Escape

34 Não se afaste


Notas iniciais
Conforme prometido, aqui estou! Agradeço imensamente a todos os reviews do último capítulo, ri muito lendo e respondendo. Só para relembrar, vocês são as (os) melhores, sério, sem palavras para descrever o carinho que vcs tem por essa ff. Tudo que posso fazer é agradecer muito, muito mesmo. Quanto ao capítulo de hoje, ele está ENORME, não estou postando tudo que queria por dois motivos. Primeiro, ficaria muito grande. Segundo, não terminei algumas partes, como aquela spoiler do twitter que tem a lareira, piano, tapete. As coisas que acontecem antes e depois, não estão prontas, então vai ficar para o próximo capítulo. Combinado? Acho que é isso, ah! Esse capítulo se resume praticamente a SQ.

Ao ouvir tal coisa, o copo de whisky que Regina tinha na mão foi ao chão, estatelando-se contra o mesmo. O choque pelo que tinha acabado de ouvir, a paralisou. Seus olhos assustados estavam em Emma, que sustentava seu olhar.

Queria abrir a boca para perguntar alguma coisa, mas não sabia mais nem como fazer tal coisa, e também não tinha certeza se queria saber.

– Você está bem? – A naturalidade com a qual Emma fez tal pergunta, deixou Regina ainda mais abismada.

– Você me conta todas essas coisas e ainda diz que fez alguém suicidar-se e me pergunta se estou bem? – Questionou com descrença. – Não, eu não estou bem. – Esbravejou o óbvio. – Não estou nada bem – Voltou a esbravejar.

– Ouça Regina... – Ela negou e não deixou com que Emma continuasse.

– O que você quer dizer com: obriguei a se suicidar? – Indagou nervosa, esfregou as mãos tremulas e suadas no encosto de braço da poltrona.

– Fiz ele cheirar uma quantidade de cocaína que o levasse a uma overdose. E só para garantir, o fiz beber uma dose significativa de Gim. – Os olhos de Regina cresceram ainda mais ao ouvir tal coisa. O pior não era só ouvir tal coisa, era ouvir tal coisa daquele jeito. Emma não parecia abalada, ou arrependida, não tinha nada em sua voz ou suas feições que mostrassem o mínimo de compaixão sequer. Estava falando sobre aquilo com a mesma naturalidade que falaria sobre um jogo de futebol.

– Você o matou! – Acusou.

Emma não gostou nada do olhar horrorizado que a amiga lhe lançava, estava quase se sentindo ofendida com aquilo. Maldita verdade! Por que tinha que conta-la? Regina não era forte suficiente para algumas verdades, ela não tinha um psicológico preparado para tal coisa. Seria tão mais fácil poupa-la, mas prometeu a si mesma que jamais voltaria a mentir, e o que ganhava como recompensa? Um olhar assustado, horrorizado, amedrontado.

– Não. Eu não segurei a cabeça dele contra a mesa e o obriguei a aspirar o pó, ele fez isso por si só. – Respondeu na defensiva.

– Não sei exatamente o que você fez, nem quero entrar em detalhes, mas a partir do momento que você diz que o obrigou a cometer suicídio, você está dizendo que o matou! – A acusou, fazendo a loira suspirar e dar de ombros.

– Ok, se quer entender assim, então tudo bem, eu o matei. – Concordou despreocupada.

– Por quê? Por quê? Por que está contando isso para mim? Por que está de novo me metendo em uma coisa ilegal? Por que está me fazendo de cumplice? – Esbravejou as perguntas contra a amiga.

– É a verdade que você quer, não é? Não é a maldita verdade que você defende sempre com unhas e dentes? Não é isso que você exige? – Regina estava a deixando nervosa. — Deixa eu esclarecer uma coisa para você, Regina Mills, a verdade nem sempre é bonita, aceitável e maravilhosa. A maior parte das vezes, ela é intragável, suja, baixa, e é por isso que a gente mente. A mentira é tão mais confortável, é tão mais fácil ser feliz na mentira, porque ela pode ser exatamente do jeito que queremos. – Levou as mãos até a cabeça e passou seus dedos pelos cabelos. – É difícil, praticamente impossível falar a verdade para você, quando você claramente não está preparada para sequer ouvi-la. – Reclamou em tom de irritação.

– Por que você fez isso? – Regina respirou fundo, tentando controlar seu nervosismo. Sim, sempre defendeu a verdade, mas nunca pensou que um dia, pudesse ouvir Emma lhe dizendo que matou alguém. Não estava preocupada com a morte do homem, aquilo era o de menos. O que estava lhe afligindo mesmo era saber que EMMA matou alguém.

– Porque estou cansada. Cansada de ser mandada e desmandada, cansada de ter medo, cansada de ter que manter minha família afastada, cansada de não poder ter amigos, de não poder me importar. Eu vivo única e exclusivamente para o tráfico. – Seu tom de voz continuava um pouco irritado. — As festas que frequento, não são para me divertir, são para fazer a distribuição das malditas drogas. As pessoas que conheço, não são para fazer amizades, são para fazer cobranças e ameaças. Os lugares que vou, não são para conhecer, são para saber se são seguros para uma futura entrega de carga. – Balançou a cabeça negativamente. — Estou cansada disso, cansada. Não posso, não quero mais. Eu só... só quero sair daquela maldita prisão, voltar para casa dos meus pais, sentar a bunda no sofá por pelo menos um dia, e ser uma pessoa normal. – Fez uma pausa em busca de ar. — Assistir TV, rir, brincar, fazer piada, me arriscar na cozinha, ler o jornal, sem precisar me preocupar com meu chefe. – Sua voz voltou ao tom calmo. — Então sim, eu o matei, se você diz que eu o matei, então tudo bem. Mas quer saber? Eu não me importo, não dou a mínima. – Deu de ombros. — Graças a isso, você está livre, seu filho está livre, meus pais estão livres, meu irmão está livre, eu estou livre. Meu Deus! Depois desses anos todos eu estou livre. – Regina conseguia entender os motivos. Sabia que a vida de Emma como traficante não era fácil. Imaginava as coisas as quais a amiga teve que se submeter e mesmo entendendo que Emma foi quem procurou aquilo tudo, sabia que ela não merecia, mas mesmo sabendo e entendendo, não estava conseguindo aceitar aquela ideia.

– Existiria outro jeito. – Murmurou, arrancando um sorriso mal-humorado de Emma.

– Não, não existiria. Ele mataria todos vocês, caso eu desistisse de tudo. Ele mataria você, mataria seu filho, tenho certeza que mataria se eu vacilasse o mínimo que fosse. – Respondeu. — De nada adiantaria nós estarmos afastadas, de nada adiantaria nunca mais nos falarmos. Ele mataria vocês mesmo assim, porque ele descobriu que você é o meu fraco, você é o meu calcanhar de Aquiles. Você é a bondade que existe em mim. Então sim, ele mataria como matou centenas de outros inocentes, que tiveram azar de ter algum parente, namorado, amigo, que provocou a ira dele. – Aquela era a verdade. — Você está com pena Regina? Ele tinha um frigorifico, onde jogava os corpos das pessoas que matava. Alguns anos depois de congeladas, ele mandava seus açougueiros esquartejarem e os desovarem por aí. – Emma se sentia magoada por Regina estar tão relutante a aceitar. — Se você visse só metade do que eu vi durante todos esses anos, você não teria tanta aversão a mentira, nem seria tão moralista do jeito que é. – Não pretendia cuspir tudo aquilo contra a morena, tinha em mente uma conversa bem diferente, bem menos agressiva, mas não suportava o jeito horrorizado com o qual a morena estava lhe olhando.

