Escape
36 Prometo ficar
Notas iniciais
Regina tentou de todas as formas, colocar seu trabalho em dia para chegar a tempo no funeral da avó de Emma, mas graças aos e-mails atrasados, ao caixa que não fechou no dia anterior, a curiosidade insistente de Ruby, a comida que a ruiva lhe trouxe, para tentar lhe arrancar alguma informação, e a todos os problemas que resolveram acontecer naquela tarde, acabou se atrasando e muito.
Dirigia seu carro lentamente, pelo estacionamento do cemitério, em busca de Emma ou qualquer conhecido que pudesse lhe informar onde encontrar a loira, mas como estava muito atrasada, concluiu que não encontraria mais ninguém ali.
Quando desistiu e resolver que iria até a casa da loira e esperaria pela mesma lá, a avistou caminhando desanimadamente, com uma mochila nas costas, em direção a saída do lugar. Sorriu com a cena, e guiou o carro até a amiga.
– Eu quero ir para Beverly Hills, pode me dizer o caminho? – Indagou ao abaixar o vidro, olhando Emma por cima dos óculos. A loira parou de andar, abriu um sorriso largo e voltou-se para a dona da voz. Caminhou até o carro e pendurou os braços na janela aberta.
– Fica do outro lado do país, mas posso, cinco dólares. – Piscou para a amiga.
– Que absurdo! – Regina fez-se de incrédula.
– Agora são dez. – Pôs a cabeça para dentro do carro.
– Não pode me cobrar por uma informação. – Tinham assistindo tantas vezes aquele filme, que sabiam as falas decor.
– Não sou eu quem estou perdida. – Gargalhou junto com a morena, que resolveu pôr fim a encenação e destravar as portas do carro.
– Entra! – Regina convidou, e Emma prontamente jogou-se para dentro.
– Pensei que tinha me dado o cano. – Comentou ao inclinar-se para o lado da morena e beijar-lhe o rosto.
– Desculpe, mil perdões. Me enrolei de todas as formas possíveis com a cafeteria, quando dei por mim, já estava atrasada. – Explicou em tom de desculpas.
– Tudo bem. Imaginei que estava presa com alguma coisa de lá. – Sorriu tranquilamente. – Ah, antes que eu esqueça, amei seu carro. Adoro esses modelos SUV, eles parecem tão grandes e ao mesmo tempo tão compactos. E esses Mercedes GLA tem cara de mal. Você fica ainda mais gostosa aqui dentro. – Regina sorriu completamente sem graça, o que deixou Emma sem entender, mas não por muito tempo, já que logo em seguida Henry pigarreou, anunciando que estava ali.
– Não estamos sozinhas? – Emma murmurou envergonhada, e como resposta ganhou um balançar de cabeça da amiga, dizendo que não. Sem jeito por ter chamado a mãe do amigo de gostosa na presença do mesmo, olhou para trás, dando de cara com o garoto sentado atrás de si. – Olá! – Lhe sorriu sem graça.
– Então, minha mãe é gostosa? – Ao ver que tinha envergonhado as duas, resolveu se divertir.
– Muito. – Sua sinceridade fez Regina resmungar seu nome. – E eu sei que você sabe sobre isso, porque eu aposto que seus amigos têm a mesma opinião que eu. – O garoto soltou um suspiro de lamento antes de concordar.
– Faz quatro anos que meus amigos inventaram a eleição da mãe mais gostosa. Faz quatro anos que a minha mãe é a vencedora. Faz quatro anos que tenho que ouvir absurdos sobre o que eles gostariam de fazer com ela. – Emma riu alto ao ouvir tal coisa.
– Está vendo, Regina Mills? Essas crianças pensam em você antes de irem para a cama e quando estão na cama também. – O comentário fez Regina lhe olhar de canto.
– Cala a sua boca e coloca seu cinto! – Ordenou, tentando pôr um fim àquele assunto absurdo.
– Um cinto no seu carro para chamar de meu? – Puxou o cinto de segurança e o atacou. – Amei essa ideia! – Ao ouvir tal coisa Regina deixou escapar um sorrisinho e murmurou um “idiota”.
– Ela morre de ciúmes desse carro, então aproveite SEU cinto, é a primeira vez que ela usa a palavra SEU, para referir-se a alguma coisa desse carro. – Pegou no pé da mãe, que o olhou por cima dos óculos pelo retrovisor.
– Cala a sua boca você também. – Ele piscou para a mãe que acabou sorrindo.
– Regina Mills, me deu um cinto! Regina Mills, me deu um cinto! – Emma cantarolou. – Eu gosto quando você faz cara de má e olha por cima dos óculos, faz de novo? – Pediu.
– Não. – A resposta negativa a fez mostrar a língua para a amiga.
– Chata! – Resmungou. – Você continua dirigindo como uma tartaruga. – Mudou de assunto, reclamando com a amiga, que não passava dos 60 km/h.
– Ninguém pediu a sua opinião.
– Mas eu gosto de dá-la mesmo assim. Aposto que você não sabe a velocidade final desse carro lindo. – Emma estava impressionada com interior do carro, com a quantidade de acessórios, botões, e apetrechos que faziam parte do painel.
– Não é um carro de corrida. – Regina respondeu sem se abalar.
– Tão pouco é um fusca. – Rebateu.
– Desista, você não vai convence-la. – Henry já tinha tentando muitas vezes fazer a mãe passar dos 80 km/h, nunca conseguiu.
– O que eu posso fazer, se você tem uma mãe medrosa, não é mesmo? – Fingiu desistência e desinteresse.
– Não confunda limite de velocidade com medo. – Regina resmungou, defendendo-se.
– Você acabou de pegar a avenida principal e nós acabamos de passar por uma placa de velocidade. – Emma a avisou.
– Segundo a placa o limite é 160 km/h. – Henry ajudou.
– Segundo Regina Mills, acabou de subir para 80 km/h. – Emma provocou, e tentou não sorrir quando sentiu o carro ser acelerado. O veículo dobrou de velocidade em questão de segundos, enquanto a morena dava seta e ia podando os carros que encontrava pela frente, surpreendendo e assustando um pouco o filho. Quando o carro chegou aos 180 km/h e ela ouviu um resmungo de Henry, decidiu enfim aliviar o pé do acelerador.
– Satisfeitos? – Indagou com os dois, enquanto sentia o coração bater apressado, e a adrenalina correr por suas veias.
– Você é o meu orgulho! – Emma lhe jogou um beijou, lhe arrancando um meio sorriso.
– Eu não sei como você fez ela fazer isso, nem se você consegue faze-la fazer todas as suas vontades, mas caso você consiga, preciso muito que se mude lá para casa. – O comentário de Henry soou mais como um pedido, fazendo a loira dar risada.
– Seu filho está me convidando para morar com vocês. Você disse que o cinto de segurança do seu carro é meu. Acho que vocês estão me querendo nessa família. – Usou um tom convencido, fazendo Regina abrir a boca algumas vezes até por fim achar uma resposta adequada e não comprometedora.
– Querida, para que exista a possibilidade de tal coisa acontecer, você tem que passar pela aprovação de Algodão. – Algodão não gostava de quase ninguém, Regina estava ansiosa para presenciar aquele encontro.
– Oh, por favor, não me chame de querida! – Emma resmungou em tom sério.
– Por que não? – Regina tirou a atenção da estrada para fazer tal pergunta.
– Porque não gosto de lembrar quem você chama, ou chamava de uma maneira bem parecida. – Respondeu com sinceridade. A morena balançou a cabeça em sinal de negativo.
– Eu chamo muitas pessoas assim, é quase como uma gíria. – Explicou-se.
– Entendo, mas por favorzinho, não me inclua nessas pessoas. – Regina voltou a balançar a cabeça em negativo, antes de dar de ombros.
– Ok. – Concordou e então um silêncio não muito confortável se fez presente entre os três. Emma estava pensando no apelido carinhoso pelo qual a amiga costumava chamar Robin. Henry estava pensando que Emma não queria que a mãe lhe chamasse daquele jeito, porque a mesma sempre chamou o marido de querido. Já Regina se perguntava o que tinha de tão grave naquela palavra.
– Então, depois de conquistar Algodão, o que acontece? – Emma resolveu pôr fim ao silêncio.
– Mãe? – Henry queria ouvi-la respondendo, também queria saber o que exatamente aconteceria.
– Conversamos sobre isso depois, caso você consiga conquista-lo. – Desvencilhou-se da pergunta, frustrando Emma e Henry.
– Você é esperta. – Resmungou com a amiga, arrancando um sorriso da mesma. Voltou-se para trás para olhar para Henry e o viu sorrindo para a tela do celular. – Como vai a sua garota? — A pergunta ganhou a atenção dele, que suspirou e rolou os olhos.
– Sonhando com os dezoito anos. – Contou em tom de lamento.
– Isso é ruim? – Juntou as sobrancelhas em sinal de dúvida.
– Quando ela completar dezoito, eu vou ter dezesseis, ou seja, não vou poder acompanha-la nas dezenas de festas que ela já está planejando ir, porque menor de dezoito é proibido de entrar em bares, boates e afins. – Compartilhou sua preocupação com a amiga.
– Vocês já conversaram sobre isso? – Quis saber.
– Já discutimos algumas vezes por causa disso. – Corrigiu a frase.
– Como você sabe sobre a garota dele? – Regina que até então limitava-se a ouvir, resolveu tentar participar daquilo, afinal tinha descoberto sobre a “namoradinha” do filho no dia anterior, já Emma parecia saber dela a um bom tempo.
– Longa história. – A loira respondeu, trocando um olhar cumplice com Henry.
– Tenho tempo.
– O segredo é seu, você conta. – Murmurou com o garoto, que suspirou, e coçou a cabeça em nervosismo.
– Essa é Kristen. – Contou para mãe, apontando para Emma, que olhou para amiga e acenou um pouco sem graça.
– O QUÊ? – Ambos se encolheram em seus bancos ao ouvirem o tom nada amigável da morena.
– Antes que comece a latir contra mim, não podia falar com você sobre isso, não era meu segredo, se eu falasse estaria traindo Henry. – Defendeu-se.
– Eu sentia falta dela. – Henry começou. – Ela era minha amiga, e de repente não podia mais ser.
– Eu disse para você o motivo pelo qual não podia mais ser. – Respondeu em tom irritado.
