Era uma vez Habsburgo

13 O Capitão Arrogante e o Cavaleiro Nativo


Jackson sempre foi o melhor capitão das tropas de John Stilinski, isso não queria dizer que ele era o mais querido ou educado. Boyd tinha muitas restrições em trabalhar com ele, mas ao ser surpreendido por uma briga entre Lady Hale e o rei Peter, ele só poderia recorrer ao infeliz do Capitão Whittemore.

– Eu fui chamado para apartar uma briga de casal? — Jackson parecia entediado.

– Não Jackson, você está aqui porque eu requisitei. — Lydia o encarou irritada, por mais insensível que o capitão parecesse, ele percebeu que a Consorte do rei esteve chorando.

– Ao que devo a honra? — ele manteve o tom, mesmo não querendo parecer hostil ou afrontar a autoridade limitada da ruiva.

– Preciso que me leve a Torre em que Cora se esconde. — Jackson riu.

– Está brincando comigo, certo? O rei me mataria por olhá-la, acha mesmo que vou tirá-la do palácio? — Boyd fez menção de interferir, mas a ruiva o interceptou.

– O rei é seu amigo, Capitão Whittemore? — Jackson franziu o cenho.

– Nunca foi, aquele desgraçado...

– Estuprou sua mãe e a matou logo depois que você nasceu, um filho ilegítimo de um monstro que subiu ao poder se fingindo de amante e correspondente da rainha Kali. O rei Peter Hale, capitão Whittemore, é seu pai. — o loiro arregalou os olhos, confusão e ódio dividindo espaço, entrando em choque. — Esse mesmo homem que cometeu uma atrocidade imperdoável e sem motivo algum, porque o ego nunca será uma razão recomendada, estuprou por longos anos, Malia Tate Hale, filha também da sua mãe, sua irmã gêmea, ambos filhos desse rei que, para dua informação, obrigou Stiles Stilinski, o príncipe e filho do Rei Guardião, seu patrão a passar um fim de semana de tempestade aqui, servindo-o sexualmente, mesmo contra a lei, com a premissa de execrá-lo dessa sociedade, se contasse a alguém, esse mesmo rei que me enganou durante minha adolescência, que me iludiu e me fez crer que éramos feito um para o outro, que me levou para a cama, manchou a honra da minha família, os entregou para Kali e então, na tentativa de me manter segura e sempre a vista de seus desejos sujos, me colocou para dormir por quinze anos e teve a maldita ideia de me estuprar enquanto eu não podia ao menos perceber. Esse rei que você odeia por ter matado seu suposto pai, o culpando pela morte da sua mãe, é muito pior Jackson. Esse rei deixou uma criança no meu útero e eu não quero que ele saiba, eu não quero que ele me encontre e eu vou fazer qualquer coisa para vê-lo louco e morto. Então, Capitão Whittemore, o que me diz? — Jackson levou um momento, seus punhos cerrados, os olhos apertados em fúria, os dentes rangendo.

– Quando quer partir? — Lydia encarou Boyd por um momento e o cavaleiro assentiu.

– Agora se possível. — Jackson estendeu sua mão para a ruiva que olhou uma última vez para Boyd antes de o seguir.

Boyd tinha coisas mais importantes para tratar nesse momento. Erica tinha ficado com Derek, enquanto Malia tinha sido levada de volta para a Floresta Negra, pelos gêmeos caçadores. Peter estava trancado no escritório, Boyd o tinha mantido lá e resolveu dar alguma vantagem para Lady Hale enquanto se preocupava com o próximo passo nessa guerra, salvar Stiles Stilinski.

Stiles acordou nu, ele se lembrava de ter sido golpeado na cabeça e a dor cobrava seu preço agora. O lugar era estranho, escuro, úmido e quente, olhou ao redor para se descobrir em um salão de punições, o brasão em forma de arco e flecha confirmava que aquele era o território dos Argent.

– Então a Bela Adormecida acordou. — a voz grossa e fria tomou a atenção de Stiles, que viu um homem moreno, de olhos claros e jovem o encarar com descaso. — Boa escolha se manter em silêncio, afinal de contas, de hoje em diante sua voz pertence a Lady Kate. — Stiles revirou os olhos e olhou ao redor, uma decisão pouco sábia. — Nunca revire os olhos, escravo insolente. — o homem agarrou o príncipe pelos cabelos, o fazendo lacrimejar ao acionar mais ainda sua dor de cabeça. — Levante-se, Lady Kate o espera. — o homem o jogou contra o chão de terra batida e caminhou pelo corredor, Stiles o seguiu.

