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23 Feliz dia dos namorados!
Notas iniciais
O dia dos namorados não começou bem para Regina, teve pesadelos boa parte da noite, pesadelos que envolviam sua mãe e irmã. De novo viu sua irmã se afogando na piscina sem poder fazer nada, tentou gritar, mas sua voz não saiu, ao correr para dentro da casa dos pais e procurar ajuda, deparou-se com sua mãe suspensa, com uma corda amarrada no pescoço. Kate estava logo ao seu lado, também enforcada. As duas olhavam para Regina, e lhe apontavam o dedo, como se a culpassem por tudo o que tinha acontecido.
Despertou aos berros, tremendo dos pés a cabeça, suando e chorando. Assustando suas colegas de cela. Ficou tão ruim com aquilo que não deixou ninguém se aproximar, nem mesmo Emma. Isolou-se praticamente o dia todo, e não conseguiu parar de pensar sobre tudo aquilo por um minuto sequer. Tudo que desejava era ir para sua cela, deitar-se e dormir, queria que aquele dia terminasse o mais rápido possível.
Sabia que tinha combinado de fazer alguma coisa com Emma, mas não se sentia nem um pouco animada para um encontro, naquele dia não era uma boa companhia nem para si, imagina então para a namorada. Quando estava triste, Regina se tornava grossa, e Emma não merecia aturar seu mal humor, não queria que brigassem, então o mais sensato a fazer, era remarcar o tal do encontro.
Assim que seu expediente acabou, saiu em busca da loira, a procurou em todos os cantos possíveis daquela prisão, e não a encontrou em lugar algum, o que acabou lhe deixando ainda mais chateada. Resolveu então ir para cela, esperaria a loira sumida por lá. Deitou-se na cama de Emma, fechou os olhos e jogou o travesseiro para cima do rosto, como se fazendo aquilo, conseguisse abafar um pouco de seus pensamentos.
Queria tanto conseguir não sentir, não sofrer. A vida seria tão mais fácil se sentimentos não existissem. Seria tudo tão mais simples e indolor. Lembrou-se de um filme idiota onde os personagens conseguiam se desfazer das lembranças, desejou ter uma máquina daquela, para esquecer o dia em que encontrou sua mãe enforcada. Se conseguisse só esquecer daquilo, estaria de bom tamanho.
–Está dormindo? — Ouviu a voz de Ruby. Teve vontade de continuar daquele jeito, para que a detenta se afastasse e a deixasse sofrer em paz, porém tirou o travesseiro da frente do rosto, abriu os olhos e a encarou. Ruby lhe lançou um sorriso solidário, o que fez a morena constatar que Emma tinha aberto a boca.
–Sabe onde Emma está? — Indagou.
–Sei. — Voltou a sorrir. — Mas não posso dizer. — A morena lhe lançou um olhar desconfiado.
–Por que não? — De repente imaginou Emma em um canto qualquer com uma detenta qualquer, fazendo coisas que não fazia com ela.
–Porque é surpresa! Emma apaixonada é algo surpreendente. — Comentou.
–O que quer dizer exatamente com isso?
–Quero dizer que você vai ter o melhor encontro de prisão de todo o mundo. — Regina suspirou ao ouvir aquilo.
–O que ela está aprontando? — Indagou.
–Não posso dizer, se não vai estragar a surpresa, mas tenho certeza que você vai gostar. — Garantiu.
–Não estou no clima para um encontro hoje. — Admitiu. — Tudo que eu mais quero é dormir. — Ruby suspirou e sentou-se na beirada da cama.
–Mills, sobre isso que está deixando você assim... — Começou um pouco sem jeito, Regina acenou com a cabeça para que continuasse. — O que você pode fazer a respeito? — A morena suspirou.
–Infelizmente nada. — Soltou com o ar.
–Se não tem o que fazer, então desencana! Do que vai adiantar você ficar aí desse jeito? — Regina voltou a suspirar.
–Não é tão simples assim. — Defendeu-se.
–Eu sei que não. Como também sei que tem uma loira apaixonada lá fora, trabalhando do jeito que pode o dia inteiro, para dar a você um encontro digno. Não sei você, mas eu escolheria passar a noite na companhia dela, e não dos seus fantasmas. — Os olhos da morena ficaram presos nos de Ruby por alguns segundos, até balançar a cabeça concordando e esboçar um sorriso.
–Você tem razão. — Concordou.
–Eu sempre tenho. — Respondeu sorrindo e então estendeu uma caixa de presente para a morena. — Para você! — Regina a olhou desconfiada. — Pega logo, garanto que sua namorada vai gostar. — Curiosa, a morena sentou-se, pegou seu presente e rapidamente o abriu.
–Rum! — Coçou a garganta e sorriu. — Um vestido... — Comentou ao tira-lo de dentro da caixa. — De couro. — Fez mais um comentário.
