Eu observei o corredor por onde Blair de

sumiu Já fazia mais de cinco minutos minutos. Todos conversavam com animação, mas minha mente estava presa em suas reações anteriores. Ela parecia muito incomodada com as investidas daquela garota, apesar de se esforçar para disfarçar.

Eu estava quase indo atrás dela, quando Blair retornou e assumiu seu lugar ao meu lado. Voltando a forçar um sorriso diante da voz de Julie que ainda não tinha se cansado de suas perguntas constantes.

— Você deve conhecer lugares incríveis todos os dias — a garota suspirou, me encarando.

— Ahhhh, ele definitivamente conhece — Blair respondeu por mim — Dimitri é praticamente um guia turístico de cidades históricas. Certo, Comandante?

— Nós temos um acordo, Blair. Você me apresenta as melhores praias e eu, as cidades europeias — eu levei minha mão até a dela, a envolvendo com a minha.

— Você deve conhecer as praias de Carmel então, Voitovich — John Goldberg declarou com prazer.

— A praia do hotel é muito bonita — Frank declarou.

— Amanhã eu vou apresentar a ele, Sr Turner — Blair sorriu para mim — eu já tenho todos os detalhes planejados.

— Blair conhece esse lugar como ninguém, Dimitri — Abigail sorriu.

— Ótimo, eu não vejo a hora — eu garanti.

Nós mudamos de assunto em seguida, Blair parecia um pouco mais à vontade para agir livremente ao meu lado.

Todos os convidados eram receptivos a Joe e eu, mesmo que fôssemos quase penetras naquela comemoração familiar. Mas o fato de Blair parecer muito mais do que íntima, era como se ela própria fizesse parte da família, fez com que nos sentíssemos tão bem recebidos.

Após o fim do jantar, todos estavam reunidos assistindo ao desfile de ação de graças pela TV, tendo se separado em pequenos grupos. Blair passou praticamente o tempo todo ao meu lado, enquanto Joe conseguiu de alguma forma fazer amizade com cada uma das pessoas presentes, oferecendo inclusive, uma pintura de presente para a senhora Goldberg.

— Daqui a pouco ele será convidado para ser um dos padrinhos — Blair zombou indicando o rapaz do outro lado da sala.

— Eu não duvido. Joe tem uma maneira única de conquistar as pessoas. Exceto o próprio pai.

— Qual é a daquele cara, afinal?

Antes que eu pudesse responder, notei Abigail e Noah nos observando, sussurrando entre si, até que a jovem indicou que eu chamasse Blair para ela.

Eu fiz o que ela pediu e a garota a chamou com a mão, parecendo ansiosa para lhe dizer algo.

— Você…

— Pode ir, ela deve querer falar apenas com você — eu garanti.

— Tem certeza? Eu não quero te deixar aqui sozinho.

— Não se preocupe, eu vou ficar bem. Prometo não fugir — eu garanti.

— J'espère que non, j'ai des plans pour vous, commandant — ela piscou antes de começar a se afastar.

Eu não entendi exatamente o teor de suas palavras, mas seu tom despertou algo em meu interior, fazendo com que eu ansiasse por ela com cada parte de mim.

Observando o Blair se afastar, eu não podia mais negar, nos últimos dois meses cada sentimento que eu nutria por ela estava se intensificando. Eu a considerava a mulher mais bonita, sexy, inteligente, carismática e engraçada que eu conhecia, e aquela percepção me mostrava apenas a dedução óbvia: eu estava me apaixonando por ela, e eu não sabia se eu queria impedir esse sentimento.

Talvez estivesse na hora de colocar tudo em pratos limpos com Blair, eu poderia temer aquela conversa se não tivesse tantos indicativos de que ela corresponda meus sentimentos.

— Ela pelo menos chegou a pagar a conta da lavanderia? — Noah perguntou parando ao meu lado.

— Ela me deu um pacote de cookies — eu expliquei — foi o máximo que consegui como compensação.

— Isso é típico dela, não é a primeira vez que ela faz algo assim — o rapaz escondeu um pequeno sorriso.

— Eu imagino que seja.

— Ela é o tipo de pessoa que usa aquele rostinho bonito para se safar de todas as encrencas que arruma, e acredite, são muitas — ele gargalhou após finalizar a frase.

