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12 Rainha Má ou Regina?


Notas iniciais
Olá, Meninas! Olha eu aqui pelo terceiro dia consecutivo. Quero dizer que é tudo culpa dos comentários que andam aparecendo mais. Muito, muito, muito mesmo, obrigada por eles. Vocês são umas fofas! Vamos ao capítulo. PS: ele ficou um pouco grande, espero que não se importem.

Regina hesitou por um momento, mas deu de ombros e sem pensar muito se pôs de pé e abraçou a loira.

Paraíso, Emma estava se sentindo no paraíso, pensou que aquele tipo de contato entre elas, nunca mais fosse existir, pensou que nunca mais fosse ganhar um abraço de Regina, então abraçou a amiga o mais apertado que pode, tentando de algum jeito demonstrar o quanto sentiu falta daquilo, o quanto tinha se arrependido das escolhas que fez.

Sem perceber, Regina acabou fazendo o mesmo, esmagava Emma em seus braços, enquanto afundava seu nariz no casaco gelado da loira.

–Obrigada! — Emma agradeceu com a voz embargada.

–Feliz aniversário, Em! — Sussurrou, como costumava sussurrar quando estava abraçada a loira que deixou as lágrimas caírem ao ouvir seu apelido carinhoso sair da boca de Regina de um jeito também carinhoso. Sim, com certeza Emma estava tendo seus minutos no paraíso.

(...) — Bom dia! — Regina desejou ao se juntar a Ruby, French e Emma, para mais um café da manhã. Depois da noite anterior, a morena decidiu que baixaria um pouco a guardar e daria uma chance a loira desmiolada.

Não dormiu praticamente nada durante toda a noite, não conseguiu desligar a mente da conversa que teve com Emma, e quando conseguiu fechar os olhos, teve um sono agitado. Emma, Daniel, Robin e uma confusão sem fim, fizeram parte dos seus sonhos, ou melhor, pesadelos. Acordou suada, com o coração acelerado, as mão tremulas e completamente perdida.

– Bom dia! — As três lhe desejaram juntas.

– Dormiu mal? — Emma indagou ao analisar as olheiras profundas da amiga.

– Muito mal. — Admitiu.

– Além de dormir mal, não me deixou dormir. — French a acusou. — Acordei as cinco da manhã com você falando sem parar. — Um semblante preocupado invadiu o rosto de Regina, quando ela pensou o que French poderia ter ouvido.

– Desculpa! As vezes eu falo dormindo. — Murmurou envergonha.

– Percebi.

– Eu não ouvi nada. — Ruby disse de boca cheia.

– Você não pode reclamar, acordo muitas vezes durante a madrugada com seus roncos. — Regina rebateu a provocação de French.

– Que mentira! Eu nem ronco. — Se defendeu, fazendo as outras rirem.

– Não! O que é isso!? Você só praticamente canta a nona sinfonia de Beethoven roncando. — A morena debochou.

– Realeza, você quer mesmo conversar sobre isso? Você chamou pelo nome de algumas pessoas na noite passada. — Ao ouvir aquilo, Regina baixou os olhos e resolveu encher a boca de ovos mexidos.

– Eu quero muito ouvir sobre isso, me conte. Por quem ela chamou? — Os olhos de Ruby brilhavam de curiosidade. A ruiva estava se roendo de curiosidade para saber sobre o que a morena teimosa e a loira sem sal, tinham conversado na noite passada. Se surpreendeu quando voltou do cinema e Regina ainda não estava na sua cela e se surpreendeu mais ainda quando Emma, trouxe a morena até a mesma e as duas riram e fizeram algumas piadas antes de se desejarem boa noite. Até perguntou para a morena o que tinha acontecido, mas foi ignorada.

– Larga a mão de ser metida. — Emma saiu em defesa de Regina, muito embora também tenha ficado curiosa para saber por quem Regina andou chamando nos seus sonhos. Sabia que Regina só falava durante o sono quando alguma coisa no seu dia a abalava e ela ficava remoendo sobre aquilo.

– Quem é você para me dar ordens? — Ruby indagou a loira.

– Sou a porra do seu amor verdadeiro. Se eu conseguir decorar minhas falas até na quinta-feira, teremos um final feliz juntas. — A loira fez com que as outras três rissem.

