Erase This
106 Sometimes
Notas iniciais
Cara, queria dizer que amei as novas recomendações e entendo porque o número de reviews deu uma caida, nós não estamos respondendo vocês porque pelo menos no meu caso, o tempo que tenho conseguido estar online estou usando para me atualizar nas coisas que gosto - po, sou filha de deus tb né galera - e escrever tanto Erase This quanto um novo projeto meu - que logo vocês vão ler! :D - e não sobra muito pra responder vocês.
Enfim, capítulo da Shadows que estava sem título, então escolhi em cima da hora a música kkkkkkkk
Beijos
You tell me you're in love with me
Like you can't take your pretty eyes away from me
It's not that I don't want to stay
But every time you come too close, I move away
Terminava de arrumar meu armário quando Mad bateu discretamente na porta do quarto e adentrou, encostando-a em seguida e sorrindo para mim alegre. Ri da ponta de seu nariz vermelho, talvez pelo frio e pelos cabelos desarrumados. Ela sem dizer nada virou de costas e apontou para a tatuagem.
Minha primeira reação foi identificar o que era e depois me veio a ideia de que combinava perfeitamente com a morena, fiz um sinal positivo com o dedo sem dar grande alarde para que mamãe não ouvisse.
– Tá afim de ir beber no píer? – perguntou andando até mim e se apoiando em meus ombros.
– Ah Mad, não sei... – murmurei e ela semicerrou as sobrancelhas.
– Cinco minutos pra se trocar ou eu te arrasto com essa roupa. – apontou para meu micro short e a camiseta larga de Sam.
Revirei os olhos e peguei a primeira roupa do armário sem dando muito atenção ao que havia escolhendo e sendo surpreendida por Mad que entrou em meu quarto vestida numa jaqueta de couro, terminei de fechar o botão da calça e corri para seu quarto. Ela pulou a janela primeiro e logo em seguida eu.
Os meninos aguardavam na calçada de Matt, dei uma olhada em todos aguardando o amontoado de abraços, mas obviamente estavam bêbados demais pra qualquer demonstração de afeto... Menos Jimmy, esse sempre fora uma exceção.
– Bellinha! – exclamou numa voz estridente me aproximando para um abraço.
– Vocês vão beber mais? – indaguei recebendo apenas um aceno geral de cabeça.
Suspirei dando de ombros e sendo guiada pelo grupo até os carros. Nos dividimos, Matt, Mad num carro e o resto no de Brian. Era fato que os dois queriam ficar sozinhos, mas o anão e o porpeta me espremendo no banco de trás, me faziam repensar se eu não deveria ter ficado em casa.
– Porra! Para de me cutucar baleia! – exclamei brava e o mesmo levantou os braços em rendição acertando meu rosto com um dos cotovelos. – Chega! Brian para o carro! – pedi exaltada e ele me olhou pelo retrovisor e sorriu na troca de olhares.
Estacionou o carro e suspirou como se estivesse pronto para qualquer protesto, me remexi no banco traseiro tentando pular para frente, porém fui barrada por Jimmy.
–Zacky, vem pra frente, James dirige o carro. – ordenou rapidamente enquanto eu assistia a festa do grandão que sorria e gritava por poder dirigir.
– Eu queria ir na frente! – resmunguei assim que o corpo do gordo foi substituído pelo dele.
– To te fazendo um favor e você ainda reclama? – brincou arqueando uma das sobrancelhas e eu dei de ombros.
Na primeira curva Johnny tombou em mim e então eu percebi que ele dormia, me esquivei e acabei esmagada ao corpo de Brian que me envolveu com um dos braços para que eu me acomodasse. Ao final acabei sentada em seu colo, a cabeça do anão pesava quilos de burrice.
Tentei ignorar a fricção que sua jaqueta causava na lateral de meu corpo e fingir que seu perfume não era tentador o bastante a fim de me fazer perder a sanidade e me aconchegar em seu peito. Mas Jimmy cuidou disso para nós dois, freando bruscamente em um dos faróis e fazendo com que Brian me agarrasse pela cintura.
