Era uma vez Habsburgo

15 O Novo Consorte da Rainha Má


Derek não conseguiu ficar longe ou sustentar seu olhar em Stiles, ele caiu de joelhos e se agarrou aos quadris do garoto, o choro entrecortado ecoando pelo estábulo e fazendo o príncipe se assustar.

– Derek. — Stiles tentou se afastar, mas tudo o que o Rei conseguiu fazer, foi chorar mais ainda.

– Eu sinto muito, eu sinto muito.

– Derek, tudo bem. — Stiles sentiu seu peito doer, ele não queria ver Derek assim e ele sabia que se tudo aquilo fosse culpa do mais velho, chorar não seria sua primeira reação.

– Eu nunca quis que nada disso acontecesse, me perdoa. — Stiles se agachou e sentou sobre o manto caído no chão de terra batida, puxando Derek para o seu colo.

– Olhe para mim. — Derek obedeceu. — Essas marcas não foram sua culpa, o que eu passei não teve nada a ver com você. Eu sei disso agora e não quero que você se culpe.

– Kate não tinha o direito.

– Não, ela nunca teve, mas o que está feito não se pode mudar, precisamos pensar no futuro.

– Eu nunca o enxerguei sujo. Eu nunca… — os lábios de Stiles calaram Derek.

O beijo era calmo, cheiro de emoção e travado em uma confusão interna. Stiles se sentia bem por saber a verdade, por enxergar o Derek que meses antes o levou para aquele mesmo estábulo e o beijou, mesmo agora, ferido, desconfortável, se sentindo arruinado de muitas formas, tudo o que importava era saber que Derek ainda o queria, que não o desprezava. O lobisomem se sentia aliviado por ter Stiles ali, tão próximo e mesmo assim a culpa o derrotava pouco a pouco, destruía o mínimo de controle que ele tinha e tirava toda a parte boa de ter Stilinski de volta.

– Isso não pode ficar assim, eu não posso deixar que Kate saia impune.

– Depois nós falamos sobre ela. — Stiles alisou a bochecha do mais velho e sorriu. — Eu quero ficar com você, saber tudo o que eu perdi.

– Eu senti tanto sua falta. — Derek abraçou Stiles, o garoto os afastou e enxugou suas lágrimas remanescentes.

– Acho que eu já posso me vestir. — o garoto sugeriu.

– Desculpe. — Derek se levantou e ajudou Stiles com seu manto. — Nós podemos voltar para o palácio se quiser.

– Eu gosto daqui, o cheiro de feno, da companhia do Triskelion.

– Venha. — Derek estendeu a mão e levou Stiles para os fenos, tirou um de seus mantos e o esticou sobre o local. — Lembra do casamento de Lydia?

– Criamos uma tradição em casamentos. — Stiles riu e Derek o observou por algum tempo.

– Eu preciso te contar uma coisa. — o lobisomem tocou o rosto do menino, contornando suas pintas da bochecha e seguindo pelo pescoço, Stiles fechou os olhos e relaxou.

– Pode me contar qualquer coisa.

– Quando você foi capturado, eu pedi ajuda para Chris Argent. — Stiles se virou para Derek e o encarou com atenção. — Ele levou minhas irmãs para a Torre, as manteve segura e então eu fui atrás de Deucalion, eu aceitei sua proposta. Ele me deu a mordida, mas nós brigamos, eu o matei, Boyd quase morreu e eu…

– Derek, respire. Está tudo bem, eu não vou surtar por você ter se tornado um pouco mais forte.

– Você não entende, eu… Stiles, eu estou fora de controle, posso machucá-lo. Eu não quero fazer isso, não mais. — Derek se afastou, mesmo que Stiles odiasse isso, o lobisomem estava se trancando de novo, criando uma muralha invisível entre eles.

