Escape

35 Cor de felicidade


Notas iniciais
Gente!!! Negócio é o seguinte, ainda não terminei o que deveria ser o próximo capítulo de Escape, e ele já tem 17.000 palavras, e ainda tá faltando muita coisa. Ou seja, mesmo que tivesse terminado, não postaria tudo de uma vez só, é muita coisa para só um capítulo. De qualquer jeito, pretendia terminar hoje, mas surgiu um compromisso e não vou conseguir. Tô saindo daqui uma hora e só volto pra realidade da vida amanhã a tarde. Então vou postar uma parte hoje, e amanhã quando voltar, pretendo terminar o que falta. Ou seja, amanhã a noite ou domingo, provavelmente (PROVAVELMENTE) sai o resto do capítulo. Quero agradecer imensamente os reviews do capítulo anterior, pedir desculpas por ainda não ter respondido e garantir que amanhã responderei a todos. Infelizmente por falta de tempo, não vou conseguir fazer isso agora. Mas fico muito agradecida por todos, vocês são umas amadas, e os reviews de vocês são como combustível para essa fanfic. Vocês podem ter certeza que é por causa deles, que eu continuei essa ff. Então mais uma vez, muito obrigada. Ah, como como muitas de vocês pediram para estender um pouco mais a ff, vou tentar fazer isso, então preparem-se para muita doçura.

Alcançou Emma já quase no final do corredor, a puxou pelo braço e a fez encarar.

– Você está louca? – Questionou assustada e perturbada pelo olhar irado que via no semblante da amiga. Emma estava transtornada, como pouco tinha visto, e quando ela ficava daquele jeito, era difícil, quase impossível faze-la se acalmar, até que pudesse pensar com clareza e não com ódio. – Vai sair por aí matando todo mundo agora? – Sussurrou a frase, em uma tentativa de manter a calma.

– Todo mundo não, só quem merece, e ele com certeza merece. – Respondeu ao tentar livrar-se da amiga, que apertou ainda mais a mão no braço da loira.

– Você pode por favor voltar para o quarto comigo? – Pediu. Ponderou sobre aquilo por dois segundos, até parar os olhos no que Robin tinha feito.

– Não, eu não posso. – Respondeu entre dentes. Iria matar o desgraçado, com certeza iria.

– Emma, eu vou soltar o seu braço, vou voltar para o quarto, e vou contar até dez. Se você não aparecer, pode esquecer tudo que conversamos ontem, porque eu vou embora, e dessa vez não tem volta. Você vai estar por conta própria. – Foi firme no que falou, não deixando espaço para defesa. Deu o aviso, e não esperou resposta, fez o que disse que faria, largou o braço da amiga, e voltou para o quarto. Emma ficou ali parada, com as mãos fechadas em punho, querendo muito fazer o que tinha em mente. Não pensou nem cinco segundos, contrariada, irritada, chateada, foi atrás de Regina, afinal era o que sempre fazia, ia atrás de Regina.

– Por que você ainda está o defendendo? – Esbravejou a pergunta ao entrar no quarto e parar em frente a amiga, que estava sentada na beira da cama.

– Não estou, só não quero que você o mate. – Respondeu o obvio.

– E quer que eu faça o quê? Fique sentada, de braços cruzados, enquanto espero ele machucar você de novo e de novo? – Seu tom de voz aumentou ainda mais. Estava irritada com Regina também, que além de ter lhe escondido aquilo, não queria a deixar fazer o que precisava ser feito.

– Ele não vai. – Emma balançou a cabeça em descrença ouvindo tal afirmação de Regina. Pôs as mãos na cintura e andou de um lado para o outro. Um animal enjaulado, era assim que estava se sentindo.

– SIM, ELE VAI! – Berrou em direção a morena, que acabou pulando de susto. Regina respirou fundo, fechou os olhos e levou as mãos até as têmporas, as massageando. O dia tinha começado tão bem, mas aí abriu os olhos e tudo voltou ao normal. – Ele vai. – Diminuiu o tom de voz ao ver que a amiga não parecia bem. Suspirou, foi até ela e ajoelhou-se entre suas pernas, antes de lhe agarrar as mãos. – Eu não acredito que esse cretino fez isso com você. – Sentia-se culpada, só Deus sabia o quanto estava se sentindo. O maldito Robin entrou na vida de Regina única e exclusivamente por culpa da sua covardia.

– Emma, eu chamei a polícia, existe uma ordem de restrição, ele não pode mais se aproximar de mim. Não vai acontecer de novo. – A frase soou quase como uma promessa.

– E se ele não obedecer essa ordem? – Lágrimas vieram aos olhos de Emma, pensando em tal possibilidade. — Eu vou estar presa, eu não posso cuidar de você, Regina. – Lamentou-se, fazendo Regina suspirar, e abrir os olhos.

– Eu sei me cuidar sozinha, Emma. Não sou uma criança indefesa. Se ele não obedecer, eu ligo para a polícia e ele vai preso. – Lhe garantiu.

– Me deixe fazer alguma coisa, por favor. – Implorou, arrancando de Regina um suspiro e um balançar negativo de cabeça.

– Quer passar o resto da sua vida na prisão? Quer me ver só aos domingos e apenas por uma hora? Quer que eu desista de esperar por você? Quer que Henry a odeie para sempre? Se é o que quer, então pode ir. – Apontou para a porta. – Você não pode matar todas as pessoas com as quais tem problema. – Deu bronca.

