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14 Milagre de natal


Notas iniciais
Boa noite, meninas! Como estão? Quero agradecer a todas que deixaram comentário no último capitulo e dizer que, AGORA VAI! hahahaha Esse capitulo ficou bem grande, acho que o maior já postado, então se alguém não gosta de capítulos grandes, já adianto minhas desculpas. Aviso que nesse capitulo a "voz" da Ruby não estará presente, então tudo que estiver em itálico será a escrita dela. Combinado?

– Você é a única que... — Regina não a deixou sequer terminar o pensamento, foi logo tratando de negar.

– Não. Eu não vou fazer isso. — Avisou e para sua surpresa, Emma não insistiu.

– Claro que você não vai. Afinal, você é Regina Mills, nunca volta atrás com sua decisões, por mais egoístas que elas possam ser. — Ao ouvir tal coisa, Regina arregalou os olhos em sinal de surpresa. — Bom, eu tentei. Vou lá avisar para o grupo que nossa peça está cancelada. Talvez ainda consigamos umas vagas como animais no teatro das latinas. Ou talvez possamos encenar a morte de Cristo. Vou me voluntariar a ser o Cristo, talvez você queria aparecer por lá para me dar umas chibatadas. — A morena lançou um olhar meio incrédulo, meio assustado para a loira que balançou a cabeça em sinal de negativo e lhe deu as costas. — Eles estão lá fora esperando por você, mas eles não podem viver só em função disso. Se não quer celebrar o natal, não impeça que eles o celebrem. — Falou por cima dos ombros antes de ir.

Regina ficou um tempo parada, sem acreditar na bronca que levou. Era ela, sempre foi ela a dona das broncas, não aquela loira metida, que ultimamente andava falando o que queria e depois simplesmente dava as costas e ia embora.

Balançou a cabeça em sinal de negativo, bufou, encarou o telefone, voltou a bufar e resolveu ir atrás de Ruby. Queria tirar a história da gripe repentina a limpo. Precisava ver se era verdade mesmo.

Procurou pela ruiva em todas as partes da prisão, por fim a encontrou na enfermaria. Pela cara de acabada da detenta e pelas caixas de lenços em volta dela, a morena deduziu que talvez, só talvez, ela estivesse mesmo doente, mas ainda não tinha certeza, precisava checar alguns detalhes.

– Você estava bem hoje de manhã. — Foi esse o jeito com o qual Mills, cumprimentou a detenta doente. Ruby sorriu e tentou falar um "oi", mas sua voz não saiu. — Por que eu devo acreditar que você ficou doente e perdeu a voz justamente hoje? — Questionou ao sentar-se do lado da ruiva, que suspirou e apontou para as caixas de remédio que tinha ganho.

– Me deixa ver. — A morena murmurou ao alcançar as caixas e começar a ler o nome dos remédios. Concluiu que sim, eram remédios para resfriado e febre. Ao abrir as caixas para verificar as cartelas, viu que todas elas já estavam sem um comprimido, ou seja, eram bem provável que Ruby estivesse mesmo doente.

A ruiva pulou da cama, foi até a mesa que tinha ali perto, pegou papel e uma caneta e voltou para cama, sentando-se ao lado da morena desconfiada.

"Obrigada pela confiança." Foi o que ela rabiscou na folha de papel, arrancando um sorrisinho da morena.

– Não leve a mal, eu não confio plenamente nem na minha sombra. — Admitiu. — E pelo o que eu lembro, você estava bem hoje de manhã. Um pouco gripada, um pouco rouca, mas com voz. — Ruby concordou com a cabeça, antes de voltar a rabiscar.

"Me disseram que se eu chupasse gelo, melhoraria. Sabia que não deveria acreditar naquelas latinas malditas." Ao ler tal coisa, Regida deixou escapar uma risada.

– Fiquei sabendo que papai Noel, virá nos visitar essa noite. Peça a ele sua voz de volta. Garanto que ele dará. — Debochou da companheira de cela, a fazendo rolar os olhos e cutucar com o cotovelo no braço da morena sem graça em sinal de protesto.

"Me chamar de burra daria menos trabalho." Escreveu. Regina sorriu e negou.

– Você não é burra, só confia demais nas pessoas. — Expressou seu ponto de vista.

"Eu confio em você!" Rabiscou fazendo a morena rolar os olhos, sabendo onde ela chegaria com aquilo.

– Não deveria. — Foi o que respondeu.

"Vai mesmo deixar a irmandade branca na mão?" Regina não respondeu, fez que não tinha lido e concentrou seus olhos nos pés, que balançavam para frente e para trás. "Isso tudo é realmente medo de beijar a loira sem sal?" Ruby pôs o papel na frente dos olhos da morena, para que ela não fingisse não ver. Regina sorriu sem humor ao ler tal coisa.

– Não! — Foi tudo que respondeu. A ruiva suspirou e sua mão agarrou o rosto da morena teimosa a fazendo a encarar. Não precisou olhar nos olhos de Regina por mais de dois segundos para ter certeza que sim, era medo de beijar a loira. — Ok, talvez seja. — A morena admitiu em um murmúrio ao tirar a mão da detenta do seu rosto e desviar os olhos. — Não é exatamente medo, é só... — Balançou a cabeça em sinal de negativo. — Deixa para lá. — Não queria pensar sobre aquilo. Pensou demais em Emma nas últimas 24 horas. Pensou muito mais do que deveria. Relembrou o que não deveria ser relembrado. Sonhou com a loira. Acordou com o coração batendo a mil.

