Era uma vez Habsburgo
12 A Decisão do Príncipe Guerreiro
Derek foi dormir com as palavras de Deucalion na cabeça. Ser um lobisomem, um monstro que coloriu em sangue as histórias de terror dos acampamentos e suas brincadeiras com seus pais quando criança nunca foi uma opção para o príncipe herdeiro de Habsburgo.
– Ser um lobisomem implica em muitas coisas, é uma grande responsabilidade, mas pode dar alguma vantagem contra os Argent.
– O que te leva a crer que eu vou aceitar?
– Nada, apenas acredito que com seu caso com o filho do Rei Guardião e seu tio tão vulnerável pela guerra que ameaça sua esposa querida, por sua causa, você gostaria de poder se defender, fazer justiça em nome dos seus pais. — o tom atiçou Derek, as palavras se repetiram a noite toda em sua cabeça, ele precisava decidir.
Levam algumas semanas para Derek se restabelecer no reino e as coisas parecem mais calmas diante dos preparativos do casamento de Allison e Scott, isso é uma vantagem, tempo suficiente para estudar as fraquezas e acumular questões, juntar tudo o que Chris e Melissa conseguiram e tentar descobrir por onde ele deve atacar.
Stiles estava em seu quarto, ele não tinha muito o que fazer depois que seu pai casou e Scott estava completamente focado em seu casamento de fachada. Derek não podia ficar o tempo todo por perto e ele mesmo tinha que se preparar para atuar no plano contra os Argent, ele só não sabia o que fazer naquela tarde chuvosa e entediante.
– Alguém parece infeliz. — a voz conhecida fez Stiles saltar da cama e ver a menina morena de olhos castanhos e postura impecável escorada no batente de sua porta.
– Cora? O que faz por aqui? — a menina riu e se aproximou.
– Não mereço nem um abraço?
– Claro que sim! — Stiles a puxou contra seu peito e beijou o topo de sua cabeça. — Derek sabe que você está aqui? Como você conseguiu fugir? — Cora se afastou e apertou os lábios em hesitação. — O que você aprontou? — ele pediu preocupado.
– Eu nada, mas descobri uma coisa. — ela saiu do quarto por um instante e voltou segurando a mão de uma mulher alta, magra, com cabelos escuros e lisos, presos em um rabo de cavalo alto e as sobrancelhas grossas, Stiles reparou que aqueles olhos verdes e intensos eram familiares.
– Laura? — Stiles estava surpreso e a garota, mesmo lembrando-se pouco do menininho olhos cor de âmbar que ela viu pela última vez brincando no jardim real, com várias outras crianças, seus primos.
– Você cresceu muito Stiles. — a morena tinha olhos brilhando em lágrimas quando o puxou para um forte abraço.
– Eu pensei que você estivesse morta. — ela riu e secou as próprias lágrimas.
– Eu estive para todos, as coisas eram complicadas.
– Derek sentiu sua falta. — ela sorriu com culpa.
– É por causa dela que estou aqui, Stiles. Preciso vê-lo e aqui é o lugar mais seguro.
– Você trouxe Cora, por quê? Derek vai enlouquecer em ter duas de suas irmãs na guerra!
– Traga-o Stiles, nós podemos discutir isso depois. — o garoto revirou os olhos e assentiu.
– Meu pai não está, fiquem a vontade, eu volto a noite. — ambas assentiram e Stiles foi buscar Valente.
Stiles interrompeu uma reunião de cúpula, mas não se importava em ficar mau visto pelo rei, não quando ele tinha uma surpresa que faria Derek feliz e ao mesmo tempo louco.
– Você sabe que não pode entrar em uma reunião desse jeito, Stiles. — Derek o repreendeu.
– Sim, eu sei. Escute, é urgente. — Stiles estava pálido e ofegante.
– O que aconteceu?
– Preciso que venha comigo. — Derek hesitou. — Por favor. — o mais velho revirou os olhos e o seguiu.
Derek desconfiava dos motivos de Stiles, mas ele já viu o garoto pálido e afoito antes, sabia que nunca seria prejudicado por ele, que nada do que Stiles queria dizer a ele ou mostrar poderia ser desimportante, não depois de toda a confiança entre eles ser construída.
