Notas iniciais
Oi gente! Então, primeiro queria pedir mil desculpas (o nome do capítulo é pura coincidência ok?), eu não pretendia atrasar o capítulo, mas eu esqueci de postar, sério, esqueci completamente! E a Gates tá querendo me matar por isso, mas ok... Boa leitura e não fiquem tão bravas tá?

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But wait

You tell me that you're sorry

Didn't think i'd turn around and say:


Acordei receosa com medo do que enxergaria a minha frente, antes de abrir os olhos resolvi me familiarizar com os tecidos da cama que abrigavam meu corpo, senti minha colônia exalar do travesseiro e conclui estar em casa.

Abri os olhos lentamente com medo do que viria à enxergar, se a realidade me abraçaria ou me entregaria ao mundo ilusório mais uma vez. Corri o teto branco sem pressa e subitamente tornei a olhar a pessoa sentada aos pés de minha cama.

– Você acordou! – segurei a resposta ácida que quis transbordar de minha boca.

– O que está fazendo aqui? – perguntei elevando o corpo me apoiando nos braços.

– Mad precisava conversar com sua mãe, e eu me ofereci para te olhar. – dei de ombros encarando o telescópio e a janela fechada. – Está se sentindo bem? – assenti ainda sem olhá-lo e fechando os olhos novamente.

Concentrei-me em ouvir ruídos distintos, sentir a textura do lençol entre meus dedos e apreciar tudo o que um louco aprecia para não cair em sua própria loucura... Meu plano ocorria bem, até um corpo se arrastar par perto e dar de encontro ao rosto dele perto do meu.

– Não parece tão bem... – resmungou encostando as costas da mão em minha bochecha.

– Não faça isso. – implorei esquivando e segurando o nó em minha garganta.

– O que foi? O que fiz de errado? – perguntou se curvando mais a mim.

– Nada... – arrastei-me para trás tomando um susto quando o mesmo me pegou num abraço.

Seus braços em torno de minha cintura estavam mais leves do que pena, no entanto pareciam me prender mais do que as grades de uma prisão... Tirando meu ar, disparando meu peito, fazendo-me agonizar...

– So-sol-ta... – pedi num sussurro ofegando em busca de ter o ar novamente.

Seus braços amoleceram a minha volta e meu corpo pareceu cair violentamente sobre a cama, agarrei os lençóis em punho fechando os olhos com força. Retorci-me debaixo das cobertas e arqueei o corpo em busca de ar, tomei um impulso para frente e agarrei o corpo rígido tomando o ar em um longo suspiro e sofrendo em regular a respiração enquanto o segurava pela manga da camiseta.

– Fala comigo Ana... Você está bem? – perguntou quando eu ainda tinha os olhos fechados.

– Sim... Só perdi o ar por alguns segundos... Só foi isso. – declarei soltando-o.

– Isso é tudo minha culpa... – murmurou se levantando da cama enquanto eu me deitava novamente e sentia a náusea perturbar meu estômago. – Adiantaria se eu pedisse desculpas? – indagou alheio e no início imaginei que retoricamente, mas depois meu cérebro falho percebeu do que se tratava.

– Você já pediu desculpas uma vez... – sussurrei pondo-me sentada.

– E?

– Não adiantou antes, muito menos agora... – acrescentei pulando para fora e cambaleando em ficar de pé.

– Tem certeza de que está bem? – perguntou preocupado correndo até mim e me amparando segurando meus ombros.

– Na verdade, não. – admiti tapando a boca e correndo para o banheiro onde cai de joelhos no chão em frente a privada e botei a comida que não tinha no estômago para fora.

– Ai Meu Deus! – exclamou quase que surtando e agarrando os cabelos entre as mãos.

Senti sua presença adentrar no banheiro, e os sintomas que pareciam nulos aumentaram, senti as mãos começarem na sudorese e mais uma vez a garganta fechar perdendo meu ar. Voltei a por mais o que não tinha para fora e depois apoiei as mãos no chão quase perdendo os sentidos.

– Vai embora! – pedi soltando uma das últimas lufadas de ar. – Chame a Mad! – fiz o segundo pedido perdendo o ar de vez.

Minha cabeça pendia, dando cada vez mais sinais de que mais algum segundo sem ar e eu estaria desmaiada... Ouvi vários gritos fortes e grossos de Brian pedindo socorro e percebendo que o mesmo não chegaria ele correu até mim e amparou minhas costas antes que eu tombasse na inconsciência.

Logo estava em seu colo, minhas costas em seu peito e minha cabeça apoiada no ombro largo de lá podia ver o começo de sua bochecha e os olhos atentos em me ajudar.

– Vamos lá, você sabe que consegue vencer isso. – agarrei o tecido de sua calça lutando por receber ar e tendo o medo preencher meus poros encostando pensamentos mortíferos em minha cabeça. – Respire comigo... – pediu sussurrando em meu ouvido e apoiando as mãos em minha cintura.

Seu peito inflou atrás de mim e eu fiz o mesmo não recebendo ar de início, depois o senti murchar e repetindo o mesmo movimento, na terceira vez em que o fez recebi oxigênio e o glorifiquei por estar ali comigo. Continuamos ali, ele me acalmando fazendo com que o ar fluísse em meus pulmões, e eu tendo suas mãos entrelaçadas as minhas soltando o aperto a cada segundo em que minha respiração se normalizava.