"Então vocês são mesmo um ex-casal." Concluiu o que já sabia, só queria ver a morena admitir. Regina por sua vez negou com a cabeça.

– Não, nós não somos. Ela fugiu antes de haver algo de fato. — Admitiu. Não sabia porque estava falando sobre aquilo com uma quase desconhecida. Não costumava falar sobre sua vida com ninguém. A única pessoa que sabia sobre toda sua história com Emma, era Robin, mas por algum motivo que ela desconhecia, estava lá, falando sobre aquilo com uma reles detenta.

"Você sabe o que falam sobre a inteligência, ou falta de inteligência das loiras." Ao ler tal frase, Regina deu risada. "Eu no lugar dela, teria me casado com você." Aquilo deixou a morena sem graça.

– Se tivéssemos tido alguma coisa, talvez eu não tivesse conhecido meu marido e Henry não existiria. — Respirou fundo antes de continuar. — Minha vida não faria o menor sentido sem ele. — Sorriu ao pensar no filho. — Não existe nada nem ninguém que eu ame, amei ou vá amar, mais do que amo ele. — Se declarou, fazendo Ruby sorrir.

"Ontem ouvi você dizendo que odiava alguém que eu deduzir ser seu marido. Hoje você está o amando?" A morena pensou alguns segundos sobre aquilo e afirmou com a cabeça.

– Sim. O amor e o ódio são mesmo irmãos siameses, como você diz. — A ruiva sorriu em concordância, antes de voltar a escrever.

"E quanto a Emma, você a amou um dia, certo?" Muito sem vontade, Regina voltou a afirmar.

– Demais. — Admitiu em um murmúrio.

"Ainda ama?" Ler aquilo fez o coração da morena bater mais rápido.

– Não. — Respondeu de imediato.

"Então qual o medo de beija-la?" Qual o medo de beija-la? Repetiu a pergunta para si mentalmente. Pensou nos últimos acontecimentos. Pensou no quanto Emma de certa forma ainda mexia com ela e logo achou uma resposta.

– Não tenho medo exatamente de beija-la. Só não quero correr o risco de voltar a ama-la, ou seja, quanto menos eu me envolver, mais fácil fica. Eu não tenho mais vinte anos. Tenho uma vida praticamente encaminhada, tenho um marido e sou feliz com ele. Emma... — Suspirou ao falar o nome da loira. — Emma faz parte do passado. Ela não pode simplesmente voltar e bagunçar tudo. — Ela já estava bagunçando, foi o que Ruby deduziu. Era nítido, estava estampado na cara da morena.

"Quer um conselho?" Regina sorriu e negou.

– Oh não! Tenho certeza que esse conselho vai ser favorável a ela. — Ruby riu ao ouvir aquilo.

"Tem certeza que não quer um conselho?" Insistiu, fazendo a morena suspirar.

– Não que eu vá seguir esse seu conselho, mas já que você está insistindo em dá-lo, sou toda ouvidos, ou melhor, olhos. — De novo a ruiva riu em silêncio, antes de começar a escrever o tal conselho.

"Emma sabe que você tem um marido e que é feliz com ele. E com certeza ela também sabe que você não vai jogar tudo para cima para ter alguma coisa com ela. Não acho que eventualmente ela venha lhe cobrar alguma coisa, alguma explicação." Foi desse jeito que a detenta começou. "Mills, nós estamos em uma prisão, as coisas aqui são diferentes do mundo lá fora. Funciona quase como um reality show. Os sentimentos são mais intensos, a vontade de chorar sempre é maior, qualquer coisa bobinha deixa você magoada, você tem medo de desistir. Eu sei como é. Sei também que as coisas começam a melhorar a partir do momento que você aceita que está presa. Que aceita que essa é a sua realidade." Os olhos de Regina acompanhavam rapidamente os rabiscos da ruiva. "Então a vida dos outros lá fora vai aos poucos se tornando distante, apagada, quase intocável. É como se nós não vivêssemos no mundo deles. Como se tivéssemos nosso próprio mundo. Você pode continuar tendo um filho nesse nosso mundo, mas casada você não é." Jogou a folha rabiscada para a morena e continuou seu pensamento em uma folha nova. "Aproveite sua estadia aqui, porque só desse jeito o tempo começa a passar nesse lugar. Não tenha medo, viva o que você tem para viver, não pense muito, apenas faça o que tiver vontade de fazer. Depois, quando você voltar para o mundo lá fora, para a sua vida, para o seu marido, para a realidade lá de fora, tenho certeza que vai lembrar desse lugar como um lugar distante, apagado, quase intocável e não vai sentir a menor falta de algo ou de alguém." Regina balançou a cabeça em sinal de negativo ao ler aquilo.

– Como eu imaginei, está sugerindo traição. — A ruiva deu de ombros.

"Não estou sugerindo nada. Você quem está deduzindo. Só estou sugerindo que você seja apenas você. Sem medo, sem título, sem auto-cobrança, sem culpa, sem amarras. Seja você, Regina Mills, porque eu posso apostar que seu marido não está se privando das coisas só porque você está aqui." A detenta logo pensou na sua funcionária que aquelas horas já deveria estar na sua casa, com o seu marido.

– Isso tudo é só para eu bancar a Rainha Má? — Ruby negou.