Eu me sentia incomodado com aquele comentário, mas decidi me manter em silêncio sem saber o que ele esperava que eu respondesse.

— Então, como isso funciona entre vocês? — Noah questionou após alguns segundos em silêncio

— O que você quer saber? — Eu me virei, o encarando.

Eu não esperava aquele tipo de reação, principalmente vindo de alguém que não era nada além do noivo de sua amiga, e aquilo me incomodou.

— Vamos deixar as coisas claras, Voitovich. Blair é importante para Abby, isso faz dela importante para mim — ele respirou fundo — Abby não esperava que Blair trouxesse alguém que não fosse o Luke, mas desde que vocês dois se conheceram ela não fala de outras pessoas sem ser você.

— Eu não sei quem é Luke, mas creio que não exista motivos para preocupações — eu declarei, ignorando a pontada de ciúmes que ameaçou tomar conta de mim ao ouvir aquele nome.

Eu não sabia quem era, Blair nunca tinha falado sobre outra pessoa para mim. Mas para seus amigos, aquele rapaz parecia significar algo.

— Não me leve a mal, não estou tentando causar nenhuma intriga entre vocês. Luke é apenas um amigo nosso que Blair costuma levar como acompanhante nesse tipo de evento — o rapaz explicou.

— Então o que você está tentando fazer?— eu respirei fundo.

— Estou tentando cuidar para que ela não se decepcione. Abby está preocupada com essa história de você viver do outro lado do mundo. Eu não acho que seja exatamente um problema, muita gente se conhece assim e são felizes — ele declarou com simplicidade.

— Nós estamos nos conhecendo, até agora temos feito dar certo mas, eu não sei definir que tipo de relação nós temos. Ou sequer se temos uma relação — eu desabafei.

— Isso é fácil de determinar, eu estava pronto para segurá-la caso ela tentasse estrangular a prima da Abby — ele sorriu — se você não esperava estar em uma relação, eu tenho uma notícia para você.

Eu franzi o cenho diante daquele comentário, mas antes que eu pensasse em uma resposta apropriada, ele se afastou, indicando com a cabeça que eu o seguisse.

— Vamos, Abby estava planejando algo — ele explicou.

Nós nos aproximamos das garotas, que sussurravam entre si, sem notar nossa presença.

— O que eu quis dizer é que isso é algo fácil de resolver. Você só precisa conversar com ele e deixar as coisas claras. Não precisa matar minha prima por isso — ouvir a garota dizer a Blair enquanto nos aproximávamos.

Blair notou nossa aproximação mudando imediatamente de assunto. Mas no fim, não foi difícil compreender a que se referiam.

Todos pareciam ter notado o motivo do mau humor dela, talvez a única exceção fosse a própria Julie.

— Hey Abby, se a gente quiser encontrar o pub aberto, precisamos sair agora — Noah declarou, abraçando sua noiva.

— O pub Young Irish? — Blair franziu o cenho — vocês vão lá ainda hoje?

— "Vocês"? Você também vem! Nós combinamos com as meninas e até o seu primo está animado, Dimitri.

— Ele sempre está animado quando se trata de festejar — eu devolvi

— Você vem, certo? — Abby insistiu.

— Abby, eu… eu acho melhor não.

Eu decidi não me envolver, apesar de seu olhar sobre mim. Eu era seu convidado aqui e o que ela decidisse fazer, eu aceitaria.

— Blair.

— Não é nada, vocês podem sair e se divertir, mas eu estou exausta — ela explicou — eu peguei um avião logo cedo, dirigi horas de Los Angeles até aqui e nem tive tempo de descansar, apenas me arrumei e vim. Nós teremos tempo para sair em outro momento.

Aquela declaração me colocou em estado de alerta. É claro que ela estaria cansada.

— É completamente justificável, Ozkan. Além disso, aposto que os dois vão querer aproveitar algum tempo sozinhos — Noah aceitou a explicação.

— Tudo bem, eu deixo vocês escaparem hoje, mas amanhã...

— Vamos, comandante. Essa é nossa chance — ela envolveu minha mão com a sua, me arrastando para longe.

Blair buscou sair discretamente, apenas se despedindo de nossos anfitriões e logo estávamos os dois dentro do carro, voltando ao hotel.

— O que você achou deles? — ela perguntou após alguns minutos em silêncio.