–Vestido de couro preto. Achei a sua cara. — A morena analisava o vestido atentamente, era modelo tomara que caia, liso, sem um misero detalhe e talvez fosse curto demais para ela. Não tinha muita certeza se tinha gostado do vestido e tinha menos certeza ainda sobre ser a sua cara, mas sorriu e concordou.
–Obrigada! Você não precisava ter feito isso.- Agradeceu.
–De nada! Madrinha de prisão serve para essas coisas. — Regina riu. — Trouxe sapatos de salto também. — Ouvir aquilo deixou a morena um pouco animada.
–Saltos são vida. — Opinou sorrindo.
–É o que dizem. Comprei um vestido para sua namorada também. — Contou. — Como eu sou uma pessoa sem criatividade, ele é idêntico ao seu, mas na cor azul. — A morena riu. — A parte boa é que vocês só precisam abrir o zíper da lateral e pronto, se livraram de praticamente tudo. — Ao ouvir tal coisa, Regina ficou um pouco sem graça. — Qual é? Vai dizer que pretende continuar no zero a zero? — A pergunta da ruiva a deixou ainda mais desconcertada.
–Isso não é da sua conta, metida! — Ruby riu ao ouvir aquilo.
–Mills vai colar velcro! Mills vai colar velcro! — Começou a cantarolar sem parar. Querendo não rir, Regina tentava tapar a boca de Ruby com as mãos, mas a ruiva era ágil. De algum jeito acabaram deitas sobre a cama, e riam já sem motivo algum. Pareciam velhas amigas, gargalhando por nada. Não existia nada ali além de amizade, e não tinha nada de errado com aquela cena, o problema foi que Emma não achou a mesma coisa. Ficou estática ao entrar na cela e encontrar as duas lá, deitadas na SUA cama, uma tentando segurar as mãos da outra, enquanto riam sabia-se Deus do que.
–Atrapalho? — Sua voz séria e um tanto irritada, chamou a atenção das duas.
–Não. — Responderam juntas e sorrindo. Nenhuma das duas fez menção de se afastar, o que fez Emma fechar ainda mais a cara.
–Vocês tem certeza? Se quiserem posso me retirar. — Enquanto Regina arqueou as sobrancelhas ao ver a irritação da loira, Ruby riu.
–Sinto cheiro de ciúmes no ar. — Comentou ao levantar-se da cama. — É nessa hora que eu me mando, para que vocês discutam a vontade sobre a minha pessoa. — Avisou, fazendo a morena rir.
–Ah, Ruby? — Chamou, a fazendo voltar.
–Pois não, majestade? — A morena rolou os olhos pelo apelido.
–Você poderia conseguir com aquela sua amiga um kit-maquiagem completo? — A ruiva sorriu e assentiu.
–Assim que vocês terminarem de brigar, volto com a sua maquiagem. — Piscou para Regina, murmurou um "ciumenta" para Emma e se foi.
A loira continuou lá, parada ao pé da sua cama, de braços cruzados e semblante fechado. Seu pé direito batia contra o chão, como sempre acontecia quando estava irritada. Regina riu com aquilo, ato que fez Emma lhe olhar de canto.
–Você é ridícula! — Disse rindo, mas percebeu que a loira estava realmente brava quando ela não abriu a boca para dizer uma só palavra. — Sério mesmo? Não seja absurda. Acha que eu vou me envolver com Ruby também? — A loira bufou, voltou a olhar a amiga com o canto dos olhos, descruzou os braços e sentou-se na beira da cama.
–Essas mulheres são todas loucas por você. — Reclamou.
–Isso não é verdade. — Emma rolou os olhos pelo fato de Regina não enxergar o óbvio.
–É verdade sim. — A morena a puxou pelo braço, a fazendo deitar-se sobre a cama.
–Okay, digamos que seja verdade. O que importa? Eu sou louca por você, só você, ciumenta. Emmassexual, lembra? — Ao ouvir a declaração carinhosa da namorada, a loira esboçou um sorriso.
–O quão louca? — Indagou fazendo charme.
–Louca varrida, completamente apaixonada, perdida, ferrada, que muito provavelmente quando for embora daqui vai acabar parando em um manicômio. — Emma voltou a sorrir.
–O amor é para os loucos. — A morena concordou com a cabeça. — Vou parar no mesmo manicômio que você. — Soltou com ar.
–Torço para isso, afinal, com quem mais eu viveria minha loucura? — Emma voltou a suspirar. Regina e sua fala mansa conseguiam a dobrar em míseros minutos. Já nem lembrava o motivo exato por ter estado tão irritada. Puxou a morena para um abraço e por um bom tempo, elas ficaram daquele jeito, sem trocarem uma palavra. Regina gostava dos braços de Emma, se sentia bem estando lá, sentia como se a loira pudesse a proteger de qualquer coisa. Já Emma, ela achava os braços de Regina o melhor lugar do mundo.
–Então, para que essa maquiagem que você pediu para a sua amiguinha? — Amiguinha saiu cheio de deboche.
–Você sabe, tenho um encontro hoje, na verdade um primeiro encontro. Tenho que estar apresentável, já que dizem que a primeira impressão é a que fica. — Emma sorriu.