– O que viemos fazer na sua casa? — Derek desceu de Triskelion e o colocou em uma das baias das terras de Stilinski.
– Eu tenho uma surpresa para você, mas precisa me prometer que não vai ficar bravo.
– Stiles, eu estava em meio a uma…
– Não pode tirar cinco minutos para sua irmã? — Derek encarou Laura, pálido e assustado e então com a mulher o abraçando, ele percebeu que chorava.
– Onde você esteve esse tempo todo? Laura, eu pensei que você estivesse morta! — a mulher suspirou e o puxou para dentro da casa.
– Eu posso explicar, prometo que sim.
– Sou todo ouvidos.
– Depois do incêndio, Peter...
– SOCORRO! — a voz de Cora ecoou por todo o palácio.
Stiles tinha acabado de ver Kate invadir sua casa montada em um cavalo e com um exército bem armado quebrando e transformando tudo em caos.
– Se esconda. — Derek pediu a irmã mais velha enquanto analisava um dos guerreiros de Kate sequestrando Cora.
– Eu não posso deixá-lo. — Laura o segurou pelo braço.
– Pegue Cora, me dê cobertura. — a morena assentiu.
Stiles viu Cora chorar e implorar por ajuda e não pensou duas vezes antes de confrontar Kate ou o brutamontes que arrastava a Hale caçula para fora de sua terras. Derek parecia ocupado com outros guerreiros e Stiles só tinha uma chance.
– Eu não faria isso. — Kate chutou os joelhos do príncipe, o fazendo cair de joelhos. — Melhor assim. — ela sorriu e o puxou pelos cabelos.
– Deixe Cora em paz. — a loira riu e puxou Cora pelo braço, a jogando ao seu lado. — Escute Kate, ainda dá tempo de desistir, você pode ir embora, eu faço Derek desistir dessa guerra. — Stiles tentou.
– Eu não quero que ele desista. — o tom de Kate era feroz e assustador.
– Então me leve no lugar dela, como seu prisioneiro. — Cora protestou.
– Isso é interessante, levar o brinquedinho sexual de Derek. Será que você é tão bom quanto ele diz? — Stiles encarou Cora e viu Derek sangrar por ele, lutar ao lado de Laura. — Vale a pena Stiles? Você acha que Derek vale a humilhação de ser meu escravo? — o garoto levou um segundo até acenar positivamente.
– Qualquer coisa pelo Derek. — Kate deu um sorriso diabólico e puxou Cora a empurrando em direção a casa e exigindo o fim da batalha.
Foi tudo muito rápido para Derek assimilar. Em um momento Stiles estava ao seu lado, sorrindo e lhe dando suas irmãs em surpresa, no outro o garoto era levado por Kate, esquecido e ferido, tudo por sua culpa.
– Eu aceito. — o guerreiro invadiu o leito de Deucalion com os olhos vermelhos e inchados pelo choro recente.
– Por quê? — Deucalion parecia curioso.
– Kate passou dos limites. — Derek rangeu os dentes.
– Como? — o alfa levantou e se aproximou de Derek.
– Ela levou Stiles, como escravo. — Deucalion arqueou as sobrancelhas e se manteve em silêncio.
– Você vai perder seu tempo lutando com o coração. — essas foram as últimas palavras do alfa antes de cracar suas presas na clavícula de Derek. Derek gritou, ele nunca sentiu algo tão forte, nunca sentiu dor assim, não que o fizesse desmaiar, não que fosse demais.
Essa foi a maior chance do alfa de tirar seu coroo fora daquela guerra, afinal de contas, Kali não queria controlar ou se envolver em um problema territorial, em um território que ela emprestou para Peter, ela só queria que o bom julgamento de Deucalion a ajudasse a escolher o próximo sucessor do Rei e então transformá-lo em uma fonta de poder e obediência.
Derek acordou transtornado, o suor frio cobrindo cada faixa de pele e uma sensação de que ele não pertencia mais a si mesmo. Erica e Boyd estavam ao seu lado, a menina loira o secava e mantinha menos leganhento, usando de água fria para acalmar sua febre enquanto o capitão o observava de longe, com cautela e paciência, esperando uma falha, o estudando friamente.
