Por Camille.

Meu pai e eu estávamos no quarto da minha mãe, ele estava sentado na poltrona conversando com minha mãe que graças a Deus teve uma melhora repentina e milagrosa. E eu? Estava sentada no chão revisando mais uma vez a ficha da Emily, revisando os estudos sobre os remedios que ela toma a tentando procurar algum mais eficaz. Estou ficando nisso dia e noite,preciso ajudar aquela pequena a ter uma vida.

—Filha, acho que você deveria dar um tempo desses papéis que não larga desde ontem.-Disse meu pai.

Olhei pra eles e sorri ao ver que eles me olhavam atentos.

—Pai, não posso.

—Mas porque?-Perguntou minha mãe.

—Essa ficha aqui é de uma garotinha muito linda e fofa que tem leucemia em um nível avançado.

—Nossa, filha. Mas não sabia que residentes ficavam em um caso específico. Achei que eles lidavam com vários casos ao mesmo tempo.-Disse meu pai.

Assenti.

—Mas é isso mesmo. Só que o Jake, o primo do Scott, é pediatra aqui, nós viramos amigos e agora eu sou residente dele e ele me deixou exclusivamente com esse caso. E estou totalmente empenhada pra ajudar a Emily a melhorar. Eu preciso fazer algo pra que ela tenha uma chance de viver.

—Você vai conseguir.-Disse meu pai.

—E o pior disso tudo é que ela só tem 5 anos. Ela deveria estar deixando os pais loucos por estar correndo pela casa, fazendo travessura e descobrindo coisas, não vivendo em um hospital.-Disse indignada.

—Infelizmente as coisa não são como a gente quer.-Disse meu pai.

—Mas em uma coisa eu acredito.-Disse minha mãe e nós olhamos pra ela.-Que tudo tem um propósito.

Assenti e sorri

—E então, como vai o estudo dessa ficha?-Perguntou meu pai.

—A cura da Leucemia geralmente é por transplante de medula óssea, mas infelizmente não é qualquer medula óssea que nosso corpo aceita. Geralmente a de parentes de primeiro grau são as mais garantidas de obter sucesso.

—Então, onde está a família dela?-Perguntou minha mãe.-Porque ainda não testaram?.

—Essa é um dos problemas, os pais dela são pais adotivos. -Disse e eles fizeram uma cara de triste.

Peguei meu celular para verificar a hora.

—Pais, daqui a pouco é a hora do remédio da Emily. Preciso ir.-Disse me levantando.

—Boa sorte, filha.-Disse minha mãe.

—Vai dar tudo certo.-Disse meu pai.-Emily está em ótimas mãos.

E olhei sorrindo e sussurei um obrigada. Sai fechando a porta.

Fui andando pelos corredores em direção direção área infantil analisando minha blusa azul que havia vestido especialmente por conta de Emily gostar de azul. Mas antes de ir para o quarto de Emily dei uma passada no meu armário pra pegar alguns esmaltes e umas maquiagens infantis que havia comprado ontem depois da minha conversa com a Emily.

Quando abri a porta do quarto da Emily ela nem olhou pra mim, estava focada demais na conversa com uma moça que parecia ser um pouco mais velha do que eu e estava sentada na poltrona ao lado dela.

—Mamãe, quando o papai vem?-Ela perguntava triste.

—Ah, minha filha, ele está trabalhando bastante pra poder pagar o hospital pra você melhorar e acaba que não da tempo dele vim aqui.-A mãe justificou o pai.

—Ta bom, mas depois a gente pode ligar pra ele de novo? É que eu to com soudade.

Meu coração se partiu ao ouvir quando ouvi sua voz chorosa.

—Ele também está morrendo de saudade. E pediu pra eu te dizer que sábado ele vem e visitar.

Emily abriu um sorriso lindo que iluminou o seu rosto.

—Sábado? Falta quantos dias pra sábado?.

—Faltam 4 dias.

—Assim mamãe? -Ela perguntou mostrando quatro dedinhos

—Parabéns.-Disse a mãe comemorando com o pequeno jesto de Emily.

Socorro, sou incapaz de atrapalhar esse momento.

—Tia Mille!!!.-Gritou Emily feliz.-Falta assim só pro meu papai vim me ver.-Disse mostrando quatro dedos pra mim.

Sorri quase transbordando de felicidade pela felicidade de ve-la contente.

—Olá, Em.-Ela sorriu com o apelido.-Bom dia senhora Libert.-Cumprimentei a mãe de Emily que sorriu amigavelmente pra mim.

—Oi, querida.

—Que bom, aposto que seu pai está morrendo de saudade.-Disse olhando e fazendo carinho no rosto da Emilly.

—Eu também to com soudade dele.-Disse olhando pra mim e brincando com a minha mão.

A porta do quarto foi aberta e a enfermeira entrou com a bandeija de remédios da Emily.

—Pode ser a tia Mille de novo?-Ela perguntou meia manhosa e eu ri.

Olhei pra enfermeira pedindo permissão, afinal, aquele era o trabalho dela, e não são todos que gostam de uma "ajudinha".

