Notas iniciais
Boa Leitura (:

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Enquanto você conversa e me beija
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho, tão de perto
Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado

Saltei do colo de Matt trancando a porta, meu coração estava a mil e eu tinha certeza que minhas bochechas pareciam ketchup no momento. Matt ria compulsivamente deitado na cama.

- Porra Matt! Eu falei pra você trancar a porra da porta! – exclamei escondendo meu rosto nas mãos quando me sentei ao seu lado.

- Ah Mad! Eu esqueci... – se justificou já tentando subir em mim, ele ainda estava excitado.

- Sai fora Matt, perdi a vontade... – o empurrei de lado, ele caiu na cama bufando.

- Sério mesmo? – reclamou.

- Uhum! – falei colocando a roupa.

- Vai me deixar na mão assim? – choramingou apontando para seu membro excitado. Revirei os olhos e peguei sua mão, o levando para o banheiro.

Bom, digamos que após o nosso banho, eu tive que escovar os dentes mesmo sem ter comido. Mais tranqüilo, Matthew se jogou na minha cama de toalha, sorrindo. Revirei os olhos novamente e segui para meu guarda roupas, vestindo um short jeans e uma camiseta de mangas compridas, coloquei nos pés meias três quatros e jogando em Matt sua roupa, fui para o banheiro pentear o cabelo.

- Mad, to com fome... – resmungou se encostando ao batente da porta do banheiro.

- Ai Matt, to com preguiça e não tem nada pra fazer hoje... – resmunguei de volta olhando para ele pelo reflexo enquanto refazia a risca do meu cabelo, Matt sempre bagunçava demais ele...

- Quer ir no Mc? – perguntou olhando por cima dos ombros – A gente podia ir à praia, mas parece que vai chover...

- Vamos, espera só eu colocar minha bota. – estava com preguiça de trocar de meia para colocar tênis. Sentei-me no chão calçando minhas botas enquanto Matt assoviava alguma musica rodando as chaves do carro, já pronto.

Saltei em pé já com as botas e Matt sorriu para mim, pegando minha mão e nos puxando para fora de casa só tive tempo de pegar minha bolsa porque estava ao lado da porta, tentei gritar Anabelle, mas como ela não respondeu, dei de ombros me deixando ser arrastada.

Não demorou muito e chegamos ao shopping local, Matt estacionou o carro e corremos pela chuva até alcançar as portas automáticas. Tentei fazer Matt dar uma volta pelas lojas comigo, mas assim que viu a primeira placa apontando a praça de alimentação, me puxou novamente.

Paramos no Mc Donald’s e enquanto Matt se decidia entre pegar o maior lanche ou dois Big Mc’s, pedi meu bom e velho Cheddar acompanhado de fritas e refrigerante. Já abria a bolsa para pagar quando Matt bufou e me empurrou de lado, fazendo o pedido dele e pagando ambos. Mostrei a língua para ele e fui em busca de uma mesa. Achei uma perto o bastante do fast food e me sentei esperando ele. Não demorou e Matt chegou à mesa com nossos lanches. Um para mim, dois para ele.

- Você vai passar mal comendo tudo isso... – apontei pegando uma batata e comendo ela.

- To faminto! – respondeu abrindo um sashe de katchup e derramando sobre um dos lanches.

- Nota-se... – e ri quando ele abriu a boca o máximo que pode e deu uma dentada enorme no lanche. – Jesus Sanders, vai engasgar...

- Ai você faz respiração boca a boca em mim – falou de boca cheia. Peguei uma batata e joguei nele. Matt engoliu e me mandou um beijo.

Terminamos de comer – eu primeiro, tendo que aguardar ele terminar – e depois com muita insistência fiz Matt se levantar para irmos dar uma volta. A sensação de andar de mãos dadas com ele, só nós dois sem um bando de palhaços a nossa volta, conversando amenidades, sem preocupações, era a melhor o possível. Parávamos de vez em quando, quando eu queria olhar mais de perto alguma roupa ou ele queria zoar algo em vitrines. Rodamos o shopping até parar em frente ao cinema, vimos os filmes em cartazes e na hora quis assistir A Bruxa de Blair, mas o horário era muito tarde, ainda estávamos na casa das quatro da tarde, e o filme seria as dez. Acabamos optando por assistir 007 – O Mundo Não É o Bastante, que começaria em meia hora.

- Quer comer alguma coisa Mad? – perguntou Matt nos levando em direção a lanchonete do cinema.

- Meu Deus Matt, a gente acabou de comer... – ralhei enquanto ele já olhava as opções.

- E daí? – respondeu se virando para o atendente e pedindo um saco de pipoca e um copo de refrigerante de quase um litro. – certeza que não vai querer nada? – perguntou se virando para mim.

- Ta bom vai, quero chocolate, branco! E coca... – Matt sorriu e fez meu pedido. Logo estávamos com nossa comida em mãos e nos dirigimos à sala de cinema.

Sentei-me na poltrona confortável, dando uma dentada no chocolate. Sorri para Matt que colocava um punhado de pipocas na boca. O filme ainda demoraria uns minutos para começar, assim todos sentados na sala ainda conversavam. Aproveitei o momento e levantei a questão:

- O que você acha da gente arrastar a Belle pra algum lugar no aniversario dela? – perguntei após dar um gole em meu refrigerante.

