Notas iniciais
Priiiimeiro de tudo, mil perdões pelo atraso, to consumida pela escola e acho que vou ter média vermelha esse bimestre... Mas tudo bem, ignorem essa parte ok? Amo bastante esse capítulo, e sei la sabe, acho que vocês vão gostar um pouquinho... ~le eu dando risada com segundas intenções KKK
fantasia do povo, cliquem nos links ai *-* :
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I can't run anymore,

I fall before you,

Here I am,

I have nothing left,

Though I've tried to forget,

You're all that I am

– Ana! – ouvi a voz de Johnny chamar do outro lado da porta, terminava de esfumaçar a sombra verde nos olhos.

– Pode entrar! – exclamei alto e ouvi a porta abrir, estava virada para o espelho e não vi sua aparência.

Continuava centrada em minha própria maquiagem, os olhos rodeados por uma mancha roxa intensa, o côncavo sombreado de preto e verde para dar a aparência “morta”, além do pó de arroz que deixava minha pele em três tonalidades mais branca e o batom vinho.

Virei encontrando Jojo me mirando com os olhos, ele usava uma fantasia de gnomo e o sangue sintético o manchando provocava arrepios...

– Vim deixar o sangue. – ergueu a sacolinha com o conteúdo.

– Ok, já estou acabando... Você quer esperar aqui? – perguntei ainda com uma ponta de esperança.

– Pode ser. – admitiu esboçando um breve sorriso.

Peguei o sangue e com cuidado espalhei pela barriga, depois parte dos braços, no colo, e ombros. Apoiei a perna na cama e espalhei o conteúdo pela coxa esquerda, repeti o mesmo processo com a direita.

– E então o que você andou fazendo esses tempos? – perguntou o “gnomo” tentando arranjar assunto.

– Hum... – pensei por um momento se deveria revelar minha rotina monótona. – Escola, Sam, Casa. – disse pausadamente cada uma das palavras e ele deu uma risada rouca.

– Deve ser bem chato. – murmurou olhando para as paredes brancas com detalhes em vermelhos de meu quarto.

– Com o tempo você acostuma. – admiti prendendo as ligas nas meias recém vestidas.

Com certeza “acostumar” era um verbo constante em minha mente.

O primeiro mês foi o mais difícil, a dor chegava quase a alucinar, mas só quase, afinal eu nunca fui tão depressiva a ponto de deixar me consumir pela “dor”. Acho que o que mais doía, e ainda incomoda de fato, eram os olhares frios de Brian.

De vez em quando eu o observava quietinha, no meu canto, contemplava seu sorriso e amaldiçoava Michelle por estar ao seu lado... De vez em quando o olhar dele descobria o meu e me prendia na imensidão castanha por segundos intermináveis. E mais ainda de vez em quando, eu o pegava me olhando, com aqueles olhos frios e sem emoção, era quase como se ele tivesse pena de mim... Como se depois de tudo o único sentimento que havia restado era rancor, tanto rancor que chegava a me corroer por dentro.

No segundo mês eu aprendi a tolerar melhor os olhares e tentar me concentrar na felicidade que Sam poderia me proporcionar, ele sempre prestativo, carinhoso e me animando quando eu parecia para baixo. Afinal, depois de eu tê-lo escolhido dez passos à frente foram dados em nossa relação.

E enfim o verbo “acostumar” apossou-se em minha vida. Acostumei-me com a dor que assolava minha alma todas as manhãs e todas as noites, acostumei-me com os olhares desertos, acostumei-me a sentir falta... Acabei tão acostumada que aos poucos fui voltando ao normal, deixando as mechas vermelhas desbotarem e aposentando os coturnos velhos.

De repente era eu mesma de novo, ou melhor, era metade de eu mesma, pois o resto de minha essência estava entre aqueles que eu mais sentia falta.

– E então Jojo o que você acha? – perguntei vestindo a regata furada por cima do top de taxas, ele fez com o dedo para que eu rodasse.

– Uma gata! – disse por fim e se levantou, sorri pra ele.

Seguimos para o quarto de Mad, parei me encostando ao batente da porta um tanto envergonhada com os olhares voltados para mim...

– Realmente, acabou de sair da sepultura... – disse Matt provocando uma risada curta de minha irmã que estava em seu colo.

– Eu acho que tá gata! – reafirmou Johnny provocando-me um sorriso.

Brian voltou a olhar através da janela, Zacky virou o rosto para qualquer canto e Jimmy abriu um sorriso largo dando um gole na bebida que estava em suas mãos.

