Erase This
97 Someone To Save You
Honesty
Is what you need
It sets you free
Like someone to save you
Let it go
But hurry now
Theres undertow
And I don't want to lose you now
Ana chorava agarrada ao meu corpo. Eu estava assustada, não sabia ainda o que tinha acontecido direito. Matt e eu estávamos tomando banho, eu tinha acabado de sair do chuveiro quando um barulho alto de pneus derrapando no asfalto chamou minha atenção, uma batida e vozes gritando fez com que eu apertasse a toalha a minha volta e fosse até o fim do corredor, e quando olhei pela janela, minha única reação foi gritar Matt, gritar tão alto e tão desesperada que ele praticamente surgiu ao meu lado, e ao ver a cena de Anabelle caída na rua, com um carro praticamente em cima dela, mandou que eu ficasse lá dentro e chamasse a ambulância.
Ele correu para fora de casa vestindo apenas uma bermuda e eu com dificuldade por estar em choque, chamei os paramédicos. Quinze minutos e a rua estava abarrotada de policiais e ambulância. Por sorte o carro havia conseguido frear a tempo, mas Anabelle apresentava escoriações grandes nos joelhos — por ter se arrastado no asfalto — nas mãos e algumas contusões pelo corpo.
Mas o que preocupava mais os médicos, era sua cabeça. Fisicamente, alem dos machucados, sua anemia estava pior, no entanto, o que preocupava os homens de branco era sua mente. Tive que explicar o que andava acontecendo com Belle e o porque de sua anemia ter piorado. Na melhor das hipóteses ela estava com uma grave depressão, na pior, minha Irma era assolada pela síndrome do pânico.
Estávamos esperando ela acordar para perguntar o que havia acontecido, mas pela expressão dos médicos após a gritaria que ela fez quando Matt se aproximou, o veredicto estava dado.
Suspirei passando a mão por suas costas, tentando acalma lá. Matt estava lá fora tentando falar com a minha mãe, ou meu pai, já que eu e ele éramos menor de idade, não podíamos assinar os documentos necessários. Aos poucos os braços de Belle foram afrouxando o aperto em mim, e quando ela me soltou, aconcheguei seu corpo de volta ao travesseiro. Haviam dado remédio para ela dormir, e pelo jeito, a medicação já fazia efeito.
Me levantei e cruzei os braços. Estava preocupada, limpei as lagrimas do rosto de Belle e sai do quarto, caminhei ate a recepção e encontrei Matt tomando um copo d'água encostado a parede. Sem dizer nada, abracei sua cintura, encostando a cabeça em seu peito e fechando os olhos, suspirei cansada. Logo os braços de Matt — cobertos pelo moletom que ele usava — me circundaram e me apertaram, me esquentando e confortando.
— Conseguiu falar com a minha mãe? — perguntei com a voz abafada pelo tecido.
— Consegui, ela já esta vindo... — respondeu passando a mão pelo meu cabelo. — a Belle dormiu?
— Uhum... — o apertei mais, e Matt em resposta me abraçou mais forte ainda.
— Srta. Harley? — chamou uma voz experiente. Me soltei dos braços de Matt e olhei para direção que me chamavam. Um homem, devia estar na casa dos cinquenta, com cabelos grisalhos e olhos claros por de trás das lentes do óculos, segurava uma prancheta — o prontuário — e olhava para mim.
— Si... Sim? — gaguejei por estar com medo das notícias que ele trazia... Matt acariciou meus braços e apertou meu ombro transmitindo segurança. Levei minha mão ate a dele em meu ombro e a segurei.
— O responsável por vocês duas, já esta a caminho? — perguntou olhando algo em seus papeis.
— Já, minha mãe já esta vindo... — apertei a mão de Matt e perguntei — aconteceu alguma coisa?
— Sinto em informar, mas sua irmã se encaixa no quadro da síndrome, e precisamos saber se sua mãe ira optar por interna-lá em alguma clinica ou fazer acompanhamento em casa... — esclareceu, lagrimas encheram meus olhos mas as segurei.
— Qual... Qual a indicação? — perguntei tentando raciocinar em meio ao meu próprio pânico, sabia que minha mãe não teria condições de pensar direito no assunto.