– Mas eu gostaria. – Foi sincera. – Gostaria de pôr as mãos em cima de todo mundo que pensa em machucar você, e nos que machucam, gostaria de tortura-los bastante antes de enfim mata-los. – Regina lhe lançou um olhar pidão.

– Por favor, desista do que quer que tenha em mente. Por favor? – A voz cansada da morena, junto com seus olhos um pouco tristes e o jeito com o qual lhe segurava as mãos, fez Emma se dar por vencida.

– Você não vai aceitar conversar com ele, nem pensar em voltar para ele, vai? – Caso Regina pensasse em uma daquelas possibilidades, iria com certeza atrás do infeliz.

– Não. Prometo que não. Robin surtou quando eu pedi o divórcio e aí aconteceu. – Apontou para o pescoço. Ao de novo parar os olhos lá, Emma trincou os dentes. Por que mesmo ainda estava ali conversando com Regina ao invés de estar caçando o infeliz?

– Você não tem noção da vontade que eu tenho de ir atrás dele e tortura-lo até a morte, sempre que meus olhos param nesses hematomas. – Esbravejou entre dentes.

– Mas você não vai. – Levou as mãos até o rosto da amiga e o segurou entre ela. — Você vai para o funeral da sua avó e eu vou trabalhar, vou tentar escapar de lá o quanto antes, para chegar a tempo para o sepultamento. Combinado? – Teve silêncio como resposta, o que fez a morena apertar as mãos no rosto da amiga, e faze-la olha-la nos olhos. – Combinado? – Emma suspirou e muito contrariada resolveu obedecer.

– Combinado. – Respondeu de mal gosto. – Meu Deus! Não suporto a ideia de alguém machucar você. – A morena lhe sorriu, soltou seu rosto e voltou a procurar por suas mãos.

– Eu estou bem. – Regina lhe garantiu.

– Não você não está. – Seus olhos mais uma vez pararam no pescoço da amiga. – E eu não posso fazer nada sobre isso. – Lembrou a si mesma.

– Engano seu, você já fez. Você fez absolutamente tudo, que poderia ter feito sobre isso. Você deitou nessa cama comigo, me abraçou, fez eu me sentir segura, protegida, mexeu nos meus cabelos até eu dormir, e meu Deus, eu dormi até as 11hrs da manhã. Você não tem noção de quanto tempo fazia que eu não conseguia dormir direito? Então sim, você fez muito sobre isso. – Emma por fim, esboçou um sorriso.

– Se eu pudesse, se houvesse um jeito, blindaria você de tudo isso. De qualquer sofrimento, de qualquer perigo, de qualquer coisa que de um jeito ou de outro, podem machucar você. Se eu pudesse, nos trancaria nesse quarto para sempre, só você e eu. Velaria seu sono todas as noites, e todas as manhãs assistiria com um sorriso bobo no rosto, o seu ritual de bicho preguiça para acordar. Ninguém magoaria mais você, nem mesmo eu. Nós seriamos felizes aqui, sabe? Tão felizes que em momento algum sentiríamos falta do mundo lá fora. – O jeito terno e carinhoso com o qual a loira sussurrou aquelas palavras, fez as borboletas agitarem o estomago de Regina e lagrimas virem aos seus olhos. — Mas eu não posso, não posso sequer cuidar de você. Amanhã eu estou voltando para aquela maldita prisão, e você, você vai continuar aqui fora. – Lamentou-se.

– Cala a boca, não me faça chorar. – Regina pediu com a voz embargada. – Vou ficar bem, prometo que vou. A vida é assim Emma, não podemos ter controle sobre ela e quando é para ser, é. Um meteoro, um terremoto, um terrorista, mesmo aqui dentro, não estaríamos protegidas dessas coisas.

– Uma invasão alienígena também. – A piada de Emma fez Regina rir. Adorava aquilo nela, adorava como ela conseguia deixar uma conversa difícil, um pouco mais leve.

– Uma invasão alienígena também. – Cutucou o nariz da amiga com o polegar. – Boba! – Emma sorriu, pegou a mão de Regina e a beijou.

– Por você! – Declarou-se, arrancando um sorrisinho da amiga.

– Vou ficar bem, ok? Não quero que fique se preocupando com isso. – Emma suspirou e resolveu concordar.

– Promete me deixar ligar, para você me falar sobre o seu dia? – Pediu.

– Prometo.

– Promete não me esconder nada? – De novo Regina concordou.

– Prometo, se você prometer se comportar com qualquer tipo de notícia. – Emma pensou um pouco sobre aquilo, antes de suspirar vencida.

– Sem mais mentiras e mal comportamento. – Prometeu.

– Sem mais mentiras e mal comportamento. – Regina concordou. – Vamos jurar de dedinho. – Fechou a mão direita, só deixando o dedo mindinho levantado e o estendeu a Emma, que não pôde deixar de rir.

– Quanto tempo não juramos de dedinho? – Indagou ao engatar seu mindinho ao da amiga.

– Há muito tempo, você ainda não tinha os dentes da frente, não penteava os cabelos e tinha o rosto cheio de sardas. – Emma lhe mostrou a língua.

