Escape

33 Emma Swan mandou lembranças


Notas iniciais
Cá estou eu, quase as 5:00 da manhã, para postar mais um capítulo. Quero agradecer muito, muito a todas que deixaram reviews no capítulo passado, e dizer que no máximo até sexta, responderei todas, só não vou fazer isso agora, devido a hora. Gosto de responde antes de postar um novo capítulo, mas devido a hora, meu sono só me deixa fazer uma coisa, então se eu escolhi errado, peço perdão desde já. Quero deixar um agradecimento especial a Julia, que além de ser a garota propaganda e a embaixadora de Escape no twitter, ainda fez uma recomendação fofa-linda para a fanfic. Julia, sua linda, mais uma vez, muitíssimo obrigada por toda a força que você da, obrigada mesmo, mesmo. E agora sobre o capítulo, ele não deveria existir, deveria fazer parte do próximo, surgiria como um flashback, porém o próximo capítulo está enorme, então talvez fosse ficar um pouco cansativo, e bom, quando se tem Regina e Emma interagindo, ninguém quer saber do que aconteceu com o Gold, por isso esse capítulo. Ele é sobre a morte do homem, e vai ser essencial para algumas coisas lá na frente, então é necessário. Acho que é isso, vamos conhecer a Emma e o seu lado não tão gentil e bondoso =D

Emma batia os pés impacientemente contra o chão do carro, em um claro sinal de nervosismo, enquanto suas mãos tiravam mais uma bala de halls da embalagem. Já tinha devorado quase todas as balas em menos de dez minutos, o que nada mais significava do que outro sinal do seu nervosismo. Levou a bala a boca, e dobrou várias vezes a embalagem, antes de guardar o que tinha sobrado no bolso do seu moletom.

Baixou o quebra sol, e analisou atentamente seu “novo” visual. A peruca preta não lhe agradava muito. Passou a mão pela franja a jogando para o lado e fez uma nota mental de nunca, nunca mesmo, tingir os cabelos daquela cor, ficava muito estranha daquele jeito.

– Tenho a impressão de que a qualquer minuto você vai me assaltar. – Daniel comentou com a irmã, que teve seu moletom afanado pela mesma. A peça preta era pelo menos duas vezes maior do que ela. O jeans escuro que usava, Emma, pegou da mãe, e por um motivo que o rapaz tentava entender, a irmã fez alguns rasgos na coitada da calça. Seu all star sujo e detonado que uma vez tinha sido branco, completava o look trombadinha.

– Cala a boca! – Estava tentando se concentrar no que iria fazer, então não tinha tempo para as gracinhas do irmão. – Me dá seus óculos. – Pediu ao rapaz.

– O quê? De jeito nenhum. – Daniel não enxergava muito a sua frente quando estava sem seus óculos ou lentes. Se emprestasse os óculos a irmã, ficaria à mercê da mesma, e caso as coisas não saíssem como o planejado, ele provavelmente viraria mortadela de traficante.

– Anda logo, antes que ele chegue. – Não estava pedindo, estava ordenando. Como o irmão não fez menção de entrega-lo, jogou seu corpo para cima do dele, e a força, lhe roubou os óculos.

– Você sabe que eu tenho uma mulher gravida me esperando em casa, não sabe? Sinto muito se de algum jeito eu colaborei para sua vida se tornar o que se tornou, mas eu não posso me arriscar tanto, Emma. Sem esses óculos não consigo chegar nem na esquina. – Reclamou.

– Relaxa! Vai dar tudo certo. – Garantiu. Voltou a olhar para o espelho do quebra-sol e pôs os óculos do irmão. – Meu Deus! Você é praticamente cego. – Reclamou estreitando os olhos, em uma tentativa de acostuma-los com aquilo. Apesar das lentes grossas, gostou do modelo Wayfarer do Ray-Ban, que combinava com seu rosto. Deu mais uma ajeitada nos “seus” longos cabelos negros, e em seguida puxou o capuz do moletom, cobrindo a cabeça. Sorriu satisfeita para a sua imagem refletida.