Muitos escravos estavam pendurados por cordas ou grilhões, eles eram constantemente estimulados e punidos, Stiles odiava estar ali e imaginar que sua mãe passou por isso, por ele. Kate não foi a primeira pessoa que ele viu, na verdade, Lady Blake era a mulher que o esperava no salão de banho e isso era assustador.

– Mexa-se. — ela o empurrou em direção a tina, Stiles sabia que aquele momento era a oportunidade perfeita para ficar calado. — Esses homens vão limpá-lo minuciosamente para Lady Kate e você irá obedecê-los e não reclamar ou teremos uma longa e agradável noite no jardim das almas. — Lady Blake sorriu e alisou sua bochecha, Stiles não podia se ver, mas imaginava que parecesse assustado, ele se sentia assustado.

O banho era constrangedor, ele não podia se tocar ou impedir que o tocassem. Eles não era delicados ou cuidadosos, pareciam obstinados em fazê-lo desconfortável, ele teve certeza disso quando viu Jennifer Blake rindo enquanto o observava. Stiles não tinha problemas com seu corpo, ele não se importava quem fosse vê-lo ou tocá-lo, ele só queria descobrir um jeito de sair dali e matar Kate, porque sim, ele a mataria, por Derek.

Boyd entrou na sala duas horas depois do combinado com Lydia, ele imaginava ser um bom tempo de vantagem e não se importou com a fúria do rei alcoolizado que encontrou.

– Você vai perder sua cabeça! Onde está minha senhora? — o dedo em riste não fez diferença na serenidade de Boyd, ele apenas daria tudo para ferir Peter com suas próprias mãos.

– Lady Hale foi descansar em seu leito há algumas horas. — Boyd foi simples e Peter bufou.

– Ordeno que traga Malia aqui, eu preciso que ela volte aqui! — ele gritou e socou a mesa.

– Lamento, majestade. Lady Tate está em seu repouso místico.

– Repouso místico? Não seja idiota Vernon! Arranque-a daquele rio e a traga aqui, viva ou morta! Eu não me importo! — ele jogou todas as coisas em sua mesa no chão.

– Nenhum homem deve vê-la fora da lua, majestade. — Peter gritou.

– Eu quero um cavalo, vou eu mesmo buscar aquela garota! — o rei saiu irritado em direção aos estábulos.

Era um plano simples, Malia tinha concordado em sumir pelo bem de Lydia, ela tinha pro,etido desaparecer por um tempo, o suficiente para o bebê nascer, a guerra aquietar e Derek poder ajudá-las, mas não aconteceu.

Peter chegou rápido demais, os gêmeos mau deixaram a princesa na beira do rio e o cavalo relinchou enquanto o rei parava bruscamente. Malia não pensou muito, ela estava nua, coberta por água e iniciando sua tranformação, era seu momento de vulnerabilidade, mas que poderia ser usado contra seu pai, devido ao álcool brincando com os sentidos do homem.

– Você me pegou. — ela murmurou, a voz doce e melódica começando a tomar o lugar do seu tom normal.

– Você nunca seria capaz de escapar, Malia. — a garota mergulhou por um instante e Peter cambaleou até o rio.

– Nunca me viu assim, não é? É triste ficar aqui sozinha, é bom uma companhia de vez em quando. — Peter estava bastante surpreso com a pele brilhando, os cabelos cobrindo os ombros e caindo pelas costas, os seios nus, o tronco coberto por escamas delicadas e a calda começando em seus quadris, era lindo e assustador.

– Você é linda. — Malia engoliu em seco, ela não queria ouvir isso, ela não queria a admiração do mesmo homem que a condenou a isso, o mesmo homem que a condenou a dor.

– Venha, a água está quente. — os olhos repletos de lágrimas, os braços estendidos e a melodia ecoando na mente de Peter eram avisos ambíguos, significavam vontades opostas que o levaram mesmo assim a caminhar em direção a sereia.

– Você me enganou, a água está fria. — Peter batia o queixo ao sentir a água submergir seu corpo até o pescoço.