E mais por comodidade do que querer acabei aceitando suas mãos entrelaçadas no local, servia como um cinto de segurança e eu acabava me sentindo melhor com aquela proteção.
Com o carro encostado a praia desembarcamos, Brian verificando se não havia nenhuma arranhão no carro, e Jimmy já chutando areia em nossa direção. Neguei com a cabeça e segui o calçadão que levava ao píer.
Os garotos riam e se socavam atrás, eu não estava muito para festa e usava meu momento a sós para permanecer “eu” enquanto ainda não tinha que interpretar minha falsa animação para Mad.
Surpreendi-me quando Jojo se juntou a mim e passou um dos braços por meu ombro.
– Que foi gracinha? – o bafo de bebida fez meu estômago embrulhar e eu não me contive em ri quando o mesmo tropeçou e caiu de boca no chão.
– Esse é o destino te castigando por me chamar de “gracinha”! — exclamei o ajudando a levantar e vendo um bico se formar em seu rosto.
– Tava tentando ser amigo, mas você é sempre assim... Parece uma velha! Desde que... – ele não pôde terminar a frase, pois Syn o puxou pela gola da camisa e o jogou no chão.
– Não liga pro anão. – vi um pequeno sorriso transbordar em seus lábios, não evitei e sorri também.
– Vão acabar dormindo no píer do jeito que estão... – murmurei, provocando a risada do moreno.
– Ainda bem que eu não bebi tanto. – acrescentou e eu fiz um sinal de positivo para ele.
As madeiras da longa ponte rangiam com nossos passos e por vezes reclamei que aquela coisa iria cair e morreríamos nas pedras ou com madeiras atravessando o corpo e minhas lamúrias os instigavam a pular e correr pela estrutura, me causando mais aflição.
Desabamos na ponta do local, que estava vazio, Mad e Matt estavam deitados compartilhando um baseado, que logo foi roubado por James, que passou para Jojo, Zacky, e então iniciou-se um ciclo, mas pela primeira vez, Brian não estava nele.
– Que estranho, não tá bebendo nem fumando... – comentei andando até o mesmo.
– Fumando eu to. – rebateu mostrando o cigarro entre os dedos, revirei os olhos.
– Não esse né besta! – ele sorriu expelindo a longa fumaça.
– Alguém tem que te levar pra casa...
– Eu sei me cuidar! – cruzei os braços diante do peito.
– Deixa que eu cuido de você... — pediu dando um passo a frente e eu recuei rindo.
– Ok, retiro o que eu disse, você com certeza já deu uma tragada na maconha!
Recebi sua risada sonora ao mesmo tempo em que seu braço passava por meu ombro, me aproximava e seu rosto se enfiou em meus cabelos e a voz sussurrou provocante.
– Eu estou inteiramente sóbrio. – estremeci com seu tom, engolindo em seco e me afastando, sorrindo timidamente.
– Hum, acho que eu é quem preciso de uma bebida. – andei até Baker que segurava uma garrafa na mão, mas antes que eu a alcançasse Brian me impediu.
– Você sabe que não pode beber. – repreendeu-me enquanto me levava para o outro lado e me punha sentada num banco.
– Desculpa “papai”. – revirei os olhos zombando do mesmo.
– Eu pedi pra te cuidar, e mesmo se você não deixar eu vou fazer. – era estranho ouvir aquilo de seus lábios. – E bom, você sabe que eu to certo, seus remédios e álcool não dariam uma combinação boa.
– Quem sabe eu não via os duendes de novo? – coloquei as mãos na cintura, levantando e empinando o nariz.
Seus olhos perderam o sentido nas linhas de meu rosto e permaneceram segundos em minha boca, corei na voracidade em que seus olhos me consumiam, afastei-me saindo de seu campo de visão e então permanecemos os dois calados, como se fossemos crianças da quarta série apaixonadas.