– E se não der? – A verdade era que estava tão ou mais nervoso do que a irmã. Não sabia onde estava com a cabeça quando decidiu ajuda-la com aquilo. Se por um acaso fosse descoberta, morreria ou pegaria mais alguns anos de prisão, e com certeza o mesmo aconteceria com ele, já que era seu cumplice.

– Vai dar! – Afirmou com confiança. Abriu o porta-luvas do carro, e tirou do mesmo uma Glock G43. Graças ao bom Deus, vivia na américa do Norte, lugar onde conseguir licença para ter porte de arma, era mais fácil do que conseguir entrar no México.

Como seu pai fazia coleção de pistolas, resolveu pegar aquela emprestada. Claro que ele não sabia de tal empréstimo e claro também que jamais viria a saber.

Destravou o pente, e mais uma vez o checou, não estava completamente carregado, mas as balas que tinham ali, dariam conta do recado, caso fosse preciso. A arma era só mais uma garantia, mas tinha quase certeza que não iria usa-la.

Encaixou o pente na pistola, a armou, travou e guardou no bolso do seu moletom.

– Se o papai sequer sonha com isso, ele vai pegar essa pistola e matar nós dois com um único tiro. – Daniel resmungou com Emma, que rolou os olhos.

– Quantos anos você mesmo? Ah, lembrei, trinta e seis. Papai perdeu o controle sobre nós faz muito tempo. – Esbravejou com o irmão.

– Nem por isso precisamos desaponta-lo. – Se defendeu.

– Exatamente por isso estamos aqui. Gold morre, eu consigo largar o tráfico, e o papai para de ficar desapontado comigo. Fim. Isso não é lindo? – Seu sorriso debochado fez o irmão bufar.

– Isso não tem nada a ver com nossos pais, isso tem a ver com Regina, única e exclusivamente com ela. – Acusou a irmã.

– Que seja. – Suspirou e recostou a cabeça no encosto do se assento.

– Ela é casada, tem um filho, não procurou você desde que saiu da prisão, e você está arriscando morrer ou ficar o resto da vida na prisão por causa dela. Qual é, Emma? Cresça! Provavelmente ela já nem lembra mais de você. – Ouvir tal coisa fez o sangue da loira ferver. Ela abriu os olhos, estreitou os mesmos, pressionou a mandíbula e encarou o irmão.

– Cala a boca! – Fechou a mão em punho e acertou no braço dele. – Cala a sua maldita boca! – Lhe deu outro soco. – Você arrumou uma namorada idiota, se apaixonou por ela, casou e agora está esperando um filho, enquanto a mulher que eu gosto, casou e tem um filho com um babaca por culpa sua! – O acusou. – Eu... eu era só uma recém adulta, surtada com a ideia de a minha melhor amiga estar apaixonada por mim e eu por ela. Eu só precisava que você me apoiasse, me incentivasse, e ao invés disso você me assustou, você me ajudou a ir embora. – A raiva a fez socar o braço do irmão mais uma vez. – Você prometeu que cuidaria dela, e um mês depois já não sabia mais nem onde ela estava morando. Você foi egoísta, mesquinho, me fez desistir, me ajudou a estar onde estou hoje, e mesmo assim você tem a porra da sua família feliz, então cala essa sua maldita boca. – Terminou a frase fazendo o braço do rapaz de saco de pancadas. O desabafo e a sessão de socos a fizeram sentir-se melhor, mais aliviada.

As palavras de Emma, afetaram mais Daniel, do que os socos que ganhou. Não tinha o que dizer, de um certo modo, sabia que ela estava certa, sabia tanto que estava ali com ela, e a ajudou a planejar tudo.

– Desculpe. – Murmurou. Ela suspirou e voltou a recostar a cabeça no encosto do seu assento.

