Por Camille.

—Cam... Camille e...eu-Ela tentava dizer mas tinha muita dificuldade pra falar.

Mas uma coisa é muito importante: ela lembra de mim. Isso é um ótimo sinal,pois quem acorda de um coma geralmente não lembra de muita coisa, nem de muita gente.

Obrigada Jesus por isso.

—Não precisa se esforçar.-Disse limpando as minhas lágrimas e sorrindo.-Pode se recuperar primeiro,depois falamos.-Ela apenas assentiu.

Peguei a mão dela é fiquei a olhando, depois de um tempo nos olhando seus lábios curvaram-se um pouco pro lado, ela havia sorrido, ou tentado sorrir, mas não importa aquilo foi o bastante pra eu manter meu sorriso de orelha a orelha.

A porta se abriu e como era bem provável ser uma infermeira eu olhei pra porta já pra perguntar sobre o estado da minha mãe. Mas me surpreendi ao ver meu pai com uma muleta, andando com dificuldade, vindo e sorrindo até nós.

—Soube que a bela adormecida acordou.-Disse ele ficando do meu lado e olhando pra minha mãe com todo o carinho do mundo. Minha mãe intercalava seu olhar entre mim e meu pai e ainda sorria. Ninguém dizia nada, mas estávamos felizes por estarmos todos bem e por mais não não houvesse palavras sabíamos que nossos olhares entregava quanto amávamos uns ao outros.

—Deixa eu me sentar porque essa máquina aqui deu uma panizinha basica. -Disse meu pai indo até a poltrona que havia no quarto e eu ri, ri por admiração, por ele mesmo por isso tudo que está passando ainda continua e assim, imbatível.

Fiquei o olhando ir até a poltrona com dificuldade e só pude sentir orgulho por ter pais tão fortes, que por mais que não estiveram muito presentes sempre me ensinaram a ser forte também assim como eles e eu agradecia a Deus por isso.

—Espera...-Disse meu pai chamando nossa atenção.-Se a bela adormecida acordou é porque o amor verdadeiro dela a beijo, e a não ser que eu seja sonâmbulo e tenha vindo enquanto dormia, não foi eu que deu esse beijo.-Disse ele fingindo estar bravo pra minha mãe que sorriu e eu gargalhava com essa insinuação.

—Não seja bobo pai.-Disse ainda rindo.-Provavelmente o senhor é sonâmbulo.

Ficamos um tempo ali só os três curtindo a presença um do outro e revivendo essa alegria de estarmos juntos. Mas a alegria não durou muito pois me chamaram pelo bipe.

—Desculpa,pais, mas eu vou ter que ir, estão precisando de mim na área infantil.

—Vai lá filha.-Disse meu pai.- Como é a frase daquela série que você me fez assistir mesmo?

Eu sorri por ele lembrar disso e disse:

—É um belo dia pra salvar vidas.-Disse ainda sorrindo e sai deixando os dois no quarto.

Fui em direção a área infantil e logo vi Jake.

—Me chamou?-Perguntei assim que me aproximei dele.

—Ah, sim. Preciso da sua ajuda com um caso.

—Que eu saiba eu sou interna do Dr. Victor.-Disse debochada.

—É sim mocinha, mas por enquanto a senhorita vai ser minha interna a partir de agora.-Disse tocando meu nariz.-Então me obedeça a seja uma interna eficiente se não vai ficar de castigo.

Ele disse e eu ri.

—Sim senhor.

—Ótimo, pra começar traga um café pra mim.-Disse se fazendo de autoritário.

—Acho que esqueceu alguma coisa no seu consultório doutor.

Ele verificou os papéis que estavam na mão dele e olhou nos bolsos, verificou se o estetoscópio estava com ele.

—E o que seria? Porque pra mim está tudo aqui.

—A sua educação.-Disse e sai pra pegar o café pra ele.

Quando voltei ele me entregou um ficha.

—Essa é a ficha da Emilly Libert, tem 5 anos e tem leucemia em um nível avançado, esses papéis tem tudo o que precisa saber sobre o caso, quero que estude e me ajude a achar algo pra ajudar a Emilly.-Assenti. -Ótimo.

Ele começou a andar pelos corredores e eu o seguia, parou em fente ao quarto 345 e antes de abrir a porta disse:

—Olha, eu sei isso é uma responsabilidade muito grande pra una interna,mas confio em você. Não me decepcione, foi dificil pra fazer você ser minha interna, ainda mais porque eu não sou um residente, mas quero que entenda a seriedade do caso. E eu conto com você, por muito pouco que a gente se conhece percebi que tem uma paixao por pediatria no mesmo nível que eu, e acredito também que nesse caso só profissionalismo não ajude tanto, mas a paixão que eu vejo em voce que vai fazer essa garotinha que está aqui dentro desse quarto se sentir melhor.

