Escalas e Destinos - A apaixonante vida de Blair
8 Capítulo 08 - Madrid
Notas iniciais

— E então? O que achou? — eu rodopiei na frente da câmera do celular, mostrando minha roupa para minha mãe.
— Você ficou ótima com esse seu novo corte de cabelo — ela elogiou do outro lado da tela — deve ser mais fácil de prender agora.
— Mãe, foco por favor — eu gemi.
— Desculpe, mas não entendi o que você quer que eu veja — ela devolveu.
— Mãe, eu te mostrei três roupas diferentes — eu me joguei na cama do quarto de hotel que eu ocupava em Madrid — eu tenho quinze minutos para terminar de me arrumar.
— Você ficou bonita com todas as roupas — ela devolveu.
— Não está ajudando — eu murmurei.
— Eu sequer entendi com o que você quer ajuda! Você não devia voltar hoje?
— E vou, mas eu terei duas horas antes de ter que ir para o aeroporto, então vou poder almoçar com um amigo no restaurante do hotel — eu expliquei apressada — e preciso encontrar ele em dez minutos, então se você puder ajudar.
Eu revirei as opções que tinha separado, tentando tomar uma decisão. Por que eu não podia simplesmente escolher? Não era pra ser tão difícil.
— E por que esse seu amigo não marcou mais cedo? — minha mãe revirou os olhos.
— Porque ele desembarcou a cerca de uma hora e esse é todo o período que vamos estar no mesmo país pelos próximos dez dias. Então, de novo, se você puder ajudar...
— Use a penúltima roupa, com aquela blusa de renda — a voz do meu pai soou de algum lugar do cômodo, fazendo com que eu congelasse no meu lugar.
— Mãe, por que você não me avisou que o pai estava em casa? — eu rosnei.
— Blair, desse jeito vou pensar que você não quer minha opinião — ele reclamou aparecendo atrás de minha mãe — aliás, quem é esse amigo?
— Um amigo, e eu preciso ir — eu cantarolei encerrando a chamada em seguida.
Eu não tinha tempo para explicar nada, eu precisava me arrumar. Me apressei em tirar o suéter cor de vinho que usava e coloquei a segunda pele azul rendada que meu pai tinha indicado, permanecendo com a mesma calça jeans e calçando uma sapatilha antes de sair apressada em direção ao restaurante do hotel.
Dimitri estava parado no lugar que combinamos para nosso encontro, vestindo uma camisa social branca com os primeiros botões abertos e jeans escuros. Eu sempre me surpreendia com sua beleza nas fotos que ele me enviava quase todos os dias, mas pessoalmente ele conseguia ser ainda melhor. A prova disso era o olhar de cada mulher que passava por ali, e eu poderia me considerar sortuda, tendo em vista que seu olhar estava preso em mim conforme eu me aproximava.
Ele segurou ambas as minhas mãos e as levou até os lábios, depositando um beijo suave em cada uma. Meu coração disparou diante de seu gesto, me deixando um pouco desnorteada. Fazia exatos oito dias desde aquele encontro improvisado em Viena e eu não sabia definir o que significamos um para o outro. A única coisa que estava clara em minha mente é que ele estava me conquistando um pouco a cada dia.
E eu me sentia estúpida por permitir!
— здравствуйте.
Eu pisquei atordoada ao ouvir aquelas palavras.
— Eu nunca tinha te ouvido falar russo! Você está esperando faz muito tempo?
— Eu acabei de chegar, vamos?
Eu o acompanhei para dentro do restaurante, pensando em tudo o que queria falar mas sem saber por onde começar. Por que eu me sentia tão perdida perto dele?
— Você está bonita — ele elogiou assim que nos acomodamos.
— Você gostou? — eu deslizei a mão pelos fios recém cortados do meu cabelo.
— Você ficou linda — Ele enfatizou abrindo o menu — então, conheceu muitos lugares em Madrid?
— Está chovendo desde que desembarquei — eu fiz um biquinho — não saí do spa do hotel.
— E isso é uma coisa ruim? — Ele sorriu.
— Claro que não, mas...
Meu celular começou a tocar, interrompendo minha resposta. Eu revirei os olhos antes de rejeitar a chamada de meu pai, voltando minha atenção para Dimitri.
— Mas?
— Eu gosto de variar. Aproveito o hotel e a cidade.
— Na próxima vez...
Meu celular voltou a tocar, o interrompendo mais uma vez.
