosto e depois vamos até a enfermaria, você precisa de um analgésico, tenho certeza que sua cabeça está doendo. – Emma esboçou um sorriso, segurou o rosto da namorada entre as mãos e recostou sua testa na dela. Seus olhos se prenderam.
– Eu amo você! Aconteça o que acontecer, nunca duvide disso. – Pediu.
– Para com isso, não vai acontecer nada. – Não sabia porque Emma estava tão insegura, mas se continuassem falando sobre aquilo, com certeza seria afetada por tal insegurança.
– Mas se acontecer, você nunca vai duvidar do meu amor. Promete? – Regina suspirou.
– Prometo! Lhe dou minha palavra. – Falou com convicção, fazendo a amiga sorrir e beijar-lhe os lábios.
– Eu vou amar você para sempre. – Avisou sem parar de beija-la. – E depois do para sempre... – Continuou com os beijos. – E depois do depois do para sempre. – Regina sorriu ouvindo aquilo, pôs fim ao beijo e afastou minimamente.
– Cala a boca! Eu já entendi, você me ama. – Tinha um sorriso convencido no rosto, um sorriso que fez a loira suspirar e sorrir também.
– Isso! – A morena concordou e levou a mão até a nuca de Emma, a puxando de novo de encontro a sua boca. De novo deram início a um beijo, e de novo Emma o interrompeu. – Espera, eu tenho uma coisa para você. – Avisou, fazendo a amiga arquear as sobrancelhas em sinal de curiosidade.
– Uma coisa? – A curiosidade da morena fez Emma voltar a sorrir. Depositou um beijo estalado nos lábios da namorada e levantou-se dali. Sem perder nenhum detalhe, os olhos curiosas da morena acompanharam a namorada caminhar até seus poucos pertences que ficavam sobre uma pequena mesa, encostada na parede entre os dois beliches. Não conseguiu ver o que a loira pegou lá, mas constatou que era algo pequeno, que cabia na palma da mão. Com a mão direita fechada, Emma voltou a juntar-se a Regina, sentando-se de frente para ela.
– Você é possivelmente a mulher mais curiosa de todo mundo. – Pegou no pé da morena, que concordou sem problema algum.
– Possivelmente eu sou. O que você está escondendo aí? A chave do seu cofre? – Emma sorriu e negou.
– Não, eu não tenho mais um cofre. Não tenho mais cofre, dinheiro, casa, carro, nada. Sua namorada não tem onde cair morta, é bom você saber sobre isso. – Embora tivesse usado um tom brincalhão ao avisar aquilo, Regina percebeu uma certa preocupação instalada ali.
– Continuo amando você mesmo assim, mas depois preciso saber em qual das calçadas dessa cidade, você estende seu papelão. Você sabe, para futuras visitas. – Emma deu risada ao ouvir aquilo.
– Estou contando com a casa dos meus pais, para não precisar estender um papelão. – Balançou a cabeça em sinal de descrença. – Quando eu sair daqui, você vai ter uma namorada de 37 anos que mora com os pais. Existe coisa mais broxante do que isso? – Fez cara de nojo, fazendo a morena rir.
– Bom, se você for uma boa menina, talvez eu chame você para passar uma temporada lá em casa. – Emma sentiu o coração bater na boca ao ouvir aquilo e de novo teve vontade de chorar. O problema de fantasiar as coisas, é que de repente você se pega acreditando nelas. A loira não queria acreditar naquilo, sabia que só estava adiando o inevitável, estava acumulando mais sofrimento, mas resolveu deixar para lá. Falaria a verdade para Regina, mas em um outro dia. Se permitiria ter mais um pouco de felicidade e ilusão. Precisava construir mais lembranças agradáveis, porque seriam tais lembranças que a manteriam viva em um futuro próximo.
– Isso é um convite, Regina Mills? – O jeito surpreso e curioso com o qual fez a pergunta deixou a morena um pouco sem jeito.
– Talvez. – Foi tudo que respondeu. – Agora me diz o que você tem aí. – Apontou para a mão da namorada, que sorriu com a repentina mudança de assunto.
– Bom, eu ia deixar para te dar isso no dia em que você fosse embora, mas acho esse um momento muito oportuno. – Até porque quando a morena fosse embora, com certeza iria a odiando, ou seja, não aceitaria presentes de tipo nenhum. — Me dá a sua mão. – Pediu ao estender a mão livre para amiga.
– A direita ou a esquerda? – Indagou. Emma pensou sobre aquilo por alguns segundos.
– Vamos começar pela direita, se tudo der certo, um dia mudamos para a esquerda. – Compartilhou seu pensamento. Regina nada disse, apenas lhe estendeu a mão direita. Emma sorriu, pegou a mão da namorada e deslizou o anel que segurava na outra mão, pelo dedo anelar da amiga. – Serviu perfeitamente. – Murmurou sorrindo, enquanto apreciava com um sorriso bobo, o anel que um dia foi da sua mãe, no anelar de Regina. – Meu pai deu para a minha mãe, assim que eles começaram a namorar. – Contou. Levou a mão até o cisne negro preso ao anel de prata. – Esse cisne é para você lembrar-se de mim sempre que ver um cisne andando por aí. – Fez piada, arrancando um sorriso e um balançar de cabeça negativo da namorada. – Você sabe, é o nosso sobrenome. – Regina concordou com a cabeça. – Quando eles começaram a namorar ele morava aqui em Nova York e minha mãe morava na Carolina do Norte, esse foi um jeito que ele arrumou de dizer para ela que mesmo quando eles estivessem longe, ele estaria com ela. – Explicou. – Você vai embora, então... – Deu de ombros. – Espero que quando você olhar para esse cisne idiota, lembre-se que você tem uma namorada igualmente idiota, que mesmo não estando com você fisicamente, estará sempre com você em pensamentos. Não importa quanto tempo passe, nem o que aconteça, esse cisne solitário estará sempre com você e será para sempre seu, até a última batida do seu coração e talvez além disso. – Prometeu. As borboletas do estômago da morena se alvoraçaram ao ouvirem aquilo tudo, um sorriso nasceu em seu rosto e mais uma vez naquele dia, lágrimas vieram a seus olhos, que não conseguiam se desprender do anel.
