Notas iniciais
Eaaai? Suave? Mais um capítulo pra vocês!
Enjoy

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Dávamos os primeiros passos na rota que nos levaria ao bar de Johnny, os três cachaceiros andavam na frente e eu e Brian caminhávamos lado a lado há uns dez passos de distância dos outros. A única coisa que abalava o silêncio entre mim e o garoto ao meu lado era a voz escandalosa de Jimmy.

- Bri. – o chamei tomando a liberdade de segurá-lo pelo pulso fazendo com que parasse.

- Que foi Ana?

- Não quero ir ao bar... – admiti tirando minha mão de seu pulso, eu sabia que ele me acompanharia até em casa e voltaria para com os meninos.

- Tudo bem, podemos fazer outra coisa então! – disse animado esboçando um sorriso e no momento em que eu olhei para a fileira de dentes brancos refletidos aos postes de luz da rua, meu coração parou por um milésimo de segundo.

O solo que tinha tocado agora pouco se reproduziu em meus pensamentos novamente, e a sensação de pisar em ovos me afligiu... Balancei a cabeça voltando ao momento presente.

- O que, por exemplo?

- Podíamos ir à caverna. – sugeriu prontamente, mas eu não estava a fim de ir até lá, trazia-me lembranças que não seriam boas para o momento.

- Ah não... Não temos outro lugar? – perguntei manhosa e ele parou por um momento pensativo.

- Tem um lugar sim! Mas é um pouco longe teríamos que ir de carro. – meus olhos brilharam.

- Vamos! Vamos! – dei três pulinhos e fui arrastando-o pela mão até o carro.

- Você não está entendendo, é bem longe, teríamos que pegar a estrada que sai de HB, percorrer uns 10/km para ai entrarmos na estrada de terra e... – interrompi seu discurso sobre o trajeto.

- Então é bom irmos logo, assim não fica tão tarde. – ele balançou a cabeça negativamente com um sorriso no rosto e logo adentramos no carro.

Os primeiros metros percorridos permaneci em silêncio deixando que apenas a música preenche-se o carro, mas ao concentrar-me no solo de uma das canções e materializar Brian em minha mente, desandei em perguntar.

- Quem escreveu Warmness On The Soul?

- Matthew escreveu, ajudei com os arranjos... – respondeu sem tirar os olhos da pista.

- Lembro que você tocou parte do solo para mim no dia de meu aniversário. – ele assentiu com um meio sorriso e eu voltei o olhar para meu colo.

- Belle, qual é o lance do Sam... com você? – perguntou receoso e eu o encarei.

- Hum, bem, acho que estamos juntos... – murmurei rodando o anel, que o ruivo me dera, no dedo. – Não sei, acho que... Ah deixa pra lá.

- Conte-me. – insistiu Brian.

- Não dá para falar a respeito de Sam com você.

- Porque está dizendo isso? Sempre me contou tudo! Foi só este cara aparecer na tua vida e você mudou. – seus dedos apertaram o volante.

- Não é desse jeito também... Apenas digo que não dá pra falar sobre isso com você, porque você odeia Sam, o odeia de todos os modos. Não é conveniente que eu lhe conte sobre o garoto! – suspirei. – E não, eu não mudei depois que ele apareceu em minha vida... Eu me modifiquei tentando sofrer menos com os atos de outras pessoas. – lhe lancei a indireta.

- Atos das outras pessoas? – indagou, sem esperar resposta, perplexo e eu já podia ver a placa indicando que acabávamos de sair de HB. — Ok... Digamos que eu entenda está sua repentina mudança, que eu consiga conviver assistindo teus beijos com Sam e as unhas crescidas pintadas de preto... O que quero saber é sobre nossa amizade. Porque não voltamos ao que era antes? – soltei um longo suspiro.

- Brian você precisa entender que eu já não tenho mais onze anos e felizmente já tenho discernimento ao ponto de saber que camisinhas não são bexigas transparentes...

- Eu entendo isso Anabelle, lhe compreendo completamente, mas concorda comigo que não é mais como era antes? Agora nem carregar você em minhas costas posso mais... Parece até que fui substituído. – murmurou desgostosamente.

- Não seja egoísta. Apenas aprendi a dosar meu carinho entre minhas amizades uniformemente.

- Acontece que nossa amizade nunca teve este tipo de dosagem... –ele parou por um momento concentrando-se em acertar a trilha para a estrada de terra – Nossa amizade sempre foi diferente das outras, vivíamos grudados, quase que inseparáveis e do dia para noite... – não terminou de falar contentando-se em bufar e amarrar a cara.

- Não posso fazer nada quanto a isso, admito, as coisas mudaram e agora aprendi a dar valor em quem realmente merece. – não sabia por que havia lhe dito aquelas frases, no fundo fazia algum sentido, mas agora estava tudo muito confuso.

Podia jurar que a conversa acabaria por ali e seguiríamos o resto do caminho em silêncio, mas Brian me provou o contrário.

- Eu sei por que tudo isso aconteceu! Foi naquele maldito dia em que você viu Michelle comigo, a partir dali tudo mudou! – assustei-me com sua afirmação.

- Não Brian! Não é nada disso... – rebati com a voz trêmula. – Chega de falar sobre Dibenedetto. – fechei as mãos em punho.

