Era apenas meu meio irmão.
29 Aprendendo a dançar - Parte 2
Notas iniciais
Ele fechou aquele portão e me puxou de encontro ao som que dava enfrente para a piscina quintal e iniciou na musca love me like you do.
— Hoje não é o ensaio Fábio, você pode descansar.
— Claro que não é. E quem disse que precisaria ser? Você me dá a honra dessa valsa? — Senti minha mão ser segurada pela dele.
— Fábio se você acha que eu sou trouxa, está muito enganado! — Bravamente, afastei a minha.
— Calma, é apenas uma dança.
— Se for só isso, acho que está bem.
Começamos a dançar um pouquinho, só que nessa noite foi diferente. Primeiro, ele começou colocando sua mão lentamente em minha cintura. Depois puxou meu corpo para perto dele e iniciou os passos. Não que não fosse assim todos os dias, porém hoje em especial era diferente. Pela primeira, vez observei que ele realmente queria aquilo. A cada girada, passo e a cada vez que Fábio fazia nossos olhares se encontravam...Ah... Isso me tocava no fundo. Era como... Como se fosse a primeira vez que tivesse o visto! Eu conseguia enxergar além e perceber que esse sentimento não era só em mim, como nele também. Por um segundo imaginei que íamos nos beijar após tanto tempo sem fazer aquilo. Porém, ouvi a voz de meu pai ecoando no corredor e para se sincera preferi assim.
— Isso mesmo, quero ver os dois ensaiando para ficar tudo bonitinho na festa. — Meu pai nos interrompeu.
De imediato acordei do meu transe pelo Fábio e quis sair dali rapidamente.
— O ensaio já acabou pai. — Me desprendi do meu meio irmão e dei de costas. para caminhar em direção ao corredor.
— É mesmo? Mas, eu quero ver os dois ensaiando agora.
— Mas, pai…
— Agora Karoline! — Meu pai mantinha uma expressão séria em seu rosto e aqui me deixou aflita. Então, o melhor que eu consegui fazer naquele momento havia sido voltar a dançar com Fábio. Óbvio que não era igual antes, até porque eu não desejava estar ali. — Acho que está faltando o clima, quem sabe até um beijo. Me digam o motivo de terem parado. Estou curioso... — Gelei ao ouvir meu pai sendo irônico em sua última fala.
— Não existe clima nenhum pai, muito menos beijo. — Respondi suando frio, a essa altura eu tinha a certeza que minha cara me entregava por completo.
— Me engana que eu gosto Karoline!
Pensei durante os pucos segundos que haviam, e então lembrei — me de que meu pai prometeu que tudo agora seria mudado... Essa era a minha única chance e eu tinha de usá — la bem.
— Você prometeu que dessa vez iria fazer diferente, mas não mudou em nada! Está tudo igual antigamente. — Abaixei a cabeça.
— É pro seu bem minha filha, pro seu bem!
Senti os braços dele me envolverem junto ao calor de seu corpo.
— Imagino que posso ter as minhas decisões pai.
— Não vou permitir que você sofra novamente. — Senti seu abraço me prender mais. — Não vou te perder, nunca mais está me ouvindo? — Ele se ajoelhou para ficar da minha altura e continuou me olhando.
Por incrível que meu pareça, meu pai era realmente lindo. Também jovem, como ele era jovem. Pena ele parecer um velho, por pegar tanto no meu pé. Tinha apenas trinta e dois anos. Esqueci de mencionar que ele me teve na adolescência? Minha mãe era apenas um ano mais velha que ele, diferente da mãe de Fábio, que quase estava nos quarenta. Meu pai é alto, de corpo definido, cabelo liso, e mantém seus olhos castanhos escuros que são um charme. Eu era realmente parecida com ele, a não ser pela altura.
— Claro, mas não é só porque engravidou sua meia irmã, que significa que vai acontecer o mesmo comigo e com o Fábio.