– Se você levasse as coisas mais a sério, já teria decorado. — A ruiva deu bronca.

– Cara, não tem como eu levar isso a sério. Dizer aquela meia dúzia de sentimentalidades olhando na sua cara me faz ter vontade de rir para sempre. — Ruby, não fazia o tipo Rainha Má, fazia menos ainda o tipo de pessoa para quem Emma diria qualquer coisa sentimental.

– Você também não é a Branca de Neve que eu sonhei para mim, mas é o que temos. Aceita que dói menos. — O assunto entre elas foi interrompido por duas detentas que vieram falar com Ruby e French.

– "Você também não é a Branca de Neve que eu sonhei para mim." — Tentou imitar a voz de Ruby em um murmúrio de reclamação, ato que fez Regina rir.

– Vocês se implicam tanto que pode acabar em amor verdadeiro mesmo. — A morena fez piada.

– Não, ela definitivamente não faz meu tipo. Após o fim da encenação, vou entrar com pedido de divórcio. — De novo Regina riu.

– Para isso você precisa decorar suas falas. — Emma suspirou desanimada.

– Eu ainda acho que você deveria ser a Rainha Má. Assim nós podemos ensaiar juntas, aposto que você vai fazer eu decorar minhas falas por bem ou por mal, do mesmo jeito que me fazia decorar aquelas coisas chatas das aulas de história. — A morena rolou os olhos, já cansada daquele assunto.

– Nem tente. Você não vai me convencer. — Avisou, fazendo Emma levantar o rosto e encara-la.

– Assim eu vou achar que você está mesmo com medo de me beijar. — Provocou.

– Se você continuar com essa insistência eu vou achar que você está mesmo muito a fim de me beijar. — Rebateu a provocação, arrancando um sorriso tímido da loira.

– E se eu estiver? — Questionou de sobrancelhas arqueadas. Regina enfiou um pedaço de pão na boca e voltou a encarar a loira insistente.

– Vai ficar só na vontade. — Foi o que respondeu.

– Ai! — Ao olharem para o lado, perceberam que as outras detentas já tinham ido e que Ruby e French estavam descaradamente assistindo a conversa entre elas.

– Sua vez Swan. — French avisou. — Estou amando esse ping-pong.

– Vocês são muito metidas! — Emma jogou um pedaço de pão para cima de French.

– Adoro ver o começo de um amor. Ou a retomada de um caso antigo. — Ruby fez Regina rolar os olhos.

– Qual tipo de remédio você toma para controlar sua loucura? — A morena questionou com a ruiva, que lhe lançou um olhar de provocação.

– Mills, Mills, você ainda vai queimar sua língua e eu vou assistir isso de camarote. — Avisou.

– É o que nós vamos ver. — Regina respondeu com um tom desafiador, aceitando aquilo como uma provocação.

– É o que nós vamos ver. — Ruby repetiu sorrindo.

– Façam suas apostas! — French cantarolou.

– Não ligue para elas, converse comigo. — Emma sugeriu a amiga.

– Huuum. Que romântico! "Não ligue para elas, converse comigo." — Ruby imitou a voz da loira. O que fez Regina bufar, desistir do café da manhã e levantar dali.

– Não estou com paciência para gracinhas hoje. — Resmungou ao se retirar.

Sem pensar duas vezes, Emma levantou-se e foi atrás da morena.

– Hey, não fique brava comigo, eu não fiz nada. — Pediu.

– Para de ser convencida, Emma. Não estou brava com você. Só estou sem paciência para brincadeiras. — Reclamou sem parar de andar.

– Quando você parar de se importar com esse tipo de coisa, elas vão parar de pegar no seu pé. — Avisou. Regina depositou o resto de sua comida no lixo e largou sua bandeja junto com as outras, antes de dar as costas para Emma, para sair dali, mas a loira segurou seu braço, a impedindo.

– Você podia me ajudar a decorar as malditas falas. Estou falando sério. E não precisa ficar brava, a gente obviamente pula a parte do beijo. — A morena rolou os olhos e voltou-se para a loira desligada.

