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I declare I don't care no more

I'm burning up and out growing bored

Estávamos surpresas pela facilidade com que Belle tinha aceitado a enfermeira. Olhei para mamãe e dei de ombros a sua pergunta muda. Não entendia o que tinha acontecido com Anabelle, talvez tivesse se cansado de lutar contra tudo e todos e tomado consciência de que fazíamos de tudo para o bem dela. Minha cabeça doía de leve então avisei que ia dormir, já estava tarde de qualquer forma.

Adentrei meu quarto sentindo meus ombros pesarem. Estava cansada de tudo e de todos. Queria um tempo, sozinha, sem pensamentos ou qualquer outro tipo de problema. Tirei minha roupa e peguei uma camisola confortável, não queria dormir com nenhuma blusa de Matt, queria me sentir um pouco a Mad apenas. Tomei um banho longo e deixei algumas lagrimas para trás ao sair do Box. Vesti-me e ao deitar na cama me perdi em pensamentos olhando para a janela fechada. Em algum ponto entre xingar o fato de ter escola no dia seguinte e imaginando como seria a vida daqui uns anos, acabei dormindo.

Remexi-me na cama e acabei despertando. Mirei o relógio e ainda eram cinco e meia da manhã. A escola era as oito apenas... Mas sabia que não ia dormir mais. Fiquei enrolando na cama até às seis da manhã, quando resolvi me levantar e me trocar. Vesti uma calça jeans e meu tênis, coloquei uma camiseta do Green Day penteei o cabelo e vesti uma jaqueta por cima. Joguei a mochila nas costas e desci para cozinha. A casa estava embargada no silencio, assim fui até a cozinha e peguei uma maçã e tomei um copo grande de água. Sai de casa e olhei para a casa de Matthew, ele ia encher o saco por eu não ter esperado ele, mas precisava de uns segundos, sozinha. Sai caminhando sem rumo certo.

Atravessava a rua da casa de Jimmy quando um corpo conhecido me chamou a atenção. Johnny cambaleava sentido a sua casa e não me aguentei, empurrei seu ombro e ele se virou para mim rindo, obviamente bêbado.

– Epa Mad! – sorriu e passou o braço pelos meus ombros – caiu da cama?

– Cai Jojo... – segurei sua mão que estava no meu ombro – o que você fazia na casa do Jimmy à uma hora dessas?

– A gente tava bebendo e fumando cara... Ai ele resolveu parar na casa dele pra ver a iguana e os pais dele acordaram e começaram a fazer um escândalo por ele ter sumido e não ter avisado por dias onde estava... – contou tateando os bolsos achou um maço de cigarros e colocou um entre os lábios – enfim, o deixei lá falando que ta morando na lavanderia... – riu e acendeu o cigarro – tava indo tomar banho e dormir... E você, de mochila já, cadê o Matt? – arguiu.

– O Matt ainda deve tá dormindo... Acordei cedo e decidi dar uma volta antes de ir pra escola, coisa que você não planejava fazer... – belisquei seu abdômen e ele riu concordando.

– Se eu te deixar sozinha o Matt me mata, vamos dar a sua volta, depois eu vou pra casa... – apertou meus ombros e eu passei o braço por sua cintura.

– Como nos velhos tempos? – perguntei com uma sobrancelha levantada.

– Só não vai se agarrar com estranhos Mad, por favor... – pediu me arrancando gargalhadas.

Caminhamos em direção à praia por um tempo e quando chegamos à orla, nos sentamos num banco, apreciando o amanhecer, algumas pessoas corriam pela praia, na pegada saudável, eu e Johnny riamos delassentado em nosso estado sedentário eterno. La pelas sete horas Johnny se levantou e foi atrás de uma garrafa de vinho, e voltou comemorando com uma dança tosca. Sentou-se ao meu lado e começamos a cantar velhas canções.

No final da garrafa Johnny tinha voltado ao estado bêbado e eu estava alta, rindo dele tentando fazer uma estrelinha na areia. Johnny caiu de costas na areia e não me aguentei, corri e pulei em cima dele. Rolamos na areia e rimos. Um carro passou com o som alto e com isso minha mente deu um estalo. Levantei-me num pulo e ri da cara de Johnny.

– Fodeu Jojo. — segurei minha barriga e ri mais – o Matt vai xingar muito cara... – cambaleei até o banco e peguei minha mochila. – vamos pra escola... – me levantei rindo e cai sentada.