–Você quer que ela tenha uma boa impressão?
–Claro. Quero que ela me leve para casa no final da noite, entre outras coisas. — A loira sorriu ao ouvir aquilo e deu um beijo demorado na testa da morena.
–Você pode ir assim, com essa roupa laranja e de cara lava, lhe dou minha palavra de que, para ela, você estará sempre apresentável. Ela acha você a mulher mais linda do mundo. — Regina riu.
–Você acaba de me dar a certeza que o amor não é só para os loucos, é para os cegos também. — Fez pouco caso de si. Emma a olhou de canto e rolou para cima dela, prendeu suas mãos acima da cabeça e a encarou.
–Essa sua falta de modesta me irrita, sabia? Você merece um castigo por isso. — Avisou.
–E o que vai fazer comigo? Me amarrar e me bater? — Sugeriu ao arquear uma sobrancelha.
–Não é uma má ideia, mas talvez seja meio impróprio para o horário, então eu vou fazer cócegas mesmo. — Avisou antes de começar a cutucar as costelas da amiga.
(...) Regina levou aquele encontro tão a sério, que como diria Ruby, arrumou-se para matar. O preto sem dúvida nenhuma lhe caía muito, muito bem e os saltos lhe davam um ar ainda maior de superioridade. Os cabelos que já passavam um pouco da altura dos ombros, estavam perfeitamente escovados. A maquiagem escura destacava seus olhos, e o batom vermelho em seus lábios atraia olhares. Por estar onde estava, concluiu que até que não tinha ficado tão ruim, a única coisa que estava lhe incomodando eram os seios, que estavam apertados demais lá dentro e a morena tinha a impressão que a qualquer momento eles saltariam.
O barulho dos seus saltos, ecoavam pelo corredor, enquanto ela caminhava rumo a sua cela onde a namorada estava a esperando. Por onde passava, ouvia assovios, piadinhas e convites nada decentes de outras detentas. Embora alguns a fizessem sentir vontade de rir, ela mantinha seu semblante sério, de superioridade, sua cabeça sempre erguida, seus olhos sempre focando a frente. Em momento algum demonstrou estar prestando atenção no que acontecia ao seu redor.
Emma assistia de longe o caminhar seguro e sensual da morena. Fodida! Estava fodida! Como, como conseguiria simplesmente conversar, jantar e fazer de conta que estava tudo bem, com a morena vestida daquele jeito? Pediu a Deus que a ajudasse, porque sabia que teria sérios problemas para se controlar e não agarrar a morena já por ali mesmo, a jogar contra aquela parede e quem sabe chama-la de lagartixa ou algo assim.
Estava ansiosa para que a namorada lhe alcançasse, queria ao menos lhe roubar uns beijos. Sorriu e perguntou-se se era daquele jeito que os noivos se sentiam a espera da noiva no altar. Ainda não conseguia acreditar que aquilo tudo era realmente seu, só seu, pelo menos no tempo que passasse por ali. Nunca conseguiu entender o que a amiga viu nela, mas torcia para que continuasse vendo.
Regina sorriu ao perceber Emma em frente a cela, e concentrou seus olhos nela. Os cabelos da loira estavam presos em um ato rabo de cavalo, sua franja estava solta, jogada para o lado. Seus olhos pareciam ainda mais claros, pelo delineador que usava. Seus lábios estavam cobertos por um batom rosa. O vestido azul bic tinha lhe caído muito, muito bem, gostava do comprimento, ou da falta de comprimento dele. Subiu os olhos pelas pernas alvas e torneadas da loira sem ao menos disfarçar. E não pode deixar de perceber que ela também parecia ter problemas para deixar os seios dentro do vestido.
Parou em frente a namorada, procurou seus olhos e lhe sorriu.
–Desculpe pelo atraso, mas Orbson tinha outros cabelos para escovar além dos meus. — Explicou-se.
– Valeu cada minuto esperado. Você está linda, Regina Mills. — Emma elogiou sem tirar os olhos da amiga, mas precisamente do busto da amiga.
– Obrigada! — Sorriu. — Você também está linda! — A loira sorriu e apontou para o próprio corpo.
– Tudo para você! — A morena abriu um sorriso nervoso e aquilo não passou despercebido pelos olhos atentos de Emma. — Você está bem? — Indagou.
– Estou. Quer dizer. — Riu de si. — Por Deus, Emma! Estou uma pilha de nervos. Me sinto como se estivesse saindo para o primeiro encontro da minha vida com alguém complemente desconhecido. — A loira sorriu e balançou a cabeça concordando.
– Seria estranho se eu falasse o mesmo? Olha. — Pegou a mão da namorada. — Minhas mãos estão suando frio. — Regina sorriu e segurou com firmeza a mão fria da loira.
– Como somos patéticas! — Debochou.
– Não usaria a palavra patéticas. — Suspirou. — Acho só que esperamos muito para um momento como esse, esperamos tanto que no fim acabamos convencidas que não aconteceria e agora não sabemos o que fazer.