– Você descobriu o calcanhar de Aquiles dele, e não restou alternativa a ele, a não ser a morte. – Regina deduziu o que tinha acontecido, e Emma concordou. – E o que uma pessoa impetuosa como ele, pode ter de fraco? – Emma suspirou.

– As pessoas amam, Regina. Até a mais impetuosa das pessoas, é capaz de amar. Com ele não foi diferente. – Contou. – Mas você sabe que pessoas como nós, não devem amar, então ele afastou-se desse amor. – Continuou. – Quando lembrei dessa mulher, encontrei a solução para todos os meus problemas. Fiz com ele, o que ele fez comigo. – Explicou. — Liguei para Daniel e exigi que ele me ajudasse, já que me devia isso. Sendo o nerd que sempre foi, bastou eu dar o nome da mulher, e ele fez o resto. Dois dias depois eu sabia tudo sobre a vida dessa coitada e do filho dela, que pela idade, deve ser filho dele também. – Suspirou. — Hoje à tarde quando saí da prisão, Daniel me entregou fotos dela e do filho, e fui com essas fotos até a casa de Gold. O resto foi pura chantagem, você não precisa saber dos detalhes. – Pelo olhar cada vez mais aterrorizado de Regina, decidiu poupa-la dos detalhes.

– Você o fez escolher entre a própria vida ou a vida da mulher e do filho? – Indagou com incredulidade.

– Hipoteticamente falando, sim. – Os olhos, e o espanto de Regina cresceram ainda mais com aquela simples afirmação.

– Se ele tivesse escolhido a vida dele? Você mataria dois inocentes? Incluindo uma criança? – Se perguntava quem era aquela mulher a sua frente, porque Emma, a Emma que ela jurava conhecer, com certeza não era.

– Claro que não. – Respondeu com se fosse obvio. E era obvio. – Eu só estava blefando. Não tenho ninguém atrás dessa mulher, muito menos do filho dela. O detetive fez as fotos em um dia e fim. – Seus olhos se prenderam nos da amiga, queria que Regina sequer cogitasse a possibilidade de achar que mataria um inocente. — Se ele tivesse escolhido a vida dele, eu tiraria a minha Glock do bolso do moletom, e acertaria um tiro no meio da testa dele. Eu fui até ele com um único propósito Regina, só usei as pessoas, como ele usou você e o seu filho, mas ao contrário dele, eu não machucaria nenhum inocente. – Lhe garantiu.

– Eu não sei... – Regina soltou com o ar e passou as mãos pelo rosto. – Não sei o que dizer, não sei o que pensar, não sei. – Estava atordoada com tudo aquilo.

– Se quiser chamar a polícia e me denunciar, tudo bem! – Ressentida, Emma estava ressentida. O que fez Regina tirar as mãos da frente do rosto e voltar a encara-la.

– Não, nem começa, de jeito nenhum! Não use esse tom de voz, nem me olhe desse jeito. – A morena ordenou. – Você não pode chegar aqui, vomitar todas essas coisas para cima de mim, e exigir que eu aceite bem. Você matou um homem, e mesmo com as “melhores das intenções”, ameaçou a família dele. – Balançou a cabeça em descrença, não gostava nem de falar aquilo em voz alta. – Eu não estou preocupada com ele, nem estou com pena, o que me preocupa é você, o que você fez. – Respirou fundo enquanto mantinha os olhos na loira problema, que agora olhava para algum lugar da sua mesa. – Quem é você, Emma? Eu não sei se ainda sei quem você é. – Lamentou-se. Ao ouvir tal coisa, lagrimas vieram aos olhos da loira, que logo tratou de engoli-las. Se Regina não era capaz de entender, então não merecia suas lágrimas. Tinha certeza absoluta que fez o que precisava ser feito, para que pudessem pelo menos retomarem a amizade, mas se a morena não queria aceitar, então tudo bem. Não iria insistir.

– Quem eu sou? Nem eu sei. Mas sei quem não sou, não sou mais aquela Emma bobinha, indefesa e inocente que você conheceu, Regina. Se é por ela que você procura, então não perca seu tempo. Eu conheci as piores pessoas, estive nos piores lugares e vi coisas... – Balançou a cabeça tentando apagar da memória, o último massacre que presenciou. – Coisas que você pode jurar que só existem em filmes. Por escolha minha ou não, tive que deixar de ser bobinha, engraçadinha, ingênua, tive que aprender a me defender, tive que me adaptar a vida que escolhi para mim. Por muito tempo, fui uma pessoa quase tão impetuosa quanto Gold, a única diferença é que até o dia de hoje, nunca tinha matado ou participado da morte de alguém. Eu me tornei uma pessoa amargurada, fechada, sem paciência para o mundo e as pessoas felizes que aqui vivem. Foi essa a Emma que eu fui durante todos esses anos. – Levantou a cabeça e encarou a amiga moralista. – Mas tudo muda, como sempre mudou quando o assunto é você. Você e todo esse seu moralismo barato, suas verdades irritantes, sua irritação por qualquer motivo, sua paciência, sua sinceridade, o timbre da sua voz, o jeito como se senta, como anda, como sorri, como me abraça, tudo isso mexe comigo, mexe tanto comigo que me faz sonhar, fantasiar, me faz ter vontade de ser uma pessoa irritantemente feliz. – Fez uma pausa para tomar ar. – Quem eu sou? Não faço ideia, mas tenho certeza que também já não sou mais tão amargurada, fechada e sem paciência, pelo menos não, quando estou com você. Quando estou com você, quase consigo ser aquela Emma bobinha, na verdade quando estou com você, eu me torno mais bobinha do que aquela Emma. – Admitiu, então suspirou e se pôs de pé. – Não posso dizer para você quem eu sou Regina, mas posso garantir que não sou tão boa quanto você quer que eu seja, nem tão má, quanto você possa estar imaginando. Não posso dizer quem eu sou, mas posso dizer o que eu quero. Quero muito ser uma pessoa melhor, e quero mais ainda que você me ajude a conseguir isso, mas não posso lhe obrigar a tal coisa. – Voltou a suspirar. – Enfim, não posso lhe pedir perdão por ser assim, essa sou eu. Tudo que me resta, é torcer para que você aceite, mas caso não o faça, acho que vou entender. – Tentou sorrir para amiga. — Preciso ir, meus pais estão me tratando como uma criança, não posso ficar muito tempo longe de casa, tenho toque de recolher. – Aquilo era verdade, mas tinha esperança que Regina abrisse a boca e a pedisse para ficar, tal esperança durou míseros segundos, até a morena balançar a cabeça concordando com aquilo.

Precisava pensar, precisava de um tempo sozinha, precisava digerir tudo que ouviu.

– Acompanho você até a saída. – Se ofereceu, mas Emma logo negou.

– Não precisa, sei o caminho. Jogo a chave por debaixo da porta. – Avisou e não esperou por uma resposta, com o coração acelerado, deu as costas para amiga e rumou para fora dali.

Regina suspirou e derrotada, deixou a cabeça cair contra a mesa de madeira. Seu coração estava tão acelerado quanto o de Emma, sentia-se angustiada, quase culpada. Se precisava mesmo pensar sobre aquilo tudo, então porque sentia uma imensa vontade de levantar e correr até Emma, para impedi-la de ir?

