Era uma vez Habsburgo
2 Os maus tratos da Gata Borralheira
Notas iniciais
Malia estava saindo do próprio quarto, já não vestia seu manto pomposo, nem tinha adornos nos cabelos, bem mesmo a maquiagem feita perfeitamente para seus olhos e lábios existia nesse momento, a garota apenas tinha sobre o corpo um fino robe de seda branco, que a acompanharia pela madrugada fria até seu destino, a cidade submersa de Atlântica, onde ela repousaria até a próxima lua cheia, desfrutando de sua própria maldição.
– Já vai querida filha? — Peter tinha um ar de zombaria enquanto deslizava os dedos pela coluna quase despida da adolescente.
– Vou, afinal de contas eu ainda tenho muito trabalho para fazer nos próximos dias. — os olhos dela brilharam em um cinza gélido e Peter sorriu enquanto se aproximava da nuca da garota e então sussurrou em seu ouvido.
– Não vai nem me agradecer pelo baile? — ele deu uma leve mordida na orelha da jovem que se manteve imóvel.
– Você sabe que isso não é possível. — ela não conseguia esconder seu descontentamento em ter as mãos do rei passeando por seu ventre.
– Stiles não reclamou quando você o montou nele como se estivesse correndo com um garanhão de primeira linha. — os dedos do mais velho desfizeram o laço sensível do robe da princesa. — Seria uma pena se eu precisasse delatar o príncipe Stilinski por assediar a filha do rei. — o membro de Peter roçava na base da coluna de Malia que tremia de raiva.
– Deixe-o em paz, Stiles não tem culpa se eu sou amaldiçoada. — ela se afastou e abraçou o próprio corpo, tampando tudo o que o robe aberto descobriu.
– Eu não vou machucar seu lindo brinquedo princesinha, — Peter levantou o queixo da garota e se aproximou tanto que ela podia sentir a respiração dele na sua. — não muito. — ele deu um sorriso perverso e ela o encarou furiosa, os olhos em um cinza ameno.
– O que você quer para deixá-lo em paz? — ela sabia que já poderia começar a se arrepender.
– Nada demais queridinha. — Peter a virou abruptamente contra a parede e levantou seu robe a encochando. — Só um pouquinho de diversão. — ele abriu o próprio manto e Malia mordeu o lábio inferior enquanto esperava pela dor, que não veio.
Malia odiava se submeter a Peter e ele sempre tinha alguma desculpa para fazê-la ceder ou apenas a forçava com algum dos seus jogos psicóticos, não importava o meio, ele sempre acabava a violentando e seu corpo sempre a traía. A maldição fazia com que ela reagisse a qualquer toque, se tornasse receptiva, fizesse todos os homens a desejarem e seu corpo instintivamente corresponder. Quando Peter acabou ele apenas se vestiu e deixou a garota escorregar pela parede fria do castelo e se encolher no chão e saiu. A princesa não tinha muito tempo, não tinha mais quase nenhum na verdade, então apenas amarrou o próprio robe e caminhou cambaleante até o jardim e depois pela floresta negra, sentindo a grama molhada, os orvalhos caindo, gotas de chuva e os pés ficando úmidos com o pântano que se formava ao seu redor, deixou a natureza engoli-la aos poucos, até que se viu na beira da linda praia escondida e continuou a caminhar, limpando a alma dos abusos de Peter, das lembranças de Stiles, da dor de ser quem é, até estar submersa em água completando mais uma vez a transformação de humana para sereia.
Derek tinha encontrado Erica chorando em seu quarto, a menina estava encolhida no chão, sentada sobre os calcanhares com uma mordaça de couro na boca, os cabelos ainda presos em uma trança firme impediam que seu rosto corado e manchado por lágrimas fosse escondido, assim como seus seios fartos subiam e desciam em soluços. Não que Derek se importasse com os escravos, ele não tinha qualquer sentimento por eles ou por qualquer outro ser humano daquele país que não fosse sua irmã, mas a loira sempre o chamava atenção, por sua história, por sua fragilidade e ao mesmo tempo, por sua força excessiva. Ele fechou a porta e apagou boa parte das lamparinas, deixou apenas um castiçal pesado com velas grossas acesas e tirou o manto pesado de veludo negro com a costura feita de ouro e a jogou em uma das poltronas desconfortáveis do quarto, depois se abaixou em frente a jovem e lhe erguei o queixo com o indicador.