– Talvez seja um bom começo você me levar sei lá para onde. — Emma nunca foi muito boa em guardar segredos, sempre contava tudo a Regina, mas recusou-se de todas as formas a dizer em que parte da prisão seria o tal encontro.
– Precisamos esperar mais um pouquinho, minhas fadas madrinhas virão avisar quando tudo estiver pronto. — A morena juntou as sobrancelhas.
– Fadas madrinhas? — Indagou rindo. — Oh, não, não, não me diga que meteu Ruby e French nisso? — Emma deu de ombros, arrancando uma gostosa gargalhada da morena. — O que prometeu em troca de ajuda? — Porque com certeza alguma coisa teve que prometer.
– Nada. — Regina lhe lançou um olhar desconfiado. — Só falei a verdade, ué!
– Que seria? — A loira mordeu os lábios e então sorriu.
– A verdade? — Indagou um pouco envergonha e Regina afirmou com a cabeça. — Eu já perdi a conta de quantos encontros tive, de quantas mulheres peguei e deixei na porta de casa, de quantas portas de carros abri, de quantas contas paguei, de quantas conversas fiz prestar atenção, de quantos sorrisos forçados dei, e de quantas vezes cheguei em casa me sentindo a pessoa mais solitária do mundo. — Fez uma pausa para respirar. — Por todo esse tempo, o encontro de hoje foi o único que sonhei de verdade, foi ele que eu busquei em todos os outros. Hoje, Regina Mills, no final desse encontro, eu não vou voltar para casa, vou voltar para o meu beliche de prisão, mas eu vou voltar me sentindo a pessoa mais feliz e realizada do mundo. Sei que estou atrasada treze anos, e que nada que eu venha a fazer vai compensar isso, mas que quero que seja perfeito, quero que seja perfeito para você, como tenho certeza que será para mim. — Por fim suspirou e sorriu. — Foi isso que eu falei para elas, como elas perceberam que estou fodidamente ferrada, não pediram nada em troca para me ajudar, afinal é dia dos namorados. — Ao ouvir tudo aquilo, a morena soltou um suspiro apaixonado, suas mãos foram até a cintura da loira e ela a trouxe para perto. Lhe olhou nos olhos e sorriu.
– Eu... — Regina não sabia o que dizer, na verdade, sabia, só não sabia se seria justo compartilhar todas as suas sentimentalidades com a loira, sabendo que logo teria que deixa-las de lado e ir, resolveu então não dizer nada, apenas fechou os olhos e juntou os lábios aos de Emma, os deixando parados lá. Suas mãos subiram até o rosto da amiga, o acariciando, tentando decorar cada mínimo detalhe. Por que a vida as vezes jogava tão duro? Questionou-se. Por que as coisas não poderiam ter sido sempre daquele jeito? Por que não foi atrás de Emma e lutou por ela, ao invés de apenas ter ficado se lamentando? Viu o amor de sua vida saindo porta a fora e não fez absolutamente nada para impedir, deixou seu orgulho falar mais alto. Tanto tempo depois, um sentimento novo apossava-se de si, arrependimento. Oh sim, o maldito tinha finalmente a alcançado, porém era tarde, muito tarde para aquilo.O tempo não ligaria para seus arrependimentos. Ele não liga para nenhum tipo de sentimento, é imune a essa palavra. — Eu sinto muito, muito. — Desculpou-se, deixando uma lágrima fugir. Emma não sabia exatamente pelo que a amiga sentia, mas concordou com a cabeça, afastou minimamente sua boca da boca da namorada, levou as mãos até o rosto dela e o segurou.
– Abra os olhos. — Pediu em um sussurro, sendo imediatamente obedecia. Os olhos marejados da morena, acabaram contagiando os seus e ela precisou respirar fundo para não deixar suas lágrimas caírem. — Não sinta. — Pediu. — Um dia de cada vez, lembra? — Lentamente a morena assentiu com a cabeça.
– E quando eu tiver que ir, Emma? Eu tenho medo. — Confidenciou em um sussurro. Emma tentou sorrir e lhe beijou os lábios.
– Não tenha. — Pediu. — Aconteça o que acontecer, eu vou estar sempre com você. — Seu indicador tocou a têmpora da morena. — Aqui, em suas memórias. — Desceu a mão até o peito da amiga. — E aqui, no seu coração. E você vai ficar aqui comigo, nas minhas memórias e no meu coração. — Esboçou um sorriso. — Nada nem ninguém, pode tirar isso de nós, Regina Mills, talvez nem a morte. — A morena sorriu e concordou.
– Nem mesmo ela. — A frase soou como uma promessa.
– Cheguei e minha diabete hoje está altíssima, então me poupem. — French anunciou-se. Emma beijou os lábios da namorada, pegou sua mão e então voltou-se para a detenta descabelada.
