Erase This
72 Walk
Notas iniciais
p.s.look da belle: http://www.polyvore.com/walk/set?id=40554575&lid=1386958
Be yourself, by yourself, stay away from me.
A lesson learned in life, known from the dawn of time.
11 de Novembro...
– Porra Ana também quero secar o cabelo! – exclamava Mad entrando em meu quarto.
– Já vai! Já vai! – pedi fazendo gesto com a mão livre e ela saiu outra vez.
Em minha cabeça um filme se passava das últimas semanas, Syn cada vez mais longe, cada vez mais bêbado, cada vez mais galinha, chegava a ser até nojento o estado em que ele se encontrava... Com certeza não era o Brian que conheci.
Matt e Mad cada vez mais apaixonados e grudados um no outro... Outra coisa que dava nojo, como um casal podia ser daquele jeito? Eu vomitaria se ficasse perto deles mais do que dois minutos.
Johnny tinha dado um piti mais cedo por descobrir que tínhamos comprado os ingressos do show do Pantera para ele. O anão ficou tão feliz que o mundo poderia acabar e ele não sentiria qualquer outra emoção além de felicidade.
Desliguei o secador e baguncei os cabelos com as mãos, estava perfeito. Peguei o lápis em uma das gavetas do gabinete e terminei de contornar meus olhos que já tinham maquiagem preta, acrescentei um batom rosa quase translucido que apagou um pouco minha boca.
No corpo usava uma camiseta customizada do Pantera, que cobria até um pouco acima do meu umbigo, shorts de couro curto e coturnos que pareciam confortáveis para se ir à um show.
Mad voltou para buscar o secador ela já estava pronta, só faltava o cabelo, vestia uma regata, calça jeans, cinto de rebite e tênis nos pés, além de olhos pretos iguais aos meus.
Desci a escada animada indo para a cozinha e encontrando mamãe terminando de organizar a sujeira do almoço mais cedo, ela me olhou por cima do ombro e soltou uma risada breve.
– Que foi? – perguntei curiosa enquanto atacava bolachas de morango.
– Você nem parece uma menininha com essas roupas. – ela se virou e puxou minha camiseta.
– Ah mãe... Por favor. – revirei os olhos e girei nos calcanhares indo esperar Mad em frente a casa, enquanto comia as bolachas de forma rápida.
Vi o carro de Brian estacionar em frente à casa de Matt descarregando a cambada na calçada, todos tocaram na porta da casa dos Sanders e logo o mais bonito da turma encarregou-se de sair acompanhado do sorriso de sempre. Suspirei.
O bando de garotos começou a caminhar até mim, continuei sentada saboreando a ultima bolacha do pacote, mas fui obrigada a levantar quando Jimmy me puxou para um abraço.
– Às vezes você exagera um pouco sabe... – reclamei o empurrando para trás e o mesmo ria apertando minhas bochechas.
– Cadê a Mad? – perguntou o namorado “chicletes”.
– Tá se arrumando... – ele deu um passo à frente com intenção de entrar. – Não, se você entrar lá é capaz de nem saírem mais! – todos riram e então ouvi uma risada sonora feminina.
Cacei com os olhos a procura da dona da risada irritante, e então meus olhos encontraram o cabelo moreno de uma vadia qualquer que acompanhava Brian. Ela tinha os olhos negros como a escuridão de um buraco, cabelos castanhos em perfeitas ondas que lhe caiam sobre as costas, e peitos enormes que saltavam do decote exagerado que a puta usava.
– Esqueceram de me falar que trouxeram lixo para o meu quintal. – sorri e apontei para a garota que olhou na direção de Brian esperando que ele a defendesse.
– Não fale assim da Lisa. – pediu monotonamente como se fizesse aquilo por obrigação.
– Foda-se a “Lisa”, a propósito quanto é seu programa? Acho que meu pai te pagaria bem pra ver você montada em cima dele... – lancei mais um sorriso e todos riram, ela se fingiu magoada e olhou novamente para Brian.
– Escuta aqui Anabelle eu nunca falo mal do seu namorado traficante, então não fale mal dela! – virei os olhos, desinteressada.
– Que ótima dupla fazemos né? Eu namorando um traficante e você uma puta. Estamos no mesmo barco Syn. – lancei um beijo para ele e entrei para casa, subi as escadas indo direto para o quarto de Mad.
– Já sei, já sei, preciso me apressar... Estou terminando. – dizia ela reforçando o traço preto nos olhos.
– Não Mad, só vim pra pegar aquela tua vodca. – sorri amarelo voltando à atenção ao armário aberto.
– Que porra o Brian fez? – perguntou quase que numa frase ensaiada.
– Porque isso tem que a ver com o Brian? – rebati já segurando a garrafa nas mãos.
