Escape

13 Ameaças


Notas iniciais
Olá, meninas! Tudo bom com vocês? Em primeiro lugar, feliz 2015. Que vocês tenham muita saúde e paz para realizar todos os sonhos e planos para esse ano novo. Em segundo lugar, me perdoem a demora. As férias chegaram antes do esperado, eu viajei antes e acabei não conseguindo postar. Muito obrigada a todas pelos comentários do capitulo passado. Fiquei muito feliz com eles. Vocês são umas fofas! Ah, uma observação, as vezes surgem umas partes na ff que parecem desnecessárias, mas garanto que todas são necessária, vocês vão perceber isso no decorrer da história.

Regina podia jurar que de algum jeito, tinha conseguido voltar no tempo, mas precisamente, na noite em que ela e Emma quase se beijaram. Sentiu os lábios da loira contra os seus por três segundos e então foram interrompidas. Dessa vez não por Daniel, mas por French. A detenta bateu palmas, tirando a morena do transe, a fazendo se afastar o máximo possível de Emma.

– Bravo! Bravo! Muito bom! — Elogiava enquanto continuava aplaudindo.

Emma lhe lançava um olhar desacreditado e irritado, enquanto seu coração continuava alucinado com o que QUASE tinha acontecido. Por que diabos French fez aquilo? Ela não era do time de pessoas que a queriam ver juntas? Por que resolveu atrapalhar? Por que não ficou quietinha e deixou que se beijassem? A loira tinha uma séria desconfiança que a tal French, tinha feito aquilo de propósito.


Regina por sua vez tentava acalmar as batidas de seu coração idiota, enquanto se xingava muito mentalmente e se perguntava o que ela estaria fazendo naquele momento, caso French não estivesse aparecido por ali. O que tinha dado nela afinal? O que estava pensando? Até umas semanas atrás mal podia suportar a presença irritante de Emma. A odiou por todos aqueles anos. E de repente, sem uma razão nem um porque, quase acabou beijando a ex-amiga traidora.


– O que você está fazendo aqui? — Emma indagou com tom de voz irritado.


– O que eu estou fazendo aqui? — A detenta parou de sorrir e pôs um semblante sério no rosto, antes de se aproximar de Emma. Ela analisou a loira atentamente e então foi até Regina que estava mais afastada, tirando as roupas da máquina, enquanto recuperava a razão.
Ao parar em frente a morena, a mulher tirou os cabelos da frente do rosto e a encarou. Abriu um sorriso ameaçador antes de sua mão agarrar o rosto de Regina nada delicadamente. Ao ver o pequeno corte no rosto um pouco inchado da morena, ela balançou a cabeça em sinal de reprovação. — Não sei se vocês sabem, mas minha irmã foi espancada hoje pela manhã. — Contou olhando nos olhos de Regina. — Vim perguntar se vocês não viram isso acontecer. — A morena estreitou os olhos e sem nem um pingo de delicadeza, tirou a mão de French do seu rosto.

– Acredito que já tenha encontrado sua resposta. — Respondeu sem se deixar intimidar.


– Acredito que sim. — Lançou um olhar de desprezo para Regina, que se sentiu culpada.


– Sei que não vai adiantar de nada, mas eu sinto muito. — Soltou com o ar. — Realmente sinto muito. — Tentou se desculpar.

– Sentir muito não vai arrumar o estrago que você fez na cara dela. — Regina concordou com a cabeça.


– Foi ela quem começou. Ela me procurou. Me provocou e me bateu, apenas me defendi. — A mulher abriu um sorriso sarcástico.


– Se defendeu? Se defendeu por ter ganho esse machucadinho aí? Não acha que um soco só, já seria suficiente? Você a espancou, isso é diferente de apenas se defender. — A morena se sentiu envergonhada, sabia que French estava com toda razão.