— Não é melhor você atender? — ele franziu o cenho enquanto eu rejeitava a chamada mais uma vez.
— Não, eu já falei com ele! — eu me apressei em explicar.
— Tudo bem — Ele sorriu, mas logo em seguida a notificação de uma chamada de vídeo apareceu na tela do celular — olha, eu acho melhor atender.
Eu forcei um sorriso apesar de me sentir mortificada pela situação enquanto colocava os fones de ouvido para aceitar a chamada, vendo o rosto de meu pai surgir do outro lado da tela.
— Pai, aconteceu alguma coisa? — eu me esforcei para ficar calma.
— Não, eu queria saber como está indo com seu amigo.
— Pai, eu te ligo mais tarde — eu murmurei em turco.
— Espere, eu quero conhecê-lo!
— E você pensou que agora seria uma boa hora para isso? De jeito nenhum.
— Blair.
— Não, você não vai falar com ele — eu sussurrei tentando não demonstrar minha irritação.
— Blair, eu posso falar com ele se você quiser — Dimitri ofereceu.
Eu o encarei atordoada sem saber em qual idioma eu estava falando antes com meu pai.
— Desculpe, eu estou aprendendo turco, então consigo entender um pouco — ele explicou.
Por alguns segundos eu não soube como responder, e meu pai aproveitou sua chance.
— Esplêndido. Onde está o rapaz?
— Pai... — eu murmurei em tom de aviso antes de passar um dos fones para Dimitri que puxou sua cadeira praticamente para o meu lado.
— Olhe só o rapaz — meu pai sorriu e logo minha mãe se juntou a ele.
Eu não podia acreditar que os dois estavam fazendo aquilo comigo, simplesmente não podia estar acontecendo!
— Boa tarde Sr e Srª Ozkan — Dimitri os cumprimentou.
— Lauren, é o piloto russo — o sorriso dele se alargou, fazendo com que eu lhe lançasse um olhar irritado.
— Sim, eu acho — Dimitri franziu o cenho, me olhando sem entender direito.
Esqueça a guerra turco-russa, por favor, que ele esqueça essa maldita guerra.
— Me diga, Dimitri. O que você sabe sobre a guerra turco-russa? — ele perguntou diretamente fazendo com que eu sentisse vontade de bater a cabeça na mesa.
— Foi uma guerra que aconteceu há mais de cem anos.
— Pai!
— Tudo bem, tudo bem. Sei que vocês não tem muito tempo e não vou mais atrapalhar. Eu só queria conhecer o rapaz que fez minha filha passar mais de meia hora nos mostrando roupas, sem saber o que vestir — meu pai decidiu, depois de um beliscão discreto de minha mãe — foi um prazer conhecê-lo, Dimitri.
— Igualmente, Sr Ozkan — ele me lançou um olhar divertido, me devolvendo o fone
— E Blair, lembre-se. Não aceite ninguém que te trate menos que como a princesa do universo — meu pai voltou a falar em turco, fazendo um sorriso involuntário chegar em meu rosto.
— Princesa? — eu respondi da mesma forma, recebendo um olhar curioso de Dimitri.
— Você sabe que a rainha é sua mãe — ele piscou antes de encerrar a chamada.
Dimitri voltou para seu lugar enquanto eu desligava de vez o celular, para não correr mais nenhum risco, o guardando na bolsa em seguida.
— Sinto muito por isso.
— Está tudo bem, vocês parecem próximos — ele sorriu.
— Próximos? Eles deram um jeito de invadir meu baile de inverno no high school! — Não pude evitar de rir diante da lembrança.
— Como?
— Se voluntariaram como monitores. Todos meus amigos os adoraram, e se fosse possível, teriam sido eleitos como rei e rainha.
Dimitri riu diante da história inusitada.
— Mas e você? Alguma história constrangedora?
— Não, eu sempre fui um vencedor — ele deu de ombros, me encarando com pena, fazendo com o que eu o encarasse boquiaberta antes de gargalhar.
— Você acabou de me chamar de perdedora!?
Ele continuou rindo ao invés de me responder.
— Eu era uma das garotas mais populares da escola, comandante — Eu lhe dei um leve chute na canela.
Dimitri gargalhou, segurando minha mão por cima da mesa. Eu observei nossas mãos juntas, voltando a me sentir ansiosa sobre o significado de tudo o que estava acontecendo entre nós.
— Então, você está aprendendo turco — eu decidi mudar o assunto.
— Sim, eu comecei a aprender há alguns meses.