– Kate me espancou, me fez ser banhado por outras pessoas, me proibiu de falar e me tocar, ela não permitiu que me preparassem adequadamente antes de me adornarem com rabos de cavalos e cascos, ela me fez dormir em lugares sujos e ficar assim, eu não tive o mesmo tratamento dos outros escravos, eu fui maltratado, humilhado e ferido porque ela o queria na cama dela, ela o queria casando e dando o trono para ela, Derek. Eu sei o que pode me machucar e não é você se transformando em um lobisomem.

– Alguém te…

– Não. Kate tentou, mas não. Eu morreria antes de permitir que mais alguém fizesse isso comigo. — Derek engoliu em seco. — Agora me conte tudo, eu não vou correr.

Stiles ouviu atentamente, ele gostava de ver Derek se abrir, dividir seus medos, seus confrontos internos. Eram nesses momentos que Stiles sabia que tinha feito a escolha certa, que Derek era alguém por quem se valia a pena lutar.

– Você deveria ficar. — Derek sugeriu enquanto voltavam para o palácio.

– Você acha? Será que não ficaria mal para a reputação do rei? — Stiles brincou e Derek sorriu o puxando para perto.

– Eu posso sobreviver as más línguas. -Derek o beijou.

– Stiles. — John gritou seu nome.

– Pai. — Stiles se afastou e tentou manter a seriedade. — Já está indo?

– Estamos indo. — John cruzou os braços no peito e encarou Derek com uma carranca.

– Eu vou ficar. — Stiles pegou a mão de Derek e entrelaçou.

– O que te faz pensar que eu vou permitir isso?

– Eu não tenho nenhuma honra para proteger e Derek é o único que pode me mandar embora. — Stiles deu de ombros.

– Eu não gosto disso, Hale.

– Ele vai ficar bem, senhor. — Derek tentou tranquilizá-lo.

– Dá última vez, meu filho foi…

– Pai, eu já tomei minha decisão.

– Certo. Boa noite. — John encarou Derek mais uma vez antes de ir.

Lydia estava se sentindo mal naquela noite, ela e Jackson estavam escondidos na Torre faziam semanas e mesmo com a morte de Peter, a ruiva não queria voltar, não fazia sentido apresentar um herdeiro durante uma guerra, era como pedir para ser caçada e assassinada.

– Como se sente?

– Doente.

– Eu fiz um chá. — Jackson sentou ao seu lado no jardim.

– Peter morreu, por quê não volta para Habsburgo?

– É a minha irmã ai dentro, você é legal. — ele deu de ombros e bebericou sua xícara.

– Como você pretende explicar a sua irmã ou irmão que gosta de mim?

– Como? — ele engasgou.

– Você tem cuidado de mim, impedido Laura e Cora de me tocarem, você faz questão de estar por perto, se isso não é um cortejo, não faço ideia do que significa.

– Eu não tenho ninguém que acredite que sou bom desde que minha mãe morreu, acho que me deixei levar pelas suas palavras bonitas.

– Eu nunca disse que não eram verdadeiras.

– Eu entendi o recado Lady Martin, não precisa desenhar.

– Estúpido. — a ruiva se levantou e ficou tonta, Jackson teve um bom reflexo e segurá-la.

– Hey, está tudo bem? — Lydia respirou fundo e encarou os olhos claros de Jackson, era muito para processar e ela não queria pensar muito agora.

Jackson ficou surpreso ao sentir os lábios dela contra os seus, mas não hesitou em retribuir. Era apenas um selinho, os lábios comprimidos uns contra os outros, as mãos da ruiva apertando sua camisa nos ombros, as suas a sustentando pelas costas e seu perfume invadindo cada poro seu e dando a sensação de satisfação, felicidade.

– Eu estava tentando flertar com você, mas seu sexto sentido parece um pouco enferrujado, Capitão. — Lydia depositou um beijo doce em seu pescoço e ele a puxou mais para perto de si.

– Você era casada com meu pai.

– Quem mais sabe disso? Quem pode provar que ele era mesmo seu pai? Isso é importante para você, Jackson. Ninguém em Habsburgo se importa, ninguém espera que voltemos, não com a guerra, não com a miséria. Você como um herdeiro de Peter, deveria querer sumir.