– Eu tenho problemas com isso. Quando eu fico muito irritada a ponto de partir para agressão física, não consigo me controlar. Eu perco a cabeça e não consigo pensar, não consigo parar. — Tentou se explicar. — Eu sinto muito pelo que eu fiz, French, sinto muito mesmo. Sei que está magoada, no seu lugar eu também estaria, mas não há muita coisa que eu possa fazer a não ser me desculpar. — Sim, French estava magoada. Apesar de simpatizar com Regina, a Mini French era sua irmã, e ninguém mexia com membros da sua família.

– Ah qual é, French? Corta essa, vai! — Emma pediu ao se aproximar das duas.

– Isso foi por culpa sua! — A detenta apontou o dedo para a loira, a acusando. — Você saiu com as duas ontem a noite. — Voltou a acusar.

– O quê? Claro que não! Foi a sua irmã quem foi atrás de mim, ela quem me disse meia dúzia de sentimentalidades, ela quem se aproveitou do meu momento de carência para me beijar. Eu já disse para ela que não sinto nada por ela. Já expliquei. Só faltou desenhar. — Emma rebateu as acusações em um tom de voz irritado, fazendo a outra sorrir com deboche.


– Mills, eu simpatizo com você, então vou lhe dar um conselho. — French começou sem tirar os olhos de Emma. — Vá devagar com essa daqui. — Apontou para a loira. — Porque parece que, depois que ela consegue o que quer, simplesmente parte para outra. — Ao ouvir tal coisa, Emma fechou a cara e lançou um olhar nada amigável para French.


– Não tente coloca-la contra mim. — Avisou em um tom ameaçador.


– Ou o quê? — Provocou.


– Eu não bato tão bem quanto Regina, mas eu juro que levo você para a solitária junto comigo. — Sussurrou a ameaça sem tirar os olhos da detenta.


– Está me ameaçando? — Indagou ao dar um passo a frente, ficando muito próxima da loira. Ao perceber que uma briga estava prestes a começar, Regina se enfiou entre as duas.


– Não, ela não está ameaçando. — Tentou colocar panos quente.


– Estou apenas avisando. — Emma continuou, o que fez Regina voltar-se para ela e lhe lançar um olhar de "CALA A BOCA!" Depois disso, se voltou para a detenta irritada.


– French, obrigada pelo conselho e embora não pareça, sei exatamente com quem estou lidando. — French balançou a cabeça concordando.


– Fique longe da minha irmã, Swan. Porque se eu saber que você tentou algum tipo de aproximação, vou para a solitária sozinha, já você vai para o caixão. — A ameaça soou tão forte, tão sombria que fez os pelos dos braços de Regina se eriçarem. — E você, Mills, se não quiser ver sua namoradinha morta, sugiro que a mantenha longe. — Assim que terminou as ameaças, French deu as costas para as duas e sei foi.


Regina e Emma ficaram em silêncio por algum tempo. Enquanto a morena temia pela vida de Emma, a loira não conseguia parar de pensar no que teria acontecido, se a infeliz dos cabelos ruins, não tivesse aparecido por ali. Ao levantar a cabeça e olhar para Regina, resolveu que nem tocaria no assunto do que quase aconteceu, muito menos tentaria recomeçar de onde tinham parado. Teria que rezar, fazer macumba, magia negra, oferenda e tudo mais que fosse possível, para ganhar uma outra chance e se caso tal chance acontecesse, nem que aparecesse os Rolling Stones, ela simplesmente ignoraria e beijaria a morena.


– Você ouviu, fique longe da irmã dela. — Regina murmurou, antes de voltar para as suas roupas.


– E o que eu devo fazer se a irmã dela vier até mim? — A morena respirou fundo antes de responder.


– Eu no seu lugar, no mínimo gritaria por socorro. — A resposta foi séria, mas mesmo assim Emma riu, imaginando a cena.

– E o que vai acontecer? A Super-Regina vai aparecer para me salvar? — A morena negou.