– Eu sinto muito por isso. — não pela água, Malia queria poder desenvolver, dizer que o perdoava, que seria capaz de esquecer, mas não era verdade. — Eu sinto muito, pai. — seu olhar tomou um brilho animalesco e prateado, ao mesmo tempo que seus braços envolveram Peter em um abraço mortal, o levando para o fundo do rio.

Água por todos os lados, os pulmões inflando, o peito ardendo, o corpo paralisado e imóvel. Os olhos de Peter arregalados e focados no brilho assustador e ferido que Malia tinha, a morte não poderia ser tão cruel ou doce, o Hale mais velho não sabia se o que doía eram seus pulmões inúteis ou a verdade sobr eo monstro que ele mesmo se tornou.

Lydia se sentia cansada. Eles andaram a maior parte do mangue escuro e lamacento que envolvia a Floresta Negra, aquele, segundo Jackson era o jeito mais seguro de chegar a Torre.

– Eu preciso parar. — Lydia se escorou em uma árvore e pousou a mão no peito.

– Você está bem? — a ruiva respirou fundo e assentiu. — Tome, um pouco de água vai fazer bem. — ela aceitou e sorriu.

– Você não é tão idiota quanto parece, Jackson. — o loiro revirou os olhos e a ajudou a sentar em um tronco seco.

– Eu não costumo matar mulheres grávidas durante o meu expediente. — Lydia gargalhou.

– Não se faça de estúpido, eu o elogiei. — ela devolveu o cantil de água e se recostou.

– Acha que consegue continuar? — Jackson parecia hesitante, preocupado.

– Eu tenho um bebê de cinco meses dentro de mim, vou ter sorte se ele ainda estiver aqui depois de andar um dia inteiro.

– Tudo bem, tem uma caverna há quinhentos metros, nós podemos passar a noite e amanhã continuamos, é seguro.

– Me dê dez minutos.

– Tudo bem. Como você descobriu?

– Sobre Peter? Eu acordei e achei meu corpo estranho, ele queria um casamento as pressas, me contou histórias que não batiam e quando perguntei como despertei, ele me contou mentiras. Stiles me ajudou com pesquisas e me contou a história com detalhes muito ricos, isso ajudou, Peter não é um bom mentiroso e em dois meses eu estava lactando. Eu descobri que a única forma de me despertar era através do coito, mas também descobri que é um feitiço que só quem o lançou pode quebrar. — Jackson bufou.

– Você quer esse bebê? Mesmo sendo daquele monstro? Não vê que ele criou um imbecil e uma manipuladora de homens? — Lydia sorriu e alisou a bochecha do loiro.

– Malia é um doce de menina, ela não tem culpa de ser amaldiçoada e você é apenas um incompreendido. Meu bebê pode ter sido gerado por estupro, como você e ela, mas o que vai transformá-lo em alguém bom ou ruim, é minha criação, meu amor. — Jackson se encolheu.

– Minha mãe não merecia morrer. — Lydia segurou seu rosto e o encarou com seriedade.

– Não, ela não merecia e eu acredito que você é um homem bom, acha mesmo que eu confiaria minha vida a alguém como Peter?

– Por que pensa que sou diferente?

– Peter teria tentado me beijar se estivesse tão próximo assim de mim, ele o faria com qualquer mulher que tentasse confortá-lo.

– Quem te garante que eu não vou? — Jackson segurou o pulso da ruiva, sem força.

– Você odeia o que Peter fez, tem extrema repulsa, por isso, aceitou me trazer. Você pode dormir comigo se quiser, me forçar, tirar meu bebê e me matar se quiser, não sou forte para impedi-lo, mas Peter nunca pensaria nisso antes de fazê-lo, simplesmente teria feito e isso é o que torna vocês dois tão diferentes. — Jackson relaxou e se afastou da mulher atordoado.

– Você está pronta?

– Claro. — a ruiva se levantou e eles seguiram viagem.

A caverna era úmida e fria, Lydia não gostava do cheiro de minério, mas era um lugar seguro. Jackson tomou seu tempo buscando madeira, fazendo fogo e conseguindo água e algumas frutas para eles, a ruiva apreciava a dedicação do menino Whittemore, admirava seu esforço para não ser como o pai.

– Você pode ficar com meu manto. — ele tirou, ficando com sua calça e camisa fina e entregando a mulher.

