Escalas e Destinos - A apaixonante vida de Blair
12 Capítulo 12 - Carmell-By-The-Sea

Eu parei o meu carro no estacionamento do hotel que nos hospedaremos em Carmel perto das 3 horas da tarde. Joe foi o primeiro a desembarcar do veículo, olhando horrorizado para construção à nossa frente.
— Que lugar é esse? — ele se virou para mim.
— Esse é o hotel que eu falei para você, não se engane pela primeira impressão, ele é ótimo — eu garanti, saindo do carro e me juntando a ele, que ainda encarava a construção abismado.
— Eu pensei que comissárias conhecessem bons hotéis — ele me ignorou, se virando em direção ao primo que retirava as malas do carro.
— Por favor não faça eu me arrepender de ter ganhado quinhentos dolares, tente não agir como um idiota — eu revirei os olhos antes de ir até Dimitri apanhando minha mala.
Em um primeiro momento o hotel do senhor Turner não parecia tão atrativo para quem estava acostumado com luxo e sofisticação. Se tratava de uma comprida construção de madeira que datava do século passado, mas assim que éramos encaminhados aos quartos aquela impressão mudava. construído junto a encosta íngreme do mar, o hotel possuía uma das melhores vistas da Costa Oeste, e o luxo de suas suítes também não deixavam a desejar.
— Ela é direta, primo — o rapaz comentou ainda me observando — mas não me convenceu.
— Por que você não espera chegar ao seu quarto antes de emitir qualquer opinião? — eu pedi indo em direção à entrada.
Assim que entramos no saguão principal, fomos para a recepção, encontrando Abby parada ali ao lado de Alisson e Claire que nos acompanhariam esses dias.
A garota suspirou aliviada assim que nos viu, vindo em nossa direção, sendo seguida de perto pelas outras duas jovens.
— Blair finalmente você chegou. Estava começando a me preocupar — ela declarou animada.
Eu me adiantei um pouco, afastando as garotas o máximo possível dos rapazes a fim de explicar a situação com Miller, mas ela não me deixou falar.
— Você não vai acreditar, o tio Frank separou a casa do senador para vocês!
— Eu realmente quero entender o que tem de tão especial nessa casa — Alisson comentou.
A casa do senador era um chalé rústico de pedras nas dependências do hotel com dois quartos e uma vista de dar inveja em qualquer um. Quando éramos crianças e meus pais vinham para a cidade, sempre nos hospedavamos ali, e eu tinha lembranças maravilhosas. A mais clara delas era invejar o quarto principal com Abby, por conta da clarabóia que ficava sobre a cama. Nós duas amávamos nos deitar ali na ausência dos dois e ficar observando as estrelas logo acima.
— E a melhor parte, as garotas vão dividir o segundo quarto — Abby parecia ter a mesma lembrança que eu, pelo tom animado de sua voz — então o quarto principal fica para vocês dois.
Foi quando eu entendi o sentido de sua frase. Por um momento eu me senti idiota por não prever aquilo, é claro que ela nos colocaria no mesmo quarto, pelo tanto que eu falo sobre Dimitri, Abby deduziu que a gente era um casal, e de certa forma, nós somos. Mas ainda assim, nós nunca estivemos nessa situação antes e eu esperava algo diferente.
— Por que você não está animada? — ela franziu o cenho.
— Não, eu estou — eu balancei a cabeça forçando um sorriso sem graça, abaixando o tom quase para um sussurro — é que eu pensei que Dimitri teria o próprio quarto.
Abby ficou perdida por um segundo, ela não entendeu o motivo do meu ligeiro desconforto, o que piorou um pouco com o olhar das outras meninas sobre mim.
— Mas Blair, você disse que vocês estão juntos e ele é seu acompanhante, então... — Claire se manifestou.
— É que nós dois ainda não... Você sabe... — eu abaixei ainda mais o tom, lhe lançando um olhar significativo.
Abby arregalou os olhos em surpresa ao compreender o que quis dizer. Bem, não que aquilo fosse um real problema, eu já planejava passar um bom tempo na cama de Dimitri, mas esperava ter um pouco de privacidade também.
— Sério? Vocês dois vivem se encontrando pelo mundo, então eu pensei... — ela abaixou o tom para igualar ao meu — quero dizer, olha para ele...