– Você está sugerindo que fujamos, de novo?

– Estou sugerindo que me ajude a dar um futuro a esse bebê e então dê uma chance a si mesmo de ser feliz, me dê uma chance de tentar fazê-lo feliz.

– Você quer que eu crie Eva? Quer que ela seja minha filha?

– Como você pode ter tanta certeza de que é uma menina?

– Eu não tenho, só sonhei a minha vida inteira em ser pai de uma.

– Creio que posso realizar seu sonho, Capitão Whittemore.

– Eu não disse que aceitaria.

– Ainda está me segurando. — Lydia sorriu e Jackson voltou a beijá-la.

Derek tinha servido vinho e algumas horas tinham se passado desde que a bebedeira começara, Stiles parecia empenhado em ficar bêbado, mas não obtivera muito sucesso, o lobisomem não tinha chances de ser acometido pelo álcool.

– Eu mandei preparar a tina de banho, se você quiser. — Derek encheu mais uma taça.

– Está me convidando para dividi-la com você? — Stiles sorriu e bebericou seu vinho.

– Sua resposta seria sim? — flertar parecia certo, fácil.

– O que estamos esperando? — o garoto levantou, um pouco tonto e Derek o guiou até a outra sala.

– Eu ainda me lembro quando você fez isso, preparou meu banho e me fez enxergar que sou um idiota.

– Você era um idiota. — Stiles desamarrou a blusa de Derek e então a puxou da calça, fazendo a sumir pelos ombros e cair no chão. — Agora, você é só alguém tentando fazer a coisa certa, descobrir o que é bom. — Derek sentiu os dedos do mais novo correrem seu peito, brincarem com os pelos, contornarem seus músculos.

– É estúpido achar isso excitante? — Derek estava corando, Stiles achava isso completamente adorável.

– Vamos culpar minha beleza. — o garoto deslizou as calças do lobisomem até deixá-lo completamente nu. — Eu também me lembro de você querendo saber se algo em você me agradava.

– E agrada? — Derek tinha a respiração mais forte, enquanto Stiles contornava as curvas de seu corpo com as mãos, em um carinho permissivo e doce.

– Estou querendo descobrir se algo em você pode sequer tentar ser desagradável. — Stiles beijou a nuca de Derek, não tinha se dado conta de que estava de frente para as costas dele, até reparar na tatuagem um pouco mais abaixo.

– Você é um galanteador.

– Eu sei. — a pele de Derek se arrepiou ao toque da língua de Stiles no contorno de cada uma das três espirais que formavam um desenho firme em linhas negras, a retratação na pele do brasão da família Hale. — Você nunca me disse que gostava de tatuagem. — Derek suspirou com a falta de contato físico e se virou, a meia ereção do lobisomem os impedia de ficarem mais próximos.

– Boyd me ajudou a fazer esta. Eu queria poder lembrar da minha família, marcar na pele o que me fez feliz.

– É uma linda mensagem.

– Você também tem uma. — Derek correu as mãos pelos ombros cobertos pelo manto de Stiles.

– Sim, é uma árvore. Eu não sei porque a fiz, apenas me faz lembrar da minha mãe, é apenas um desenho que ela sempre carregou em suas coisas. — Stiles deu de ombros e Derek tentou desabotoar seu manto, mas o garoto segurou suas mãos. — Derek, eu não sei se isso é uma boa ideia.

– Eu sinto muito, não quero forçá-lo a nada disso. — Derek tentou se afastar, mas Stiles o segurou com firmeza.

– Eu não tenho problemas com nada do que vamos fazer, eu quero isso. — Derek arqueou as sobrancelhas. — Escute, existem marcas, cicatrizes, feridas recentes, elas doem e sangram. — o lobisomem desviou o olhar. — Eu não acho que você quer vê-las, certamente não precisa. — Stiles o soltou.