– Os psicólogos do hospital ainda não avaliaram sua irmã, mas assim que o fizerem, direi qual tratamento é mais indicado. — colocou o prontuário no balcão — quando sua mãe chegar, peça as enfermeiras para me avisarem, tudo bem? — assenti e ele se retirou.
Me virei para Matt e o abracei de novo, ficando na ponta dos pés e passando os braços envolta de seu pescoço, Matt se curvou um pouco e puxou minha cintura para mais perto, apertando meu corpo contra o próprio.
— E então doutor? — perguntou minha mãe se levantando da cadeira que usava desde que chegara. Mamãe estava destruída, seus olhos inchados pelo choro e as mãos tremiam tentando arrumar o cabelo. Papai não viera, estava em NY em negócios, e eu agradecia por isso.
— Os psicólogos já conversaram um pouco com Anabelle... — suspirou e ajeitou os óculos — eles indicam a internação por alguns dias, mas não é muito necessário, a senhora pode optar por leva lá para casa sem grandes problemas. — concluiu.
— Mas caso ela vá para casa — comecei dando um passo a frente — quais medidas teríamos que tomar?
— O básico, não deixar ela sozinha, controlar a alimentação e a dosagem dos remédios... Saber como lidar com ela quando os surtos surgirem. Se vocês forem levar Anabelle para casa, explicaremos tudo.
Troquei um olhar com mamãe e ela sabia que eu era a favor de levar Ana para casa, por experiência própria sabia o quão horrível era se sentir controlada, como se esperassem que você cometesse uma loucura e fosse um perigo para si mesma. Passar por isso em uma clinica cheia de estranhos, devia ser o fim.
Mamãe suspirou e disse que levaríamos Belle para casa, acompanhando o médico para assinar os documentos e pegar as informações necessárias para podermos lidar com Ana em casa. Me sentei ao lado de Matt e ele passou o braço em volta dos meus ombros, me puxando para seu peito e me da do um beijo na têmpora. Abracei sua cintura e esperamos minha mãe voltar. Não demorou muito e Sara veio nos avisar que Belle passaria a noite no hospital, para irmos para casa que qualquer noticia ela nos avisava. Me surpreendeu ao pedir que eu fosse dormir na casa de Matt, para não ficar sozinha em casa. Concordei de qualquer forma e fomos embora.
Me joguei na cama de Matt respira do fundo. Minha mente estava exausta e meu corpo também. Ele estava no andar de baixo ainda, ligando para os meninos para avisar que não sairíamos mais, e contar o que havia acontecido com Belle. Fechei os olhos e comecei a imaginar como seria daqui para frente. Eu e mamãe teríamos que revezar nas saídas, eu provavelmente não poderia mais sair a tarde e teríamos que tirar as trancas do quarto de Belle. Ou talvez eu conseguisse persuadir minha mãe a contratar uma enfermeira para ficar com ela... Bufei e passei a mão no rosto, tentando acalmar meus pensamentos. Senti o colchão se afundar ao meu lado quando Matt sentou na cama e logo eu puxada para seu colo.
— Jimmy e Johnny já tinham saído e provavelmente já estão bêbados em algum lugar, Brian ta vindo pra cá e Zacky também. — me contou, assenti com a cabeça e encostei o ouvido em seu peito, me concentrando nas batidas de seu coração.
Acordei quando o relógio já marcava suas dez horas da noite. Matt havia tirado minha calca jeans e meu moletom e me coberto com seu edredom. me revirei na cama olhando para o banheiro, encontrando tudo escuro no quarto. Suspirei e me levantei, fui ate o corredor e tive que voltar ao quarto após ouvir vozes na sala. Vesti minha calça e desci as escadas, encontrando os três sentados na sala, conversando enquanto um jogo de baseball passava na TV. Assim que meus pés tocaram o chão, a conversa cessou e eles olharam para mim. Sorri fraco para os três e me sentei na poltrona vazia.
— Eai gente... — falei tentando quebrar o silencio.
— Como você ta Mad? — perguntou Zacky estendendo o braço e segurando minha mão.