– Nem fodendo, vamos beber mais Mad! – olhou no relógio – você já perdeu a primeira aula, vamos beber mais e no intervalo a gente entra! – olhei para ele por alguns segundos e mandei um foda-se a Matthew e a escola, pulei e segurei seu braço, gritando para irmos logo.

Caminhemos em direção à escola e paramos em um bar algumas esquinas antes do colégio. Sentei-me em um banco alto e Johnny se sentou ao meu lado, pedindo duas doses de vodca. Não demorou e logo a bebida estava em nossas mãos. Viramos juntos os copos e assim se seguiu, até que ouvimos de longe o som do sinal da escola, anunciando o intervalo. Joguei-me do banco e segurando a mochila corri em direção à escola, Johnny no meu encalço.

Contornamos a escola e chegamos à parte baixa do muro, joguei minha mochila e subindo nos ombros de Johnny, subi no muro. Sentei-me com uma perna de cada lado da parede e dei a mão para ele, o ajudando a subir. Caímos do outro lado do muro, rindo, a queda amortecida pela bebida. Coloquei a mochila no ombro e seguimos de braços dados rindo.

Caminhamos pelo pátio e não demorou a acharmos os meninos, mas Matt tinha a cara fechada, por isso achei melhor não ir falar com ele no momento, escondendo meu rosto com a mochila e rindo para Johnny. Seguia para o banheiro quando trombei com alguém. Olhei para frente e fiz uma careta quando dei de cara com Valary.

– Madson! Você esta bêbada? – levantou uma sobrancelha quando olhei para Johnny e caímos na risada – Matt esta te procurando igual a um louco vai falar com ele... – e saiu andando em direção aos meninos. Deixei a mochila cair e larguei os ombros.

– Fodeu Johnny, estamos fodidos mano... – e ri alto quando ele respondeu que não tinha namorado pra se preocupar com isso. – seu cú, se eu me foder, você vai junto. – segurei seu braço e o arrastei para onde Matt e os outros já tinham nos enxergado. Sorri amarelo para Matt e perguntei se estava tudo bem.

– Onde você estava Madson? – perguntou Matt se destacando da roda e segurando meu braço.

– Eu tava dando uma volta... – segurei seu braço e encostei a cabeça no seu ombro – e achei o Johnny – apontei para o mesmo que estava sentado na pequena mureta, rindo – e ficamos bêbados, fim! – sorri e cai na risada com Johnny. Matt bufou e começou a me arrastar para longe de todos. Mandei um beijo para eles que riram de mim.

Matt continuou a me arrastar até o banheiro feminino. Entrou nele comigo sem cerimônia, fazendo algumas garotas gritarem surpresas e saírem do recinto.

– Que isso amor... Estamos na escola. – ri me sentando em cima da pia do banheiro, deixando minha mochila cair no chão.

– Não acredito que você ta bêbada... – resmungou abrindo a torneira e passando água no meu rosto. Ri e lambi sua mão. Matt revirou os olhos e olhou meu cabelo – você rolou na areia? – assenti rindo e Matt fez uma careta, me mandando olhar para o teto. Fiz o que ele pediu e ele bateu meu cabelo, fazendo um pouco da areia cair.

Deixei que ele lavasse meu rosto, tirasse a areia da minha cabeça, arrumasse minha blusa e por fim saímos do banheiro. O sinal batia e vários alunos começavam a caminhar para suas salas, Matt me acompanhou até a minha e pediu para que eu o esperasse na hora da saída, sentada em minha carteira. Ri do exagero dele e lhe dei um selinho. Fui para minha carteira e sentei, rindo quando algumas pessoas me olhavam desconfiadas.

Não demorou dez minutos e eu desmaiei na carteira, dormindo o resto da manhã. Acordei sendo cutucada, virei o rosto e dei de cara com Matt segurando minha mochila e a dele. Sorri para ele e levantei a cabeça, sentindo o mundo girar. Fiz uma careta e me levantei, segurando em seu braço.

– To com sono ainda Matt... – reclamei enquanto ele nos dirigia ao seu carro.

– Pode dormir, eu vou cuidar de você... – sorriu e me deu um beijo na testa. Sentei no carro e voltei a dormir.

Acordei quase no final da tarde, ouvindo a voz de Matt e Brian conversando. Concheguei-me no braço que me rodeava, sabendo que era Matt e abri os olhos, olhando para Brian.

– A bêbada acordou... – brincou Brian. Mostrei o dedo do meio pra ele sorrindo. Levantei-me na cama e dei um selinho em Matt e me encostei-me à cabeceira da cama, espreguiçando.

– Que invasão é essa gente? – perguntei com a voz grogue.