– Não surte, ok? Você não vai ser morto, nem preso, nem vai ficar sem seus óculos por muito tempo. Lhe dou minha palavra que quando o final de semana acabar, você vai estar em casa com a sua família feliz. – Murmurou olhando em direção ao prédio de Gold. Ao ver a Range Rover Evoque com os vidros escuros parar em frente ao mesmo, seu coração bateu mais forte. Sem perder tempo, pegou as luvas pretas que estavam no porta luvas, e as colocou. Pegou também o envelope branco que estava no mesmo lugar, e abriu a porta do carro. – Me espere. – Foi tudo que disse antes de sair do veículo.

Esperou Gold sair do carro, antes de atravessar a rua. Quando o viu digitando a senha para abrir a porta do prédio, apertou os passos, e o alcançou assim que o mesmo estava prestes a fechar a porta de vidro atrás de si.

– Hey, chefe! – O saldou com entusiasmo, fazendo o homem parar e voltar-se para trás. A olhava com um misto de dúvida e surpresa.

– Emma? – Ela lhe sorriu. – O que diabos faz aqui e o que aconteceu com seus cabelos? – Gold nunca falava mais do que o essencial com seus “funcionários”, mas os cabelos da loira e seu visual um tanto quanto largado, o fizeram questionar.

– Digamos que nesse momento, sou uma traficante à paisana. – Murmurou para ele, que balançou a cabeça concordando. – Posso entrar? Tenho um assunto do seu interesse para tratar. – Pediu educadamente.

– Aqui não. Vamos combinar mais tarde no meu escritório. – Ela negou.

– Mais tarde eu não posso, chefe. É um assunto do seu interesse, questão de vida ou morte. Garanto que não vai se arrepender. – Insistiu e lhe lançou um sorriso amigável, junto com um olhar pidão.

– Entre logo, espero que não tenha nenhum policial atrás de você. – O jeito com que disse aquilo, fez Emma entender muito bem que caso houvesse alguém atrás dela, seria ela a sofrer as consequências.

– Não tem. – Garantiu ao entrar. Emma pensou em falar sobre o tempo, enquanto o elevador os levava até o sétimo andar. Era aquele o assunto mais frequente em elevadores, certo? Mas resolveu deixar para lá, algo lhe dizia que Gold não iria interagir, e além do mais ela estava tentando parecer a mesma Emma pau mandado de sempre, e bom, a mesma Emma pau mandado de sempre, era estritamente profissional, ou seja, não falava sobre o tempo.

Ao entrarem no apartamento de Gold, a primeira coisa que Emma sentiu foi cheiro de mofo, mas esqueceu de tal coisa quando bateu seus olhos no lugar, que mais parecia um museu mal assombrado.

As cortinas fechadas, a falta de iluminação, os móveis cheios de pó, os quadros de Hitler e Mussolini espalhados pelas paredes, juntos com vários objetos decorativos, que pareciam ter pertencido a segunda-guerra, a fizeram engolir em seco.

Gold coçou a garganta chamando a atenção da loira para si.

– Gostou da decoração? – Indagou em tom sério.

– Peculiar. – Respondeu antes de tentar lhe sorrir.

– Sente-se. – Apontou para o sofá de couro de crocodilo. Emma assentiu e jogou-se lá, seus olhos pararam na mesa de centro a sua frente, onde tinha um enorme tabuleiro de xadrez, tal coisa foi até aquele momento, a mais normal que ela tinha visto naquele lugar. – Gosta de xadrez? – Indagou com ela, ao vê-la encarando o tabuleiro.

– Nenhum peão gosta de xadrez, chefe. – Sua resposta quase o conseguiu fazer sorrir. O homem desatacou o terno, antes de sentar-se de frente para Emma. Pegou um dos peões do tabuleiro e moveu a peça branca uma casa para frente.