– E eu entendi, mas não significa que aceitei. – Defendeu-se. – Amigos não se dão as costas em momentos assim. – Regina abriu a boca para argumentar, mas percebeu que não tinha exatamente um argumento.
– Ela só estava pensando na sua segurança. – Emma saiu em defesa da amiga. – Ok, eu tenho uma boa parcela de culpa, afinal, eu quem concordava em ligar, fique brava comigo. – Pediu a Regina, que tinha um semblante sério e um tanto irritado.
– Não. Não fique brava com ela e nem comigo. Está tudo bem agora, não está? Pelo jeito está tudo resolvido entre vocês duas, então não fique brava. – Suspirou. – Ok, vocês são amigas, talvez mais do que isso, vocês são mulheres, mulheres brigam, ficam de mal, fazem as pazes, voltam a brigar e por aí vai, eu entendo, só não me metam nisso, ok? – Pediu. – Independente de tudo, Regina, você vai continuar sendo a minha mãe. Emma, você vai continuar sendo a minha amiga. – Como a discussão era mais entre mãe e filho, Emma não soube exatamente o que dizer, e nem se deveria dizer algo, então apenas balançou a cabeça concordando.
– Você está de castigo. – Regina o avisou.
– O QUÊ? POR QUÊ? – Indagou tão irritado quanto a mãe.
– Por mentir. – Respondeu sem se abalar com o tom de voz do filho. – Vai ficar sem sair de casa por um mês.
– Ótimo! Você está sempre certa. Verdade deveria fazer parte do seu nome. – Debochou irritado. A personalidade de Regina, Emma não tinha mais dúvida sobre Henry ter herdado a personalidade da mãe.
– Regina, você não precisa deixa-lo de castigo. – Emma e sua voz mansa, tentaram interceder.
– Sim, eu preciso. Parece que quanto mais eu odeio mentiras, mais elas aparecem na minha vida, então sim, eu preciso e vou deixa-lo de castigo. – Apertou as mãos contra o volante.
– Porque a vida não faz mas senti... – Antes que o garoto pudesse dar continuação a provocação, Emma voltou-se para trás e em um pedido mudo, o fez calar-se.
– Amanhã é o aniversário dele. – A loira tentou de novo.
– E?
– E não é legal ficar de castigo no aniversário. – Continuou.
– Também não é legal mentir. – Continuava irredutível.
– Eu sei que não. – Emma levou a mão esquerda até a mão direita da amiga, que repousava no encosto de braço. A agarrou e apertou, antes de entrelaçar seus dedos. – Então pelo menos adie o castigo para começar na segunda-feira. – Pediu. – Além de ser aniversário dele, é final de semana. Ele é um bom garoto, você sabe disso. Ele tem notas excelentes, sempre ajuda você na cafeteria, dá uma chance, vai. – Continuou sua defesa. Regina a princípio não respondeu nada, o que encheu Henry de esperança, sua mãe estava pensando sobre o assunto, tinha certeza que sim. Oh sim, ele com certeza queria levar Emma para morar com eles. – O que você me diz? – Regina odiava, odiava aquele tom de voz baixo e pidão de Emma, porque ela sempre, sempre acabava conseguindo o que queria. Suspirou e para não dar o braço a torcer, resolveu que não diria de imediato que tinha concordado.
– Vou pensar. – Resmungou de mal gosto, o que fez Emma trocar um rápido olhar com Henry e sorrir, sim, ela tinha cedido.
– Você precisa me responder, porque preciso dizer para Anna se vou ou não ao cinema. – Henry explicou.
– Em que cinema pretendem ir? – Ainda estava irritada com o filho, então a pergunta saiu ríspida.
– Naquele perto de casa. – Respondeu tranquilamente. – Depois iriamos a casa de Ruby, ela não quer ficar sozinha com Nathalie por motivos que faço de conta não entender, então me chamou para ficar lá hoje a noite de novo, como amanhã ninguém trabalha e nem estuda, podemos estender a jogatina. – Regina o olhou pelo retrovisor. Ruby já tinha lhe falado sobre a nova rodada de jogos de videogame, na verdade a ruiva insistiu para que Henry ficasse na sua casa, não pelo fato de não querer ficar sozinha com Nathalie, porque Regina tinha certeza que ela queria e muito aquilo, mas sim pelo fato de deixar a morena sozinha com Emma.
– Anna também pretende ficar na casa de Ruby? – O garoto negou.
– Não, claro que não. O pai dela vem busca-la mais tarde. – Explicou.
– Vou ligar para Ruby e confirmar isso, já que não sei se posso confiar no que você diz. – Ao ouvir tal coisa, Henry rolou os olhos, mas resolveu não rebater a provocação.
– Isso significa que estou liberado? – Foi direto ao ponto.
– Isso significa que seu castigo começa na segunda-feira. – Henry levantou os braços em sinal de comemoração, antes de apertas as mãos nos braços de Emma. – Cara, eu te amo! – A declaração empolgada fez a loira rir.
– Eu sei, sou uma pessoa muito amável. – Comentou rindo.
– Você pode me deixar em frente ao cinema? – Pediu a mãe. – Ela já está me esperando. – Regina não disse nada, a mentira do filho tinha a deixado de mal-humor, o que a fez fazer o resto do percurso em silêncio, enquanto Henry e Emma, como os melhores amigos que tinham se tornado, foram tagarelando sem parar sobre a tal Anna.
A morena estacionou em uma vaga próximo a entrada do cinema e sem vontade alguma, levantou a mão, sorriu e acenou, quando de longe viu Anna levantar a mão para ela. Não era fácil ser sogra, era?
– Eu preciso de dinheiro. – O filho meio que avisou, meio que pediu.
– O que aconteceu com o dinheiro da mesada? – O indagou.
– Eu comprei alguns livros e alguns jogos a mais. – Explicou-se.
– Tenho cara de banco ou caixa-forte? – Continuava mal-humorada.
– Por favor? – Implorou a fazendo suspirar.
– Alcança a minha bolsa. – Pediu e foi prontamente atendida. Tirou a carteira da bolsa, pegou cinquenta dólares e o estendeu ao filho sem se dar ao trabalho de olhar para trás.
– Só cinquenta? – Reclamou ao pegar o dinheiro.
– Só cinquenta? Quantos filmes pretende assistir? – Questionou indignada.
– Um, e depois tem a pipoca, o refrigerante, o jantar. – Explicou.
– Cinquenta dá para isso tudo.
– Mas é tudo em dobro. Não quer que eu deixe Anna pagar o dela, quer? – Ao ouvir tal coisa, a morena tirou os óculos e voltou-se para o filho.
– Mas é claro que eu quero! – Respondeu o obvio. – É tudo em dobro e quem está pagando por isso sou eu. Deixe para ser cavalheiro quando ganhar o seu próprio dinheiro. – Descrente, balançou a cabeça. – É por isso que o dinheiro da sua mesada está acabando tão rápido. – Concluiu.
– Se não quer me dar, então me empresta, e desconta da próxima mesada. Por favor? – Ainda incrédula, bufou e tirou mais cinquenta da carteira.
– Pode ter certeza que vou descontar. – Avisou ao lhe entregar o dinheiro.
– Obrigado! – Lhe sorriu. – Eu amo você, não precisa ficar com ciúmes. – Inclinou o corpo para frente, segurou a mãe pelos ombros e lhe deu um beijo, antes de voltar-se para Emma, que tentava não rir da amiga ciumenta e ranzinza. – Tchau, mulher das tatuagens! – Sorriu para a amiga.
– Tchau, garoto Netflix! Divirta-se! – Balançou a cabeça concordando.
– Você também. Nos vemos amanhã? – Emma afirmou.
– Se você voltar para casa antes das 13:00hrs, pode apostar que sim. – Ele voltou a inclinar-se, dessa vez em direção a Emma.
– Até amanhã então! – Lhe beijou o rosto, pegou sua mochila e sem dizer mais nada, foi.
Regina suspirou ao prender os olhos no filho enquanto ele caminhava até o grupo de amigos. Suspirou chateada antes de recostar a cabeça no volante.
– Ele gosta mesmo dela? – Murmurou com Emma que afirmou.
– Gosta.
– Ela gosta dele? – Emma tinha os olhos em Henry, que estava abraçando a menina.
– Eu não sei. – Soltou com o ar. – Eu sei o que ele me conta, e ele me conta sobre ele, sobre os sentimentos deles. – Explicou.
– Mas o que você acha? – Sabia que a amiga tinha uma opinião formada, e sabia que Emma não costumava se enganar com relação às pessoas.
– Eles estão no mesmo ano, mas tem dois anos e alguns meses de diferença e embora isso não venha a ter importância daqui alguns anos, agora tem. Ela já está fazendo planos para festas e ele continua centrado no videogame, livros e TV e mesmo que ele queira acompanha-la, não vai poder. – Apontou em direção a eles. – E o abraço, não botei fé no abraço. – Regina levantou a cabeça para assistir a tal coisa, mas já tinha chego ao fim.
– Resumindo, ele terá sua primeira desilusão amorosa. – Lamentou-se pelo filho.
– E o que você pretende fazer sobre isso? – A morena deu de ombros.
– O que eu gostaria de fazer? Afasta-los. O que eu vou fazer? Absolutamente nada. Não posso me meter, posso? – Emma sorriu.
– Pode. Mas não acho que deva. – Opinou.
– Isso é tão difícil. – Resmungou, fazendo Emma sorrir e lhe afagar a mão.
– Imagino que seja.
– Você acha que eles já... – Argumentou fazendo sinais com as mãos, o que fez a amiga rir.
– Transam? Não, ainda não. Mas acho que você deveria conversar com ele sobre o assunto, porque a menina está dando claros sinais do que quer. – Ao ouvir tal coisa, Regina deixou o corpo escorregar pelo banco.
– Ah Deus, ele é só uma criança! – Voltou a lamentar.
– Amanhã ele faz quinze, Regina. – Emma tentava não rir da amiga que estava claramente tendo uma crise de mãe.
– Quando eu tinha quinze, eu no máximo beijava na boca.
– Quando você tinha quinze, você teve algumas oportunidades, não fez porque Daniel fazia parte dos seus sonhos cor de rosa. – Esclareceu. – Henry está tendo a oportunidade com a garota que ele gosta, então, apenas tenha aquela conversa de pais com ele, o lembre de proteger-se e só. É o que você pode fazer. – Não gostava nem um pouco daquela história. Sua cabeça doía só de pensar.