- Não! Temos um caminho ainda a percorrer e não desistirei até tirar as palavras de sua boca. – bati a cabeça contra o banco irritando-me com sua insistência.

- Não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre ela ok? Mais nenhuma ou então descerei deste carro. – ele assentiu e voltou à atenção a estrada.

- Nada que eu faça te fará dizer certo? – repousei minha mão sobre sua coxa, alisando-a num ato inocente.

- Prossiga o caminho e não insista mais nesse assunto. – respondi e pude ver sua expressão antes animada desmanchar-se.

O carro prosseguiu pelo caminho cheio de falhas por mais ou menos quinze ou vinte minutos, até enfim chegarmos ao destino final.

Pulei para fora do carro e segui Brian. Ao seu lado tinha uma vista privilegiada, estávamos no alto do que parecia ser um morro, talvez até mesmo uma montanha e do ponto víamos a costa da praia e a vasta vegetação em volta.

Deitamos sobre o capô do carro observando estrelas, resolvi quebrar o clima cutucando-o com o cotovelo e mostrando-lhe a estrela que parecia ser a mais brilhante de todas para mim. Ele apontou para outra e ficamos minutos eternos discutindo sobre as estrelas...

- A minha brilha mais Ana... Aceite os fatos. – disse esnobe e eu virei o rosto, apoiando-me nos cotovelos e sentando com os joelhos flexionados.

- Já te disse a minha brilha mais! – ele sentou-se na mesma posição que a minha e atreveu-se a passar a mão em meus cabelos.

Fechei os olhos com o toque e ao abri-los novamente, notei que era encarada pelo par de olhos castanhos... Ignorei-o olhando para o horizonte onde o sol começava a nascer diminuindo o brilho das estrelas no céu.

Percebendo que a imensidão de chocolate não tirava os olhos de mim resolvi encará-lo também... Passamos longos minutos mergulhados em pensamentos individuais, eu entretida em achar algum defeito em sua face, ele hipnotizado por meus olhos verdes.

Pouco a pouco fomos nos aproximando e quando dei por mim estávamos a centímetros, podia sentir sua respiração roçar em minha bochecha. Estava tão perto que era capaz de ver os riscos mais escuros que ele carregava no acastanhado dos olhos.

Umedeci os lábios e senti um buraco enorme abrir-se em me estômago, ao mesmo tempo em que a garganta fechava-se e a respiração tronava-se um tanto acelerada, assim como os batimentos cardíacos.

No segundo seguinte seus lábios macios estavam pressionados contra os meus, as mãos seguravam meu rosto como alguém segura uma joia preciosa e eu tinha o corpo tremendo por ansiedade.

Passamos muito tempo colados pelo simples selar de lábios e eu tinha certeza de que ele prosseguiria mais a fundo se eu não me afastasse tendo em mente Sam que não merecia uma traição dessas, se é que isso poderia ser julgado como traição.

Ele me encarava bobo como se não acreditasse no que havíamos feito. Deslizei pelo capô caindo no chão de pé enquanto seus olhos ainda percorriam cada movimento meu.

- Acho que devíamos ir embora. – disse sem graça e ele demorou alguns segundos para assimilar o que eu dizia.

Entrei no carro observando lá de dentro o espetáculo do nascer do Sol e logo ele se sentou ao meu lado, demorando um pouco a girar a chave e por fim ligar a máquina.

Não sabíamos lidar com o ocorrido, Brian parecia surpreso, envergonhado, mas ainda assim feliz... Já eu sentia-me mal, muito mal por sentir-me tão bem. Não tinha o direito de ter tais sensações com um simples selinho do garoto ao meu lado, sendo que o ruivo presente em meu dia a dia custava a deixar-me satisfeita.

Encostei a testa no vidro do carro e minha respiração provocava manchas esbranquiçadas no mesmo, era engraçado o quão rápido elas eram para aparecer e que na mesma proporção, conseguissem se dispersar.

O caminho não era tão longo na ida, mas parecia uma eternidade de barro e asfalto na volta... Deveria ser pela falta de diálogo de nós dois e pelo clima desconhecido que preenchia cada canto do carro, um sentimento sufocante como se precisasse de ar insuficiente para respirar.

Acabei adormecendo e acordei com um chacoalhar de leve vindo de Brian, tomei um susto ao sentir suas mãos em mim e recuei. Sai do carro esboçando um sorriso e agradecendo quase que num sussurro, acenei ao longe e entrei para casa subindo as escadas na ponta dos pés para que ninguém acordasse.

Entrando no quarto percebi as duas camas arrumadas, mas isso já era de se esperar visto o olhar que Mad havia me lançado na noite anterior... Parecia até que eu começava a aceitar o namoro de Matt com Mad e o ciúme e inveja não me corroía tato como antes... Talvez porque sempre tinha Sam para me distrair, ou porque a paixonite fora apenas distúrbios de minha cabeça. Preferia ficar coma a segunda opção que me prevenia de futuras decepções.

Arranquei apenas a saia e meti-me debaixo das cobertas da cama de Mad, ela tinha um colchão novo e travesseiro também e eu estava precisando de regalias como essas... Dormi novamente não me preocupando com o fato dela chegar mais tarde, pois eu sabia que ela não iria chegar.

Notas finais
Música maravilhosa do lifehouse!
Beeeeeijinhos ;*