– E olhos cor de camaleão. – Regina sorriu.

– Você ainda tem olhos cor de camaleão. – Opinou.

– E de que cor eles estão agora? – Emma quis saber.

– Verdes, um tom escuro. – Respondeu. – Tom de irritação. – Concluiu.

– Você não gosta dessa cor? – Regina suspirou.

– Prefiro quando estão quase azuis. – Contou.

– Cor de felicidade! – As duas falaram ao mesmo tempo.

– Você sabe, cor de felicidade é a sua cor, você quem deixa eles assim. – Emma murmurou, sem desprender os olhos dos de Regina.

– Sou?

– É. – Emma confirmou. Suas mãos foram parar na cintura da ex-namorada, segundos depois Regina estava deitada, com Emma sobre si. A aproximação repentina levou as batidas do coração da morena a mil. Timidamente levou as mãos até os cabelos da loira, tentando tira-los da frente do rosto de Emma. Depois de ter colocado quase todos para trás das orelhas da amiga, descansou as mãos sobre seus ombros, enquanto se olhavam profundamente.

Emma abriu um sorriso largo, ao se dar conta que a amiga ainda a olhava do mesmo jeito, seus olhos ainda lhe diziam mil coisas, lhe mostravam mil sentimentos, sem que a amiga precisasse abrir a boca para admiti-los.

De novo sem que Regina esperasse, deixou a cabeça cair sobre os ombros da morena, antes de envolve-la em um abraço apertado.

– Regina Mills! Regina Mills! Você me faz sentir a pessoa mais vulnerável do mundo, e a mais feliz também. – Murmurou contra o pescoço da morena, que lhe retribuía o abraço.

– E você me faz sentir a pessoa mais irresponsável e sem juízo do mundo. – A confidencia fez Emma rir e levantar a cabeça para encarar a amiga.

– Feliz não? – As mãos de Regina se emaranhavam nos cabelos loiros.

– O que você acha? – Emma fez pensar. — Meus olhos não são cor de camaleão, mas posso apostar que estão brilhando. – Sussurrou para a amiga, a fazendo sorrir e concordar.

– Seus olhos são as coisas mais lindas desse mundo. – Elogiou. – E sim, eles estão brilhando. — Levou a mão até o rosto da amiga, acarinhando com as costas dos dedos o lado direito de sua face. – De felicidade? – A pergunta não passou de um ronronar, que fez a morena soltar um suspiro apaixonado.

– De tranquilidade, de segurança, de paz, de felicidade, de Emma Swan. – A resposta de Regina fez Emma abrir um sorriso bobo. Quase em câmera lenta, foi pondo fim a pequena distância que havia entre seu rosto e o da amiga.

Assim como o de Regina, seu coração também acelerou de ansiedade, e seu estomago contorceu de felicidade. E assim como os da amiga, seus olhos se fecharam, quando o espaço entre seus rostos, tornou-se praticamente nulo. Seu nariz brincou com o da ex-namorada, enquanto seus lábios roçavam nos dela, ameaçando beija-los.

– Emma, você já está prontah meu Deus! – Daniel! Sempre ele. Claro que ele apareceria, claro que ele acabaria com aquilo, claro que ele ainda era o maldito Daniel. Frustrada, Emma deixou a cabeça cair sobre os ombros de Regina, que estava oscilando entre vergonha por terem sido flagradas, e raiva por Daniel sempre aparecer nos momentos mais inoportunos. – Eu sinto muito. – Ele parecia desconfortável com a situação. – Não sabia que Regina ainda estava aqui, pensei que ela... – Emma suspirou, rolou para o lado da amiga, pegou o travesseiro e o jogou contra o irmão.

– Cala a sua boca! – Esbravejou com ele. – Não tente se explicar. – Enquanto a loira brigava com o irmão, Regina aproveitou para puxar a coberta, e cobrir-se até a cintura.

– Eu só... – Ele apontou com o polegar para trás de si e coçou a garganta, seus olhos pararam em Regina, que tinha fixado um ponto qualquer no teto. Irritada com os olhos do irmão sobre a amiga, Emma atirou outro travesseiro contra ele, ganhando sua atenção. – Só vim avisar que o papai já foi. Estou pronto, só esperando por você. – Avisou. – É... – Coçou a cabeça, tentando se concentrar no que tinha ido fazer ali. — Você sabe que mamãe está triste, precisando de nós, então tente não atrasar muito. – Emma concordou com a cabeça.

– Ok, me dê meia hora. – Antes que ele voltasse a abrir a boca, Emma resolveu expulsa-lo. – Lá embaixo, me espere lá embaixo. – Apontou para a porta, o expulsando.

– Ok. – Ele abriu a boca para uma nova frase, mas foi impedido.

– Tchau, Daniel! – Esbravejou, o fazendo sorrir, e se retirar. – Eu odeio ele! – Soltou com o ar.

Regina tirou os olhos do teto e deu uma breve olhada em direção a porta, que estava fechada novamente. Agradeceu a Deus, pelo ex-namorado ter ido sem ter feito nenhum tipo de piadinha.

Como se pudesse saber o que Emma estava pensando, se pôs de pé, antes que a loira voltasse a atacar. Fazia menos de 12 horas que tinham se reencontrado, conversado, discutido, se acertado, então talvez devesse esperar mais um pouco antes de render-se ao charme de Emma.