- Acho que é uma boa idéia, mas duvido que ela vá... – respondeu encostando a cabeça no apoio da poltrona, olhando para mim.

- Por quê? Eu consegui fazer ela sair de casa ontem... – lembrei dando os ombros.

- É, mas aniversario é um pouco mais especial do que sair pra rua pra zoar, não sei se ela vai querer... – explicou seu ponto.

- Mas nós podemos tentar, certo? – insisti.

- Claro que podemos, mas que lugar você tem em mente? – perguntou voltando a comer.

- Sei lá, talvez alguns amigos no bar do Johnny já seja um começo... – tirei uma pipoca caída em sua camiseta e a joguei no chão.

- Podemos fazer isso... – e sorriu para mim. Inclinei-me e dei um selinho nele, mas logo o selinho se transformou em beijo e só consegui voltar ao meu lugar quando as luzes se apagaram.

O filme começou e consegui ficar presa na trama do espião até que as pipocas de Matthew acabaram. Meu chocolate já tinha acabado no trailer, assim não tinha nada pra ocupar a boca, Matt aproveitando disso me puxou para perto dele e dando um beijo lascivo em mim, começou a correr as mãos pelas minhas pernas. Tentei inutilmente afastá-lo algumas vezes, resmungando que queria ver o filme, mas o mesmo não parecia interessado na telona. Só aquietou-se em seu lugar quando um cara sentado a algumas fileiras mais atrás de nós dois, fez “xiu” pedindo silencio. Mostrei a língua para Matt e me enroscando em seus braços, me virei para o filme. Ao fim, Matt conseguiu prestar atenção na trama, e quando saímos do cinema, pude comentar sobre o filme com ele, que teve que concordar comigo quando afirmei que o Bond era foda.

A noite já se abria quando deixamos o shopping, Matt dirigia relaxado pelas avenidas de HB e quando estacionou em nossa rua, me puxou para mais um beijo. Mordi seu lábio me afastando e não contive um bico ao lembrar que os primos dele já haviam ido embora, e que não tínhamos mais desculpas para dormimos juntos.

- Não quero dormir sozinha... – choraminguei.

- Relaxa Mad, quando a gente casar, você vai dormir comigo todo dia, até quando eu ficar velho e roncar feito um porco... – falou me puxando para um abraço.

- Quem disse que você já não ronca feito um porco? – caçoei mordendo sua bochecha.

- Eu ronco então é? – perguntou levantando uma sobrancelha – Como é mentirosa...

- Quando você bebe, parece que vai me derrubar da cama de tão alto fica! – contei rindo. Matt me deitou em seu colo e me atacou com as mãos, fazendo cócegas incensáveis. Pedi clemência algumas vezes e quando ele parou, fui premiada por mais um beijo.

Separamo-nos e Matt olhou o relógio, ainda era cedo, sete horas, assim foi comigo para casa, correndo da chuva, entramos em meu quarto e Matt pegou o violão se jogando no chão abaixo da minha janela fechada. Sentei-me em sua frente e perguntei o que ele ia tocar pra mim...

- Não sei, o que você quer ouvir? – perguntou dedilhando notas aleatórias...

- Você consegue cantar Sweet Child Of Mine? – perguntei mordendo o lábio era um tom mais alto que o dele...

- Posso tentar, mas acho que vai ficar estranho... – começou a tocar a introdução.

Não ficou feia versão em sua voz, mas rimos algumas vezes quando ele teve que elevar tanto o tom que a voz sumia, depois da balada do Guns, Matt tocou I Don’t Want to Miss a Thing, do Aerosmith, e assim se seguiu com ele tocando, eu ajudando a cantar algumas vezes, e quando a noite já batia as dez, ele tocou a minha música, me arrancando como sempre lagrimas. Joguei-me em seu colo quando ele colocou o violão de lado, sorrindo e o enchendo de beijos.

- Te amo, te amo te amo te amo! – repeti enquanto enchia seu rosto de beijos.

- Eu também te amo Mad... – sorriu me dando um selinho longo em seguida. Logo o beijo evoluiu e abracei seu pescoço, enquanto ele me ajeitava de lado em seu colo. Teríamos continuado a nos beijar se alguém não tivesse batido na porta. Gritei para que entrasse e assim mamãe abriu a porta.

- Matt, boa noite. – cumprimentou entrando em meu quarto.

- Boa noite Sra. Harley. – sorriu enquanto eu saia de seu colo. Colocamo-nos de pé e mamãe suspirou.

- Matt, já ta tarde e eu preciso conversar com a Madson algumas coisas, se importa de ir pra sua casa? – pediu educada.

- Claro que não, já estava indo de qualquer jeito. – e sorriu simpático. – Boa noite Mad, -me deu um selinho demorado enquanto apertava minha cintura – Amanhã de manhã eu te espero pra gente ir pra escola, ta bom? – assenti com a cabeça e ele me deu um beijo na testa – Durma bem. – murmurei um “você também” e logo ele sumia pelo corredor do meu quarto. Suspirei sentindo que aí vinha bomba...

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar