Escape
1 Prólogo
Notas iniciais
É fácil amar o outro na mesa do bar, quando o papo é leve, o riso é farto e o chopp gelado.
É fácil amar o outro nas férias, no churrasco, nas festas ou quando se vê de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba, quando não acredita em mais nada e entende tudo errado. Quando paralisa, perde o charme, o prazo, a identidade e a coerência. Nessas horas que se vê o verdadeiro amor, aquele que quer o bem acima de tudo. É esse o amor que dura para sempre, na verdade, esse é o único tipo que pode ser chamado de amor.”
Pedro Bial
(...) Regina, não era totalmente inocente, sabia exatamente o que carregava e sabia também de onde tinha vindo aquele dinheiro. Com toda certeza também sabia que aquilo podia acabar mal, mas mesmo assim fez, fez pela amiga. Fez pela camaradagem. Fez pelas madrugadas insones que passavam juntas. Fez pelos porres que tomavam. Fez pelos planos que faziam. Fez pelo sorriso de felicidade da loira. Fez pelos sentimentos confusos que há um certo tempo, a amiga lhe causava. Fez pelo olhar penetrante e instigante que ganhava cada dia com mais frequência. E acima de tudo, fez pela amizade. A amizade que ambas em uma noite de bebedeira, juraram em um pacto de sangue, ser para sempre.
– Hey! — Regina balançou a cabeça algumas vezes, se livrando da imagem da amiga traidora, e então viu dedos estalando na frente dos seus olhos. Estava tão perdida que ficou concentrada no estalar de dedos. — Sangue azul, volte para terra. — Ao tirar a atenção dos dedos e levantar a cabeça procurando a dona da voz, viu sua colega de prisão. Era a motorista prisioneira daquele lugar. Foi ela quem trasportou Regina da recepção até a ala prisional e depois levou ela e as outras novatas até o policial fotografo. E de algum jeito, lá estava a ruiva de novo.
– Desculpe-me. Eu não ouvi. O que disse? — A prisioneira motorista, sorriu enquanto tentava decifrar um pouco daquela mulher. Ela parecia forte. Parecia rica. Parecia educada. Parecia fina. Parecia assustada. Parecia abalada. Parecia triste. Parecia perdida. Parecia tantas coisas, que no fim, acabava parecendo uma incógnita.
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