– Eu não consigo falar com ele sobre isso, ele foge antes mesmo de eu conseguir começar. É como se falar sobre esse assunto comigo, fosse a coisa mais errada e assustadora do mundo. – Reclamou.
– Então deixa comigo, eu o faço me ouvir. – Ofereceu-se, e Regina prontamente concordou com a cabeça. Não sabia o tipo de amizade que eles tinham, mas se Henry falava abertamente sobre Anna com Emma, então falaria sobre todo o resto também.
– Obrigada! – Foi surpreendida pelos lábios da amiga tocando seu rosto.
– De nada, mãe ciumenta. — A beijou mais uma vez antes de afastar-se. – Sabe, eu definitivamente acho que vocês deveriam me chamar para fazer parte dessa família, independente da aceitação do Algodão. – A morena lhe olhou pelo canto dos olhos e escondeu um sorrisinho.
– Quero saber a opinião dele primeiro. – Avisou ao dar a partida no carro.
(...) — Então... – Emma pigarreou, completamente nervosa enquanto olhava para a figura a sua frente, que lhe lançava um olhar ameaçador. – Bonita a sua casa. – Sorriu. – Bacana essa parede de vidro, fica tudo tão claro e arejado. E nossa! A vista é incrível. Você gosta do pôr do sol? – Se sentia cada vez mais intimada. A verdade é que estava com medo de se mover um centímetro que fosse, temia perder alguma parte do corpo. – Ok, ouça-me. – Suspirou e passou os dedos pelos cabelos. – Eu amo a sua dona, amo para valer, amo de verdade, acho que desde sempre. – Embora naquele momento, Regina não estivesse merecendo seu amor, já que subiu para tomar banho e a deixou ali sozinha com aquele cão de olhar assassino. – Ela é muito importante para mim, e eu quero muito ficar com ela. Sabe como é? Morar junto, andar de mãos dadas por aí, assistir filmes melosos espalhadas nesse sofá. E que sofá, hein? Melhor do que muitas casas inteiras por aí. – Se não tivesse tão preocupada em conquistar Algodão, Emma ainda estaria de queixo caído, admirando cada parte daquela incrível sala de estar. – Enfim, além de tudo isso que falei, beijos, abraços e sexo, também fazem parte do pacote. Você não tem nada contra, tem? Me diz que você não é preconceituoso, por favor! Caso você seja, precisa assistir mais à programação da Netflix, tenho certeza que vai abrir sua mente. – Algodão continuava imóvel, sequer piscava, enquanto Emma continuava falando sem parar. – Você não foi com a minha cara, foi? – Indagou desanimada. – Oh, por favor, eu posso ser legal. Posso levar você para passear, posso te arrumar uma namorada, o que você me diz? – Suspirou. – Comida talvez? Aposto que Regina não dá nada para você além de ração. O que você me diz sobre um pedaço de filé mignon? – Coçou a cabeça. – Não? Ossos? Um gato talvez? Panquecas? Ah, qual é cara? Todo mundo gosta de panquecas. – Nunca pensou que pudesse existir no mundo, alguém mais difícil de se conquistar do que Regina, até é claro, conhecer o cachorro dela. – Bacon? Ovos? X-Burger? Pizza? Chocolate? Doritos? – O latido alto do cachorro, fez Emma pular de susto. – Doritos? – Ele voltou a mesma posição linha dura. – Chocolate? – Os olhos da loira brilharam ao descobrir a palavra mágica. Algodão ficou sobre as quatro patas e começou a latir ao ouvir tal coisa. – Ah meu Deus! Chocolate! Chocolate! Chocolate! – Emma comemorava enquanto o cachorro latia sem parar. Enfim, descobriu do que ele gostava, só precisava agora, saber como se aproximar e compra-lo.
– O que está acontecendo aqui? – Ao ouvir seu cachorro latir sem parar, Regina desistiu de ficar escolhendo roupas, para a sua “noite do pijama”, e as pressas correu em direção a sala, com medo de que Algodão estivesse devorando Emma. Aliviada ao constatar que os dois estavam bem, levou a mão ao peito e soltou o ar preso em seus pulmões. Desceu o resto das escadas tranquilamente, e encarou o cachorro que ao ouvir sua voz, parou de latir. – Você pode dormir lá hoje. – Referiu-se ao quarto. – Mas não ocupe a cama toda, deixe um lado para mim. – O cachorro caminhou até a dona, e parou em sua frente, fazendo Regina rolar os olhos e abaixar-se. – Muito folgado você. – Murmurou com ele, enquanto lhe afagava os pelos da cabeça. – Boa noite, Algodão! – Desejou. – Não me olhe assim, sei que ainda não é noite, mas é melhor você subir. – O bicho chorou em protesto. – A não ser que prefira dormir na garagem. – Deu outra opção. — Você quem sabe. – O cachorro lhe lambeu a bochecha, para logo em seguida subir as escadas correndo, o que fez sua dona rir.
– Sempre persuasiva. – Emma que acompanhou toda a cena com um sorriso bobo no rosto, comentou com a amiga, que lhe sorriu e se pôs de pé.
– Faço o meu melhor! – Lhe respondeu.
– Acho que você deveria subir e trocar de roupa. – Sugeriu sem tirar os olhos da amiga, que trajava um vestido curto e solto, de cor azul marinho e mangas 3/4. Um cinto fino de cor cinza, lhe marcava a cintura, dando um ar despojado e sensual. Em volta do seu pescoço, tinha uma echarpe da mesma cor e tom do cinto.
– Por quê? – Questionou em tom preocupado e duvidoso, enquanto olhava para a própria roupa tentando achar o problema.
– Eu gosto das suas pernas, você sabe. – Falou sem tirar os olhos de lá. – O que você não sabe é o quanto eu já estou gostando desse vestido. O quanto ele deixa você... – Procurou uma palavra para se expressar. – A verdade é que eu gostaria de tira-lo. – Falou por fim, ao parar os olhos nos da amiga. – Você não tem um pijama comprido ou coisa assim? – Regina rolou os olhos e balançou a cabeça em sinal de negativo. A sinceridade de Emma, fez suas bochechas arderem.
– Quer mesmo que eu troque? – Apontou em direção as escadas, ameaçando ir.
– Sim. – Ao ver que Regina faria mesmo aquilo, resolveu mudar de ideia. – Não. Não. – Tentou sorrir. – Eu posso lidar com isso. – Garantiu. – Você é tipo, o frango delicioso de padaria e eu sou o cachorro de rua, que fica salivando, assistindo o frango rolar e rolar dentro daquela máquina. – Ao ouvir tal comparação, Regina juntou as sobrancelhas e engoliu a vontade de gargalhar.
– O quê? – Usou o tom mais sério que conseguiu, deixando Emma constrangida pela comparação que fez.
– Nada. – Balançou a cabeça muitas vezes. – Absolutamente nada. Esquece. – Pediu. – Podemos fingir que eu não falei isso? – Voltou a pedir. Regina balançou a cabeça em sinal de negativo, antes de começar a rir.
– O que aconteceu com a Emma segura e experiente que eu deixei aqui embaixo? Porque aposto que essa Emma que está falando comigo, está com a mãos suadas e o coração acelerado de puro nervosismo. – Implicou com a amiga.
– Acho que fiquei tempo demais sozinha, e meio que isso me fez surtar. Quer dizer! Eu estou na sua casa, na sua sala... – Suspirou e apontou para o piano. – O seu piano... Eu estou mesmo aqui e é tudo tão intimidador. – Nervosa, passou os dedos pelos cabelos. — E o seu cachorro! Meu Deus! Ele é aterrorizante. Preferia mil vezes encarar seu pai e dizer para ele que tenho sonhos eróticos e muito sujos com você todas as noites, do que passar alguns minutos com o Algodão. – Desabafou, arrancando uma sonora gargalhada da amiga, que ouvia a tudo de braços cruzados.
– Não surte, Emma! – Pediu ainda rindo. – É só um cachorro. – Emma respirou fundo e bateu com a mão sobre o sofá, pedindo que a amiga se sentasse lá. Foi o que ela fez, descruzou os braços, caminhou até o sofá e apesar do mesmo ser enorme, sentou-se ao lado de Emma, com seus braços tocando os dela.
– Posso perguntar qual o nome do perfume que você usa? – Questionou enquanto inspirava aquele cheiro bom.
– Candy, por quê? – Porque com certeza encomendaria um tal Candy, com Red, a cozinheira da prisão, que de um jeito ilegal, conseguia trazer algumas coisas de fora da prisão. Precisava daquele perfume, precisava borrifa-lo em suas coisas, com certeza aquilo ajudaria a matar um pouco da saudade que iria sentir da amiga.
– Porque é cheiroso. Meu cheirados gosta muito dele. – Apontou para o nariz, de novo fazendo a amiga rir.
– Melhor do que cheiro de frango de padaria? – Emma assentiu.
– Infinitamente melhor. – Garantiu. Como se desse continuidade aquela conversa, acabaria mais uma vez envergonhando a si mesma, resolveu mudar de assunto. – Eu gostei da sua casa. E essa sala? Meu Deus! Ela é perfeita. Gostei do paredão de vidro, fica tudo tão arejado e claro. E gostei do piso branco, gostei do contraste que dá com esse tapete preto enorme. Gostei do tapete também, ele é tão peludo e parece ser tão fofinho. Quando olho para ele, quase consigo ouvi-lo me chamando, tipo: venha Emma, deite e role. – Falava com empolgação. – E achei muito bem pensando usar uma parede para fazer as escadas. – Apontou para trás de si, onde estava as escadas. — A madeira preta que você usou para os degraus, sobre a parede branca, dá a impressão que os degraus estão flutuando. – Passou os olhos pela sala enorme, pensando em mais algum comentário que queria fazer. – E esse sofá? Nunca sentei em um sofá tão comprido e largo, macio e confortável. Poderia passar o resto da minha vida sentada nele. Gostei da cor branca com os braços pretos. Aliás, você mesclou muito bem o branco com o preto, ficou tudo tão maravilhoso. – Elogiou. – Só fiquei em dúvida sobre uma coisa, essa coisa ali é mesmo uma lareira? – Apontou para em direção a sua desconfiança, encostada na parede, logo abaixo a televisão de incontáveis polegadas. Era uma peça quase da largura da parede, com no máximo meio metro de altura, revestida de aço.
