Erase This
36 Bother
Notas iniciais
Boa leitura!
– Alguma ideia para fazermos algo hoje a tarde? – perguntou Sam enterrando o rosto em meus cabelos, ele me abraçava por trás.
Respondia todas as suas perguntas automaticamente, Jimmy não saia de minha cabeça, eu não podia esquecer a forma como ele dizia... Ele deixou bem claro, entrelinhas, de que se alguma coisa acontecesse a mim Sam pagaria, e o ruivo aceitou numa boa, rebatendo, entrelinhas, que nada aconteceria comigo... Como eu adorava Jimmy.
– O que você acha de praia? – perguntou me despertando de qualquer pensamento, assenti enquanto ele desencostava do carro preto e gritava algo para o pessoal.
– Preciso passar da minha casa antes... – pedi enquanto ele me ajudava a entrar na picape.
– Ok, onde você mora? – perguntou já se colocando ao meu lado.
– Em frente à casa do Sanders. – ele deu partida no carro e ligou o som numa rádio desconhecida.
Encostei a cabeça no banco e senti sua mão repousar sobre minha coxa, coloquei a minha mão em cima da dele e o olhei sorrindo, ele retribuiu me mostrando suas covinhas... Matthew... Balancei a cabeça afastando o ogro de meus pensamentos e voltei a olhar pela janela.
Em pouco tempo chegamos em frente a casa e eu hesitei em descer quando vi a garagem de Matthew com a porta totalmente escancarada... Mas afinal, o que tinha de ruim numa briga? Eu adorava...
– Te espero aqui... – ele disse enquanto eu destravava a porta.
– Não, venha comigo, assim você me ajuda a escolher um biquíni. – sorri maliciosamente descendo do carro, e logo ele saiu me acompanhando.
Entramos em casa, e demos de encontro com mamãe no corredor ela me olhou um tanto assustada por não conhecer o garoto.
– Mãe esse é o Sam... – disse antes de puxá-lo para as escadas, deixando a mulher falar sozinha com um sorriso no rosto.
Encostei a porta do quarto, deixei Sam sentado na cama e peguei o biquíni mais próximo de minha mão que estava dentro do armário... Pedi para que ele esperasse um pouco e fui para o banheiro vesti-lo... Terminava de amarrar a parte de cima quando escutei um estrondo vindo do quarto.
Abri a porta do banheiro... Brian encarava Sam com os olhos furiosos e o ruivo não se deixava por baixo encarando o outro com mesma intensidade. Zacky estava logo atrás de Brian seguido por Jimmy, ele também soltava olhares raivosos.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou o moreno quase cuspindo as palavras.
– De que isso te interessa? – levei meus olhos à expressão de Sam, mas não pude identificá-la quando alguém me juntou pelos braços e começou a me balançar no ar.
– PORQUE VOCÊ TROUXE ESSE CARA AQUI ANABELLE? — perguntava Mad me agitando no ar.
– ME SOLTA SUA LOUCA! — exclamei e ela me pôs no chão.
– EU SOU A LOUCA VOCÊ TEM CERTEZA? – perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
– Está agindo feito uma. – disse com naturalidade colocando as mãos na cintura e ela franziu o cenho muito irritada, nossa atenção foi levada para os garotos e vimos Brian e Sam se pegando... Ou melhor, se “matando”.
Brian estava sentado sobre a cintura de Sam no chão e transferia uma quantidade generosa de socos no ruivo, mas o que estava em baixo reagiu e ficou por cima retribuindo os socos em Brian. Ficaram rolando pelo chão se socando até que eu tomei coragem e pulei nas costas de Brian enforcando-o com meus braços.
– Solta ele Haner! – Brian parecia um lobo tomado pela fúria e não se importava em ser enforcado por meus braços.
Todos observavam a briga atônitos, Mad se agarrava ao braço de Jimmy... Não tive alternativa a não ser me jogar sobre o corpo de Sam.
Sai das costas de Brian e me joguei sobre o corpo do que estava em baixo, fechei os olhos pronta para receber um soco, mas ouvi um baque no chão. Brian tinha socado o carpete de madeira ao invés de meu rosto.
Sai de cima de Sam e o puxei debaixo de Brian, o moreno tinha um filete de sangue escorrendo de sua boca, e um inchado no supercílio... Eu queria cuidar dele, paparicá-lo, mas a única coisa que consegui fazer foi arrancar o ruivo da confusão e sair com ele de casa. Ignorando as perguntas de mamãe sobre o sangue que jorrava de seu nariz.
Entramos na picape preta e Sam deu partida no carro, ele segurava o volante com uma das mãos enquanto a outra limpava o sangue que teimava em sair...
– Sam para o carro. – pedi e ele ignorou – Para o carro Sam! – falei um pouco mais alto e ele brecou, depois estacionou – Venha cá, deixa eu ver isso. – ele aproximou o rosto de mim – Tire a blusa. – pedi e ele arrancou me dando ela, por minutos perdi o olhar em seu abdômen definido.
– Au... – gemeu enquanto eu tentava estancar o sangue do nariz.
– Precisamos ir a uma farmácia. – palpitei quando o sangue cessou.
– Obrigado. – ele disse forçando um sorriso, e eu retribui sorrindo de volta.
– Não há de que. – o motor do carro rugiu e partimos, mas não para a farmácia, e sim para a praia – Sam você precisa cuidar dos machucados! – reclamei enquanto descíamos do carro.
– Não, eu estou bem, esses machucados não são nada. – ele sorriu enquanto eu tirava o sangue que pingava de pouquinho do pequeno corte em sua bochecha.
– Tem certeza? – perguntei e ele assentiu, trancou o carro, entrelaçou sua mão na minha e seguimos para a areia.
Sentamos lado a lada, observando os grupos em volta da gente, muitos conversavam rindo, outros compartilhavam do mesmo cigarro... Eram companhias agradáveis até.
– Sabe Ana eu nunca tive uma pessoa como você... – ele disse baixinho segurando minha mão enquanto encarávamos a imensidão do mar.
– Uma pessoa como eu? – indaguei com um olhar curioso.
– É, uma pessoa que cuidasse de mim. – por minutos eu pude esquecer-me de tudo e focalizar apenas no garoto ao meu lado, apesar de toda a marra de machão ele era desprotegido do mundo.
– Agora eu estou aqui. – o aproximei para meu peito abraçando seu corpo, ele envolveu minha cintura apertando e beijando meu pescoço, passei as pernas por cima das suas.
– Obrigado. – ele disse pela segunda vez no dia enquanto eu continuava abraçada ao seu corpo.
Ficamos ali por muito tempo, enquanto sentimento maior começava a nos ligar... Sam era um garoto bom, por mais estranho que pudesse parecer, ele devia ter um bom motivo para se tornar traficante... Motivo que eu descobriria tempo depois.
Quando o sol começou a se por, senti uma vontade enorme de voltar para casa, eu queria voltar ver se Brian estava bem e se possível abraçá-lo como estive abraçada a Sam...
– Preciso ir embora. – disse me soltando dele.
– Quer que eu te leve? – perguntou olhando para mim e eu pude ver o roxo que circulava seu olho esquerdo.
– Não precisa, vou andando ok? Amanhã a gente se vê. – levantei e ele veio logo atrás.
– Espere, venha cá. – fui arrastada até seu carro, de lá ele retirou uma camiseta branca grande – Se vista com isso, não é bom andar por ai apenas de biquíni. – passei a camiseta pelos braços, sorri.
– Obrigada, agora preciso ir mesmo. – já ia saindo quando ele me puxou pela mão e colou os lábios nos meus num selinho demorado, fiquei um tanto surpresa com sua atitude – Tchau Sam. – murmurei enquanto saia acenando.
O caminho para casa eu já conhecia, mas por tantas vezes o percorri com tanta lerdeza, desta eu quase que corria...
Atravessei a porta de entrada com violência, a casa estava extremamente quieta, mamãe cochilava no sofá, no quarto não tinha ninguém... Teria que deixar minha dignidade de lado e aparecer pela casa de Matt.
A garagem estava vazia... Extremamente vazia, pela porta dos fundos entrei na casa, a sala estava vazia também e eu não me submeteria a olhar nos quartos, não queria encontrar algum pornô ao vivo.
Sai da casa e me sentei na calçada em frente à mesma, eu poderia ir até a casa de Brian, mas provavelmente ele não estaria lá, algo me dizia que estava na casa do melhor amigo...
Levantei decidida, andando com passos pesados e rápidos, pois eu sabia que teria uma noite de insônia se não tivesse a certeza de que Brian estava bem... Ao chegar à casa de Jimmy me surpreendi com todas as luzes apagadas, bufei.
Onde eles poderiam ter se metido? Não estariam na casa dos Haner, disso eu tinha certeza, não estariam na casa de Zacky, pois o mesmo devia estar preocupado pegando a loira oxigenada... Só restava o bar do Johnny.
Segui para lá o mais rápido que pude, ignorando o cansaço que me atingia e o suor grudando os cabelos em minha nuca... Cheguei ao bar que começava a lotar com os motoqueiros da região e entrei.
Avistei Brian, conversando com Jimmy e Johnny, ele circundava a cintura de Michelle com os braços e tinha os olhos caídos... Estava, bêbado, muito bêbado... E bem, pois se não estivesse não ficaria se embebedando junto com a vadia.
Fui até o balcão pedi uma Heineken e coloquei na conta do moreno, pouco me importava, ele teria que pagar... Sai e infelizmente Jimmy viu meus cabelos voando pelo ar, veio atrás de mim.
– Se divertiu na praia? – perguntou se sentando ao meu lado na calçada.
– Não tanto quanto Brian deve ter se divertido com aquela coisa... – rebati sem pensar e recebi uma risada sonora do magrelo ao meu lado.
– Pode ter certeza que ele está tão mal quanto você. – resmungou dando um gole em sua cerveja.
– Não é o que parece. – disse entredentes lembrando da cena que tinha visto a pouco.
– Você também não parece estar mal. – ele terminou dizendo, levantou e voltou para o bar.
Jimmy e essa mania de me fazer pensar com uma conversa de menos de cinco minutos... Não sabia se deveria agradecer por isso, ou repreendê-lo por tal façanha, a verdade era que apesar de tudo Brian ainda estava na minha cabeça e ao seu lado tinha o rosto falso de Michelle...
Notas finais
p.s. a música é do Stone Sour, bem conhecida até, amo ela demais quem tiver um tempo olha a letra com calma, vale a pena *-*
Beeeijos pra vocês lindas (:
E qualquer pergunta já sabem: e-rasethis.tumblr.com
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