—Pode, mas depois vamos direto pro banho viu mocinha?-Perguntou a enfermeira e Emilly sorriu.

—Ta bom.

Dei o remédio pra ela e a enfermeira e levou pra tomar banho.

—Obrigada por tomar conta da minha filha.-Disse a mãe de Emilly se levantando a ficando em pé ao meu lado.

—Que isso, o prazer é todo meu, a Emilly é um amor de criança. A melhor paciente que eu poderia ter, tenho certeza que está fazendo melhor pra mim do que pra ela.-Disse e a mãe dela riu.

—De qualquer forma, obrigada.-Disse sorrindo gentil.

—Que isso, senhora Libert. É meu trabalho.

—Só Hannah, por favor. E posso ver que você está fazendo além do seu trabalho, você está cuidando realmente da minha filha, serei eternamente grata por isso.

—Tudo bem, Hannah.-E sorri também.-Quero que saiba que sempre darei o meu melhor para a recuperação da Emilly,sua filha significa muito pra mim, quero que ela tenha uma vida, vá pra escola, faça amigos, vá pra faculdade.

Ela assentiu.

—Eu sei, querida. Eu estava orando por isso, e olhando o jeito que você trata a minha filha e como ela gosta de você, não há dúvida que Deus ouviu e atendeu minha oração. Assim que cheguei consegui ver a diferença no humor del, a Emilly não está mais tão triste como antes, e pude ver agora o porque, porque Deus enviou um anjo pra cuidar dela. E esse anjo é você, querida.-Pude senti uma lágrima saindo do meu olho direito mas a limpei rápido.

—Agradeço a confiança, mas a privilegiada disso tudo sou eu que posso passar um tempo com sua filha. Ela que é um anjo.

Hannah sorriu e Emilly chegou do banho.

—Filha, a mamãe vai ter eu o trabalhar agora, promete se comportar?

Enquanto elas se despediram eu peguei meu bloquinho no bolso do jaleco e anotei meu número com meu nome.

—Tchau,filha.-E deu um beijo na testa de Emily.

Quando Hannah passou por mim eu a entreguei o papel.

—Aqui está meu número, qualquer coisa que precisar, qualquer coisa mesmo,pode me ligar. Eu sei que é tudo muito corrido, trabalho, casa e conciliar com hospital, se a senhora quiser que algum dia eu passe a noite com a Emily será um prazer. Se tiveram alguma dificuldade ou dúvida, podem me ligar também, a qualquer hora.

Ela sorriu analisando o papel.

—Obrigada Camille. Deus lhe abençoe, prospere seu caminho e unja sua mão para curar muitas vidas.

Senti algo preenchendo meu coração quando ela disse aquelas palavras.

—Amém.-Disse sorrindo e de repente fiquei extremamente feliz.

Hannah saiu deixando Emilly e eu a sós.

—Tia Mille, que blusa bonita.-Sabia que ela ia notar.

Essa é minha garota.

—Gostou?

Ela assentiu.

—É azul.

—Foi por isso que eu vim com ela, sabia que ia gostar.

Ela sorriu.

—Você vestiu uma blusa só pra eu gostar?

—Sim. E funcionou ne?

Ela assentiu.

—Eu gosto de azul.

Acho que essa é a frase que ela mais repete.

—Olha o que eu trouxe.-Disse tirando os esmaltes e a maquiagem do bolso do jaleco. Ela sorriu eufórica.

—Quanta coisa!!!!.-Pude ver brilho no olhar dela.

—Eu trouxe esmalte rosa como você pediu, mas eu também trouxe um azul.-Ela sorriu ao ouvir a cor favorita.- trouxe um lilás e o nome dessa cor aqui é nude.

—Nude.-Ela riu com o nome.-Que nome estranho. Eu achava que era marrom.-Ela disse ainda rindo e eu a acompanhei na risada.

Coloquei as coisas em cima das pernas delas que estava sentada na cama.

—É verdade. Mas se voce quiser podemos chamar de Marrom mesmo.

Ela negou.

—Não, vamos chamar de nude mesmo. É engraçado.

—Ta bom, como quiser.-Disse rindo.

—E isso aqui?-Ela perguntou apontando pra maquiagem.

—Essa maquiagem ai tem sombra e blush, se Você quiser pode me maquiar.

—Posso mesmo?-Ela perguntou empolgada.

—Claro.

—Então você vai pintar minha unha e eu faço maquiagem em você, pode ser tia?

Assenti.

—Claro que pode. Qual cor você quer pintar?

Ela pensou e analisou as cores por um bom tempo.

—am... azul!.-Sorri em resposta.

Eu sabia.

Por Scott.

Depois do nosso beijo, ou melhor, beijos. Não vi mais a Camille, pra ser mais específico desde ontem de manhã, e não conseguia tirar ela da cabeça.

—Terra chamando, Scott.-Disse Jake estalando os dedos na minha frente.

—Para de ser besta.-Disse revirando os olhos.

—Ah, você está no mundo da lua desde ontem e eu que sou o besta? Super justo esse julgamento ai.

Meu Deus quando drama.

