Errante

2 Diga, parte 2.


Notas iniciais
Yay. Espero que gostem.

Cheguei perto dela e a chamei, ela se virou para mim e com um sorriso forçado me cumprimentou e pediu para que eu sentasse, me sentei e pedi um café, enquanto ela tirou um cigarro da bolsa e começou a traga-lo.
- Começou a fumar? – perguntei.
- Sim. – respondeu. – Era preciso.
- Por quê?
- Eu precisava ter algo nas mãos. – respondeu ela, que mal sabia que sempre teve o meu coração em mãos, ela se levantou, ajeitou a sua saia completamente curta e me olhou com um sorriso. – Termina seu café e vamos embora.
- Para onde?
- Não sei... Talvez para sua casa, acho que precisamos conversar.
- Era mais fácil você aparecer lá.
- Você certamente me expulsaria. – falou, sorrindo, ela estava certa.

Terminei meu café, e paguei o meu café e os dela, queria fazer isso, me sentiria melhor. Fomos andando até a minha casa, abri a porta e deixei-a entrar primeiro, depois entrei e tranquei a porta, ninguém precisava saber que ela estava ali. Ela se sentou no sofá, observando atenta a casa quase desconhecida.
- Quer uma água? Uma bebida? – perguntei.
- Não, obrigada. – respondeu de voz baixa.
- Então tudo bem, pode ir pro quarto, por favor?
- Por quê?
- Quero conversar com você lá.
- Tudo bem. – respondeu, se levantando e indo pro meu quarto.

Esperei um pouco, enquanto eu juntava minhas forças para encara-la como nunca antes, força para esfregar todas as verdades naquela face suja e nojenta que um dia eu achei tão perfeita, oh, maldito amor. Dei mais um pouco de tempo e então entrei no quarto. Ela estava de cabeça baixa e evitava me olhar, ela sabia o que eu queria falar. Segurei-a pelo braço e a balancei, como num pedido que ela me olhasse nos olhos, ela me encarou, e ela estava com lágrimas nos olhos.

Tira a maquiagem pra que eu possa ver.

Aquilo que você se esforça pra esconder.

Agora somos só nós dois, já podes parar de fingir.

Dei a ela sua bolsa, praticamente joguei, olhei pra ela com uma cara de pena, era o meu jeito de perguntar: “por quê? por quê logo eu?”. Ela abaixou a cabeça.
- Tira a maquiagem. – pedi.
- Por quê? – perguntou.
- Porque eu quero olhar pro rosto que eu conheci, e não pra esse rosto de puta que eu estou vendo agora.
- V-você está me chamando de puta? – gaguejou.
- Tanto faz. – respondi. – Só deixa o rímel, como antigamente.
- Você ainda se lembra de antigamente. – comentou, abaixando a voz.

Respondi balançando os ombros e ela foi para o banheiro, algum tempo depois, não sei dizer quanto, ela voltou com o rosto limpo, ou quase isso. Parou de novo na minha frente, e fiquei a olhando, se não fosse pelas roupas, eu diria que ela era a mesma pessoa que eu conheci a cinco meses.
- Por quê? – perguntei.
- O quê? – respondeu, tremendo.
- Por que você fez isso? Eu não era bom pra você?
- Era, mas... eu não sei. – falou, com a voz tremula. – Me desculpa, Lucas, me desculpa.
- Nunca, nunca, Valéria, eu não perdoou isso.
- Por quê? Lucas, por quê?
- Porque eu não sei lidar. – respondi, ela começou a olhar pra mim com uma cara de desentendida, virei de costas, como se eu não quisesse encara-la.

Mas cala essa boca e me diz com o olhar:

Quem era você até me encontrar?

Se agora és diferente

O que eu fiz que te fez mudar?

Ela tentou soltar a voz para falar de novo, mais um bando de pedidos de desculpa, virei pra ela e a olhei no fundo dos olhos, e mais uma vez ela tentou falar de novo.
- Cala a boca, Valéria. – exigi.
- M-mas Lucas. – gaguejou.
- Cala a porra da boca, Valéria. – exigi, aumentando a voz agora. Ela olhou para o chão e ficou o observando. – Quem era você, Valéria? Quem é você? O que eu fiz, Valéria, o que eu fiz?