– Tudo pronto? — Indagou. Ao parar os olhos nas duas mulheres, French assoviou. — Duas gostosas se pegando! Ah minha santa periquita! Eu daria a vida para assistir isso. — Se expressou em voz alta, deixando a morena constrangida.
– Sonha! — Emma ria.
– Nós três bem que poderíamos trocar uns beijos e quem sabe algo mais. — Sugeriu, fazendo os olhos de Regina crescerem.
– O quê? — Indagou assustada.
– Olha só, French, eu sei que nós duas somos lindas, gostosas e irresistíveis, mas para de sonhar, isso não vai mesmo acontecer. Eu não vou dividir a minha namorada com você. — Emma tentava não rir. — E o que sua irmã diria sobre isso? Ela acharia no mínimo uma traição. — A detenta descabelada balançou a cabeça muitas vezes concordando.
– Por favor, parem de se vestir assim. — Pediu. — Se uma lésbica ensandecida encontra vocês assim, não vai dar certo. — Avisou.
– Relaxa, French! Amanhã voltaremos para o laranja fashion de sempre. — Emma a tranquilizou.
–Falando nisso, o que acontece conosco caso algum guarda nos veja vestidas assim? — Uma ruga de preocupação invadiu a testa da morena.
–Vocês farão parte dos pensamentos deles enquanto se masturbam. — Embora a pergunta não tenha sido feita a French, foi ela quem respondeu. Emma riu ouvindo aquilo, já a morena fez cara de nojo.
–Não vai acontecer nada. Ruby é amiga da guarda responsável pelo horário noturno, então ela convenceu a mulher a fazer vista grossa. — Emma tranquilizou a namorada, que sorriu aliviada.
– Okay, agora que você já tem sua resposta, Realeza, vamos indo. Afinal, eu também sou filha de Deus e também tenho um couro para queimar. — A detenta apontou para a saída da cela e se obrigou a parar de secar as duas colegas.
– Onde a gente vai, hein? — Regina questionou com Emma pela décima quinta vez. A loira sorriu, largou a mão da namorada e correu até sua cama, pegando sua jaqueta, depois foi até a cama da morena e fez o mesmo. Antes de voltar para a namorada, colocou na boca uma das balas que Regina tinha passado a amar.
– Paris, Regina, Paris! — A morena rolou os olhos e bufou, desistindo de saber. Emma sorriu, e puxou a namorada curiosa pela mão, a rebocando dali.
O barulho dos saltos contra o chão, era tudo que se podia ouvir entre as três. Regina estava nervosa, seus pensamentos alternavam sobre o lugar misterioso que estavam indo, e seu encontro com Emma. Quer dizer, seria naquela noite, certo? Provavelmente seria. E se ela não soubesse o que fazer, como fazer, como agir? Nem quando estava prestes a perder a virgindade se sentiu tão nervosa daquele jeito. Balançou a cabeça tentando apagar seus medos de lá, afinal, ela não estava saindo com qualquer uma. Além de Emma ser sempre um poço de paciência, ela também sabia sobre sua falta de experiência, e além de tudo a amava, ou seja, não tinha motivos para temer o que quer que fosse. Até porque, queria que aquilo acontecesse.
Emma também estava nervosa, seus pensamentos também alternavam, entre saber se Ruby tinha deixado tudo certo, e a noite que teria com a namorada. Pensar sobre a noite com a namorada, fazia seu coração bater mais rápido. Finalmente aconteceria, não aconteceria? Ah é, provavelmente aconteceria. Ficava um pouco nervosa com aquilo, queria que fosse perfeito, queria que Regina suspirasse sempre que aquela noite lhe viesse a mente, ou seja, precisava ir devagar, ser gentil e amável, tinha que deixar a Emma louca ensandecida bem longe, pelo menos naquela noite.
Já French, tentava pensar em outra coisa que não fosse suas colegas de cela, os vestidos delas e seus corpos perfeitos. Sabia que era feio desejar a mulher do próximo e tudo piorava quando desejava as mulheres das próximas. Balançou a cabeça tentando se livrar daqueles pensamentos impuros e lembrou-se do encontro que teria. A mulher com quem sairia também não era de se jogar fora e dentro de um vestido ela ficaria tão bem quanto as duas gostosas sortudas.
– Mills? — Chamou, tirando Regina dos seus pensamentos. A morena levantou a cabeça e olhou para o lado. — Você se importa em dormir na cama de Ruby, essa noite? — Regina juntou as sobrancelhas.
– Tem algum problema com a minha cama? — Indagou confusa. Emma riu, entendendo o que French quis dizer.
– Ah Regina Mills, é por essa e outras que eu te amo, sabia? — Passou o braço em volta dos ombros da namorada e lhe beijou o rosto.
– O quê? — Se sentiu ainda mais perdida. — O que eu estou perdendo e o que isso tem a ver com a minha cama? — Indagou com French.
– Você não é a única a ter um encontro hoje, Realeza. E bom, talvez você não queira assistir de camarote o que vai acontecer no beliche ao seu lado. — Ao entender do que se tratava, Regina abriu e fechou a boca algumas vezes, por fim sorriu sem graça.