– Eu... – Não sabia o que dizer. – Você... – Seu sorriso cresceu, tirou os olhos do anel e os prendeu nos olhos claros da namorada. – Você é adorável. Eu não sei o que dizer. – Emma sorriu e juntou sua mão a da morena, entrelaçando seus dedos.
– Não precisa dizer nada. Apenas, cumpra com a sua promessa e nunca duvide do amor que sinto por você. – Regina concordou.
– Eu não tenho um anel para você, nem nada que você possa olhar para lembra-se de mim, mas quando eu for, pode ter certeza que meu coração vai ficar aqui com você. O anel é lindo, o cisne idiota é lindo, mas eu quero que você saiba que não é preciso deles para lembrar de você. Porque você vai estar no frio da noite, no desenho das estrelas, nos vinhos, nas pizzas, nos chocolates, nos meus lábios, nos meus abraços, no meu corpo, nos meus sorrisos. Todas as noites quando eu fechar os olhos para dormir, Emma, é você quem vai estar nos meus pensamentos, é em você quem vou pensar, é com você que vou desejar estar. Eu espero que você não esqueça disso. Preciso que você não esqueça disso. – O queixo de Emma tremia enquanto ela tentava controlar-se para não voltar a chorar. Tinha certeza que jamais esqueceria aquelas palavras, só não tinha certeza se aquilo continuaria valendo quando contasse a verdade, e tinha certeza que se atormentaria todos os dias pensando sobre o assunto. — Isso não vai terminar aqui, Emma, acredite em mim. – Pediu. Sem coragem de falar, Emma apenas engoliu o choro e assentiu com a cabeça. – Você acredita? – De novo assentiu com a cabeça. – Então talvez seja melhor você devolver o anel para a tia Mary, ele é lindo, mas é dela e eu lhe dou minha palavra que não preciso dele para lembrar de você. – Fez menção de tirar o anel do dedo, mas Emma foi mais rápida e agarrou a mão da namorada a impedindo.
– Não faça uma desfeita dessa, Regina Mills, não seja mal educada. – Ordenou. – Não sei se você sabe, mas a partir do momento em que você ganha um presente, ele passa a ser seu, por mais idiota que seja. E não se preocupe com a sua sogra, foi ela quem me deu para que eu desse a você. – Sorriu ao lembrar-se. – Se você não merecer, então ninguém mais merecerá. Foi o que ela me disse.
– Prometo me esforçar para merece-lo. – Deu sua palavra, enquanto admirava o anel preso em seu dedo. – É tão lindo. – Emma riu ao ver o quanto Regina estava derretida por aquilo.
– É lindo? – Indagou. Ainda com os olhos fixos no cisne, a morena apenas afirmou com a cabeça. – E você não vai nem me dar um beijo para agradecer? Vai ficar aí só olhando para ele? – Regina sorriu, tirou os olhos do anel e encarou a namorada. Espalmou as mãos no peito dela e a empurrou, a fazendo deitar, em seguida deitou-se por cima.
– Você quer um beijo? – Indagou sorrindo, antes de roçar o nariz no pescoço da amiga.
– Quero. – Soltou com o ar. Fechou os olhos e suspirou quando a boca da morena sutilmente tocou seu pescoço. Brincou pela extensão dele, antes de depositar um beijo perto da orelha da loira.
– Só um? – Ronronou em seu ouvido.
– Está tentando me provocar? – Escorregou uma mão pelas costas da namorada, e depois a subiu por dentro da camiseta, até alcançar o sutiã que abriu com destreza, enquanto sua outra mão foi até a nuca da morena e embrenhou-se em seus cabelos, os puxando, em uma tentativa de levar a boca da namorada até a sua.
– Estou conseguindo? – Depositou um beijo demorado no canto da boca de Emma, que voltou a suspirar. Sem que Regina esperasse, suas posições foram invertidas, a loira estava sentada sobre si, com uma perna em cada lado de sua cintura.
– Você tem certeza? Pode aparecer alguém. – Regina deu de ombros e então sorrir.
– Se esse alguém for uma das nossas colegas de quarto, só vão estar provando do próprio veneno. – Emma sorriu com a resposta, esticou o braço para trás e alcançou sua coberta. Com cuidado deixou seu corpo cair sobre o da namorada, trazendo a coberta junto consigo, as cobrindo totalmente.
– Está escuro aqui, não? – Sussurrou ao pé do ouvido da morena. – Você tem medo? – Um meio sorriso perverso apossou-se do rosto da morena.
– Um pouco, mas se você me distrair, o medo vai embora. – Tentou descer as mãos pelas costas da namorada, mas a mesma a impediu. Emma pegou suas mãos e as prendeu acima de sua cabeça.
– Sou ótima em distrair morenas gostosas. – Contou antes de sua boca procurar pela da amiga. – Aproveite a distração, Regina Mills! – Mordiscou o queixo da morena. – E não se esqueça, eu não atendo pelo nome de Deus. Então quando estiver no ápice da diversão, me chame de Emma. – Deu o último aviso, antes de voltar a tomar a boca da namorada.
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