– Mesmo não gostando, o peão sabe que tem que defender o rei. – Emma concordou, e moveu um dos peões que ficam na frente do rei.

– É o que dizem. – Sorriu para o homem, que entendeu aquilo como uma provocação.

– Você conhece as regras? – Seus olhos voltaram para o tabuleiro.

– Conhecia, mas aprendi um jogo com regras novas. – Tirou outro peão da frente do rei.

– Regras novas? – Fingiu desinteresse, mas Emma notou que tinha toda a sua atenção.

– Sim, e eu as trouxe comigo. – Estendeu o envelope que tinha consigo para o homem, que permanecia com os olhos no tabuleiro. – Veja. – Pediu.

Sem se dar ao trabalho de olhar para Emma, ele pegou o papel, e Emma assistiu com entusiasmo, ele perdendo a cor quando viu do que se tratava.

Ah o amor! O amor é a arma mais letal existente no mundo, tal sentimento pode acabar com uma vida em um piscar de olhos. Gold foi sempre frio e impiedoso, nunca, nunca tinha deixado transparecer um sentimento que fosse, a não ser fúria, mas naquele momento, graças ao amor, estava aterrorizado, e Emma não pôde deixar de abrir um sorriso de satisfação vendo o patrão daquele jeito.

– O significa isso? – Tarde demais, ele tentou disfarçar, fazer de conta que não estava entendendo.

– Isso significa o mesmo que o seu aviso sobre Regina. Isso significa a sua fraqueza, chefe. E olha só que irônico, nós dois temos a mesma fraqueza. O amor. – Embora a vontade de Gold fosse sacar a arma pendurada em sua cintura e descarrega-la contra Emma, não podia fazer aquilo, não sem antes saber como ela conseguiu aquelas fotos e quem a estava ajudando. Precisava de tal informação antes de aniquila-la.

– Não sei sobre o que está falando. – Usou o tom de voz mais convincente, e aquilo a fez rir.

– Elizabeth Müller, a garçonete da lanchonete que fica no mesmo quarteirão do seu escritório. Vi vocês flertarem algumas vezes, poderia até ter dado umas dicas de paquera, mas caso tivesse feito tal coisa, não teria sido profissional e não estaria cumprindo com as regras. – Passou os dedos pela franja, tentando mais uma vez ajeita-la. – Enfim, sei que vocês dois tiveram um romance, e como você se apaixonou, não teve alternativa a não ser deixa-la, afinal, pessoas como nós, não podem dar-se ao luxo de ter fraquezas. – Suspirou. – Bom, graças aquele crachá cor de rosa choque que ela tinha pendurado no avental, seu nome ficou gravado na minha cabeça um pouco oca. – Contou. — E em uma noite infernal, quando eu estava sofrendo com as suas regras, sofrendo pela fraqueza ao qual não podia me dar ao luxo de ter, de repente aquele crachá reluzente brilhou na minha cabeça e eu descobri o seu calcanhar de Aquiles, chefe. – Sorriu ao final da explicação.

Gold pensou em blefar, negar quantas vezes fosse necessário, se fazer de desentendido, mas conhecia Emma, sabia o quanto ela era esperta, e traiçoeira, e tudo piorava quando despertavam a ira dela, e ele sabia que fez tal coisa quando mandou o sutil recado através de Jefferson. Então não arriscaria.

– Eu vou matar você. Lentamente. Prometo faze-la sofrer muito, no final, você vai implorar para que eu acabe de uma vez com a sua miserável vida. – A ameaça sombria deixou Emma um tanto quanto perturbada, mas ela conseguiu disfarçar tal coisa.

– Antes, você precisa saber quem me ajudou, não é mesmo? – Fingiu desinteresse e concentrou os olhos nas mãos cobertas pelas luvas pretas, o que irritou ainda mais o homem. – Até lá, você deve jogar o meu jogo, e seguir as minhas regras. Acho que você deveria começar perguntando o que eu quero. – Tirou os olhos das mãos e com um sorriso no rosto encarou o chefe.