— Bom, parecem ser boas pessoas. Foram muito gentis — eu garanti.

— Gentileza é a qualidade Goldberg. Acho que esse é o motivo de todos se surpreenderem ao descobrir que nossas famílias são tão próximas — ela sorriu.

— Seus pais são gentis.

— Você conheceu os pais certos? Porque se eu não tivesse impedido meu pai teria te enchido de perguntas sobre a guerra Russo-Turca, e sobre qualquer possível conflito entre os dois países — ela gargalhou — e isso foi porque ele gostou de você.

— Mesmo? Ele gostou de mim? — não pude evitar de zombar ao ouvir aquilo.

Não que o homem tivesse me tratando mal ou algo do tipo, mas ficar me questionando sobre aquela guerra não me pareceu muito promissor.

— Acredite, se ele não tivesse gostado você saberia — ela devolveu a provocação e ao longe eu pude ver a entrada do hotel.

— Você faz parecer que seu pai é aterrorizante — eu encarei.

— Ele sabe ser quando quer. E também sabe ser encantador, tudo depende do humor dele, mas ele gostou de você, apenas gosta de pegar no meu pé por eu supostamente estar namorando alguém de trás das linhas inimigas — ela declarou com naturalidade.

— Supostamente? — eu lhe lancei um olhar enviesado.

Eu estava cansado daquela situação, eu conhecia Blair há dois meses e nós vínhamos criando um vínculo desde então. O que eu não sabia, era se era muito cedo ou não para me sentir da forma que eu me sentia quando estava em sua companhia.

— Bem, nossa situação não é tão simples para meus pais — ela parecia sem graça.

— Então, eles acham que nós estamos namorando? — eu decidi provocá-la para ver até onde ela iria em suas explicações.

Blair parou o carro em uma das vagas do hotel, parecendo desconcertada enquanto ponderava sua próxima resposta.

— Olha, eu falo muito sobre você. É fácil para eles imaginarem coisas — ela deu de ombros antes de sair do carro, me deixando para trás.

Eu não pude evitar um pequeno sorriso diante de seu nítido embaraço. Eu a segui, a alcançando em poucos passos enquanto ela rumava em direção ao chalé onde estávamos hospedados.

— Eu também já falei para minha mãe sobre você, mas não sei se ela pensa que estamos namorando — decidi me aprofundar naquele assunto.

Blair me lançou um olhar divertido, com um meio sorriso, sem nunca diminuir seus passos.

— Mesmo? E o que sua mãe pensa de mim?

— Sabe, o de sempre. Ela tem medo que você me sequestre e me force a casar com você — eu dei de ombros, parando junto à porta do chalé, recebendo um olhar chocado em troca.

— Você não falou pra ela sobre aquela história do casamento, certo?

Eu não pude evitar de rir diante de sua expressão. Ela parecia mesmo preocupada com aquela possibilidade.

— Não se preocupe. Na verdade, minha mãe sabe pouca coisa — eu garanti, observando enquanto ela destrancava a porta.

Ela franziu o cenho, finalmente conseguindo abrir a porta e acender a luz da sala. Aparentemente aquela não era a resposta que ela esperava.

— E o que ela sabe então?

— Ela sabe que conheci alguém há dois meses. Alguém que fez com que eu perdesse o interesse em sair com qualquer outra pessoa — eu dei de ombros.

Um sorriso voltou a iluminar seu rosto diante de minhas palavras. Não demorou muito para que eu me visse preso em um beijo faminto. Suas mãos vieram até minha nuca, me mantendo junto a ela, enquanto seus dedos se enredam em meus fios de cabelo.

Eu contornei cada curva de seu corpo com minhas mãos, a pele exposta de sua cintura era quente sob meu toque e meus dedos se prenderam à barra inferior de sua blusa, erguendo o tecido devagar, explorando a cada segundo mais e mais de seu corpo.

Blair quebrou o beijo para se livrar da peça e roupa, a jogando em um canto da sala. Eu desci minhas mãos por seu quadril, até chegar em suas coxas, fazendo com que ela tomasse um impulso e envolvesse meu quadril com suas pernas antes de voltar a beijá-la.

Eu caminhei em direção ao quarto, deixando todo o desejo que sentia por ela desde a primeira vez que nos encontramos, aflorar em mim.

