Notas iniciais
Olá garotas tudo bem? Então, vi todos os reviews de vocês do último capítulo que postei e cara impossível não chorar com a morte do Sam né? Sempre vou ter essa feridinha guardada de ter matado um dos meus personagens preferidos, que eu sempre amei e tal...
Mas vamos ao capítulo! Boa leitura!

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Would you know my name

If I saw you in Heaven?

Will you be the same

If I saw you in Heaven?


Abri os olhos sentindo as pálpebras pesarem como pedras para continuarem fechadas, a sensação de vazio era intensa e ao remexer-me na cama senti algo em meu braço, ainda com a vista embaçada notei a agulha perfurando o tecido. Resmunguei baixo e vi uma sombra grande se aproximar.

Foi então que notei o garoto em minha frente, meus olhos se encheram de lágrimas e esperança... Então tudo tinha sido um sonho, Sam estava vivo, estava aqui! Dobrei-me para alcançá-lo e puxei sua face em minha direção, assustando-o e revelando seus olhos verdes... Verdes? Ouvi uma voz gritar ao fundo e minhas mãos escorregaram do rosto de Matthew, afundei a face nas palmas já me debulhando em lágrimas e senti a mão macia escorregar em minhas costas.

– Eu sinto tanto Ana... Não queria que você estivesse passando por uma situação dessas. – disse Mad próxima ao meu rosto e eu a encarei enraivecida.

– MENTIROSA! VOCÊ E TODOS SEMPRE REZARAM POR ESSE DIA! – forçava o grito mais que podia sentindo uma dor aguda na garganta. – SAIA DAQUI AGORA VOCÊ E SEU NAMORADO! SAIAM JÁ! – ela fez menção de andar até mim novamente, mas Matt a impediu.

– Ana, não diga besteiras... Nunca desejaríamos algo desse tipo. – dizia ela tentando contornar os próprios erros.

– NÃO QUERO SABER! VÁ EMBORA! – pedi novamente e ela num ato impensado correu até mim me juntando em seus braços. – SAIA DAQUI! – gritei mais uma vez a empurrando com pouca força, mas ao contrário ela me abraçou mais forte e eu sem alternativa permiti que as lágrimas molhassem seu ombro.

– Belle, eu prometo, prometo mais que tudo em minha vida que vou te cuidar... – disse ao pé de meu ouvido com mais uma enxurrada de palavras que serviam de conforto, mas que para mim não passavam de palavras.

– Chega disso... – pedi mais contida fungando e a empurrando levemente.

– Eu não vou te deixar sozinha! – insistiu peremptória

– Imploro para que me deixem em paz, saiam do quarto relevando o pouco de afeto que ainda têm por mim, e diga a todos que não quero ser incomodada o resto da noite.

– Belle, já é manhã... – murmurou desconcertada e eu dei de ombros.

– Que seja, saia daqui e leve a cambada embora. – voltei a encostar as costas na cama e parei o olhar na cortina branca que enfeitava a janela.

– Mas...

– É melhor irmos Mad. – concluiu Matt levando-a para fora e vendo-me dar graças à saída dos dois.

Deslizei os dedos pelo lençol da cama e agarrei a ponta do edredom com força desmanchando meu sofrimento no pobre tecido que amassava entre meus dedos. Era possível que tamanha dor coubesse em meu peito? Era possível que quanto mais eu reprimia essa dor, mais ela dilatava? Pus-me a chorar novamente.

Fechei os olhos com as lágrimas escoando deles ainda e arranhei meus pulsos com o choque da cena que havia se cravado em minha mente... Nunca mais eu veria Sam com os mesmo olhos, nunca mais eu o teria comigo... Nunca mais.

Levei a mão instintivamente para o medalhão que deveria estar em meu pescoço, e ao dar sua falta o procurei pelo quarto, debruçando-me na mesa ao lado da cama onde lá estava o colar e a aliança. Para sempre eu os usaria, para sempre eu seria de Sam, ele era o único e ninguém seria capaz de ocupar seu lugar, muito menos de tirar seu posto em meu coração.