Ficamos em silêncio, ela não quis responder, ficou observando o chão, ela estava com medo, tremia, tremia. Coloquei a mão em seu ombro, e com a outra mão levantei o seu rosto, beijei sua testa entre a franja, tentando acalma-la, e repeti:
- Quem era você, Valéria? Quem é você?
- E-eu não sei. – respondeu, gaguejando.
- Valéria...
- Você me mudou muito, Lucas, antes de você eu era inocente, eu, eu não conhecia a dor, Lucas, você me fez conhecer a dor.
- E a dor fez você virar uma puta?
- Lucas, não fala assim, por favor. – me pediu, olhando de volta para o chão, ela sabia que era verdade, era o que ela se tornou depois do nosso tempo.

Ela continuava tremendo, e eu sentia pena disso, sentia pena dela mais do que sentia pena de mim mesmo, o que era aquilo? Ela parecia indefesa perto da minha mão de chefão com olhar de fúria. Ela era só mais uma criança perto do monstro mau.

Eu lembro dos lábios.

Tremendo ao dizer:

"Eu não vivo sem você".

- Lucas. – me chamou, com a voz trémula, e com lágrimas nos olhos. – Lucas, eu não vivo sem você.
- Dissesse isso antes de se tornar isto. – Falei, apontando para a roupa dela, ela começou a chorar, de um modo que eu cheguei a sentir pena. Afastei-me dela e me sentei na cama, abaixei a cabeça e alguns segundos depois levantei novamente, olhando para ela.

Então diga.

Que não vai sair da minha vida.

Diga que não passa de mentira.

Quando dizem que o amor morreu.

- Me diga, Valéria, me diga. – implorei.
- O quê? – respondeu, com voz a trémula ainda.
- Diga que não passa de mentira, Valéria.
- O quê, Lucas, o quê?
- Quando dizem que o amor morreu, Valéria, quando dizem que o seu amor morreu. – falei, em voz alta, e ela que havia levantado um pouco a cabeça, havia abaixado de novo agora. – Você ainda me ama?
- Sim. – respondeu, com voz baixa. “Mentira”, pensei.

Tira essa roupa pra que eu possa ver.

Que não há uma arma tentando se esconder.

O mal vive num lar perfeito e sem infiltração.

Pedi com a voz baixa para que ela me olhasse nos olhos, levantei-me da cama para que aquilo fosse possível, seus olhos estavam cheio de lágrimas e ela evitava chorar, medo da fraqueza. Isso eu sempre reconheci nela, ela tinha medo de parecer fraca. Ela tentou me tocar, mas eu recuei.
- Tira essa roupa, Valéria. – pedi.
- P-por que Lucas? – perguntou, gaguejando.
- Para eu saber se você não tem uma arma.
- Por que acha que eu teria uma arma, Lucas? Eu não sou disso.
- Porque eu já não te conheço mais, Valéria. – falei, me virando para que ela pudesse se sentir a vontade. – E porque o mal vive num lar perfeito e sem infiltração.
- O que você quis dizer com isso, Lucas? – perguntou ela, se despindo.
- Nada, você não entenderia.
- Você anda estranho, Lucas. – sussurrou ela, eu fingi que não escutei, não queria dizer a ela todas as milhões de verdades e feridas que ela havia me dado. E também, assim como ela, eu não gosto de demonstrar fraqueza.

Talvez porque eu não sei lidar.

Ou talvez porque eu sou errante.

Ela acabou de se despir, ficou apenas com a roupa intima, de cabeça baixa e com os cabelos curtos e vermelhos bagunçados, encarando o chão como se encarasse o reflexo sujo de si mesma, porque ela sabia que tudo que estava acontecendo agora com ela, era culpa dela, culpa dos seus uns milhões de erros comigo, o que fez eu me tornar um errante que nunca soube lidar.

E tira o cabelo da cara e me diz.

