Notas iniciais
Eaí gnt, hoje estou eu, Gates, postando porque a nossa querida Shadows esta dodói no hospítal :/
Então venham falar com ela okay?
Bjos e boa leitura! :*

- Anabelle venha cá! – chamou minha mãe enquanto eu me enchia de roupas após o banho quente que havia tomado.

- Que foi mãe? – perguntei encostada no batente da porta do quarto de Mad que estava sentada na cama.

- Sente-se ao lado de sua irmã. – bufei seguindo para o lugar mandado.

- Fala de uma vez mãe, o que você quer com nós duas? – minha voz saiu um tanto ríspida assim fui repreendida em seu olhar.

- Primeiro, quero conversar sobre sua suspensão Anabelle! – Mad me olhou confusa e eu fechei as mãos em punho.

- Você já fez um monólogo no carro mãe, quer que eu diga o que? Tudo bem, me desculpe eu nunca mais vou fazer isso. Pronto! – ela suspirou mantendo a calma.

- De manhã estava mais estressada... Agora quero saber, porque você bateu na menina?

- Ela veio tirar satisfações por eu ter batido no namorado dela...

- E porque você bateu no namorado dela? – perguntou cansada.

- Porque ele me chamou de louca e surda. – admite olhando para minhas cutículas mal feitas.

- O que eu tenho a ver com a suspensão da Ana mãe? – perguntou Mad ao meu lado como se estivesse entediada.

- Ainda não chegou sua vez Madson, ou melhor, chegou sim. Quero saber, por que anda faltando tanto às aulas? – a olhei de canto de olho e vi sua expressão congelar.

- Ela passa noites queimando caloria mãe... – pronunciei e ela puxou meu cabelo provocando-me um grito.

- Madson Harley não faça isso com ela! Agora me conte Ana como exatamente sua irmã queima calorias? – perguntou enquanto eu me levantava e a morena me encarava numa expressão suplicante que enchia meu ego e me instigava a literalmente “ferrá-la”.

- Fazendo coisa de gente grande mãe... Ouvi uns barulhos estranhos outro dia. – juro que ela assumiu todas as cores da paleta, desde o azul até o laranja, evitei dar risada enquanto Mad me fuzilava com o olhar.

- Bom filha, já que você iniciou sua, sua, sua... Bom você me entendeu, há umas coisas das quais você precisa saber... – interrompi a filosofia de mamãe que quase gaguejava.

- Mãe vou pro meu quarto ok?

- Não venha cá, você precisa saber essas coisas também! – ela me chamou com a mão e eu irritada não consegui conter minha língua.

- Você realmente acha que eu vou transar com um morto mãe? – indaguei segurando a dor que teimava transbordar de minhas palavras, a mulher engoliu em seco e dei as costas as duas voltando ao meu quarto.

Os dias voam mesmo quando parece uma eternidade para si mesmo, e esse era o meu caso, quando mal previ já era meu aniversário. Treze anos completos, e a única coisa que eu queria fazer era ficar enfiada debaixo dos cobertores imaginando meu aniversário passado e pensando no quanto foi bom ter Sam ao meu lado. Incrível como em um ano tanta coisa pode acontecer.

A manhã iniciou-se numa tortura lenta de Sol e passarinhos vibrando em minha janela, pela primeira vez eu os repugnava. Levantei temendo encontrar uma festa a minha espera na sala e antes de qualquer coisa corri até o quarto de Mad escancarando a porta assustando-a.

- Não invente nenhuma surpresa, não combine nada com os meninos, eu não quero ver a cara de ninguém hoje! – exclamei forçando a decisão em minha voz e batendo sua porta com força voltando ao meu quarto.

Tranquei-me ali decidindo o que faria num dia como esse, e acabei por olhar as horas no despertador do criado-mudo, já se passava das duas. Mamãe deveria estar fazendo o bolo, assim eu tinha minha chance de sair de casa sem que ela percebesse.

Pulei dentro de calças pretas, troquei minha camiseta larga por uma de mangas comprida ajustada ao corpo e botas marrons que eu não usava há um bom tempo serviram para arrematar. Num costume vicioso que eu havia pegado, amarrei os cabelos num rabo.

Desci as escadas sorrateiramente evitando o barulho e agachei-me para chegar até a porta principal onde silenciosamente a abri e sai correndo pelo gramado do quintal. Restavam-me duas opções para chegar ao meu destino, usar o ônibus e encurtar o tempo de chegada, ou caminhar por longos e intermináveis. Acabei ficando com a segunda.