Todas nós nos viramos em direção ao homem que estava parado ao lado do primo nos observando com uma expressão curiosa. Foi quando Abby parece ter percebido nosso convidado extra.
— Eu sei, mas nós sempre nos encontramos com pouquíssimo tempo — eu sussurrei com um pequeno sorriso diante do olhar de Dimitri — estava pensando em aproveitar nosso tempo até domingo.
— Bom, você pode aproveitar em um quarto incrível — ela declarou com uma expressão confusa — Aquele outro cara está com vocês?
— Mais ou menos, é uma longa história — eu dei as costas para os dois — o nome dele é Joe Miller. Ele é primo do Dimitri.
— Primo do...
— Blair, por que o primo dele veio junto? — Claire perguntou.
Eu devia ter dado um jeito de falar com ela antes. Foi totalmente rude aparecer com uma pessoa a mais de uma hora para outra!
— Eu sinto muito, Abby. Eu fui buscar o Dimitri na casa dos tios dele, e você precisava ver como o cara era um babaca — eu fiz uma careta.
— Ele? — Alisson indicou Joe discretamente.
— Não, o pai dele — eu esclareci — Ele me ofereceu quinhentos dólares pra tirar o filho de lá, por ser uma vergonha e o constranger.
— Por que? — Abby franziu o cenho.
— Ele ia dar uma festa de ação de graças e não queria que os amigos descobrissem que o filho é um artista plástico — eu dei de ombros.
As garotas fizeram uma careta em reprovação, estava claro que consideravam a atitude do tio de Dimitri desprezível.
— Eu e Dimitri podemos ficar no hotel com ele hoje — eu avisei — o Sr Turner deve ter colocado algum cardápio de ação de graças no restaurante.
— É claro que não. Vocês devem vir com a gente — Abby me repreendeu — eu vou explicar a situação para minha mãe, ela não vai se importar.
Eu a abracei, beijando seu rosto em seguida arrancando risos das garotas.
— Você é a melhor.
— Nós podemos ir conhecer os dois ou vamos continuar aqui ignorando os coitados? — Alisson nos lembrou da presença dos rapazes.
Eu soltei Abby, acenando para que Dimitri se aproximasse em seguida.
— O primo dele é bem bonito — Claire comentou.
— E é solteiro — eu a provoquei.
Na verdade eu não sabia se ele realmente era solteiro, apenas deduzi pelo fato dele flertar com qualquer coisa que se movesse e tivesse uma vagina.
— Eu não...
— Comandante, você já conhece minhas amigas — eu interrompi Claire, me aproximando de Dimitri — Abby estava nos explicando que o tio dela separou um chalé com dois quartos pra gente.
— Joe Miller, — o primo de Dimitri se apresentou às garotas — eu sinto muito vir de penetra, mas eu fui banido da minha casa. Qual de vocês está se casando?
— Eu — Abby ergueu a mão com o anel — Blair me explicou o que aconteceu, não se preocupe, você vai ficar melhor com a gente.
— Isso eu não duvido nem um segundo — ele piscou para Abby antes de se aproximar mais das outras garotas — sabe que eu adoro essas cidades pequenas.
— Está tudo bem? — Dimitri chamou minha atenção.
— Sim, esse chalé que Abby falou é incrível. Você vai adorar. Mas nós vamos dividir o quarto, Você se importa?
Por um momento notei certa hesitação no semblante de Dimitri.
— Você quer que eu consiga um quarto? — ele questionou incerto.
— Eu não me importo de dividir, se você não se importar — eu procurei parecer desinteressada, apesar de saber o significado implícito daquela decisão.
— Vamos dividir o quarto então — ele piscou para mim, fazendo meu coração falhar algumas batidas.
Ele deu um pequeno sorriso antes de voltar sua atenção para Abby que parecia explicar algo para as garotas que eu perdi totalmente.
— A Blair pode levar vocês até a casa dos meus pais, nós vamos nos reunir em duas horas — ela avisou, nós guiando para fora do hotel.
— Você já vai?
— Sim, eu preciso me arrumar e deixei o Noah sozinho com meus pais — ela explicou.
— E os pais dele? — eu questionei.
— Eles vão vir amanhã, mas vão participar apenas do jantar. E eu realmente preciso ir, vejo vocês mais tarde?
Nós observamos Abgail partir antes de decidir o que fazer a seguir.