Encostei a cabeça no travesseiro macio e cerrei os olhos novamente, a missão era abonar as imagens da noite passada em minha cabeça, mas cada vez que eu tentava mais eu o via rente aos meus olhos. O barulho da chuva fina que começava a cair trouxe-me as lembranças boas ao seu lado, as mais doídas.

Por um bom tempo eu não saberia mais o que era um rosto seco, já que o mesmo estava sempre banhado pelas lágrimas... Não me importava que os outros pensassem que fosse exagero. Sam tinha me deixado, e eu sentia uma parte minha faltando sem ele aqui... Era fato que após sua partida eu nunca mais seria a mesma.

Acabei descobrindo que assim como outras atividades, chorar cansava e quando menos esperava já tinha caído num sono profundo novamente.

Acordei com vozes conhecidas sussurrando no quarto, e ao abrir os olhos encontrei mamãe e papai discutindo baixinho aos pés de minha cama. Pensei em fingir dormir novamente, mas a senhora Harley já me tinha nos braços antes que eu pudesse tentar enganá-los.

– Você está me sufocando mãe! – ela se afastou e deu espaço a papai que me abraçou de leve iniciando suas falas.

– Quero saber ao certo o que aconteceu ali!

– Não quero falar sobre isso agora pai... – pedi baixinho com os olhos marejados.

– Você tem que falar! Pois eu vou...

– VOCÊ NÃO VAI NADA! Você vai voltar para sua vida boa a mais de mil quilômetros de Huntington Beach e fingir que isso nunca aconteceu! – exclamei exaltada livrando meus pulsos arranhados de mamãe que ainda os olhava embasbacada.

– Não fale assim garota ou eu...

– Ou você o que? Vai me bater? Pode bater a vontade, não existe dor pior do que a que eu já estou sentindo! – funguei exasperada. – Vá embora papai, você só causa problemas aqui. – pedi controlada e ele saiu sem relutância.

– Oh minha filha, eu lamento tanto por...

– Quando eu vou ter alta? – perguntei friamente interrompendo mais palavras confortadoras vindas de sua parte.

– Hoje mesmo, só preciso avisar o médico que você acordou.

– Então faça isso. – mandei empurrando-a da cama. Se fosse em outro momento receberia uma bronca, mas ela apenas assentiu e seguiu para fora. – E nem pense em mandar algum dos meus “amigos” aqui dentro. – acrescentei antes que a porta fosse fechada.

Logo ela voltou acompanhada de um médico calvo com a barriga saliente saltando do jaleco... Ele examinou o corte em minha cabeça deu umas instruções para ela, assinou uns papéis, nos concedeu receitas e então eu estava liberada. Mamãe até se ofereceu para me ajudar com as roupas, mas eu recusei e disse que me esperasse lá fora.

Já vestida tomei coragem em sair do quarto, encontrando todos em uma roda me esperando mais a frente, Brian fora o único que encontrou o olhar ao meu e quando o fez eu desviei e puxei a manga da blusa que minha mãe usava para que fossemos embora.

– Você não vai falar com seus amigos? – perguntou aflita enquanto eu tentava puxá-la o mais rápido possível para fora dali.

– Eles não são meus amigos, e eu não quero falar com ninguém. – admiti uma carranca em minha expressão.

– Tenho que chamar a Madson ela...

– Ela vai no carro do namorado. – conclui voltando a arrastá-la.

Seguimos o caminho em silêncio, eu engolindo o choro a cada novo quarteirão e mamãe apertando o volante, preocupada. Assim que estacionamos em frente à casa desci do carro feito um furacão e corri para o quarto, ignorando os gritos dela sobre “jantar” ou qualquer coisa do tipo. Tranquei a porta com a chave e cai de joelhos no chão aliviando a aflição em meu peito.