– Não, eu não vou. Emma, se você quer mesmo que tenhamos algum tipo de amizade, pare de se meter em encrenca, porque sempre que você faz isso, arruma um jeito de me puxar para o olho do furacão junto com você. — A loira estava achando aquilo muito injusto. Ela era inocente, não tinha feito nada demais, será que era difícil para as pessoas entenderem aquilo?


– Não que eu seja um exemplo de pessoa, mas dessa vez estou sendo acusada injustamente. — Reclamou.


– O mundo não é justo, nunca ouviu falar? — A morena indagou ao fechar a máquina e voltar-se para a loira dramática e cruzar os braços.

– Ok, vou recolher minha humilde insignificância e dar o fora. Não estou com paciência para discursos moralistas. — A loira foi até seu kit-eletricista que tinha abandonado em um canto qualquer, o pendurou na cintura e sem ao menos dar um tchau, ela se foi, deixando Regina boquiaberta pela ceninha que presenciou.

A morena balançou a cabeça em sinal de reprovação e resolveu voltar para as roupas. Para sua mente não correr o risco de ficar reprisando sem parar a cena da sua "encenação" com Emma, resolveu pensar em todos os estados do Canadá.

(...) Quando o dia de trabalho na lavanderia chegou ao fim, Regina caminhou apressada até o corredor onde ficavam os telefones. Ela pensou em todos os Estados do Canadá, depois do México, França, Alemanha, Itália e mesmo assim ainda conseguiu achar tempo para pensar no que quase tinha acontecido.

Como assim ela e Emma voltam a se falar em um dia e no outro a morena já está se deixando levar de novo? Como aquela loira perigosa conseguia ter tanto controle sobre ela? Há tempos já tinha superado as idiotices que sentia pela encrenqueira, não tinha? Claro que tinha. Regina amava o marido, tinha uma vida boa com ele, tinha sonhos com ele, planos com ele, tinha um filho com ele. Um cachorro com ele. Tudo que estava sentindo era carência, só podia ser. Aquela era a única resposta. Precisava falar com Robin, ouvir a voz do marido, certificar-se que estava tudo okay, tudo certo, tudo lindo entre eles.

Pegou o telefone e discou rapidamente o número de casa, ansiosa batucava com os dedos contra a parede enquanto o telefone tocava quatro, cinco, seis vezes. Estava pensando em desistir, quando finalmente alguém atendeu.

– Oi!? — Era a voz de Robin, e ela fez a morena sorrir.

– Oi, querido! — Soltou com o ar, aliviada por ouvir a voz dele.

– Oi, querida! Como está? — Ele parecia feliz por ouvi-la.


– Com saudades de você. E você, como está? — O ouviu suspirando.

– Com muita saudade de você. — Então eles se calaram por alguns segundos. Regina buscava na mente, alguma coisa para falar, muito provavelmente o marido fazia o mesmo. Sempre existia muito assunto entre eles, principalmente quando ficavam muito tempo longe um do outro, mas estava sendo diferente dessa vez. Foi então que a morena percebeu a distância que parecia estar começando a se formar entre os dois. — Como foi seu dia? — Ele questionou por fim. Regina suspirou, e optou por não contar sobre o dia tumultuado, já que toda a história levaria a Emma, e bom, Robin não gostava da loira.


– Bom a medida do possível. E o seu? — Tentou fazer com que a voz soasse naturalmente.


– Trabalho, trabalho e mais trabalho. — Ele parecia cansado ou desanimado. — Trabalhar na véspera de natal ninguém merece, resolvi adiantar tudo para não ter que fazer isso. — Explicou.

A morena voltou a suspirar, sentia tanta falta da correria lá de fora, pensou em como deveria estar as coisas na sua loja sem ela.

– Como estão as coisas no café? Está conseguindo acompanhar de perto? — Regina tinha uma franquia de uma conhecida rede de cafés. Era a maior de Nova York, consequentemente a mais procurada. Tinker, sua funcionaria de longa data, era quem estava gerenciando, mas Regina encarregou Robin de acompanhar tudo de perto, principalmente as contas.


