3:11 A.M.

Mark andava atordoado pela rua. Tremia de frio e sangue escorria do seu nariz, estava assustado e sua cabeça doía. Lembrava que tinha tido um ataque de pânico mas não lembrava o porquê, por causa disso, ele tinha saído da casa de Eric Foster correndo na chuva. Sem rumo, agora estava perdido.

Limpou novamente o sangue que escorria do seu nariz e fungou.

Não fazia a mínima ideia de onde estava, mas não parecia muito bom. O bairro era sujo e escuro, vários becos e as ruas vazias. Olhou a sua volta, nenhum estabelecimento aberto aquela hora.

Apertou os olhos quando viu um grupo de homens ao longe, sentiu-se tão bem. Então, foi em direção ao grupo. Os homens eram estranhos, grandes como portas e riam escandalosamente.

– Por favor... — disse tremendo — Vocês sabem onde estou?

Os homens se voltaram para ele, olharam entre si e riram. Mark interpretou como mal sinal.

– Sim, nós sabemos onde você esta. — riram alto novamente e fizeram uma rodinha em volta do mais jovem.

Mark ficou assustado e tentou de todas as formas sair.

– O que o bichinha faz a essa hora na rua? — o homem riu — Não é legal ficar aqui a essa hora, hein. Cadê seus pais? Cadê seus amiguinhos? — Mark não respondeu — Ahhh, tá perdido. — os homens riram.

Mark sentiu ser puxado para trás e depois para frente, foi empurrado em direção ao chão. Ouviu as risadas e se curvou sobre o chão. Vieram os chutes que o atingiram nas costelas, vários chutes que o fizeram ter espasmos de dor. Caiu de lado no chão sujo e urrou de dor, alguns homens os chutavam na barriga e nas costas, enquanta um se ajoelhou a frente do rosto dele e o pegou nas bochechas, cuspiu no rosto dele e o socou.

Mark acordou cuspindo sangue com vários homens o chutando. Ficou em posição fetal tentando se defender dos chutes e da dor, implorava para que parassem.

Um dos homens riu e o fez ficar de pé, então outro o atingiu com um taco de baseball. Sentiu a pontada de dor no ombro e levou a mão direto no lugar. Outro homem veio com força e o jogou sobre a parede, socando o seu rosto diversas vezes.

O gosto de ferrugem invadiu sua boca, o nariz pingava e escorria pelo queixo e todo o seu corpo doía. Ficou a se perguntar porquê aquilo estava acontecendo com ele.

– Por favor, parem. — implorou com a voz rouca.

Os homens pararam e um deles se abaixou até o corpo de Mark. Cuspiu no rosto dele enquanto todos os outros riram. Então, levantou e empurrou o rosto de Mark com o pé.

Mark sentiu outra pontada de dor o atingir e tudo escureceu.

9:25 A.M

Acordou como se alguém tivesse jogado um balde de água gelada nele. Piscou os olhos com força e encarou a luz forte no rosto, o quarto branco. O lençol branco, tudo branco.

Olhou para as mãos cortadas e feridas, os braços roxos. Mas não lembrava o que tinha acontecido.

– OI! — a mulher de branco exclamou e se voltou contra ele — Como está se sentindo? Consegue respirar bem?

Mark estava tonto e sentia o corpo dolorido. Olhou para a mulher e demorou até entender que era um enfermeira.

– Estou em um hospital? — perguntou com a voz baixa.

– Sim... — ela disse como se fosse uma perguntar normal.

Mark olhou para o braço direito e sentiu uma picada de dor. Estava com um acesso de soro, ficou a se perguntar o porquê do soro.

– Você irá ficar bem. — ela disse e sorriu.

Mark fechou os olhos e dormiu novamente. Acordou com a porta se abrindo, a luz nos seus olhos novamente e a dor do soro no braço. Sentia algumas partes do corpo inativas, como se não as tivesse. Por garantia ele olhou, sentiu um alivio ao ver que elas estavam ali.

– Eu fiquei preocupado com você. — a voz era triste — Me desculpe, eu... eu fui tão idiota a ponto de te machucar mas... eu te amo.

A visão de Mark voltou a ficar normal só depois que ele esfregou os olhos. As visão foi ficando menos embaçada a cada pisque dos olhos, até ela ficar 100% boa e enxergar Eric a sua frente.

Sentiu uma pontada de dor de cabeça. Não lembrava de nada da noite passada, nem ao menos do dia.

– Eric... o que aconteceu? Por que eu estou aqui, o que eu fiz? — ele sentiu a cabeça doer novamente.

Eric ficou pálido, perplexo a sua frente. As palavas saíam em múrmurios inexpressivos, frases inacabadas e palavras sem sentido. Então, suspirou e se voltou para a janela. Ficou lá, sendo iluminado pela luz da manhã. Parecia um anjo.

