Notas iniciais
Eaí minhas pequenas Erasetes? Como estamos?
Queria dizer WELCOME TO THE FUCKING FAMILY aos novos leitores aos quais ainda não se apresentaram, EU TO DE OLHO.
E por falar nisso, cadê vocês? Estamos de mal por acaso?
Venham falar comigo demonios, eu juro que não mordo - se vocês não pedirem né.
Enfim, ao capítulo.
Música do Good Charlotte

\"\"


These people are freakin me out (these days)

It's getting hectic everywhere that I go

They won't leave me alone

Eu estava revoltada, puta da vida. Ela tinha mesmo chamado Matt de delinquente? E ela achava mesmo que eu não ia sair de casa só por que ela queria? Bufei sentada na minha cama e olhei para o lado, Anabelle dormia profundamente. Minha cabeça estava doendo por causa da ressaca, assim me enfiei no banheiro e tomei um remédio com a água do chuveiro. O recado de Matt ainda estava no espelho, meio borrado, mas ainda estava lá... contornei as letras com os dedos e fui tomar banho, o cheiro de cadeia estava me irritando profundamente.


Tomei um banho longo, aproveitei para passar um hidratante a mais no cabelo e tive que me esfregar com a esponja várias vezes até tirar a areia do corpo. Enquanto via a água cair do chuveiro comecei a divagar, não era justo eu ficar de castigo por causa de Anabelle, assim como não havia sido justo todos nós ficarmos presos e Sam ter escapado, e o pior, ela nem havia ficado puta com o cenourão. Anabelle estava tirando com a minha cara em níveis estratosféricos. Bufei e desliguei o chuveiro, puxando minha toalha e enrolando meu corpo.


Fui para o quarto e coloquei uma calça de moletom preta e folgada e uma blusa de mangas comprida azul escura. Tirei o excesso de água do cabelo e o penteei. Sentei-me na janela e fiquei olhando a rua, o carro dos pais de Matt não estava na garagem, eles deviam ter ido buscar ele... Matt estava puto também, preocupado principalmente com o carro dele, eu o entendia e depois iria pedir desculpas pelo meu escândalo na prisão, não que eu me importasse... mas para evitar conflitos desnecessários... suspirei e peguei um livro que eu estava lendo, de vampiros. Voltei a me sentar na janela e já me perdia na quinta pagina virada quando dois carros pararam em frente à casa de Matthew.


Matt desceu de seu carro e bateu a porta com força, deixando clara sua irritação. Sua mãe foi andando na frente e entrou em casa, seu pai ficou para trás e eles começaram a discutir algo, seu pai virou as costas e entrou na casa, Matt passou a mão pela cabeça e apoiou os dois braços no carro quando levantou a cabeça olhou para minha janela. Mordi o lábio e me virei para a janela, a vontade de saltar dela e correr até onde ele estava me corroendo. Matt jogou um beijo para mim e foi para casa.


Funguei e joguei o livro longe, sentindo o ódio me corroer por dentro por não poder sair de casa e ir até ele, falar que tudo ia ficar bem e o abraçar. Sai da janela tentando me conter de cometer uma loucura. Deitei na cama e liguei a TV, tentando me distrair com o filme antigo que passava, mas quando a mocinha começou a chorar por causa de amor, desliguei a TV e resolvi dormir...


Acordei quando já anoitecia. Espreguicei-me sentindo a coluna estralar. Minha mão estava dormente, pois havia dormido em cima dela, minha boca estava com gosto ruim e meu cabelo bagunçado. Arrastei-me até o banheiro e lavei o rosto, escovei os dentes e penteei o cabelo, fiz uma careta para o meu reflexo, estava branca feito papel e meu cabelo extremamente ondulado por eu ter dormido com ele molhado. O recado de Matt havia sido apagado do espelho e eu tentei ignorar o fato. Desci as escadas e Anabelle estava deitada na sala assistindo TV, minha mãe sentada ao seu lado. Olhei para elas e contendo a vontade de gritar para que elas sumissem fui para a cozinha.


Fucei na cozinha atrás de algo doce, mas sem sucesso me empenhei em fazer algum bolo, e o irônico foi que os ingredientes escolhidos me levaram a uma saborosa receita de bolo de cenoura. Piquei a cenoura com raiva e força, fazendo alguns pedaços voarem para o chão. Ouvi minha mãe gritar que era para eu arrumar a cozinha depois de terminar, mandei ela para o inferno baixinho e continuei a fazer a massa.


Após colocá-la no forno, subi para meu quarto, me deparando com Anabelle no computador – quase inutilizado – do quarto. Ela ouvia musica online e jogava paciência, batendo os dedos na escrivaninha.