– Passei pra ver como a Belle tava, mas ela ta dormindo... – explicou Brian – e o Matt tava aqui, tomando conta de você, fiquei para fazer companhia e tirar com a sua cara. – mostrou a língua.

– Tirar com a minha cara? – me levantei cambaleante da cama – como se eu tivesse feito algo errado... – me tranquei no banheiro e escovei os dentes, lavei o rosto e penteei o cabelo. Fiz xixi e após lavar a mão sai de volta para o quarto. – vou me trocar, fecha os olhos Brian. – ele riu e colocou a mão na frente dos olhos. – não espia hein, Matt... Fica de olho. – Matt piscou e riu. Fui até o armário e peguei um short de malha e uma camiseta. Tirei a calça e a camiseta que ainda abrigavam meu corpo e os coloquei. Prendi o cabelo em um coque solto e me sentei ao lado de Matt na cama novamente. Passei a mão nos olhos e perguntei para Brian há quanto tempo ele tinha ido ver Belle.

– Não faz muito tempo... Acho que ela tinha acabado de tomar os remédios, por isso estava dormindo. Sua mãe estava lá, velando o sono dela e nem viu o Matt entrando com você no colo... – fiz uma careta e murmurei um graças a Deus.

– E depois nós dois vamos conversar Madson... Sério. – alertou Matt, fiz uma careta para ele e voltei para Brian.

– Agora me conta Syn, como você acalmou a Belle ontem à noite? – perguntei curiosa.

– Ah... – coçou a cabeça – eu a abracei e ela entro em crise, vomitou e pediu pra te chamar... Ai quando eu percebi que ela não estava respirando eu pensei em ajudar ela. Mas tipo, respiração boca a boca não parecia que ia funcionar... – deu um sorriso sacana com a própria piada, joguei meu travesseiro nele – to brincando, sei lá cara! Agi por instinto, a coloquei com o peito no meu e fui respirando com calma, até ela conseguir fazer como eu fazia... – explicou. Suspirei e me aconcheguei em Matt novamente – você não parece preocupada... – apontou levantando uma sobrancelha. Dei de ombros e desviei o assunto perguntando que horas eram.

Saltei da cama e aleguei estar com fome, já que não tinha comido nada o dia inteiro. Eles me acompanharam para a cozinha e Brian foi embora, alegando que o pai queria ajuda com alguma coisa que não me importava. Preparava um lanche rápido para mim e perguntei se Matt queria, após sua negação comecei a ficar preocupada com o que ele queria conversar.

Terminei de preparar minha comida e junto a um copo de coca o chamei para irmos a varanda. Sentei-me nela e Matt se sentou ao meu lado. Dei algumas mordidas no lanche em silencio e logo quebrei a quietude:

– Que foi? – perguntei olhando para ele.

– Eu quem te pergunto... O que aconteceu hoje? – retrucou cruzando os braços.

– Eu acho que já te contei o que aconteceu... – resmunguei dando outra mordida no lanche.

– Por que você saiu pra dar uma volta e não me chamou? – insistiu.

– Sei lá, queria um momento, sozinha... – dei de ombros.

– Mas acabou achando o Johnny... – levantou uma sobrancelha.

– E decidi curtir um pouco com o meu amigo nada de mais... – dei de ombros novamente. Matt bufou e eu olhei para ele.

– Mad... Você esta estranha, fala comigo, por favor? – pediu passando os braços pela minha cintura. Tomei a coca e olhei para seu rosto.

– Eu to cansada Matt... Cansada desse drama da Anabelle, cansada da escola, cansada... – dei de ombros e por fim me encostei-me a seu peito – queria ser criança de novo, quando o ponto alto do dia era o horário dos desenhos. – Matt me apertou contra seu corpo e por um momento era como se o peso nos meus ombros fosse dividido.

– Eu queria poder consertar tudo por você Mad... Mas as coisas vão além do meu alcance... – murmurou contra meu ouvido.

– Eu sei Matt... Mas só de você estar aqui, já ajuda muito... – segurei seu braço e apertei a bochecha em seu peito.

Ficamos em silencio um bom tempo, apenas ouvindo a respiração um do outro... Por mim o momento poderia ser eterno, minha mente em branco e meu corpo relaxado contra o corpo do meu namorado... Mas nem tudo que é bom, dura pra sempre...



Apathy has rained on me

Now I'm feeling like a soggy dream

So close to drowning but

I don't mind I've lived inside this mental cave

Throw my emotions in the grave

Hell, who needs them anyway