Por Camille.
Aquela notícia fez meu cansaço sumir por inteiro e me levantei da poltrona que estava tão rápido que cheguei até a perder um pouco o equilíbrio o que fez a enfermeira segurar o riso, normalmente também riria mas agora o foco é minha mãe. Então fiz a pergunta que não quer calar:
—Posso vê-la? -Perguntei um pouco eufórica, sem esconder a minha alegria.
E enfermeira faz uma cara de triste e disse:
—Infelizmente não, Dra. Estamos fazendo alguns exames pra ter total conhecimento das sequelas e ela também está sendo medicada.
Assenti sem deixar nem um pingo daquela alegria ir embora.
—Quando poderei vê-la?.-Perguntei ainda entusiasmada.
—Logo pela manhã.- Assenti.
—Obrigada por me avisar.- Olhei para o crachá dela.- enfermeira Snow.-Ela sorriu e saiu.
A alegria era tanta que pelo resto na noite não consegui dormir, a ansiedade era grande demais. Infelizmente por essa causa as horas demoraram ainda mais a passar, os minutos pareciam eternidades. Por volta das cinco da manhã o sono quis vim, Mas não podia dormir, não agora, certamente se eu dormisse agora não conseguiria acordar pra ir trabalhar. Então me levantei, verifiquei que estava tudo bem com meu pai e sai em busca de um café bem forte.
Por conta da hora havia poucas pessoas no hospital, fui em direção a uma das lanchonetes que tinham pelo hospital e como queria peguei o café duplo e me sentei em um dos bancos.
—Bom dia.
Olhei para ver quem era que havia sentado ao meu lado e me deparei com o Dr. Vitor.
—Bom dia.- Disse dando mais um gole no meu café.
—Recomendo menos café e passar mais tempo dormindo.- Disse analisando meu rosto.
—Não sabia que tinha consulta marcada.
—Ah, esse privilégio é só seu, meu amor.- E piscou.
—Incrível.- Disse irônica.
—Então... vai contar o motivo desses olheiras ou vou ter que adivinhar por mim mesmo?
—Você é meu residente, mas isso não dá direito de invadir a minha vida.
—O sono em excesso pode prejudicar seu rendimento, então digamos que isso é da minha conta.- Disse com um sorriso vitorioso nos lábios.
—As vezes você tem a irritante mania de querer ter a razão.- Disse revirando os olhos.
—Ah, vai dizer que você não gosta?
—O que? De alguém querendo tomar conta da minha vida? Não obrigada!.-E sorri dando mais um gole no café.
—É sério, pega leve no café.
—Olha, eu poderia estar matando, roubando ou talvez me prostituindo, mas não! Estou aqui bebendo café, e seria ótimo se fosse em paz.-Disse isso na esperança que ele ficasse constrangido e fosse embora, mas ao invés disse ele começou a rir.
—Seu sendo de humor é incrível, Wilson.- Disse ainda rindo.
Mas eu não estava brincando, meu querido.
Ele começou a falar umas coisas que eu nem estava prestando atenção. Só queria que ele se tocasse e fosse logo embora ou que pelo menos meu bipe tocasse. Mas nada dessas duas coisas aconteceram.
Muito obrigada, vida!
—O que você acha?-Ele perguntou se referindo a algo que eu não havia prestado atenção.
Putz, e agora?.
—Mille soube que sua mãe acordou. -Chegou Scott correndo e parando na minha frente meio eufórico.
—Mille? Que intimidade é essa?- Perguntou o Dr. Victor.
Scott só o olhou e continuou falando comigo.
—Você já soube?.-Assenti.
—Sim, mas ainda não me deixaram ir vê-la, fiquei tão ansiosa que nem consegui dormir.- Disse dando espaço pra ele se sentar entre eu e o Dr. Victor.
Scott se sentou com um sorriso sínico.
—Ah, então pra ele você conta o motivo das suas olheiras?-Perguntou o Dr ofendido.
Eu queria só ignora-lo, mas ele é meu residente, minha carreira está basicamente mas mãos dele.
—Scott e eu éramos amigos no ensino médio.- Disse direta.
—Na verdade a gente era mais que amigos.- Disse Scott com um sorriso debochado e em resposta eu o dei um tapa no braço que ele fingiu doer.
—Scott!-O repreendi.