– Amanhã eu não vou pra escola, já to avisando pra você não me esperar pra ir. – avisei me jogando na cama.

– Já imaginava isso... não sei ainda o que vou fazer, mas não acho que vá ficar por lá também. – comentou virando na cadeira para me olhar.

– Você sabe que do que depender de mim o seu amigo vai levar a maior surra da vida dele. – olhei para seus olhos, friamente.

– Eu sei disso Madson, e não vou deixar que os meninos batam em Sam. – avisou cruzando os braços.

– Ah! Claro, esqueci que você é a perfeita mulher de traficante, apanha por ele e ainda sim corre abanando o rabo atrás. – me sentei do lado da cama e cruzei os braços – Me diz Anabelle, quando foi que você perdeu a dignidade?

– Na mesma esquina em que você vendeu a sua para o Sanders. – respondeu ferina. Levantei uma sobrancelha.

– Bom, pelo menos ele é meu namorado, me protege e não trafica. – dei de ombros e levantei – Você devia pensar bem em tudo que ainda vai passar ficando com aquele cara, tem certeza que o que sente é o bastante? Ótimo, fique com ele, mas faça isso longe para não levar mais ninguém no meio da confusão. – disse e sai do quarto, indo verificar o bolo.


Não queria voltar para o quarto, então esperei na cozinha mais um tempo, até que pudesse abrir o forno. Fiz a cobertura enquanto isso e lia uma revista quando o telefone tocou. Atendi a ele e sentei no balcão da cozinha, sentindo o coração disparar, era Matt.


– Mad?

– Oi amor... – enrolei o fio do telefone no dedo.

– Tudo bem com você? – perguntou com a voz baixa.

– Não... queria tá contigo... – funguei – e com você?

– Não também... além de não tá contigo, meu pai ta querendo me deixar sem o carro... – resmungou.

– E a sua mãe? – perguntei Kim sempre ficava do lado dele.

– Ela acha que é exagero, porque ela acreditou no que eu disse, que a culpa não foi nossa da briga toda...

– Minha mãe nem quis ouvir o que aconteceu... você não tem noção como eu to puta com ela Matt, minha vontade é sair daqui e nunca mais voltar. – Matt riu baixinho e tive que sorrir.

– Quer fugir comigo Madson?

– A hora que você quiser... – murmurei ainda sorrindo.

– Certo, amanhã a gente vai dar uma volta, espairecer certo? – prometeu.

– Ta bom, eu te espero em frente de casa pode ser? – perguntei.

– Vou estar lá te esperando... Eu te amo Mad... – confessou.

– Eu também te amo Matt...


Esperei Matt desligar e sai do balcão, suspirando e indo tirar o bolo do forno... desenformei o bolo e o cobri com a cobertura de chocolate, e sem esperar esfriar cortei uma fatia enorme, raspei a panela da cobertura e coloquei o resto no prato, enchi um copo gigante com coca cola gelada e fui para sala, minha mãe estava lá mas ignorei sua presença. Sentei no chão e peguei o controle remoto, mudando de canal.


– Madson eu estava assistindo.

– Falou certo, estava. – comentei cortando um pedaço grande do bolo e colocando na boca.

– Onde foi que eu errei na sua educação?

– Quando transou com meu pai sem camisinha, é. – assenti com a cabeça e continuei olhando para a TV ouvindo seu suspirar cansado.

– Madson, volta no canal que eu estava assistindo. – pediu.

– Não — me virei para trás. –, além de me manter trancada nesse inferno você ainda quer escolher o que eu vou assistir? Na boa, até na China as pessoas tem mais liberdade.

– Na China as pessoas não ligam para mãe para serem tiradas da cadeia. – resmungou.

– Sabe mãe, você é puta injusta. – me levantei com meu copo e meu prato – Você devia perguntar para Anabelle atrás de quem os caras que armaram a confusão estavam, e perguntar por que a gente entrou na briga, antes de ficar me acusando de coisas que eu não fiz. – sai da sala e fui comer no quintal.


Já havia anoitecido, de modo que pude observar as estrelas. Depois de me matar comendo o bolo e virar quase toda a coca para não queimar a boca, me deitei no gramado e fiquei observando as estrelas.

Perdi-me procurando as três Marias, e depois o cruzeiro do sul... um tempo depois já viajava tentando achar o sorriso de Matt entre as constelações, os olhos hipnotizantes de Zacky, o cabelo louco de Jimmy e a guitarra de Brian... fechei os olhos e deixei o vento levar meus pensamentos até os meninos... amanhã seria um dia cheio.


I just wanna live

Don't really care about the things that they say

Don't really care about what happens to me

I just wanna live