Se por um segundo quiseste me ver feliz.

Ou se és o meu destino tentando me dar outra lição.

Cheguei perto dela e levantei de novo a sua cabeça, o cabelo estava todo caído na cara, e por algum motivo aquilo me dava nojo, nojo de vê-la tratada como uma puta caída.
- Tira o cabelo da cara. – pedi, me afastando dela, e ela fez o que foi pedido, sem questionar. – Me diz, por favor, você um dia já quis me ver feliz ou é apenas o meu destino querendo me dar outra lição?
- Eu já quis tantas vezes te ver feliz, Lucas, e por isso eu te deixei, você merecia algo melhor. – respondeu, a ponto de chorar, mas se controlou novamente.

Ela estava enganada, eu não merecia algo melhor, eu a merecia, eu merecia os erros dela, eu merecia cada dor que ela me dava, cada noite mal dormida, cada preocupação, cada crise de choro, cada merda feita. Eu a merecia, porque um errante merece outro errante.

Eu não merecia algo melhor, talvez porque eu não sei lidar, ou talvez porque eu sou um errante.

Um errante que não sabe lidar.

Aproximei-me dela, cercando-a contra a parede, lembrei-me de cada coisa que ela fez que me deixou com ódio, se via ódio em meu olhar, uma mistura de ódio com amor, de raiva com pena, de vontade de mandar embora com vontade de pedir pra ficar.

Eu lembro de cerrar os punhos pra dizer:

"Eu não amo mais você".

Cerrei os punhos e quase sem querer soquei a parede ao lado dela, como uma expressão de ódio, como uma expressão de tudo que estava acumulado dentro de mim.
- Eu não amo mais você. – falei, em voz alta, quase como um grito. Vi lágrimas brotarem e sua face, como num choro silencioso e vazio, sai de perto dela e mais uma vez me sentei na cama, com as mãos na cabeça e observando o chão, eu estava me sentindo horrível.

Olhei para ela, e ela me encarava, arrisquei qualquer pedido de desculpa, mas ela continuava a me olhar com sua cara triste e suas lágrimas vazias que escorriam, eu me sentia mal, como um monstro ou qualquer coisa do gênero. Mas agora, eu já havia dito quase tudo, eu precisava mesmo dizer tudo.

E diga.

Que não volta mais pra minha vida.

E que a nossa estrada é bipartida.

Esquece o dia que me conheceu.

- Diz, Valéria, por favor, diz. – pedi, e ela me olhou de uma maneira como se não estivesse entendendo mais nada. – Diz que não volta mais pra minha vida, e que a nossa estrada é bipartida, diz Valéria, diz.
- Estaria você me mandando ir embora? – perguntou, com a voz trémula e de um jeito completamente triste.
- Não, Valéria, mas se quiser vá. – respondi, abaixando minha cabeça, evitando olhar para ela. – Apenas esquece o dia que me conheceu, tá bom?

Ela ficou muda, paralisada, e com o gosto das lágrimas vazias que haviam parado de cair na boca. Ela me olhava, seus olhos expressavam dor, eu havia a machucado, porque um errante sempre machuca outro errante. Uma pessoa que vaga sem destino na vida por culpa dos erros sempre machuca outra pessoa que vaga sem destino na vida por culpa dos erros. Ainda mais quando ela se torna errante por sua culpa.

Então diga.

Que nem todo dinheiro dessa vida.

Não vai comprar de volta acolhida.

No peito de quem já foi todo seu.

- Diz, Valéria, por favor, me diz. – pedi, com a voz baixa. – Me diga que nem todo dinheiro dessa vida não vai comprar de volta acolhida no peito de quem já foi todo seu, me diz, Valéria, por favor.
- Você um dia já foi meu? – perguntou ela, quase como um sussurro.
- Você não imagina quanto. – respondi, quase como um sussurro também. Ela sorriu.
- Eu também já fui sua, Lucas.
- Minha e de mais quantos? – falei, com um tom sério, e ela como resposta apenas abaixou a cabeça.