– Sim, é a lareira. – Regina respondeu sorrindo.
– E a chaminé, cadê? – Juntou as sobrancelhas, enquanto tentava desvendar aquela lareira.
– Não tem. É uma lareira ecologicamente correta. – Explicou. – Funciona com etanol. – Emma tirou os olhos daquela coisa ecologicamente correta e encarou a amiga.
– Sem madeira? – Indagou perplexa com tal tecnologia.
– Sem madeira. – Regina garantiu.
– Sem fumaça? – Fez outra pergunta.
– Graça a Deus, sem fumaça. – Voltou a garantir.
– Isso não existe! – Murmurou admirada. A morena voltou a sorrir, inclinou o corpo para frente e estendeu o braço, pegando um controle em cima da mesa de centro.
– Observe. – Apontou para a lareira, antes de apertar o botão do controle remoto, fazendo com que a mesma fosse acesa.
– UAU! – Exclamou admirada. – UAU! Uma lareira sem chaminé, sem fumaça e que liga com controle remoto? — Indagou incrédula. – UAU! Definitivamente, eu quero morar aqui. – Seu comentário empolgado arrancou outra gargalhada da amiga, que se divertia ao ver o quanto os olhos da loira, brilhavam de empolgação. – Como isso funciona?
– Tem um queimador dentro dela, onde vai o etanol e obviamente um dispositivo para que eu consiga usar o controle remoto. É só encher o dispositivo de etanol e pronto, o resto faço pelo controle. Consigo aumentar e diminuir as chamas, assim como ligar e desligar. – Explicou. Emma estava boquiaberta, olhando para a lareira ecologicamente correta.
– Incrível. – Murmurou. – E como você sabe quando o etanol está acabando?
– Ela começa a apitar. – Explicou.
– Isso é fantástico. – Tirou os olhos do fogo e voltou a encarar Regina. – Sua lareira é demais, seu sofá é demais, o tapete, as escadas, a iluminação no teto de gesso, essa TV linda, até esses quadros com um monte de riscos que você vai me dizer que é abstrato é demais. – Suspirou. — Essa sala é incrivelmente fantástica. Ela é tão grande que ainda nem consegui comentar sobre a outra parte. – Apontou para o lado esquerdo, onde estava o piano e o bar. — Você quer que eu fale sobre, ou acredita em mim se eu dizer que aquela parte é tão maravilhosa quanto essa? – A emoção nas palavras que Emma falou sem praticamente respirar, fez a morena sorrir.
– Eu acredito em você. – Garantiu.
– Foi você quem projetou a casa? – Não que tivesse dúvidas sobre aquilo, perguntou só por perguntar.
– Sim. Projetei, decorei e mobiliei. – Contou.
– Não esperava nada menos de você. – Pegou no pé da amiga. – Estou apaixonada por esse lugar, Algodão é um cachorro de muita sorte. – Pegou a mão da morena que descansava sobre suas pernas cruzadas e juntou a sua. – Você não está precisando de uma cozinheira, faxineira, arrumadeira, escrava sexual, ou algo assim? – Regina riu alto.
– Posso pensar a respeito. – Respondeu rindo.
– Pense com carinho. – Pediu. – Posso assistir todos os dias o sol se pôr, junto com você. – Sua mão apontou em direção a parede de vidro, onde lá fora tons de laranja, vermelho e roxo, ganhavam o céu. – E quando não tiver sol, podemos assistir a chuva. E quando não tiver chuva, podemos assistir a neve. — Regina suspirou, e recostou a cabeça nos ombros da amiga, que aproveitou tal coisa, para passar seu braço em volta dos ombros da ex-namorada. – Podemos fazer isso todos os dias, de todos os meses, de todos os anos. Talvez o sofá mude, talvez a TV se torne ainda maior, talvez você descubra uma lareira ainda mais ecologicamente correta, talvez desista dos quadros com pinturas abstratas, talvez resolva mudar de casa. – Suspirou. – Incerteza é o que mais existirá em todos esses dias, meses e anos, mas você e eu, isso é tão certo, isso nunca vai mudar. Você sabe disso, não sabe? – Murmurou com a amiga, sem tirar os olhos do horizonte lá fora. Regina que também tinha os olhos no horizonte, apenas afirmou com a cabeça.
– Eu preciso de você, Emma, eu preciso de você para lembrar o quão espetacular é assistir o sol se pôr. Preciso de você para se enfiar debaixo das cobertas comigo em um dia de chuva e assistir alguma coisa velha na TV. Preciso de você, para arrasta-la para fora de casa em um dia de neve, e relembrar o quanto nos divertíamos em dias assim. Eu só... – Sorriu. – Realmente preciso de você. – Soltou com o ar.
– É por esses motivos, e incontáveis outros, que eu também preciso de você, Regina Mills. – Sorriu e apertou a mão nos ombros da amiga. Em um silêncio aconchegante e acolhedor, assistiram a noite ir aos poucos ganhando o dia. Enquanto suas mentes relembravam, faziam planos e pediam a Deus ou a quem quer que fosse, que as coisas entre elas, finalmente dessem certo.
Não era um grande pedido, certo? Tal coisa não daria muito trabalho a Deus. Não era algo impossível, nem que lhe ocuparia muito tempo. Ele só tinha que pedir para quem quer que fosse que vivia ferrando com a vida das duas, parar de fazer aquilo. O resto elas com certeza conseguiriam fazer sozinhas. Só precisavam de uma pequena ajuda, apenas isso.
– Dormiu? – Emma sussurrou a pergunta.
– Não. – Regina soltou com o ar, suspirou e desencostou-se da amiga. – Você já está com fome? – A loira negou.
– Na verdade, ainda não.
– Certo. Quer beber alguma coisa? – Indagou ao pôr-se de pé. – Água, suco, refrigerante, cerveja sem álcool? – Deu as opções.
– Quem em sã consciência toma cerveja sem álcool? – Juntou as sobrancelhas em sinal de dúvida.
– Quem não pode ingerir álcool. – Respondeu o óbvio.
– Gosto de cerveja justamente porque tem álcool. – Explicou também o obvio. – Estou bem assim, obrigada! – Regina assentiu.
– Ok, então vou buscar alguma coisa para mim. – Apontou em direção a adega que ficava próxima ao bar.
– Faça de conta que a casa é sua. – Regina sorriu e assentiu, antes de caminhar em direção ao bar. Emma acompanhou cada passo do andar gracioso e seguro, e só tirou os olhos da ex-namorada, quando a mesma se abaixou atrás do balcão do bar.
A loira suspirou, pegou sua humilde mochila que estava ao lado dos seus pés e tirou de lá, o que restava das suas balas de Halls. Jogou uma para dentro da boca, amaçou a embalagem que continha a última bala e se pôs de pé.
Passou os olhos pela sala enorme, sem saber direito para onde ir, ao baixar os olhos, o tapete voltou a convida-la para prova-lo. Sorriu para ele, e tirou os sapatos, soltou um suspiro de alivio ao sentir os pés livres daquela coisa desconfortável. Sem pensar duas vezes, pisou no tapete, e teve vontade de ronronar ao sentir a sensação boa, de pisar naquele pedaço do céu.
Arrastou os pés por alguns minutos, até seus olhos pararem no piano e ela resolver ir até ele, não sem antes fazer uma promessa muda ao tapete, que ainda naquela noite, se deitaria sobre ele, e se tudo desse certo, Regina faria o mesmo.
Ao alcançar o piano, foleou a pasta de partituras até encontrar alguma música que não fosse clássica. Surpreendeu-se com a variedades de músicas não clássicas que lá havia, e perdeu algum tempo tentado decidir-se por alguma. Depois de enfim decidir-se, sentou-se e como se soubesse exatamente o que fazer e como fazer, afundou os dedos nas teclas do piano.
Regina que até então degustava seu vinho, encostada no balcão do bar, enquanto se divertia assistindo a loira esfregar os pés em seu tapete, como se fosse uma criança, fez careta ao ouvir seu piano ser surrado. Emma não tinha noção do que estava fazendo, mas mesmo assim fazia, exatamente como quando era criança e insistia em dizer que tinha aprendido a tocar o instrumento.
Gostava do olhar atendo da loira sobre a partitura, e do jeito que ela juntava as sobrancelhas quando não tinha certeza se estava lendo a coisa certa, e dos visíveis suspiros frustrados que aconteciam com cada nota errada, e com a insistência da amiga em continuar com aquilo.
Quase conseguia ver a sua amiga de infância ali, sentada ao lado de quem ela tinha se tornado. Eram tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes. Tinha um mundo que as separava e pequenos, mas significativos detalhes que as uniam. De qualquer jeito, uma coisa elas tinham em comum, Regina.
Ria da situação e de seus pensamentos, enquanto decidia se iria ou não, salvar seu piano que naquele momento já gritava por ajuda. Tomou mais um pouco da sua bebida, encheu sua taça e resolveu que iria interceder pelo coitado, afinal, ele não merecia aquele fim.
– Você continua sabendo exatamente como maltratar um piano. – Provocou ao parar ao lado do instrumento e encostar-se no mesmo.
– E você continua a mesma desagradável de sempre. – Os olhos de Emma não perderam nenhum detalhe quando a amiga levou a taça de vinho a boca e degustou a bebida. Oh Deus! Aquilo era melhor, muito melhor do que imaginava.
– Faço o meu melhor! – Sorriu para Emma, que sem pensar levou as mãos até a echarpe da amiga, e a puxou, a fazendo ficar entre suas pernas.
– Sim, você faz. – Murmurou. Suas mãos pararam na cintura da morena e a fizerem sentar sobre as tecladas do piano, arrancando do mesmo sons nada harmônicos. – Regina, eu preciso muito saber, o que nós somos? – Ok, Regina foi até sua casa, passou a noite lá, de manhã quase acabaram se beijando, tomaram café da manhã juntas e a morena apareceu no sepultamento de sua vó. Agora elas estavam na casa da morena, e tinham meio que feito planos, o que fez Emma concluir que tinham retomado a amizade, mas precisava saber urgentemente de uma vez por todas se seriam algo mais do que amigas. Queria que aquilo ficasse bem esclarecido antes de partir para o ataque. Afinal, sempre gostou das coisas bem explicadas. Nunca foi boa em pegar as coisas no ar, principalmente quando se tratava de Regina.