Perguntava-se o motivo de a vida ser assim tão complicada. Perguntava-se também, por que raios os problemas aparecem todos de uma vez só? Levou as mãos aos cabelos e os puxou. Desejava dormir e só acordar quando tivesse uma solução para resolver a sua vida que estava completamente de cabeça para baixo.

Em um único dia foi estapeada, quase esganada, separou-se, reencontrou Emma, ouviu verdades absurdas e soube pela boca da própria amiga que a mesma matou uma pessoa. Eram muitos acontecimentos e emoções para um dia só, para uma Regina só.

Emma matou um homem. Um traficante, assassino, sanguinário, frio e cruel, mas mesmo assim, um homem. Isso não fazia dela uma assassina, sanguinária, fria e cruel, fazia? Não, claro que não fazia. Emma estava mais para uma criança crescida, assustada e acuada, que de tão cansada das porradas que a vida lhe deu, cansada de apanhar, resolveu enfim revidar.

Não estava com medo dela, estava? Rolou os olhos e sorriu sem humor ao pensar em tal possibilidade. Claro que não estava. Estava com medo por ela, pelo que poderia acontecer caso alguém descobrisse o que ela fez, por todos os problemas que o tal Gold poderia causar mesmo depois de morto e por último, mas não menos importante, por pensar que talvez a loira não fosse para o céu, ou sabia lá o nome do lugar para onde as pessoas boas vão depois que morrem.

Por menos religiosa que fosse, acreditava em Deus, acreditava que a vida tinha uma continuação depois da morte, acreditava que os merecedores iriam para um bom lugar. Então estava temendo e muito por Emma. Claro que se fosse falar aquilo para ela, a loira iria rir muito da sua cara, gargalhar, e dizer que não pode existir nenhum inferno que supere a vida na terra, mas enfim, temia pela alma da amiga ou coisa assim.

Não deveria se preocupar, deveria? Claro que não! Emma já não era mais nenhuma criança, era menos ainda, indefesa. Mas se preocupava mesmo assim. Se preocupava com o que passava dentro daquela cabecinha dura. Se preocupava com o que Emma poderia estar pensando. A loira sempre foi autodepreciativa, nunca se deu o valor merecido, vivia se rebaixando, fazendo pouco de si. Regina nunca conseguiu entender como a amiga não conseguia perceber quão maravilhosa sempre foi. A verdade é que a loira nunca se deu conta que sua pior inimiga, era ninguém mais, ninguém menos, do que ela mesma.

Não devia tê-la deixado ir. Por mais errada que tenha sido sua atitude, por menos que aceitasse o que a loira fez, não deveria tê-la deixado ir. Mesmo assustada, aterrorizada, deveria ter lhe acolhido como foi acolhida, quando quase matou uma criança na escola depois de tanto soca-la, quando a mesma xingou sua mãe, ou como foi acolhida quando quase matou a irmã de French na prisão. Com certeza sua atitude violenta assuntou a loira, ambas as vezes, mas Emma não se afastou, e não a deixou se afastar, mesmo sem entender a acolheu. É o que verdadeiras amigas fazem, elas acolhem, as vezes sem entender, as vezes sem aceitar, não importa, elas apenas acolhem.

Emma estava só sendo Emma, só enfiou os pés pelas mãos mais uma vez. Só precisava de alguém, não de alguém para julgá-la, apenas alguém para estar ao seu lado.

– Você é uma idiota, Regina. – Murmurou ao levantar-se. Pegou sua bolsa, a chave do carro e decidiu ir a um lugar onde há tempos não ia, a casa do tio Swan.

(...) Fazia mais de uma hora que Regina estava sentada na escadaria em frente à casa dos tios, enquanto decidia se deveria ou não tocar a campainha. Quer dizer, não sabia nem se eles ainda moravam ali, talvez tivessem se mudado e Emma nunca tivesse comentado a respeito. E caso ainda morassem, não tinha noção do que ia dizer, se tocasse a campainha e David ou Mary, ou os dois, fossem os responsáveis por atende-la.

A última vez que se viram, foi no dia em que Emma acabou indo parar na solitária. Regina se sentia culpada não só pela solitária, mas também por Emma ter ido parar no hospital, e tudo mais. Tinha medo da reação deles caso a vissem ali, tinha medo que a mandassem embora, e tinha medo que eles estivessem magoados com ela. Lembrava claramente da conversa que teve com a tia na prisão, lembrava do pedido que Mary fez, para que não magoasse Emma. Mesmo sem querer, magoou, o que a fazia se sentir em dívida com a tia.

E se eles perguntassem a ela, o que tinha ido fazer ali? O que responderia? Nem ela sabia exatamente o que estava fazendo. Tudo que sabia é que queria estar com a loira, mas só. Não tinha mais nenhuma resposta elaborada, nem uma explicação, muito menos uma garantia de que tudo seria diferente. Não podia prometer que dessa vez tudo seria definitivo, não quando se tratava das duas.

Daniel, que tinha ido até a rua para fumar, assustou-se quando viu uma mulher sentada na escadaria em frente à casa dos pais. Não demorou muito até se dar conta de que era Regina, ficou parado a observando por algum tempo. A morena estava tão absorta em pensamentos que teve certeza que se não se pronunciasse, ela não iria percebe-lo por ali tão cedo.

– Regina? – Chamou, a fazendo pular de susto. Ela olhou para trás e sorriu para o ex-namorado.

– Hey! – Foi tudo que respondeu. Ele lhe retribuiu o sorriso, antes de caminhar até ela e sentar-se ao seu lado.

– Você costumava me saudar com mais empolgação, antigamente. – Pegou no pé dela, enquanto tirava a carteira de cigarros do bolso da calça.

– Eu costumava me encantar facilmente, antigamente. – Devolveu a provocação, fazendo o homem rir e cutucar com o cotovelo em seu braço. Ele tirou um cigarro da carteira, o prendeu entre os lábios, e acendeu.

– Tomando coragem para entrar? – Tragou o cigarro e lentamente soltou a fumaça, ao sentir o cheiro do mesmo, Regina inspirou o máximo que pôde daquilo, fazendo o rapaz rir e lhe oferecer o que fumava. Resina não hesitou em aceitar. Depois do dia que teve, precisava de um cigarro, aquilo uma vez lhe servia como um calmante, e naquele momento tudo que precisava era relaxar um pouco.

– Algo assim. – Murmurou antes de levar o cigarro a boca.

– E desde quando precisa de coragem para falar com Emma? – Lhe lançou um olhar curioso.

– Não preciso de coragem para falar com Emma. – Soltou com a fumaça. – Preciso de coragem para encarar seus pais. – Ao ouvir tal coisa, Daniel gargalhou.

– Pretende pedir a mão dela em casamento ou coisa assim? – A pergunta fez Regina lhe olhar de canto.

– Idiota! – Foi tudo que respondeu.

– Caso pretenda, tem todo meu apoio. – Regina lhe mostrou o dedo do meio, de novo o fazendo rir. – Se bem que eu acho que Emma é quem pediria a sua mão.

– Você continua com as mesmas piadas ridículas de sempre. – Reclamou enquanto soltava fumaça lentamente.