— O quê? — Pela primeira vez observei o rosto do meu pai vermelho de tanta vergonha. Acho que ele não esperava que eu soubesse da história dele com minha mãe. Porém, graças á ela eu fiquei sabendo no casamento. Fábio por sua vez, riu. — Karoline, chega deste assunto, está encerrado. E você Fábio, o que está olhando?
— Nada não, man. Tudo na tranquilidade. — Ao ouvir ele responder assim após tanto tempo não me aguentei caí na gargalhada ali mesmo.
— Tem algum palhaço aqui, Karoline? — Meu pai, já estava furioso.
— Tem, o Fábio. — Respondi sem pensar.
Já estou vendo que me dei mal! Sem esperar, Fábio começou a falar várias coisas e percebi que dessa vez ele salvou minha pele.
— Ah, eu sou palhaço então não é? Vem aqui Karol, o palhaço vai te jogar na piscina. — Sem chances de escapatória, ele me carregou no colo e literalmente me jogou na piscina.
Juro que vi um sorriso escapar do rosto de meu pai, ao observar a cena. Mas passado alguns segundos, a face de aborrecido voltou a tona.
— Chega! Pra dentro já Karoline. — Ele gritou
— Venci. — Me retirei da piscina e corri para dentro de casa.
— Venceu coisa nenhuma! Isso ainda não acabou, sua apelona! —Fábio gritou. — Com meu pai, até eu fugia, bonitinha!
— Até porque, sou linda mesmo! — Sorri e adentrei de vez na casa. Fábio e meu pai ficaram conversando... Mas, eu não tinha noção do assunto e preferia mesmo nem imaginar.
— É Fábio, parece que tem alguém aqui que está gostando da Karoline.
— O quê? Eu? Gostando de alguém? Cê viaja demais, coroa! — Ele disfarçou.
—Não adianta negar, vejo que gosta e sei que foi o inferno para ela descobrir que você irá se casar. — Meu pai o observou.
— Roberto, me perdoa não fui eu que escolhi assim…
— Tudo bem, Fábio! — Meu pai deu um tapa nas costas de Fábio — No fim das contas, eu estava muito ocupado com coisas que considerava importantes para cuidar da minha princesa e sei que tu deves ter cuidado. É uma pena que você não seja o tipo de garoto que eu quero que ela fique.
— É...Eu sei bem disso. Sabe, eu a amo Mas, não a mereço, nenhum pouco. — O mesmo abaixou a cabeça.
— Fico feliz que tenha percebido, antes que eu fosse atrapalhar. Até porque, mesmo que ela quisesse muito eu não permitiria os dois juntos. A Karoline, merece alguém que seja perfeito para ela e que a faça feliz. Você vai se casar e ela seguirá em frente, sei disso.
— Com certeza, a Karol ainda é uma neném e tem muito o que aprender pela frente. E apesar dela ser esse bebê que sabemos que ela é, me mostrou de novo o que é amar. Me fez sentir algo que eu nunca mais tinha sentido sabe? E isso não tem preço. Além disso, me mostrou que não quero sentir isso mais. Porque é difícil e machuca, como machuca.
— É, mas agora sei que só se está se privando disso, pelo seu filho. Você não tem noção de como foi bom ver seu amadurecimento. Tive a Karol, com dezessete anos e para ser sincero, não havia um pingo de maturidade em mim.
— Para mim também, ver que agora tenho responsabilidades de verdade e que vou ter uma família. Não do jeito que eu queria, entende? Mas, de um modo um tanto diferente.
— Com o tempo, você se acostuma, Fábio! Apenas não cometa o mesmo erro que eu cometi com a minha princesa. Coloquei planos e mais planos na minha vida e não dei a atenção que ela merecia durante muitas vezes. Agora, se quiser fazer a noite da Karoline ser diferente hoje pode ir lá! Está liberado, todavia juízo! E nada de beijo ouviu Fábio? Ou vai ter a sua cara arrebentada. — Meu pai proferiu sério.
— Não, obrigado mesmo Roberto. Já conversamos demais por hoje. Obrigava mais uma vez pela sua compreensão e tenha uma boa noite.
Os dois entraram na casa e seguiram corredores diferentes, para chegaram em seu destino.
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