– Se eu for para baixo, Ruby vai dormir onde? — Emma gargalhou ouvindo aquela pergunta, ato que fez a morena entender onde a ruiva dormiria. — Sério? — Indagou surpresa. — Ah meu Deus! Eu... eu... Ah meu Deus! — Continuava surpresa e Emma continuava rindo. — Eu não sabia que vocês tinham um caso. — French sorriu.
– Nós não temos. — Deu de ombros. — Só vamos fazer uma troca de favores. — Explicou.
– Okay. — Regina concordou, sem saber exatamente o que dizer. — Eu durmo embaixo então. Só não usem a minha cama. — Ordenou.
– Usaremos a minha. — Prometeu.
– Que ótimo! Algo me diz que a minha cama vai tremer e muito durante a noite. — Emma lamentou-se. — Pelo amor de Deus, não quero saber de ninguém se expressando em voz alta, isso já seria mais do que posso aguentar calada. — Avisou.
– Oh Deus! Eu não posso mesmo acreditar nisso. — O pensamento alto da morena chamou a atenção de Emma e French.
– Nisso? — Questionaram juntas.
– Nisso. Nisso tudo. Se há um ano me dissessem que eu acabaria presa, reencontraria você e teríamos um caso homossexual, eu no mínimo daria risada. Se fossem além e me dissessem que eu dividiria uma cela com duas lésbicas que pretendem transar lá na minha presença, eu sugeriria internação. Isso tudo é tão surreal. As vezes eu me pergunto se ainda existe uma população masculina lá fora, e caso exista, será que as mulheres ainda gostam deles? — As outras duas riram.
– Por mim, todos poderiam ser extintos. — French deu de ombros.
– Por mim também. Salvaria seu filho, o resto eu daria para aos dinossauros. — Principalmente Robin, mas Emma preferiu não concluir seu pensamento.
– Vou fazer de conta que não ouvi isso. — Murmurou a morena. — De qualquer jeito, espero que ninguém tenha ressuscitado os dinossauros. — Pegou no pé de Emma, a fazendo mostrar a língua.
– Coloquem as jaquetas, está um frio do cão ali fora. — French avisou ao abrir a porta que dava acesso a rua e sair pela mesma. Ao sentir o vento frio invadindo o lugar, Emma encolheu-se, fazendo Regina sorrir. Depois de colocar sua jaqueta, puxou a loira para perto, passou o braço em volta de seus ombros e caminharam para rua.
– Me diz que esse tal encontro não será na rua, porque se não, vou terminar a noite com um picolé humano ao meu lado. — Pediu, fazendo Emma rir.
– Claro que não vai ser na rua. — Respondeu, enquanto seus dentes batiam pelo frio.
–Se for mesmo congelar, deixa para fazer isso depois, primeiro quero jantar. — Pegou no pé da namorada.
–Ah Deus! Você me deu uma namorada interesseira. — Fez reclamar.
–Cada um tem aquilo que merece, Emma Swan. — Emma sempre deixava um sorrisinho escapar quando a morena a chamava pelo nome e sobrenome. Regina fazia seu nome soar de uma forma tão forte, e sua voz saía de um jeito tão sexy.
–Discordo! Eu não mereço você e aqui estamos nós. — Deu sua opinião sincera. Estava ciente que não era merecedora daquilo. Regina era em muitos sentidos, muita areia para o seu caminhão.
–E por que você não me merece? — Indagou de sobrancelhas arqueadas.
–Olhe para mim! — Apontou para si. — Eu sou um nada. — A morena sorriu sem humor e discordou com a cabeça.
–Você é muitas coisas Emma, menos um nada. — Começou. — Você está longe de ser um nada. — Os olhos de Emma prenderam-se aos de Regina.
–E o que eu sou então? — Regina esboçou um sorriso.
–Uma mulher inteligente, persuasiva, simpática, linda, engraçada, encantadora, que está há tempos parada no mesmo lugar, por puro medo de dar da um passo adiantes e conhecer o mundo cheio de possibilidades que há muito espera por ela. — Emma sorriu envergonhada ao ouvir tantos elogios vindo da namorada. — Você pode ser quem você quiser ser, Emma, talvez seja melhor evitar algo que tenha muitos números, mas existem infinitas coisas que não envolvem números. — A loira riu ao ouvir aquilo. — Não tenha medo de mudar, tenha medo de permanecer na mesma. Escolha ser livre. — Emma assentiu com a cabeça. — Enfim, de uma coisa tenho certeza, você é a mulher, o amor, da minha vida, e você não sabe o quanto eu torço para você não escolher o caminho errado mais uma vez. — Suspirou. — Mas não posso fazer nada a respeito disso, é uma decisão só sua. — A loira voltou a assentir. Sim, ela tinha medo de mudar, de largar tudo que sabia fazer e tentar a sorte, mas queria, pela primeira vez nada vida, desejava de verdade se afastar do tráfico e ter uma vida normal, só não sabia se seria possível. Se a deixariam mesmo fazer aquilo. A falta de resposta de Gold, a desanimava e a fazia concluir que ele não aceitaria sua escolha assim tão fácil.