– Você gostava delas, antes de se apaixonar pela minha irmã. – Defendeu-se e ganhou silêncio como resposta. A morena resolveu que ignorar seria o melhor caminho. – Como você acha que vocês estariam hoje, caso Emma não tivesse sumido? – Regina suspirou e voltou a tragar seu cigarro, antes de responder.

– Caso você não tivesse a incentivado a sumir, Emma não estaria presa, teria abandonado o tráfico há anos, estaria formada em alguma coisa e teria uma vida normal. Meu marido não teria tentado me esganar, você não teria sido cumplice de um crime, e nós dois provavelmente seriamos cunhados. – Opinou.

– Seu marido tentou esganar você? – Indagou um tanto assustado.

– Sim, mas eu não vou mesmo falar sobre isso com você. – Avisou.

– Sinto muito, de verdade mesmo. Não só pelo que o seu marido fez, mas por tudo. — Tentou desculpar-se.

– Sentir muito não resolve nada. – Foi enfática.

– Emma ainda pode se formar em alguma coisa e ter uma vida normal e nós dois ainda podemos ser cunhados. – Regina concentrou os olhos na fumaça que saía da sua boca.

– Talvez. – Estava cansada de ter esperança, aquela era a verdade.

– Mamãe não está em casa, e papai não ficaria zangado com você, nem que você arrumasse tantos problemas quanto Emma. O quarto dela continua no mesmo lugar, sei que não precisa de ajuda para achar o caminho. – Incentivou a ex-namorada, que jogou o que sobrou do cigarro fora e pôs-se de pé.

– Obrigada pela informação, falso aprendiz de príncipe. – Resmungou antes de rumar para dentro da casa.

Por sorte, não encontrou ninguém lá dentro, com medo de ser pega em “flagrante”, traçou uma linha reta e sem olhar para os lados, caminhou em busca do quarto de Emma. Subiu as escadarias praticamente correndo, e quando alcançou o corredor dos quartos, seu coração bateu mais rápido do que já batia, com medo de que o tio pudesse a qualquer momento sair do seu quarto e os dois acabassem se esbarrando por ali.

Parou em frente ao quarto de Emma, e com uma certa urgência, bateu três vezes na porta.

– Não tem ninguém! – A ouviu resmungar e não pôde deixar de sorrir, era aquilo que ela sempre dizia quando estava de mal humor e queria ficar sozinha.

– Mas eu vou entrar mesmo assim. – Avisou ao abrir a porta e entrar. Surpresa com a visita totalmente inesperada, Emma arregalou os olhos e seu corpo teve a mesma reação adolescente idiota de sempre. – Posso? – Pediu ao ver que Emma não esboçava nenhuma reação.

– Claro! – Respondeu. Como não sabia o que fazer, continuo deitada. – Pensei que fosse meu irmão. – Desculpou-se.

– Encontrei com ele lá na rua, ele me deu permissão para subir. – Explicou-se enquanto fechava a porta atrás de si.

– E não se ofereceu para subir com você? – Questionou de sobrancelhas arqueadas. O ar irônico e ciumento com o qual fez a pergunta, fez Regina rolar os olhos.

– Não. – Foi tudo que respondeu. Tirou os olhos de Emma, e os passou pelo quarto. O tempo parecia não ter passado ali, tudo continuava exatamente igual. Os mesmos móveis, a mesma TV, os CDS empilhados na estante, os livros ainda no plástico, os posters dos Beatles, Pearl Jam e The Doors espalhados pelas paredes, e uma bandeira do Reino Unido pendurada no teto.Seus olhos pararam no criado-mudo ao lado da cama, e ela sorriu ao ver o porta-retratos que lá estava. Caminhou até ele e o pegou. Saudosa, admirou a imagem. As duas faziam parte daquela foto. Na formatura do colegial, estavam de beca e chapéu de formandos. Sempre tiravam fotos daquele jeito, Regina sorrindo para câmera, enquanto Emma tinha o braço em volta de seus ombros e lhe beijava a bochecha. – Já faz tanto tempo. – Murmurou.

– Essa é uma das últimas fotos que temos juntas. – Emma sorria enquanto observava a amiga admirar a imagem.

– É, depois as coisas ficaram corridas demais para você querer saber de fotos. – Lamentou-se.

– Sinto muito. – Foi tudo que pôde dizer. Regina suspirou, devolveu o porta-retratos ao seu lugar e voltou-se para Emma.

– Chega para lá. – Fez sinal com a mão para que Emma lhe desse um espaço na cama e prontamente foi atendida. Antes de deitar-se ao lado da loira, tirou suas botas. Ficaram em silêncio por um tempo, as duas com os olhos no teto, até a morena fechar seus olhos por alguns segundos, em uma tentativa de amenizar sua dor de cabeça, foi quando o som da TV chamou sua atenção e a fez voltar a abrir os olhos, os concentrando na TV. Franziu o cenho e perguntou-se porque motivo Emma estava assistindo a vida sexual dos macacos. – Quando é o enterro da sua avó? – Já que a loira não dizia nada, tentou puxar assunto.

– Amanhã no começo da tarde. – Respondeu. Estava nervosa, não sabia exatamente o que Regina estava fazendo, o que realmente significava aquilo. E estava com medo de perguntar. Se não perguntasse, podia fantasiar que a morena tinha aceitado todas as suas mentiras, aceitado a morte de Gold, e decidido lhe dar uma chance. Se perguntasse, podia ganhar uma resposta da qual não gostaria. Então decidiu ficar na ignorância.

– Por que diabos você está assistindo isso? – A morena apontou para a televisão, e ao olhar para a mesma, Emma viu dois macacos transando.

– Ah meu Deus! Eu não estava. – Respondeu na defensiva. — Pornô no mundo animal definitivamente não faz meu tipo. – Envergonhada, tentou se desculpar e explicar, o que acabou fazendo Regina rir. – Eu não sei onde está o controle. – Resmungou, antes de levantar a cabeça e procurar pelo mesmo.

– Eu sei. – Estava ao lado do porta-retratos. Regina esticou o braço e o pegou. – Aqui. – O estendeu para Emma, que ao pegar o controle, pegou também a mão da amiga.

– Você estava fumando? – Juntou as sobrancelhas, enquanto seu nariz farejava perto de Regina. Pegou a mão que estava junto a sua e ao controle e a levou até perto do nariz. – Estava. – Concluiu.

– Daniel me ofereceu e eu estava precisando muito. – Respondeu na defensiva e ganhou um olhar de advertência.

– Estou muito precisando pular de uma ponte no dia de hoje, quem sabe se Daniel se oferecer para pular comigo, eu aceite fazer isso. – Regina esboçou um sorriso.

– Cala a sua boca! – Resmungou.

– Pare de fumar! Além de prejudicar seus pulmões, esse cheiro em você me faz lembrar de coisas que você jura não lembrar. – Aquela talvez não fosse uma boa hora para Regina confessar que lembrava, não estava ali para ter aquele tipo de conversa, pelo menos não naquele dia. Sabia que se tocassem no assunto, as coisas provavelmente tomariam um rumo muito diferente do que ela tinha em mente. — O que você quer assistir? – Emma questionou, quando o seu comentário fez o silêncio tomar conta do quarto.

– American Pie. – Regina respondeu em tom sério, fazendo Emma deitar-se de lado, voltada para a amiga.

– Você ainda gosta desse filme? – Indagou sorrindo.

– Claro. Que pessoa idiota pode não gostar? – Imitando a amiga, Regina também deitou-se de lado, ficando de frente para Emma, o que acabou deixando seu rosto a poucos centímetros do da ex-namorada.