Olhei para o lado indiferente a sua dor agora, não me importo, não me importo, ela também é uma errante como eu, mas isso não importa. Ela continuava imóvel de cabeça baixa, se abraçando com as mãos trémulas pelo frio e pelo nervosismo, e vez ou outra ajeitando o cabelo para que eu visse o seu rosto triste.

Levantei-me da cama e fui para a sala, peguei minha jaqueta e a vesti, fui para o quarto e olhei para ela, chamei-a e tirei da carteira uma nota de cinquenta reais, dei-a e ela ficou me olhando com uma cara de dúvida.

A casa é minha, mas pode ficar.

Eu volto amanhã e não quero mais te enxergar.

Faça as suas malas e nunca mais volte aqui.

- A casa é minha, mas pode ficar por hoje, eu volto amanhã de manhã por volta das oito e não quero mais te ver aqui, tem algumas coisas suas por ai, peguei uma mala minha, junte seus trapos e vá, e não volte mais, esse dinheiro é seu, gaste como bem entender.
- Tudo bem. – falou, com uma voz quase inaudível, pegando o dinheiro, sua expressão era triste.

E eu juro pela vida da mãe e do pai.

Ciente do peso da expressão "nunca mais".

Volte a oferecer teu corpo a quem preferir.

- Eu falo sério, Valéria, eu não quero mais te ver aqui. – falei, com um sério e bravo. – Eu juro pela vida da mãe e do pai, ciente do peso da expressão “nunca mais”, Valéria, eu nunca falei tão sério nessa vida.
- Por favor, Lucas.
- Volte a oferecer teu corpo a quem preferir. – falei, em um tom completamente bravo. – Volte a ser a mesma puta de sempre, como eu disse, volto amanhã.

Ela não respondeu, apenas balançou a cabeça tristemente e foi em direção à cama. Eu coloquei a carteira e o celular no bolso e fui em direção à porta, saindo para qualquer lugar em que a noite pudesse me levar.

Sai por onde a noite pudesse me levar, acabei chegando a um bar qualquer com putas, bêbados e crianças largadas, aqueles típicos bares de beira de rua, me sentei e pedi uma cerveja e comecei a pensar na vida. Olhei para aquelas putas oferecidas e percebi que a Valéria se tornaria daquele tipo, não liguei, quem se importa? A culpa não é minha, pela primeira vez, a culpa não é do errante que vive andando sem rumo, a culpa agora é da pessoa que deixou de ser errante e escolheu o seu próprio rumo.

Ela deixou de ser errante, então eu não a mereço mais.

Porque um errante sempre merece outro errante.

Voltei para a casa às oito da manhã, como dito, cheguei em silêncio e encontrei-a lá ainda, ela dormia um sono pesado e eu fiquei com pena de acordar. Fui para a sala e sentei-me no sofá, fiquei avaliando o que eu ainda sentia por ela, e adivinha? Deu apenas pena, era só isso que eu ainda sentia por ela, pena, o amor morreu, o ódio morreu, tudo morreu, eu agora só sinto pena, e sabe por quê?

Porque eu não sei lidar.

Levantei-me do sofá e voltei para o quarto, fiquei a observando pela porta. Algum tempo depois percebi que ela estava acordando, ela se mexeu um pouco, enfiou a cara no travesseiro e gritou, não consegui ouvir o que ela falava nesse grito, mas era um grito assustador demais para mim.

Ela percebeu que eu estava presente, e se levantou da cama na minha direção, me olhou com os olhos tristes e me perguntou baixinho se precisava mesmo ir, eu apenas confirmei com a cabeça, era mesmo preciso.

Viver ao lado de quem não tem nada pra dizer.

Confesse pra mim de uma vez.