— Tudo bem, a casa dos Goldberg fica a cerca de 15 minutos de carro daqui, acho que teremos uma hora e meia para nos arrumar e então nos encontramos para poder ir, certo? — eu tomei a dianteira da situação.
Todos acenaram com a cabeça em entendimento, e logo um pequeno problema me acometeu.
— A casa do senador tem apenas um banheiro e nós estamos com pouco tempo.
— Eu não me importo de dividir o banheiro da suíte que reservei com nenhuma de vocês, garotas — Joe nos contemplou com um sorriso antes de seu olhar encontrar o de seu primo — menos você Blair.
Eu respirei fundo por um momento, até considerar sua proposta. Eu obviamente havia entendido o real sentido que seu convite, mas ainda assim, um banheiro a mais nos ajudaria bastante com o tempo. Mas antes que eu respondesse, Dimitri nos interrompeu.
— Eu vou usar o seu banheiro e as garotas podem ficar à vontade no chalé — ele decidiu para decepção do rapaz.
Ele tentou argumentar, mas o piloto o arrastou para longe sem dar chance a qualquer protesto.
— Sigam as placas e nos encontrem no chalé quando ficarem prontos— eu pedi antes de partir com as garotas.
Assim que nos acomodamos, começamos a decidir quem seria a primeira a tomar banho. Claramente dividir o banheiro seria um dos pontos baixos daquela viagem.
— Eu acho que a Blair deve ficar por último — Claire sugeriu.
— Por que? isso é injusto — eu declarei inconformada.
— Provavelmente porque você é treinada para se arrumar em pouco tempo — Alisson aprontou — eu já te vi tomar banho, se maquiar e se vestir em vinte minutos.
Aquilo podia ser verdade, mas ainda sim eu gostaria de ter mais tempo. No fim, as garotas conseguiram se arrumar depressa e antes do que esperava, eu estava terminando de me vestir no quarto, após sair do banho e cuidar da maquiagem.
Eu usava apenas uma calça preta de cintura alta e me preparava para colocar a blusa cor de areia, de mangas compridas que deixaria parte de meu abdômen de fora, quando uma batida soou na porta.
— Está aberta — eu gritei de costas para a porta apanhando a blusa sobre a cama.
— Desculpe, eu... — eu olhei por sobre o ombro, ainda segurando a blusa em minhas mãos.
Dimitri permanecia parado junto a porta, com a mala em seus ombros e me encarava com uma expressão surpresa.
Foi quando notei que não estava usando sequer um sutiã e nós dois nunca nos vimos em uma situação assim.
— Pode entrar, comandante — eu sorri.
Aquilo era besteira, eu não deveria me sentir intimidada, isso era algo que eu esperava que acontecesse mais cedo ou mais tarde, certo?
Eu busquei agir com naturalidade, voltando a me virar de costas e me enfiando na blusa o mais depressa que consegui, me enroscando na hora de ajustá-la ao meu corpo. O tecido embolou nas costas, e antes que pudesse arrumar, senti a presença de Dimitri atrás de mim.
— Quer ajuda? — ele questionou, me causando arrepios ao sentir sua respiração atingir a pele do meu pescoço.
Seus dedos roçaram nas laterais de minha costela conforme ajeitava o tecido junto a minha pele. Eu virei meu rosto suavemente em sua direção, buscando normalizar minha respiração.
— Você está muito bonita — ele ofereceu um meio sorriso — está quase me fazendo reconsiderar sua proposta de casamento.
Eu me virei em sua direção, enlaçando seu pescoço com meus braços, levando meus lábios até os dele, sendo obrigada a ficar na ponta dos pés no processo. O beijo não durou muito, eu logo me afastei olhando em seus olhos.
— Boa tentativa, comandante. Mas eu não quero me casar com você — eu sorri — eu só preciso colocar o colar e estarei pronta.
— Você diz isso em um momento e depois me liga vestida de noiva — ele me provocou, cruzando o quarto e olhando pela porta de vidro que levava a uma escadaria para o pátio privativo do chalé.
— Eu já te expliquei o que aconteceu aquele dia. O que achou?
— É charmoso — ele garantiu decidindo deixar o assunto de lado — o que tem lá fora?
Eu me lembrei da vista deslumbrante do mar que o pátio privativo teria, segurei sua mão e abri a porta, o levando para fora.
— Eu amava vir aqui quando era criança — eu narrei enquanto descia as escadas de pedra — sei que esse não é o hotel mais luxuoso do mundo, mas essa era a impressão que eu tinha.
