Era uma vez
3 Uma garota Valente
Notas iniciais

O dia estava ensolarado, o grande castelo real estava cheio e muito movimentando, todos esperavam ansiosamente pela presença de Merida, que naquele dia completava seus dezesseis anos, trazendo assim o grande dever de escolher seu futuro marido, mas ninguém sabia o que se passava na cabeça da bela garota ruiva, ela nem de longe queria um marido, quem dirá responsabilidades.
Aproveitando que todos do reino estavam ocupados, a menina foi até o estábulo onde encontrava-se seu cavalo Angus, — um cavalo preto, com as patas brancas e olhos escuros — que era de grande importância para a ruiva, visto que ganhará ele de seu pai ainda pequena, trazendo um laço ainda mais forte entre o animal e ela.
— Olá garotão. Olha o que trouxe pra você. — Merida sorriu mostrando o torrão de açúcar para seu cavalo que relinchou brevemente de alegria fazendo a menina acariciar sua crina e sorrir entregando o torrão de açúcar para o cavalo se deliciar.
Logo após seu cavalo terminar de comer o torrão de açúcar Merida ajeitou a cela em cima do mesmo e subiu para mais uma de suas cavalgadas, mas esperava que aquele dia fosse mais especial do que os outros, e sabia onde encontraria o seu especial.
Depois de muito cavalgar com Angus, a menina já estava ficando cansada, mas queria fazer bom uso de seu novo arco e flecha, já que seu pai Fergus havia lhe dado pela manhã antes que a mesma saísse escondido do castelo.
Angus acabou adentrando na floresta com a garota e não demorou muito para que a menina visse um rastro de Will O 'os em sua trilha, e ela sabia muito bem o que aquilo significava, sua mãe sempre lhe contou histórias sobre aqueles tipos de poeiras cósmicas, pois era assim que ela os preferia chamar, afinal eles eram pequenos, azuis e brilhavam enquanto flutuavam para a pessoa mostrando-lhe o seu destino.
Como Merida não queria voltar para casa tão cedo, ela decidiu se levar pela curiosidade e desceu de seu cavalo, pois o mesmo parecia um tanto quanto assustado com os Will O 'os. A menina ruiva tentou pegar um dos Will O 'os, mas sem muito sucesso fazendo com que ele desaparecesse e reaparecesse mais há frente, e assim foi até que ela chegasse em uma casinha velha de madeira que até então parecia esquecida entre as várias árvores e o musgo que havia entre algumas brechas de uma madeira e outra. Quem moraria aqui? A garota se perguntou analisando a estrutura da casa. À porta era de madeira também, mas parecia a única coisa intacta naquele lugar, e a maçaneta intrigou à jovem, afinal era cristalina e parecia tão bem detalhada em formato oval com um leve relance, e logo na fechadura havia uma chave, antiga, preta e desgastada.
Merida sem perder mais tempo e sem ver os Will O 'os, simplesmente girou a chave e abriu à porta sendo surpreendida pelo barulho de sinos, aquilo era novo pra ela. O interior da casa estava escuro até então, foi quando uma lamparina foi acesa, como em um passe de mágica as coisas foram surgindo. Várias estátuas com ursos talhados na madeira de diferentes tamanhos, cores e formas. Alguns eram baixos e com olhos grandes, alguns altos com os dentes tortos, mas alguns eram perfeitos e bonitos. A ruiva observava todos aqueles ursos surpresa, confusa e curiosa, afinal quem colecionaria tantos ursos assim?
Olhando para um balcão em sua frente Merida percebeu um caldeirão e o mesmo estava borbulhando graças a pequena fogueira que havia embaixo dele.
— Procura alguma coisa? — uma velha senhora de cabelos brancos e pele clara enrugada apareceu atrás da ruiva e a mesma se assustou dando dois breves passos para trás.
— Ah, eu estou aqui porque... Por que estou aqui mesmo? — sussurrou para si mesma fazendo com que a senhora risse.
— Sou Morgana, a dona da loja, tenho várias estátuas, de vários tamanhos, cores, formas, até sabores. Quer experimentar? — perguntou pegando um pequeno bolo em formato de urso tão bem detalhado que nem parecia de comer.
— Estou bem, obrigada. Eu... Acho que só queria algo que pudesse mudar meu futuro, sabe? Uma porção que pudesse fazer com que todos vissem que não preciso me casar para ser uma boa rainha.
— Bom querida, acredito que todos fazemos nosso próprio destino, mas... Isso é um brasão real? — Morgana analisou o colar da ruiva atentamente vendo o selo da família real.
Merida era a princesa, próxima rainha, tinha os cabelos ruivos revoltos e preferia sempre os deixarem daquela forma, sua pele era clara e seus olhos azuis claro, e todos sabiam que ela era muito bela ao seu modo viking de ser. Morgana reconheceu sua beleza assim que há viu, e tinha interesses nas pessoas da realeza, então poderia ajudar Merida a encarar seu destino, ou talvez pudesse simplesmente lhe dar a porção que tanto desejava.
— É sim. Minha mãe me deu quando eu era pequena. Conhece ela? O nome dela é....
— Elinor? Sim, eu conheço. — Morgana sorriu mostrando um fileira de dentes amarelados e uma outra com alguns dentes faltando, mas não menos amarelados — Já que você tem algo que eu quero, talvez eu tenha algo que você quer...
E antes que Merida pudesse responder a loja havia sumido e tudo em seu interior havia se tornado mais antigo ainda, com poções, e... magia. A ruiva ficou encantada quando em um passe de mágica Morgana apareceu atrás do balcão, sendo que a mesma se encontrava em sua frente.