– Se você fazer com que minhas máquinas fiquem sem estragar por pelo menos dois dias, eu penso no seu caso. — Emma mostrou quase todos os dentes em um sorriso largo e estendeu a mão para Regina.

– Trato feito! — Antes de apertar a mão da loira, a morena rolou os olhos. — Arrumo suas maquinas, você me ajuda com as falas. — A morena balançou a cabeça em concordância.

– Não esqueça da maçã envenenada, vamos precisar dela. — Provocou, arrancando um sorriso de Emma.

– Se vamos precisar da maçã, vamos precisar que você me beije também. Você tem o veneno, mas também tem o antídoto. — Muito sem querer, Regina acabou sorrindo, mas aquilo não durou muito, ela logo se recompôs e devolveu o semblante sério ao rosto.

– Não sou eu a sua Rainha Má. — Respondeu ao largar a mão da loira. Piscou para ela e se foi. Emma acompanhou aquilo com um sorriso bobo no rosto e por fim suspirou.

– É exatamente você, a minha rainha má, Regina! — Soltou com o ar.

Antes de ir para mais um dia de trabalho escravo, a morena foi até o banheiro para escovar os dentes. Embora por fora ela tivesse o semblante sério de sempre, por dentro estava rindo, lembrando-se das provocações idiotas de Emma. Mentalmente se perguntou como a Emma que ela achava conhecer, se tornou aquela Emma que descaradamente se jogava para cima das mulheres sem um pingo de vergonha na cara.Tá certo que a loira sempre foi desinibida, mas aquilo era diferente de sair por aí falando gracinha para cima de quem visse pela frente.

Balançou a cabeça em sinal de descrença quando imaginou a quantidade de mulheres que a loira tinha conquistado com suas piadas e conversa de boa moça. Riu imaginando aquilo.

Ao lavar a boca e levantar a cabeça para checar seus dentes no espelho, Regina se deparou com outra detenta. A imagem da detenta que Emma estava beijando na noite passada, refletia no espelho, atrás da imagem da morena. A mulher que era bons centímetros mais alta que Regina, estava de braços cruzados e lançava um olhar mortal para morena.

Regina não se deixou intimidar, tirou os olhos da peguete da loira, sorriu para o espelho para dar uma conferida em seus dentes, lavou sua escova e virou-se para sair dali. Ao tentar passar pela morena maior, a mesma não deixou, ato que fez Regina respirar fundo e encarar a idiota, dessa vez cara a cara.

– Será que você pode me dar licença? — Pediu com educação. Como resposta a outra abriu um sorriso debochado.

– Deixa eu te contar uma coisa, boa educação aqui não vale de nada. — O tom sarcástico com o qual ela disse aquilo, fez o sangue da morena ferver. Regina estreitou os olhos e trincou os dentes.

– Oh perdão! Deixe-me tentar de novo, dessa vez no seu linguajar chulo. — Usou o mesmo tom sarcástico. — Sai da minha frente agora, idiota! — Ordenou e de novo tentou passar. Dessa vez a lunática não só não a deixou passar, como esbarrou as mãos contra o peito da morena, que graças aquilo bateu com as costas na pia de mármore.

– Você é louca!? — Regina esbravejou.

– Você não sabe o quão louca eu posso ser, quando mexem com as minhas coisas. — Falou com um tom de voz ameaçador ao se aproxima da morena.

– O quê? Do que está falando exatamente? — Embora Regina tivesse certeza do que se tratava, resolveu perguntar mesmo assim.

Se Emma continuasse tendo casos com psicopatas daquele tipo, provavelmente não completaria mais um ano de vida.

– Emma. Fique longe dela. Ela é minha. — Ordenou ao bater com indicador muitas vezes contra o peito de Regina, que gargalhou. Não foi qualquer tipo de gargalhada, ela fez aquilo única e exclusivamente com intenção de provocar.

– Querida, você não tem que avisar isso para mim, tem que avisar para ela. Vejamos o que ela falou sobre você ontem a noite... — Regina fez pensar. — "Oh não, não, não! Aquela lá é maior chave de cadeia. Ela só me pegou em um momento deprimido e foi ela quem me agarrou, eu só retribui." — Regina aproximou-se da lunática e abriu um sorriso debochado. — Foi exatamente isso que ela disse, chave de cadeia. — A morena mal conseguiu acabar a frase. Um soco acertou em cheio o lado esquerdo do seu rosto. Com o impacto suas costas voltaram a se chocar contra a pia.