– Porque você só bebe quando ele faz merda. – bufei enquanto ela tirava a bebida de minhas mãos.
– Ele não fez merda nenhuma, só tá com uma tal de Lisa ai embaixo, agora me passa essa garrafa logo! – arranquei a garrafa de sua mão e sai do quarto ouvindo-a suspirar algo como “Quando esses dois vão aprender...”, não dei atenção e sai de novo.
– Nossa Belle não vai dar nem um pouco pra gente? – reclamava Jimmy.
– É Belle, eu sempre te apresento as melhores bebidas e agora você vai ficar regulando! E outra, hoje é meu aniversário, eu mereço. – dizia Jojo num exagero descomunal, dei outro gole na bebida e passei para ele que compartilhou com o resto.
– Se essa vadia por a boca na garrafa eu pego e quebro na cabeça dela! – briguei com Brian que ameaçava passar a bebida para a “Lisa”.
– Olha Brian, não é por nada, mas eu acho melhor você ouvir a Belle. – pediu Mad atrás de mim antes de ser sufocada por um dos beijos de Matt.
– Criança egoísta do caralho! – exclamou jogando a garrafa para Jimmy e caminhando para seu carro do outro lado da rua.
– EGOÍSTA É TEU RABO, SÓ NÃO QUERO BABA DE VADIA PRA ME CONTAMINAR! – gritei alto o bastante para que eles ouvissem.
– Acho melhor você vir no meu carro... – sugeriu Matt saindo com Mad e eu os segui.
– Se você quer saber Ana, também não gostei dessa Lisa. – comentou minha irmã enquanto o namorado dava partida no carro, Johnny passou o braço por meus ombros encostei a cabeça no peito dele.
– Fica bem Aninha... Temos vodca pra animar!
– Não me chama de Aninha seu anão! – briguei dando um soco em sua barriga e engolindo mais álcool para amenizar meu estado raivoso.
O show se iniciou com Cowboys From Hell, seguiu com Heresy, e então Cemetery Gates deu o ar da graça... Syn começou a gritar “EU FALEI QUE ELES IAM TOCAR ESSA PORRA!” estava mais feliz do que criança quando ganha doce. Não querendo mais ouvir a gritaria dele, fui à busca do bar na casa de shows.
– Você não acha que é muito nova para uma bebida dessas? – perguntou o barman relutante em me vender vodca.
– Escuta aqui, se eu te der o dobro do que essa porra vale você para de agir feito um adulto responsável e me dá logo? – propus metendo o dinheiro na cara dele, e por sua expressão notava-se que eu já não conseguia esconder a embriaguez em minha voz.
– Ok, mas não diga a ninguém que eu te vendi isso ok? – assenti repetidas vezes e ele me deu a garrafa tão pedida.
Dei alguns passos para longe do bar e fui curtir a bebida que descia rasgando em minha garganta... Cemitery Gates era uma música grande e provavelmente eles não dariam minha falta até que a mesma acabasse. Andei até o canto mais escuro, não querendo dividir a bebida com ninguém, bebia tão rápido que às vezes o líquido entalava na garganta fazendo-me engasgar.
Na metade da garrafa minhas pernas cambaleantes voltaram a se embrenhar entre a multidão, ouvi Phil interagir com o público pedindo para que formassem um círculo para a próxima música. Na verdade, não sabia se era isso ao certo o que ele dizia, pois o nível de álcool em meu sangue já começava a distorcer as palavras em meus ouvidos.
Trombei no corpo saltitante de uma morena que brigava com um garoto, demorei a reconhecê-la.
–Vai Matt me deixa entrar na roda punk! – pedia manhosa e associei o nome Matt a Mad, só podia ser ela, com os olhos turvos toquei seu ombro fazendo-a a virar.
– É Matt deixa a gente entrar. – pedi embolado fazendo-o me encarar confuso.
– Não vou te deixar entrar Madson! Muito menos acompanhada da sua irmã que tá mais bêbada do que não sei o que! – dizia autoritário enquanto nos pegava pelos braços e nos levava mais para o fundo.
– Porra Matt você é um chato!
– É... é um chato-o-o-o mesm-o. – concordei com Mad que me olhou preocupada com quão bêbada eu estava, virei o último gole da garrafa.
Ouvi a música Shattered começar, e o pessoal que estava ao nosso lado gritar e pular, fui arremessada de um lado para o outro no pula-pula e meu estômago doía revirando a cada novo “pulo”. As luzes piscavam em meus olhos e a garrafa já tinha deixado em qualquer canto. Mad tentava me segurar ao seu lado, mas era quase impossível já que ela também pulava no ritmo da música.