"Isso tudo é só porque essa história mal contada de vocês duas, lembra a minha própria história mal contada." Ao ler tal coisa, Regina se sentiu curiosa.

– Teve um final feliz? — Questionou sem querer e pela cara da detenta constatou que não.

"Digamos que eu fui a Regina Mills e ela a Emma Swan, nessa nossa relação. Namoramos um tempo, e um dia ela se foi sem explicação. Voltou um ano depois, pediu perdão de joelhos, chorou, implorou e eu e meu orgulho ferido não perdoamos, muito embora eu nunca tivesse a deixado de amar. Quando resolvi ir atrás para conversa, descobri que ela havia morrido fazia uma semana." Os olhos da ruiva se encheram de lágrimas e uma acabou caindo sobre o papel. "Ela tinha câncer, por isso foi embora. Voltou quando pensou ter se livrado da doença. Infelizmente ela não se livrou por muito tempo, e quando essa maldita doença voltou, a destruiu em menos de um mês." Outra lágrima caiu sobre o papel. Quando terminou de ler, a morena sentiu um nó se formar em sua garganta.

– Eu sinto muito. — Murmurou com sinceridade, ao afagar as costas da ruiva, tentando consola-la.

"Eu também. Mas isso não muda nada, não para mim..."– Regina entendeu perfeitamente o que ela quis dizer com aquilo. "Ela foi egoísta por não ter me dito a verdade. Mas eu também fui egoísta quando pensei só nos meus sentimentos. Quando ela voltou e disse que me amava, eu sabia que ela estava falando a verdade, tudo que eu queria era xinga-la e depois abraça-la, mas eu tinha um orgulho a zelar. Até hoje fico pensando no quanto ela deve ter sofrido também. No quão difícil deve ter sido me dar as costas e ir embora. Fico me perguntando porque não pensei nisso antes, enquanto ainda dava tempo." A ruiva estava fungando. Largou o papel e a caneta e pegou sua caixa de lenços. Regina que tinha os olhos cheios de lágrimas nada disse, só passou o braço em volta dos ombros da detenta tentando a consolar. Ruby deitou a cabeça no ombro da morena e ficou lá por algum tempo, Regina era mãe, portanto ela sabia como silenciosamente consolar alguém. Estava se recuperando da sua crise de choro quando alguém bateu na porta aberta. Ao levantar os olhos, se deparou com a loira sem sal, com os olhos vidrados nelas. Olhar de ciúme, aquele com certeza era um olhar de puro ciúme.

– Atrapalho? — Questionou com um tom de voz nada amigável. Como assim, Regina estava com o braço em volta dos ombros de Ruby, enquanto a dissimulada tinha a cabeça deitada no ombro da morena? Que intimidade toda era aquela? Desde quando elas era assim amigas?

– Não. — Regina e Ruby responderam juntas, só que a voz da ruiva não saiu.

– Está tudo bem? — A loira questionou com a morena, ao ver lágrimas nos olhos da mesma. Regina prendeu os olhos em Emma por algum tempo. Nunca tinha pensado em Emma, em como ela se sentiu ao ir embora. Em como ela se virou durante todo aquele tempo. Com quem ela chorou suas mágoas, seus medos, seus arrependimentos. Se Emma lhe contou mesmo a verdade na noite de seu aniversário, então ela também sofreu com aquela história, certo? Tá certo que foi ela a culpada por tudo, mas isso não a deixava imune ao sofrimento.

– Ruby está gripada e sem voz. — Emma rolou os olhos ao ouvir aquilo, já que foi ela quem tinha dito tal coisa a Regina. — Vim checar se era verdade. — A morena explicou.

– Posso ser uma filha da mãe mentirosa, mas poucas vezes eu menti para você. — Se sentiu um pouco magoada. — E o motivo de seus olhos estarem cheios de lágrimas e você estar fungado é gripe também? — Regina sorriu e negou.

– Estou bem, obrigada. — Os olhos desconfiados da loira pararam em Ruby e ela constatou que as duas estavam chorando. Constatou também que não ficaria sabendo o motivo.

– Fura olho, nosso teatro já era. — Avisou. — Sua amiguinha se recusa a ser a Rainha Má. — O ciúme estampado naquela frase fez Ruby rir.

– Eu sou essa amiguinha a quem você está se referindo? — Regina questionou rindo.

– Sim, você é. — A morena tirou o braço de volta dos ombros da ruiva e em um pulo se pôs de pé. Fechou a cara, estreitou os olhos e lançou um olhar nada amigável para Emma, que ficou sem entender.

– Então dobre o joelho e reverencie sua rainha, plebeia. — A morena ordenou em um tom sério e ríspido, fazendo Emma juntar as sobrancelhas. Ao ver que a loira não tinha entendido, Regina sorriu e então voltou-se para Ruby. — Está bom esse tom de voz para uma Rainha Má? — A ruiva levantou os polegares afirmando antes de aplaudir.

– Isso significa o que exatamente? — A loira continuava em dúvida. Regina rolou os olhos e voltou-se para a loira lerda.

– Reúna seus anões, chame meu espelho e seu príncipe estúpido. Aproveite para avisar as latinas que a nossa encenação vai ser tão boa, que no final até o menino Jesus, vai desejar ter participado dela. — Ao ouvir tal coisa, Emma arqueou as sobrancelhas.

– Isso é sério? — Precisava ter certeza antes de se empolgar.