– Eu preciso ir. – Foi até a poltrona e pegou suas coisas que estavam dobradas sobre os braços da mesma. Sentou-se lá e começou a pôr a meia calça, sem perceber o quanto aquela atividade tinha a atenção da amiga.

– Podemos nos ver mais tarde? – Emma pediu.

– Sim, como já disse, vou tentar escapar da cafeteria para ir ao sepultamento da sua vó. – Olhou em direção a ex-namorada e sorriu.

– E depois do sepultamento? – Regina se pôs de pé, levou as mãos até a barra da camiseta de dormir, e a puxou, se livrando da peça, o que fez o corpo de Emma reagir. Teve que se segurar para não se levantar dali, e ir até a amiga, afundar a cabeça entre seus seios, sentir o cheiro do corpo da amiga, sentir a pele macia contra seus lábios, antes de acaricia-los, mordisca-los, suga-los e... céus! Quase conseguia sentir o gosto de Regina. Seu sexo estava latejando com aqueles pensamentos. Seus olhos estavam fixos nos seios da morena, cobertos por um sutiã azul de renda. Talvez estivesse salivando com aquela imagem.

– O que tem? – Rápido demais, Regina pôs seu vestido, o que acabou com a dúvida da loira, se a morena estava ou não apenas de casaco no dia anterior. Ainda com o corpo pulsando de desejo pela ex-namorada, deixou as costas caírem sobre o colchão, e puxou a coberta para cima do seu rosto.

– Você quer fazer alguma coisa depois do sepultamento? Como por exemplo, me salvar da recepção pós funeral? – Regina abriu um sorriso presunçoso ao ver o rosto de Emma coberto, e ao ouvir sua voz um tom mais grave e baixa. Ela sempre falava daquele jeito quando se sentia excitada.

– O que você tem em mente? – Voltou a sentar-se sobre a poltrona para calçar as botas.

– Você não quer saber o que eu tenho em mente. – Murmurou para si, mas Regina acabou ouvindo e de novo não pode deixar de sorrir. – Sei lá! Alguma coisa como... – Por mais que tentasse pensar em alguma coisa para fazer, sexo era tudo que lhe vinha em mente. Mas elas eram só amigas, certo? Se Regina quisesse ser algo mais do que só sua amiga, não teria praticamente fugido da sua cama assim que o idiota do Daniel, saiu dali. Ou talvez quisesse, porque tinha certeza que estariam no maior amasso caso ninguém tivesse aparecido. Ok, toda aquela situação era complicada. Muito embora tivesse certa certeza de que Regina cederia se investisse, resolveu que para o bem da amizade delas, não iria insistir. Queria muito, muito reatar o que tinham, só Deus sabia o quanto queria, mas deixaria tal decisão por conta da ex-namorada, devia aquilo a ela.

– Como? – Regina puxou a coberta que cobria a cabeça da loira. Lhe olhava de sobrancelhas arqueadas e tinha um sorriso escondido.

O vestido preto de malha que usava, era um modelo simples, com mangas e um pequeno decote, mas a ex-namorada ficava tão bem nele, claro que ficaria ainda melhor fora dele, mas enfim, a imagem dela lá dentro, com as mãos na cintura e o olhar curioso e ao mesmo tempo provocador que lançava, fizeram Emma suspirar e pôr as mãos na frente do rosto.

– Como algo que não envolva nós duas sozinhas em um mesmo lugar, porque sinceramente, não sei se posso lidar com isso sem agarrar você. – A resposta preocupada, frustrada e sincera, fizeram a morena rir.

– Então foi um tormento para você passar a noite sozinha comigo? – Resolveu provocar.

– Não. Claro que não. – Respondeu rapidamente. – Mas ontem você estava assustada, acuada e amedrontada. Não conseguia olhar para você e pensar em algo que não fosse cuidar de você. Mas hoje você acordou nitidamente melhor, e se trocou na minha frente, e eu gosto tanto da sua lingerie, e pelo amor de Deus! Eu não sei o que você faz para ter um corpo assim tão perfeito. – Elogiou, enquanto Regina continuava rindo.

– Boxe e yoga, é o que eu faço. Passo duas horas diárias na academia. Aliás, me esqueci completamente disso ontem. – Contou.

– Você continua a porra de uma gostosa! – O elogio não era para sair em voz alta, mas acabou saindo, e deixou a morena um pouco envergonhada.

– Obrigada! – Murmurou. – Pelo que eu posso ver, você também continua muito bem. – Elogiou, ao olhar para os braços malhados da amiga.

– Continuo correndo, fazendo abdominais e me pendurando em barras improvisadas. Como agora tenho mais tempo livre, posso me dedicar mais aos exercícios. – Explicou. Regina concordou com a cabeça e sorriu sem humor, imaginando com mais o que ou com QUEM, a loira andava gastando seu tempo livre. – Então, você vai me salvar da recepção pós funeral da minha avó? – Retomou o assunto.

– Sim eu vou. Você pode dormir fora de casa? – A pergunta simples da morena, fez o coração de Emma reagir e ela tirar as mãos da frente do rosto.

– Tipo aonde? – Arqueou as sobrancelhas e mentalmente pediu a Deus, que fosse onde ela estava pensando.