– Sabe que não gosto quando chora desse jeito. — ela assentiu tentando controlar os lábios trêmulos. — Lady Blake lhe açoitou? — ele perguntou enquanto soltava a correia que prendia a mordaça de couro, a menina assentiu ainda olhando para baixo. — Olhe nos meus olhos, não gosto que desvie, você sabe. — ela corou e o encarou, Derek tinha uma fascinação especial pelos olhos de Erica. — Levante-se, quero vê-la melhor. — ele se levantou e viu a garota se levantar apressada, toda a submissão de Erica não passava de vergonha, Derek era um dos poucos que sabiam o que levou a jovem e bela Erica Reyes a se tornar uma escrava de Agrabah.
Derek viu os lanhos avermelhados nas coxas da menina e percebeu que alguns estavam em carne viva, engoliu em seco e se perguntou qual o prazer de Jennifer em ferir com tanto empenho a garota facilmente domável. Fez uma pequena nota mental de repreender a mulher mais tarde, agora ele só queria cuidar da menina doce e selvagem a sua frente.
– Vamos tirar isso aqui de você. — Derek cuidadosamente abriu cada fivela que prendia o adorno de couro que transpassava as curvas avantajadas da frágil escrava. — Lady Blake foi bastante dura com você. — os dedos de Derek passeavam sobre alguns lanhos menos graves e a menina estremeceu. — Gosta quando eu toco nas suas feridas? — a menina fez que não e Derek sorriu. — Vamos cuidar disso, tudo bem? — ele deslizou as mãos pelas laterais do corpo de Erica que se arrepiava com o menor toque da pele áspera do príncipe guerreiro.
Derek se afastou, deixou a menina olhando para o chão, com os ombros encolhidos e de pé na frente da grande cama com dossel que lhe pertencia, foi até a porta e exigiu que mandassem trazer seu melhor guerreiro para o quarto. Erica se encolheu mais ainda ao ver o corpulento soldado Vernon Boyd entrar no quarto e com sua voz imponente e grossa cumprimentar seu superior.
– Lady Blake a feriu, quero que cuide dela. Não gosto da sua pele tomada por cicatrizes. — Boyd assentiu e caminhou até um dos aparadores pegando o que precisava para acalentar as feridas de Erica. — Vou deixá-los, vocês conhecem as regras. — Derek piscou para Vernon e se vestiu com um manto leve, já na porta se virou para Erica. — Esteja pronta para mim quando eu voltar, vou resolver algumas questões com Lady Blake. — a menina assentiu submissa, por dentro estava extremamente satisfeita de ver sua carrasca sofrer por tê-la maltratado.
Com passos rápidos Derek entrou no salão de punições e encontrou Lady Blake organizando com alguns dos carrascos os objetos que precisavam ser limpos e esterilizados, o príncipe guerreiro não deu tempo da mulher pensar em cumprimentá-lo com as devidas pompas e já a tinha puxado pelo cotovelo e depois a jogado contra uma das paredes de pedra porosa, ela soltou um grito fino de surpresa e todos congelaram ao redor.
– Saiam todos! — ele gritou e todos obedeceram sem alardes. — Você, — ele a jogou contra a mesa que tinham diversos objetos usados durante o dia e alguns escravos gemiam no corredor ao lado sofrendo com suas penitências. — quem lhe deu o direito de ferir minha escrava? — a mulher tinha o rosto colado na mesa, metade do corpo curvado e podia sentir a força da mão de Derek espremendo seus cabelos.
– Senhor, eu apenas a puni por seu mau comportamento, Erica não é uma escrava de lei. — ela sentiu Derek rasgar a bainha de seu vestido e amarrar seus pulsos atrás das costas. — Senhor! O que vai fazer comigo? — a mulher tinha o coração aos pulos e tremia dos pés a cabeça.
– Descobrir se você, — ele subiu o excesso de panos da saia do vestido chegando ao leve tecido que lhe protegiam as partes – é uma escrava de lei, Jennifer. — ela enrijeceu todos os músculos enquanto sentia o príncipe que ela tentava bravamente agradar e se fazer notar todos os dias rasgar sua roupa a deixando sem nenhuma proteção para os olhos especulativos. — Tão despreparada. — ele afastou seus joelhos e ela apertou os olhos, em meio a todo o drama de estar sob punição, o medo do que poderia acontecer, ela se viu excitada, muito excitada. Era Derek e ela sempre sentiu algo pelo príncipe, em silêncio.
– Por favor senhor, não me machuque. — ela pediu prendendo o choro.