– Eu fui um idiota. Eu discuti com você por causa daquela noite... a noite que nós tivemos uma relação. Eu estava tão abalado, não entendia bem ao certo. Então, você entrou em casa e foi direto em minha direção e eu o recebi com um soco. Sangue começou a expirar e você apenas olhava para mim com medo e, tristeza. Eu berrei palavras horríveis, te ofendi de todas as formas e te machuquei tanto sentimentalmente quanto físicamente. Você saiu correndo porta a fora, e eu fiquei lá. Parado. — Mark pode sentir que ele estava prestes a chorar — As sete da manhã ligaram para os seus pais, mas... Eu sinto muito, eles mandaram ligar para minha família. Nós viemos correndo direto para cá, é claro. Você foi espancado. Quebrou uma costela e o nariz, sem contar alguns ferimentos.

Eric se voltou para o moreno, Mark o encarou sem expressão alguma. Não demonstrou dor, tristeza ou afeto. Apenas o encarou até que as palavras transbordassem.

– Eu amo você, Eric. Amo tanto o quanto poderia demonstrar, e eu entendo a sua situação em relação a mim. Se você quer perdão, tudo bem, esta perdoado. Eu te amo, de verdade.

Eric se curvou, os braços tremiam e então, ele beijou Mark. Não foi um beijo de língua, de novela mas um beijo calmo e leve.

E naquele momento, Mark entendeu que Eric o aceitava.

Os dois passaram a manhã toda juntos, um confortando o outro. De 30 em 30 minutos, uma enfermeira passava no quarto para verificar como Mark estava e deixava os medicamentos. Ele não se importava com isso desde que Eric segurasse sua mão.

Então, ele lembrou de pequenos momentos de sua infância.

Da vez que estava no parque, ele tinha menos de nove anos de idade e seus pais tinham o levado para um pequenique. Seus pais estavam tão felizes juntos, a mãe dele estava tão bonita e seu pai parecia tão apaixonado. E quando a mãe dele foi correndo atrás do homem do sorvete, o pai riu e Mark não tinha entendido bem ao certo porquê a mãe estava fazendo aquilo. Ela voltou com com três sorvetes em mãos, beijou o marido que lambuzou o nariz dela de sorvete de chocolate. Os três riram.

Lembrou de quando tinha treze anos e o seu tio morreu, e eles tiveram que ir a um estado distante e o vôou atrasou, e as roupas não entravam na mãe dele pois ela tinha engordado alguns quilos.

Lembranças que não tinham nada a ver com o momento, mas ele lembrou. O simples fato de lembrar dos pai, fazia algo no seu peito se encolher e os olhos encherem de água salgada.

– Tenho medo de como meus pais irão reagir. — Eric começou a falar, fazendo o outro sair do transe — Eu não quero que eles me vejam mal, entende? Por mais que uma irmã do meu pai seja lésbica... mas eu sou o filho deles, é diferente.

A tarde quando Eric voltou, estava acompanhado dos pais e da irmã. Eles receberam Mark com um abraço e sorrisos, pareciam cansados porém felizes em vê-lo. Eles passaram um bom tempo conversando assuntos que faziam o doente rir.

Eric parecia tenso, realmente, ele parecia infeliz. As mãos dentro dos bolsos, andava de um lado para o outro e mordiscava o lábio lançando olhares preocupados para o amante. Então, quando os pais discutiam entre si sobre Glee e Supernatural, rindo. Eric disse rápido e alto:

– EU SOU BISSEXUAL E ESTOU AMANDO UM HOMEM.

Os pais pararam instantaneamente, encarando o filho com olhares curiosos. Eric parecia a ponto de ter um ataque de pânico, então, mordeu o lábio e começou a chorar como uma criança. Ele chorou tanto quanto a vez que seu cachorro morreu, chorou tanto quanto a vez que quebrou o braço. Ele estava desesperado, temia os pais naquele momento, só queria que eles sorissem e falassem que estava tudo bem. O Sr.Foster foi o primeiro a se levantar e abraçar o filho.

– Não entendo o motivo de você estar chorando, amo-te tanto que não me importa a sua escolha sexual. Você é meu filho, eu te criei, eu o fiz e vou te aceitar da forma que você é, independente das suas escolhas. — murmurou para que apenas Eric ouvisse. O filho se agarrou forte as roupas do pai mas relaxou quando sentiu a mão da mãe sobre a dele. Sorrindo, ela murmurou um "eu te amo".

O jovem se afastou sorrindo, limpando as lágrimas.

– Então, nos conte... quem é ele. — a mãe tentou parecer discreta sorrindo.

Então Eric pareceu tenso novamente, e ficou procurando uma mão no ar. Só se acalmou quando Mark apertou carinhosamente a mão dele.

– É o Markus, mãe. É ele.

E sorriu confiante, sem se preocupar com o que os outros iriam dizer. Ele amava o outro mais que tudo para se importar.