Escape
17 Só por você
Notas iniciais
Sim, sim, por mais errado que fosse, por mais masoquista que pudesse ser, Regina queria dizer sim, mas tinha tanto medo. Tinha medo de se envolver demais. Tinha medo do futuro adeus. Tinha medo de como seria sua vida depois daquilo. Tinha medo de ficar dependente da amiga.
– E quando eu tiver que ir embora? — Indagou deixando uma lágrima cair.
– Meu coração vai ficar em pedaços, mas prometo que em momento algum, tocarei no assunto.
– E quanto a mim? — Emma tentou sorrir. Sua mão foi até o rosto da morena e tirou a lágrima de lá.
– Você Regina Mills, você vai voltar para o homem que você ama e para o seu filho lindo. Eles vão fazer você esquecer desse lugar e então tudo vai voltar a ser o que era. — Regina balançou a cabeça em sinal de negativo. Não tinha certeza sobre aquilo. E se as coisas não ocorressem como planejado?
– Eu não sei. Não sei se é uma boa ideia. — Emma pegou a mão da amiga e a beijou.
– Então pense, você não precisa me responder agora. Quando tiver uma resposta é só me chamar. Se você não me procurar para falar mais sobre esse assunto, vou entender e aceitar. — Regina concordou balançando a cabeça e sorriu sem humor, deixando Emma curiosa. — Está rindo de que? — Indagou.
– Da vida. De como ela parece jogar com os nossos sentimentos. — A loira concordou.
– Cada dia que passa, tenho mais certeza de que todos somos avatares do The Sims. — Regina riu de verdade ao ouvir tal teoria.
– Nesse caso a pessoa que me comanda provavelmente quer que eu enlouqueça. — A morena resmungou.
– O seu dono perto do meu é um anjo. Ele criou uma mulher inteligente, encantadora, linda, elegante, cheirosa, quentinha, com um sorriso lindo e uma cicatriz maneira. — O indicador quase congelado da loira, tocou a cicatriz de Regina, que ao sentir aquele toque frio, tratou logo de tirar a mão de Emma de lá. A morena encostou-se ainda mais na amiga e a puxou para si, a abraçando em uma tentativa de esquenta-la. — Sabe, provavelmente a gente tem o mesmo dono e ele caprichou tanto quando fez você que quando foi me fazer, acabou não sobrando muita coisa. — Regina rolou os olhos ao ouvir tamanho absurdo. — Mas não vamos falar sobre isso. Vamos falar sobre você. — Pediu.
– E o que vamos falar sobre mim? — Emma aconchegou sua cabeça no vão do pescoço da morena e quando seu nariz gelado tocou a pele do pescoço de Regina, a mesma protestou. — Ahhhh! Pelo amor de Deus, Emma! Você está um gelo, morreu e esqueceram de enterrar! — Tal reclamação arrancou uma risada da loira.
– Ahhh Regina Mills, como eu estava com saudades de ouvir você dizendo isso. — Comentou rindo ao abraçar a cintura na morena, procurando por mais calor humano. — Me desculpa, mas você é tão quentinha que eu não resisto. — Murmurou contra o pescoço da amiga, que sentiu seu corpo arrepiar, dessa vez não pelo frio. — Me fala, você tem realmente um cachorro? — Indagou, fazendo a morena sorrir ao lembrar do seu bichinho de estimação.
– Mas é claro que eu tenho. Ele se chama algodão. — Contou. — Henry deu esse nome pelo fato de ele ser uma bola branca de pelos. — Explicou.
– E de que raça ele é? — A loira questionou sorrindo.
– É um Husky Siberiano. — Ao ouvir a raça do tal Algodão, que até então parecia um nome tão inofensivo, Emma assoviou.
– Me lembre de nunca chegar perto da sua casa. — Pediu, arrancando uma risada da morena.
– Ele é um amor. Quem não conhece se assusta, pelo tamanho e pela cara de poucos amigos, mas ele é completamente dócil. É um folgado, sempre que tem uma chance foge para o meu quarto para deitar na minha cama. — Emma achou aquilo muito injusto, até um cachorro tinha mais sorte do que ela.
– Isso é o que eu chamo de cachorro sortudo. — Se expressou em voz alta. — E a faculdade? Se formou em engenharia civil? O que eu estou perguntando? É claro que você se formou, se duvidar deu até aula para os professores. — Ao ouvir tal coisa, Regina ameaçou soltar a loira do seu abraço. — Estou brincando, vem aqui, não me larga não. — Pediu, fazendo a morena mudar de ideia.