Apesar de demorado, o caminho longo que percorri serviu de preparação pela prova que estava por vir. Eu sabia que precisaria ser forte, mesmo tendo a fraqueza me acompanhando por todo esse tempo.

Estaquei em frente aos portões negros do cemitério por um momento, pensando se eu realmente estava pronta para encarar a tal da “realidade”. Segundos a mais e eu teria desistido de colocar meus pés dentro do lugar.

Mas assim que vi o primeiro túmulo, meu interior se instigou em procurar o de Sam. Só de ver as cruzes, e lápides espalhadas pelo gramado bem cuidado, já me causava arrepios, mal imaginava como seria quando encontrasse a dele.

Depois de tantos nomes e frases épicas, finalmente encontrei o seu. Uma lápide grossa de pedra estampava seu nome em letras maiúsculas cravadas, e o ano de seu nascimento, e o de morte.

Cai de joelhos como se uma força maior tivesse me empurrado pelos ombros, depositei a rosa que havia roubado de um jardim pelo caminho, em seu túmulo e apoiei as mãos nos joelhos deixando que as lágrimas escoassem.

“ Hoje é meu aniversário Sam — comecei com a voz travada. –, e se há algo que eu gostaria de ganhar, seria você... Seria você e todos seus defeitos perfeitos, assim como seus hábitos cavalheiros, e a falta de classe ao andar na rua... Se há alguém a quem eu gostaria de dividir meu primeiro pedaço de bolo seria você, você seria meu pedido, e seu beijo o presente ideal.

Normalmente as pessoas vêm aqui e começam a te dizer quanta coisa aconteceu desde a sua morte, mas para falar a verdade, devo ser uma das, ou talvez a única, que admite a monotonia que minha vida se tornou desde sua partida.

A verdade é que quando te perdi não podia adivinhar o quanto doeria sua partida, parece até que eu me fui contigo, é como se eu estivesse morta. Uma pequena zumbi perambulando por HB... Você riria de minha aparência se pudesse me ver, na realidade até que meus olhos rodeados pelas olheiras combinam com os apelidos que venho ganhando.

Eu queria poder dizer... Dizer que todos sentem sua falta, mas como não posso, digo que EU sinto sua falta, EU sofro sua perda todos os dias, e a cada manhã é uma nova luta tentando admitir a mim mesma que você não buzinará de tarde na porta de minha casa.

Temo que essa dor nunca passe, que esse sofrimento seja eterno... Às vezes me pego pensando o quanto seria mais fácil passar todo esse sofrimento ao seu lado, pois eu sei que você me faria esquecê-lo até não existir mais sofrimento.

Sam, você foi tudo o que um dia eu pude desejar, e não há nada nesse mundo que te torne menos especial do que você foi para mim. E tenho certeza que tudo pelo que passou por aqui está sendo recompensado ai em cima...

Tem sido difícil viver sem você, e admito que muitas vezes pensei em desistir... Mas há uma força, um impulso, algo que me impede de fazer minha fraqueza tornar-se realidade, e eu sei que essa força é a tua força! A força que você me deixou a partir do momento que deixou este mundo. O pequeno pedaço de tua alma guerreira que se juntou a minha para que eu não desistisse... Eu não vou desistir, por você, por nós, pois eu sei que você pode me ver daí de cima... E eu vou te trazer muito orgulho ainda.

Deus, eu sei que o Senhor pode me ouvir, e sei que nunca fui muito religiosa. Mas eu peço que cuide de seu filho Sam... Que o ilumine em sua pós vida e que me dê forças para aguentar sua perda.

Sam, eu te amo e para sempre irei amar”.

Se eu ainda tinha alguma força dentro de mim, ela havia sido toda gasta dizendo esse pequeno texto que estava guardado há tanto tempo dentro de mim. Voltei a chorar enfiando a cabeça nas coxas, ignorando a dor nas costas e importando-me em apenas chorar mais.

Devo ter perdido o tempo derramando lágrimas que não cessavam só pararam por um segundo quando tomei um susto com a pessoa que me juntou num abraço. Mesmo que fosse um sequestrador eu não teria forças para fugir, mas assim que senti a colônia de vovó deixei que as lágrimas caíssem mais sobre seu colo.