Ao levar a mão ao rosto para chegar se estava tudo inteiro percebeu que o soco tinha cortado sua face. Lançou um olhar tão mortal para a doida a sua frente, que a fez recuar um passo sem perceber.

Largou sua escova de dentes em qualquer lugar e resolveu partir para o ataque.

– Sabe, eu não tinha nada com Emma, a não ser uma amizade de anos que estava praticamente enterrada, mas agora, agora estou pensando seriamente em ter. — Avisou ao aproximar-se perigosamente da outra. — Acho que não vai ser nada mal ouvi-la gemendo o meu nome, enquanto me chupa e seus dedos me fodem com vontade. — Ao ouvir aquilo a detenta lunática partiu para cima da morena de novo, mas graças as suas aulas de boxe, Regina desviou daquilo sem problema nenhum. Fechou as mãos em punho e as acertou na cara da maluca. Primeiro a direita, depois a esquerda e por último a direita de novo. Aquela sequencia de socos levou a detenta ao chão. Para a infelicidade dela, Regina tinha problema de autocontrole, quando ficava muito irritada a ponto de partir para a agressão física, a morena simplesmente não conseguia parar. Por tal motivo jogou-se no chão, sentando-se sobre a detenta caída e começou uma sequencia de socos. Já não lembrava mais o motivo de estar batendo, mas aquilo estava lhe dando um alivio enorme, o que a fez abrir um sorrir maquiavélico, enquanto continuava batendo e batendo.

Emma e Ruby entraram no banheiro tagarelando. Enquanto a ruiva tentava saber sobre a conversa que a loira teve com a morena na noite passada. Emma se desvencilhava do assunto. Aquilo fazia com que elas implicassem uma com a outra. Acabaram esquecendo qualquer tipo de provocação quando depararam-se com uma Regina surtada, socando um rosto sangrento não identificado, que aparentemente ou já tinha desmaiado ou morrido.

– Ah droga, Regina! Não acredito que não procurou ajuda para superar essas crises. — Emma murmurou ao correr de encontro a amiga. Prendeu os braços por baixo dos braços da morena e com muito trabalho, conseguiu a tirar de cima do que tinha sobrado daquela pessoa não identificada.

– Me larga! — Ordenou se debatendo.

– Regina, Regina, calma, calma! Sou eu, Emma, calma! — A loira falava sem parar perto do ouvido da amiga, tentando lhe trazer de volta a realidade enquanto ela ainda se debatia tentando se soltar. — Respira, respira, respira e se acalma. — A loira pediu, tentava manter um tom calmo de voz, para acalmar a morena.

Aos poucos Regina foi voltando a realidade. Percebeu que braços firmes a seguravam e deduziu que eram os braços de Emma, já que a mesma falava sem parar em seu ouvido, dando ordens para que respirasse e se acalmasse. Ao olhar para o chão se sentiu horrorizada. Não podia mais enxergar o rosto da detenta ciumenta, tudo que via lá era sangue. Ruby estava abaixada lá, aparentemente checando se Regina tinha matado a outra.

– Eu a matei? — Questionou apavorada. A ruiva tirou os olhos do que tinha sobrado da irmã de French e encarou Regina. Estava um pouco assustada com aquilo, jamais pensou que uma mulher daquele tamanho era capaz de fazer um estrago tão grande. Fez uma nota mental para parar de implicar com ela.

– Não. Ela só desmaiou e provavelmente ficou sem alguns dentes. — Avisou. — Você precisa sair daqui, se não vai passar pelo menos um mês na solitária. — Avisou.

Regina nem se moveu, estava em choque. Se sentia um monstro, não conseguia desviar os olhos do que tinha feito, lembrar do quão feliz ficou enquanto socava a outra, lhe deixou ainda mais perturbada. Há quanto tempo não perdia o controle daquele jeito? Se Emma e Ruby não tivessem aparecido, ela certamente teria matado aquela pessoa que ela sequer sabia o nome.