Ao fim da música os pulos cessaram e o pessoal se acalmou, fechei os olhos tentando normalizar a respiração e ao abri-los novamente senti tudo rodar a minha volta. Eu não estava bem, não estava... Olhei para Mad que agitava meus ombros falando algo que eu não entendia. Meu último reflexo foi virar a cabeça para o lado e lançar um jato de vômito na pessoa que estava na direção... desiquilibrei e cai sentada no chão.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Lisa gritava histericamente enquanto todos riam e Syn o olhava atônito. – OLHA O QUE ELA FEZ! ESTRAGOU MINHA ROUPA E MEU CABELO. – as faces eram embaçadas para mim, mas eu podia sentir o desespero em sua voz e desatei em rir também.
– Tira sua irmã podre daqui! – vociferou Brian para cima de Mad que me ajudava a levantar.
– Aonde a gente vai Mad? – perguntei apoiada em seu ombro enquanto a mesma me guiava para algum lugar e 10’s começava a tocar.
– Vamos ao banheiro Ana.
Ela lavou meus pulsos e nuca na pia e fez-me bochechar água para livrar-me do gosto amargo do vômito. Depois fez eu me afastar do pessoal que curtia o show e me deixou numa área vazia com alguns sofás.
– Eu vou voltar para lá e ver se alguém fica com você aqui até o final do show ok? – assenti apoiando a cabeça no encosto.
Mad desapareceu e eu cansei de esperar que alguém voltasse, mas ainda não tinha forças suficientes de me locomover, se o fizesse acabaria caindo de cara no chão. Podia ouvir o chiado da guitarra ao longe, e nesse chiado me concentrei tentando adivinhar as músicas numa forma de que o tédio não predominasse.
Acabei perdendo a noção de tempo e quando dei conta todos estavam a minha volta observando meu estado deplorável. Parei os olhos no abdômen nu de Brian e amaldiçoei a vadia por estar vestindo a camiseta dele.
– Onde está minha irmã Jim. – perguntei com a voz fortemente embargada.
– Ninguém sabe, ela e o ogro sumiram... Agora vem cá, vou te ajudar, a gente tem que sair. – deixei que ele me pegasse em seu colo ignorando o suor que exalava de sua pele.
– Nossa Belle dessa vez você exagerou bem hein! – Zacky se pronunciou quando saímos do local, Jimmy se sentava na calçada pondo-me ao seu lado.
– Vá se foder sua bola! – falei brava.
– Bom eu vou indo, alguém vai querer carona? – perguntou Syn, e eu o encarei imaginando se ele não estava nem um pouco preocupado comigo. É ele não estava.
– Eu! – Johnny e Baker disseram em uníssono.
– Eu fico com você Bellinha. – murmurou Jimmy passando a mão em meus cabelos, enquanto eu reprimia as lágrimas tentadoras.
Fechei os olhos bem forte ouvindo o ronco do carro diminuir-se quanto mais longe ficava até sumir totalmente, e quando sumiu, virei abraçando a cintura de Jimmy e chorando copiosamente.
– Desde quando você se tornou uma bêbada depressiva Belle? – perguntou divertido e eu abri os olhos, levantando a cabeça para encará-lo.
– Ele não se importa mais comigo Jim... Não se importa. – funguei agarrando o tecido de sua camisa.
– Ele tenta não se importar pequena... Só tenta. – disse tentando me acalmar. – Você realmente acha que aquele puto ia conseguir parar de se preocupar com você? – balancei a cabeça positivamente provocando-lhe uma risada. – Só digo uma coisa, vocês são dois retardados teimosos! – o olhei confusa antes de ouvir passos atrás de nós.
– Deixa que eu cuido da coisa agora Jimmy, obrigada. – fui amparada pelos braços de minha irmã que me guiou para o carro e se sentou no banco de trás comigo, deixando que eu deitasse em seu colo.
– Aonde vocês se meteram hein? – perguntava Rev, curioso como sempre.
– Não é da sua conta palhaço! – respondeu Matt rindo e dando partida no carro.
As lágrimas secavam em meu rosto e eu me permitia relaxar sentindo meus cabelos afagados pela mão delicada de Mad. A imagem de Brian com a vadia estava gravada em minha mente, e assim ficou até que eu caísse no sono profundo.
Re, spect, walk.
What did you say?
Re, spect, walk.
Are you talking to me?
Are you talking to me?
Notas finais
Beijos
p.s música do pantera, nem precisa falar né? se vc ainda nao escutou nao sabe oq ta perdendo kkkkk
p.s.2 quem leu as notas antes dessa corrigida que eu falei que o syn fez aniversário ontem dia 9 então o problema é que tipo, dia 9 de fevereiro é aniversário do jim ai eu calculo que dia 9 de julho é aniversário do syn, mas não é e eu tbm confundo o mes de julho com junho... então é isso só me explicando que eu sou uma puta tapada e a gates tbm nao me ajuda nessa parte :D
Fale com o autor