– Na minha casa. Podemos dar continuidade na noite do pijama lá. – Ahhh, teve vontade gritar, de levantar e fazer a dança da vitória, de beijar aquela mulher linda em sua frente, mas teve que conter-se, se não Regina poderia mudar de ideia.

– Com certeza. – Sua resposta talvez tenha saído empolgada demais. – Só você e eu? – Tentou disfarçar o interesse por trás de tal pergunta.

– Algodão. – Droga! O cachorro. O Husky Siberiano, que provavelmente faria picadinho dela, caso se metesse a besta com Regina. – E talvez Henry. – Ok, Henry. Gostava de Henry, adorava seu melhor amigo, mas será que se desse alguma propina para o garoto, ele por um acaso dormiria fora de casa e levaria Algodão junto?

– Ok, espero que seu cachorro não queira me comer viva, nem arrancar nenhuma parte de mim. – Regina sorriu.

– Ele não vai, defendo você, prometo. – Emma suspirou e lhe correspondeu o sorriso.

– Promete mesmo? – Pediu em tom manhoso.

– Prometo! – A morena repetiu.

– Ok, então. – Concordou.

– Ok? – Regina suspirou, teve vontade de jogar-se naquela cama e de repente rolar por ali com Emma.

– Ok. – Se olharam por um tempo, sem nada dizerem. De novo Emma pensava em agarrar a amiga, enquanto Regina continuava com o pensamento de rolarem por aquela cama. Antes que decidisse mesmo fazer aquilo, e aí, adeus trabalho, e adeus funeral, a morena resolveu agir.

– Preciso ir. – Avisou sem tirar os olhos dos da amiga, que concordou com a cabeça.

– Eu também. – Lamentou-se. — Espera para descer comigo, assim eu abro a porta para você voltar sempre. – Regina riu ao ouvir aquilo. – Eu só preciso trocar de roupa. Como não vou mais matar seu marido, preciso pôr o vestido que minha mãe me comprou para o funeral. – Explicou-se ao se pôr de pé.

– Okay, enquanto isso acabo de me arrumar. – Emma concordou, sorriu e mantendo uma distância considerável, seguiu para o banheiro.

Regina soltou o ar que nem sabia estar prendendo, balançou negativamente a cabeça, tirou as mãos da cintura e foi até o resto de suas coisas. Depois de colocar a echarpe, pegou sua bolsa, e tirou de lá a escova de cabelo, um estojo onde guardava seu kit maquiagem e o espelho que sempre carregava consigo.

Sentou-se sobre a cama da loira e tentou concentrar-se na maquiagem, acabou tendo dificuldade com aquilo, já que pensava sobre Emma na sua casa. Algodão podia sentar-se entre as duas, certo? E Henry, com certeza ele ocuparia e muito Emma. Então quase não sobraria tempo para elas, pelo menos era assim que gostava de pensar.

E mesmo que sobrasse tempo para elas, sabia que Emma não faria nada contra a sua vontade, o problema na verdade era a sua vontade. Sua vontade era a mesma de uma adolescente inconsequente. Sua vontade era de se atracar com a loira em qualquer canto e matar toda a saudade que sentia, sem pensar nas consequências, sem pensar que o amanhã chegaria e com ele, Emma voltaria para a prisão.

E daí que ela voltaria para prisão? Daí que ainda precisavam conversar sobre muitas coisas, como por exemplo, o fim conturbado do “namoro”, a solitária de Emma, o dia em que a morena foi embora. Ambas sequer tinham tocado sobre um daqueles assuntos, como se não falar sobre eles, os fizessem não existir, mas existiam, Regina tinha consciência daquilo.

Fora que Emma na prisão, e Regina longe da mesma, não era uma combinação nada perfeita. Emma gostava da amiga, a ex-detenta tinha certeza que sim, mas não tinha nem um pouco de certeza se Emma conseguiria manter a boca, a língua, as mãos, o corpo, longe das outras detentas. Além de fazer sucesso entre as outras presas, Emma sabia ser muito cafajeste quando queria, e aquilo não era nada, nada bom.

Então talvez devesse deixar para ter de fato alguma coisa com amiga, depois que ela saísse da prisão. Mas talvez pudessem relembrar os não tão velhos tempos, certo? Já que a loira estava por ali, já que estava separada. Sexo sem compromisso. Quanto tempo não fazia sexo sem compromisso? Provavelmente nunca fez aquilo. Mas sempre existe uma primeira vez, certo? Certo. Então podia muito bem se engar que era só sexo sem compromisso e pronto.

Estava penteando os cabelos quando Emma pôs a cabeça para fora da porta do banheiro.

– Regina? – Chamou, ganhando sua atenção. – Minhas maquiagens estão todas vencidas, tipo, muito, muito vencidas. Talvez meu rosto caia caso eu as use. – A morena sorriu, pegou sua bolsa onde já tinha guardado suas coisas, levantou e foi até Emma, lhe estendendo a bolsa.

– Base, pó compacto, blush, lápis, delineador, rímel tem tudo aí dentro de um estojo preto. – Emma arqueou as sobrancelhas.

– Por isso uma bolsa desse tamanho. – Pegou no pé da amiga. – Não podemos dizer que você não é uma mulher preparada. – Regina riu.

– Com certeza não podemos. – Emma não pegou a bolsa, pegou o braço da amiga e a puxou para dentro do banheiro.