– Estão bem. Muito bem para falar a verdade. Sua amiga está dando conta do recado. — Regina rolou os olhos ao ouvir aquilo.


– Ela não é minha amiga. — Era no máximo colega de trabalho. Desde a amizade conturbada que teve com Emma, Regina nunca mais foi amiga de alguém.


– Que seja! Ela está gerenciando muito bem. Ontem estava analisando as contas, você vai ficar feliz com os resultados. — A morena sorriu satisfeita. Poderia trabalhar em qualquer coisa, tinha quatro faculdades, foi engenheira civil por uns bons anos, era fluente em três línguas, entendia de álgebra, física, química, matemática, cálculos, e por último mas não menos importante, cafés.

No começo comprou uma franquia só para ter uma válvula de escape do seu estressante serviço de engenheira, mas aquilo lhe fez tão bem que ela largou a carreira estressante para se dedicar a cafeteria. Trabalhou um bom tempo no balcão, gostava de preparar e servir os cafés. Embora o tempo tenha passado, a loja crescido, os lucros quadruplicado, os funcionários aumentados e a cafeteria se tornado badalada, as vezes ela ainda ia para lá só para servir cafés.


– Ótimo! Não esqueça do que você tem que fazer amanhã a tarde. Leve Henry junto. — Mais uma vez ela estava o lembrando daquilo. Todas as vésperas de natal, desde que tinha adquirido a cafeteria, Regina gastava a metade do lucro do mês de dezembro em cafés. Ela fazia dezenas e mais dezenas deles, e depois saía pela cidade distribuindo as pessoas carentes. Sempre levou o filho consigo e sempre tentou lhe mostrar o quão simples e gratificante é, fazer alguém sorrir. Se sentia triste por ser o primeiro ano que não poderia fazer aquilo, mas deu a missão a Robin e tinha certeza que seria bem representada.


– Não vou esquecer. Até porque seu filho me lembra disso todos os dias. — Ela sorriu ao ouvir aquilo. — Já combinamos tudo e vamos tirar muitas fotos para mostrar depois para você. — A mulher sentiu um nó se formar na garganta ao ouvir aquilo. Robin e Henry estavam vivendo, fazendo coisas das quais ela gostaria de participar, enquanto ela estava trancada dentro daquele maldito lugar. Sentia um pouco de inveja e ciúme deles, na verdade sentia muita inveja e ciúme deles, também se sentia muito egoísta por sentir tais coisas.

– Faça isso. — Não tentou demonstrar tristeza na voz. — E o que vão fazer a noite? Decidiram aonde vão? — Indagou.

– Sim. Decidimos que para o bem do meu intestino, não vamos nos meus pais. — Ao ouvir aquilo a morena riu. — Vamos ser anfitriões. Meus pais vem para cá. — Se Robin pudesse ver Regina, a veria de queixo caído.

– Oi? O natal vai ser aí em casa? — Perguntou incrédula, tentando ter certeza do que ouviu.


– Isso mesmo. — Confirmou.


– E desde quando um de vocês dois sabe ao menos fazer ovos mexidos? — Imaginar como poderia ficar sua cozinha após os furações Robin e Henry, fez o coração da morena bater mais forte.


– Não sabemos. Na verdade Tinker falou para Henry dos seus dotes culinários, e ele comentou com ela o quanto sente falta da sua comida. Por fim, ele deixou a vergonha não sei aonde e a convidou para vim aqui em casa cozinhar. — Era o QUÊ? Como assim o filho fez aquilo? Colocar outra mulher no território que era praticamente um templo para a morena era quase como uma ofensa.


– Henry fez isso? — Murmurou desacreditada.


– Fez. — Regina tinha ciúme excessivo de duas coisas. Henry e sua cozinha. Robin sabia que a mulher não ia gostar nada daquela história.

– E ela aceitou? — Questionou magoada, mesmo já sabendo a resposta.

– Aceitou. — O marido optou por contar a verdade. — Então para não ficar estranho jantarmos só os três, chamei meus pais. — Explicou. Regina ficou em silêncio por tanto tempo que Robin chegou a pensar que a ligação tivesse caído.