– Não se preocupe Jennifer, eu não tenho a mínima pretensão de lhe ferir a honra. — ele deu uma risada amarga que a fez se encolher e sentir vergonha. — Você não é do meu agrado. — ele completou quando o primeiro tapa lhe acertou em cheio na bunda, ela gritou. — Quieta. — ele repetiu a ação mais vezes do que ela conseguiu contar e os gritos eram impossíveis de controlar. — Mandei ficar quieta! — ele beliscou a carne sensível e então deslizou os dedos pela intimidade da morena que gemeu com o contato. — Você tem muito o que aprender Lady Blake, mas com certeza tem futuro como uma escrava da Taberna. — ele penetrou um de seus dedos na mulher que se remexeu ansiosa por mais. — Gosta da ideia de homens sedentos, guerreiros cansados de tantas guerras, operários sem valor lhe tocando Lady Blake? — ele a puxou pelos cabelos, deixando seu corpo bem rente ao dele, ainda com o dedo explorando suas carnes úmidas e sensíveis. — Me responda! — ele levou os dedos para fora da mulher e lhe beliscou o clitóris.
– Sim senhor. — ela murmurou chorosa, precisava tanto daquele alívio, desejava tanto o príncipe.
– Como eu pensava. — ele a soltou e se afastou, pegou um lenço dentro do manto que vestia e secou a mão úmida pelos líquidos de Jennifer. — Você não serve para mim. — assim ele deixou a mulher dolorida, sedenta e humilhada em meio a brinquedos usados no salão de punições.
Boyd encarou Erica por alguns segundos, a menina era fascinante e ele adorava observá-la pelo castelo, só não entendia como ela tinha entrado para aquela vida se ela nem gostava de servir e se submeter. Ele preparou algumas soluções e começou a cuidar das feridas da menina que resmungava de vez em quando em protesto.
– Por que você veio para o castelo? O que te fez escrava? — Vernon tinha consciência de que não deveria falar com a menina, mas ele não era um homem de se ater as regras.
– Minha madrasta me vendeu. — ela respondeu baixinho, os olhos presos ao chão.
– Ela te obrigou a se submeter pelo sustento da família? — Boyd fez a menina sentar na cama enquanto cuidava de suas coxas feridas.
– Você é grande demais para ser tão delicado. — ela soltou se arrependendo em seguida.
– Se te serve de consolo, meu povo foi dominado por Maldonia, para mantê-los vivos eu precisei ceder meu posto de líder e vir servir ao rei. — Erica encarou o corpulento negro e se encantou com a doçura daqueles olhos escuros, um sorriso brincou nos lábios do homem ao se ver sendo observado pela garota e ela corou voltando a encarar o chão.
– Minha madrasta é Lady Blake, ela se casou com meu pai, mas ele faleceu na noite de núpcias. — Boyd riu.
– Desculpe menina, mas eu entendo o que matou seu pai. — ela sorriu prendendo o riso.
– Ela não gosta de mim, então me mandou como um presente para o rei, só que... — ela se calou ao ouvir uma movimentação do lado de fora.
– Espere um momento. — Vernon foi até a porta e viu que se tratava de alguns soldados passando, os repreendeu e voltou-se para a garota que o esperava na mesma posição. — Só os meus soldados arruaceiros. — ela sorriu, há tempos ela não se sentia a vontade com alguém.
– Você é muito bonito senhor. — ela mordeu o lábio ao perceber que estava falando demais.
– Você também é muito bonita garotinha. — ele acariciou seu rosto e ela se enroscou, querendo mais daquele contato, sentir mais a textura da pele o cheiro de feno como se Boyd viesse de um estábulo. — Sabe guardar segredos loirinha? — Boyd estava inclinado sobre a garota que ainda tinha os olhos fechados e o rosto pousado sobre sua mão.
– O que você quiser senhor. — ela beijou o pulso do homem que a fez deitar na cama e a beijou.
– Não conte a ninguém que de longe você é a garota mais interessante que eu já vi na vida. — ele correu os lábios grossos pela mandíbula fina da garota, até chegar em seu pescoço.
– O senhor não tem medo do príncipe voltar? — ela por um momento hesitou ao vê-lo se desfazer da túnica de couro cru.
– Nada seria mais doloroso do que não prová-la. — ela sorriu e relaxou, observou cada detalhe do corpo do homem em cima do seu, sentia a pele ferida friccionar contra a colcha de seda macia e fria, ao mesmo tempo que o peso de Boyd a pressionava e aquecia.
Boyd se ergueu e distribuiu beijos delicados por todo o corpo da menina, chegando até seus pés e tomando o caminho de volta até a virilha, ela prendeu todos os gemidos de prazer quando o chefe das tropas de Habsburgo explorou seus pontos mais íntimos e foi surpreendida por uma voz conhecida.
– Eu quero ouvi-la Erica. — o príncipe Derek estava ali.