– Por quê não seria? — Regina respondeu com outra pergunta.

– Você... — A loira fez o polegar apontar para trás. — Eu... Mas... — A confusão que ela fazia com as palavras e com as mãos, fazia Ruby e Regina rirem. — Deixa para lá. O que fez você mudar de ideia? — Questionou com curiosidade.

– Talvez o papai Noel, o espírito natalino, ou Ruby, sei lá. — Os olhos da loira se iluminaram e ela encarou a ruiva que não era tão fura olho assim.

– Você precisa me ensinar essa técnica depois. — Murmurou o pedido a ruiva. — Agora eu vou chamar o pessoal e dar o seu aviso. — Emma estava com dificuldade para parar de sorrir.

– Para o seu bem, espero que tenha decorado suas falas e que elas saiam naturalmente. — Regina avisou, na verdade, ameaçou.

– Prometo dar o melhor de mim, majestade. — A loira dobrou o joelho, abaixou os ombros e a cabeça, fazendo a tal da reverencia, depois disso ela foi, já Regina, Regina ficou assistindo aquilo com um sorriso idiota no rosto e só voltou para a realidade quando uma bolinha de papel lhe atingiu a cabeça. Ao voltar-se para Ruby, deparou-se com a ruiva rindo, muito provavelmente da ceninha que presenciou.

– Do que está rindo? Quer acabar no calabouço? — Ameaçou como uma Rainha muito má, ato que fez Ruby negar e levantar os braços em sinal de inocência.

(...) — Não, não e não! Isso está ridículo! Esse cabelo me deixa parecendo a Amy Winehouse no fim da vida. — Regina reclamou ao ver sua imagem refletida no espelho. Na verdade seus olhos não conseguiam sair do que tinha se tornado seus cabelos. A detenta que tinha sido apresentada a Regina como a cabeleireira daquele lugar, prendeu os cabelos curtos da morena do jeito que conseguiu e com a ajuda de uma peruca que Regina não fazia ideia de onde tinha saído, a detenta cabeleireira montou um coque, quase tão alto quanto o monte Everest.

– Quanto mais alto, mais má é a rainha. Foi o que Ruby me disse. Ela me encheu a paciência por dias a fio, falando sobre cabelos e maquiagens das personagens. Estou apenas seguindo ordens. — A morena bufou e sem tirar os olhos do espelho, balançou a cabeça em sinal de reprovação.

– Espelho, espelho meu, existe um cabelo mais horrível, duro e em pé do que o meu? — Ouvir tal coisa fez a detenta cabeleireira rir. — Está vendo? O espelho provavelmente se assustou com esse ninho de passarinho em cima da minha cabeça e fugiu. — Reclamou.

– Rainha do Drama combina mais com sua pessoa do que Rainha Má. — A detenta murmurou seu pensamento. — Agora deita a cabeça no encosto da cadeira, vamos começar a maquiagem. — Regina negou e em um pulo se pôs de pé. Tinha séria desconfiança de que se deixasse a mulher lhe maquiar, ela muito provavelmente sairia dali com maquiagem digna de um drag queen.

– A maquiagem é por minha conta. Estou com saudades de me maquiar e modéstia parte, sei fazer isso muito bem. — A detenta rolou os olhos.

– Abuse muito da sombra preta, e passe o batom vermelho. Ordens de Ruby. — A morena concordou.

– Deixa comigo. — Regina resolveu que para o bem de sua mente paranoica, não veria a marca nem a data de validade daqueles cosméticos. Até porque naquele momento ela estava mais empolgada por ver tanta maquiagem na frente dos seus olhos, do que com medo da procedência daquilo tudo.

Começou passando base, depois passou sombra, muita sombra preta e fez uns detalhes em vermelho. Em seguida veio o delineador, lápis de olho, blush e por fim o batom vermelho. Sorriu satisfeita com o resultado final. Até que seu cabelo não tinha ficado de todo mau, ele até que combinava com a maquiagem e com o vestido.

Lhe deram um vestido azul marinho que ia até os pés, ele tinha detalhes em preto e prata e um decote bastante exagerado na opinião da morena. A gola dele era tão alta que até Conde Drácula sentiria inveja. Para um vestido de prisão, até que ele era bonito. Simples, porém bonito. Por fim, calçou os sapatos de salto que lhe arranjaram, e voltou para frente do espelho. Sorriu satisfeita com o resultado final. Desejou ter seu celular ali, para tirar uma foto da Rainha Má que refletia no espelho.

– Aposto que você se divertiria vendo sua mãe assim, Henry. — Sorriu ao pensar no filho, suspirou, e deu as costas para o espelho, foi então que deu de cara com Emma.

A loira estava dentro de um vestido vermelho, um pouco acima do joelho, colado ao corpo e com um decote também generoso. Seus cabelos escovados faziam um ondulado perfeito. E a maquiagem deixava seus olhos ainda mais claros e vivos. Era a primeira vez depois de muito tempo que Regina via a loira em um traje normal e aquilo chegava a ser perturbador. Era como se elas tivessem voltado no tempo e estivessem prestes a sair para uma balada.

– Você continua igual, é como se o tempo não tivesse passado. — Balbuciou um tanto quanto atordoada. Já Emma, Emma não sabia mais nem como falar. Tinha medo de estar de queixo caído, mas naquele momento não tinha como checar, e se tivesse, provavelmente não saberia como fazer para fechar a boca.