–Um dia, você ainda vai ter muito orgulho de mim, Regina Mills. — Prometeu não só para Regina, mas também para si.
–E quem disse que eu já não tenho? — Indagou.
–Se tem, é porque gosta de mim e não porque eu mereço. — Resolveu mudar de assunto, já que estavam chegando ao local do encontro. — Espero que sua melhor amiga de todo o mundo, tenha arrumado tudo que faltava. — Resmungou ao ver Ruby, saindo do lugar.
–A estufa abandonada? — Regina apontou para o casebre de madeira, que de fora, parecia coisa de filme de terror. — Tem mesmo certeza que vamos ficar ali? — Tinha muita dúvida na voz da morena, além de receio. Já tinha entrado naquela estufa uma vez, e se deparou com muito barro, entulho, vasos velhos e sujos, plantas mortas, sujeira, teias de aranha, e mais sujeira.
–Absoluta. — Emma respondeu sorrindo. Antes que Regina pudesse perguntar se a namorada tinha MESMO certeza sobre aquilo, elas alcançaram Ruby e French.
–Fui, fui! — Como Ruby não sabia assoviar, o assovio foi falado. — UAU! Duas gatas quentes! — As elogiou.
–Emma é uma gata fria, quase congelando na verdade. — Regina implicou com a namorada.
–Uma gata fria doidinha para colocar as mãos geladas em cada parte do seu corpo quente. — Rebateu, deixando a morena sem graça.
–Vai dar para sentir o cheiro de couro lá de dentro. — French comentou com Ruby, a fazendo rir.
–Okay, é nessa hora que a gente vaza! — Avisou a French, então foi até Emma, parando em sua frente. — Sua chave, gata fria! — Estendeu a chave para loira.
–Tudo certo? — Emma indagou.
–Sim. As coisas estão ao lado da porta e a comida sobre a toalha. — Avisou.
–Obrigada! — Lhe sorriu.
–Não façam nada que eu não faria! — Pediu, fazendo Emma rir. — E você, Mills! — Voltou-se para Regina. — Se joga! Aproveite bem a sua noite. — Desejou. Regina concordou com a cabeça e sorriu.
–Vou aproveitar. — Avisou. — Faça o mesmo. Aliás, aproveitem enquanto não estamos na cela. — Falou alto para que French também ouvisse.
–Ah, qual é? — Ruby voltou-se para o seu lance. — Você falou para elas? — French deu de ombros.
–Você não me disse que era segredo, e tipo, elas dividem uma cela conosco. — Desculpou-se.
–Okay, sintam-se a vontade para continuarem discutindo a relação aqui nesse frio, Regina e eu vamos entrar. — Emma avisou ao puxar a namorada pela mão. Parou em frente a porta e com um certo trabalho a destrancou. O frio que estava sentido a fez puxar a namorada para dentro com uma certa urgência.
– UAU! — Regina balbuciou enquanto olhava admirada. Não tinha mais entulho, nem plantas mortas, vasos, barro ou teias de aranha. O chão estava coberto por folhas secas e velas, muitas, muitas velas, estavam espalhadas por todo o lugar. Eram elas as responsáveis pela iluminação. No centro da estufa, tinha uma grande toalha branca, com algumas almofadas vermelhas e uma balão de gás também vermelho no formato de um coração, estava amarrado em uma cesta de piquenique.
– Gostou? — Emma indagou sorrindo, enquanto observava a morena girar, checando todo o lugar.
– Está brincando? Ficou incrível! — A loira sorriu satisfeita ao ouvir aquilo.
– A noite ajuda a esconder as imperfeições, e acredite, não são poucas. — Contou.
– Cala a sua boca! Está perfeito. — Murmurou ainda admirada, de novo arrancando um sorriso orgulhoso da loiro. — Mas não corre o risco de tudo pegar fogo? — Emma riu ao constatar que a morena continuava a mesma paranoica de sempre.
– Não. As velas são elétricas. — Avisou. — Agora deixa eu fechar essa porta, antes que eu congele. — Suas mãos foram até a cintura da morena e delicadamente a puxaram, a trazendo para dentro. Sorriu para a chave em sua mão a colocou na fechadura e as prendeu lá dentro. Ajudou Regina a tirar seu casaco e o pendurou no cabide improvisado que ficava ao lado da porta, em seguida fez o mesmo com o seu. Aproveitou que a morena ainda estava distraída com o lugar, e juntou os presentes que estavam no chão ao lado da porta, os escondeu atrás das costas e parou em sua frente. — Será que dá para você olhar para mim um pouquinho? — Pediu tentando não rir.
– Desculpe! — Sorriu. — Estou realmente impressionada. Esse lugar era um depósito de nojeiras, e você sumiu com tudo que tinha aqui. Como fez isso? E onde conseguiu todas essas velas elétricas? — Emma riu.
