Notas iniciais
Hey! Tudo bem com vocês? Então gente, seguinte a fic está de capa nova gostaria que dessem uma olhadinha... E este capítulo é especial em comemoração aos 800 reviews! Pois é, chegamos a esse número e só podemos agradecer a cada leitora que deixa seu comentário aqui! E lá vem a história...

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Have we gotten crazy?

Or all fucked up in our own ways?

It's time to open your eyes

It seems so blind and jaded

Just because we're not the same

We're getting used to the lies

No exato momento em que desliguei o computador mamãe apareceu na porta, provavelmente para anunciar que já era hora de eu dormir. Levantei vagarosamente e andei até ela sem esboçar expressão.

– É eu sei “Hora de ir pra cama”, você devia fazer o mesmo. – ironizei dando as costas a ela e indo para a cama.

– Não Anabelle, eu quero conversar com você. – “F-o-d-e-u” foi o único pensamento que veio em minha cabeça.

– Fala. – pedi me virando para a estátua em minha frente.

– Primeiro, eu quero saber de quem “os caras”, como sua irmã disse, estavam atrás, segundo por que os garotos entraram na briga. – então minha querida e fodida irmã tinha contado para a velha.

– Não você não quer saber, segundo, não sei do que você tá falando. – virei para a cama de novo apossando o travesseiro em minhas mãos e o afofando.

–Anabelle Harley pare de bancar a inocente! – bufei atirando o travesseiro longe, meu cérebro poderia explodir com a pressão que a raiva fazia.

– Você realmente quer saber mamãe? – perguntei desafiadoramente olhando-a por cima dos ombros.

– Estou esperando... –respondeu ríspida e eu me virei num sobressalto.

– Lá vai: eles estavam atrás do Sam, sabe por quê? Por que o Sam era traficante, sim ele era, saiu dessa vida há alguns meses... Mas por infortúnio do destino ainda está endividado com os caras da outra região. Satisfeita? – ela me olhava perplexa e mantinha a mão pressionada contra o peito. – E antes que a senhora venha me dizer que eu nunca mais o verei, e tentar me afastar dele, já te digo, nada que você faça vai me impedir! Todos já tentaram e não foram capazes! Não gaste seu tempo desesperada com minha segurança, estou mais segura com Sam do que com qualquer outro. – os olhos caramelo dela estavam marejados e ela agarrava um punhado das madeixas acaju entre os dedos.

– O que eu fiz para merecer tanta ingratidão? – murmurou olhando para o teto enquanto uma lágrima grossa delineava o rosto oval. – Se você pensa que pode fazer o que bem entende está enganada dona Anabelle! Ou a senhorita entra nos eixos ou eu te mando para a casa de seu pai! – ela vociferou já recuperada da melancolia.

– Experimente me mandar para a casa do velho. – desafiei arqueando uma das sobrancelhas.

– Você está me desafiando? – perguntou chocada e eu joguei a cabeça para trás com um sorriso cínico nos lábios.

– É o que parece? – ela deu dois passos para frente com os punhos cerrados.

– Como pode ter apenas 12 anos e já me desafiar desse jeito... – murmurou mais para si mesma. – Ninguém me desafia desse jeito!

Num movimente inesperado ela me arrastou pelo braço até o canto do quarto, num lugar onde eu não pudesse fugir e começou a distribuir tapas em minhas pernas, não permitia chorar com a ardência das pancadas. Mas tomei coragem e força suficiente para empurrar a descontrolada para trás.

– Sai do meu quarto. – pedi escorregando na parede e enfiando a cabeça entre os joelhos, pude ver a sanidade lhe voltar quando seus olhos me miraram desamparados.

– Oh meu Deus Belle! – ela exclamou andando até mim e eu joguei a cabeça para cima cuspindo as palavras.

– Sai daqui agora! SAIA! – gritei vendo seu rosto empalidecer vi também a silhueta de Mad aparecer pela porta.