Seus olhos se encontraram por alguns segundos e ambas se lembraram da cama minúscula que dividiam na prisão, lembraram-se também de como cabiam perfeitamente nela quando se abraçavam e trocavam carícias. Encabulada por tais lembranças, os olhos de Regina fugiram dos de Emma.

– Você ainda está brava? – A loira murmurou a pergunta.

– Ainda não consigo acreditar que pediu para alguém machucar você. – Sussurrou. – Muito menos acreditar que participou indiretamente da morte de alguém. – Emma suspirou, aborrecida por Regina ainda não ter entendido.

– Alguém que matou a sangue frio incontáveis outras pessoas. – De novo usou a mesma defesa.

– Esse não é o ponto, Emma. – Reclamou.

– Então qual é ponto? – Indagou.

– Você ter feito isso. Tudo bem, você não é mais aquela Emma bobinha, eu aceito isso, sei que você mudou, mas você também não é assim. A Emma que eu conheço, não faria isso. – Insistiu.

– Sim, ela faria. A partir do momento que ameaçassem as pessoas que ela mais ama, com certeza ela não hesitaria em fazer. Não estou orgulhosa do que fiz, mas como já disse, não me arrependo. Com toda certeza faria de novo. – Afirmou. – Tudo bem, eu posso aceitar que nós não tenhamos nada, que não nos vejamos mais, que não pode ser, mas aceitar Gold na sua vida e na do seu filho. – Balançou a cabeça. – Não, isso eu não posso, não posso conviver com isso. Não vou me desculpar pelo que fiz, não mesmo. Pelo menos agora, isso vai ser uma coisa a menos para eu me atormentar antes de dormir. Nenhum pesadelo envolvendo Gold matando você e Henry a sangue frio, vai me fazer acordar aos berros no meio da madrugada. – Desabafou. Regina tinha os olhos fixou na amiga, que por sua olhava para o anel de cisne que a morena agora carregava pendurado como pingente na corrente de prata que usava. Inconscientemente, sorriu para aquilo e sua mão acabou pegando o anel. Regina ainda o usava, e as borboletas estúpidas do seu estomago, não podiam estar mais felizes com aquilo.

– Você é a pessoa mais mentirosa, manipuladora, enrolada, complicada, errada, que eu conheço. Quase consigo ver um letreiro estampado na sua testa, com luzes de neon e letras de forma escrito: problema, afaste-se! Mas mesmo assim, mesmo sabendo de tudo, eu não consigo, não consigo caminhar na direção contraria. – Emma tirou os olhos do cisne e encarou a amiga.

– Então não caminhe. Não se afaste. – Pediu. – Você é a única coisa certa na minha vida errada. – Admitiu. – É por você que eu tento consertar as coisas, é por você que eu quero conserta-las. – Murmurou. – Juro que não existem mais segredos, nem mentiras. Você sabe de tudo, você conhece a pior parte de mim. – Fez uma pausa para organizar os pensamentos. — Não sou a melhor pessoa do mundo, estou muito longe de ser isso, estou mais para vilã. Provavelmente não mereço ser feliz, mas quando eu estou com você... – Suspirou. – Quando eu estou com você tudo parece fazer sentido, sabe? É como se eu achasse meu lugar no mundo. Você me faz funcionar. Quando estou com você, eu só... – Esboçou um sorriso. – Já não me acho tão errada assim, nem tão mau, nem tão vilã. Não estou pedindo para você ficar comigo, não ousaria fazer isso depois de tudo que aconteceu, de tudo que contei, só estou pedindo para você não me dar as costas, não se afastar, apenas fique. Sua amizade já é o suficiente para eu ser uma pessoa melhor. – Os olhos de Regina permaneceram nos olhos claros da amiga, enquanto as palavras da mesma ainda ecoavam em sua cabeça.

Ficar significava, mais envolvimento, mais dependência, e no final se nada desse certo de novo, resultaria em mais sofrimento.

Sorriu sem humor ao pensar sobre aquilo, e mentalmente chamou-se de idiota. Já estava dando outra chance a Emma, já tinha decidido ficar, fez tal coisa ao entrar naquele quarto e sentar ao lado da amiga. Aliás, fez tal coisa ao xingar-se de idiota, antes de sair apressada da cafeteria e dirigir feito uma alucinada até ali, como se de repente, Emma fosse sumir para todo sempre.

Sempre foi uma pessoa racional, sempre ficou do lado das coisas certas, sempre foi moralista, mas tudo isso sempre veio abaixo quando se tratou de Emma. O que sentia por ela ia além do certo ou errado, moral ou imoral. Emma não a deixava raciocinar, eram seus sentimentos quem sempre falavam mais alto quando que o assunto era aquela mulher problemática.

Talvez aquilo fosse doentio, provavelmente era, mas a verdade é que não queria se curar. Podia ajudar a amiga a ser um pouco mais certa, um pouco mais moral, e Emma podia lhe ensinar a ser um pouco mais errada e imoral. Ninguém é totalmente bom, nem totalmente mau, não é isso que os idiotas dizem por aí? Então elas só precisavam equilibrar aquilo.

Confiaria em Emma mais uma vez, daria a amiga uma última chance, e não faria aquilo só por ela, faria por si também. Sabia que podia mais uma vez se dar mal, as chances de tal coisa acontecer eram grandes, mas mesmo assim, a vontade de ficar era infinitamente maior do que a de desistir. Emma era com toda certeza o maior problema da sua vida, mas como podia simplesmente se afastar se ela era também a solução? Precisava tanto ou mais da amiga, quanto a amiga precisava de si. Do jeito torto, do jeito errado delas, sempre acabaram se entendo e ajudando, então que se explodisse o mundo.

Sorriu, e sem hesitar jogou-se para a cima da sua pessoa errada, e abraçou apertado, a pegando momentaneamente de surpresa.

– Você nunca, nunca, nunca mais mesmo, vai se meter com tráfico de drogas. – Avisou. Emma sorriu, e enquanto apertava os braços em volta da amiga. – Prometa.

– Prometo! Juro! Se quiser posso até assinar um documento.

– Se algum traficante, vier falar com você, ameaçar você, ou o que quer que seja, você não vai esconder de mim. – De novo Emma concordou.

– Não acho que vão vir atrás de mim, mas caso aconteça, você saberá. – Fez outra promessa.

– A primeira coisa que vai fazer quando sair da prisão, é matricular-se em algum curso. – A morena fez mais uma exigência.

– Okay, sem problemas. – Voltou a concordar.

– Tudo bem então. – Regina soltou com o ar e afrouxou os braços do abraço, afastando-se minimamente da amiga.

– Isso significa que vamos poder continuar nos falando? – Cheia de coragem, pegou a mão da ex-namorada e entrelaçou seus dedos aos dela.

– É a sua última chance, e dessa vez, é a última mesmo. – Avisou.

– Obrigada! – Não conseguia tirar o sorriso do rosto. – Obrigada, Regina, muito obrigada! Prometo que não vai se arrepender. – A felicidade estampada na voz e no rosto da loira, arrancou um meio sorriso da morena.

– É o que espero.

– Anota aí nessa cabeça que nunca esquece de nada, vou ser a primeira da turma, mesmo que isso envolva alguma matéria com números. – A promessa empolgada fez Regina sorrir.