– Vai sentir frio, não quero que adoeça por mim. — Lydia se manteve próxima a fogueira e mastigou algumas frutas.

– Lady Hale. — ela o encarou com as sobrancelhas arqueadas.

– Martin, meu nome é Lydia Martin. — Jackson fez que sim com a cabeça e sentou ao seu lado. — Nós podemos dividir. — ela abriu o manto e os cobriu, se aproximando até tocarem seus lados e serem envolvidos pelo calor do tecido.

– Eu não quero fazê-la desconfortável com meu toque. — Jackson tentou se afastar, mas ela o segurou pelo pulso.

– Não me sinto desconfortável em ser aquecida, não tenho repulsa aos homens ou a você, Jackson. Peter não me estragou para o mundo, eu nunca permitiria que o homem que me tirou a família e metade da vida atrapalhasse minha sede de viver. — Jackson sorriu e relaxou ao seu lado.

– Você é uma mulher muito forte. — ele encarou Lydia por muito tempo, analisando seus traços, sua beleza, seus lábios.

– Obrigado. — ela sorriu tímida e o encarou da mesma forma.

– Deveríamos dormir. — Jackson limpou a garganta e desviou o olhar.

– Claro. — Lydia o esperou deitar e se aconchegou em seu peito. — Espero que não se importe. — ela murmurou sonolenta.

– Tudo bem. — Jackson não conseguiu dormir muito.

Deucalion encontrou o corpo do Rei seis dias depois enquanto passeava pelas terras de Habsburgo, o homem morto, roxo, afogado e ferido tinha uma história a contar, uma que o alfa não queria ouvir. A notícia sobre a morte de Peter foi abafada, por uma semana e Derek nomeado pelo Consorte, o Rei não oficial, até o fim da guerra.

A morte do rei deixou a população em um tremendo caos, Deucalion não tinha a intenção de ver pessoas saquearem as riquezas que pagavam impostos altos a Maldônia se transformarem em mantimentos doados a população. Algo precisava ser feito e Derek estava focado demais no menino Stilinski para isso, o melhor era tomar o lugar do beta.

– Derek, vejo que não tem tido muito sucesso em controlar o povo.

– O que você quer Deucalion? Pensei que você iria embora e que queria de alguma forma me deixar aprender a controlar esses poderes sozinho! — Derek não tinha o melhor dos temperamentos.

– Você não pode gritar comigo, sou seu alfa lembra.

– Que tipo de ligação nós temos? Você me abandonou, me deixou quase matar minha tropa, qual o seu problema? Não gostou da última coleta de impostos? Peter não encheu os bolsos da vadia da sua rainha o suficiente?

– Você não deveria falar assim comigo! — Deucalion rosnou, mas não foi o suficiente para fazer Derek abaixar a cabeça, o lobisomem estava certo, ele não era beta do Consorte, ele era um ômega e não tinha a menor vontade de se submeter.

– Você quer brincar Deuc? — Derek deixou as garras aparecerem e estalou o pescoço para se transformar.

Boyd entrou na sala no momento em que Derek e Deucalion tinham suas garras cravadas em seus órgãos internos e Erica gritou, chamando atenção do alfa que acabou perdendo um pouco da concentração e sendo atingido no pulmão, vomitando uma enxurrada de sangue escuro e nojento.

– Saíam daqui! — Derek gritou e foi atingido por um chute.

– Eu sou um alfa! — Deucalion rosnou e voou em cima de Derek, Erica não pensou no que estava fazendo até acertar o alfa com uma estátua de ouro.

– Droga! — Boyd correu e se colocou na frente da garota, sendo rasgado pelas garras de Deucalion, que teve seu pescoço quebrado por Derek.

– Merda! — Derek gritou e tentou acudir Boyd.

– Ele vai morrer! É tudo minha culpa! — Erica estava chorando.

– Não se preocupe, não foi sua culpa. — Boyd cuspiu sangue em tosses e Derek empurrou a loira para longe.

– Você quer viver? — o lobisomem pediu afoito.

– Seus olhos estão vermelhos, o que aconteceu? — Erica pediu assustada.

– Responda Vernon! — Derek encarou o cavalero e o viu assentir e então ceder ao desmaio. — Segure-o. — Derek ordenou.

– O que você vai fazer? — Derek a encarou irritado.

– Mandei segurá-lo! — Erica obedeceu.