— Se estiver disposta a me dar seu brasão, lhe darei uma porção.
— Meu brasão?!
A menina analisou seu cordão e suspirou o tirando de seu pescoço e o colocando em cima do balcão, não havia sentimento melhor do que o de poder ser livre, então ela faria isso, ela abriria mão de um objeto de valor, por algo ainda mais valoroso. Morgana assentiu com a cabeça pegando o brasão e o guardando em uma caixa de madeira com um pequeno símbolo em formato de urso.
Morgana fez uma porção aparecer junto com uma pequena torta de amoras aparecer e sorriu entregando na mão da menina. Antes que Merida pudesse fazer mais alguma pergunta, a senhora lhe empurrou para fora.
— Algumas gostas dessa porção nessa torta fará com que qualquer pessoa mude de ideia sobre você e não irá te questionar sobre nada o que você deva fazer. Agora vá. — e Morgana fechou a porta fazendo com que a chave sumisse de sua fechadura e Merida não pudesse entrar novamente no chalé.
— Está bem... — a ruiva sussurrou observando a torta em suas mãos e o pequeno frasco da porção vermelha, já sabia há quem daria aquela porção, então despejou a porção toda em cima da torta.
Então determinada Merida voltou para casa, achando com facilidade o caminho de volta. No palácio os convidados já estavam há espera para conhecer a tão falada princesa Merida, os quatro clãs já estavam há espera também, impacientes por sinal para saber quem no fim ganharia a mão da princesa.
Merida entrou pelos fundos da cozinha e subiu as escadas do castelo correndo indo para seu quarto deixando a torta sob sua cama, e quando pensou estar sozinha, sua mãe fechou a porta atrás de si furiosa.
— ONDE ESTAVA? — esbravejou Elinor.
— Na floresta, com Angus. — Merida revirou os olhos observando a nova tapeçaria que provavelmente sua mãe havia acabado de fazer, pois virá a rainha bordando quando passeava pelos corredores do palácio.
— Tem que se arrumar. Seus pretendentes estão há espera. — murmura pegando no pequeno armário de madeira da menina um de seus vestidos para baile, e escolhendo um vestido verde com mangas que deixava os ombros nus e realçava a cintura com um pequeno cinto marrom — Vista-se.
— Esse vestido é... — antes que terminasse de falar Elinor olhou para a menina com reprovação — Maravilhoso.
— Que bom que gostou, então meu amor... — os olhos da rainha pousaram sobre a torta em cima da cama — Uma torta?
— Há, eu fiz, pra você. — sorriu forçadamente para a mãe tentando demonstrar sua confiança ao falar.
— Pra mim? Que gentil da sua parte.
A ruiva foi até sua cama e pegou a torta e estendeu para sua mãe tirando um pequeno pedaço com a mão mesmo, fazendo com que o ato fosse recebido com um olhar de desaprovação da rainha, mas ainda assim aceitou com um sorriso no rosto e comendo seu pedaço.
— Isso está maravilhoso. É fantástico, e o sabor.. hum... — enquanto saboreava o pedaço de sua torta Merida observava atentamente sua mãe.
— Então mãe, eu estava pensando e se, não houvesse um casamento? — perguntou para ter certeza de que a porção havia feito efeito.
— Nem pensar, haverá um casamento sim! — Elinor olhou para a filha arqueando as sobrancelhas e então um mal estar se apossou de seu corpo e a mesma desfaleceu não indo ao chão, poque Merida à segurou.
Merida deitou sua mãe em sua cama e observou o semblante da mulher vendo os cabelos castanhos de sua mãe sem um certo brilho e a pele um pouco mais pálida do que o costume, e os olhos castanhos já estavam meio sem cor. Ela deu uma porção que mataria sua mãe? Foi então que um brilho forte surgiu em sua frente e a jogou para longe fazendo com que a mesma batesse a cabeça na parede, e tudo se tornou escuro.
Quando acordou já não viu sua mãe no quarto e sim um urso enorme, marrom e bem peludo. Primeiramente a ruiva levou um susto, depois procurou por sua mãe e sentiu o desespero tomar conta, mas então viu que o urso usava a mesma coroa que sua mãe tanto ostentava e olhou incrédula para o urso.
— Mãe? — perguntou ainda com dúvida e o Elinor tentou responder, mas sua forma de urso saiu como um gemido, ou até mesmo um rugido e a mesma entrou em desespero também — Calma, eu.. pelos deuses o que eu fiz? Vamos achar uma solução, só precisamos sair daqui.
Então com um aceno de cabeça Elinor concordou em seguir Merida para fora do castelo, em uma tentativa arriscada de sair dali com tantos vikings no castelo, mas a ruiva sabia uma saída e tinha em suas costas um arco e flecha que lhe trazia sua confiança necessária.
Passando pelos túneis do palácio, rapidamente ambas já estavam fora dos muros reais e corriam pela floresta com medo de que alguém tivesse visto elas saindo. Merida sorriu vendo que estavam seguras e fechou os olhos sentindo a brisa, foi quando a mesma topou com uma pessoa alta e foi ao chão. Sua mãe com medo de que fosse um dos convidados reais se escondeu entre as árvores, aproveitando sua distância da menina para que não fosse vista.
— Me desculpa. — sussurrou a ruiva e olhou para cima arrependida, mas logo um sorriso surgiu em seus lábios observando o garoto moreno, com olhos castanhos e um sorriso perfeito em sua frente lhe estendendo à mão para que a mesma se levantasse.
— Eu que devia me desculpar. — o garoto sorriu ajeitando sua capa marrom e limpando-a levemente com a outra mão.
— Sou, Merida Dan Broch.
— Merlin Weber.
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