– Na próxima gracinha eu largo e ainda fico assistindo você congelar. — Avisou tentando não rir.
– As vezes eu esqueço que você é a Regina Má. — Implicou com a amiga. — Anda, me conta, você se formou em engenharia civil? — Regina afirmou.
– Sim. Engenharia civil, arquitetura e urbanismo e administração. — Contou um pouco a contra gosto porque sabia que Emma faria piada sobre aquilo.
– E em qual dessas áreas você trabalha? — Para a surpresa da morena, a piada não veio.
– Trabalhava como engenheira civil, mas era muito estressante, então eu desisti e comprei uma franquia de café. — Contou, fazendo Emma olhar para cima para encara-la.
– Uma franquia de café, sério? — A morena afirmou.
– Sério. — A loira sorriu incrédula.
– Você é surpreendente, Regina Mills. Faz três faculdades e depois resolve que quer ter uma franquia de café. — Regina deu de ombros.
– É um trabalho bem menos estressante, e eu ganho muito bem, então, que se explodam as minhas faculdades. — Emma riu ao ouvir aquilo.
– E como se chama a cafeteria? — Indagou curiosa.
– É uma franquia da Starbucks, então se chama Starbucks. — Contou.
– Ah, sério que você tem uma Starbucks? — Questionou amimada. — E aonde fica?
– No Central Park, é a única Starbucks de lá. — Emma pensou um pouco tentando lembrar da cafeteria, e ao fazer aquilo seus olhos cresceram em sinal de surpresa.
– Nossa, nossa! Sério que aquele lugar é seu? Eu já estive lá uma vez. Sério, aquela cafeteria é a mais surreal de todas. Aquele lugar é enorme, foi muito bem pensado você ter feito salas reservadas e ter as decorado igual ao Central Perk. Quando fui lá tive a impressão de que a Rachel, viria me servir um café e que a Phoebe apareceria a qualquer hora para tocar alguma coisa. — Regina sorriu.
– Lisa Kudrow já foi lá algumas vezes. — A morena contou, fazendo de novo Emma levantar a cabeça para olha-la.
– Lisa Kudrow, Lisa Kudrow? Lisa Kudrow de Friends? Sério? — Tinha empolgação e emoção na voz da loira.
– Sério, tenho uma foto com ela, sentada naquele sofá. — Os olhos de Emma brilhavam.
– Você é mesmo muito sortuda. Conheceu a atriz que fez a personagem mais engraçada da melhor série de todos os tempos. E não bastasse isso, ainda tirou uma foto com ela, naquele cenário maravilhoso que é a cópia idêntica do Central Perk. — Regina ria pela empolgação da amiga.
– Só para deixar você com mais inveja, ela autografou o quadro de Friends que eu tinha lá. Depois disso eu levei ele para casa. Agora ele enfeita a parede da minha sala. — Contou com orgulho.
– Eu sou uma pessoa tão azarada que quando fui lá não encontrei nem com ela, nem com você. — Lamentou-se. Regina sorriu e apoiou o queixo no topo da cabeça da amiga.
– Que bom. Porque se você aparecesse lá e viesse com o papo de "oi, Regina Mills" para cima de mim, meus clientes assistiriam a uma baixaria. — Contou, fazendo Emma dar risada.
– Você nunca pensou em responder um dos contatos que tentei fazer antes de sermos presas? — Regina negou.
– Não. Queimei todas as cartas sem ao menos ler. Exclui os e-mails também sem ler. E neguei todas as suas solicitações de amizade sem ao menos dar uma espiadinha no seu perfil. — Contou fazendo Emma suspirar.
– Você estava mesmo me odiando. — Concluindo.
– Mais do que isso. Emma, você sempre me convenceu a fazer suas vontades, sabia que se eu lesse uma linha que fosse do que você me escreveu, acabaria aceitando conversar com você. E você não merecia que eu fizesse isso. — Foi sincera.
– Eu senti tanto a sua falta. — Soltou com o ar. — A pior parte dos meus dias, era quando eu chegava em casa. Nessas horas a solidão me castigava. Por mais que eu levasse alguém para casa junto comigo, eu me sentia tão sozinha, acho que me sentia a pessoa mais solitária do mundo. — Sua voz não passava de um sussurrar triste. — Muitas dessas noites eu pensava em você. Ficava me perguntando se você ainda lembrava de mim. Se ainda lembrava de nós. Da amizade que tivemos, da nossa camaradagem, das nossas bebedeiras. — Suspirou e desencostou a cabeça do ombro da amiga para encara-la. — Você pensava em mim? — A morena afirmou com a cabeça.