Ok, Regina sempre foi uma mulher muito bonita e aquilo era incontestável, mas de Rainha Má, de Rainha Má, ela ficava simplesmente perfeita. A postura, a roupa, a maquiagem, os cabelos, a cara fechada, o decote, ah o decote! A loira precisou de concentração para tirar os olhos de lá. Desejou que de repente, elas pudessem viver em um conto de fadas para sempre. Queria tanto ser feliz com aquela Rainha Má. Queria tanto ouvir sua risada maligna ao pé do seu ouvido. Queria deslizar as mãos por aquele rosto perfeito, queria passar as mão pelo decote também, para falar a verdade queria também apalpar lá, e beijar, e quem sabe mordiscar. Queria tantas coisas que no fim ficou frustrada por lembrar que conseguiria no máximo um beijinho.

– Você está... — A verdade é que não tinha uma palavra para definir. — Maravilhosa. Perfeita. — Disse com tanta intensidade, tanto desejo que acabou deixando a morena sem graça.

– Obrigada! Você também não está nada mal. — Elogiou. — A Branca de Neve se parece e muito com a Emma quando tinha 20 anos.

– Se a Emma com 20 anos visse você agora, ela com certeza pediria você em casamento mesmo você já sendo casada. — Murmurou sem pensar, de novo deixando a morena sem jeito.

– Bom, eu teria que dizer não. — Também murmurou.

– Ela provavelmente entenderia. Até porque, finais felizes só existem em contos de fadas. Sorte tem a Branca de Neve. — Okay. Ou Regina estava entendendo errado, ou Emma estava cheia de gracinhas para cima dela e nem estava disfarçando. Como aquilo estava lhe perturbando e constrangendo, resolveu agir.

– Então, está tudo pronto? — Emma sorriu ao perceber a súbita mudança de assunto.

– Tudo. Só está faltando você, Regina Má. — A morena sorriu com a fusão dos nomes.

– Estou pronta, Emma de Neve. Então vamos logo com isso antes que eu desista. — Falou em tom autoritário, digno de sua personagem.

– Você quem manda, Rainha. — A morena rolou os olhos e passou por Emma, saindo do salão de beleza improvisado. Emma assistiu a tudo sem perder nem um detalhe. Sem precisar disfarçar, ela deu uma boa conferida na parte de trás da Rainha e suspirou. — Ainda rebola! — Murmurou consigo. Pensou em passar as mãos pelo rosto para tentar amenizar o desejo que lhe consumia, mas lembrou-se que estava maquiada. — Ah se eu te pego, Regina Mills, ah se eu te pego. — Soltou com o ar, antes de ir atrás da amiga.

(...) A encenação começou com a Rainha consolando e prometendo cuidar de Branca de Neve, que lamentava e chorava a morte do pai. Em seguida veio a parte em que as duas se divertiam no quarto da Rainha enquanto uma festa era dada no salão de festa do castelo. Logo depois veio a cena em que a Rainha se declarava, a Branca de Neve fugia, conhecia o príncipe e a Rainha se tornava má. Por fim, a Rainha obrigou Branca de Neve a comer a maçã, a mesma obedeceu, o príncipe apareceu, o beijo não funcionou e estavam na parte em que os anões velavam o corpo da Branca.

Regina entrou tão bem na personagem que sentiu-se angustiada ao ver Emma ou Branca de Neve lá, imóvel, de olhos fechados, com as mãos repousando sobre o peito, deitada sobre a mesa da capela, — que tinha se tornado uma espécie de caixão — parecendo realmente morta.

Ok, talvez ele estivesse sendo dramática demais. Talvez tivesse lido muitos livros de Nicolas Sparks. Talvez também fosse as emoções pela noite de natal. Não sabia exatamente o porque, mas se deu conta de como a vida é algo frágil. Em um piscar de olhos você pode não estar mais vivo. E pior, quantas coisas inacabadas você deixa nesse mundo? Ver Emma lá daquele jeito a deixou com sentimento de culpa. Se perguntou quantas vezes no auge da raiva, desejou o pior para a amiga. Se deu conta que não, não queria e nem nunca quis que nada de ruim acontecesse com aquela loira desmiolada. A queria ver bem, sorrindo, fazendo piadas sem graça, tagarelando, rindo das próprias desgraças, conspirando contra meio mundo, sendo Emma.

Foi tirada de seus pensamentos por uma das sete anãs que disfarçadamente cutucou com o cotovelo em seu braço, em uma tentativa de tirar a morena do transe.
Regina respirou fundo e rapidamente lembrou-se de suas falas.

– Saiam! — Ordenou com uma voz dura. Em fila as anãs foram saindo. Quando todas já tinham abandonado o palco, a Rainha suspirou e foi até sua Branca de Neve. Fixou os olhos nela tentando achar algum sinal de que estava tudo bem, mas ficou ainda mais angustiada ao ver que a loira continuava completamente imóvel. Ok, ela estava respirando, mas tratando-se de Emma, ficar quieta, imóvel, sem fazer nenhum tipo de graça por mais de um minuto era no mínimo preocupante.

Levou a mão até as mãos postas da loira e respirou aliviada quando sentiu que as mãos dela estavam quentes. Aquilo era um sinal claro que ela estava viva, certo? Só precisa desperta-la. Imaginou que ficaria nervosa com aquela cena, mas não estava. Tudo que estava querendo era que Emma abrisse os olhos e voltasse a tagarelar.

