Após isso ele se foi e eu fui fazer meus afazeres. Quando deu nove horas fui dormir e só acordei no outro dia com o barulho do chuveiro ligado. Levantei correndo pensando que já era tarde, mas Fábio apareceu na hora e mandou eu voltar a dormir. Juro que tentei, mas não consegui.

– Karoline, você precisa dormir. — Ele se deitou ao meu lado.

– Não estou com sono. — Passei o braço por cima dele.

– Mas ainda são três horas da madrugada baixinha. — Disse ele passando a mão em meus cabelos. — Se não dormir vai pra escola com sono daqui á algumas horas. — Completou.

– E você?

– Eu tenho o dia inteiro pra dormir. — Fábio riu.

– Foi boa a balada? — Perguntei.

– Até que foi, mas sai de lá cedo.

– Por quê?

– Mal estar. — Mentiu.

– Entendo.

– Agora vamos dormir porque você tem aula.

– Ok. — Fechei a cara e ele ficou fazendo carinho em mim até eu dormir. Algumas horas depois realmente tive de levantar, tomar café e ir pra escola de sempre. Só que desta vez com o Fábio me levando de carro. Aumentei o som na música like a g6.

– Puxou ao irmão é? — Ele riu.

– Fazer o que, é de família. — Rimos juntos.

– Não quero saber você na balada se esfregando nos meninos. Te puxo pelos cabelos menina.

– Ih, começou o ciúmes.

– Ah, então quer dizer que você pensa em ir? — Disse ele estacionando o carro na frente da escola.

– Talvez, quem sabe. — Respondi pegando a mochila e abrindo a porta do carro. Sai em grande estilo é claro. Todos me olharam como nunca tinham visto antes, afinal não é toda menina que sai as sete horas da manhã no carro do Fábio com uma musica daquelas e ele de bom humor a essa do dia.

– Eu ainda te pego Karoline. — Ouvi ele dizendo ao sair do carro, pois tinha amigos lá e os mesmo queriam rever o Fábio. Ao entrar na escola fui alvo de perguntas e curiosidade de todos, pois mesmo ao sair da escola ele continuava ainda mais famoso ao passar do tempo.

– Ei garota! O que você é do Fábio? — Gritou o menino a uns metros atrás de mim.

– Meia irmã. — Respondi me virando.

– Então seja bem vinda gatinha. — Ele piscou pra mim. Fui pra aula normalmente, mas todos me olhavam diferente. Não demorou muito pra notícia se espalhar e na hora do intervalo todos já estavam sabendo. Nunca fui de ter muitos amigos, pra ser clara, tenho apenas uma BFF e ela a mesma coisa. Descemos para o pátio e de repente me reparo com o Fábio parado bem ali, me esperando como se estivesse esquecido de me dar alguma coisa.

– Karoline, vem cá! — Ele me chamou e eu fui.

– O que foi? Aconteceu algo? — Perguntei preocupada.

– Esqueci de te dar isso. — Ele me deu uma nota de cem reais.

– Pra onde eu vou com isso menino tá ficando doido? — Peguei.

– Pro seu lanche. — Fábio sorriu.

– A moça da cantina não vai trocar cem reais pra quem vai gastar dez, não quero ficar gorda Fábio.

– Está bem. — Ele riu, pegou a nota de volta e me deu duas de dez. — Mas, eu ainda acho que é pouco, então pega aqui mais uma. — Fábio deu mais uma de vinte.

– Desnecessário Fábio.

– Baixinha, vai lá comer antes que seu intervalo acabe.

– Ok. — Dei um beijo no rosto dele e fui comprar alguma coisa com a Pamela. Gastei quinze reais e quando me dei conta o intervalo já tinha acabado e só estava eu e ela lá. Corremos até a sala e pro sorte o professor nos deixou entrar.

– Só porque ela é a irmã do Fábio. — Disse uma loira alta, que se parecia com modelo.

– Puro recalque porque o Fábio te deu um pé na bunda né Camily. — Disse a morena e todos começaram a rir da loira. — Vem aqui Karol, senta com a gente. Pode trazer a sua amiga também, queremos conhecer vocês melhor. — Completou. Fomos com o grupinho mais popular da escola, que a tal loira fazia parte, mas aquilo não importava.

– Então, como se conheceram? — Perguntou o loiro.

– No casamento dos nossos pais. — Respondi.

– Faz muito tempo?

– Dois anos, mas eu só fui morar com meu pai agora.

– O Doutor Roberto é seu pai? Ele é um do médicos mais famosos daqui Karol! — A morena ficou impressionada.

– Você tem a família dos céus. — A ruiva disse.

– Vocês também deve ter. Na realidade eu só estou nessa escola por causa do meu pai, por mim estaria em outra, mas ele não deixa. Mas, quero saber o nome de todos! — Coloquei um sorriso no rosto.

– O loiro é o Gabriel, a ruiva é a Fernanda, a loira é a Camily, eu sou a Natalie e o moreno do olho azul que parece mais com seu irmão do que com ele mesmo. — Ela riu nessa parte e continuou — É o Gustavo, porém ainda falta gente.

– Vocês vieram pra essa escola agora no segundo semestre né? — Perguntei curiosa.

– Sim, mas já tinhamos a popularidade e a indicação porque os mais populares eram nosso amigos ou ex namorado. — Natalie olhou pra Camily de novo.

– Ah que saco! Será que dá pra parar de jogar indireta pra mim? — Ela estava furiosa.

– Enfim, seja bem vinda ao grupo junto com a sua amiga. Ms, vi que ela não falou uma palavra até agora.

– É que a Pamela é tímida. — Respondi.

– Oi gente, desculpa por não ter me pronunciado. — Disse Pamela ao abrir um pequeno sorriso.

– Você é tão linda que nem precisa dizer nada. — Respondeu o Gabriel.

– Acho que já formamos um novo casal. — Todos rimos. Jogamos conversa fora, fizemos as atividades e depois fomos embora. Fábio estava me esperando na porta conversando com alguns amigos. Tentei passar desapercebida, mas foi em vão. Ele me puxou pela cintura e colocou-me na frente dele.

– Então gente, essa é a minha meia irmã Karoline e já vou avisando que se vocês pegarem ela vão ser garotos mortos. — Fábio colocou um sorriso malvado no rosto.

– Pelo menos vou morrer feliz. — Comentou um ao rir.

– Experimenta pra você ver só. — Fábio respondeu rindo.

– Eu já posso ir embora? — Perguntei emburrada.

– Que baixinha mais linda. — Ele apertou minhas bochechas.

– Saí seu ridículo, eu quero ir pra casa.

– Sem estresse bonequinha nós já vamos. — Ele disse me olhando.

– Fábio, não esquece de convidar ela pra festa.

– Festa? Que festa? — Perguntei confusa.

– A de Halloween. — Disse Fábio e o amigo dele me entregou o convite.

– Eu até poderia ir, mas não tenho fantasia.

– Eu vou comprar sua fantasia, nem vem inventando desculpa pra não ir. — Fábio disse.

– Ok, então. — Rimos, ele se despediu e fomos para a casa.

– Gostou da escola? — Ele perguntou.

– Já era tudo igual, só mudou que sou conhecida agora. Gostei das pessoas que conheci e sua ex parece ser bem irritadinha.

– Ah ela é sim. — Ele ficou rindo durante cinco minutos.

– Cadê meu pai?

– Está no hospital, eu comprei uma pizza de almoço pra gente, vem comer. — Ele foi em direção a cozinha e eu o segui. Comemos e depois fomos assistir televisão juntos.