– Okay. — Sussurrou por fim.


– Oh querida, não fique com ciúmes. O garoto sente muito sua falta, ele está carente e Tinker tem o dado atenção. — Regina fez uma careta ao ouvir aquilo. Fez uma nota mental de demitir TInker por justa causa assim que saísse da prisão.


– Oh, que meigo! Poupe-me, Robin! — Esbravejou. O marido resolveu mudar um pouco de assunto, para que não brigassem.


– E você, vai fazer o que na noite de natal? — Ela sorriu ironicamente.


– Jantar em algum restaurante badalado, ainda não sei qual porque não decidi o que vou quer comer. Pedir o melhor vinho da casa. Caminhar no central park, ver as estrelas, esperar o papai Noel passar com seu trenó. Quem sabe eu passe em casa no fim da noite, para desejar a vocês um feliz natal. — Usou seu tom de voz mais debochado.

– Regina, por favor! — O marido implorou. — Você está sendo injusta. — Ela suspirou e encostou a testa no aparelho telefônico. Não estava sendo injusta, estava sendo egoísta. Não é porque ela não teria um natal decente, que o filho e o marido não pudessem ter.


– Desculpe! — Soltou com o ar. — Teremos peru na ceia e todas parecem empolgadas com isso. — Contou. — Depois vamos no reunir na capela. O grupo das latinas fará uma encenação, o grupo das brancas americanas fará outra e no final tem o coral das afros. — Explicou.


– Encenação? Nascimento de Cristo e essas coisas? — Regina não sabia qual era a graça, mas pelo que percebeu o marido estava rindo.


– Sim. — Limitou-se a responder.


– E por que vão encenar duas vezes a mesma coisa? — Ele parecia curioso.


– Não será a mesma coisa. As latinas apresentarão o nascimento de Cristo. As brancas encenarão a Branca de Neve. — A morena ouviu a gargalhada do marido do outro lado da linha.


– Branca de Neve? Isso é sério? — Questionou rindo.


– Seríssimo. — Regina não via graça nenhuma.


– O que isso tem a ver com o natal? Qual a faixa etária dessas mulheres mesmo? Onze ou doze? — A morena não gostou nem um pouco da piada do marido, ato que a fez estreitar os olhos.


– Não seja leviano, querido. Veja bem, não é todo mundo que pode estar em casa, esperando a funcionária da esposa para fazer a ceia de natal. — Funcionou. Ao ouvir tal coisa, Robin parou de rir. Ele odiava quando a mulher usava as coisas contra ele.


– Você como a mais bela, certamente foi convidada para ser a Branca de Neve. — Deduziu, agora sem tom de brincadeira.


– Oh não! Emma será a Branca de Neve. — Contou de propósito, só para saber a reação dele. Abriu um sorriso satisfeito quando ele ficou mudo. — Querido? — Chamou só para provocar.


– Estou aqui. — Ele coçou a garganta. — E você, não foi convidada a participar? — Como aquela era uma prisão feminina, com certeza alguma mulher seria responsável pelo papel do príncipe. Robin trancou a respiração e pediu a Deus para que Regina não fosse o tal príncipe.


–Fui. Me convidaram para ser a Rainha Má. — Contou, fazendo o marido soltar aliviado o ar que prendia.


– E você aceitou? — Indagou curioso.


– Não. Eu não aceitei. — Resolveu editar a parte do motivo de não ter aceito.


– Pena que você não pode filmar. Adoraria assistir e rir desse teatrinho com você. — De novo ele fez pouco caso das detentas, o que fez Regina bufar.


– Andou dormindo com um palhaço, querido? Porque parece que você está cheio de graça. — Antes que ele lhe falasse mais algo que não fosse do seu agrado, a morena decidiu desligar. Tinha ligado para ouvir o marido, ouvir coisas carinhosas, melosas e que a faziam suspirar, mas não deu certo e se continuassem falando, a morena tinha certeza que acabaria furiosa. — Preciso ir, tem um mulher esperando para usar o telefone. — Mentiu.