— Russo, inglês, turco.
— Grego — ele completou para minha surpresa.
— Grego, sério?
— Sim, e você? — ele perguntou, olhando em meus olhos.
— Turco, inglês, espanhol e estou aprendendo francês.
— Francês — ele repetiu pensativo.
— Oui ma chérie — eu pisquei para ele.
O tempo passou depressa enquanto almoçávamos, e antes do que esperávamos saímos caminhando lado a lado pela área comum do hotel.
Nossos braços se tocavam às vezes por conta da proximidade, até que Dimitri buscou minha mão com a sua.
— Eu queria ter mais tempo hoje — eu comentei sentindo-o apertar minha mão suavemente.
— Eu também queria — ele entrelaçou nossos dedos — mas em alguns dias podemos nos encontrar de novo.
Eu respirei fundo ao sentir o calor de sua pele em contato com a minha.
— Zurique.
— Sim. Mas agora eu tenho algo para você — ele soltou minha mão, se colocando na minha frente.
Eu o encarei com expectativa enquanto ele me estendia uma pequena sacola de papel que vinha carregando. Eu a apanhei, tirando dali de dentro a pequena caixa de música que ele tinha comprado em Viena.
— Ela é ainda mais bonita pessoalmente — eu contornei os detalhes com a ponta dos dedos.
— Sim, é — ele declarou sem desviar o olhar de mim, me fazendo corar um pouco.
— Está na hora de eu ir, preciso me arrumar para o voo — eu coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Eu entrelacei os dedos da minha mão esquerda com a dele, me esticando em direção ao seu rosto, juntando nossos lábios. Dimitri correspondeu o Beijo imediatamente, envolvendo minha cintura com a mão livre, enquanto eu senti o contato do metal frio de um anel que ele usava no dedo mindinho. Minha mente vagou para o exato momento em que o coloquei ali em Amsterdã, fazendo com que todo o desejo frustrado que senti naquele dia aflorasse em mim. Dimitri porém interrompeu o beijo, me lançando um olhar que era um misto de confusão e diversão.
— Blair.
O que estou fazendo!?
Meu coração acelerou ao perceber que eu devo ter entendido tudo errado, provavelmente ele queria apenas minha amizade, e como poderia ser diferente? Eu sei bem que não daria certo, nós nem vivíamos no mesmo continente!
— Eu preciso mesmo ir. Obrigada pelo presente, comandante — eu me afastei, soltando sua mão antes de dar as costas e me apressar, aproveitando o elevador que estava parado no andar.
Eu escondi meu rosto com a mão assim que o elevador começou a se mover. O que eu estava pensando?
Não importa, já aconteceu e de qualquer forma, foi um ótimo beijo. Pelo menos não passei vontade!
Mantive meu celular desligado enquanto vestia o uniforme e arrumava o cabelo, o ligando apenas no táxi, enquanto seguia para o aeroporto. Havia uma mensagem e algumas chamadas perdidas de Dimitri ali.
"Você está bem? Acho que precisamos conversar "
Ótimo, ele realmente vai querer falar sobre isso!
" Estou prestes a entrar no debriefing, podemos conversar depois?"
Menti na esperança de conseguir adiar aquela conversa em algumas horas.
" Me liga quando pousar?"
" Será tarde"
" Não importa"
"Tudo bem"
Desisti de tentar discutir, voltando a desligar o aparelho.
O voo não durou tanto quanto eu gostaria, já eram quase oito da noite quando enfim cheguei em meu loft, me sentindo bem por estar em casa.
Eu levei a mala até o mezanino antes de ir tomar um banho. Alguns minutos depois estava usando meu pijama de seda, acomodada sobre a cama com a caixa de música em minhas mãos. Eu girei delicadamente a manivela até o fim, ouvindo a melodia que soava através do mecanismo.
Por que eu fiz aquilo? Eu não quero estragar essa amizade! É a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo.
— Você não pode fugir para sempre, Blair — eu murmurei antes de buscar meu celular.
" Você está acordado? Não vou te perturbar se não estiver"
Eu pedi comida chinesa enquanto esperava alguma resposta, quando já estava certa de que ela não viria, uma chamada de vídeo surgiu na tela do meu celular.
Ok, Blair. Aja naturalmente. Não foi nada demais, você ainda pode consertar isso.
Eu me acomodei na cama, passando os dedos nos cabelos antes de aceitar a chamada.
— Hey, pensei que você estava dormindo. Já está tarde aí, não é?