- Oh minha netinha eu sei o quanto deve estar doendo... Doeu da mesma forma quando perdi seu avô, talvez até pior. – deitei em suas pernas recebendo um carinho terno nos fios de cabelo. – Mas acredite, vai passar... Tenha fé que a dor passa e sofrimento cessa, e se advirta todo dia de que ele não gostaria que você estivesse assim. – assenti controlando-me aos poucos. – Ele pode te ouvir de qualquer lugar e suas lágrimas e tristeza excessiva não fazem bem ao espírito dele, tente, apenas tente, imaginar-se no lugar dele. Gostaria de vê-lo assim como você está? – neguei com a cabeça soluçando. – Então, toda essa dor que você sente, ele sente duas vezes mais... Melhore por ele, siga com sua vida por todo amor que ainda sente em seu coração... Não deixe que sua fraqueza te leve ao precipício, eu estive lá e lhe afirmo não querer voltar nunca mais.

Dito isso ela prosseguiu em alisar meus cabelos enquanto eu me acalmava. Passamos um longo tempo sobre a grama rala do cemitério, quando finalmente senti-me recuperada e ajoelhei-me para encará-la abraçando-a fortemente.

- Agora, precisamos voltar para sua casa, sua mãe está aos prantos imaginando o pior com você. – ri fraco levantando e a ajudando.

Lancei um último olhar ao túmulo de Sam e enfim saímos daquele lugar, seguindo para o carro de vovó que estava estacionado em frente aos portões. Demoramos a metade do tempo para chegar em casa, do que eu havia levado para ir.

Mamãe me sufocou num abraço no momento em que pus os pés dentro da sala, e logo ia começar com o sermão se vovó não tivesse a repreendido fazendo com que se calasse.

Murmurei que iria trocar de roupa seguindo para as escadas e chegando quarto, só então notando que o céu já estava escuro e tendo dificuldade em achar uma calça no escuro, já que a preguiça não me permitia ligar a luz.

Já trocada sentei no colchão macio da cama por uns minutos e olhei para a janela em minha frente, o brilho da lua escapava por minhas cortinas reluzindo pelo quarto e refletindo no medalhão que pendia de meu pescoço... Estava dispersa até ouvir batidas na porta.

- Pode entrar. – pedi respirando fundo e enfiando o medalhão por dentro da blusa.

- Oi Belle. – a maldita voz fria acalentou o ambiente.

- Brian? – indaguei baixinho levantando da cama.

- Hum... Te trouxe algo. – um sorriso brincou em seus lábios ao mesmo tempo em que ele empurrava uma caixa grande para dentro de meu quarto, continuei parada no mesmo lugar e ele se aproximou vindo ao meu lado. – Não vai abrir? – perguntou animado.

- Éér... Claro! – fingi uma empolgação e abri a tampa da caixa, que desfez mostrando um telescópio a minha frente. – Um telescópio? – arqueei uma das sobrancelhas e ele soltou a risada rouca fazendo meu coração palpitar.

- Você sempre gostou de observar as estrelas – andou até minha janela a abrindo e colocando o telescópio perto dela. -, assim você pode observá-las mais de perto. – sorri enrubescida por seu olhar.

- Obrigada. – agradeci quase num sussurro me aproximando dele.

Pousei minhas mãos sobre o objeto era branco e preto, dei uma olhada na lua lá fora percorri os olhos pela extensão de seu abdômen coberto pela jaqueta, chegando ao seu rosto, delineando os lábios o nariz arrebitado e por fim os olhos castanhos... Parecidos, se não iguais aos de Sam.

Continuamos a nos encarar por alguns milésimos, até que as malditas lágrimas saltaram e um soluço escapou de meus lábios, voltei a encarar a lua enquanto a lágrima escorria silenciosamente.

Estremeci ao sentir seu polegar áspero enxuga-la e seu corpo aproximar-se mais do meu, uma erupção ocorria em minhas células como se eu pudesse explodir a qualquer momento. Ele se abaixou deixando a face muito próxima a minha, continuei sem encará-lo tentando ignorar as sensações que me percorriam ao sentir sua respiração contra minha bochecha... os lábios macios pousaram sobre ela demoradamente e por fim ele sussurrou: “Feliz Aniversário Belle”.

Continuei petrificada no mesmo lugar ouvindo seus passos afastarem-se cada vez mais, e ao tornarem-se inexistentes, soltei um longo suspiro aliviada e atirei-me na cama confusa pelo coração que batia em disparada. Meus olhos queimavam em lágrimas grossas que eu não permitia sair, e minha garganta se comprimia com o grito que eu guardava.

Por fim, lá estava eu em prantos novamente... Não entendo o motivo inicial do choro e temendo pelo futuro que me esperava fora das fortalezas de meu quarto. Acrescentando ao susto que emanava de meu corpo pela reação do moreno. Até parecia o Brian de antigamente...