Emma já tinha presenciado uma cena parecida com aquela antes, quando elas estavam no colegial. Sabia o quão mal a morena ficava depois que retomava o controle da situação. Precisava tirar Regina dali, porque sabia que ela não veria problema nenhum em aceitar ir para solitária, já que estava se achando culpada.

– Vem comigo! Vou tirar você daqui. — Pediu ao soltar os braços da morena, pegar sua mão e a rebocar para fora daquele lugar.

Emma tentou fazer com que passassem despercebidas pelas outras detentas e rezou para que ninguém parasse os olhos nas mãos de Regina, que estavam vermelhas de sangue. Ao chegarem na lavanderia, onde graças ao bom Deus, só Regina trabalhava, a loira tratou de colocar as mãos da amiga debaixo da torneira e lava-las. Depois de se livrar de qualquer vestígio de sangue, Emma molhou a mão e passou no rosto de Regina, que tinha um pequeno corte abaixo do olho esquerdo, além de estar um pouco inchado. Constatou que muito provavelmente aquele foi o motivo do descontrole da morena. Deixou Regina ali, e foi até onde ficavam as máquinas, pegou a cadeira que tinha lá e levou até a morena, depois a puxou pela mão para que sentasse.

Suspirou e levou as mãos até a cintura, analisando o estado de choque da amiga. Agachou-se ficando entre as pernas de Regina. Levou a mão até seu queixo, tentando fazer com que seus olhos perdidos a encarassem.

– Hey, está tudo bem! — Murmurou confiante. Regina continuou incomunicável. — Ela vai ficar bem. — Tentou de novo.

– Eu sou um monstro. — A morena murmurou por fim, deixando lágrimas caírem.

– Não, você não é. — Os polegares de Emma, tentavam em vão secar as lágrimas de Regina. — Aposto que foi ela quem começou.

– Isso não me deixava no direito de quase mata-la. — Horrorizada, a voz da morena soava horrorizada.

– Você não fez por querer. — Emma continuava firme em sua defesa.

– Sim, eu fiz. Lembro que não sabia mais nem o motivo de estar batendo, mas não queria parar. — Seus olhos até então desfocados se concentraram em Emma. — Se vocês não tivessem aparecido, eu teria a matado. — Sussurrou.

– Você não pode ter certeza disso e a gente apareceu. Então pare de pensar nesse "e se". Vai por mim, e se, não resolve nada. Só serve para atormentar. — Emma segurou o rosto da amiga entre as mãos. — Ela vai ficar bem. — Prometeu. Regina ficou por algum tempo só observando sua imagem através dos olhos claros da loira, até por fim suspirar e balançar a cabeça em sinal de reprovação.

– É incrível como você tem o poder de me meter em encrenca até quando não quer. — Emma juntou as sobrancelhas, não entendendo o que a morena quis dizer.

– O que eu fiz? — Indagou.

– Aparentemente fez aquela coitada se apaixonar por você e depois a dispensou. — Emma ficou tão nervosa quando encontrou Regina naquele estado no banheiro que nem se preocupou muito em observar quem era a vitima, mas pelo que estava entendo, a irmã de French foi o saco de pancadas. — Ela veio me mandar ficar longe de você, fez isso de uma maneira nada educada e me empurrou, eu provoquei, ela me acertou um soco e então... — Não precisou continuar, Emma sabia o que aconteceu depois do então.

– Eu sinto muito, Regina! Aquela menina é maluquinha das ideias. Nunca tivemos nada de fato. Aconteceu só uma vez, e teve ontem a noite, mas ontem foi só um beijo. — Se defendeu, fazendo a morena balançar a cabeça em sinal de negativo.

– Você é mesmo muito cafajeste. — Acusou. — E continua brincando com os sentimentos das pessoas. — A acusou, Emma logo tratou de negar.

– Não. Não me acuse disso. Eu não dei nenhum tipo de esperança para que ela sentisse alguma coisa por mim. Se trocamos uma dúzia de palavras foi muito. Não seja injusta. — Pediu.

– Ela gosta de você. — Emma deu de ombros.