Só para provocar, Regina levou a taça até a boca e sem pressa nenhuma, bebericou seu vinho.
– Pessoas? – Indagou por fim, o que fez Emma lhe mostrar a língua. – Amigas? – Tentou de novo.
– Só amigas? – Emma roubou a taça de vinho da ex-namorada, e a colocou no chão, debaixo do banco em que estava sentada.
– Por enquanto. – Regina prendeu os braços no pescoço da loira.
– E o que exatamente amizades como essa fazem quando o assunto é um piano, uma sala, lareira e um tapete? – Regina abriu um sorriso presunçoso.
– Eu posso pensar em algumas coisas. – Sua resposta fez Emma sorrir também.
– Pode? – A morena afirmou com a cabeça, se pôs de pé, e fez sinal com a mão.
– Sente-se mais para trás, me dê um espaço. – Pediu, e prontamente foi atendia, então sentou-se entre as pernas de Emma, com o corpo voltado para o piano.
– Podemos começar pelo piano, o que você estava tentando tocar? – Repousou as mãos sobre as teclas, enquanto olhava a partitura.
Emma voltou a sorrir, claro que Regina não iria direto ao ponto, afinal era Regina. Levou a mão até nuca da ex-namorada, e caprichosamente seus dedos passaram pelos seus cabelos, até deixá-los todos de um lado só. Roçou o nariz na pele exposta da morena, e aspirou o máximo que pôde do seu perfume, tal ato fez os pelos do corpo de Regina se eriçarem, a mesma fechar os olhos e afundar os dedos nas teclas do piano.
– I’ll stand by you. – Sussurrou o que estava tentando tocar, ao pé do ouvido da amiga, lhe arrancando um outro suspiro. Sorriu satisfeita ao perceber o quanto o corpo da ex-namorada respondia suas pequenas caricias, podia faze-la desistir do piano naquele momento, mas a verdade é que queria prolongar o máximo possível o que viveriam aquela noite. Seus lábios tocaram a nuca da morena, antes de apoiar o queixo nos ombros da mesma, recostar seu rosto no de Regina, e abraçar-se a cintura da ex-namorada. – Mas eu definitivamente, não sei ler partituras. – Murmurou em um tom de lamento.
– Ok! – Regina pigarreou enquanto tentava acalmar seu coração acelerado e suas mãos um pouco tremulas. – Eu gosto dessa. – Contou ao ler a partitura. – Me faz pensar em você. – Admitiu ao dar início as primeiras notas.
– Então você toca essa coisa melosa pensando em mim? – Provocou sorrindo, arrancando um meio sorriso envergonhado de Regina.
– E em quem mais eu pensaria? – Fechou os olhos e entregou-se a melodia.
Por um tempo, Emma nada disse, apenas ficou cantando a letra da música em sua cabeça, enquanto admirava a amiga tocar com maestria. Regina continuava a amando, não continuava? Depois de tudo, de algum jeito, ela continuava a amando.
Perguntou-se como um dia pôde duvidar daquilo, como um dia pôde ter fugido, ter ido embora. Geralmente quando as pessoas encontram aquilo que lhes fazem felizes, lutam com unham e dentes por tal coisa, mas Emma sendo Emma, foi idiota suficiente ao ponto de nem tentar, de desistir antes de começar. Teria dado certo, não tinha nenhum tipo de duvida que teria, aquilo estava tão claro, talvez sempre esteve.
Se Regina continuava a amando, continuava ao seu lado mesmo sabendo de toda a sua vida errada, com certeza teria permanecido quando sua vida era bem menos complicada.
Ok, estavam ali, talvez conseguisse contornar a situação, rezava para aquilo, mas não conseguiria consertar todas as mentiras que disse, as magoas, a solidão, insônia, e sofrimento que causou.
– Eu não mereço você. – Lamentou-se.
– Talvez não. – Regina murmurou, ainda de olhos fechados.
– Então por que não desiste de mim? – Não que quisesse que aquilo acontecesse, só precisava saber o motivo.
– Porque segundo meu filho, você é a minha pessoa. Como eu posso desistir da minha pessoa, por mais errada que ela seja? – Respondeu simplesmente, com uma sinceridade inquestionável.
– Eu machuquei você, tanto ou mais do que Robin, e eu sou tão idiota, que só agora me dei conta disso. Mas ao contrário dos machucados que ele deixou em você, os meus não são visíveis, mas sei que doem tanto quanto ou um pouco mais. – Aquela era a verdade, que por ser egoísta, ignorou por todo aquele tempo.
– Sim, você fez isso. – Concordou. Então suspirou, desistiu do piano e abriu os olhos. – Mas você é como a Rainha Má, da peça que apresentamos na prisão. Você tem o veneno, mas tem também o antidoto. Você é a única que tem o antidoto, Emma. – Soltou com o ar.
– Sei que eu já disse isso incontáveis vezes, mas vou dizer pelo resto das nossas vidas, eu sinto muito, Regina. Sinto muito mesmo, por tudo. – Regina concordou com a cabeça.
– Eu sei. Apenas, não faça mais isso, pare de entrar e sair da minha vida, Emma. Você pediu para eu não me afastar, mas quem sempre acaba fazendo isso é você, por um motivo ou por outro, você sempre acabada nos afastando. Não use mais o antídoto, porque se você fazer isso, é porque não usou também o veneno, ok? – Pediu.
– Ok. – Emma concordou de imediato. Beijou o rosto da morena e suspirou. – Você sabe que é a minha pessoa também, certo? – Declarou-se, fazendo Regina sorrir.
– Tenho uma leve desconfiança. – Respondeu, antes de retomar a melodia.
– Boba! – Exclamou sorrindo. — Você quer que eu cante? – Regina negou.
– Não. Não estrague a música. – Provocou, fazendo Emma apertar seus braços em volta dela.
– Um dia ainda faço você admitir que canto muito bem, obrigada! – Ouvir tal absurdo fez de novo a morena rir.
– Na próxima encarnação quem sabe. – Voltou a provocar, fazendo Emma virar o rosto para beijar sua bochecha.
– When you're standing at the crossroads, don't know which path to choose, let me come along, cause even if your wrong, I'll stand by you. – Sussurrou o trecho da música que não tinha nada a ver com a parte em que Regina estava. – Eu gosto dessa música também. Ela parece dizer muitas coisas sobre nós. – Desfez-se do abraço, levou as mãos até os ombros da amiga e os massageou, antes de escorregar os dedos pelos braços da ex-namorada, até alcançarem as mãos dela. As deixou sobre as de Regina por algum tempo, deixando a morena conduzir a melodia. – Estou tocando maravilhosamente bem. – Murmurou sorrindo, o que fez Regina parar de tocar.
– Continue. – Provocou, fazendo Emma recolher as mãos e puxar as da amiga junto com as suas, voltando a abraçar-se ao corpo da morena e a fazendo fazer o mesmo.
The Pretenders — I'll Stand by You
– Não quero mais, cansei dessa brincadeira. – Fingiu birra, arrancando uma risada da morena, que inclinou um pouco a cabeça para o lado, para conseguir olhar a amiga.
– Do que você quer brincar agora? – Embora a pergunta não tenha sido feita com segundas intenções, percebeu que a fez, quando os olhos de Emma pararam nos seus, antes de concentrarem-se em sua boca.
– Do que você quiser. – Sussurrou a resposta. – Estou por você. – Suspirou e voltou a concentrar os olhos nos da amiga, que instintivamente, aproximou o rosto do de Emma, e juntou os lábios aos dela para um breve beijo, arrancando da mesma, palpitações e um longo suspiro. – Vem aqui, não foge não. – Pediu de olhos fechados, quando sentiu Regina se afastar. Seus braços desfizeram-se do abraço, subiu uma mão até o rosto da amiga, e a trouxe de volta. Voltou a suspirar quando os lábios de Regina roçaram os seus, brincando, provocando, buscando o melhor jeito de encaixarem-se.
O coração de Emma batia forte, tão forte, que talvez fosse possível ouvi-lo, assim como era possível ouvir sua respiração que se tornou pesada, perante aquele momento. Depositou um beijo demorado sobre a cicatriz da morena, outro sobre o canto de sua boca, até por fim, tomar-lhe os lábios.
Devagar, prendeu o lábio superior da amiga entre os seus, em seguida fez o mesmo com o inferior, então os tornou imóveis sobre o da ex-namorada e sorriu. Seus olhos permaneciam fechados, recostou sua testa na da amiga, enquanto ouvia a respiração pesada dela acompanhar a sua. Sua mão agarrou a nuca da ex-namorada, e a acariciou, enquanto seu nariz brincava com dela.
– Senti tanto sua falta. – Sussurrou com voz embargada, perante ao sentimento de felicidade que tomava conta de si. – Tanto, que as vezes era difícil até de respirar. – Confessou.
Regina suspirou, seu corpo todo tremia em um misto de ansiedade, felicidade e nervosismo. Passou o último ano sofrendo, se martirizando, se convencendo que aquilo jamais voltaria a acontecer e lá estavam elas, diante do impossível.
Amava tanto aquela mulher confusa e complicada, amava tanto que já não se importava mais com o certo ou com o errado. Tudo que queria era jogar-se nos braços de Emma, e permanecer lá para sempre. A noite mal tinha começado, e desejava mais do que tudo, que ela nunca terminasse.
Queria torna-la eterna, queria aquele momento para sempre, queria que o mundo parasse naquela noite, queria poder viver aquilo para sempre. Não queria mais privar-se de Emma, dos seus sentimentos, da sua felicidade.
– Não chore. Prometo ficar dessa vez, para sempre, ou o mais próximo disso possível. – Emma sussurrou a promessa. A morena sorriu, concordou com a cabeça e voltou a juntar seus lábios. Se deu conta de que Emma também chorava, quando sentiu as lágrimas dela tocarem seu rosto.
Deram início a um beijo terno, calmo, lento, a única intenção ali presente era mostrar o quanto sentiram falta uma da outra, o quão perfeitas elas eram juntas, o quanto valia a pena lutar por aquilo. E elas lutariam, não tinham mais dúvidas sobre tal coisa. Lutariam com unhas e dentes, contra o que quer que fosse, não desistiriam mais, não podiam mais fazer aquilo, não queriam mais fazer aquilo.
