Notas iniciais
Este na verdade não é um capítulo. Quis abordar sobre o luto, dar uma ajuda a todos aqueles que, assim como eu, estão passando por esse momento difícil.

O que é o luto? Freud disse que o ser humano não consegue aceitar a perda de alguém querido pelo fato de ser de difícil compreensão a ideia de que onde antes existia algo, depois da perda passa a não existir mais. O luto é a percepção de perda, é a visualização de todo o seu “eu” se desorientando, sumindo para um espaço e tempo psíquicos completamente desconhecidos.

Essa perda, segundo ele, requer uma demanda de espírito grande demais para o estado de preparação do ser humano. Uma energia psíquica necessária para conviver com a falta daquilo.

No que consiste a explicação de Melanie Klein sobre o luto, acerca da relação entre a perda de um objeto ou o distanciamento daquilo que se entendia por um ser querido, não há outra maneira de se explicar a sensação de abandono e vazio que não seja comparando-o a uma onda.

A água do mar, tão revolta e ao mesmo tempo tão introspectiva, lambe as areias da praia, levando consigo dejetos, folhas e inúmeros grãos dessa mesma areia. Aquela onda que por ali passou, as partículas de sal trazidas com ela e os minúsculos seres que a acompanham, nunca mais passarão pela mesma praia. A onda volta para o oceano, que a criou e a retém consigo.

O luto é da mesma forma. Assim como Deus, Alá, Amon-Rá, Zeus, Sidarta Gautama e qualquer outra entidade divina superior capaz de modelar a vida, a criaram, também eles podem desfazê-la. Quando morremos, corremos para os braços do criador e encaramos nossa fonte de criação.

O luto é pesado e doloroso. É como carregar uma pedra nas costas enquanto escala o Everest. O caminho é cheio de perigos, de buracos e túneis para enganar os desavisados e prendê-los em sua rede de armadilhas. Aqueles que conseguem escalar esse monte pedregoso e desafiador chamado vida, conseguem entender seu verdadeiro sentido.