Assenti.

—Obrigada pela confiança, Jake.-E sorri.

Ele abriu a porta do quarto e pude ver a menina com o pijama do hospital, ligada que aparelhos e tomando soro. Ela nem olhou para a porta quando a abrimos então imaginei o quanto de infermeiro entra aqui pra ela ter de acostumado de tal forma para não se surpreender com a porta sendo aberta.

—Oi, gatinha.-Disse Jake sorrindo e a menina o olhou com uma rapidez incrível, não demorou muito pra ela me notar.- Emilly, essa aqui é a Dr. Wilson.

—Oi, Emilly.-Disse sorrindo e me aproximando dela e ela sorriu tímida.

—Ela vai cuidar de você junto comigo.-Disse Jake. Emilly o olhou e eu pude ver admiração no olhar dela.-Agora eu vou deixar vocês conversando um pouco pra se conhecerem, depois eu volto pra gente ver como esse sangue está, tá bom?.-Ele disse.

—Tá bom tio Jake.-Ela disse sorrindo.

Jake piscou pra mim e saiu me deixando sozinha com Emilly.

—Bom, já sei que seu nome é Emilly e que tem 5 anos.-Disse sorrindo pra ela que me olhava atenta.- Tem algo a mais que eu deveria saber?

Ela sorriu.

—Eu gosto de azul.-Ela disse e eu levei minha mão até a boca fingindo surpresa.

—Meu Deus que coincidência, eu também gosto de azul.-Ela sorriu.

—Azul é mó legal ne?-Ela disse já ficando animada com a conversa.

—É verdade. A cor mais legal de todas.

—Minha mamãe disse que eu sou uma plincesa igual a Cinderela.

—E você gosta da Cinderela?

Ela assentiu.

—Gosto, o vestido dela é azul.

—Bem lembrado. E sua mãe está certa, você é uma plincesa. -Disse imitando o jeito dela falar princesa.

—É, você gosta da Cinderela?

—Gosto, e você sabia que eu tenho uma amiga que se chama Alice?-Disse impolgada com o clima que está entre nós.

—Igual a do coelho e do apeleiro maluco?

—É, igualzinho.

—E ela tomou chá com eles?-Ela perguntou impolgada.

—Não sei, nunca perguntei, mas quando eu a ver vou perguntar a te digo.

—Ta bom-Ela disse animada.

Ficamos um tempo em silêncio e percebi que ela estava olhando pra minha mão, especificamente para as minhas unhas pintadas imediatamente olhei para as unhas dela que nao estavam pintadas e entendi o porque ela estava olhando para as minhas.

—Emilly, você quer pintar a unha?-Sugeri.

—Pode doutora Wilison?-Ri do novo sobrenome que ganhei.

—Claro! Mas não precisa me chamar de doutora, se quiser pode me chamar só de Camille.

—Que tal a gente ser amigas?-Ela perguntou com tanta euforia que eu ri.

—Acho uma ótima ideia, Em.

—Em?

—Sim, amigas são apelidos umas pras outras.-Disse me justificando e ela pareceu feliz com a resposta.

—E como você chama a sua amiga Alice?

—Lice.

—Será que ela queria ser minha amiga também?

—Com toda certeza ela iria adorar.

Ela sorriu de orelha a orelha.

—E ai a gente ia ser tles amigas.

—Nossa que demais!

—Ia mesmo tia Mille.-Sorri pelo jeito que ela me chamou.

Meu Deus,já estou apaixonada por essa garota.

—Quando ela vinher aqui prometo trazer ela pra você conhecer, aproveita e você mesmo pergunta do chá o que acha?

Ela assentiu bastante eufórica.

—Hora do remédio, mocinha.-Apareceu uma enfermeira com uma bandeija com remédio.

—Eu queria que a tia Mille me desse o remédio.-Ela disse cabisbaixa.

A enfermeira me olhou e eu assenti confirmando que não havia problema algum em dar o remédio pra Emilly. Ela me passou a bandeija e saiu.

—Que cor você quer pintar a unha?-Perguntei enquanto dava o remédio a ela que fez careta com o gosto, mas engoliu sem pestanejar.

—Pode ser rosa?-Ela perguntou.

—Pode.-E ela sorriu.

Outra enfermeira entrou dizendo que ela tinha que dormi e eu fiquei com ela segurando sua mão até ela pegar no sono. Quando ela finalmente dormiu peguei a ficha dela e comecei a ler sabendo que faria de tudo pra ver aquela menininha que já te tão importante pra mim viver uma vida normal.