– Anotado, e você sabe que eu vou cobrar. – Emma não tinha dúvidas sobre aquilo, e sim, queria ser cobrada, se isso acontecesse é porque teria Regina por perto.

– Pode cobrar. Você vai assistir sentadinha na primeira fila, quando eu receber meu diploma, e toda honra e mérito por ser a primeira da turma. Espero que aplauda o meu discurso e grite que sou gostosa. – Regina voltou a sorrir.

– Acho que posso fazer isso. – Concordou.

– Tenho certeza que pode. – O celular de Regina vibrou, a fazendo soltar sua mão da de Emma, para pegar o celular dentro do bolso do casaco. Antes que destravasse o aparelho, o mesmo voltou a vibrar.

– Nossa! – Seus olhos cresceram ao lerem a mensagem recebida.

– O quê? – Curiosa, Emma abriu a boca para questionar.

– Robin ligou 87 vezes. – Resmungou. Deixou o aparelho desligado praticamente o dia todo, justamente por causa do ex-marido. Só voltou a liga-lo quando deu partida no carro para dirigir até a casa de Emma, fez tal coisa para avisar a Ruby onde estava indo e que talvez fosse demorar.

– Ele está viajando? – Emma tentou ao máximo disfarçar a curiosidade para saber sobre a vida de casado dos dois.

– Estamos separados. – Regina murmurou enquanto checava as mensagens que Ruby lhe mandou pelo WhatsApp, graças a tal coisa, a morena não pode ver o sorriso enorme que Emma abriu ao receber tal notícia.

– Eu sinto muito. – Sua voz de quem não sentia nem um pouquinho que fosse, fez Regina tirar os olhos da tela do celular e prende-los na amiga.

– Uhum. Percebei pelo seu tom de voz e por esse sorriso idiota que está tentando esconder. – A acusou tentando não rir.

– Me desculpa. Eu não sinto muito, não sinto nem um pouco, nem um pouquinho que seja. – Admitiu, o que arrancou um sorriso da morena, além de um balançar negativo de cabeça, antes de ela voltar a concentrar-se no celular.

Sem conseguir abandonar o sorriso do rosto devido a última novidade, Emma assistiu a amiga mexendo no celular, enquanto por algum motivo, ria para ele.

– Devo perguntar do que você está rindo? – A vontade que tinha era de puxar o aparelho da mão da amiga e ver junto com ela o que quer que fosse.

– Ruby. Não sei de onde ela tira tanta besteira. – Continuava sorrindo enquanto respondia a amiga.

– Hum. – Foi tudo que Emma disse, enquanto pensava o que a amiga fura olho podia ter escrito de tão engraçado.

– Preciso ir, está ficando tarde. – Avisou ao travar a tela do celular e deixa-lo cair sobre a cama.

– Ou você pode ficar. – Emma não hesitou em sugerir tal coisa. – Pode dormir comigo. – Ao ver o quanto aquela frase soou estranha, tratou logo de conserta-la. – Quer dizer, você pode dormir na minha cama, eu durmo no chão. Podemos ter uma noite do pijama, como nos velhos tempos. Se você quiser é claro. – Regina teve vontade de rir, pelo jeito sem jeito com o qual a loira sugeriu aquilo.

– Eu não me importaria de dividir a cama com você, mas meu pijama já foi para casa de Ruby, junto com Henry. – Explicou.

– Eu empresto um para você. – Falou rapidamente. – Você pode ficar com a minha camiseta de dormir. Minha mãe lavou e passou, está bem cheirosa. Você fica? – Era difícil não ficar quando Emma parecia empenhada em não deixa-la ir, e quando na verdade queria muito ficar. – Não vai me trocar por Ruby, vai? – A morena acabou sorrindo pela insistência e pelo tom quase ciumento daquela pergunta.

– Se você me arrumar um remédio para dor de cabeça, um copo d’água, uma escova de dentes, uma calcinha e uma toalha de banho, eu fico. – Concordou.

– É para já! – Exclamou sem abandonar o sorriso do rosto. – PAI? DANIEL? ALGUÉM? – Berrou o mais alto que pôde, arrancando um olhar nada agradável Regina.

– Muito obrigada, Emma, minha cabeça agradece. – Esbravejou.

– Desculpe, me desculpe. – Pediu. – Está doendo muito? – Xingou-se mentalmente por ter berrado daquele jeito.

– Consideravelmente. – Regina soltou com o ar, o que fez Emma aproximar ainda mais seu corpo e levar a mão até os cabelos da amiga, os afagando.

– Prometo não lhe dar mais dor de cabeça tão cedo. – Surrou a promessa, arrancando um meio sorriso da ex-namorada.

– Aonde é o incêndio? – David, que apareceu sem se anunciar, arqueou as sobrancelhas ao ver Regina por ali. Seus olhos permaneceram nela e na filha por alguns segundos, e ele se arrependeu de não ter batido na porta. A proximidade de Emma e Regina, junto com a mão da morena sobre a cintura de Emma, e a mão de Emma afagando o rosto de Regina, fez o homem concluir que de repente acabou atrapalhando alguma coisa. Bom, de qualquer jeito, elas pareceram não se importar com sua presença. Balançou a cabeça negativamente antes de sorrir para as duas. – O bom filho a casa torna. Espero que dessa vez seja para ficar. – Falou olhando na direção de Regina, que sorriu totalmente sem graça.

– Hey, tio David! – O homem pensou em aproximar-se para dar um beijo na morena, mas devido ao jeito como ela e Emma estavam, resolveu deixar para uma outra oportunidade.

– Hey, Regina! Que surpresa vê-la aqui. O que aconteceu com sua voz? – Outro.

– Longa história. – Foi tudo que respondeu. – Sinto muito pela vó Ingrid. – Ele sorriu e concordou com a cabeça.

– Pai, Regina está com muita dor de cabeça, como você é da casa, precisa trazer um analgésico para ela e um copo d’água e uma escova de dente zero quilômetros e uma toalha de banho. Tipo, para ontem. – Ao ouvir tal coisa, Regina acabou rindo, naquele momento Emma parecia ter voltado a adolescência. – E eu preciso de um pijama para dormir, porque emprestei o meu para Regina. – Aquela novidade fez o homem parar os olhos na morena, que de novo sorriu sem graça.

– Daniel, Emma e Regina em casa, isso que eu chamo de nostalgia. – Sorriu. – Já volto com o que me foi solicitado. – Avisou antes de sair.

– Nunca vai deixar de ser folgada? Eu pedi para você, não para ele. – Deu bronca na amiga.

– Não faz nem 24 horas que essa casa voltou a ser minha, então não sei onde encontrar as coisas. – Defendeu-se.

– Sei... Daniel ainda mora aqui? – Emma não gostou da curiosidade repentina.

– Não, mora com a mulher dele em Oregon, mas veio para o enterro da vovó. – Explicou e fez questão de enfatizar a palavra mulher.

– Ele casou? – Regina parecia surpresa, o que fez Emma a olhar pelo canto dos olhos.

– Você não quis ele, ele teve que arrumar outra. Casou um pouco antes de eu ir para a prisão. – Contou.

– E por que você nunca me disse? – A loira deu de ombros.

– Porque você nunca me perguntou. – E também porque odiava falar com Regina sobre Daniel. — A mulher dele está grávida, quase ganhando, por isso não veio com ele, não pode mais viajar de avião, mas eles se amam e são felizes. – Fez questão de deixar tudo bem claro.