Ao chegar ao fim da escada, o pátio de pedra, repleto de canteiros de flores se abriu diante de nós. Minha mente foi invadida por inúmeras memórias, e eu segui até o guarda corpo de ferro que cercava o lugar e impedia qualquer acidente com o penhasco que tinha logo adiante.
Observei as ondas do mar se quebrando nas pedras e tentei em vão avistar a praia escondida pelas árvores.
— Eu amo esse lugar — eu suspirei — se estivesse aqui sozinha te mandaria uma foto.
Dimitri parece ter tido o mesmo pensamento que eu, já que segurava o celular, na tentativa de captar um bom ângulo.
— Definitivamente merece uma foto — ele piscou.
— O que você está achando da Califórnia? — eu sorri me virando de costas e apoiando no guarda corpo, o encarando. Deus, como ele está bonito!
Dimitri estava relativamente simples em seus Jeans e camisa polo preta, mas olhando naquele momento, senti meu coração falhar uma pequena batida. Ele era mais bonito que todos os meus ex-namorados juntos, e sua beleza não era apenas exterior. Eu nunca havia conhecido alguém tão inteligente, dedicado, carinhoso como ele, e toda aquela admiração causava um redemoinho de sentimentos dentro de mim.
O que está acontecendo!?
— Você está bem? — ele se aproximou, me encurralando entre ele e a grade.
Eu subi minhas mãos por seu peitoral pensando em sua pergunta por um segundo. Sim, eu estava bem. Mais do que isso, eu estava incrivelmente feliz por sua presença entre meus amigos. Mas aquela era uma reação normal? Como eu o apresentaria por fim? Um amigo? Mais do que amigo? Pretendente a namorado?
Minha mente retornou ao nosso momento juntos na praia horas atrás. Ninguém jamais havia feito uma declaração tão intensa sobre mim, e a forma que fez minhas pernas tremerem e o coração disparar…
Talvez minha mãe tivesse razão sobre tudo o que falou, mas seria difícil conciliar tudo, não seria?
— Ok, o gato comeu sua língua? — ele me encarou com diversão me fazendo perceber que nunca cheguei a responder sua pergunta.
— Eu estou muito bem — eu garanti sorrindo — estou feliz que esteja aqui.
Será que eu o faço sentir da mesma maneira que eu me sinto? Talvez agora seja hora de conversarmos de forma objetiva.
— E minha língua continua no mesmo lugar de sempre — eu devolvi antes de mostrá-la a ele com um sorriso.
Dimitri se inclinou em minha direção, aproximando os lábios de meus ouvidos fazendo aquela onda de arrepio e expectativa retornar.
— E o que essa língua...
— Hey, vocês dois — Claire nos chamou da outra entrada do pátio — a gente vai se atrasar se não sair agora.
Dimitri suspirou ainda com um meio sorriso estampado no rosto, se afastando de mim.
— Hey, guarde esse pensamento para mais tarde — eu o avisei — está pronto?
Ele indicou a escada que levaria mais uma vez a nosso quarto com a cabeça. Nós subimos juntos e eu apenas apanhei minha bolsa antes de sair.
Nós encontramos o resto do pessoal na entrada do chalé, e não perdemos tempo, em alguns minutos já estávamos na estrada à caminho da casa dos Goldbergs.
As garotas ficaram encantadas com o charme da cidade que parecia ter saído diretamente de um filme de época europeu, até mesmo Dimitri, que estava acostumado a visitar cidades históricas, a considerou muito bonita. E quanto a mim, minha mente estava presa nas mais diversas memórias dos verões que passei ali com meus pais, tanto perambulando pela cidade quanto aproveitando suas belas praias.
Aquelas memórias eram afetivas e eu gostava de cultivá-las, e certamente, se um dia tivesse filhos, os ajudaria a criar as próprias lembranças ali.
Não demorou muito para que chegássemos à bela casa dos Goldbergs, eu levei o carro até a entrada da garagem e o estacionei.
A casa era um belo sobrado em um tom de bege, repleto de janelas, portas de vidros ornamentadas e pátios externos floridos e bem cuidados.
— Bem-vindos ao esconderijo Goldberg — eu brinquei antes de sair do carro.
— Você cresceu nessa cidade, Blair? — Joe questionou, atraindo a atenção do primo, que parecia interessado na informação.