– Paciência! Eu também gosto de uma pessoa que não gosta de mim. Nem por isso eu saio por aí fazendo ameaças e perseguindo o idiota com quem ela está. — A loira rezou para que seus desabafo não tivesse ficado muito óbvio para Regina. Já a morena se perguntou quem seria a vitima da loira. — Você não vai voltar a me ignorar por causa disso, vai? — Pediu com medo. Regina desviou os olhos dos da loira, tirou as mãos dela do seu rosto, suspirou e voltou a encara-la.

A verdade era que deveria. Deveria se manter ainda mais afastada. Elas tinham voltado a se falar normalmente ainda não tinha 24 horas, e Emma já tinha de um jeito ou de outro a empurrado para uma confusão.

– Não. — Respondeu por fim. — Brincar com os sentimentos das pessoas faz seu tipo, não o meu. — Mesmo sem querer acabou provocando.

– Okay. Acho que você voltou ao normal. — Murmurou sorrindo.

– Preciso ir. — Avisou ao tentar levantar dali, mas Emma não deixou.

– Ir onde?

– Na enfermaria. Preciso saber como ela está. — Ao ouvir tal absurdo, a loira negou muitas vezes com a cabeça.

– De jeito nenhum. Ir até lá com o rosto machucado é praticamente admitir a culpa. — Avisou.

– Não vejo problemas em fazer isso. Eu quase matei ela, então mereço o castigo. — Regina e suas atitudes de boa moça, as vezes irritavam Emma.

– Se quer ficar um mês isolada, sem ver e sem falar com sua família, sem saber o dia da semana e comer restos de comida. Vá em frente. — Se pôs de pé e apontou para a saída a incentivando. Regina já não achava tão boa assim a ideia de se entregar.

– Você já esteve lá? — A loira negou.

– Não. Nem quero estar. Para mim a palavra de quem já esteve basta. — A morena soltou um longo suspiro e acabou desistindo da ideia. Tinha certeza que se ficasse sem falar com o filho acabaria louca.

– Okay. Eu não vou. — Emma sorriu satisfeita por sua psicologia reversa ter dado certo e volto a agachar-se entre as pernas de Regina.

– Você é mesmo muito inteligente. — Elogiou fazendo a morena rolar os olhos. — Agora eu vou lá na oficina pegar minhas coisas para vir arrumar suas tralhas, quer dizer, suas maquinas. — Avisou.

– Eu nem comecei a lavar, então elas ainda não estragaram. — Avisou.

– Eu sei. Mas ninguém além de nós duas precisa saber também. — Regina abriu a boca para dizer que não a queria ali, mas a loira foi mais rápida. — Não discuta Regina Mills, vou passar o dia por aqui, para caso você precisar ser lembrada do porque não pode admitir o que fez. — A morena voltou a rolar os olhos, mas não disse nada. O que Emma entendeu como um consentimento.

– Acha mesmo que as pessoas não vão perceber o machucado no meu rosto, gênio? — Questionou em tom sarcástico, fazendo Emma sorrir e levar a mão até o machucado.

– Ah isso? Nossa! Você é mesmo muito desastrada! Estava aqui quando uma das suas máquinas não queria abrir de jeito nenhum. Você puxou a porta com toda a força e de repente ela acabou acertando seu rosto. — Ao final da explicação, a loira lhe lançou um sorriso angelical. — Eu bem que avisei para você deixar eu fazer meu serviço, mas como você é teimosa... — Regina a encarou por algum tempo não acreditando na história que ela tinha inventado em questão de segundos. Balançou a cabeça em sinal de descrença e por fim acabou sorrindo.

–Eu tenho medo de você! — Emma deu risada.

–Devido aos últimos acontecimentos, eu é quem deveria ter medo de você. — Provocou e então voltou a ficar de pé. — Não se mexa, eu já volto. — Meio que ordenou, antes de dar as costas indo em busca de seus apetrechos. Ao lembrar de algo voltou, percebeu que os olhos da morena estavam nela. — Posso trazer meu script para ensaiarmos enquanto as roupas lavam e suas máquinas não estragam? — Pediu. Regina rolou os olhos e assentiu, talvez ajudar Emma a decorar seu texto a ajudasse a esquecer a mulher sem nome que tinha espancado.