– CATA ELA LOGO SEU FROXO! – gritou uma voz feminina estridente e ambos olhamos a morena que era contida nos braços do ogro.
– VAI DAR PRO MATT E CALA A BOCA! – gritei de volta percebendo o quão quente estavam minhas bochechas e a pequena risada de Brian só serviu para que o vermelho fervesse mais em minha face.
– Eu devia tirar foto das raras vezes que te vejo corada. – murmurou ao mesmo tempo em que o polegar escorregava por minha bochecha.
– Cala a boca! – exclamei baixinho tirando sua mão dali e virando de costas, tentando me recuperar do rubor.
Houve uma aproximação, mas eu sabia que não era Brian e constatei assim que ouvi a voz esganiçada.
– Bellinha, fofinha, cara de bolinha! – senti os braços magricelos de Jimmy me erguer do chão enquanto o mesmo cantarolava bilhões de vezes a mesma frase, ri, gritei e o estapeei para que me soltasse, acabamos os dois caídos no chão.
– Sua tripa seca! – resmunguei ainda rindo e o mesmo pulou em cima de mim, logo gritando “MONTINHO”.
Não demorou e eu era esmagada, Jojo havia caído do lado, pois ao se lançar no montinho errou a direção, Matt ria de fora o que me fazia perceber que sua sanidade ainda estava presente, porém, Jimmy, Zacky e Mad tiravam meu ar e foi possível um tapa na cabeça do gordo para que ele se tocasse e saísse de cima.
Permaneci estatelada, sem fôlego e quando já tinha o ar de volta, permaneci na mesma posição, estava confortável e eu o baque tinha me deixado preguiçosa demais para levantar.
Syn deitou ao meu lado, silenciosamente e percebi seu sorriso quando me arrastei até ele confortando minha cabeça em seu peito espaçoso. Por tempo permaneci assim, e depois sua mão passou a acariciar minhas costas levemente, mas a calmaria logo passou, uma gritaria se acumulou e eu me obriguei a ficar sentada e ver o que acontecia.
Brian se sentou ao meu lado e enquanto se espreguiçava eu aproveitava par assistir a cena... Duas morenas e duas loiras, de roupas extremamente curtas, conversavam com Johnny, Rev e Zacky, elas gritavam e bebiam com eles. Olhei em volta esperando o olhar de fúria de Mad, porém ela e o namorado tinham sumido.
– Quem são elas? – perguntei sem tirar os olhos da “cena”.
– Meninas novas na escola... – respondeu sem dar muita atenção.
– Ah. – apenas pronunciei antes de encará-lo. – Você não vai lá falar com elas? – perguntei irracionalmente.
– Não to com vontade. – respondeu sorrindo torto e eu dei de ombros.
– BRIAN! VOCÊ VEM? – gritou Jimmy o chamando com a mão enquanto as garotas já seguiam com os outros para alguma direção.
Ele olhou para mim sorrindo.
– Pode ir Bri...
– Não Belle, eu não vou eu qu... – não o deixei terminar.
– Não, sério Brian, você é livre pra fazer o que quiser, não precisa se prender por mim, além do mais os... – então eu fui interrompida.
– Fica quieta e me deixa falar! – pediu levando a mão ao meu rosto e jogando meus cabelos desgrenhados para trás. – Eu quero ficar com você... – senti o peso de suas palavras caírem como um balde de água fria sobre mim, mas graças à Divindade ele não percebeu, pois o magrelo gritava de novo seu nome.
– VOCÊ VEM OU NÃO PORRA? – perguntava gesticulando e o moreno olhou para mim sorrindo depois se voltou ao amigo e respondeu.
– NÃO!
No meu íntimo, bem no fundo, eu sorria, sorria com sua resposta, com sua decisão, a clareza não era total, porém estava explicito seu propósito e talvez por isso eu me sentia uma traidora, uma traidora por estar feliz enquanto fazia meses da morte de Sam, uma traidora por vibrar com as atitudes de Brian, eu não podia... não devia. Só Sam deveria ter espaço em meu coração...