Eu abri o pequeno portão que nos levaria ao quintal da casa, sendo acompanhada por todos. Fazia no mínimo dois anos que eu não os visitava, e precisava admitir que sentia falta.
— Não, Abby e eu crescemos em São Francisco, éramos praticamente vizinhas e nossos pais eram amigos. Aqui era a casa de veraneio dos Goldbergs.
— Parece interessante — Dimitri comentou.
— Sim, eles apresentaram esse lugar para os meus pais e eles adoraram, sempre passávamos as férias e feriados aqui — eu os guiei até a porta da frente, entrando na casa repleta de convidados.
— É um bom lugar para as férias — Alisson afirmou.
— Mas e vocês? Miller é um sobrenome comum, como terminou com um primo Russo? — Claire parecia bastante interessada em qualquer coisa relacionada a Joe Miller.
— Minha mãe é irmã do pai dele. Ela é americana, mas ganhou uma bolsa de estudos para fazer a faculdade na Rússia.
— Tia Joanne conheceu o Tio Yaroslav na faculdade, e algum tempo depois, Dimitri Yaroslavovich Voitovich surgiu — Joe apontou para o primo.
— Ya-o-que? — Alisson piscou atordoada.
— Yaroslavovich, é o meu patronímico — Dimitri esclareceu.
Pelo menos ele pensou que sim, porque eu continuava tão perdida quanto antes.
— Isso é um segundo nome? — eu franzi o cenho — Porque se for, sua mãe não poderia ter escolhido algo mais fácil de pronunciar?
— Não exatamente. É um conceito difícil de explicar, em tradução livre seria como se eu me chamasse "Dimitri filho de Yaroslav da família Voitovich".
— Se você acha isso complicado, precisa ver a versão feminina — Joe zombou.
— Tem uma versão feminina? — eu alternei o olhar entre os dois.
— Minha irmã se chama Maria Yaroslavovna Voitovich.
Por um momento eu apenas o encarei sem palavras, não era a toa que ele se apresentava apenas como Dimitri Voitovich.
— Enfim, você passava suas férias nessa cidade, eu passava minhas férias na Rússia com ele — Joe apontou.
— Bom, eu também passei muitas férias na Turquia com meus avós — eu me lembro o quanto meus colegas da escola ficavam empolgados quando eu falava que viajaria para a Turquia.
— Blair Ozkan — Claire apontou ao ver a confusão no rosto do rapaz.
— Então, você é turca?
— Não, eu sou americana. Meu pai é turco.
— Na verdade, você nasceu em Istambul — Alisson me lembrou.
Abby e Noah notaram nossa presença e vieram em nossa direção, acompanhados do Sr e Srª Goldberg.
— E eu cresci em São Francisco, então sou americana — eu revirei os olhos — e se um dia tiver filhos, eles também serão.
— Eles podem nascer na Europa, você passa muito tempo lá — Dimitri devolveu.
Eu parei de caminhar, cruzando os braços o encarando enquanto nossos anfitriões cumprimentavam os outros.
— Acho que o país de nascimento do bebê é fácil de programar.
— Que bebe? — Abby franziu o cenho, fazendo com que eu percebesse que estava tendo aquela discussão no meio de muitas pessoas.
— Os futuros bebês da Blair e do Dimitri? — Claire parecia confusa.
— Vocês estão planejando ter filhos? Não é cedo pra isso? — Noah cumprimentou Dimitri.
— Bebês? Eu? De jeito nenhum — Dimitri foi enfático — ela ainda está tentando me convencer a me casar com ela, mas já avisei que não vai acontecer, ter filhos então, está fora de cogitação.
Eu o fuzilei com o olhar enquanto nossos anfitriões pareciam surpresos com aquele comentário.
— Eu já falei para você desistir dessa ideia, comandante — eu forcei um sorriso, segurando minha vontade de chutá-lo.
— Então, Blair. É bom revê-la — Aubrey me cumprimentou alternando o olhar entre nós dois — você não vai me apresentar ao seu amigo?
— Dimitri Voitovich — ele se apresentou apertando a mão do casal — é um prazer conhecê-los, Sr e Srª Goldberg.
— Dimitri é meu amigo — eu afirmei, apesar de envolver seu braço com minha mão, recebendo um olhar compreensivo de Aubrey — e ele sonha secretamente em se casar comigo.