Emma resmungou em protesto quando a amiga pôs fim ao beijo, e levantou-se dali, mas relaxou ao ver qual era a intenção da morena. Regina logo voltou a sentar-se, dessa vez sobre as pernas da loira, com o corpo voltado para o seu.
Seus olhos se procuraram, e sorriram juntas, antes de Regina voltar a aproximar o rosto do da amiga. Recostou sua testa na dela, e assim com Emma, voltou a fechar os olhos. Soltou um suspiro apaixonado, antes de abraçar-se a loira. Trocaram um abraço apertado, como se nele, pudessem segurar uma a outra para sempre.
– E agora, o que nós somos? – A voz quase inexistente de Emma, voltou a mesma pergunta. Regina afrouxou os braços da amiga, e deixou a cabeça cair entre o vão do pescoço da loira. Respirou fundo, seus lábios tocaram a pele exposta da amiga depositando um beijo lá.
– Que tal começarmos com amigas com benefícios? – A sugestão arrancou um meio sorriso de Emma, que balançou a cabeça concordando.
– Ok, acho que é um bom começo. – Soltou um longo suspiro quando os lábios de Regina voltaram a lhe tocar. Subiu as mãos até os cabelos da morena, as emaranhou lá, e os puxou, a fazendo levantar a cabeça.
Seu nariz brincou com o da amiga, enquanto seus lábios ameaçavam beijar os dela. Esquivou-se quando Regina tentou dar início a um beijo, e sorriu quando a amiga soltou um suspiro frustrado. Fez aquilo outra vez, antes de prender o lábio inferior da morena entre os dentes, e enfim dar início a um beijo.
Apesar de ter começado devagar, e preguiçoso, já não era mais um beijo sem intenções. O desejo foi se fazendo presente à medida que suas línguas se aprofundaram, suas respirações tornaram-se ofegantes, e suas mãos inquietas.
O hálito de vinho da morena, junto com seu perfume, e a respiração pesada, serviam como afrodisíaco para Emma. E a bendita bala Halls que a loira dividia naquele beijo, fazia o mesmo com Regina. Um gemido abafado fugiu da boca de Regina, ao imaginar aquela sensação refrescante em outra parte do seu corpo.
O som que a morena deixou escapar, serviu como estopim para Emma, que desistiu da boca da morena, desceu as mãos até a sua cintura, a segurou com firmeza, impulsionou o corpo para frente, firmou os pés no chão e se pôs de pé. O piano voltou a emitir sons nada melódicos, quando de novo fez com que a amiga, se sentasse sobre as teclas.
Suas mãos agarraram-se a echarpe da amiga a puxando, trazendo o rosto dela para perto do seu. Voltou a tomar-lhe os lábios, dessa vez com pressa, com o desejo que já corria por suas veias. Sutilmente puxou a peça envolta ao pescoço da ex-namorada, a deixando ir ao chão.
Enquanto uma das suas mãos desceu até o cinto da amiga, com a missão de desataca-lo, outra subiu até a nuca da morena, lhe puxou os cabelos, lhe arrancando suspiros e lhe fazendo levantar a cabeça. Voltou a prender o lábio inferior da amiga entre os dentes, e o mordiscou com mais de força do que deveria, lhe arrancando um gemido de protesto.
Trilhou beijos lentos e sensuais, até o pescoço da morena. A respiração ofegante da amiga, junto com as mãos firmes e decididas dela sobre sua bunda, e o cheiro de perfume acentuado naquela região do pescoço, fizeram Emma, perder o bom senso, e ser um pouco rude, tornando o pescoço da morena, uma vítima de seu descontrole.
As carícias mal tinham começado e Regina já estava entregue, mal conseguia raciocinar, seus pensamentos estavam nublados, tudo que conseguia fazer era sentir, sentir os lábios de Emma contra sua pele, a mão dela puxando-lhe os cabelos, a respiração pesada contra o seu pescoço, os lábios devorando o mesmo, e o prazer que aquilo tudo lhe proporcionava. Era uma massa de modelar nas mãos da loira, e só Deus sabia o quanto gostava daquilo.
Emma enfim conseguiu desfazer-se do cinto da amiga, e imediatamente a fez ficar de pé. Em questão de segundos o vestido da morena estava no chão. Ao parar os olhos na peça íntima que a ex-namorada estava usando, Emma desistiu dos beijos, e sem nenhuma gentileza, a fez voltar a sentar-se sobre o piano.
Abriu um sorriso malicioso para o espartilho vinho com detalhes em renda preta que Regina usava, e calcinha também de renda preta, que fazia parte do pacote. Seus olhos lhe devoraram de cima a baixo. Mordeu os lábios e ergueu a cabeça ao céu, agradecendo a Deus por aquela mulher, antes de voltar a prender os olhos naquela que era sua perdição.
– Você é a mulher mais maravilhosa de todo mundo. E é minha, minha mulher, só minha. Isso me torna a pessoa mais sortuda de todo mundo. – Sua voz saiu rouca, e baixa. Regina pôde sentir o desejo da amiga estampado ali. Não teve tempo para responder qualquer coisa, os lábios de Emma tomaram os seus, os devorando, enquanto as mãos da loira foram atraídas pelos seios da amiga.
As mãos de Regina desceram até a barra do vestido da loira, a agarraram sem pestanejar e o trouxeram para cima, fazendo Emma sessar o beijo e levantar os braços para que se livrassem da peça.
De novo a loira fez Regina ficar de pé, e inverteu suas posições, sentando-se sobre as teclas do piano. Tentou desatacar com cuidado os dois primeiros botões do espartilho da morena, mas não conseguia e não queria ser paciente naquele momento, então com um único puxão nada sutil, fez todos os botões pularem da peça. O barulho dos mesmos quicando contra o chão, fez Regina lhe lançar um olhar um pouco incrédulo e indignado.
– Eu gostava desse! – Reclamou, arrancando um meio sorriso da ex-namorada.
– Eu também. Prometo comprar outro. Outros. – Avisou antes de puxar a morena para si. Afundou o rosto entre os seios da amiga, e fez o que queria ter feito mais cedo, roçou seus lábios por lá, inspirou o cheiro bom que tinha a pele de Regina, sentiu a macies da pele sensível.
Sua boca alternava entre ambos, acariciando, beijando, provocando, até por fim de decidir por um. Ficou com esquerdo, e dedicou-se totalmente a ele. Sua língua contornou o bico enrijecido, o prendeu entre os dentes, o mordiscou, brincou com a língua por lá, até por fim abocanha-lo.
Regina perdeu-se em meio àquela maravilhosa tortura. Seria possível morrer de prazer? Porque sempre que estava naquela situação com Emma, desejava morrer de tal coisa, desejava nunca mais regressar a terra.
Quando se deu por satisfeita, Emma voltou a ficar de pé, suas mãos foram até os quadris da morena, os agarraram com segurança, e em seguida a ergueu. Regina abraçou as pernas em volta da cintura da amiga, que as conduziu até a lateral do piano, sentando a ex-namorada sobre o tampo do mesmo.
Agarrou as pernas da amiga e as colocou sobre seus ombros, fazendo que a morena se deitasse sobre o instrumento. Escorregou a mão por suas pernas até chegarem na última peça que separava a morena da completa nudez. Acariciou o sexo da ex-namorada por cima da peça, e não pôde deixar de sorrir, ao perceber o quanto seus toques e carinhos excitavam a amiga.
Seus olhos tomados pelo desejo, não perdiam um detalhe da ex-namorada, que estava de olhos fechados, cabeça jogada para trás, mordendo os próprios lábios, enquanto respirava de forma ofegante. Aquela imagem daria uma pintura, uma bela tela, a mais linda delas.
Sem tirar os olhos do rosto da amiga, afastou o pedaço de renda que lhe cobria o sexo, para então penetra-la, arrancando da morena um ronronar de prazer, o que de novo fez Emma sorrir.
Um sorriso de satisfação e prazer, nada lhe dava mais prazer do que ver Regina daquele jeito, completamente entregue a si, as suas caricias, seus toques, as suas vontades. Seu corpo pulsava a cada gemido e palavras incoerentes que escapavam da boca da amiga, enquanto seus dedos iam e vinham sem pressa alguma.
Ao abrir os olhos, Regina deparou-se com os olhos de cobiça da ex-namorada sobre si. Gostava daquilo, gostava de toda aquela situação, gostava do jeito com o qual Emma lhe olhava, gostava da expressão de desejo explícita na face da loira. Gostava de não ter o controle da situação.
Emma conhecia o corpo da ex-namorada, como ninguém, nem mesmo a própria Regina, conhecia. A loira sabia como tocar, onde tocar, como segurar, e os olhos, sabia como excita-la apenas com o olhar. Se deu conta do quanto sentiu falta daquilo, das caricias, dos toques, dos sussurros, do prazer, de Emma sobre si.
Suspirou quando os dedos da amiga lhe abandonaram, e logo em seguida lhe sorriu ao perceber o que ela faria. Arqueou os quadris, e tirou as pernas de cima dos ombros da loira, para que a mesma pudesse livrar-se da calcinha estúpida.
Emma voltou a jogar as pernas da amiga para cima dos seus ombros, escorregou as mãos até os quadris da morena, a trazendo para mais perto. Apoiou os cotovelos no tampo do piano e ergueu os quadris da amiga, os deixando na altura de sua boca.
Regina gemeu em antecedência ao sentir a respiração da amiga contra seu sexo, e voltou a gemer quando a língua da loira a invadiu. Perdeu-se em meio as sensações que aquela caricia lhe causava. Ah sim! Amava, amava as balas de Emma! Amava o quanto aquilo ficava ainda melhor com as balas que graças ao bom Deus, a ex-namorada não viva sem.
O gosto da morena, junto com seu cheiro e os gemidos cada vez mais intensos e audíveis, deixavam Emma a beira da insanidade. Seu sexo há muito já molhado, pulsava, pedia, implorava para ser tocado.
Quando sentiu uma das mãos da loira abandonar seus quadris, Regina firmou os braços sobre o tampo do piano, e arqueou ainda mais o corpo, para que aquele contato não se desfizesse, nem se tornasse menos intenso. Um caminhão de palavras sujas saiu da sua boca, quando sentiu os dedos de Emma estimularem seu clitóris.