– E a maçã, não esqueça da maçã, Branca de Neve. — Emma nada disse, só sorriu, lhe mostrou a língua e saiu apressada dali.

(...) A manhã chegou ao fim, a tarde começou e já estava quase acabando e Regina estava quase desistindo da ideia de colocar alguma coisa dentro da cabeça oca de Emma. Usou todas as técnicas que conhecia para decorar textos para ajudar a loira, teve paciência, muita paciência, respirou fundo muitas vezes, não foi grossa e teve mais um pouquinho de paciência, mas não, nada daquilo adiantou. Emma era definitivamente uma porta para decorar textos. Como tudo que está ruim, sempre tende a piorar, as poucas falas que a loira decorou, ela falava de um jeito completamente robótico.

Estavam naquele momento repassando uma cena pela quadragésima vez. Regina há muito já não olhava para o script. Já o tinha decorado de cabo a rabo e só não largou a folha para Emma não chama-la de exibida.

– Você me ama? — Começou a loira com sua voz robótica.

– Sim. Eu amo! — Regina já estava muito sem vontade.

– Mas isso é errado.

– Desde quando o amor é errado, Branca?

– Você é minha madrasta. Vou estar traindo meu pai. — A morena bufou, irritada com a falta de interesse de Emma.

– Seu pai está morto. Prometemos ficar juntos até que a morte nos separasse. Foi o que fizemos.

– Eu não sei. Estou confusa. — Murmurou enquanto dava uma checada nas unhas, que precisavam ser lixadas. Aquilo foi a gota d'água para Regina, que irritada jogou seu script no chão.

– Pelo amor de Deus, Emma! — Esbravejou. — Você fala tudo roboticamente. Não põe um pingo de emoção nas palavras. — A morena reclamou.

– Regina, ou eu coloco emoção, ou penso nas coisas que tenho que falar. Não consigo fazer as duas coisas. — Ao ouvir aquilo, Regina precisou respirar fundo algumas vezes antes de se pronunciar.

– Claro que você consegue. Não é difícil. Eu só dei uma lida por cima e já sei até a fala de cada um dos sete anões. — Foi a vez da loira bufar.

– Você não vale! Você é diferente. — Regina era superdotada, então ela não precisava se esforçar para aprender sobre qualquer coisa.

– Eu não sou diferente, eu só presto atenção. Coisa que você não faz. — Deu bronca.

– Me desculpe por não ser inteligente como você! — A morena levou as mãos as têmporas as massageando.

– Sério que você tem trinta e quatro anos? Porque me parece ter no máximo onze. — A acusou.

– Você me trata como se eu fosse tão inteligente quanto você, e você sabe que eu não sou. Você é superdotada, eu sou só superatrasada. — Reclamou.

– Emma, pelo que eu saiba nenhuma das pessoas que estão participando desse teatro, são superdotadas, e pelo que eu saiba também, nenhuma delas está com dificuldade para decorar ou expressar as falas. — A morena passou as mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo. — Você só precisa se concentrar e você definitivamente não está fazendo isso. É como ler um livro, você precisa entrar na história e imaginar. Você tem uma imaginação fértil, eu sei que consegue fazer isso melhor do que ninguém. — A incentivou.

– Mas se eu imaginar muito, posso acabar esquecendo o que tenho que falar.

– Se isso acontecer, é só você improvisar. Não precisa falar exatamente o que está escrito naquele papel. Se ficar dentro do contexto da história, as palavras pouco importam. — Explicou, fazendo a loira suspirar.

– Okay, okay! Vamos tentar de novo. Com mais atenção e emoção! — Regina concordou. — Mas vamos ensaiar a parte final, essa já me cansou. — De novo a morena concordou e juntou o script que tinha jogado no chão. A loira respirou fundo em busca de concentração e um lado atriz que ela tinha certeza que não tinha. Coçou a garganta e olhou para Regina que a acenou com a cabeça, a incentivando a começar.

– O que aconteceu? — Começou com um sussurrou ao se aproximar perigosamente de Regina, quer dizer, da Rainha Má.

– Você acordou. — Regina também sussurrou encontrando com os olhos claros da loira. Sorriu ao ver que finalmente a loira tinha entrado no personagem.