– Querida, não vai ficar mesmo brava comigo só por causa do teatrinho das detentas, vai? — A palavra teatrinho, fez a morena bufar.


– Vou ficar brava com você porque você também está zombando de mim, já que me incluo no grupo das detentas. Tchau, Robin! Se eu não conseguir ligar amanhã, adianto minhas felicitações de natal. Aproveite o natal de adultos com a minha funcionária. Vou tentar conseguir uma foto do teatrinho para mandar pra você. — Ela não esperou o marido responder, simplesmente esbarrou o telefone contra o aparelho. — Idiota! — Esbravejou.


– Problemas no paraíso? — Ruby estava passando por ali, quando viu a morena descontar sua aparente raiva no coitado do telefone. Se aquele dia não terminasse logo, Regina provavelmente destruiria a prisão inteira só com as mãos.


– Eu odeio ele! — Esbravejou, fazendo a ruiva sorrir.


– Amor e ódio são irmãos siameses, baby. Você mais do que ninguém deveria saber disso. — O olhar irado de Regina, fez Ruby recuar uns passos. — Não está mais aqui quem falou. — Meio que se desculpou antes de fugir dos olhos raivosos da realeza.

(...) No dia seguinte o ódio de Regina foi sutilmente se transformando em preocupação. Durante o decorrer da tarde ela tentou ligar para casa incontáveis vezes, em nenhuma delas foi atendida. Tentou também ligar no celular do marido e do filho, mas os dois caíam na caixa postal. Tentava não pensar em coisas negativas, mas sua mente traidora não permitia. Entre muitas desgraças imaginadas pela morena, a que mais estava lhe perturbando era pensar que o marido, o filho e sua cozinha, estavam interagindo com outra mulher. Não gostava nada, nada de pensar naquilo. Imaginar sua funcionária na sua casa, na sua cozinha, tagarelando e rindo com seus homens, lhe provocava azia e dor de cabeça.

Bufou irritada quando de novo, a ligação caiu sem que ninguém atendesse, ficou ainda mais irritada ao perceber que Emma estava por ali, encostada na parede, de braços cruzados, aparentemente esperando para falar com a amiga.

– Agora não, Emma! Eu estou te odiando muito nesse momento. — Cuspiu as palavras sem ao menos olhar em direção a loira.


– Posso saber o que eu fiz dessa vez? — Indagou.


– Me fez vir parar nessa jaula. E adivinha? Estou perdendo o natal com a minha família. — Emma rolou os olhos, puxou o telefone da mão da morena e o pôs no gancho. Fazendo Regina lhe lançar um olhar furioso.


– Eu contei pelo menos dez tentativas suas de tentar falar com sei lá quem. Desiste! Ou a pessoa não quer falar, ou não está em casa. Qualquer uma das alternativas não é culpa minha. — Regina sentiu o estômago queimar ao imaginar mais uma vez o filho o marido e sua funcionaria se divertindo na SUA cozinha. — Posso garantir para você que ninguém gostaria de passar no natal aqui, mas vai acontecer. Me odiando ou não, você não vai para casa hoje, então talvez se você aceitar isso, as coisas sejam menos ruins. — Dormir era o único jeito de ser menos ruim, mas nem aquilo a morena podia fazer naquele maldito lugar.


– O que você quer? — Porque com certeza a loira queria alguma coisa.


– Vou direto ao ponto. — Soltou com o ar. — Ruby está gripada, perdeu completamente a voz. Sem chances de ela participar do teatro. Nós precisamos de você.

Notas finais
E aí, será que a Regina cede? Sim ou claro? Três coisas sobre o próximo capitulo: 1ª Ele está pronto. 2ª O beijo está nele. 3ª Conto com o comentário de vocês para postar. É isso, conto com vocês para voltar logo. Bom final de semana! Beijo