– Já que todo mundo está pronto, vamos logo para a festa! – Mad deu um pulo ultrapassando a porta do quarto e eu fui logo atrás dela.

Jimmy se jogou para o carro de Matt no banco de trás, acompanhado por Johnny e Zacky, se eles pensavam que eu entraria no carro do Haner estavam enganados.

– Zacky você se importa de ir com o Syn? – pedi baixinho e ele me olhou revirando os olhos.

– Importo sim! – reclamou birrento dando a entender de que dali não sairia.

– Jojo? – pedi ao garoto do meio que encarava tudo alheio, ele cederia seu lugar para mim se Zacky não tivesse o espremido contra Jimmy.

– Ok seus putos eu vou com o Gates, pode ficar no meu lugar Bellinha. – Jimmy saiu do carro, lhe lancei um olhar de gratidão e ocupei seu lugar no banco acolchoado.

Os primeiros minutos no carro permaneci em silêncio apenas rindo de alguma piada de Jojo, ou comentário de Matt. Mas isso não durou muito após Zacky me oferecer sua cerveja, senti o ambiente agradável e comecei a me enturmar com eles.

Johnny deu-se a liberdade de sair do carro apoiando seu peso em meus ombros, ri com o gesto íntimo e nos dirigi para a entrada da casa, Brian pôs os pés na porta ao mesmo tempo em que eu, nos olhamos rapidamente até enfim adentrarmos na casa.


2 horas depois...

O rock banhava todos os ambientes da casa, ora pesado e com letras que não davam para ser entendidas por conta dos gritos guturais, ora sujo e intenso com letras provocantes e que remetiam ao sexo...

Mad rebolava nos quadris de Matt enquanto o mesmo puxava os cabelos dela para trás mordendo sem clemência seu pescoço. Jimmy brincava de malabarismo com três garrafas de cerveja vazias num canto, Johnny subia para algum quarto com sua segunda da noite. Zachary dançava em cima de uma mesa abrindo lentamente os botões da camisa, como num strippe enquanto garotas pulavam a sua volta e Brian... bem esse devia estar agarrado a Michelle em algum canto.

Provavelmente ele esperava que eu fizesse algo de imprudente e agarrasse qualquer bêbado da festa para quem sabe ele pudesse fazer seu escândalo... Mas eu não faria isso, já estava acostumada a vê-lo com a prostituta de aplique falso e felizmente não me afetava tanto com isso, não ao ponto de me embebedar.

Ainda estava com a mesma garrafa de cerveja na mão desde que havia chegado e observava a festa de uma vista privilegiada, sentada em cima de uma mesa num canto não muito frequentado. Cruzei as pernas e preparei-me para mais um acesso de risos quando Jimmy arrancou Zacky de cima da mesa, impedindo-o de tirar a camisa.

– SEU GORDO! TA A FIM DE CEGAR AS GAROTAS? – ele berrava feito uma gralha e segurava o outro pelas golas da camisa semiaberta.

– SOLTA MINHA CAMISA PÉ GRANDE, VOLTA PRO SEU SHOW DE MALABARISMO! – ralhou Baker pulando para trás e foi surpreendido por um abraço do grandão.

– Se sabe que eu te amo né veado? Vem cá, vamos fazer um show pras gatas! – e logo os dois estavam em cima da mesa, Jimmy dançava de um modo escroto e Zacky passava a mão pelo corpo tentando “seduzir” os que estavam a sua volta.

Gargalhei com a cena, mas a mesma gargalhada que saiu sonora engasgou em minha garganta quando virei a cabeça em direção ao casal mais “selvagem” da festa.

Matt tinha se afastado um pouco de minha irmã observando-a dançar agachando e levantando em movimentos repetitivos, e uma roda de tarados abriu-se em volta dela, observei o namorado possessivo enraivecer com a situação.

E tudo se intensificou quando um engraçadinho a puxou pelo braço e sussurrou algo em seu ouvido... No mesmo instante Matt a jogou para trás de seu corpo e avançou para o garoto que estremeceu em sua frente. Como num passe de mágica, Brian logo estava ao seu lado esfregando o punho fechado numa das mãos, pronto para a briga.

Pulei da mesa não raciocinando direito, joguei a garrafa que possuía nas mãos em qualquer canto e passei feito um furacão pelas pessoas que já abriam uma roda para a briga, peguei Brian pelo braço e comecei a arrastá-lo para trás... Senti a tinta azul desbotar em minha mão por conta do suor que pinicava em sua pele.

