Notas iniciais
Oooooi gente tudo bem? Então, mais um capítulo pra vocês, dessa vez sem atrasos! Uhul! kkk
Boa leitura!

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Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Depois de muito custo, acabei achando a pedra, ela brilhava com a luz que refletia da iluminação fraca da lavanderia. Seu azul era tingido por arranhões vermelhos devido ao sangue seco que a enfeitava. Coloquei debaixo da água corrente e logo os borrões escuros desapareceram dando vida aos tons claros azulados que enfeitavam a pedra lisa e fria.

A encostei em minha bochecha podendo sentir correntes elétricas sendo transmitidas da pedra para meu corpo, podia ouvir as gaivotas gritando no horizonte e ouvir as ondas calmas do mar. Era como se por um instante eu estivesse na praia. Desfiz a conexão sendo arrebatada novamente pela dor insistente em meu peito.

Agarrei o pequeno objeto contra o peito e por minutos me imaginei tola por tal fato, mas afinal, antes ficar agarrada a uma pedra do que viver chorando presa em memórias cansativas.

Subi para o quarto deixando a pedra em meu criado-mudo e tomando a coragem que me restava abri a caixa de objetos pessoais de Sam, no dia que os encaixotei não parei admirando-os devidamente.

Retirei um boneco mediano do super-homem dali, e lembrei uma conversa interessante onde ele dizia que quando menor sempre desejou ser esse super-herói, assim poderia enfrentar os bandidos com a força e todas as pessoas da cidade o amariam. Ele não devia ter partido antes de saber que eu o amava mais do que todas as pessoas da cidade poderiam o amar, mais do que o mundo poderia lhe oferecer.

Mais uma vez senti-me fraca em prosseguir e voltei a guardar o boneco, retirando a roupa que usava e usando mais uma das camisetas de Sam. Poderia dormir com seu cheiro grudado em mim ao menos.

A manhã seguinte parecia tão monótona quanto as outras, deixei-me entrar na rotina de escovar os dentes e seguir o caminho da escola. Já estava tão acostumada a ir sozinha que nem me dei o trabalho de chamar Madson.

Chegando ao antro de pessoas inconvenientes dirigi-me ao último lugar de sempre e acabei cochilando nas primeiras aulas perdendo o horário do primeiro intervalo, porém quando o segundo entrou não me demorei em sair da sala.

Como de costume segui para uma mesa vaga de mãos vazias, apenas acompanhando as nuvens do céu com os olhos e deixando meus pensamentos o mais longe possível da realidade, só voltando quando algum insano resolveu chutar minha cadeira.

– Então é você a vadia que machucou meu namorado? – perguntou uma garota loira talvez um palmo maior que eu, tendo suas discípulas atrás de si.

– Se você se refere à moça de nariz quebrado... – murmurei ajeitando as mãos entre a cabeça relaxando provocando-a.

– Olha aqui se eu souber que você encostou outro dedo no meu namorado eu...

– Você o que? – perguntei desafiadoramente levantando.

– Eu vou arrancar esse seu cabelo ensebado e esfregar sua cara de bunda no chão! – comecei a rir compulsivamente de seus xingamentos.

– Xinga direito! – pedi inflando o peito contendo para não rir novamente.

– Sua vadiazinha, emo, zumbi! Eu vou te dar uma lição! – exclamou avançando a mão em meu rosto, no entanto segurei seu pulso antes de qualquer golpe.

– Não, não querida... Eu vou te dar uma lição... – sussurrei contra sua bochecha antes de fechar a mão em punho e socar seu nariz.

Ela cambaleou para trás caindo no chão e eu aproveitando a deixa subi em sua cintura deixando uma perna de cada lado, primeiro deixei que ela se recuperasse segurando suas mãos para o alto. E quando a percebi consciente disse:

– Agora patricinha de merda... agora você vai aprender o que é levar uma surra de verdade! – exclamei com o veneno escapando pelos lábios num sorriso sádico.

Com a mão em punho soquei seu rosto ainda segurando suas mãos para não ser arranhada com as unhas afiadas. Dei uma joelhada em suas costelas do lado direito e outra no lado esquerdo, disparei para uma série de socos em seu rosto enquanto ouvia ao longe gritarem “BRIGA!BRIGA!”.

Os olhos da loira aguada já reviravam em dor quando resolvi lhe aplicar o golpe final juntando seus cabelos em minhas mãos, puxando sua cabeça e a batendo contra o chão. Ela cerrou os olhos, inconsciente e eu levantei desnorteada ainda abatida pelo êxtase da adrenalina em meus poros. Com a vista meio embaçada abri o caminho pela multidão que observava a garota caída no chão e estava prestes a socar o corpo que impedia minha passagem quando vi de quem se tratava.

– Já para minha sala senhorita Harley! – a diretora Miglle ordenou e eu a segui tremendo em raiva querendo socar mais alguém. – Você pode me explicar o que foi aquele ataque no pátio? – perguntou se sentando atrás da mesa organizada que revelava o quanto a mulher de cabelos grisalhos era firme em suas decisões.

– Uma surra em uma das vadias mais repugnantes dessa escola... – murmurei fazendo-a abrir os lábios em indignação.

– Como ousa usar este vocabulário comigo?

– Por acaso eu te chamei de vadia? Não né... – pisquei para ela que bufou irritada.

– Não aguentarei teus desaforos criança, saia já de minha sala e aguarde sua mãe na recepção!

– Ok. – fiz uma aceno para a mesma antes de sair e mostrei um meio sorriso.