Derek raramente encostava em algum escravo e tinha verdadeira aversão por alguns extremos daquela vide de subversão, mas ele disfarçava bem com sua postura prepotente e tomada por uma faceta cruel de Príncipe da Guarda de Habsburgo. Quando entrou no quarto a fim de tranquilizar a garota quanto aos castigos de Jennifer, se deparou com seu subalterno desfrutando de sua escrava e ao contrário do que se esperava, se excitou. Sentou em uma poltrona e abriu o próprio manto, estava deslizando a mão lentamente pelo próprio membro inchado enquanto observava a garota respirar forte enquanto era chupada pelo cavaleiro.
– Mostre que está gostando do que Vernon lhe faz sentir, querida. — Derek insistiu e a menina cedeu, ela mesma não aguentava mais manter o silêncio, mas não ousaria quebrar uma regra sem permissão, não com o príncipe Derek.
Vernon Boyd não se importou nem um pouco de ter seu senhorio o observando desfrutar daquela menina, ele não era um homem de muitas estripulias e muito dificilmente se envolvia com alguma escrava, seu jeito fechado e conciso sempre levava a todos o enxergarem como o mais forte e mais durão de todos, suas fraquezas não se resumiam a ganância e mulheres e Derek sabia disso, conhecia a história do rapaz e naquele momento via semelhanças da história dele com a de Erica. Ambos foram obrigados a entrar nessa vida, Boyd um descendente de uma tribo bem no meio da divisa entre Maldonia e Habsburgo tinha sido atacado por Úrsula e em troca da paz o garoto se entregou como guerreiro, lutou a guerra mais sanguinária de todos os tempos ao lado da cruel rainha e acabou sendo dado de presente para Peter pelo seu desempenho e aceitou, em troca da segurança de seus familiares e amigos. Erica não era muito menos calejada pela vida, perdeu a mãe cedo, sofria de uma enfermidade que ninguém tinha ideia de como curar e quando viu, seu pai tinha casado com Lady Blake, uma mulher disciplinada e dura que a mantinha em cativeiro para servir a casa e as irmãs que segundo a madrasta eram mais bonitas. Tudo balela, um meio prático de tirar da menina seu direito de usar a fortuna da família e com medo de que alguém descobrisse seu golpe, a carrasca jogou a doce e selvagem Erica para os leões, deu-a de presente para Peter que a desdenhou e foi salva por Derek antes de lhe mandarem para a Vila e seu fim ser mil vezes pior do que o atual.
Derek assistia a tudo, os primeiros sinais de orgasmo de Erica estavam por vir e ele sabia que a garota iria lutar bravamente para se segurar, mas não deveria ser fácil, ele podia ver que Boyd habilmente tornava a tarefa de se controlar quase impossível para a moça e mesmo se assemelhando a um brutamontes pelo tamanho, ele mesmo enxergava muito cuidado da parte do guerreiro.
– Goze querida, deixe Vernon lhe dar prazer. — Derek consentiu, se não o fizesse a frustração e o medo poderiam destruir seu espetáculo.
A menina se derramou sob os lábios do cavaleiro negro e sentiu o torpor lhe tirar quase toda a percepção do mundo ao seu redor. Ela nunca esteve tão entregue, nunca foi tão fácil se deixar levar. Boyd abandonou o meio de suas pernas, para se apossar de seus lábios. Seu próprio gosto salgado se misturava a saliva dos dois e ela sugava com fome toda carícia que o homem dedicava a si. Sentiu seu corpo ser suspenso e se viu sentava sobre as coxas grossas do guerreiro, ao mesmo tempo que o membro escuro e duro resvalava em sua barriga.
– Quero que me toque. — ele murmurou em seu ouvido, enquanto enchia seu pescoço de carícias lentas e delicadas.
Derek observou Boyd invadi-la com delicadeza, ele tomava cuidado e parecia ter consciência de todo seu tamanho, isso deixou o príncipe com inveja. O prazer da garota era genuíno, os gestos de Boyd eram quase apaixonados e a forma livre como ela se agarrava a ele, deslizava as unhas curtas pelas costas, mordia a pele sem medo de reprimendas, a mesma forma que o guerreiro a segurava pelos quadris e a penetrava lentamente, acostumando-a com a invasão e então permitindo que ela mesma controlasse aquela situação. Derek sentiu inveja em meio aos seus próprios movimentos masturbatórios brutos e solitários, não por ele não estar no meio deles e sim por não se sentir capaz de ser assim com alguém, consciente de sua brutalidade, consciente de seu desejo e mesmo assim se tornar uma fera controlável, alguém que passe paixão enquanto dá espaço para sua própria companhia o desejar. O orgasmo dos dois pareceu ensaiado e Derek os acompanhou silencioso logo em seguida, tinha um gosto amargo na boca quando se levantou e se limpou, esperando no lavabo do quarto que Boyd partisse.
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