– QUE PORRA... – ele disse quando o soltei deixando suas costas bater na parede mais próxima. – SAI DA MINHA FRENTE ANABELLE!

Só então me dei conta do que estava fazendo, eu segurava, ou pelo menos tentava segurar Brian contra a parede e ele me empurrava, tentando ser gentil para trás, mas infelizmente não conseguia, pois a raiva exalava de seu corpo.

– Oh... Desculpe, eu não... – afastei-me dele dando grandes passos para trás e encarando os olhos vermelhos.

– O que você estava tentando fazer? – perguntou mais controlado e eu corri os olhos para os lados, procurando uma resposta.

– Eu não sei... Eu só. Esquece Syn. – virei às costas para ele enfiando-me entre os corpos e indo para a escada.

Subi os primeiros três degraus e parei refletindo sobre os minutos recentes... Afinal o que eu estava fazendo? Fugindo de Brian? Não, isso não era digno de uma Harley se fazer. Girei nos calcanhares e comecei a voltar em passos decididos para onde ele estava.

O encontrei estático no mesmo lugar em que eu o havia deixado.

– Quer saber o que eu estava tentando fazer? Estava evitando que você se machucasse, é Brian Haner por incrível que pareça eu ainda me preocupo com você! É apesar de eu ser a retardada que escolheu o “cenoura”, que trocou os amigos por um único garoto, ainda assim eu me importo com você! Eu penso em você, eu sofro com sua falta... E sei muito bem que eu fui uma idio... – ele não me deixou terminar prendendo meus braços em suas mãos azuis.

– Por que você o escolheu hein Belle? Por quê? – perguntou depressivamente próximo ao meu rosto.

– Eu nunca o escolhi de verdade... –admiti amargamente.

– Não foi o que pareceu naquele dia. – rebateu afrouxando a mão de meus braços.

– Mad nunca te disse como eu sou uma boa atriz né? – seus olhos se arregalaram e fui apertada novamente.

– Eu te odeio sabia? Você fica por ai, torturando meus pensamentos, passando à tarde com o Sam, fazendo parte da vida de um traficante! Eu odeio me preocupar com você, O-D-E-I-O! Você escutou? Escutou bem? EU TE ODEIO ANABELLE! – suas palavras atingiam feito faca meu peito, tentei me soltar inutilmente dele enquanto o mesmo me balançava para frente e para trás.

Lágrimas marejaram meus olhos, lágrimas acumuladas há três meses, lágrimas que eu não permitia nunca sair...

Inesperadamente seus lábios colaram-se aos meus e a primeira lágrima vazou, suas mãos antes seguras em meus braços passaram para minha cintura e me uniram mais com seu corpo.

Abri passagem para sua língua finalmente experimentando do gosto do beijo, uma dor perfurante atingia meu estômago e meu cérebro poderia explodir pelo êxtase que era liberado pelas correntes nervosas de meu corpo.

Sua língua enrolava-se na minha lentamente, numa doce e esperada tortura... Cravei as unhas em sua nuca azul e aprofundei o beijo, logo depois arranhando os ombros nus.

“EU TE ODEIO ANABELLE”

A frase gritou em meu cérebro e eu o empurrei para trás nos separando.

– NUNCA MAIS FAÇA ISSO BRIAN! VOCÊ MESMO ACABOU DE DIZER QUE ME ODEIA, APROVEITE DE SEU ÓDIO E ESQUEÇA QUE EU EXISTO... – virei-me saindo, mas brava do jeito que estava e com o rosto inundado por lágrimas voltei para ele raivosa. – DEPOIS AINDA VEM ME PERGUNTAR POR QUE EU ESCOLHI SAM, SIMPLES ELE NUNCA ME MAGOARIA, NUNCA FARIA O QUE VOCÊ FEZ!

Sai correndo sem rumo empurrando as pessoas que respondiam resmungando, tinha sido um erro ir a essa festa, tinha sido um grande erro corresponder ao beijo do azulado... Tudo nessa noite tinha sido um grande erro.

I can't run anymore,

I give myself to you,

I'm sorry,

I'm sorry,

In all my bitterness,

I ignored,

All that's real and true,

All I need is you

Notas finais
Bom então meninas, é isso, espero que gostem, aos poucos estou respondendo os reviews do capítulo "Anejo", mas espero vocês nesse! Ansiosamente... AUSHUAHS Quero muitos comentários viu!
beeeeeeeijos
p.s. música do evanescence, escutem,é linda... dá pra chorar rios AUSHAUSHUAHSUAS