Notas iniciais
Eaaai gente beleza? Ainda não respondi os reviews do último capítulo que postei, mas vou responder prometo! Só isso por hoje e to com preguiça de colocar a letra da música... Boa leitura!

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Levantei alheia a situação e fitei Matthew andando até nós. Madson estava estacada no lugar, Zacky segurava o cigarro entre os dedos, deixando-o queimar.

– Querem uma carona? – perguntou perto da guia.

– Sim! – respondi ao mesmo tempo em que o “Não” de Mad soou.

– Sim ou não? – esboçou um sorriso enquanto Zacky ainda se paralisava com a situação.

– Vamos Z. – pedi enlaçando seu braço e o guiando para o carro, Mad acabou indo também.

Os garotos foram na frente e eu e Mad no banco de trás, pedi que Matt trocasse de estação de rádio umas cinco vezes até que o mesmo desistiu desligando e deixando o silêncio nos rodear novamente até chegarmos a escola.

Desci apressada do carro e fui até os garotos que estavam apoiados no portão do colégio.

– Oi gente. – abanei a mão no ar com um sorriso estampado no rosto.

– Está animada hoje Bellinha! – comentou Jimmy e eu fiz careta para o mesmo.

– Cadê a Mad? – perguntou Brian ignorando minha presença.

– Ela deve estar vindo com o... Zacky? – indaguei quando o vi parado ao meu lado. – A Mad não saiu do carro contigo? – ele fez que não com a cabeça.

– Acho que o ogro ouviu o anão. – Rev disse abraçando Johnny que estava ao seu lado e bagunçando os cabelos do menor.

Logo o sinal tocou e nós nos embrenhamos para dentro, cada um para sua sala. O dia lá fora parecia bom para se matar aula... Uma pena que havia pensado nisso tarde demais. Fiz questão de me martirizar mentalmente por não matar a maldita aula, durante as duas aulas de matemática.

Quando enfim o sinal do primeiro intervalo bateu e eu fui obrigada a correr para o pátio sendo uma das primeiras a chegar à fila da cantina. Acabei comprando chocolate e refrigerante, meu humor estava ótimo, mas era hora de melhorá-lo com açúcar.

– To preocupada, a Mad desapareceu. – murmurei e dei uma dentada no chocolate.

– Relaxa, ela tá com o Matthew. – assegurou-me Jimmy que enfiava um cachorro quente goela abaixo.

– E você Syn o que acha? Tem alguma ideia de onde eles possam ter ido? – perguntei na esperança de engatar um assunto e quebrar a tensão que insistia pairar sobre nossas cabeças.

– O que eu acho? Olha pra minha cara de quem tá interessado em alguma palavra que você diz. – arregalei os olhos surpresa com sua resposta.

O jeito rude e que magoava era empregado em cada nova conversa que eu tentava manter com o mesmo. Era como se minha presença o incomodasse, como se meu cheiro fosse repugnante, como se ele tivesse tão enojado que seria capaz de vomitar em cima de mim.

Os meninos agiam naturalmente, como se já tivessem premeditado essa reação dele. Após ser respondida mal pela terceira ou quarta vez, avisei aos outros que iria ao banheiro e segui para os muros de trás da escola .

Joguei primeiro a mochila para o outro lado, depois, com esforço me joguei caindo na grama fofa. Levantei batendo a mão na roupa tirando as folhas presas em minha calça e segui para a calçada próxima.

Alguma coisa pesava e gritava dentro de mim, querendo sair, querendo amenizar a dor de qualquer jeito. A verdade é que pela primeira vez eu recebia respostas como aquelas de Brian, pela primeira vez meu coração doía fraco com as pontadas de amargura que o atingiam.

Andei por muito tempo até parar em frente ao bar, onde numa recaída profunda acabei entrando e comprando uma garrafa de bebida qualquer. Eu queria libertar os demônios que estavam sugando minha alma, e bêbada faria isso melhor.

Com a garrafa já na metade eu circulava pelas ruas feito um alcoólatra deplorável. Mas ainda assim meu cérebro conciliava nomes de ruas, fazendo-me parar em frente a casa de Jimmy. Deitei no gramado do quintal e acabei com a garrafa.

– O que você tá fazendo aqui chaveirinho? – perguntou Jimmy chutando meus pés, levantei um pouco a cabeça para encará-lo e senti tudo rodar.

– Traz mais disso aqui Jimmy. – levantei a garrafa para ele e logo a mesma foi tirada da minha mão.

– Andou bebendo? Porra Ana pensei que você não iria fazer mais isso. – brigou comigo enquanto eu tentava levantar, e bêbada como estava acabei caindo de joelhos no chão.

– Não bebi não... – resmunguei acompanhando minha voz de uma risada sonora enquanto sentia meus sentidos dispersarem-se.

– Vem cá... Eu vou te ajudar. – disse e me pegou pelos braços, escorei-me em sua cintura enquanto o mesmo me levava para dentro.