– Pensava. — Admitiu. — E muitas vezes me odiava por isso. Porque pensar me fazia sentir saudade e eu não queria sentir.
– Eu tive dias péssimos, ruins e bons durante esses anos, a melhor parte de todos esses dias era quando eu deitava a cabeça na cama e me lembrava das nossas maluquices. — Sorriu. — Nós duas bêbadas éramos um perigo para sociedade. — Regina riu ouvindo aquilo e balançou a cabeça concordando.
–Verdade.
– E o nosso pacto de sangue, lembra dele? — A morena voltou a dar risada ao lembrar-se daquela tarde.
– Sério que você está chorando com esse filme de mulherzinha? — Emma pegou no pé da amiga.
– Eu sou uma mulherzinha. — Se defendeu ao livrar-se das lagrimas, fazendo a loira rir.
– É, pela seu tamanho, ou, pela falta dele, você é mesmo. — Mal acabou a frase e um travesseiro voou até seu rosto, não teve tempo de se recuperar daquilo, já que outro travesseiro lhe acertou a face, seguido de mais duas almofadas. — Acabou? — Indagou rindo.
– As coisas leves sim, agora vou pegar a televisão. — Rindo a morena ameaçou ir, mas as mãos da loira a impediram a puxando pela cintura, a fazendo cair na cama novamente.
– Tirando o tamanho, você não parece uma mulherzinha. — Tratou logo de se retratar. — Mulherzinha é coisa mulher mais velha. Você ainda está no auge dos 17, então para de chorar por esse filme de mulherzinha. — Pediu ao deitar-se ao lado da amiga.
– Chorar não é coisa de mulherzinha, é coisa de pessoas com sentimentos. — Rebateu.
– Está me chamando de insensível, é isso mesmo? — Se fez de indignada e cutucou as costelas da morena a fazendo pular.
– É isso mesmo. — Respondeu ao agarrar a mão da amiga, para que ela não tentasse lhe fazer cócegas.
– Pois fique sabendo que eu vou contar tudo para a minha mãe. — Ouvir tal coisa fez Regina gargalhar.
– Conta! — Incentivou. — Tia Mary vai concordar comigo.
– Tia Mary vai concordar comigo. — A loira tentou imitar a voz da amiga, que voltou a rir. — Não sou insensível coisa nenhuma! Só não sou uma patética apaixonada. — Rebateu.
– Por um acaso está insinuando que eu sou uma patética apaixonada, garota? — Emma afirmou.
– Completamente. Fica aí, suspirando pelo meu irmão. — Regina ficou sem graça ao ouvir aquilo. — Agora está se fazendo de tímida. — Emma implicou. — Já disse que se você chegar junto vai rolar. — A morena pôs a mão em cima da boca da amiga.
– Cala a boca, Emma! — A loira riu ao ver o quão envergonhada estava Regina. Rolou para cima da amiga, sentando-se sobre ela e resolveu provocar mais um pouco.
– Oh Daniel, eu quero assistir filmes românticos abraçadinha com você! — Usou seu tom de voz meloso.
– Cala a boca! — De novo a mão de Regina foi até a boca da amiga, mas Emma a tirou de lá, e segurou os pulsos da morena.
– Oh Daniel, eu quero que você me beije! Depois quero que você me faça mulher. — Continuou provocando, e despertando a ira da amiga. — Oh Daniel, isso, assim! — Exclamava em falsos gemidos. Regina estava completamente irritada, lançava um olhar mortal para Emma, que continuava a provocando. Apesar de ser menor, a morena sempre teve mais força do que a amiga, e em um empurrão mais forte do que o desejado, fez Emma sair de cima de si e a mesma foi ao chão. O problema foi que antes disso, seu braço acabou batendo no criado mudo e ele foi ao chão junto com a loira. Ela não teria se machucado, se o criado mudo não fosse de vidro.
– Ai! — Resmungou com voz de dor. — Estou sangrando. — Voltou a resmungar, dessa vez com um tom de voz assustado. Regina nem se mexeu, ainda estava possessa, e tinha certeza que Emma estava mentindo sobre estar sangrando. — Estou sangrando. — Repetiu. — Depois você fica brava, agora me ajuda aqui, Regina. — Como a voz dela continuava assustada, Regina resolveu levantar a cabeça para checar. Ao ver que a loira realmente estava sangrando, a morena praticamente se materializou no chão ao lado da amiga.