— Já passa da uma hora, mas eu disse que esperaria você chegar — ele me ofereceu um sorriso contido — como foi seu voo?
— Foi bom — eu voltei a girar a manivela, ouvindo mais uma vez a melodia soar — eu adorei isso.
Seu sorriso foi completo dessa vez, ele parecia satisfeito em me ver com seu presente, mas em meu interior a sombra daquele Beijo ainda pairava.
— Dimitri, sobre antes..
— Antes quando você me beijou? — ele questionou com naturalidade me fazendo corar ligeiramente.
— Sim esse antes — Eu mordi o interior de minhas bochechas — Dimitri, eu sinto muito.
— Pelo o que? Se você não tivesse me beijado, eu teria — ele deu de ombros.
— Sério? — meu sorriso se alargou imediatamente.
— Blair, nós estamos tendo os melhores dias. Eu te acho bonita, você quer se casar comigo. Não é como se fosse uma grande surpresa — ele piscou para mim.
Eu não pude evitar de rir com sua última frase, ele não esquecia aquela bobagem.
— Você é um idiota, Voitovich. Eu não me casaria com você nem se você fosse o último homem da terra — eu o provoquei.
— Nós dois sabemos o que você deseja, Blair — ele devolveu.
— Então, nós estamos bem? — Eu penteei os cabelos com os dedos sentindo seu olhar acompanhar cada movimento meu — Nós ainda somos amigos, certo?
Eu notei uma pequena nota de confusão passar pelo rosto do russo, antes do interfone soar anunciando a provável chegada de minha comida.
— Minha comida chegou — eu cantarolei me levantando da cama antes de correr escada abaixo.
— Tome cuidado para não cair — ele pediu ignorando minha pergunta anterior.
Eu liberei a entrada do entregador, antes de voltar minha atenção para Dimitri.
— Então, amigos... — Seu tom soou mais como uma constatação que uma pergunta.
Senti uma pontada de tristeza ao pensar em minha resposta. Nossa situação não era favorável, então não tinha como ser diferente, seria estupidez imaginar algo mais, certo?
— Sim, amigos que sentem atração um pelo outro e se beijam às vezes — eu gargalhei abrindo a porta e olhando para o corredor, na expectativa da chegada do entregador.
Aquele comentário parece ter pego Dimitri de surpresa.
— Como?
— O que? Você mesmo disse que me acha bonita, você nunca teve uma amiga assim? — Eu sorri diante de seu olhar confuso.
— Talvez quando eu era adolescente — ele franziu o cenho — Você está de pijama no corredor?
— Qual o problema? Está tudo coberto, não é como se estivesse só de toalha — eu zombei — e a adolescência foi uma boa época, não acha?
— Blair...
— Ele chegou — eu comemorei ao ver o entregador sair do elevador.
— Eu vou te deixar comer, nós nos falamos amanhã? — Dimitri decidiu deixar o assunto anterior de lado.
— Claro, durma bem, comandante — eu sorri antes de seguir até o entregador, aceitando a sacola de papel e voltando para dentro do apartamento.
Eu me acomodei novamente na cama, com a caixinha de yakissoba em mãos me sentindo estranha com tudo o que estava acontecendo em relação ao Dimitri. Estava na cara que eu não queria ser apenas amiga dele, mas o que eu podia esperar? Aquilo era ridículo, nós nem morávamos no mesmo continente. Era impossível manter algo concreto com toda essa distância. Era melhor cuidar do que nós tínhamos e evitar decepções.
~~**~~
— Deixa eu ver se entendi, o cara que você diz que é só o seu amigo passou o dia te apresentando uma cidade em outro país pelo celular e te comprou uma caixa de música antiga? — Abby perguntou sentada ao meu lado no sofá no dia seguinte.
— Eu sei o que você está pensando e está errada. Dimitri e eu apenas temos muito em comum.
Talvez ela não estivesse tão errada, mas eu jamais admitiria.
— Como o que?
— Nós trabalhamos viajando o mundo, conhecemos muitos países, falamos várias línguas — eu enumerei.
— Isso tudo é óbvio, vocês se conheceram em um aeroporto — ela revirou os olhos — mas e quanto aos gostos pessoais?
— Bom..
Nesse ponto eu devia admitir que não tinha muito em comum. Na verdade, parecia acontecer o completo oposto.
Eu amava praias e ele gostava de cidades históricas, eu gostava de encontrar mercados de pulgas, feiras e lugares desconhecidos enquanto ele optava por museus, pontos turísticos famosos e restaurantes clássicos.