– Vocês deveriam se afastar. — os olhos do guerreiro brilharam em um dourado intenso, Erica encarou Boyd que assentiu, deixando que ela se afastasse lentamente. — Você também deve ir, não quero machucá-los. — Boyd se aproximou e sentou na beirada da cama, Derek se encolheu.
– Como pretende usar sua nova condição ao nosso favor, senhor? Se escondendo debaixo da cama? — Derek arqueou as sobrancelhas e olhou ao redor do quarto, paranoico.
– Você não pode falar assim comigo. — Derek tremia.
– Vai chorar? — Vernon sorriu e o lobisomem mostrou suas garras, presas e rosnou, ficando na defensiva. — Bom, isso é bom. — Derek rosnou novamente. — Eu não tenho medo de você, treinei Jackson, não existe nada pior do que aquele filho da puta arrogante. — Derek aos poucos voltou ao seu estado humano. — É bom que aprenda a se controlar Hale, nós temos uma guerra lá fora e um príncipe prisioneiro por sua causa. — Boyd deixou Derek sozinho, o lobisomem não se sentia melhor em lembrar de Stiles nas mãos de Kate.
Deucalion foi embora, Derek não esperava nada muito acolhedor do alfa, mas o pouco que sabia sobre sua condição deixava claro que Kali não queria se envolver, muito menos ajudá-lo, quanto mais estrago o descontrole de derek fizesse, melhor para a postura heróica da grande Rainha quando viesse limpar a bagunçar.
– O que estava pensando ao enviar um exército para destruir os bens dos Argent? — Peter entrou em seus aposentos furioso.
– Medidas extremas são úteis em uma guerra. — Derek tinha tomado seu tempo para construir algum controle nas últimas semanas, principalmente com a ajuda de Laura, sua carta na manga contra Kate.
– Esse reino é meu! Você não vai destruí-lo por capricho! Foda-se se seu brinquedinho sexual foi capturado! Stilinski pode ser ótimo em seduzir com o que tem dentro das calças, mas meu reino não vai cair por causa dele! — Peter não teve tempo de se preparar para o impacto contra a porta de metal pesado, ou para o braço torcido nas costas.
– Você o estuprou, o mesmo que faz contra Malia, sua filha. Você nem mesmo poupou Lydia! Acha que me importo com seu poder? Experimente me tirar do sério Peter e você pode nunca mais acordar, posso garantir que nem existam restos para seu povo amado velar. — Derek o soltou, fazendo com que o homem caísse no chão e saiu, o deixando sozinho e sem direito de resposta.
Peter nunca esteve mais furioso, Derek o insultou, ameaçou e mesmo assim, ele dependia do sobrinho para manter-se seguro das tropas inimigas, mesmo que seu próprio sangue o ameaçasse. Malia estar no palácio, caminhando despreocupada pelos corredores, não parecia certo para ele, não o deixava com um bom pressentimento. Peter tinha um instinto, ele só não conseguiu controlar por toda sua vida, naquele momento, vendo sua filha feliz como nunca, não parecia certo, ele só precisava consertar isso e tudo ficaria bem, ele estaria bem, calmo, são para cuidar de Derek depois disso.
– Venha comigo! — o rei puxou Malia pelo braço e a jogou dentro de seu escritório.
– O que você quer? Pensei que tinha desistido de mim. — essa Malia que o afronta, não era comum, ele não gostava disso.
– Cale a boca e tire a roupa. — a garota deu passos para trás, isso não a salvaria. — Eu mandei tirar a roupa! — o descontrole de Peter, o orgulho ferido, a vulnerabilidade ao ser humilhado e derrotsdo por seu próprio sobrinho, alguém inferior.
– Não! Me solte! — Malia se debatia e gritava, enquanto o rei jogava seu manto no chão e a debruçava sobre a mesa de madeira.
– Você sabe que quer isso, que vai ser bom. Se não quisesse o que faria aqui hoje? — Malia tinha um choro alto, seus braços torcidos nas costas geravam dor e o nojo de ter Peter a tocando era demais. — Veja como isso é bom, princesa. — Malia gritou, ela não queria aquilo, ela não suportava mais a dor.
– Peter? — Lydia abriu a porta do escritório esbaforida, tinha ouvido gritos e seu instinto tinha dito que era sua filha, ela só não esperava ver seu marido ali.
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