—Ue? Falei alguma mentira?- E eu só revirei os olhos.
—Que ótimo saber.- Disse Victor um pouco grosso.
—Nossa, doutor, acordou de mal humor hoje?-Scott perguntou finalmente se referindo ao doutor Victor.
—Não seja sínico! Meu dia estava invariavelmente ótimo até você chegar e estragar a harmonia que estava tendo entre mim e a Wilson. -O doutor bravejou e Scott explodiu em uma gargalhada, ele riu tanto que até virou um pouco pra trás.
—Com todo respeito, doutor, mas pela cara de tedio que a Mille estava só você estava sentindo essa tal harmonia.
Victor o olhou cerrando os olhos e ia dizer alguma coisa mas Scott foi mais rápido.
—Eu sei do seu segredinho.
Incrível o efeito que as palavras de Scott teve no doutor. Ele se calou, levantou a foi embora. E eu fiquei de queixo caído olhando pra Scott me perguntando que segredo era aquele. Ele provavelmente leu meus pensamento, pois disse:
—Sem chance! Não vou dizer.
Levantei a mão e sinal de redenção.
—Como soube da minha mãe?
—Tenho meus contatos. -Disse e eu ri.
Ele não riu, ficou me olhando sério até que eu parei de rir e ficamos nos encarando.
—Camille eu...-Ele disse chegando mais perto e em fração de segundos seus lábios encostaram no meu começando o beijo que nem fazia ideia que queria.
Quando nos afastamos por falta de ar olhei nos olhos dele e vi, tinha algo diferente nele, um diferente bom.
—Me desculpa eu não deveria ter...-Não o deixei terminar e o beijei.
E foi naquele momento que percebi: eu senti falta dele.
Ele passou seus braços pela minha cintura me levando para mais perto dele e minha mãe bagunçava seu cabelo sedoso. Quando nos afastamos sorrimos.
—Não sei se digo alguma coisa ou se te beijo de novo.- Ele disse e eu ri.
Fomos interrompidos pelos nossos bipes que tocaram desesperadamente sem parar.
—Emergência.- Dissemos juntos e fomos em direção a emergência.
...
Depois de muitas suturas pude finalmente ir ver a minha mãe. Estava em frete a seu quarto e estava receosa em entrar, não sei se estou preparada pra isso. Fiquei um tempo encarando a porta decidindo se entrava ou saia correndo.
—O recomendado é abrir e entrar. -Disse Jake surgindo ao meu lado.
—Pensei que pediatras ficasse na área das crianças.- Disse o olhando e ele riu.
—Nunca fui barrado por aqui não .-Disse levando uma mão ao queixo pensando.
—Engraçadinho.- Disse irônica.
Ele ficou encarando a porta comigo.
—O problema é abrir? Eu posso fazer isso.- Disse me zoando, mas eu não ri.
—Jake, minha mãe estava em coma, está entubada da mesma forma que meu pai, não sei se consigo. Tanto me fazer de forte na frente do meu pai pra ele não ficar preocupado comigo, mas poxa, vendo os dois assim não sei se consigo suportar.
Ele pegou na minha mão e sorriu.
—É claro que consegue.-Suspirei.-Camille, olha pra mim.-Eu o olhei. — Te conheço só a algumas semanas mas já pude perceber que é uma pessoa forte. E eu sei que você consegue entrar aí nessa sala e segurar as pontas, sabe porque? Porque é isso que Camille Wilson faz, inspira as pessoas e as motiva. Então entra lá e só seja você.
Sorri com suas palavras.
—Obrigada Jake.
—Obrigada nada! Me deve um milk-shake.
Ri das suas palavras.
—Um Milk-shake então.- Disse ainda rindo.
—Essa é a minha garota. -Ele disse me dando um soco de leve no braço.
Ele bagunçou meu cabelo e foi embora. Respirei fundo e girei a maçaneta acreditando que aguentaria essa barra. Assim que entrei olhei para minha mãe em cima da cama, cheguei mais perto e quando cheguei perto o bastante para ela me ver ela sorriu e disse com uma vi corrente.
—Ca... Camille.- Ela disse meu nome é uma lágrima caiu de seus olhos.
—Oi mãe. -Disse não sabendo se limpava as minhas lágrimas ou as dela.- Seja bem vinda de volta.
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