Erase This
104 I Don't Want To Miss A Thing
Notas iniciais
Boa Leitura!
Fechei o livro frustrada, eu lia 20 páginas de todas só prestava atenção em duas, parte minha ainda se culpava por não ir ao bar do Johnny, Brian tinha sido insistente quando passei à tarde em sua casa. E bom, a outra parte era Sam em minha mente, presente num tempo constante.
Os meses que se passaram no meu eterno castigo de passar os ensaios com os meninos não tinha sido tão torturante como eu imaginava que seria, eles me distraíam e por minutos eu podia ser eu mesma, sem pensamentos que te deixam para baixo. E além do mais, não tinha tido nenhuma crise durante esses meses o que era um bom sinal.
A verdade é que a cada dia eu me tornava mais obsessiva pelo ruivo, parecia que como se sentir sua falta não bastasse, em todos os detalhes eu encontrava um pouco dele. Por incrível que pareça eu gostaria de voltar ao primeiro mês, onde só havia uma dor grande e inexplicável e não agora com todas essas manias para se lembra. O ar me lembrava seu cheiro, no medalhão pendurado em meu pescoço reluzia seu sorriso e a aliança ainda em meu dedo só aumentava as características dele em mim. Eu tinha muito do ruivo em mim mesma e só havia percebido isso agora quando ele já se tinha ido.
Balancei a cabeça me livrando ou pelo menos tentando me livrar de minha pequena obsessão, levantei deixando o livro de lado e parando em frente ao espelho verificando minha roupa, continuei com a blusa que mostrava parte da barriga e apenas troquei de shorts, calcei os tênis quadriculados e tampei o cabelo descuidado com um gorro rosa. Beijei o colar em meu pescoço como se estivesse fazendo isso por Sam, como se pudesse ouvir sua voz me dizendo “Siga em frente”.
Para segui com meu plano precisaria fugir, afinal, mamãe não me deixaria sair sem ter a nova enfermeira ao lado. A propósito, ela era legal, seu nome Sandra tinha origens latinas e Jimmy vivia dando em cima da mesma dizendo que suas curvas eram “suculentas”, escroto, mas fazer o que, faz parte do grandão ser assim. Ela não era velha beirava aos 33 anos, mas muito bem conservada aparentava uns 27.
Corri para o quarto de Mad, sua janela era minha única escapatória e sem pausa para respirar me lancei para fora caindo nos arbustos e quase me esquecendo de como a sensação dos galhos arranhando a pele era ruim.
As ruas estavam vazias e num clima de começo de verão que deixava tudo mais agradável... A escuridão me amedrontava, porém assegurei-me de que tudo estava bem e tentei não pensar na hipótese de ter uma das crises no meio do caminho. Depois que adquiri minha nova “doença” passei a caminhar rápido, e sozinha, bem, sozinha eu quase corria, não era medo, agora era mais costume mesmo. Logo estava perto da praia e de longe avistei o grupo, ou melhor, uma figura de cabelos pretos sobre saltos vermelhos.
Mad gesticulava avançando na direção de uma garota que não intimidada retribuía se impondo também, meus passos diminuíram quando assisti o primeiro tapa ser transferido por minha irmã. A outra cambaleou para trás e caiu sentada no chão, aproveitando disso Mad subiu sobre sua cintura e iniciou uma série de socos e chutes, o problema era que ela estava de saia, assim quando a outra tentava se desvencilhar acabava levantando a saia da morena deixando Matt insatisfeito, tão bravo que conseguiu arrancá-la de cima da outra. Corri até a confusão.
Mad se debatia feito um cão de briga nos braços do namorado e não satisfeita arrancou o sapato o arremessando na cabeça da garota que ainda se recuperava e recebeu o salto no meio da testa, desnorteada foi amparada por duas outras meninas.
- VOCÊ É LOUCA? PARTIR PRA BRIGA DE SAIA? – gritava o ogro chacoalhando-a e eu tentando apaziguar a briga puxei minha irmã de seus braços.
- O que aconteceu? – perguntei pacientemente mantendo-a presa pelo braço.
- Aquela puta começou a dar em cima do Matt. – bufou irritada se remexendo e eu a soltei ri um pouco.
- Pelo jeito você deu uma lição nela. – ela assentiu sorrindo sadicamente.
“CADÊ A VADIA QUE BATEU NA MINHA PRIMA?”
Viramos a cabeça encontrando o dono da voz, um garoto forte que trazia mais cinco consigo ele procurava com os olhos Mad talvez, mas antes que obtivesse resposta já estava sendo massacrado por Matt e os outros meninos... Eles tinham mexido com as pessoas erradas.
A briga estava formada, Mad gritando para o namorado acabar com o outro e eu respirando ofegante pressentindo a chegada de uma crise... Eu queria gritar, implorar para que parassem e todo esse sentimento aumentou quando um dos garotos do outro grupo caiu no chão com o rosto ensanguentado, a imagem de Sam me veio na cabeça e eu sufoquei o vomito em minha garganta.
Lágrimas silenciosas banhavam meu rosto e com o pouco de força que me restava dei dois passos para trás, ainda extasiada olhando o menino que tinha sangue escorrendo por todos os orifícios. Olhei para minhas mãos, piscando várias vezes e enxergando sangue nelas também, pisquei de novo e o sangue não estava mais lá... As alucinações começavam a me atingir ao mesmo tempo em que vozes gritavam meu nome em meu ouvido gritei junto, porém fui ignorada pelos que continuavam na briga.
Fechei os olhos apagando qualquer situação da mente e usei o exercício que tinha aprendido com Sandra em situações como essas, tapei os ouvidos e respirei profundamente, uma, duas, três vezes... Então eu estava de volta, e pronta para ir embora, se não tivesse visto um moreno conhecido cair no chão com as mãos na barriga... Brian.
Prendi o ar em meus pulmões ainda assimilando a situação e só então corri em sua direção, batendo nos corpos que se esbarravam em mim e não me importando quando um ou outro me jogava no chão sem querer, eu só queria chegar até Brian.
Quando estava próxima, me lancei ao chão machucando um pouco os joelhos e apoiei sua cabeça em minhas pernas, ele ainda estava consciente e quando seus olhos meio tontos me viram um sorriso pequeno brotou em seus lábios.
- Belle. – sussurrou e logo senti seu dedo áspero em minha bochecha, sorri também e o aconcheguei também.
- O que aconteceu? – perguntei alisando seus cabelos e ele ao tentar falar franziu o cenho.
Olhei para sua barriga, na camisa tinha uma mancha vermelha de sangue, afastei sua mão e subi a camisa avistando o corte perto da bacia provavelmente feito por faca meu peito se apertou ao pensar que em perdê-lo. Voltei a olhá-lo.
- Brian, olha pra mim. – pedi quando vi que seu desmaio estava próximo. – Olha pra mim porra! – exclamei um pouco mais alto segurando seu rosto que caia para o lado.
Seus olhos encontraram os meus por poucos segundos antes de se fechar e abrir lentamente mais uma vez, ele parecia num transe, como se tivesse perdendo os sentidos aos poucos.
- Brian, por favor, fica comigo... – pedi acariciando sua bochecha e deixando que minhas lágrimas pingassem em seu rosto sem querer. – Eu não posso te perder também! – chorei mais alto soluçando e assistindo seus olhos fecharem para o sono profundo, o desespero me tomou conta. – Não, não, não... – falei repetidas vezes agarrando o cabelo de sua nuca e chacoalhando-o de leve, antes de chorar mais.
“SOCORRO! SOCORRO!”
Quando mal previ já estava gritando, gritando com todos os pulmões em meio ao choro entrecortado, eu só queria salvá-lo, pois sabia que por hora Brian era a única coisa que me prendia ao mundo... O único motivo que me mantinha sorrindo.
Curiosos se aproximaram e meu pranto ainda era o mesmo pelo moreno que continuava com a cabeça em minhas pernas, senti uma mão deslizar por minhas costas e voz doce sussurrando “Calma, ele vai ficar bem...” essa era Mad, mas nem seu consolo podia cessar minhas lágrimas.
Ao ouvir a sirene de longe pensei em apressá-la para vir mais rápido, os paramédicos logo afastaram os outros, até mesmo eu, oferecendo os primeiros socorros a garoto e logo o colocando na maca. Ouvi algo sobre algum dos presentes irem com ele na ambulância e sem pensar duas vezes fui caminhando para o automóvel. Minha irmã me segurou, mas uma olhada minha já lhe mostrou o quanto eu precisava acompanha-lo.
Durante o trajeto os paramédicos faziam uma trilha sonora ao meu lado conversando sobre o estado de Brian, ora medindo sua pressão, ora verificando suas pupilas, eu apenas continuava meu trabalho ao seu lado, apertando minha mão na sua e rezando para que tudo terminasse bem.
Chegamos ao hospital antes do que os garotos e eu quase acompanhei a maca de Brian pelos corredores se não fosse impedida e encaminhada à recepção, onde aguardei Matt e os outros garotos. Matt apareceu com um corte no supercílio, Jimmy intacto, como sempre, Jojo limpando o sangue que caia do nariz e Zacky mancando resmungando por ter levado um murro na coxa. Abracei-me a Mad que estava sem um dos sapatos e um tanto descabelada.
- E ai, falaram algo sobre o Brian? – perguntaram em coro e eu neguei com a cabeça sendo recebida num abraço de Rev.
- Ele vai ficar bem... Aquele puto parece uma menina apanhando, mas vai ficar bem. – soquei de leve seu abdômen por ter se referido ao amigo como uma menina. – Que foi? Tá se doendo pela putinha? – perguntou em tom irônico e eu lhe mostrei a língua, me soltando e caminhando com Mad para as cadeiras aguardando qualquer notícia.
Depois da morte de Sam eu tinha me tornado mais preocupada com a vida, e qualquer arranhão ou machucado aos que eu mais amava, já se tornava uma grande preocupação para mim... Imagine então Brian hospitalizado? Eu já estava praticamente tendo uma das minhas crises enquanto apertava a mão de Mad na minha quando de repente o médico apareceu.
- Os familiares de do garoto Haner? – me pus de prontidão tendo o pai de Brian ao meu lado. – Ele se encontra estável, o corte não fora profundo, precisamos apenas dar alguns pontos e ele não perdeu muito sangue... Fiquem tranquilos. Porém preferimos que ele passe a noite aqui em observação.
- Podemos vê-lo? – perguntei rapidamente e o médico de meia-idade lançou um sorriso encantador.
- Ele está dormindo, mas eu posso liberar um familiar que quiser passar a noite aqui.
Eu passaria a noite ao lado dele, nem que para isso tivesse que conversar com seu pai e implorar por isso.
- Senhor Haner? – o chamei e ele me olhou, o conduzi para um canto afastado. – O senhor se importaria se eu passasse a noite com o Brian? – perguntei do modo mais ingênuo não deixando que o desespero transbordasse em minha fala.
- Primeiro, pode me chamar de só de Brian... – pediu rindo de leve. – E segundo, bem se sua mãe deixar eu não me importarei. – sorri aliviada.
- Obrigada. – agradeci por mais esse ponto conquistado.
Passei um ou dois minutos no telefone do hospital fingindo que falava com minha mãe, e logo o assegurei de que ela tinha deixado. Mad ainda não sabia disso, mas não seria ela que me impediria de ficar ao lado dele.
- Acabei de saber que você vai passar a noite aqui... – resmungou a morena se apoiando em meu ombro teimando em permanecer com o sapato vermelho em um dos pés.
- E você está pensando em me impedir? – perguntei desafiadoramente apoiando as mãos na cintura.
- Ui... Essa é minha garota! – exclamou transferindo um beijo em minha bochecha, revirei os olhos. – Fica tranquila, te dou cobertura. – ela piscou e saiu andando em direção a Matt que já a chamava ao longe.
- Se o Brian acordar no meio da noite pede camisinha pra enfermeira ok? – sussurrou Jimmy em meu ouvido e eu bati em sua cabeça.
- Para de só pensar merda!
- Tchau Belle! – exclamaram Zacky e Johnny juntos e eu empurrei o gigante para que os seguissem.
- Com licença, é você que passará a noite com o paciente? – perguntou uma simpática enfermeira bonita que tinha os olhos num tom castanho claro e os cabelos cor de mel presos num coque.
- Eu mesma. – retribui seu sorriso.
- Por aqui, vou te mostrar o quarto. – ela acenou com a mão e eu a acompanhei.
No quarto ressonava o anjo de cabelos escuros, mal percebi quando a mulher me deixou a sós com ele. Continuei parada em frente à cama contemplando seus traços e compreendendo que sensação estranha era aquela em meu peito me preenchendo.
Quando tomei os sentidos novamente puxei a pequena poltrona que havia no quarto ao seu lado e ali sentei passando horas observando seu sono, velando seus sonhos e cuidando para que nada o amolasse. De tão perdida em sua fisionomia acabei dormindo também.
...
Acordei sorrindo, não por uma noite de sono perfeita, essa eu não tinha há tempos e a poltrona não era das melhores, mas sim porque fui despertada por um carinho gostoso em meus cabelos. Só então notei que minha cabeça repousava no pequeno espaço livre da cama, que uma das minhas mãos segurava a de Brian e que era ele quem passava os dedos por meus cabelos.
- Ei, você acordou. – murmurou quando me mexi levantando a cabeça e fazendo uma careta quando senti a fisgada no pescoço.
Olhei para o mesmo sorrindo e me joguei por cima de seu corpo o abraçando forte e tendo seus braços me envolvendo também, funguei contra seu pescoço e senti meu corpo tremer ao sentir seus dedos percorrendo minha coluna num carinho singelo.
- Você me assustou porra! – briguei batendo de leve em seu ombro sem me soltar do abraço.
- É bom ter você aqui. – disse ainda respirando em meus cabelos e aos poucos eu o soltei, caminhando para trás.
- Acho melhor eu ligar pro seu pai, e pros garotos... – antes que eu pudesse terminar ele me puxou novamente para a cama me deu espaço para que eu deitasse ao seu lado.
- Fica um pouco comigo? – pediu manhoso e eu apenas assenti aconchegando meu corpo ao seu.
Eu sabia que se a enfermeira ou até mesmo um dos médicos entrassem e vissem a cena provavelmente nos taxaria de pervertidos e me acusaria de perturbar o descanso do paciente... Mas de pouco me importava.
Por mais que eu não quisesse admitir, seu abraço me trazia segurança e pela primeira vez eu me sentia eu mesma depois do “acidente”... Com Brian eu pensava no agora, e o futuro vinha para depois.
Notas finais
Beijos da Shadows!
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