Eu a deitei sobre a cama e Blair inverteu nossas posições, me dando uma visão privilegiada de seu corpo parcialmente exposto enquanto trabalhava com agilidade para se livrar de minhas peças de roupa.

Eu me lembrei das palavras que usei para descrevê-la mais cedo naquela praia. Blair era quente, determinada, passional e perigosa.

Cada segundo com ela, era capaz de me transportar ao paraíso. Eu me sentia como um pássaro que foi pego em uma armadilha e não conseguia ansiar pela liberdade.

Eu não tinha mais nenhuma dúvida, aquilo era mais, muito mais que sexo casual ou uma amizade colorida. Eu estava apaixonado por aquela mulher e naquele momento, tudo o que eu precisava era ela.

Mais tarde, Blair descansava sua cabeça sobre meu peitoral enquanto eu a abraçava, ela desenhava círculos em meu abdômen utilizando a ponta de sua unha, me causando arrepios.

Eu sou louco por ela, aquilo era um fato, e não me importava mais com nenhum raciocínio lógico que pudesse me manter longe.

— Sabe, quando eu era pequena, Abby e eu aproveitamos quando meus pais não estavam e nos deitávamos aqui, observando as estrelas no céu — Blair comentou, erguendo o rosto para olhar o céu através da clarabóia.

— Vocês vinham muito aqui?

Eu acariciei a pele macia de suas costas, ainda aproveitando a sensação de ter seu corpo colado ao meu.

— Muito. E sempre ficávamos nesse chalé — ela apoiou o queixo em meu peito, olhando em meus olhos.

— Então… nós basicamente transamos na mesma cama que seus pais? — eu zombei, recebendo um olhar chocado em troca.

Ela se afastou imediatamente, se sentando com uma expressão que era um misto de incredulidade e diversão.

— Credo, você não podia arrumar um jeito menos traumático de quebrar o clima?

Eu não pude evitar de rir diante de sua expressão, eu a puxei, fazendo com que se deitasse novamente, me colocando sobre ela. Blair ergueu uma de suas pernas, envolvendo meu quadril, enquanto um sorriso adornava seu rosto. Mais uma vez eu me peguei pensando na dimensão de sua beleza.

Erguendo o rosto, ela capturou meus lábios com os seus. Eu aproveitei o máximo que pude aquele beijo, e em um impulso ela conseguiu nos girar mais uma vez na cama, voltando a uma posição parecida com o que estávamos antes.

— Você falou sério antes?

Eu imaginava sobre o que ela se referia, mas não podia perder a oportunidade.

— É claro que sim — eu afirmei com seriedade, recebendo um sorriso aberto em troca — olhe pra esse lugar, seus pais com certeza não perderam tempo, e…

— Meu Deus, Dimitri. Você pode esquecer a vida sexual dos meus pais? — ela gargalhou, se jogando de costas ao meu lado no colchão.

Eu o acompanhei na gargalhada, alcançando sua mão, entrelaçando nossos dedos.

— Sim, eu falei sério.

Nós ficamos em silêncio, apenas de mãos dadas, observando o céu estrelado acima.

— Eu também não me interesso por mais ninguém — ela rompeu o silêncio.

Eu não respondi, me mantive em silêncio, me limitando a virar o rosto em direção ao seu, observando cada detalhe de seu perfil.

— Nós não somos apenas amigos, não é? — ela perguntou sem desviar seu olhar das estrelas.

— Não, acho que passamos da fase de afirmar isso. E acho que ninguém mais compra essa versão também.

— Eu quis acertar a cabeça da Julie com o peru hoje — ela admitiu, finalmente olhando em minha direção — isso faz de mim uma maluca?

Eu não consegui segurar o riso diante daquele comentário. Como eu consegui ter tanta sorte em conhecê-la?

— Blair, não se preocupe. Eu já penso que você é maluca desde que você me pediu em casamento — eu pisquei pra ela.

Novamente sua gargalhada encheu o ambiente me fazendo sorrir. Eu me sentia leve por tudo o que havíamos definido naquele dia.

— Com o tanto que você falou em casamento desde que chegou aqui, eu é que vou começar a ficar com medo de ser sequestrada, Comandante — ela se virou em minha direção, beijando minha boca.

Eu me limitei a sorrir, deixando aquele assunto de lado enquanto a envolvia com meus braços.