Senti uma pontada na cabeça e estimulada por essa dor comecei a chorar copiosamente, arrastei-me até a cama e já sobre ela chutei os tênis para longe. Por motivos óbvios meus soluços se tornaram altos e não demorei em ouvir alguém esmurrar a porta para entrar.

“Abra essa porta ou eu vou arrombar!”

Disse minha irmã extremamente calma e logo depois voltando a esmurrar a madeira, com medo que ela cumprisse o que havia dito abri a porta e a encontrei com o bando de marmanjos atrás de si.

– O-o que é isso? – perguntei soluçando e tentando limpar as lágrimas teimosas na manga do agasalho.

– Viemos ver como você está. – disse Jimmy pondo-se a frente de todos e tendo a intenção de me abraçar, o empurrei para longe.

– Eu não quero ver nenhum de vocês, saiam daqui! – pedi calma agarrando o tecido da camiseta de Rev nas mãos e lutando contra todos os sentimentos bons que ainda me restavam.

Brian foi o primeiro a sair e puxou Johnny consigo, eles continuavam a me encarar embasbacados e Jimmy um tanto magoado... as expressões deles chegavam a arder meu coração, mas eu não podia, não podia me render as pessoas que tanto rezaram pela morte de Sam.

– Façam como Brian e saiam daqui! Eu não quero ouvir a voz de vocês, nem sentir o cheiro dos seus perfumes, vocês são lixos ambulantes e eu tenho vergonha de um dia ter andando ao lado de pessoas da sua laia! – exclamei decidida remoendo a dor por debaixo dos meus olhos esmeraldas.

James deu três passos para trás junto de Mad e foi o bastante para que eu pudesse bater a porta na cara dos que ainda restavam ali. Passei a chave novamente e arranhei a tintura da madeira despejando minha revolta em meio a lágrimas ali.

Agora eu estava oficialmente sozinha no mundo... E a ideia de suicídio pela primeira vez me parecia agradável, era uma pena que as tesouras estivessem no banheiro de Mad, e mais pena ainda que eu nunca teria coragem para tal.

Acabei encolhida na cama ignorando mamãe que batia do outro lado de cinco em cinco minutos perguntando se eu estava bem e concentrando-me na imagem de Sam que perambulava em minha mente. Peguei-me olhando para a foto dentro do pequeno amuleto e sorrindo boba pelos momentos que havia tido ao seu lado.

Eu já sentia falta do meu ruivo, e para sempre sentiria.

Mais tarde recebi o telefonema de sua avó dizendo em que dia o funeral seria realizado, a mulher parecia mais conformada do que eu e acabou comentando que no final do mês se mudaria para a casa da irmã em São Francisco. Tentei manter a compostura do outro lado da linha não querendo desesperá-la com meu pranto apenas dizendo que com certeza iria ao funeral. E após desligarmos voltei ao caos de meu quarto.

...

O dia passa mais rápido quando você tem apenas lamentações e maldições a proferir ao universo... Assim o dia em que o caixão iria a baixo chegou e com ele meus olhos arderam mais.

Vesti metodicamente o conjunto preto, parando desanimada em frente ao espelho e observando o amuleto reluzir pendendo de meu pescoço... Beijei a aliança em meu anelar e tampei os cabelos com o capuz preto.

Abri a porta do quarto sentindo uma brisa gelada inunda-lo. Deveria estar trancada ali desde o dia do telefonema, por isso meu estômago gritava de fome, mas eu me recusava a comer.

Desci as escadas provocando curiosidade do casal que estava na sala e fazendo mamãe largar a cozinha por um segundo. Virei o rosto para Mad na sala e segui até a porta destrancada fazendo um aceno com a cabeça para mamãe.

– Aonde você pensa que vai Anabelle? – perguntou tirando o avental da cintura e o pendurando no encosto do sofá próximo.

– Vou ao funeral. – respondi feito um robô e rodei a maçaneta.

– Não. – ela rebateu andando até mim e trancando a porta. Eu poderia simplesmente fugir e deixa-la para trás, mas essa era a deixa para uma ótima briga que eu estava precisando.