– Eu sinto muito. — Desculpou-se. — O ódio me cegou. Eu sinto muito. — Branca de Neve continuava estática e aquilo estava definitivamente deixando Regina nervosa. Desde quando Emma tinha ficado tão boa com a história de interpretar? — O Beijo do seu príncipe estúpido deveria ter feito você despertar. Não sei porque não funcionou. — Em uma tentativa de comunicação com Emma, Regina apertou as mãos dela, mas não obteve respostas. — Nós podemos começar de novo. Eu, você, seu príncipe estúpido. Prometo não persegui-los mais. Eu só estava magoada, você não deveria ter fugido, se só conversasse comigo e me falasse seus motivos, por mais idiotas que fossem, eu teria entendido. — Aquilo tudo fazia parte do script, Regina só estava começando a ficar em dúvida se falava por si ou pela Rainha. — Mas você preferiu fugir, como se não se importasse o mínimo que fosse. Eu me senti enganada, traída, abandonada, então o ódio tomou conta. Esqueci completamente o que você significava para mim. O ódio apagou qualquer lembrança boa que eu tinha de você e eu só me dei conta de que ainda me importo, quando vi você aqui deitada tão sem vida. — A Voz da morena falhou e seus olhos lacrimejaram. — Não me sinto vingada como pensei que me sentiria. Só sinto um vazio ainda maior. Uma parte de mim, a parte boa, que sorria, brincava, sonhava, ela está morta. Morreu com você. Só me sobrou a escuridão. — Regina Má, largou a mão das mãos de Emma de Neve, e tocou o rosto da amiga. Seu polegar alisou ternamente a bochecha da loira. — O cérebro é absolutamente inútil sem a sua parte falante e muitas vezes irritante. — Sussurrou algo completamente fora do script e completamente sem sentido. Sem sentindo pelo menos para quem estava assistindo, já para Emma tinha muito sentindo.

A loira que até então brigava consigo para ficar completamente imóvel, sem sequer respirar fundo, enquanto ouvia Regina falar aquilo tudo, sentiu as borboletas no estômago se alvoraçarem ao ouvir tal coisa. Até então estava em dúvida se Regina estava apenas interpretando com perfeição, ou se estava sendo a Regina junto com a Rainha, mas ao ouvir tal coisa, deduziu que Regina estava sendo Regina, pelo menos um pouco, já que a Rainha Má não sabia sobre o acordo que as duas amigas tinham feito quando crianças.

– Descanse em paz, Branca! Embora não pareça, eu amo você. Sempre amei e sempre vou amar. — Aquilo estava no script, Emma sabia, mas Regina falou de um jeito tão carinhoso, tão terno, tão doce, tão Regina quando há anos atrás dizia que a amava, que Emma sentiu todos os pelos do seu corpo se eriçarem. De repente a mão da morena em seu rosto parecia lhe queimar. Era como se o toque da amiga fosse uma fonte de energia e distribuísse calor para todo seu corpo. Chegava a ser assustador a reação que seu corpo estava tendo ao toque da amiga. Nunca tinha sentido nada parecido. Aquilo era tão bom. Tão sem explicação. E a fazia sentir tão viva. Era como se a morena tivesse mesmo lhe trazido a vida de volta. — Adeus!

Beauty and the Beast

A música que começou a tocar em um volume baixo, foi a deixa para Regina saber que estava na hora. O tal do beijo precisava acontecer, e a morena não hesitou para que acontecesse. Apenas suspirou e em um gesto natural fechou os olhos e aproximou o rosto do da amiga. Mais uma vez acariciou o rosto da loira e então juntou seus lábios. Eles ficaram unidos e imóveis por alguns segundos. Aquilo era o suficiente para a Branca despertar, mas Regina beijou de novo de novo e de novo. Agora sim podia dizer que já tinha dado uns beijinhos em Emma. Não que aquilo fosse realmente um beijo, mas enfim, era o mais próximo que elas já tinha chegado de um.

O coração de Emma batia frenético devido aqueles beijos, que para ela, foram com certeza os melhores beijos que já receberá. As borboletas em seu estômago pareciam estar em um show de punk rock. A loira sentia uma felicidade imensurável. Queria sorrir, dançar, cantar, gritar e por último mais não menos importante, retribuir aquele beijo. Pensou seriamente em fazer aquilo, mas não conseguiu, já que Regina afastou-se. Instantaneamente ela abriu os olhos, encontrando com os olhos da negros da morena já presos nos seus. Acabou deixando escapar uma lágrima, lágrima de felicidade, e então abriu um singelo sorriso para amiga, que lhe sorriu de volta.

– O que aconteceu? — Da última vez que ensaiaram aquele diálogo quase acabaram se beijado, ambas lembraram de tal coisa. Emma faria qualquer coisa para que dessa vez acontecesse de verdade.

– Você acordou. — Regina ajudou a loira a sentar.

– O beijo de amor verdadeiro? — A Rainha afirmou com a cabeça. — Foi você?

– Sim. — Branca de Neve fez cara de quem não estava entendendo. A mesma cara que Emma fazia quando ganhava explicações em matemática, aquilo fez Regina sentir vontade de rir. – E por quê você fez isso? Não queria me ver morta?

– Não, eu não queria. Eu só queria que você me amasse, como eu te amo. — A loira sorriu e em um impulso pulou e ficou de pé. Pôs-se na frente de Regina e em um passo, ficou a centímetros da morena.