– O beijo de amor verdadeiro? — Questionou sem desprendeu os olhos dos da morena. — Foi você?

– Sim. — A aproximação entre elas fez tanto o coração de Regina quanto o de Emma, resolverem encenar também, aquele era o único motivo para começarem a bater mais rápido.

– E por quê você fez isso? Não queria me ver morta? — A voz de Emma quase não saiu. Ela não ousava piscar, seus olhos continuavam vidrados nos olhos negros e brilhantes da amiga.

– Não. Eu só queria que você me amasse, como eu te amo. — O coração da loira acelerou ainda mais ao ouvir aquilo. Sabia que deveria estar sendo a Branca de Neve, porque certamente Regina só estava sendo a Rainha Má, mas naquele momento não conseguia ser ninguém além dela mesmo. Sua mão foi até o rosto de Regina, que por instinto fechou os olhos. A loira acariciou o rosto da amiga lentamente, o indicador da loira passou pelo nariz da morena, pelas bochechas, o queixo e foi até os lábios. Ela acariciou a cicatriz da morena, como costumava fazer, mas aquilo não durou muito, ainda de olhos fechados, Regina a fez parar com aquilo.

– Eu amo! Você não tem ideia do quanto eu amo. — Branca de Neve ou Emma Swan, soltou com o ar. A morena respirou fundo antes de abrir os olhos e se deparar com o rosto de Emma a centímetros do seu. Os olhos das duas estavam concentrados uns nos outros. Eles pareciam conversar entre si, trocavam palavras que ambas não tinham coragem de pronunciar. De todas as conversas que tiveram ali naquela prisão, aquela estava sendo com toda a certeza a mais sincera.

Regina não sabia exatamente o que estava acontecendo consigo, não sabia se ainda estava sendo a Rainha Má, ou estava sendo a Regina que uma vez sentia várias coisas por aquela loira perigosa. Queria simplesmente quebrar aquele contato visual com a loira, e afastar-se o máximo possível, mas não conseguia, mesmo pensando em fugir dali, permanecia exatamente no mesmo lugar. Seu corpo não obedecia sua mente desesperada. Sentia como se estivesse revivendo uma cena do passado, uma cena que de fato nunca tinha se concretizado. Esperava que Daniel aparecesse por ali a qualquer momento e fizesse com que cada uma fosse para um lado, mas sabia que aquilo não aconteceria.

As borboletas no estômago de Emma estavam em festa, a loira sentia as pernas tremulas e suas mãos suavam frio. Nunca tinha se sentido tão nervosa, nem mesmo quando estava prestes a dar seu primeiro beijo. Regina estava ali, paradinha em sua frente, e pelo jeito, não sairia dali. A loira se perguntava se amiga estava apenas cumprindo o papel de ser seu par romântico com perfeição, ou se ela estava apenas sendo a Regina. Sabia que não deveria se aproximar mais um centímetro que fosse, precisava fazer aquilo pelo bem da amizade que tinham acabado de retomar, mas estava muito difícil fazer aquilo. Ter finalmente a morena assim tão perto de si, aparentemente de acordo com o que estava acontecendo era quase a mesma coisa que ganhar na loteria e provavelmente não aconteceria mais uma vez. Por tal motivo a loira resolveu arriscar, lentamente ela levantou a mão e voltou a tocar o rosto da amiga, acariciou lá, seu polegar tocou o corte no rosto da morena com cuidado, a fazendo suspirar. A loira fechou os olhos e aproximou ainda mais o rosto do de Regina. Roçou o nariz pelos lábios da morena e então recostou sua testa na de Regina, antes de voltar a abrir os olhos. Encontrou com os olhos da morena fechados mais uma vez. Sorriu ao lembrar-se da última vez que tiveram aquele tipo de contato e mentalmente agradeceu a Deus por ter lhe dado uma outra chance.

– Senti tanto a sua falta, Regina Mills.

Notas finais
Por hoje é só. Quem quiser saber se o beijo desenvolve ou não, deixa um comentário aqui. O próximo capitulo já está pela metade, então se tiver comentários e volto rápido de novo. Combinado? Beijos