– Você me mostrou o que Kate fez para me machucar, agora sente muito por ter feito isso. Eu não sou frágil, Stiles.

– Nunca disse que era, apenas não preciso que sinta pena de mim.

– Eu não sinto. Você é a pessoa que eu escolhi estar, a única que consegue me fazer pensar em um futuro, acha mesmo que sinto pena?

– Tudo bem, eu não quero mais brigar, isso é cansativo. — Stiles sentou na beirada da tina e encarou Derek.

– Está tudo bem se você prefere não entrar aqui ou sequer dividir a cama comigo, isso não me ofende ou me deixa triste, eu entendo.

– Eu não queria hesitar, sentir medo, mas não sou de aço, ainda lembro do que passei.

– Posso ver isso, mas eu não tenho como apagar seu passado, apenas preencher seu futuro com coisas boas. Eu não sou um prêmio de consolação, eu não sei como consertar as coisas ou fazê-lo se sentir melhor, mas eu posso te fazer carinho e esperar o tempo que for.

– Vamos lá. — Stiles se levantou e esperou Derek entrar na tina para começar a se despir.

Derek não consegue tirar os olhos de Stiles, o garoto está mais do que se desfazendo das peças de roupa, ele está deixando a alma nua, os sentimentos crus para ele assistir e escolher, com sorte, acolher como seus. As costas de Stiles estão repletas de hematomas escuros e esverdeados, são feios e apagam um pouco da beleza da grande arvore que o príncipe tem nas costas, as linhas vermelhas, o tronco delicado, um trabalho bem feito.

Stiles tem cicatrizes nas coxas, as nádegas lanhadas com beliscões e vergões escuros, Derek sabia o quanto aquilo machucava, o quanto Erica implorava para não passar por uma sessão sequer com Lady Blake e isso o entristecia, o feria, o enfurecia. O garoto se virou, o olhar brilhando em expectativa, as bochechas coradas de vergonha, os lábios inchados de um beijo recente, os cabelos curtos demais, fruto da maldade de Kate.

O torso pálido, com pintas e feridas, alguns lugares com pontos dados, cortes em cicatrização, os mamilos inchados e feridos, a púbis depilada como o padrão de qualquer escravo real, o pênis pendendo flácido, as pernas tomadas de hematomas, os braços com marcas de amarras firmes demais, Derek se considerava destruído depois do que seu companheiro foi obrigado a passar, ele tinha sorte por Stiles ser tão forte.

– Você precisa trocar essa expressão, não é muito confortável. — Stiles abraçou o próprio tronco com cuidado e se retraiu.

– Venha cá, você precisa relaxar. Prometo que usei os óleos. — Derek estivou a mão e Stiles hesitou, mas sorriu e entrou com cuidado. — Dói? — a careta de Stiles dizia tudo, mas por algum motivo, Derek queria falar sobre tudo aquilo.

– Arde um pouco, eu vou ficar bem. — Derek assentiu e se aproximou, fazendo com que o garoto sentasse entre suas pernas.

– Eu posso massagear seus ombros? — Stiles o encarou confuso.

– Você não precisa de permissão para me tocar, eu estou bem. Se algo me incomodar, você será o primeiro a saber. — Derek suspirou e se recostou na tina, ele não queria levar isso desse jeito.

– Eu só não sei como agir, sei que você é forte, sei que suportou tudo com orgulho, eu te vi naquele velório, mas agora, eu só queria poder dar um jeito nisso.

– Você pode, me oferecendo uma massagem e falando sobre Laura. — Stiles se recostou no peito do lobo e relaxou.

– Tudo bem. — Derek correu os dedos pelos ombros de Stiles, até encontrar um ritmo perfeito para a massagem.

Kali ficou sabendo sobre a morte de Deucalion e isso não parecia muito bom para Habsburgo. Naquela noite a Rainha Má colocou outro Consorte no lugar de Deuc e Derek se arrependeria amargamente pelo que fez.