– Eu sinto muito! — Desculpou-se. — Eu sinto muito! — Voltou a desculpar-se.
– Depois você se desculpa, agora faz alguma coisa. — Emma pediu sem conseguir tirar os olhos daquele monte de sangue que escorria pelo seu braço.
– Onde foi o corte? — Os olhos da morena procuravam atentamente pelo machucado que aparentemente vinha do braço direito.
– Aqui. — Emma apontou com a cabeça para o braço direito, que sua mão esquerda segurava com força.
– Você precisa tirar a mão. — Regina tentava manter a calma. — Me deixa ver. — Pediu ao segurar a mão da loira, para tira-la de lá. — Você precisa me deixar ver. — Voltou a pedir, já que Emma se recusava a tirar a mão.
– Eu não quero ver. — De repente o mundo de Emma estava girando.
– Não, não. Não desmaia. — A morena suplicou. — Olha para o teto, olha para o teto e me deixa ver. — Com muito medo, Emma obedeceu a amiga. Mirou o teto e deixou Regina tirar sua mão de lá. Regina se assustou com o tamanho do corte e com a profundidade dele. Não fazia a mínima noção do que fazer. Queria gritar por ajuda, mas não tinha ninguém em casa além das duas.
– Ah meu Deus! O que essa coisa branca que está aparecendo aí? — Emma questionou apavorada. Ao ver que os olhos da loira estavam no corte, Regina tratou de por sua mão lá em cima, o escondendo.
– Não é nada. É só um machucadinho. — Tentou usar sua voz mais convincente. — A gente só precisa ir lá no banheiro lavar.
– Eu, eu, eu... — Os lábios da loira tinham perdido a cor, assim como todo seu rosto. Regina sabia que ela estava prestes a desmaiar, então resolveu agir logo.
– Respira Emma, respira fundo. — A loira concordou com a cabeça e obedeceu. — Agora fecha os olhos, fecha os olhos e continua respirando fundo. — De novo ela obedeceu.
– Eu vou morrer, não vou? — Embora já não fosse mais nenhuma criança, Emma voltava a ser quando via muito sangue reunido em seu corpo. — Ah meu Deus, eu vou morrer. — Ela tinha entrado em desespero, o que a fez começar a chorar. Se Regina não estivesse tão nervosa pela situação, estaria rindo daquilo.
– Não, você não vai morrer, vai no máximo ganhar alguns pontos, mas vai sobreviver. — A morena tentou tranquiliza-la. O problema era que a loira tinha medo de hospital, medo de ganhar alguns pontos, então com o seu braço bom, ela abraçou Regina, a impossibilitando de se mexer.
– Eu não quero ganhar pontos. Você cuida disso. Você é inteligente. Você sempre tem solução para tudo. — Falou tudo com voz chorosa, enquanto abraçava o pescoço da amiga.
– Tudo bem, Emma. Vou dar um jeito, só preciso que você fique calma. — Pediu. — E que me solte. — Emma concordou com a cabeça, mas se recusou a soltar Regina. — Olha só, talvez agora seja uma boa hora para fazermos aquele pacto de sangue que você vive falando. — Usou um tom de voz calmo, enquanto sua mão um pouco ensanguentada afagava o cabelo da amiga. Sabia que não deveriam perder tempo com aquela idiotice, mas se mostrasse que estava nervosa e preocupada, Emma surtaria e acabaria desmaiada. — O que você me diz?
– Temos tempo para um pacto de sangue? — Perguntou com tom de voz um pouco mais calmo.
– Claro! — Regina rezou para que seu "claro", tivesse soado convincente. — Você só precisa me soltar, para eu poder cortar o dedo. — Ah loira concordou com a cabeça e lentamente soltou o braço do pescoço da amiga.
– Me desculpe, eu sujei você. — Pediu ao ver os ombros e o pescoço da morena com sangue.
– Tudo bem! — Tentou sorrir e pegou um dos muitos cacos de vidro espalhados pelo chão. — Vamos fazer isso lá no banheiro. — Avisou ao levantar-se, e ajudar Emma a fazer o mesmo. Rebocou a amiga até o banheiro, a colocou debaixo do chuveiro e ligou a água. As pernas de Emma tremiam muito para aguenta-la de pé, então ela deixou o corpo escorregar pelo azulejo gelado e sentou-se no chão. Antes de juntar-se a loira, Regina vasculhou o armário daquele banheiro, em busca de um kit de primeiros socorros. Praguejou ao não encontrar nada, foi então que seus olhos bateram em algo que poderia ajudar, o pegou e foi para debaixo do chuveiro com Emma. Sentou-se no chão ao lado dela, e sem pestanejar, pegou o caco de vidro e o pressionou contra o dedo o fazendo sangrar.