– To bem Z, o susto já passou... — apertei sua mão sorrindo.
— O Matt já nos contou tudo... — falou.
— Fofoqueiro. — acusei tentando aliviar o clima. Funcionou já que Matt e Zacky riram. Brian continuava quieto olhando para TV. Senti que precisava falar com ele, mas sem os outros por perto... Suspirei e me levantei. — Brian, vem comigo na cozinha? — chamei — acordei com fome... — Brian deu de ombros e se levantou. Matt me olhou com a duvida no olhar, com as mãos sinalizei que depois falaria com ele...
Fomos para cozinha e com preguiça e sem ideias, abri o vidro de cookies e me encostei ao balcão da cozinha. Brian encostou ao meu lado e eu enganchei meu braço ao dele.
— O que foi Syn? — perguntei.
— O que foi o que Mad? — respondeu distraído.
— Você ta estranho, é por causa da Anabelle? — insisti. — sabe, ela ta mal agora, mas ela vai melhorar, os médicos vão dar remédios para ela e todo mundo vai dar o apoio que ela precisa...
— Eu sei, é que... Eu meio que to me sentindo culpado sabe? — confidenciou.
— Como assim Brin? — apertei seu braço — você não tem culpa de nada!
— Será Mad? E se eu tivesse voltado a falar com ela antes, será que ela teria se ligado tanto a esse Sam? E se eu tivesse levado a Michelle para outro lugar? — desabafou — muita coisa poderia ser diferente...
— Brian, — me virei para ele e segurei seu rosto desolado — você não tinha como saber que isso ia acontecer, ninguém imaginava. As suas escolhas foram as melhores opções, na hora em que foram tomadas. Essa consequência não estava em nenhuma das previstas, não se martirize por algo que foge do seu alcance... — pedi.
— Eu vou tentar Mad... — suspirou segurando uma de minhas mãos no rosto e abraçando minha cintura com a outra — mas é foda...
— Eu sei bem, eu também tenho minha cota de "e se" que me faz pensar demais as vezes, mas por favor Brian, — abracei seu pescoço — não se culpe por algo que não tem nada a ver contigo...
Ficamos abraçados um bom tempo, até que Brian respirou fundo e soltou meu corpo, dizendo que era melhor irmos para sala. Sorri para ele e o acompanhei até o cômodo. Zacky e Matt assistiam ao jogo compenetrados e só nos notaram quando me joguei em meio aos dois no sofá. Mas a atenção logo voltou a tela, me fazendo rir um pouco.
La pela meia noite os meninos foram embora, me fazendo prometer que os avisaria sobre as notícias envolvendo Anabelle. Lhes assegurei que diria e assim eles partiram. Matt nos arrastou escada a cima e se jogou na cama. Sorri para ele tirando toda minha roupa, e apenas de calcinha fui procurar sua camiseta que eu usava de pijama. Aproveitei e joguei para ele seu calção de dormir e enquanto ele comentada sobre o jogo fui escovar os dentes — eu tinha minha escova na casa dele, assim como ele tinha uma na minha casa. Terminei e lhe dei espaço para fazer sua higiene pessoal, enquanto penteava o cabelo e lhe contava o que havia ido conversar com Brian.
— Esse Brian é uma bicha mesmo — sentenciou se enfiando de baixo do edredom. Revirei os olhos e me deitei em seus braços.
— Eu entendi o que ele quis dizer Matt... Imagina se no lugar de nos dois termos nos acertado, eu tivesse conhecido um Sam aí e estivesse no lugar da Anabelle... — ele bufou e me apertou nos braços.
— Eu não deixaria você nas mãos de outro... — resmungou.
– Para de ser criança, você entendeu o que eu quis dizer... — ele mostrou a língua e fechou os olhos — mas agora já era, mal feito, feito. — fechei os olhos e apertei o rosto em seu peito. — amanha a gente descobre o que vamos ter que fazer... — Matt grunhiu em concordância e logo caímos no sono...
All right
Sit down and spill your heart
Lets start from the very start
Cause i can see by your eyes
You're wasted
Your energy comes and goes
You taking your time, you know
Nothing can change what happened, you know
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