– Cadê o Brian? – perguntei com a vista turva enquanto ele me depositava no sofá macio.

– Então essa porra toda é por causa dele? Se você for se embebedar por cada merda que o Brian fizer vai acabar no A.A.A. – ri de seu comentário.

– Você não vai deixar eles me levarem pro A.A.A né Jimmy? – pedi manhosa abraçando-o.

– Não, não deixo. – senti meu estômago embrulhar trazendo o ácido em minha garganta.

– Não to bem... Acho que eu vou... – não consegui terminar a frase, apenas virando a cabeça de lado e vomitando no chão.

– Vou trazer o Haner pra limpar essa merda com a língua! Filha da puta! – exclamava Rev irritado puxando-me pelo braço.

– Tá bravo comigo? – indaguei chorosa deixando as lágrimas caírem enquanto ele me arrastava para o banheiro.

– Não Bellinha, não to. – admitiu tirando meus tênis e me colocando debaixo da água fria que caia do chuveiro.

– AAAAH! Que porra gelada! – esbravejei lutando para sair dali, mas Jimmy me segurou com os braços longos.

– É nisso que dá ficar bêbada... Pode ter certeza, eu sei como esses banhos gelados são ruins. – comentou saindo do box e pegando uma toalha para se secar.

Entregou-me a mesma toalha quando eu sai do chuveiro. Sequei, ou pelo menos, tentei me secar com ela e deixei que ele me guiasse para seu quarto, repousando meu corpo encharcado na cama de lençóis desarrumados.

– Tenta dormir agora ok? – pediu me deixando a sós.

Rolei pela cama molhando todos os lençóis e travesseiros. Fechei os olhos tentando dormir, tentando relaxar, mas meu corpo todo clamava por adrenalina... Assim, levantei calcei meus tênis.

Passei pela sala onde Jimmy virou o pescoço para encarar meu corpo cambaleante que insistia em querer sair e explorar o mundo a fora.

– Aonde você vai louca? – perguntou sem sair do lugar.

– Vou sair... Preciso espairecer. – respondi tentando manter a voz num nível sóbrio.

– Você tá bem pra isso? – era quase impossível mentir para os olhos profundos, mas na verdade eu me sentia bem.

– Sim!

– Bem bêbada quer dizer né? – foi impossível não ser atacada por uma risada profunda com sua pergunta. – Você quer sair certo? Então faz assim, vamos esperar o Matt me ligar então nós vamos para o ensaio juntos, pode ser? – perguntou me persuadindo, ele sempre foi bom nisso.

– Tá bom! – concordei e fui sentar ao seu lado.

– Você podia trocar suas roupas né? Tá toda molhada. – resmungou me empurrando para fora do sofá.

– E que roupa eu vou por? – perguntei entrando em sua frente.

– Sei lá, procura alguma coisa no meu armário... – virei para sair e no meio do caminho enrosquei-me me minhas próprias pernas caindo no chão.

– Pega lá pra mim. – pedi com a voz embargada pela bebida novamente e ele rindo saltou do sofá.

Enquanto eu tentava me por de pé novamente, Jimmy voltou com uma camiseta enorme nas mãos e me deu para que eu a vestisse.

– Você consegue se vestir sozinha certo? – perguntou me colocando para o banheiro.

– Acho que sim.

Tirei a blusa molhada e sentei na privada tentando arrancar a calça. O tecido molhado parecia estar preso em minha pele, fazendo com que eu demorasse horas até finalmente arrancar o jeans de minhas pernas. Fiquei apenas com as ligeries molhadas e vesti a camiseta grande que batia em meus joelhos.

– Rev, to com fome. – eu parecia um bebê aninhado em seu colo, enquanto o mesmo assistia ao canal de esportes.

– Vou ver se tem algo pra comer ok? – assenti e deixei que ele saísse.

Tomei a liberdade de pegar o controle e trocar para o canal de filmes, um casal romântico preencheu a tela da tv e eu me compeli em assisti-los. Felicidade alheia era a única capaz de me preencher no momento.

– Trouxe salgadinho pode ser? Af, você tá de brincadeira que vai me obrigar a assistir isso né? – perguntou se sentando ao meu lado e jogando o saco de besteiras para cima de mim.

– Por favor Rev... – pedi com a voz já recuperada, mas o nível de sanidade ainda pairando pelo ar.

– Tá bom, tá bom.

Com ele convencido a assistir o romance comigo, enterrei meus problemas em cada salgadinho que descia goela abaixo. Tínhamos pegado o filme pela metade e o final triste obrigou-me a chorar e ser consolada por Jimmy que chorava também. Eu parecia uma garota se recuperando de um relacionamento recém-terminado e ele um gay sentimental.

Em meio a tantas lágrimas eu finalmente adormeci, com os dedos sujos de salgadinho, o choro grudado em meu rosto e o suporte de Rev ao meu lado.



Notas finais
Música do Capital Inicial, só pra deixar claro, vejo vocês nos reviews! Beeeeijos