– Pronto. Como funciona esse negócio? — Questionou com Emma, que naquele momento estava achando a amiga a pessoa mais corajosa do mundo, já que se cortou sem ao menos pensar sobre aquilo.
– Eu não sei. Acho que eu junto meu sangue ao seu e a gente promete ser amigas para sempre. — Regina teve vontade de rolar os olhos, mas apenas sorriu e assentiu.
– Ok, então vou colocar meu dedo no seu corte, tira ele de debaixo da água. — Emma assentiu, e estendeu o braço, rapidamente Regina encostou o dedo ensanguentado no braço cortado da loira. — Sei que isso é totalmente idiota, não preciso de nenhum tipo de pacto para prometer ser sua amiga para sempre, mas enfim, te prometo amizade eterna, Emma. Você só vai se livrar de mim quando eu morrer. — A loira sorriu ao ouvir aquilo e por um momento esquece do seu braço machucado. Seus olhos analisaram a amiga molhada, ensanguentada, e por fim se prenderam nos olhos negros e expressivos da morena, e de repente não sentia mais medo.
– Eu também prometo amizade eterna. Vamos morrer velhinhas e no mesmo dia, porque tenho certeza que nenhum dia nessa terra sem você, vai fazer sentindo. — Por um momento Regina acabou esquecendo que precisava urgentemente dar um jeito de fazer o sangue no braço da amiga cessar, e sorriu. Seus olhos estavam presos nos da loira, e por algum motivo ela não conseguia e não queria os tirar de lá. Se o pai de Emma não tivesse aparecido por lá e quebrado aquele magnetismo que se instalou entre elas, provavelmente a loira teria sangrado até a morte.
– Propor o pacto foi o jeito que eu encontrei para você não desmaiar. — Admitiu.
– Como assim? — Indagou curiosa, não sabia sobre aquilo.
– Você ia desmaiar, Emma, estava mais branca do que sempre foi. Ver muito sangue reunido em um só lugar, nunca fez bem para você. — A morena sorriu ao lembrar-se da cena. — Se você desmaiasse eu não conseguiria tirar você do chão. Foi então que eu lembrei do tal pacto de sangue que você vivia falando. — Emma lhe lançava um olhar incrédulo.
– Poxa vida! Eu pensei que você propôs o trato por querer minha amizade para todo o sempre. — Regina sorriu e resolveu não perder a oportunidade.
– Não foi eu quem foi embora. — A lembrou.
– Você vai jogar isso na minha cara para sempre, né? — Indagou.
– Não, para sempre não, só quando você me der oportunidade. — A loira lhe mostrou a língua e então afundou o nariz gelado no pescoço da amiga.
– Não, para sempre não, só quando você me der oportunidade. — Resmungou contra o pescoço da amiga, tentando imita-la.
– Meu Deus! Não basta você estar praticamente congelada, quer me congelar também. — A morena reclamou ao tentar fugir dali, mas Emma não deixou.
– Foge não, fica aqui. — Pediu recusando-se a larga-la. — Não foge porque nesse exato momento é o calor desse seu corpo lindo e praticamente imune ao frio que está me mantendo viva. — Regina sorriu e voltou a abraçar a amiga.
– Vamos entrar, antes que você congele de verdade. — Pediu esfregando as mãos no braço e nas costas da loira, tentando aquece-la.
– Vamos ficar mais um pouquinho. — Pediu. Regina não disse nada, apenas continuou tentando aquecer a loira teimosa, enquanto a mesma pensava no quão frio estava. Riu ao lembrar-se de uma coisa e resolveu compartilha-la com a amiga. — Regina, presta atenção, vou cantar para você. — Avisou.
– Por que eu tenho medo disso? — Resmungou a morena. Antes de começar, Emma coçou a garganta.
– You're here, there's nothing I fear, and I know that my heart will go on... — Regina gargalhou ao ouvir aquilo, há quanto tempo não ouvia aquela música clichê que foi trilha do romance de Jack e Rose em Titanic? — É ou não é a música perfeita para essa situação? — Questionou rindo.
– Devo deduzir que você está se sentindo o Jack, e que pelo frio que você está sentindo, o navio já afundou. — Emma afirmou.