– Eu vou sim mamãe! Você não pode me impedir! – exclamei andando em passos decididos até a cozinha e indo à porta que para minha surpresa estava trancada.

– Eu posso e vou te impedir... Você não vai a esse funeral enquanto eu viver! – virei para ela que ainda aguardava no corredor e andei pesadamente em direção ao seu corpo esguio.

– SABE O QUE VOCÊ É? –perguntei retoricamente já gritando. – UMA BRUXA, UMA BRUXA MAL COMIDA QUE DESCONTA SEUS PROBLEMAS EM CIMA DE MIM! – ela abriu a boca num “O” e logo senti sua mão encher minha face de ódio.

– Trate-me com respeito! – pediu estupefata enquanto eu segurava a bochecha atingida entre as mãos e lágrimas preenchiam meus olhos.

– VOCÊ PODIA TER MORRIDO NO LUGAR DELE! NA VERDADE TODOS VOCÊS DEVERIAM TER MORRIDO NO LUGAR DELE! EU ODEIO VOCÊ MAMÃE, EU ODEIO A VOCÊS TODOS E SE PUDESSE OS MATARIA! EU NUNCA EM TODA MINHA VIDA LHE ODIEI TANTO QUANTO ODEIO AGORA! – gritei avançando até ela e pulando em seu pescoço, vendo por cima do ombro Mad e Matt olharem a cena embasbacados.

– Saia de cima de mim Anabelle Harley! – suplicou ainda controlada tentando me empurrar e foi quando eu lhe transferi a primeira arranhada no pescoço.

– VOCÊ É UMA VADIA ASSIM COMO TODAS QUE O PAPAI TE TRAIA, NÃO VALE NADA! É UMA VADIA SUJA ASSIM COMO A MADSON, VOCÊS DUAS SÃO VADIAS IMUNDAS E EU TENHO NOJO DE VOCÊS! – gritei cuspindo em sua face e senti fortes braços em minha cintura tentando me arrancar do aperto de minha mãe.

A fim de permanecer com as pernas em volta da cintura da mulher cravei as unhas em seus ombros e Matt como sempre, mais forte me puxou fazendo com que eu arranhasse os braços finos deixando pequenas gotas de sangue nos finos rasgos.

– ME LARGUE SEU FODEDOR DE MENTES! TIRE SEUS BRAÇOS ESCROTOS DE MIM! – pedi o arranhando também e senti uma mão pequena me arrastar para o lado jogando meu corpo ao chão... Mad.

– VOCÊ ENLOUQUECEU ANABELLE? – perguntou me segurando entre suas pernas e tendo meus pulsos presos sobre a cabeça.

– SUA PUTA! QUEM ME DERA ESTAR LOUCA PELO MENOS IA PARAR NUM MANICÔMIO BEM LONGE DAS SUAS PRESENÇAS SUJAS! – ela me apertou com força provocando-me dor e eu ao invés de protestar cuspi em sua face e aproveitando a distração a joguei longe de mim.

Dei uma última olhada para mamãe que chorava ajoelhada no chão observando os braços em estado deplorável e corri para o quarto, fechando a porta atrás de mim.

Enfim eu tinha acabado de conseguir o que queria: afastar a todos de mim, deixa-los com ódio de conviver ao meu lado... Assim doeria menos se eu partisse, assim doeria menos se Deus me desse à paz de levar-me deste mundo e deixar com que eu me juntasse a Sam.

Não tentaria o suicídio... Mas os antigos sempre diziam que há de se morrer de amor, e se fosse por isso eu já estava morta.


Would you hold my hand

If I saw you in Heaven?

Would you help me stand

If I saw you in Heaven?

Notas finais
E então? Gostaram? Capítulo tenso né... O clima vai permanecer assim durante um tempinho D:
Bom é isso meninas, vou responder os reviews do outro capítulo agora, beijos da Shadows *-*