– O que está acontecendo? – perguntou minha irmã confusa enquanto eu voltava a enfiar a cabeça entre os joelhos.

– Tira ela do quarto. – pedi baixinho sentindo a respiração quente bater em minhas coxas.

Ouvi a porta ser encostada e dentro de alguns minutos alguém se agachou em minha frente.

– Belle, o que aconteceu? – recuperando o último fio de ironia que me restava antes de desabar completamente a encarei com um sorriso no rosto.

– Você ainda pergunta? Quem foi que mandou a velha vir conversar comigo hein? – semicerrei as sobrancelhas.

– Mas o que? Han? – ela realmente não entendia.

– Isso explica sua falta de neurônios querida? – apontei para minha perna marcada com palmadas, ela abriu a boca em um “O”. – Agora o que eu menos preciso é da sua compaixão, quanto menos eu tiver que encarar essa sua cara escrota melhor para mim!

Levantei sem esperar que ela retrucasse e segui para o banheiro me trancando dentro do cubículo de azulejos. Não tive coragem de me olhar no espelho, arranquei as roupas numa agilidade sobre-humana, um tanto agressiva, e enfiei o corpo debaixo da água gelada.

Os pingos congelantes pareciam rasgar minha pele, apoiei a cabeça na parede atrás de mim reprimindo as lágrimas que se formavam nas bordas dos olhos, algumas escaparam, mas outras eu afastei com pensamentos mortíferos de como arrancar a cabeça de Madson.

Sai do box quando meus dedos passavam da fase enrugada para quase “derretimento” tinha perdido a conta de quantas horas permaneci debaixo da água fria. Enrolei o corpo na toalha e ao abrir a porta encontrei o quarto estranhamente silencioso.

Andei até armário retirando cegamente uma calcinha e uma roupa que eu esperava ser um pijama de lá de dentro, joguei a toalha molhada no chão, desliguei a luz do banheiro e fui para cama com o cabelo pingando em água.

O dia amanheceu frio, frio e sem nuvens... Previsão para dia ruim. Pois em Huntington Beach quando o dia amanhecia sem ao menos um raio de sol, era significado de que seria um dia de maus acontecimentos.

Empurrei-me para fora da cama encontrando a de Mad já arrumada, segui para o banheiro fiz minha higiene e trancei os cabelos lateralmente. Voltei-me em busca de uma roupa decente. Soquei qualquer material na mochila escolar e sai de casa com um pacote de salgadinho nas mãos, fui comendo pelo caminho.

...

– Não estava a fim de ir para a escola hoje. – murmurou Sam em meus ouvidos, logo depois passando o braço por meus ombros.

Após cinco minutos convencendo-o de que estava bem e lhe ocultando detalhes sobre a briga com mamãe seguimos para o caminho da escola.

– Certo, e aonde você quer ir? – perguntei diminuindo o compasso.

– Parque? – propôs inspirando profundamente.

– Pode ser. – assenti e mudamos de rota, o parque não era tão distante.

Sam passou minha mochila por seus ombros, alegando que eu era muito pequena para carregar tanto peso, seguimos o trajeto de mãos dadas tentando encontrar quaisquer minutos de paz no caos das ruas com engarrafamentos.

– Eu adoro esse cheiro de terra úmida. – comentou o garoto ao meu lado assim que pusemos o pé nas gramas do local.

– Eu prefiro o cheiro dos eucaliptos ali do outro lado. – apontei para a outra extremidade e ele me lançou um sorriso grande.

– Vamos até lá. – não tive tempo para protestos já que sua mão logo me puxava para atravessar o parque.

Permitia igualar minha velocidade a de Sam que corria divertido pela extensão do caminho, mas tomei uma parada brusca quando vi um grupo conhecido se movimentando até nós, meu sorriso desapareceu.

Sam parou ao meu lado também, porém não tão intimidado quanto eu, ele mantinha-se firme com o peito estufado, feito um leão protegendo seu bando.