Sentia como se a loira estivesse por todo seu corpo, sentia qualquer resquício de controle se esvaindo, sentia o coração bater em todas as partes do seu corpo, sentia a vida correr freneticamente por suas veias.
Prendeu os pés do pescoço de Emma e a trouxe ainda para mais perto. Seus dedos suados mancharam a madeira preta do piano, quando se fecharam contra o mesmo, em uma tentativa de agarrar-se a algo, enquanto inconscientemente gemia repetidas vezes para que a amiga continuasse.
Um último sentimento tomou conta de si antes de Emma lança-la em orbita, paz, a mais absoluta paz. Aquele sentimento de abandono que a amiga sempre lhe causava no final de tudo, era a melhor coisa do mundo.
Aqueles segundos onde sempre perdia completamente a noção de quem era, eram completamente inexplicáveis, cabia uma vida inteirada naquele curto e prazeroso período de tempo. Era com certeza o mais próximo que conseguia chegar do paraíso, na verdade, era o paraíso, com certeza era.
Quando aqueles poucos segundos se foram, Regina se deu conta que Emma ainda estava entre suas pernas, seus dedos não a estimulavam mais, mas sua boca continuava em seu sexo, lambendo e sugando seus fluídos, como se estivesse saboreando o melhor doce do mundo. As pernas da morena tinham liberado o pescoço da amiga, estavam bambas sobre os ombros da mesma.
– Hey, você! – Sussurrou com voz arrastada, fazendo Emma levantar a cabeça e encara-la. Sentiu o útero contrair ao deparar-se com os olhos verdes da amiga consumidos pelo desejo.
A respiração ofegante da loira, os lábios vermelhos, o semblante um tanto quanto selvagem, a excitação visível ali, de repente o corpo de Regina dava sinais de que queria mais.
Tirou suas pernas dos ombros da loira, e sentou-se sobre a borda do piano. Levou as mãos até a nuca de Emma e a puxou para perto. A loira ficou na ponta dos pés para alcançar a boca da ex-namorada, que inclinou a cabeça para baixo para que o mesmo pudesse acontecer.
Emma tomou-lhe os lábios com paixão, excitação, prazer, sem pudor algum. Sua língua explorava a boca da amiga com urgência, enquanto suas mãos lhe apertavam as coxas. Seu corpo ardia, pulsava de desejo. Já havia estado com muitas mulheres durante sua vida, mas nenhuma, nenhuma a fez sentir o que Regina fazia. O corpo, o cheiro, a voz, o conjunto, a deixavam louca. O prazer que sentia ao dar prazer a amiga era algo surreal, nunca imaginou que aquilo pudesse acontecer com tal magnitude.
Suas mãos subiram até a cintura da morena, e em um impulso a ajudaram a descer do piano. Um gemino escapou dos lábios da loira, quando os seios da ex-namorada tocaram os seus. Regina prendeu os braços no pescoço da amiga, enquanto a mesma as guiava para um outro lugar.
Ao sentir o tapete peludo debaixo dos seus pés, a morena sorriu. O piano, a lareira, o tapete, estava acontecendo, estava realmente acontecendo.
– Nosso primeiro encontro. – Sussurrou contra a boca da amiga, que não pôde deixar de sorrir também.
– Como você sugeriu. – Respondeu ofegante. – Como eu sonhei todas as noites durante o último ano. – Confidenciou. Regina mordiscou o queixo da ex-namorada, antes de cair de joelhos diante dela.
Seus lábios tocaram sutilmente a virilha da amiga, e depositaram um beijo lá, seguido de outro e mais outros, responsáveis por arrancarem suspiros. Suas mãos decididas pararam nas laterais da calcinha preta que Emma usava, e não hesitaram em deslizar a peça por entre as pernas da loira, que levantou os pés para que a amiga acabasse de tira-la.
O olhar de cobiça e o sorriso diabólico que Regina abriu ao passar dois dedos pelo sexo molhado da amiga, fizeram a mesma jogar a cabeça para trás e deixar escapar um alto gemido. A morena não precisaria repetir aquilo mais de duas fazes para faze-la gozar, tinha certeza que não.
Levou a mão até os cabelos pretos e os puxou, a fazendo levantar a cabeça. De novo a morena lhe sorriu diabolicamente antes de levar os mesmo dois dedos a boca e suga-los com vontade. Tal ato fez Emma fechar os olhos novamente e respirar fundo em busca de concentração. Antes que Regina pudesse continuar, caiu de joelhos, em frente a amiga.
Suas mãos foram até os ombros da morena os empurrando para que deitasse, logo em seguida deitou-se sobre ela. Apoiou os braços entre a cabeça da ex-namorada e a olhou profundamente, enquanto Regina levou as mãos até os cabelos dourados, em uma tentativa de tira-los da frente do rosto da loira.
– Me deixe toca-la. – Ronronou o pedido.
– Você sabe que eu ainda não acabei, Regina Mills. – Respondeu em tom sério, sem desviar os olhos dos olhos escuros da morena. Se viu refletida lá, na imensidão que eram os olhos de Regina, e ver-se lá, fez seu coração bater ainda mais forte e rápido, e as borboletas agitarem ainda mais em seu estomago. Vários sentimentos apossaram-se de si, sentia tantas coisas, tantas coisas boas, que teve vontade de mais uma vez, chorar de alegria. – Às vezes eu tenho medo que você acabe escutando as batidas do meu coração, de tão forte que ele bate aqui dentro em momentos como esse. – Confidenciou em um sussurrar. – Você é perfeita, Regina! Cada parte sua, cada detalhe seu. Seu corpo é tão perfeito quanto a sua alma. – Sorriu. – E mesmo eu passando longe da perfeição, tenho certeza que você foi feita para mim, e não existe no mundo pessoa, religião, ou ciência, que possam provar o contrário. – Antes que a morena pudesse abrir a boca para responder alguma coisa, Emma voltou a tomar-lhe os lábios, dessa vem em um beijo lento, carinhoso. Tentava mostrar com aquilo, o quanto amava a amiga, o quanto a queria em sua vida, o quanto a queria para o resto de sua vida.
Beijou cada parte do rosto da amiga, antes de seus lábios descerem pelo pescoço da morena, dedicando-se com exclusividade aquela parte do corpo, arrancando longos suspiros da ex-namorada, que já sentia desejo iminente novamente.
Emma rolou para o lado, voltou a ficar de joelhos e fez com que Regina fizesse o mesmo, a posicionando a sua frente. A puxou pela cintura e gemeu quando as costas da morena tocaram seus seios. Passou os dedos pelo pescoço da amiga, trazendo seus cabelos todos para um lado, deixando a pele resposta para os seus lábios.
Desceu uma das mãos até o sexo da amiga, enquanto a outra agarrou-se ao seu seio. Emma estava em todas as partes novamente, tocando, beijando, massageando, lhe arrancando suspiros, e gemidos. Regina era estimulada, e sem saber, estava estimulando. Emma sentia o controle se esvaindo a cada novo gemido da amiga. O sexo molhado da morena contraindo em seus dedos, o cheiro dela, delas, tudo lhe convidava a se entregar.
– Toque-me agora, Regina, por favor faça isso. – Implorou em um gemido abafado contra o pescoço da morena. Regina escorregou a mão presa ao pescoço da amiga até o sexo da mesma, acariciou toda a região, antes de penetra-la. – Deus! – Soltou com o ar, ao sentir os dedos da amiga lhe invadindo e estimulando. Jogou a cabeça para trás com aquele contato, enquanto tentava reprimir seus gemidos mordendo próprios os lábios.
Sentia o prazer lhe consumir o corpo, como o fogo consumia o etanol da lareira a frente delas. O corpo suado de Regina roçando no seu, os toques em sincronia, o som do fogo ardendo, o mesmo as iluminando e sendo cumplice daquele momento, o cheiro de sexo, os gemidos da ex-namorada intercalados com os seus, era seu fim. Fechou os olhos, agarrou-se como pôde a amiga, e entregou-se ao prazer absoluto, levando Regina junto consigo na mesma onda de prazer.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Quando voltou a tomar conhecimento de si, seu corpo estava sobre o da morena, que estava de bruços, abraçada a uma almofada que Emma não fazia ideia de onde surgiu, mas que naquele momento era usada também como travesseiro.
Regina tinha os olhos fechados e um sorriso largo no rosto. Sentia o corpo da amiga, sobre o seu, os cabelos dela junto com os seus, o calor dos seus corpos misturado com o calor da lareira, ouvia a respiração ainda ofegante de Emma perto do seu ouvido, mesclado ao barulho do fogo ardendo. Nunca mais conseguiria olhar para a sua sala, estar na sua sala, sem lembrar do que tinha acabado de acontecer ali.
O piano, o vinho, o tapete, o sofá, a lareira, eram todos seus cumplices. Tinha certeza que iria varar madrugas ali, na companhia muda deles, recordando o que tinham acabado de viver.
Seu sorriso cresceu ainda mais, queria abrir a boca para agradecer a amiga, mas no momento, não conseguia, ainda estava em êxtase, não conseguia sequer mexer um músculo.
Orgasmos múltiplos, como sentiu falta deles. Oh sim, eles existiam, era a prova viva que existiam, e Emma era um exemplar de quem os proporcionava, o seu exemplar, só seu.
– Preguiça? – A voz arrastada de Emma, chamou pela morena.
– Hum? – Foi tudo que conseguiu responder, o que fez a loira sorrir. Sua mão foi até o braço da amiga, e as costas dos seus dedos o acariciou.
– Tudo bem? – Murmurou.
– Uhum. – De novo a resposta preguiçosa, lhe fez sorrir.
– O que você está fazendo? – Regina suspirou e pensou um pouco sobre aquilo. Fisicamente não estava fazendo nada, até porque o corpo da loira sobre o seu, a deixava incapaz de se mover, então resolveu responder o que estava fazendo mentalmente.
– Fumando um cigarro. – A resposta arrastada e inesperada fez Emma gargalhar.
– E ouvindo The Doors? – Deu um leve aceno de cabeça.
– Algo assim. – Emma ergueu o corpo, e beijou-lhe as costas, antes de rolar para o lado, saindo de cima da ex-namorada.