– Você vai ser titia? – A morena indagou rindo. – Quero muito ver isso. – De novo, Emma a olhou pelo canto dos olhos.

– Quer ver o quê?

– Você e a criança. – De novo riu. – Meu Deus! Pago para eles deixarem você com a criança a sós por cinco minutos. – Se divertiu imaginando a cena.

– Seriam os cinco minutos mais longos da minha vida. – Não gostava nem de imaginar. – Não daria certo. Gosto de pessoas que sabem falar, se expressar, usar o banheiro e esse tipo de coisa. – Regina riu alto. – Você pensa em ter mais filhos? – Aproveitou que estavam falando sobre crianças para perguntar. Se a resposta fosse afirmativa, precisava se preparar psicologicamente para aquilo, porque no fantástico mundo de Emma, onde suas fantasias eram reais, ela e Regina acabariam ficando juntas, então precisava saber.

Bom, a pergunta fez a morena parar de rir e lançar um olhar sério para a amiga.

– Pelo menos mais dois. – Quando os olhos de Emma cresceram, quase não conseguiu se manter séria. Emma assustou-se ao ouvir aquilo. Dois? Duas crianças chorando, brigando, vomitando, enchendo as fraldas, acordando de madrugada. Com toda certeza do mundo acabaria louca. Pensou em abrir a boca e sugerir cachorros e gatos no lugar de crianças.

– Sério? – Indagou com medo de ouvir a resposta, estava tão assustada com o assunto que Regina não aguentou permanecer séria.

– Não. Eu não quero mais ter filhos. – Respondeu rindo e arrancou um suspiro de alivio da amiga.

– Ufa! – Deixou escapar. – Quer dizer... é...

– Cala a sua boca, Emma! – Pediu, ainda rindo do nítido alivio da amiga.

– Ok. – Concordou. Em silêncio observou Regina pegar seu celular, destravar a tala e de novo, concentrar-se em algo que escrevia. – Essa coisa tem câmera? – Indagou.

– Claro. – Respondeu sem tirar a atenção do que fazia.

– Deixa eu ver. – Puxou o celular da mão da amiga, ganhando um olhar de censura. Ao olhar para a tela do aparelho, Emma não pôde deixar de sorrir ao ver que Regina estava falando com Henry e não com Ruby.

– Você é muito metida. – A ex-detenta balançava a cabeça incrédula, enquanto Emma lia descaradamente as últimas linhas da conversa dos dois.

– Por que você perguntou quem está ganhando o campeonato de videogame? Claro que é ele. Ruby e a sua irmã com certeza estão querendo outro tipo de jogo. – Tal comentário a fez ganhar um tapa da amiga. – Ai! – Exclamou rindo. — Vamos desejar boa noite e largar esse celular. – Murmurou enquanto escrevia.

– Eu te amo. – Ao ouvir tal coisa, o coração de Emma acelerou, e ela tirou os olhos do celular e encarou Regina.

– Oi?

– Eu te amo, escreva isso depois de desejar boa noite. – Pediu. Por um tempo a loira só ficou a olhando, tentando fazer com que as batidas do coração voltassem ao normal, por fim concordou com a cabeça e voltou a escrever.

– Pronto. – Avisou. – Agora liga a câmera dessa coisa. – O devolveu a Regina, que fez o que lhe foi pedido.

– O que quer com a câmera dessa coisa? – Indagou.

– Atualizar a nossa foto. – Sua resposta fez as borboletas cutucarem o estomago da morena.

– Nesse caso, é melhor ligar a câmera frontal. – Murmurou ao fazer tal coisa, então entregou o celular a Emma.

– Vem aqui. – Voltou a deitar-se de barriga para cima, e puxou Regina para si, a fazendo deitar com a cabeça sobre seus ombros. – Eu estico o braço e você faz a mágica.

– Ok. – Concordou. Emma esticou o braço, enquadrou as duas e Regina falou as palavras mágicas, fazendo a câmera disparar.

O que a princípio era para ser uma foto, transformou-se em incontáveis fotos e poses. Quando David voltou com as coisas de Regina e o pijama de Emma, elas ainda estavam entretidas nas fotografias, na verdade, ele acabou tendo que também, servir de fotografo e só foi despachado do serviço e consequentemente do quarto, quando Emma se deu por satisfeita.

Foi nesse momento também que Regina deixou a preguiça de lado, pegou suas coisas e foi para o banho. Como estava na casa dos tios, optou por não tomar o banho demorado que gostaria de tomar, mas mesmo o banho curto a ajudou a relaxar.

Ao parar em frente ao espelho para escovar os dentes, suspirou derrotada ao ver os hematomas espalhados pelo seu pescoço. De jeito nenhum podia mostra-los para Emma naquela noite. Já tinham extrapolado o nível aceitável de conversas difíceis do dia, então com certeza deixar para falar sobre aquilo no dia seguinte.

Ao espirar pela fresta da porta, percebeu que as luzes do quarto ainda estavam acesas, ou seja, não podia de jeito nenhum, sair do banheiro trajando apenas a camiseta de dormir da amiga. Xingou Robin antes de colocar seu casaco e passar a echarpe pelo pescoço, então saiu de lá.

Graças ao bom Deus, Emma ainda estava concentrada no celular, tão concentrada que não viu os trajes de “dormir” da amiga.

– Posso apagar as luzes? – Pediu ao caminhar até o interruptor, que ficava perto da porta, ao lado da poltrona velha e puída de Emma.

– Pode. – Respondeu sem tirar atenção do editor de fotos daquele celular.

Regina respirou aliviada com a resposta e instantaneamente as apagou. Tudo que iluminava o quarto naquele momento, era a TV ligada, mas já estava escuro suficiente para que pudesse tirar o casaco e a echarpe.

Emma desistiu do que estava fazendo quando viu a morena de costas para si, parada em frente a poltrona, puxando a peça vinho do pescoço e a colocando sobre a poltrona, logo em seguida a assistiu fazendo o mesmo com o casaco.

Seus olhos subiram pelas pernas da morena, até chegarem nas coxas, então ela inclinou a cabeça para a direita, tentando espiar o mínimo que fosse do que sua camiseta de dormir tampava. Suspirou pensando naquela bunda, que aquela peça idiota cobria. Aliás, suspirou pensando no corpo inteiro, que estava ali tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe.

Quando Regina voltou-se para a amiga, Emma rapidamente colocou o celular na frente do rosto e fez estar prestando atenção no aparelho. A morena caminhou até o seu lado da cama, ajeito o travesseiro na cabeceira e sentou-se ao lado da ex-namorada, em seguida jogou as pernas para cima da cama e para infelicidade de Emma, puxou a coberta, cobrindo-se até a cintura. Recostou a cabeça na cabeceira e parou os olhos no celular que até alguns minutos atrás, era seu. Emma ainda mexia nas fotos.

– Você podia sorrir mais largo. – A loira reclamou.

– Desculpe, amanhã tentamos de novo. – Soltou com ar, o que fez Emma desistir do aparelho e prestar atenção na amiga.

– Daqui a pouco a sua dor de cabeça já vai passar. – Prometeu, e ganhou um meio sorriso como agradecimento. – Você não está com gripe, está? – Tentaria de novo entrar naquele assunto. Regina negou com a cabeça. – Tampouco acordou sem voz. – Concluiu. – Você não me engana Regina Mills. – Avisou.