– Eu amo! Você não tem ideia do quanto eu amo. Eu sinto muito. — Seu indicador tocou a testa da morena e ternamente colocou para trás alguns fios de cabelos que caíram do coque sobre sua testa. — Muito mesmo. Não deveria ter fugido, acho que me arrependi no mesmo segundo em que fui embora. — Emma estava sussurrando coisas que não estavam no script, enquanto seus dedos acariciavam o rosto da amiga. — Segundo uma amiga, não existe um jeito de eu conseguir voltar no tempo e mudar as merdas que fiz, mas se você me perdoar e me der uma chance... — Continuou fora do script, completamente fora dele. Naquele momento elas deveriam estar falando as frases finais, mas Emma tinha aparentemente decidido improvisar. O coração de Regina batia feito um alucinado ouvindo aquilo tudo e seu estômago, ele estava se remexendo muito. Achava idiota a história das borboletas, mas naquele momento podia jurar que elas habitavam mesmo os estômagos. Ela queria de algum jeito mandar Emma parar com aquilo e voltar para o roteiro original, mas ao mesmo tempo queria continuar exatamente como estava. — Prometo que dou a minha vida para fazer você feliz. — Sutilmente os dedos da loira desceram até a cicatriz nos lábios da morena. Seu polegar acariciou ternamente aquela marca, ato que arrancou um longo suspiro da morena e a fez fechar os olhos. Ao ter Regina assim tão perto de si, Emma sentiu-se um pouco triste ao dar-se conta do quanto perdeu ao ir embora. O quanto sua vida poderia ter sido simples, fácil e feliz.
Deixou uma lágrima cair ao pensar sobre aquilo.
Ao perceber que a loira não dizia mais nada, Regina abriu os olhos e encontrou com os olhos cheios de lágrimas de Emma. Não sabia exatamente porque, ou talvez soubesse, mas não queria pensar sobre aquilo, o fato foi que os olhos da loira contagiaram os seus e eles também se encheram de lágrimas. O polegar da loira subiu até a bochecha da morena e secou a lágrima que ela deixou cair. — Embora seja um pouco tarde para dizer isso, quero que você saiba que eu amo você. — A Voz embargada e emocionada de Emma quase não saiu. — Minha rainha. — Regina não disse nada, apenas sorriu enquanto tentava acalmar seu coração e suas mãos que por algum motivo tremiam.
Não sabia dizer se foi o rosto dela que se aproximou do de Emma ou ao contrário. O fato é que eles estavam próximos. Emma fechou os olhos e timidamente encostou a testa na de Regina, que acabou fechando os olhos também.
– Eu vou beija-la agora, Regina Má. Espero que sua palavra continue bastando porque não temos tempo para um contrato agora. — Sussurrou para que só Regina ouvisse e não hesitou, fez o que queria ter feito há muito tempo, juntou os lábios aos de Regina. Dessa vez ninguém ouso atrapalhar, a capela estava em um silêncio total. Todos os olhos estavam sobre as duas. Ninguém ousava piscar.

Regina e Emma, ou Rainha Má e Branca Neve, estavam alheias a tudo. Na verdade elas já não sabiam mais nem onde estavam. Regina simplesmente resolveu se render aquele momento, até porque depois era só por a culpa na encenação e pronto. Com certeza aquela era a desculpa que ela se daria.

Já Emma, a loira estava se sentindo a pessoa mais sortuda do mundo. Sabia que Regina estava se deixando levar pela emoção do momento, sabia também que não deveria se aproveitar daquilo, mas não conseguia, muito provavelmente não teria outra oportunidade daquela, então teria que aproveita-la.

Ao constatar que a morena definitivamente não se afastaria, Emma deslizou a mão até a nuca da amiga e lentamente moveu seus lábios contra os dela. Regina suspirou antes de timidamente corresponder aquilo, ato que fez Emma sorrir. Se morresse naquela noite, morreria com certeza a mulher mais feliz do mundo. Aquilo era tão surreal, tão inesperado, tão impossível que teve certeza que milagres de natal realmente aconteciam e ela estava presenciando um.

A morena estava achando tudo aquilo diferente. A mão que acariciava sua nuca era pequena e gentil. Os lábios que beijavam os seus eram sutis e delicados. A pele que roçava na sua era macia e suave. Aquilo tudo era tão diferente, e para a infelicidade da morena, era um diferente tão bom. Não sabia exatamente como agir, quer dizer, não sabia se estava fazendo aquilo certo, quer dizer, já tinha feito aquilo incontáveis vezes, mas nenhuma foi com uma mulher. Ao perceber a amiga um pouco tensa, Emma resolveu agir.

– Apenas deixe-se levar. — Sussurrou sem para de beija-la. Regina suspirou e resolveu seguir o conselho da loira, parou de pensar e deixou-se guiar pelos seus instintos. Suas mãos até então inertes foram até a cintura da loira e a seguraram com firmeza. Sugou o lábio inferior da amiga com vontade, depois fez o mesmo com o superior, então o mordiscou e entreabriu mais a boca dando passagem para a língua de Emma, tornando o beijo menos romântico e mais urgente.