– Você me maquia. – Avisou. – Como nos velhos tempos. – A morena rolou os olhos, mas acabou sorrindo e concordando.

– Folgada, como nos velhos tempos. – Implicou com a amiga, enquanto colocava a bolsa sobre a pia. – Encosta aí. – Fez sinal com as mãos, mandando a amiga encostar-se lá. Foi o que ela fez, apoiou uma mão em cada lado da pia, entreabriu as pernas e esperou pela a amiga, que estava pegando o que precisava. – Tire os saltos. – Falou o que sempre falava quando servia de maquiadora da amiga, e foi instantaneamente obedecida. Regina parou na sua frente, e aproximou, se pondo entre suas pernas.

– Você está alta. – Emma murmurou ao levar as mãos até a cintura da amiga, que suspirou. Daquele jeito com certeza não conseguiria se concentrar.

– Acontece quando uso saltos. – Respondeu. – Mãos nos cabelos, Emma. Os puxe para trás. – Pediu, e contragosto foi obedecida. – Feche os olhos. – Deu uma nova ordem. – Não tenho certeza se esse tom de base vai ficar bom, talvez seja escuro demais para seu tom de pele. – Murmurou consigo, enquanto espalhava o produto pelo rosto da amiga.

– Não tem problema, mamãe diz que preciso pegar uma corzinha. – Respondeu entredentes, para não correr o risco de acabar comendo a esponja.

– Você sempre foi quase transparente, então se arriscar pegar uma corzinha, vai ser corzinha de camarão. – Pegou no pé da ex-namorada que sorriu.

– Não tenho culpa de não ter sangue latino correndo em minhas veias, se isso acontecesse, as chances de eu conseguir uma corzinha, seriam infinitamente maiores. – Defendeu-se.

– Nem todos têm essa sorte. – Debochou.

– Sua mãe nasceu aqui, ou veio de Porto Rico? – Emma não sabia quase nada sobre a mãe de Regina, porque a mesma quase nunca falava sobre a mulher.

– Nasceu aqui. – Limitou-se a responder. – Minha avó estava gravida quando descobriu que meu avô a traía. Então em uma bela madrugada, ela resolveu abandona-lo sem deixar ao menos uma carta, e veio tentar a vida na América do Norte. – Explicou, o que deixou Emma surpresa, já que a morena falou um pouco mais do que uma frase, sobre um assunto que envolvia Cora.

– Que avó malvada! – Abriu os olhos ao sentir Regina tirar as mãos do seu rosto.

– Ele mereceu. – Murmurou o comentário enquanto olhava atentamente para o rosto de Emma, analisando se tinha espalhado bem o produto. – Mas talvez ela pudesse ter deixado um bilhetinho. – Voltou-se para o lado, em busca do pó compacto.

– Um bilhetinho? – Emma riu e voltou a fechar os olhos. – Um bilhetinho me faz pensar em no máximo uma frase com três palavras.

– Estou indo embora com outro. Cinco palavras e caberia perfeitamente no bilhetinho. – Emma riu alto ao ouvir tal coisa.

– Você é má, Regina Mills! – Acusou.

– Não, eu não sou. Mas sofro de orgulho ferido, assim como a maioria das mulheres. – Resmungou. – Você vai querer sombra? – Emma tirou as mãos dos cabelos, abriu os olhos e negou.

– Não. Só delineador, tipo, capricha no delineador. – O pedido fez a morena sorrir.

– Ok, então você vai ficar bem paradinha, não vai se mexer um milímetro que seja, vai no máximo respirar e bem devagar. Porque eu odeio passar isso em outra pessoa. – Emma balançou a cabeça concordando e observou com um sorriso no rosto, a morena agitar o produto que estava quase no fim.

– Eu feri o seu orgulho e você me deixou uma carta. – Seu comentário fez a morena tirar a atenção do que fazia e encara-la. – Uma carta linda, que leio diariamente e ainda choro. – Regina abriu e fechou a boca algumas vezes, enquanto pensava no que dizer.

– Feche os olhos. – Disse por fim, fazendo Emma concordar e fecha-los. Por um tempo ficaram em silencio, o comentário de Emma pegou a morena de surpresa, tão de surpresa que no primeiro momento, não soube o que dizer. – Você não feriu meu orgulho, você me magoou, é diferente. – Murmurou um tempo depois. – E eu estava envolvida demais para apenas ir, e você estava na pior. E embora talvez você merecesse que eu fosse sem me despedir, não consegui fazer, na verdade, não quis fazer isso. Quis que as coisas terminassem menos mal, dessa vez. – Fez uma pausa para analisar o olho direito da amiga, antes de partir para o esquerdo.

– Sua atitude tornou meus dias menos miseráveis. – Sussurrou.

– Essa era a intenção. Acho que graças a isso você veio atrás de mim, me contou sobre todas as suas mentiras, e me tornou cumplice de um pseudo suicídio.

– Está arrependida por ter deixado a carta? – Mesmo com medo de perguntar, perguntou.

– Deveria, mas não, não estou nem um pouco arrependida. Estou feliz por estarmos aqui. – Murmurou, fazendo Emma sorrir. – Você não estava dormindo quando fui até a enfermaria deixar a carta, estava? — Já que estavam falando sobre aquilo, precisava esclarecer aquela dúvida.