– Quer saber como fiz isso e onde consegui as velas, ou quer o que e tenho aqui atrás? — A curiosidade de Regina a fez esquecer das perguntas, e de repente ela estava tentando espiar o que Emma tinha nas mãos, o que fez a loira gargalhar. — Sem trapacear, Regina Mills. — Pediu, enquanto mexia seu corpo de um lado para outro, para que a morena não conseguisse ver o que ela escondia.
– Okay, você responde minhas perguntas depois. — Emma voltou a gargalhar.
– Você continua a mesma curiosa de sempre. — Implicou. — Toma! — Lhe entregou a caixa de chocolates.
– Um presente? — Quando pensou que Emma não tinha mais como surpreende-la, a loira aparece com um presente.
– Já adianto que você vai ter que dividir comigo. — Avisou. Regina nada disse, apenas meteu a mão no papel de presente e o rasgou. — Ah Deus! — Sorriu e beijou a caixa de chocolates. — Lindor, sério? Você vai para o céu. Obrigada Deus! — Agradeceu enquanto abria a caixa.
– Ah é, obrigada Deus, afinal, foi o senhor quem fez essa caixa aparecer aqui. — Emma debochou, fazendo a morena lhe mostrar a língua.
– Obrigada, Emma! Você é a melhor namorada de prisão de todo o mundo. — Abriu um dos chocolates e mordeu a metade. — Deus! — Fechou os olhos e suspirou sentindo o gosto do doce. — Como isso é bom! — Continuava conversando com Deus, enquanto lambia os lábios. Emma suspirou assistindo aquilo, como aquele chocolate era sortudo. — Abre a boca! — Pediu ao levar a outra metade do chocolate até a boca da loira, que prontamente obedeceu. Antes que Regina pudesse levar sua mão para longe, Emma a segurou, abriu um sorriso sacana para os dedos da amiga e levou o indicador a boca. Passou a língua lá, antes de lentamente o tirar da sua boca. Fez o mesmo procedimento com o polegar. Por fim, a olhou nos olhos.
– Delicioso. — Sussurrou e então sorriu. A morena ficou sem reação por alguns segundos. Seus olhos estavam vidrados na boca da amiga e ela não conseguia para de pensar no que Emma tinha acabado de fazer.
– Quer mais? — Ofereceu ainda estática.
– Com certeza eu vou querer mais, muito mais. — O jeito com o qual falou aquilo, junto com o olhar faminto que lhe lançou, fez Regina se perguntar se ainda estavam falando sobre chocolates.
– Okay! — Ao ver que tinha deixado a namorada apreensiva ou nervosa, Emma sorriu e resolveu mudar de assunto.
– Vem cá, você não quer o outro presente que está escondido aqui atrás? — Mais um presente? Não gostava nem de pensar o que Emma tinha feito em troca de tantas coisas.
– Você por um acaso andou pulando o muro da prisão para ir atrás dessas coisas? — Emma riu. Estava se divertindo com a curiosidade da amiga.
– Não, não andei. — Foi tudo que respondeu, queria ver Regina perder a paciência e exigir uma explicação para saber de onde veio tudo aquilo.
– Então como conseguiu tudo isso? Não tente me enrolar. — Avisou com jeito Regina estressada de ser, fazendo as borboletas do estômago de Emma suspirarem.
– Ah como eu te amo, ser estressado! — A morena lhe lançou um olhar de quem queria uma explicação imediata. — Ofereci meus serviços sexuais! — Falou com intuito de provocar ainda mais, quando viu Regina fechar a cara e estreitar os olhos, teve certeza que conseguiu. — Regina, tudo fica mais fácil de se conseguir, quando sua namorada é aparentemente a melhor amiga da detenta que dirige a van do presidio. — Contou. — Só precisei ligar para a minha mãe e pedir para ela estar no hospital em que Ruby e os guardas levam a Muller todas as quartas-feiras e pronto. Ruby deu um jeito de esconder as coisas na van e aqui estamos. — Explicou.
– Sua mãe? — A loira afirmou com a cabeça. — Ela sabe sobre isso? — Os dentes de Emma pressionaram seu lábio inferior, ela sempre fazia aquilo quando não tinha absoluta certeza de algo.
– Bom, eu não soletrei e nem desenhei para o que queria essas coisas, mas ela não é burra, então... — Deu de ombros.
– Você já conversou com ela sobre... — Emma afirmou com a cabeça.
– Nós? Sim, já conversamos. Não se preocupe, você continua sendo a preferida dela. — Avisou. — Agora esquece a minha mãe, e presta atenção em mim. Eu mereço, não mereço? — Se fez de coitada, ato que arrancou um meio sorriso da morena.
– Me da logo esse presente. — Pediu, apontando com a cabeça para o que Emma escondia.
– Feliz dia dos namorados! — Desejou ao tornar visível a rosa vermelha que segurava atrás de si. — Chocolates e flor, como você queria. — Murmurou, arrancando um sorriso bobo da morena.
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