Enquanto as línguas se embolavam, Regina sentia sua boca refrescar por todos os lugares em que a língua de Emma passava. Halls preto, Emma era viciada naquela bala. Depois que a Branca de Neve mordeu a maçã, ela ainda teve tempo de colocar uma bala na boca antes de "morrer". Regina odiava halls preto, nunca conseguiu chupar uma bala daquela inteira, já que a mesma ardia muito. Mas sentir o gosto da bala na boca da amiga era extremamente gostoso. Talvez virasse fã da bala depois daquele beijo.

Se Emma tinha gosto de halls preto, Regina tinha gosto cítrico de maçãs. Maçã sempre foi a fruta preferida da morena, e era difícil encontrar aquela fruta na prisão, o que fez Regina juntar a maçã mordida pela Branca de Neve e devora-la no "camarim", enquanto esperava sua vez de voltar ao "palco". Bom, se maçã era fruta preferida de Regina, ela tinha acabado de se tornar a fruta preferida de Emma também. A loira tinha certeza que jamais esqueceria aquele gosto, recorreria a maçãs sempre que quisesse recordar daquele momento com exatidão.

Ambas tinham a respiração ofegantes, e ambas tinham plano de continuar com aquele beijo por tempo indeterminado. Elas tinham se tele-transportado daquela prisão, estavam em um lugar só delas, em um mundo paralelo onde não existia nada nem ninguém além de Regina e Emma.

Ruby que assistia a tudo encostada na porta de entrada da capela, sorriu satisfeita assistindo aquele beijo de cinema. Sentiu-se feliz pelas duas mulheres. Sabia que Regina era muito teimosa, assim como sabia que a morena não conseguiria mais controlar seus sentimentos depois daquela noite. Não imaginava o que o futuro reservaria a elas, mais tinha certeza que elas viveriam uma paixão tórrida dentro daquela prisão. Torcia do fundo do coração para que no final daquilo tudo, Emma conseguisse de algum jeito ter a morena só para ela.

Imaginando que as duas já não tinham mais controle da situação, a ruiva resolveu agir, e puxou uma salva de palmas. Em questão de segundos, a capela toda aplaudia e assoviava.

Rainha Má e Branca de Neve, foram trazidas de volta a realidade e o beijo voltou a se tornar calmo até por fim se extinguir. As duas se separaram minimamente, quando Regina abriu os olhos encontrou com os olhos de Emma já abertos. Eles estavam mais claros do que de costume, e brilhavam, brilhavam muito, a morena nunca tinha os visto brilhar daquele jeito.

– Isso é loucura. — Sussurrou sem se afastar.

– Se for loucura, então morrerei louca, minha Rainha. — Elas tinham voltado para o script. — Mas eu desconfio que isso tenha um outro nome. — Regina sorriu e levou a mão até o canto da boca de Emma, seu polegar tentava tirar as marcas do seu batom de lá.

– E qual nome você daria para essa desconfiança? — Indagou enquanto continuava tentando dar um jeito na boca vermelha da amiga.

– Amor verdadeiro. — Respondeu ao segurar a mão de Regina, impedindo que ela continuasse. Emma tinha planos secretos de voltar a beija-la, então tentar tirar as marcas de batom naquele momento não era lá boa ideia.

– Amor verdadeiro não existe, Branca.

– Existe sim. Existe desde o começo dos tempos. O filho de Deus, morreu para salvar a nós todos. Quer um exemplo melhor do que esse para provar a existência dele? — Tanto Regina quanto Emma, não tinham gostado muito do diálogo final daquela história, mas como boas atrizes de prisão, resolveram seguir o script.

– Tendo em vista que você de uma certa forma também morreu para me salvar, devo deduzir que o que sentimos uma pela outra é realmente amor de verdade, correto? — A loira afirmou.

– Corretíssimo. E salvando você, eu também salvei a mim. Acho que agora poderemos começar a viver felizes para sempre. — Regina queria conhecer o infeliz que inventou a frase "felizes para sempre", queria muito saber a formula para se ter uma felicidade constante, muito provavelmente tal autor vivia dentro de um conto de fadas.

– Seu desejo é uma ordem, então felizes para sempre é o que vamos ser. — Falou a frase clichê, que também era a frase final. Então a música que tocava de fundo foi aumentada e de novo Ruby puxou uma sonora salva de palmas.

– Sabe, eu acho que deveria acontecer o beijo final. — Emma deu a ideia, fazendo Regina balançar a cabeça em sinal de negativo e sorrir.

– Não existe beijo final no script. — A morena se fez de difícil.

– Devemos improvisar, ficaria tão bonito. Todo conto de fada termina com beijo de amor. — De novo a morena sorriu.

– Ok. Mas não se esqueça que o beijo faz parte do conto de fadas. — Emma entendeu perfeitamente o recado e concordou com aquilo.

– Seu desejo é uma ordem, Regina Má. — Debochou ao segurar o rosto da morena entre as mãos.

– Então cala a boca e beija logo. — Ordenou rindo. Restou a Emma de Neve obedecer com muito prazer.

Notas finais
Então, o que acharam? Será que elas vão continuar interpretando para se pegarem, ou a Regina vai chutar o balde, ligar o foda-se e fazer o que der na telha? Uma coisa é certa, a partir daqui a coisa entre elas começa a andar. Conto com vocês para voltar com mais. Posso adiantar que no próximo capitulo Regina estará fazendo anos e a nossa amiga Emma vai se aproveitar da situação =D Bom, quem quiser saber detalhes, deixa um comentário que eu prometo voltar logo. Beijos