– Não. – Admitiu. – Acordei quando você começou a falar, e mais uma vez na minha vida, fui covarde. Quer dizer, o que eu diria para você? – Soltou um suspiro de lamento.

– Acho que entendo. – Voltou a murmurar. De fato, foi mais fácil ir embora daquele jeito. Se Emma tivesse aberto os olhos, se tivessem conversado, não sabe se teria conseguido sair daquela prisão. – Só não entendo exatamente o motivo de você ter ido parar na enfermaria. – O coração de Emma que já batia acelerado com aquele assunto, ficou ainda pior ao ver onde a amiga queria chegar.

– Oh, por favor! Podemos deixar essa parte da conversa para depois? – Implorou, fazendo Regina suspirar e desistir.

– Abra os olhos. – Pediu e foi atendida. Analisou atentamente os olhos da amiga, e por fim, sorriu satisfeita. – Eu sou muita boa nisso. – Seu tom convencido fez Emma fazer que ia vomitar.

– Falou a mulher que há minutos atrás, me mandou ficar bem paradinha, sem me mexer nem respirar, porque não era boa em fazer isso nos outros. – Regina abriu um sorriso convencido.

– Mas no final das contas, eu sou. – Fechou o delineador e pegou o rímel. – Agora deixe os olhos bem abertos. Como se de repente, eu tivesse acabado de dizer para você que matei um cara. – Emma riu com a mensagem subliminar da piada, mostrou a língua para amiga e obedeceu sua ordem. – Não pisque. – Sussurrou, concentrada no que fazia. – Seus cílios bem que poderiam ser maiores. – Reclamou, enquanto tentava pinta-los.

– Não reclame deles. – Emma resmungou. – Eles têm sentimentos.

– Uhum. Devem sentir serem desse tamanho. – Implicou com a amiga, que voltou a lhe mostrar a língua. – Pronto, fiz o possível. – Devolveu o rímel ao seu estojo e pegou o blush. – Bochechas para dentro. – Pediu já com o pincel em mão. Riu quando Emma além de obedece-la, concentrou os olhos na ponta do nariz, ficando vesga. – Idiota! – Murmurou enquanto passa o pó na maçã do rosto da amiga. Os olhos de Emma acabaram parando nos lábios de Regina, que estavam cobertos por um batom vinho. Regina estava tão próxima de si, e ela tinha lábios tão convidativos, e o batom, o batom os deixavam ainda mais em evidência e convidativos. Era como se eles estivessem pedindo para serem beijados, e a cicatriz, deixava aquela região ainda mais sensual. – Não faça isso. – Ouviu a voz de Regina murmurar, só então se deu conta do quanto sua boca já estava perto da boca da morena, e suas mãos seguravam com firmeza a cintura dela.

– Por que não? – Indagou sem se afastar.

– Porque meu batom é do tipo que gruda na pele, e você não sabe o quão difícil é parar tirar. – Explicou. – Não quer aparecer no sepultamento da sua avó, com a região da boca toda marcada, quer? – Se aquilo significasse beijar Regina, então queria.

– Talvez? – Murmurou a pergunta, ainda tentada a fazer aquilo.

– Comporte-se, Emma! – Pediu ao tentar se afastar, mas a loira a impediu. – Por favor! – Implorou. Precisava ir até a cafeteria e Emma precisava ir até o funeral da avó.

– Só agora, ou sempre? – Regina suspirou e tirou as mãos da loira da sua cintura.

– Só agora. – Respondeu por fim, arrancando um largo sorriso da loira. – Quer o lápis? – Ofereceu o mostrando.

– Pode ser. – Regina o estendeu para amiga.

– Você passa. – Avisou, fazendo Emma rolar os olhos e pega-lo.

– Eu sei me comportar, Regina Mills. – Sabia que Regina desistiu do lápis para manter uma certa distância entre elas.

– Ah sim! Lembro muito bem do quanto você sabe se comportar. – Murmurou enquanto vasculhava seu estojo, em busca de um batom. – E do quanto a frase: “agora não”, surtia efeito reverso em você. – Pegou um batom rosa, e o colocou sobre a pia, em frente a Emma, que tinha se voltado para o espelho. Ao levantar a cabeça e olhar para a imagem da amiga que refletia lá, a viu rindo.

– Lembro que você reclamava, mas não fazia absolutamente nada para não acontecer. – Implicou.

– Você meio que não me deixava raciocinar, por isso, vamos manter distância. – Emma voltou a rir e devolveu o lápis a amiga.

– Você pode fugir, Regina Mills, mas não pode se esconder. – A frase idiota que Emma fez soar como uma ameaça, arrancou um sorriso bobo da morena, que resolveu parar com as provocações e começou a pôr suas coisas no devido lugar. Por fim, encostou-se na pia, cruzou os braços e esperou Emma acabar de aplicar o batom. – Você acha que eu devo prender os cabelos? – Jogou o batom dentro das coisas de Regina.

– Não, acho que deve apenas passar a escova. – Opinou, e sem dizer mais nada, Emma acatou a opinião.