– Hoje eu estou precisando muito de você, Emma. – Confidenciou baixinho, ao recostar a cabeça nos ombros da amiga.

– Eu estou aqui. – Passou o braço em volta da cintura da amiga e a trouxe para perto. – Estou aqui com você. – Lhe beijou o rosto. – Eu sei que você não está bem e sei que não é só pela dor de cabeça, e todas as coisas que eu contei. Por que você não me conta qual é o seu problema? Me deixa ajudar. – Pediu. Regina queria contar, queria muito desabafar com a amiga, mas por outro lado, temia a reação dela quando visse o que Robin fez.

– Acho que não aguento mais uma conversa difícil no dia de hoje. – Soltou com o ar. — Por favor, vamos deixar para falar sobre isso amanhã. – Pediu.

– Okay. – Emma balançou a cabeça concordando. – Então me diz o que eu posso fazer para ajudar você. – Regina suspirou.

– Você não precisa fazer nem falar nada. Apenas a sua presença basta, o seu silêncio já me basta. Eu só quero fechar os olhos e saber que você vai continuar aqui comigo. – Emma escorregou o corpo pela cama, deitando-se na mesma, logo em seguida puxou Regina para os seus braços a aninhando lá.

– Eu não quero estar em outro lugar, a não ser aqui com você, Regina Mills. Descanse, vou cuidar de você. – Prometeu.

(...) Regina foi tirada do seu sono profundo por um barulho muito irritante que a princípio pensou ser o despertador do seu celular. Ainda de olhos fechados sua mão saiu em busca do aparelho, mas tudo que conseguiu tatear foi o ar. Demorou um pouco para entender que não estava em casa, então tanto o criado mudo, quanto o celular, não estavam no lugar de sempre.

Com muita preguiça abriu um olho, levantou a cabeça, achou o aparelho, e esticou-se o máximo que pôde para alcança-lo. Ao contrário do que pensou, não era o despertador e sim Henry. Voltou a fechar os olhos enquanto sua mão livre, tateava parte da cama, em busca de Emma que por um acaso não estava mais lá.

– Alô! – Sua voz saiu falha.

–Se a patroa sabe que você perdeu a hora só para ficar dormindo, vai ganhar uma bronca colossal. – O filho pegou no seu pé, a fazendo sorrir.

– Droga! O despertador não tocou. – Lamentou-se. – Já estou indo, está tudo certo por aí? – Questionou em meio a um bocejo.

– Tudo em ordem. Está bem tranquilo, estou ligando só para perguntar onde você colocou a chave do cofre, precisamos de notas baixas para dar troco. – Explicou.

– A terceira gaveta da mesa do escritório tem um fundo falso, está lá.

– Ok, era só isso, pode voltar a dormir agora, para a sua sorte, a chefe ainda não chegou, e bom, ao que tudo indica, quando ela chegar vai estar de bom humor. – Regina sorriu.

– Além da chefe, mais quem faltou? – Quis saber.

– Só Tinker. Mas Max está de volta. – Regina suspirou, se Tinker tinha faltado, então não podia mesmo ficar, aquele lugar não funcionava direito sem uma das duas.

– Em no máximo uma hora estou aí. Preste atenção no troco, e não fiquem de brincadeira. Depois vou ver nas câmeras de segurança. – Avisou em tom sério.

– Tudo bem, Hitler! Até daqui a pouco, beijo para você e outro para Emma. – Não esperou a mãe responder, e encerrou a ligação.

Regina que ainda estava de olhos fechados, deixou o aparelho cair sobre seu peito, voltou a bocejar, e começou a se espreguiçar. Perguntou-se o motivo de Emma não estar mais por ali. Queria saber também o motivo da amiga não ter a acordado. Como não conseguiria nenhuma das suas respostas se continuasse ali daquele jeito, reuniu forçar e abriu os olhos.

A claridade das cortinas abertas os incomodou, a fazendo passar as mãos pelos mesmos. Não demorou muito até acostuma-los com a luz. Então foi para a etapa seguinte do seu plano e sentou-se. Passou as mãos pelos cabelos amaçados, antes de voltar a coçar os olhos. Pegou seu celular caído ao seu lado e quando checou as horas, seus olhos cresceram espantados.

– O QUÊ?! – Dormiu praticamente a manhã toda. Já passavam das 11:00hrs da manhã. – Merda! – Praguejou ainda incrédula.

Emma que assistiu a toda a cena sentada em sua poltrona, teria achado bonitinho todo o procedimento de acordar do seu bicho preguiça, mas devido as marcas que viu no pescoço de Regina logo que abriu os olhos, não estava achando nada, absolutamente nada, bonitinho. Estava com raiva, louca para saber quem tinha feito aquilo com a amiga, para então ir em busca do infeliz.

– Sua voz parece melhor. – Resmungou com a amiga, que pulou de susto. Regina ainda não a tinha percebido ali, ainda não tinha acordado direito, então tudo que conseguia ver ao redor de si, era nada. Ao olhar em direção a voz da amiga, encontrou a loira sentada em sua poltrona, já com as roupas do dia anterior, e com os pés descalços os batendo impacientemente contra o chão de madeira. Não fazia ideia do porquê, mas sabia que Emma além de nervosa, estava irritada.

– Hum... não prestei atenção, mas acho que sim. – Respondeu enquanto a analisava.

– Sua dor de cabeça passou? – Regina afirmou.

– Completamente. — Sorriu para a ex-namorada, tentando ganhar um sorriso dela como retribuição, mas não aconteceu. – O que aconteceu? Por que está me olhando assim? – Foi direto ao ponto.

– Desculpe, mas não consigo olhar para essas marcas no seu pescoço e sorrir. – Apontou. Droga! Droga! Regina tinha esquecido completamente daquilo.

– Não está doendo. – Falou a primeira coisa idiota que veio em sua mente.

– Não me sinto melhor sabendo disso. – Emma soltou com o ar. – Acho que é nessa hora que você me conta o que diabos aconteceu. – Exigiu. – Ou melhor, é nessa hora que você me conta quem foi o infeliz que fez isso com você. – Fechou as mãos em punho, no final da frase.

– Emma... – Regina bem que tentou começar, mas a loira interrompeu.

– Foi Robin, não foi? Por isso não me contou. Por isso está me escondendo. Claro que foi. Por que outro motivo teria mais de 80 chamadas perdidas dele no seu celular? – Sabia que tinha sido ele, desde o momento que seus olhos pararam no que ele tinha feito. Não sabia exatamente o motivo de ainda estar ali, ao invés de estar matando o infeliz. Não queria ouvir o que Regina tinha a dizer, até porque não tinha muito o que dizer. Estava bastante evidente. Robin quase a matou, e não existiria no mundo, uma explicação aceitável para aquilo. – Eu vou matar aquele cretino, vou fazer isso com as minhas próprias mãos. – Esbravejou ao se pôr de pé. Pegou seus tênis que estavam ao lado da poltrona e saiu do quarto.

Assustada ao ouvir a afirmação convicta que a ex-namorada fez, o sono de Regina foi embora. Rapidamente ela se pôs de pé, e sem se importar com seu pijama um pouco indecente, correu atrás de Emma.

Notas finais
Será que a Regina consegue segurar essa mulher? Bom, próximo capítulo tem beijo, tem abraço e várias outras coisas. Então é nessa parte que eu digo que continuo contando muito com os reviews de você. Combinado? Até semana que vem e tenham um ótimo final de semana! Beijos