– O que você quer? – Se olhos tivessem o poder de matar, Emma tinha certeza que já não restaria mais nem o pó dela. Gold queria muito, muito acabar com ela, suas mãos fechadas em punho e o jeito que projetava o corpo para frente, deixava aquilo bem claro.

– O que eu quero? – Soltou com o ar. – Bom, me dê um dos papelotes de cocaína que você sempre carrega no bolso interno do paletó. – Apontou para o homem, que nem se deu ao trabalho de falar alguma coisa, apenas fez o que foi lhe pedido. Jogou dois papelotes de cocaína sobre o tabuleiro de xadrez. – Bom garoto! – Elogiou ao pegar um dos papelotes. Só um seria suficiente. O Abriu com destreza, antes de tirar a luva da mão direita e com todo cuidado para que nenhum mísero pedaço sequer da sua digital tocasse o plástico, mergulhou seu indicador no pó branco. Levou o dedo a boca e o passou pela gengiva, então sorriu e encarou o homem. – A qualidade continua excelente. – De novo elogiou. Voltou a pôr a luva, e sem nenhuma delicadeza com as peças de xadrez, fez a maioria delas irem ao chão, antes de despejar o pó branco sobre o tabuleiro. De novo usou o indicador, dessa vez para dividir o pó em três carreiros. – Chefe, você tem um canudo? – Indagou com o homem.

– Acha mesmo que eu tenho cara de quem cheira cocaína? – Ela tirou os olhos da obra de arte que tinha feito e encarou o homem.

– Acho que como um ótimo vendedor, deixa seus clientes provarem a mercadoria. Então tenho certeza que tem um canudo. Vamos logo com isso. – Gold olhava para Emma tentando entender onde ela queria chegar. Foi mesmo até ali ameaça-lo, assinar sua sentença de morte, apenas por um papelote de cocaína? De qualquer jeito resolveu colaborar, já que se ela cheirasse aqueles três carreiros, com toda certeza do mundo morreria de overdose. Não seria morte que ele desejava para ela, mas para compensar tal coisa, depois a levaria para o frigorifico e a esquartejaria pessoalmente. Tirou o canudo do bolso do paletó e o estendeu a ela. Que pegou e sorriu agradecida. – Agora só falta uma coisa. – Comunicou, antes de levantar a cabeça e passar os olhos pela casa. Sorriu ao ver o que queria em cima da bancada que dividia a sala da cozinha. Levantou-se e rapidamente foi até lá. Segundos depois estava de volta com uma garrafa de Gim e um copo. Encheu o copo, e o depositou em cima do tabuleiro, logo atrás dos carreiros de cocaína. – Aposto que em uma das suas viagens pelo México, você já tomou tequila. – Comentou alegremente, como se eles tivessem em um happy hour. – Mas caso não tenha tomado, funciona da seguinte maneira. Primeiro vem o sal, em seguida a tequila e por último o limão. – Explicou. – Nesse caso, o pó é o sal, o Gim é a tequila, e bom, o limão vai ficar para uma próxima oportunidade. – O homem cruzou os braços e prendeu os olhos na mulher a sua frente.

– Como você vai fazer o favor de matar-se ao usar toda essa droga e ainda ingerir bebida, não vai me restar outra alternativa a não ser matar... – Fez pensar no nome. – Regina? É isso? Ah, como eu vou faze-la sofrer. – Para a surpresa do homem, Emma não recuou, nem se abalou, pelo contrário, ela abriu um sorriso maquiavélico.

– Chefe, eu não vou morrer. – Falou o obvio. – Essas coisas não são para mim. Como uma boa funcionária, só estava as preparando para você. – Ao ouvir aquilo os olhos de Gold cresceram, seu coração acelerou, seu estomago agitou e pela primeira vez em muito tempo, temeu morrer. Deu-se conta naquele momento que um dos dois não sairia vivo dali.