– Onde arrumou essa almofada? – Regina não respondeu, apenas levantou o braço e apontou com o indicador para frente delas. As almofadas que seu cachorro vivia carregando para debaixo da mesa de centro. Esticou o braço e conseguiu alcançar uma delas antes de deixar seu corpo exausto cair sobre o tapete.
– Devo avisa-la que Algodão babou todas. – Murmurou.
– Isso não tem importância. – Emma esticou o braço e pegou uma almofada para si, a juntou com a de Regina, e deitou-se igual a amiga. De bruços, abraçada a almofada. Estavam tão próximas que seus narizes quase se tocavam.
– Você é maravilhosa, completamente, inquestionavelmente, maravilhosa, sabia? – Regina elogiou preguiçosamente, sem tirar os olhos dos olhos da amiga, que refletiam o fogo da lareira.
– Eu sou? – Ouvir tal coisa, de Regina, fez o ego de Emma inflar.
– É muito. Em pensar que perdi pelo menos quinze anos de orgasmos múltiplos. – O tom de lamento fez a loira rir.
– Posso compensar esses anos perdidos, só depende de você. – Regina sorriu e voltou a prender os olhos nos da amiga.
– Eu amo você! – O coração de Emma que tinha voltado a bater tranquilamente, mais uma vez naquela noite acelerou, ao ouvir tal declaração. Seu estomago remexeu e lagrimas vieram aos seus olhos.
– E eu amo você! – Respondeu junto com um sorriso largo.
– Aquela sua ideia absurda de nos isolarmos do mundo, não parece tão absurda agora. – Sussurrou.
– Nem um pouco. – Emma concordou.
– Podemos fazer isso? – Pediu, fazendo a ex-namorada sorrir, tirar um dos braços debaixo da almofada e levar a mão até o rosto da morena.
– Podemos, mas antes preciso acabar minha pena, não acho que o juiz concordaria com essa prisão domiciliar. – Regina suspirou e fechou olhos, enquanto a mão de Emma alisava seu rosto. – Não falta muito, de quase quatro anos, resta apenas um, que meu advogado jura conseguir converter em nove meses. – Contou. – Você espera por mim? Pode fazer isso? – Implorou mais do que pediu.
– Eu estou esperando por você desde os meus dezenove anos, Emma. O que é mais um ano ou nove meses? – Continuava sussurrando.
– Isso significa que vai esperar? – Um sorriso esperançoso tomou conta de boa parte do seu rosto.
– Quer que eu assine um documento, ou minha palavra basta? – Sem conseguir desfazer-se do sorriso, juntou os lábios aos da amiga.
– Sua palavra continua bastando, Regina Mills. – Ronronou contra a boca da amiga.
– Ótimo! – Respondeu sorrindo.
– O que nós somos agora? – Emma voltou a bater na mesma tecla.
– Amigas com benefícios. – Respondeu o que já tinha respondido.
– Por que só amigas com benefícios? – Uma ruga de preocupação surgiu na testa da loira. – Por que não quer voltar a ser minha namorada? – Regina lhe beijou antes de responder.
– Antes de voltar a ser sua namorada, preciso que Robin assine o divórcio, ele não vai fazer isso caso saiba que estamos juntas. – Aquele era um dos motivos, o principal na verdade. – E eu não tenho certeza se você conseguiria se comportar lá dentro da prisão. – Emma juntou as sobrancelhas.
– Está por um acaso duvidando da minha fidelidade, é isso? – Indagou com incredulidade.
– Mais ou menos? – Respondeu meio sem graça.
– Acha que eu trairia você? – Parecia ainda mais descrente.
– Acho que a Emma cafajeste não ficaria um ano sem sexo. – Foi honesta.
– Você está me ofendendo. – Regina lhe lançou um olhar de desafio.
– Quanto tempo você ficou sem sexo depois que eu saí da prisão? – Abriu a boca para responder, mas descobriu que a resposta não pesaria a seu favor.
– É diferente! – Exclamou por fim, fazendo a amiga rir. – Nós não tínhamos mais nada. Eu não suportava pensar em você com o seu marido. Se eu não ficasse com alguém, com certeza acabaria louca. – Defendeu-se.
– Eu não estou lhe cobrando nada, Emma. – Tentou tranquilizar a amiga.
– Mas está me acusando.
– Emma, como eu disse a pouco, você é maravilhosa, e infelizmente não sou só eu quem sabe disso. As mulheres daquela prisão se jogam para cima de você, e não adianta negar, porque elas faziam isso na minha frente. – Suspirou, e voltou a beijar os lábios da ex-namorada que a olhava na defensiva. – O que eu quero dizer é que fica difícil passar um ano sem sexo, quando você pode ter isso a hora que quiser, sem nem ao menos precisar se esmerar para conseguir. – Explicou.
– Regina Mills, você por um acaso está pensando em se envolver com algum cara enquanto eu estiver na prisão? – Tal pergunta fez Regina olhar para Emma como se a mesma fosse louca.
– O quê? Não! Claro que não. Não seja absurda! Pretendo me envolver única e exclusivamente com tudo que acabamos de viver. – Emma deu de ombros.
– E por que você acha que comigo vai ser diferente? Pelo amor de Deus, Regina! Eu amo você! Pouco me importo com a falta de sexo. Tenho duas mãos bem boas, sei me virar muito bem sozinha. – Estava um pouco brava com a amiga absurda, pela a imagem que a mesma tinha de si.
– Ok, sinto muito, eu não quis ofende-la. – Desculpou-se. – Ah Emma, por favor, não me olhe com essa cara. – Pediu. – Me desculpa? – Usou seu melhor semblante de arrependimento.
– Você vai ser minha namorada? – Fez chantagem, fazendo a morena suspirar.
– Se isso ficar só entre nós. – A loira esboçou um sorriso.
– O que significa exatamente isso? – Quis saber.
– Que ninguém pode ficar sabendo sobre esse namoro, pelo menos até o divórcio sair. – Explicou.
– Ok, trato feito. Como dizem por aí, proibido é mais gostoso. – A frase fez Regina sorrir e rolar os olhos. – Já é minha namorada agora? – A morena assentiu.
– Sim, já sou sua namorada agora. – A resposta afirmativa fez Emma abrir um sorriso de orelha a orelha. — Está sorrindo é? Acho bom você saber que fora da prisão eu sou uma namorada ainda mais exigente do que era lá dentro. – Avisou.
– Quanto mais exigente, mais Regina Mills. – Murmurou ao beijar os lábios da de novo, namorada. – Ah, preguiça! Isso parece um sonho!
– Espero que ninguém nos acorde então. – Sussurrou contra os lábios da namorada. Em questão de minutos, as palavras foram esquecidas, dando lugar aos beijos e trocas de carinho. Regina estava por cima da namorada, com os lábios em seu colo, quando o estomago de Emma se manifestou, tentou ignorar aquilo, mas foi impossível quando aconteceu de novo e de novo. Desistiu do que estava fazendo, e rindo levantou a cabeça para encarar a namorada. – Tem alguém com muita, muita fome. – Emma sorriu envergonhada.
– Podemos deixar a fome para depois. – Sugeriu.
– Acho que seu estomago não quer deixar isso para depois. – Mal acabou a frase, o estomago da loira voltou a protestar. – Aposto que você não se alimentou durante o dia inteiro. – Acusou e teve certeza daquilo quando Emma desviou os olhos. – Não acredito nisso! – A repreendeu.
– Antes que você comece, eu não tive tempo. – Defendeu-se. – De manhã, eu estava muito nervosa com seu ex-marido e isso me tirou a fome. Depois eu fui para o velório, e toda a choradeira da minha mãe, também me deixou sem fome. E depois nós viemos para cá, e quem é que lembra que está com fome quando se tem Regina Mills? – A morena tentou manter o olhar sério sobre a namorada, mas ao ouvir aquilo não conseguiu evitar de sorrir. – E você, se alimentou? – Afirmou.
– Me alimentei de dois X-Burgers, muita batata frita e ketchup de recheio. – Contou.
– Gulosa! Você tem pouco tamanho para o tanto de fome que sente, sabia? – Regina lhe mostrou a língua.
– O que você quer comer, desagradável? – O olhar que Emma lhe lançou de novo a fez sorrir, além de rolar os olhos. – O que você quer comer? – Perguntou de novo.
– Eu estava pensando em enchiladas, nachos, muitos nachos, tacos e guacamole. – Suspirou pensando na comida. – Tudo isso com muita, muita pimenta. – Lambeu os lábios pensando em tudo aquilo, fazendo Regina rir.
– Só isso? – Debochou. – Depois eu quem sou gulosa.
– Qual é? Estou com saudades de comida mexicana, e vou dividir tudo com você. – Defendeu-se.
– Eu conheço um restaurante mexicano ótimo, e é aqui perto de casa. – Perto de casa, ao lado de casa, em frente à casa, não importava, Emma não queria de jeito nenhum ter que sair de lá.
– Eles fazem entrega? – Regina afirmou.
– Sim, mas se você quiser, podemos ir até lá. Tenho certeza que vai gostar do ambiente.
– Não duvido que vou, mas posso garantir que gosto infinitamente mais desse ambiente aqui. Da nossa privacidade, da nossa falta de roupas. – Levou a mão até o rosto da namorada e afastou de lá a mecha de cabelos que estava sobre seus olhos. – Vamos deixar para eu conhecer esse lugar quando puder encher a cara de tequila e beijar você na frente de todo mundo. – Pediu.
– Ok. – Beijou os lábios da amiga. – Então vou lá em cima pegar uma coberta... – Voltou a beija-la. – Meu celular... – Lhe deu outro beijo. – E o número do delivery. – Beijou-lhe mais uma vez antes de pôr-se de pé. – Já volto! – Piscou para a namorada antes de lhe dar as costas e caminhar em direção as escadas.
– Regina? – Parou e voltou-se para Emma. – Não demore. – Pediu e a morena sorriu concordando. – Regina? – Voltou a chamar, quando a morena estava alcançando o segundo andar. – Amo você.
– Amo você também! – Respondeu sorrindo e de novo tentou ir.
– Regina? – A morena rolou os olhos e mais uma vez parou e voltou-se para a loira.
– Não surte, Emma! Eu já volto. – Lhe garantiu, antes de lhe dar as costas e ir.
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