– Ei o que foi? – perguntou preocupado percebendo que eu caia em meus pensamentos, mais uma vez.
– Nada. – respondi de imediato sorrindo e girando o corpo em direção ao mar.
– Bonita vista né? – assenti com a cabeça observando a lua gorda no céu e as estrelas cintilando.
– Bonita... Muito bonita. – admiti mais para mim mesma antes de sentir seu toque inofensivo em meu ombro.
Um conflito interno se iniciou e eu passei minutos decidindo se deveria ou não encostar nele, me deixar levar... Meu cérebro gritando o quanto eu estava sendo volúvel, o quanto era errado, mostrando-me a imagem e os flashbacks do ruivo. Porém antes que qualquer decisão foss acertada Syn me puxou para si e sem que eu percebesse já estava aconchegada em seu peito, entre suas pernas.
Minha razão calou se calou a partir do momento que senti a pontada de confiança crescer dentro de mim, há tempos não sentia isso, e com essa graça de volta, sorri e me apertei mais ao moreno apreciando a brisa calma e o cheiro que exalava de sua jaqueta preta.
Desenrolamos um assunto sobre espaço sideral completamente insano, que rendeu risadas e uma boa memória, acabei até me rendendo e o convidando para observar as estrelas comigo no telescópio.
...
Bocejei pela quinta vez enquanto ouvia a voz em meu ouvido sussurrar algo sobre “espetar a bunda do professor Larry com uma estrela”, o moreno consciente de meu sono riu.
– Acho que devíamos ir embora. – concordei com a cabeça já perdendo os sentidos de tanto cansaço.
Andei até o carro praticamente escorada nele e ouvindo sua risada baixinho ao longo do caminho enquanto eu forçava os olhos abertos para não ceder ao balanço gostoso do carro na rua.
Chegamos a minha casa e despedi-me do mesmo numa troca de beijos nas bochechas, e assim que girei a maçaneta tomei um susto que foi o suficiente para me despertar.
– Anabelle? – era mamãe, ela me chamava.
Permaneci de costas para o corredor pensando em algo para me livrar da bronca, respirei fundo contendo a confusão de ideias e logo uma me pareceu boa : sonambulismo. Fechei os olhos e continuei parada até sentir sua mão em meu ombro.
– Anabelle! – exclamou me chacoalhando e provavelmente vendo meus olhos fechados se convenceu do sonambulismo, ou talvez não.
Se a tática havia funcionando ou não eu não sabia ao certo, mas ela me guiou até o sofá me cobrindo com uma colcha e ouvi quando depois a mesma saiu da sala, trancou a porta e provavelmente retirou a chave. Suspirei aliviada e nem demorei muito tempo acordada, logo fui abençoada no sono profundo.
...
Acordar nunca é fácil, ser acordada então, pior ainda, mas acordar com gritaria é praticamente um dos motivos para se matar.
Desnorteada não conseguia decifrar qual era a discussão, mas quando finalmente tomei conta do que acontecia ouvi claramente o que ocorria.
– VOCÊ ACHA QUE ISSO SÃO HORAS DE CHEGAR?! – gritava mamãe e então eu sabia que se tratava de Madson.
Ergui-me no sofá e observei o relógio na mesa de centro, marcava 6hrs, desabei sobre o sofá novamente suspirando e percebendo que a briga estava armada, e isso só confirmou quando ouvi a alteração de minha irmã.
– VOCÊ NÃO ME DÁ UM DESCONTO NEM NO MEU ANIVERSÁRIO! – gritava mais alto que a outra, se isso era possível.
Apertei os olhos começando a pensar numa forma de interromper a gritaria e sabendo que nada daria certo. Assim, levantei e passei direto pelas duas que se confrontavam no corredor segui para o quarto fechando a porta e me jogando na cama.
I wanna believe in everything that you say
Cause it sounds so good
But if you really want me, move slow
There's things about me you just have to know
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