– Encontramos o cagão! – exclamou Jimmy girando o conteúdo da garrafa com um sorriso brincando nos lábios.

– Como vai cenourão? Ainda com as calças borradas por ter se assustado com os seus amiguinhos do luau? – perguntou Brian num tom extremamente irônico.

– Que bom que te encontramos, precisamos acertar as contas... – disse Matt lançando o olhar maligno por debaixo dos óculos escuros, ao seu lado estava Mad.

Não pude deixar de notar na roupa dele, extremamente bonito, usava uma camiseta preta com alguma estampa sem importância uma jaqueta preta por cima, calça escura e boné... A cor preta definitivamente não se tornava monótona nele.

Mad vestia-se de calças cargo, agasalho preto, óculos de sol, e tênis adidas... Não compreendia o porquê do uso do óculos de sol, talvez ela estivesse tentando imitar o charme do namorado, mas não estava conseguindo.

– Você realmente achou que nós ficaríamos enjaulados por sua causa e não teria troco? – perguntou Syn extremamente rude e com a voz entrecortada pelo ódio

– Troco? Não vai ter troco nenhum! – finalmente os olhos do moreno encontraram os meus, num olhar frio e ao mesmo tempo intenso.

– O que você anda tomando em Anabelle? Só pode estar consumindo alguma droga desse traficante de merda! Porra você podia ter se ferido naquela merda de briga e continua a defender o idiota! – sua face enrubescia raivosa e eu me esquivava para trás sentindo o peso de suas palavras. – Não importa. Nós vamos quebrar a cara do “foguinho”, e se você não quiser ver saia daqui! – ele deu dois passos a frente e eu me coloquei entre seu corpo e o de Sam.

– Eu não vou sair! – exclamei quase num grito.

– Ana, deixe que eu resolva isso. — pediu o ruivo atrás de mim jogando meu corpo para o lado e avançando um passo em frente a Brian.

– Agora sim uma atitude de homem! – comemorou Matt pondo lenha na fogueira.

– Você não vai relar um dedo nele! – dei de encontro com meu corpo ao de Syn.

– AH É? Por que Aninha? Se eu relar o que você vai fazer? Jogar purpurina para acabar com a briga? Ou melhor, usar seu pó mágico para concertar o nariz estourado que eu vou deixar na cara do merdinha? – era irreconhecível o garoto em minha frente.

– Basta perder minha amizade? – indaguei puxando o ar tomando coragem em terminar de dizer o resto. – Pois rele um dedo nele e você perderá! – seus olhos diminuíram quase que se apertando, ele engoliu em seco e sem gentilezas me jogou para o lado.

– Que seja. – avançou feito um tigre e eu estufei os pulmões tentando evitar uma tragédia.

– CHEGA! – gritei tomando a atenção dos dois que se preparavam para golpes sangrentos. – Ninguém vai brigar mais! – agarrei Sam pelo braço e comecei a arrastá-lo.

– Eu não vou deixar você ir com ele Ana! – brigou Brian segurando meu pulso.

– Você não tem o que deixar Haner! Eu faço as minhas escolhas e eu escolhi Sam. – meu coração rasgava-se em minha própria afirmação eu acabava de ferir o garoto mais incrível do mundo e provavelmente meus amigos que estavam atrás também.

Sua mão escorregou e eu evitei que ele percebesse meus olhos marejados quando voltei a arrastar Sam para longe. Não me importava que tivesse acabado de pronunciar palavras que me fariam arrepender no futuro, por enquanto eu só queria proteger Sam.

Get lost, get lost, get lost inside yourself

You're just the fool I thought you'd be


Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim! Como disse, a fic está de capa nova, olhem e comentem, gostaria de ter conseguido deixar a capa num tamanho maior... Porém não foi possível ;/
Por enquanto é isso, beijos e nos vemos nos reviews!