Mas ainda assim eu tinha adorado deixar ele planejar um dia completo para nós.
— Então? — Abby insistiu.
— Ele está me ajudando a descobrir novas coisas — eu dei de ombros, alcançando meu celular quando ele vibrou indicando a chegada de uma mensagem.
" Bom dia"
"Espero que tenha dormido bem, comandante
"Você quem acabou de acordar"
Era fácil esquecer que ele estava seis horas à frente.
" Falha minha. Como você passou o dia?"
— Fala sério, em um minuto você está me falando que o cara é só o seu amigo, e no outro eu sou completamente esquecida por que ele te mandou uma mensagem!? — Abby reclamou.
— Desculpe — eu bloqueei o celular.
— O dia de hoje é para ser sobre mim, lembra? — ela se levantou indo até a cozinha.
— Você tem razão, desculpe.
Uma nova notificação chegou e eu aproveitei sua distração para checá-la.
"Está chovendo muito, então estou preso no hotel até a hora de ir para o aeroporto."
— Você só pode estar brincando comigo! — Abby me viu antes que eu escondesse o celular.
— Desculpe, mas ele está preso no quarto de hotel sozinho! — eu exclamei.
— E daí?
— Bem...
— NÃO!
Ele sequer permitiu que eu terminasse meu raciocínio. Eu não queria deixá-lo sozinho. Queria retribuir o que ele fez por mim em Viena.
— Você nem perceberia.
— Blair, nós vamos procurar um vestido de noiva, isso não vai acontecer — ela ameaçou e logo em seguida o interfone soou — Aliás, nós já estamos atrasadas, as garotas chegaram.
Eu peguei minha bolsa em cima da bancada, a acompanhando para fora do apartamento, ainda tentando encontrar um bom argumento.
Nós embarcamos no elevador que estava parado no andar enquanto eu pensava em algo.
— Você pode precisar de uma opinião masculina.
— A única opinião masculina que eu preciso é a do Noah — ela devolveu de mal humor.
— E você não pode pedir — eu sorri — vamos...
Nós descemos do elevador e ela abriu a porta de entrada do prédio, onde Claire e Alisson nos aguardavam.
— Meu Deus, você é a pior madrinha que existe!
— O que aconteceu? — Claire franziu o cenho diante de nossa pequena discussão.
— Blair quer levar o namorado dela virtualmente com a gente — Abby murmurou.
— Namorado? — Alisson perguntou em um tom sugestivo.
— Ele não é meu namorado, é um amigo.
— É um piloto russo que ela conheceu através do Noah — Abby revirou os olhos.
— Espera, Você está saindo com o cara do café? — Alisson arregalou os olhos.
— Não desse jeito, o Mitchell passou meu número pra ele e nós estamos conversando — eu revirei os olhos.
— Eles se encontraram em Amsterdã e ele levou ela para um tour virtual por Viena — Abby confidenciou.
— E agora ela quer fazer o mesmo? — Claire riu.
— Deixa pra lá, vamos embora — bufei.
— Abby, deixa ela — Claire pediu — Eu tenho uma ideia.
Eu as encarei sussurrando entre si, e algo me dizia que eu não iria gostar muito da ideia delas.
— Blair, vamos. Nós já preparamos tudo — Claire cantarolou se aproximando do divã que eu ocupava no canto do camarim do ateliê de vestidos de noiva.
— Eu não quero — eu murmurei emburrada.
— Não? Pensei que quisesse falar com seu comandante russo. Sabe o que precisa fazer pra gente te devolver o celular — Ela piscou.
Eu me levantei irritada, indo até o local indicado, encontrando Alisson lá com um sorriso diabólico estampado no rosto.
— Vocês vão se arrepender disso, guarde o que estou falando — eu ameacei.
Demorei alguns minutos para conseguir meu celular de volta, e finalmente pude fazer a vídeo chamada que tanto almejava.
Dimitri não demorou para atender, fazendo com que meu coração acelerasse. Eu devia ter desistido. Espero que ele não me ache uma maluca.
— Pensei que você...
O homem interrompeu sua fala, me encarando com uma expressão surpresa.
— Desculpe a demora, comandante — eu tentei agir como se nada estivesse acontecendo — eu vou te apresentar as meninas.
— Blair...
— Sim? — Eu o encarei fingindo naturalidade.
— Existe algum motivo para você estar vestida de noiva?
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