Enquanto a loira estava concentrada nos cabelos, Regina parou para admira-la. O vestido drapeado de mangas longas, ficou perfeito no corpo esbelto da amiga. Talvez ele pudesse ser um dedo ou dois mais comprido, mas enfim, estava perfeito mesmo assim. A peça ressaltava todas as curvas da ex-namorada, e por Deus! Ela tinha um corpo digno de modelo de revista de boa forma, só que diferente de modelo de revista de boa forma, Emma era real, sem nenhum photoshop. Não bastasse ser perfeita, a cor da peça que usava, contrastava com sua pele alva, e lhe dava um ar sério e sexy ao mesmo tempo. E os olhos claros da amiga, ressaltados pela maquiagem, a deixavam com um olhar intimidador.

Cedo demais, a loira terminou com o cabelo, calçou os saltos e voltou-se para Regina, que tentou disfarçar a conferida que lhe dava. Emma fez não perceber aquilo, abriu os braços e lhe sorriu.

– Como estou? – Regina retribuiu seu sorriso.

– Linda! Você está linda. – Respondeu com toda a sinceridade.

– Obrigada! – Agradeceu sorrindo. – Vem aqui. – Puxou a amiga pelo braço, a fez ficar de frente para o espelho, se pôs atrás dela, e a segurou pela cintura. – Você também está linda. – Elogiou. – Estamos combinando na cor. – Regina voltou a sorrir e concordou. – Somos duas gostosas, lindas e fofas. – A morena fingiu cara de nojo.

– E você além de ser gostosa, linda e fofa, é também muito humilde. – Debochou.

– Só disse verdades. – Passou os braços em volta da cintura da morena, a abraçando por trás e recostou o queixo sobre seus ombros. – Nós combinamos perfeitamente, você não acha? – Murmurou para a imagem que refletia no espelho junto a sua. Regina balançou a cabeça concordando.

– Acho.

– E nós vamos continuar combinando quando não formos mais lindas e gostosas, não vamos? – A morena sorriu.

– Não se preocupe com isso, nós vamos ser velhinhas lindas. – Emma abriu um singelo sorriso ao ouvir tal coisa, juntou sua bochecha a da amiga, a apertou em seus braços, e as balançou de um lado para outro.

– Além de ser uma velhinha fofa e linda, você vai ser ranzinza. – Provocou a amiga, que lhe olhou de canto.

– E você vai continuar deixando suas coisas jogadas. – Emma riu.

– E você vai implicar muito com isso. – Regina balançou a cabeça concordando.

– Muito.

– E mesmo assim, com reclamações, implicâncias e dores de senhorinhas, nós vamos continuar sendo felizes. – E lá estavam elas de novo, fazendo planos.

– Acredito que vamos. – Tinha certeza que iriam, se, finalmente conseguissem engatar um relacionamento.

– Agora pega o seu celular e tira uma foto, depois você releva e põe em cima do criado-mudo do seu quarto, para quando você ficar velhinha, lembrar desse papo de banheiro. – Regina sorriu, esticou o braço alcançando sua bolsa, tirou de lá o celular e ao destrava-lo, voltou a sorrir, vendo que Emma tinha posto de plano de fundo, uma das fotos da noite passada.

– Até o dia de ontem, esse celular costumava ser meu. – Fez uma falsa reclamação.

– Só estava deixando ele ainda mais lindo. – Emma defendeu-se.

– Ok, olhe para o espelho e sorria. – Pediu ao ligar a câmera do aparelho. O sorriso largo de Emma, a contagiou, e ela sorriu tão largo quanto, se imaginando dali muitos anos contemplando aquela imagem junto com a loira. Fez duas ou três fotos antes de voltar a guardar o aparelho em sua bolsa. – Preciso ir. – Falou em tom de lamento. Antes de lagar a amiga, Emma roçou o nariz em seu pescoço e inspirou o máximo que pôde do perfume cítrico da morena.

– Mulher cheirosa! – Elogiou ao libera-la de seus braços. – Toma café comigo? – Pediu.

– Café? Já está na hora do almoço e nós duas estamos atrasadas. Eu mais do que você. – Estava passando alguns minutos do meio dia.

– Você é a chefe, não vai ganhar bronca por chegar atrasada. – Pegou a mão da amiga, entrelaçou seus dedos aos dela e a rebocou do banheiro. – E é só um café. Temos uma máquina milagrosa onde colocamos um sache e em menos de dois minutos, sai um café maravilhoso. – Explicou, enquanto com a mão livre, pegou o casaco da morena, e os jogou para cima dos ombros. – Ok, esquece isso, você deve conhecer todas as maquinas de café. – Resmungou enquanto andavam pelo corredor.

– É uma cafeteira elétrica, mas em vez de colocar o pó, você coloca capsula e não sache. – Regina corrigiu.

– Foi o que eu disse. De qualquer jeito, sai um café tomável e rápido. – A morena riu.

– Era sobre isso que estava falando quando ficou me devendo um café da manhã? – Provocou a amiga que negou.

– Não. O café da manhã que estou devendo envolve uma noite de sexo, corpos nus, uma casa só para nós e tempo. – Sua sinceridade fez Regina ficar muda. – Envolve também panquecas, ovos mexidos, bacons e suco de laranja, o que de novo, requer tempo. Quem sabe isso não aconteça amanhã? – Deixou a sugestão no ar, enquanto rebocava a amiga em direção a cozinha.

Notas finais
Então é isso! Conto com os reviews de vocês pra poder voltar até domingo. Beijo a todas!