Ela foi em direção ao banheiro, alguns minutos depois ela voltou e ficou na mesma posição de antes, com os olhos tristes e cheio de lágrimas, ela tentou pedir desculpas e eu sentia pena daquilo, pena de quão baixa ela estava, de quão humilhada, tudo porque ela escolheu o rumo dela, ela escolheu não ser mais uma errante, ela queria algo melhor para mim e agora eu vejo que ela se tornou algo pior.
- Me desculpa, Lucas. – ela, mais uma vez, tentou pedir desculpas.
- Para, para com isso. – insisti, e ela parou, desistiu das desculpas.
- Eu preciso mesmo ir?
- Já disse que precisa.
- Por quê?
- Porque eu não quero viver do lado de quem não tem nada para dizer. – confessei, nesse momento eu via lágrimas brotando da sua face rosada. – Você só sabe pedir desculpas, você nem se quer confessa que errou, você nunca tentou dizer algo mais do que desculpas. Agora quem diz “me desculpa” sou eu. Me desculpa, mas já está mais do que na hora de você sumir, sumir da minha casa... da minha vida.

Ela nada disse, apenas pegou a pequena mala dela embaixo da cama e foi em direção a sala, ficou esperando que eu a seguisse, ainda havia um pouco de esperança que eu a pedisse pra ficar, que eu aceitasse as suas desculpas, ou qualquer coisa do gênero, eu apenas fui para sala olhar sua despedida.

Mas diga.

Que nunca foi feliz nessa tua vida.

Teu texto, teu sorriso de mentira.

Pode enganar a todos, não a mim.

- Valéria, antes de ir, me diga, por favor. – pedi, fazendo ela se surpreender com isso.
- O quê, Lucas? – falou, com uma voz mais alegre, afinal eu tinha pedido para ela ficar, pelo menos mais uns segundos.
- Me diga, que nunca foi feliz nesse tua vida. – pedi, abaixando a cabeça. – Teu texto, teu sorriso de mentira.
- Eu já fui feliz, Lucas, quando eu estava ao seu lado.
- Você pode enganar a todos, não a mim, Valéria.
- Lucas...
- Vá, Valéria, vá. – pedi, antes que eu começasse a chorar de pena.

Ela andou até a porta, acompanhei-a, não queria que ela saísse desse prédio sozinha, queria segui-la pela ultima vez. Ela estranhou isso, já que eu, que tanto a expulsei, agora queria mais uns segundos de sua companhia.

Então diga.

Que essa mão que acena na partida.

Por tantos idiotas pretendida.

É a mesma que decreta o nosso fim.

Ela se afastou dois passos e acenou para mim, andei até ela pedindo pra ela ficar mais uns segundos, para de novo a sua surpresa, apesar de toda a pena do mundo, eu ainda queria a companhia dela pelos últimos minutos que eu veria ela pela ultima vez na minha vida.
- Só me diga, que essa tua mão que acena nessa partida, que por tantos idiotas foi pretendida, é a mesma que agora decreta o nosso fim. – pedi para ela falar, seus olhos estavam enchendo de lágrimas de novo.
- Se assim você preferir, Lucas. – respondeu, se afastando de mim, ela agora realmente estava indo.

Assisto ao teus passos como a um balé.

Quem vais usurpar agora que ninguém te quer?

A verdade demora, mas chega sempre sem avisar.

Ela se foi, e eu assisti seus passos como a um balé. Ela ia embora com passos leves e coração pesado, olhos cheio de lágrimas, cabelo bagunçado e uma mala em suas mãos, aquilo me dava pena, só mais uma puta humilhada pelo rumo, destino que ela mesma escolheu, só mais que deixou de ser errante para andar com rumo, e agora foi traída por ele.

E agora, quem vais usurpar agora que ninguém te quer? De quem você vai se apoderar agora que ninguém mais te quer? Ninguém mais te pertence, nem eu, agora, a única coisa que lhe pertence é a minha pena, porque é só isso que eu sinto de você.

Ela se foi e eu voltei para a casa, fui chorar, como um fraco que ainda sente algo dentro de si, o tempo passa, e isso que eu sinto um dia também vai passar, e apenas se tornar pena, pena mais do que eu já sinto agora. Eu apenas fui para o quarto chorar, porque agora era só isso que me restava.

E o grito contido no teu travesseiro.

Ecoa nos lares do mundo inteiro.

Não tira esse rímel, pois hoje quero vê-lo borrar.