– Eu estou com você... – murmurou em meu ouvido fazendo meus pelos eriçarem, assenti tomando força e virando meu corpo de lado deixando que ele me pegasse no colo.

Fui depositada sobre a cama, onde ele tomou a liberdade se aconchegando ao meu lado de forma que pudesse acariciar meus cabelos. Ouvi passos urgentes se aproximando e logo Mad e mamãe estavam na porta do quarto apavoradas e surpresas.

– O que aconteceu aqui? – perguntaram em coro.

– Ela teve uma crise, eu acho, não sei... Mas já está melhor agora, não é? – perguntou sorrindo para mim e assenti levemente.

– Como? Como isso é possível? – indagava mamãe indignada.

– De qualquer forma, preciso ir agora meu pai quer “conversar” comigo. – senti seus lábios pousarem timidamente em minha testa. – Fica bem... – disse baixinho entre meus cabelos e se despedindo das duas saiu.

– O que aconteceu Belle? – perguntou minha irmã sentando no espaço vago da cama e pegando minha mão entre a sua.

– O mesmo de sempre. – respondi trocando olhares entre as duas.

– Mas está bem agora certo? – balancei a cabeça positivamente para Sara que retorcia as mãos preocupada comigo.

– Então o que acha de descer um pouco? Os meninos estão ai. – dei de ombros. – Vamos, vai ser legal! – exclamava animada a morena tentando me alegrar com um dos seus sorrisos.

– Que tal outro dia? Estou cansada... – menti murchando seu sorriso e fazendo as duas saírem dizendo que voltariam para trazer meu jantar.

Assim que a porta foi encostada sai da cama e fui em direção a janela, abrindo-a e inflando os pulmões com a brisa fresca que de lá entrava. Posicionei o telescópio da melhor forma e pus-me a procurar as constelações... Longos minutos foram gastos ali.

Quando me cansei arranquei um livro de debaixo da cama e iniciei a leitura em uma das investigações de Sherlock Holmes... Já passava da página 30 quando ouvi barulhos vindo de fora. Escondi o livro e fingi estar dormindo, não queria jantar...

– Sei que não está dormindo Bellinda! – sussurrou Jimmy em meu ouvido e contragosto o encarei má por estragar meu disfarce. – Precisa treinar mais isso, o gordo pode te ensinar ele vive fingindo que está dormindo pra escapar da bronca dos pais. – ouvi a risada sonora de todos e virei os olhos.

Sentei na cama observando o amontoado de gente em meu quarto, Mad segurava um prato nas mãos e conclui ser minha comida, ela se aproximou e me presenteou com o mesmo.

– Vai comer ou prefere que eu te de na boca? – perguntou fingindo estar brava e eu enfiei o primeiro pedaço de carne na boca metodicamente.

– Como está se sentindo Belle? – perguntou Johnny se jogando no chão junto de Zacky.

– Bem. – respondi brevemente sem dar atenção a piada que Rev contava.

Todos tomaram posse do meu quarto vigiando-me enquanto eu fazia toda a comida descer, tentando me incluir em assuntos que eu repelia com breves respostas, e mesmo depois de acabar com todo o prato continuaram ali batendo papo, rindo e tentando de forma inútil me fazer rir também.

Não era tão tarde quando Mad os expulsou dizendo que tinha que conversar algo importante com mamãe e não me confiava a um bando de delinquentes. Todos se despediram brevemente, temendo por me assustar com um contato maior.

A casa ficou silenciosa e aguardei mais uns minutos no quarto inquieta pelo assunto que tanto mamãe e minha irmã discutiam. Tomei coragem suficiente e resolvi ir a sala ver do que se tratava.

– Nós podemos fazer entrevistas com várias até achar a certa. – dizia Mad enquanto eu escutava tudo ainda no corredor.

– Não sei se isso é necessário, eu posso parar por um tempo para cuidar dela. – debatia mamãe aflita.

– Mas e depois quando você voltar ao trabalho? O doutor disse que o tratamento é difícil, devíamos ter uma enfermeira... – ela tentava compelir mamãe e então adentrei no local, as duas tornaram-se surpresas.

– Pensei que não sairia mais da cama hoje. – afirmou a mulher tentando disfarçar a conversa que já tinha ouvido.

– Você se importaria se contratássemos uma enfermeira? – perguntou Mad deliberadamente.

– Tanto faz... – as duas se entreolharam confusas, talvez esperando por minha atitude de tempos atrás, onde eu explodiria e sairia gritando aos quatro ventos.

– Tanto faz? – perguntou mamãe desconfiada.

– Façam o que acham melhor. – dei às costas, concluindo que o assunto que tratavam não era de meu interesse.

Em menos de minutos voltei ao quarto pegando o livro do Sherlock de debaixo do travesseiro e voltando à leitura... Era bom que eu tivesse a saga de investigações, pois meu nível de psicose era alto e os livros eram o único refúgio que tinha para minha alma perturbada, e para meus pensamentos inertes em Sam.

Pois não era mais preciso mencionar o quanto ele sempre estava presente em minha mente... Sempre, e sempre.

It's too late to apologize

It's too late



Notas finais
E então? Gostaram? Esse é um dos capítulos que me afeta um pouco... Não sei se vai afetar vocês também kkkkk
Veejo vocês nos reviews, aliás, leio todos e amo cada um deles, obrigada pelo carinho de todas vocês!
Beijos da Shadows! ;*
p.s música do OneRepublic *-*