– Sim. Estou no mar, segurando a sua mão, prestes a dar meu último suspiro. — De novo Regina riu.
– Vamos entrar, vai! Eu não quero ter que largar sua mão e ver você afundar. Rose não teve saída, mas eu tenho. — Emma sorriu ao ouvir aquilo.
– Não. Antes vamos fazer uma coisa. — Disse ao soltar-se do abraço quente da amiga.
– Que coisa? — Indagou com curiosidade.
– Levanta. — Pediu ao ficar de pé em cima do banco. — Sem perguntas Regina, e sem reclamar. Prometo que não vai doer. Vem! — Lhe estendeu a mão, e muito a contra gosto e sem perguntar, a morena pegou sua mão e se pôs de pé, ficando de frente para a amiga. — Muito bem, agora feche os olhos. — Voltou a ordenar.
– O quê? Para quê? — Regina não gostava de fazer nada sem saber o motivo e a razão e Emma sabia daquilo.
– Fecha os olhos, você já vai entender. — A morena abriu a boca para negar. — Anda logo, quanto antes você fechar, antes vai saber o motivo. — Antes de obedece-la, Regina lhe lançou um olhar desconfiado.
– Você tem quinze segundos. — Avisou ao fechar os olhos. Emma sorriu, levou as mãos até a cintura da morena e a virou, a fazendo ficar de costas para si. A trouxe mais para perto, fazendo com que as costas dela encostassem em seu peito. Então suas mãos agarraram as mãos da amiga, e lentamente elas foram abrindo os braços. Regina sorriu ao entender o que a loira estava fazendo.
– We'll stay forever this way, you are safe in my heart, and my heart will go on and on. — Sussurrou o trecho final da música perto do ouvido da morena, que acabou soltando um longo suspiro. — Nunca imaginei que essa música melosa de navio afundado um dia faria tanto sentindo. — Voltou a sussurrar, fazendo a amiga sorrir. — Pode abrir seus olhos agora, Regina Mills. — Muito sem vontade Regina os abriu. — É nessa hora que você diz, "Oh, Emma, estou voando!" — Todo o romantismo que Emma tinha construído meio que sem querer, evaporou quando ela sugeriu aquilo. Regina gargalhou ao ouvir tal coisa.
– Oh, Emma! Cala essa boca, sua idiota! — Disse rindo, fazendo a loira rir junto.
– Então olhe para o céu. — Ronronou ao apoiar o queixo no ombro da morena. — Está vendo quantas estrelas? Estão aqui, brilhando desse jeito só por você. Eu contei para elas sobre o seu aniversário e as intimei para que viessem. — Aquelas palavras fizeram o coração da morena bater mais forte, e ela acabou suspirando. Estava se sentindo uma adolescente idiota, e pior, estava gostando de se sentir assim. Nunca imaginou que um dia voltaria a se sentir daquele jeito. Nunca imaginou que seu coração voltaria a bater forte por alguém. Nunca imaginou que um dia voltaria a se sentir tão bem, tão em paz, tão viva.
Fogos de artifício iluminaram o céu e ganharam a atenção das duas. Emma sorriu e lentamente baixou seus braços junto com os de Regina, repousando suas mãos sobre o abdômen da morena.
– É ano novo. — Regina sussurrou sem tirar os olhos do colorido que os fogos davam ao céu.
– Nesse caso, feliz aniversário, Regina Mills! — Sussurrou ao pé do ouvido da morena. — Eu desejo toda a felicidade do mundo a você e peço que me desculpe por ter perdido os seus treze últimos aniversários. — Voltou a sussurrar. Regina voltou a suspirar, sabia que estavam próximas, sabia que se virasse o rosto o mínimo que fosse, encontraria com a boca de Emma, estava ciente daquilo e mesmo assim o fez, virou o rosto para encarar a amiga.
– Feliz ano novo, Em! — Desejou sem desprender os olhos, dos olhos claro da amiga, que naquele momento refletiam a imagem da morena. Autocontrole, Emma estava usando todo o autocontrole que tinha para não por fim aquele pouco espaço que separava sua boca da de Regina.
– Feliz ano novo para você também! — Desejou ao fechar os olhos, era mais seguro fecha-los, assim a tentação de beijar a amiga dava uma diminuída. — Eu sei que você prometeu pensar, e eu juro que não quero forçar nada, mas será que... — Não chegou a terminar a frase, sentiu os dedos quentes da morena escorregarem até a sua nuca a puxando para um beijo.
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