– Você está louca! – Murmurou, não conseguiu disfarçar o tom de voz atordoado.

– Não, eu não estou. Estou apenas defendendo a minha fraqueza. – Respondeu dando de ombros.

– Vamos conversar. – Emma gargalhou.

– Conversar? O poderoso Gold, quer conversar? Está com o cu na mão, não é mesmo? – Questionou em meio as risadas. – Não. – Seu semblante voltou a ficar sério. – Você não quer conversar, você quer me matar. Você está aterrorizado, posso ver nos seus olhos. Está querendo ligar para seus capangas, não está? Ou está querendo tirar a arma que está aí pendurada na sua cintura e descarrega-la em mim? Mas sabe que não pode, porque se dentro de quinze minutos, eu não estiver na rua, fazendo a ligação que preciso fazer para salvar a sua ex-namorada e o fofo do seu filhinho, eles vão morrer. – A voz ameaçadora, o olhar sóbrio, o sorriso irônico, a certeza em sua voz, tudo aquilo fez Gold não duvidar que Emma estava falando sério. Por mais que a estudasse suas ações, não estava conseguindo achar nenhum ponto fraco, nada que pudesse atingi-la, que pudesse faze-la recusar.

– Acha mesmo que ninguém vai descobrir que esteve aqui? Acha que não vão atrás de você? – Tentou a cartada final.

– Acho! Estou por um acaso sequer parecida com a Emma que você conhece? Na verdade, nem estou aqui, estou na casa dos meus pais dormindo, ambos podem confirmar isso. – Respondeu sem pestanejar. – Tenho certeza que ninguém vai descobrir, chefe. – Garantiu. — Agora eu vou dizer exatamente o que você vai fazer. Você vai me entregar seu celular, nós vamos colocá-lo em cima desse seu tabuleiro lindo, e vamos ligar para Elizabeth. Sabemos que ela não vai atender, porque está magoada por ter sido abandonada. Regina me odiou por anos, por esse mesmo motivo. – Sorriu. – Enfim, você vai deixar uma mensagem na caixa postal, uma mensagem de despedida. Seja sincero, afinal, será realmente uma despedida. Depois disso, você vai cheirar esses três lindos carreiros de pó e só para garantirmos a sua morte, vai tomar esse copo de Gim. Assim que eu tiver certeza da sua morte, prometo ir embora. – Fez uma pausa para tomar ar. – Simples, fácil e rápido. Claro que não posso obriga-lo, então vou deixa-lo decidir o que quer fazer. – Levantou-se e foi até o aparelho de som, que estava sobre a estante empoeirada. Ligou o mesmo e procurou alguma estação de rádio do seu agrado. Sorriu quando achou uma música que há tempos não ouvia e que gostava muito, além de tudo, combinava um pouco com aquela situação. – Então, o que vai ser? – Voltou-se para Gold, que tinha os olhos fixos nela. – Caso decida morrer, preciso aumentar o volume do som, para os vizinhos pensarem que está dando uma festa. — Seus olhos se desfiaram por algum tempo, até por fim o homem abrir um sorriso e tirar o celular do bolso.

Talking Heads — Psycho Killer

– Vai descobrir tarde demais que está atacando a pessoa errada. – Foi o que disse antes de fazer o que lhe foi sugerido.

– Ah, mais uma coisa, quando chegar no inferno, diga para o Diabo, que Emma Swan mandou lembranças. – Foram as últimas palavras que Gold ouviu antes de lançar-se de encontro a morte.

Notas finais
O próximo capítulo está praticante pronto, só falta ajeitar algumas coisas, então muito provavelmente (se os reviews saírem) teremos um outro post na sexta-feira (sim, amanhã), para isso, conto com a colaboração de todas. Por hoje é isso. Boa noite (ou bom dia) e até!