—Que seja.-Disse por fim.

—Não vai me dizer o porque desse sorriso bobo que surge em você direto?

—Sorriso bobo? Não faço a menor ideia do que você está falando.

—Ae? Pois só hoje já te peguei com esse sorriso umas 6 vezes.

Fiz uma careta.

—Que exagerado, no máximo 3.

—Me diga logo o motivo.-Disse parando de analisar uns papéis em cima da mesa dele.

—Você é insuportável, sabia?

Ele assentiu.

—Sabia, agora prossiga.

Pelo visto não vou conseguir escapar.

—Eu e a Mille nos beijamos.

Ele arregalou os olhos e se engasgou com a própria saliva.

—Não sei porque estou surpreso.-Ele disse pra ele mesmo.

Não pude não revirar os olhos.

—E agora?-Ele perguntou.

—E agora o que?-Perguntei confuso.

—O que vocês são? Namorados? Amigos? Amigos que se beijam?

Não respondi nada, mas ele já entendeu.

—Pois é, eu recomendo que fale com ela.

Assenti.

—Sabe onde está o Dr. Victor?-Perguntei.

—Pra que quer saber onde está o seu rival?-Ele perguntou confuso.

—Ele é residente dela....

—Ah, não é mais.

Foi a minha vez de engasgar com a própria saliva.

— O que? Ela foi demitida?!-Perguntei chocado.

—Claro que não, é que agora ela é minha interna.

—Oi? Nem sabia que você era residente.

—Linha história.-Disse voltando a analisar os papéis na mesa.

—Sabe onde ela está?

—Tenho quase certeza que no quarto da Emilly, lembra dela ne? -Assenti.-Ela está me ajudando no caso.345. De nada.

Me levantei a fui em direção ao quarto que ele me indicou. Abri a porta e vi uma cena que não imaginava presenciar. Emily estava passando maquiagem no olho da Camille e quando eu abri a porta as assustei e ela olharam pra mim com cara de assustada como se tivessem sido pagas no flagra. Depois disso puder ver o estado que a maquiadora Emilly deixou a Camille e me rachei de rir, ri tanto que inclinei um pouco pra trás, depois de um tempo rindo elas me companharam na risada.

Quando me recuperei fui até Emilly passei minha mão pela sua cintura e beijei sua testa. E beijei a testa de Emilly também.

—Tio Scott, você não me disse que namorava a tia Mille.-Disse Emilly colocando a mão na cintura parecendo brava.

Olhei pra Camille que estava com os olhos arregalados e corada.

—Me desculpe, devo ter esquecido-Disse levantando as mãos em rendição. Podia sentir Camille me fuzilando com o olhar.-Como descobriu?.-Perguntei curioso para Emilly.

—Ah, tio Scott, você beijou a testa dela do jeito igualzinho que meu pai faz com a minha mãe.

Sorri.

—Então estamos no caminho certo, ne Emilly?

Ela assentiu.

—Scott, podemos conversar lá fora um minuto por favor.

A olhei e ela estava seria.

—Claro, meu amor.-Disse indo em direção a porta. Quando chegamos lá fora ela fechou a porta já dizendo irritada:

—Você está louco?-É ela realmente estava irritada.- Como você pode falar pra Emilly que a gente namora?!

Eu não consegui ouvir mais nada do que ela dizia, só fiquei admirando ela, com a maior cara de idiota, aposto! Mas não importa. Ela está bem na minha frente, então tudo faz sentido.

—Ai.-Disse alisando meu braço pelo tapa que levei dela. Esse doeu de verdade.-Porque me bateu?!

—Porque você não estava ouvindo o que eu estava falando!

—Desculpa, a culpa não é minha se mesmo com essa maquiagem divina que a Emilly fez você continua linda.-Disse e ela fez uma careta.-Me desconcentrei, desculpa! Acontece.

Fiquei analisando os lábios dela por um tempo e desejando beija-Los de novo.

Recebi outro tapa no braço.

—Ta! Pode falar! Eu to ouvindo!.

Ela riu.

—Mas bem que podia ser verdade.-Eu disse.

—O que?-Ela perguntou confusa.

—Eu e você.-Disse me aproximando dela.

—Scott...

—A gente ja passou por isso e eu levei um pé na bunda.-Disse brincalhão.

—A gente não ficou junto por culpa sua. Porque você era um idiota.

—Eu realmente era um idiota, mas eu mudei. Me dá outra chance. Eu sinto que se não for com você não vou conseguir ir em frente com mais ninguém. Você é a única que tem meu coração.

—Scott... Eu estou confusa, também tem mais pais aqui no hospital, a Emilly.

—Só porque eles estão em uma situação difícil você não pode tomar a decisão de ser feliz?

Ela suspirou.

—Posso pensar?-Ela perguntou e eu assenti.

—O tempo que precisar.-Disse sorrindo e a puxei pra perto de mim.-Só não demora muito ta?

Ela assentiu.

—Vou te..-Não deixei ela terminar e a beijei a o que me deixou mais feliz foi que o beijo foi retribuído.

Como não ser o homem mais feliz do mundo nessa exato momento?