— Isso é muito compreensível, Blair. Eu aposto que ele não é o único — John zombou — vamos, já que vocês já estão aqui, nós vamos servir o jantar.
Dimitri caminhou ao meu lado até a sala de jantar, parecendo não se abalar com a resposta do homem.
Nós nos acomodamos na mesa farta, Eu cumprimentei as outras pessoas ali presentes com um sorriso educado.
— Blair, há quanto tempo. Como estão seus pais? — Frank Turner, tio de Abigail e dono do hotel, perguntou assim que nos sentamos.
— Eles estão bem, Sr Turner. Estão vivendo em Istambul pelos últimos oito anos — eu sorri.
— Eles virão para o casamento, certo? — ele insistiu antes de seu olhar recair sobre Dimitri.
— Eles não perderiam por nada — eu garanti — Sr Turner, esse é Dimitri Voitovich, é um amigo meu.
— Amigo? Então ele é solteiro? — Julie, a filha de Frank, que estava sentada ao lado de Dimitri, perguntou para Abby.
Eu lancei um olhar pouco agradável a ela, mas o que eu poderia dizer? Eu não estou realmente com ele, aliás, eu estou o apresentando a todos como meu amigo.
Abby me olhou sem saber como responder a pergunta, e Dimitri parecia avaliar minha reação. Por um momento eu pensei em responder adequadamente, enfiando a cara dela na travessa de caçarola de vagens, mas isso não seria aceitável. Quando eu pensei que não poderia piorar, Dimitri respondeu.
— Sim, eu sou solteiro, apesar das tentativas de Blair em me convencer a me casar e ter filhos com ela — ele zombou me deixando vermelha.
Se antes eu queria afundar o rosto de Julie na caçarola, agora eu gostaria muito de acertá-lo com o peru assado!
— Isso está longe de ser verdade, Comandante — eu lhe ofereci um sorriso ameaçador diante do olhar de todos os presentes.
— Você quem trouxe o assunto à tona em Amsterdam, Blair — ele insistiu.
— E você, naquela catedral em Viena — eu retruquei.
— Amsterdã, Viena... Como vocês se conheceram? — Aubrey interrompeu nosso pequeno embate.
— Isso foi minha culpa — Noah suspirou parecendo arrependido — eu passei o número dela para ele.
— Eu sou piloto, eu tinha acabado de pousar quando Blair esbarrou em mim no aeroporto e derrubou Matcha em meu uniforme.
— Noah passou meu número para ele cobrar a conta da lavanderia e acabamos amigos — eu respirei fundo, esquecendo momentaneamente minha irritação pela investida de Julie.
— É uma boa história — John garantiu — e você é Russo mesmo?
— Sim senhor.
— Uau, um piloto — Julie voltou a puxar assunto — e como é isso?
E para meu desespero, Dimitri passou a dedicar sua atenção explicando a ela cada detalhe da droga de profissão que ela nunca se interessou.
Apesar de não ser a única interessada no assunto, todos acabavam fazendo uma ou outra pergunta, mas ela ainda insistia em chamar sua atenção o tempo todo.
— Hey, comandante. Na próxima semana estarei em Paris, quer me indicar algum programa?
— Eu posso te indicar muitos lugares para visitar — ele garantiu com um sorriso no rosto.
Eu me senti satisfeita por conseguir a atenção dele, mas não durou muito. Para meu descontentamento, Julie segurou a mão dele, voltando a falar.
— Você conhece bem Paris? Eu sempre quis visitar, pode me falar um pouco sobre a cidade?
Dimitri parecia tão surpreso quanto eu, mas começou a falar algo sobre a torre Eiffel, cativando de vez a atenção da garota, que lhe lançava olhares encantados. Ela parecia ser a única da mesa que não percebia minha irritação, todos os outros convidados lançavam olhares desconfortáveis em nossa direção, apesar de tentar manter as aparências.
— Com licença, eu preciso ir ao banheiro — eu forcei um sorriso, me levantando sem dar a chance de ninguém se manifestar.
Eu precisava me afastar, ou realmente afundaria a cabeça dela na tigela de purê.
Por que ele tinha que dar tanta atenção a ela? E por que aquilo estava me incomodando tanto? Não era para ser assim. Em uma amizade não era para acontecer algo desse tipo. Eu preciso aprender a me controlar! Mas isso era mais fácil na teoria, porque na prática eu estou à beira da incivilidade
Fale com o autor