Ajeitei-me em uma das cadeiras da recepção e não demorou muito vi uma garota, provavelmente mais nova do que eu, trazer meus materiais nas mãos.

– Mandaram-me trazer teu material.

– Obrigada. – agradeci segurando minha mochila e a colocando de almofada atrás das costas.

Recostei na cadeira fechando os olhos e relaxando os pensamentos, poderia dormir na calmaria que se passava na secretaria e o vento uivando na janela entreaberta. Mas para minha infelicidade ouvi a voz de mamãe se despedindo de alguém e antes que ela viesse me chamar já a segui para o estacionamento.

– Você acabou de levar uma suspensão de dois dias, contente?

– Até que socar aquela garota me valeu de algo... – conclui comigo mesma deixando a euforia dispersasse em meu interior.

– Você deve estar ficando louca... É a única coisa que me vem à cabeça após descobrir mais essa que aprontou! – exclamou ligando o carro.

– Só pra avisar mãe, tudo que você disser entrará por um ouvido e sairá pelo outro. – admiti conseguindo calá-la por pequenos minutos.

– Eu vou procurar ajuda médica garota, eu vou... – desliguei meus ouvidos para a voz que tagarelava e voltei à atenção as árvores secas sem folhas que começavam a ter seus primeiros brotos de primavera. – Nem pense em sair dessa casa! – ordenou quando estacionamos em frente ao quintal, fiz um sinal de positivo com o dedo e segui para dentro.

Bati a porta com força ainda enraivecida por não ter tirado mais sangue do nariz da puta cor de rosa, joguei minha mochila contra a parede fazendo um barulho forte e segui até a cozinha procurando algo que desse para comer. Concluindo que mamãe não havia feito despesa na semana.

Sem muitas opções segui ao quarto de Madson onde a porta estava encostada, não me dei o trabalho de bater ela já deveria estar acordada talvez de ressaca, mas nada que a impedisse de bolar um almoço com os ingredientes que sobravam no armário.

A encontrei sentada sobre o colo de Matt aos pés da cama, sua camiseta já estava fora do corpo assim só restava a calcinha e ele tinha apenas a cueca segurando o membro para si. Bati a cabeça contra o batente da porta levemente e sorrindo disse.

– Preferia vocês quando estavam brigados. – conclui cinicamente atraindo as faces assustadas dos dois para mim e sentindo uma ponta de ciúme e inveja misturar-se em meu interior ao ver os lábios inchados de Matt.

Passei por meu quarto procurando algum elástico que desse para prender o cabelo e quando o achei segui escadas abaixo voltando à cozinha e me alimentando de um grande copo de coca. A raiva ainda se sobressaia em meus poros o que me obrigou a jogar o vidro na pia fazendo-o espatifar em cacos.

Antes que a sujeira sobrasse para eu limpar corri para fora de casa, sem rumo, sem guia... Apenas deixando que meus instintos levassem meu corpo para qualquer lugar, enquanto minha cabeça se martirizava por invejar o namoro de minha irmã, e meu coração reclamava por não ter Sam acalmando a raiva que existia dentro de mim.

Acabei na praia onde segui para um lugar isolado perto de umas pedras grandes e que tapavam a visão de curiosos. Deitei em uma delas perdendo os olhos no rastro negro que se formava no céu, a chuva estava a caminho e eu não estava me importando em molhar.

Apoiei-me nos cotovelos observando a linha fina do horizonte e respirando fundo o aroma do mar que me preenchia. O vento soprava meus cabelos quando uma onda rebelde acertou a pedra em que eu estava, molhando minhas pernas. Mais uma onda, e eu senti as emoções vindo a tona.

Eram tantos sentimentos, tantas promessas jogadas ao vento, tantos sonhos destruídos... Tantos planos ao lado do ruivo, e nem metade deles realizados. Recordava-me dos momentos que passamos nessa mesma praia, correndo pelo mar, brincando de ser gente, sorrindo abobados e vivendo como se a vida fosse eterna.

“Porque o Senhor tinha que leva-lo?” Perguntei mentalmente ao céu soluçando e abraçando meu próprio corpo, que tremia em frio.

Voltei os olhos novamente ao mar tentando deixar que a calmaria me preenche-se e confortasse meu peito que se sufocava em desespero, pranto por tê-lo. Clamando por um contato maior, abracei meus joelhos contra o peito e prendi a respiração por um segundo tentando ter controle sobre as lágrimas que caiam sem parar.

A vida tinha sido injusta com meu Sam, tinha sido injusta comigo, não merecia tanta dor e sofrimento... Ou talvez merecesse.

Os ventos rajavam cada vez mais fortes, espantando os turistas da praia, até que finalmente a chuva veio e a maré começou a subir. Seria suicídio continuar nas pedras, quase que um pedido a morte, assim pelo instinto maior da sobrevivência pulei para a areia e estatelei meu corpo sobre ela deixando minha alma ser lavada pelos pingos gelados.

Talvez sofresse de uma gripe, ou talvez pneumonia, caísse doente numa cama e pudesse enxergar o espírito de Sam na minha travessia entre a vida e a morte. Eu só queria provar mais uma vez de seu beijo, sentir mais uma vez seu abraço... Não era nada, mas ao mesmo tempo tudo.

Eu só queria Sam mais uma vez. Mais uma tarde, ou noite, ou dia... Apenas mais uma vez estar ao seu lado.

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim... Ah, só avisando que consegui arranjar um tempo livre hoje e vou responder alguns reviews do capítulo anterior ok? Beijos da Shadows ;**
p.s. música do Legião... nem preciso dizer né? Mais que linda, me arrepio com ela.