Era Uma Vez, Na Idade Média
21 Capítulo 21 - O Sequestro - Parte II
Notas iniciais
CASTLE
Sei que minha mãe vai ficar furiosa, e Kate, principalmente, mas não me importo. Não poderia ficar ali, só esperando, tinha que fazer alguma coisa. Agora só tenho que chegar ao velho carvalho branco no coração da floresta para deixar meu recado para o Toupeira. Tomara que mantenha a palavra dele. Anos atrás, eu o encontrei quase morto na floresta, o acolhi e tratei, salvei sua vida. Mesmo ele sendo uma pessoa de caráter duvidoso, não poderia deixá-lo lá para morrer, quando partiu me disse que me devia um favor e quando eu precisasse pedir, era só colocar um bilhete no velho carvalho branco.
Após deixar o bilhete na grande árvore, fui até o ponto de encontro e montei acampamento, já estava escurecendo e o Toupeira só viria pela manhã. Tomará que ele realmente aparecesse, preciso que apareça. Após montar o acampamento e acender a fogueira, me sentei em um velho tronco e olhei para as estrelas que começaram a surgir. Em algum lugar, minha Alexis pode estar olhando para essas mesmas estrelas. Pensar nisso, fez meu coração se aquecer por, de alguma forma, senti-la perto de mim. Fiquei mais alguns minutos assim, fui dormir em seguida, amanhã o dia será cheio.
Após sentir os primeiros raios da manhã em meu rosto, sinto que tem alguém me observando e imediatamente estou totalmente desperto. Toupeira está ali, sentado me olhando.
–- Ora, ora. Se não é o senhor Richard Castelian. – Toupeira estava mais envelhecido, mas ainda tinha a cara engraçada. Ele tinha esse nome por ser baixo e atarracado, ter um bigode espetado e, apesar de ser cego, enxergava mais do que qualquer um.
–- Pode me chamar de Castle agora. Vejo que recebeu meu recado. Vim cobrar meu favor. – me levantei e comecei a preparar um café.
–- Ok, Sr. Castle. Estou aqui, sou um homem de palavra. Do que precisa?
–- Minha filha foi sequestrada. E é isso o que eu preciso, encontrá-la. Não me importa como. Só quero que ela volte para casa.
–- Tudo bem, me conte do começo. Quando e de onde ela foi levada?
Contei tudo o que eu sabia, o que não era muito, mas já era o começo.
–- Você acha que pode encontrá-la? – perguntei apreensivo.
–- Não são muitos detalhes mas, existe uma possibilidade sim. Vamos aos arredores da cidade, perto de onde sua filha foi levada. Se ele entrou na floresta com ela. Posso encontrá-la. – soltei o ar dos meus pulmões que nem havia percebido que estava segurando.
–- Então vamos. – comecei a desmontar o acampamento.
–- Só vou depois de tomar esse café que você está fazendo, o cheiro é delicioso. – quando ele falou isso, me lembrei dela. Deveria estar fazendo esse café para Kate, já que ela é muito mais bonita. Pensar nela me fazia sorrir com o canto da boca.
–- Certo. Mas depois do café nós vamos. Não quero esperar mais do que o necessário. – então preparei duas canecas de café e ofereci uma ao Toupeira. E, trinta minutos depois, estávamos a caminho da cidade.
Caminhamos em velocidade normal, afinal não ficava tão perto e o Toupeira já não se movia tão rápido. Levou quase o dia todo para chegarmos aos limites da cidade. Chegando lá, ele começou a fazer sua mágica. Não sei como fazia, sentia o cheiro da terra, sentia o solo e ouvia o ambiente. Depois de alguns minutos assim, ele parou em um ponto específico.
–- Foi bem aqui. Eles passaram por aqui e foram em direção leste por ali. – apontava em direção as árvores. –- Um homem com cerca de 90 quilos e alguém bem mais leve, com menos de 40 quilos. Pelos sinais de luta, foi levada contra a vontade.
–- São eles, eu sinto. E agora? – perguntei à ele aflito.
–- Agora que achamos o rastro deles, é só seguir. Mas peço para que fique em silêncio absoluto e me deixe fazer meu trabalho. Meus métodos exigem total concentração e principalmente paciência, então pode demorar um pouco.
–- Mas ela pode estar precisando de mim agora. – tentei convencê-lo a se apressar.
–- Sr. Castle. Se quer que eu o ajude, será nos meus termos. – disse irredutível.
–- Certo, faremos do seu jeito. O importante é achá-la. – mesmo contrariado, era a minha melhor chance. Assim, ele se agachou e começou a seguir o rastro invisível para mim.
Depois de algumas horas e, alguns quilômetros também. Toupeira me pediu para pararmos para descansar. Provavelmente, nós vamos encontrá-los amanhã e, se for necessário lutar para libertá-la, precisamos estar descansados. Diante desse argumento, não tive escolha senão aceitar. Ele estava certo, estou um trapo de cansado e não posso arriscar a segurança de Alexis lutando nesse estado. Olhei novamente para as estrelas e pedi. –- Por favor Alexis, esteja bem. Aguenta só mais um pouquinho, papai está chegando. – e sucumbindo ao cansado, adormeci imediatamente.
Logo na manhã seguinte, começamos o dia cedo. Toupeira andava um pouco, parava e sentia o solo, o cheirava e continuava novamente. O segui por metade do dia. Eu estava em uma densa floresta, seguindo um maluco cego de caráter duvidoso e, quando já estava achando que aquilo tudo era loucura, sinto a mão dele em meu peito, fazendo com que eu parasse. Com o dedo em frente aos lábios, fazendo sinal de silêncio, sussurrou:
–- Shhhh! Está ouvindo isso? – coloquei minha mão em formato de concha na orelha e tentei ouvir alguma coisa. Nada. -- Não, não estou ouvindo nada. O que é? – perguntei, também em sussurro.
–- Tem uma caverna, uns 300 metros à frente. Dois homens e.... – ele silenciou por um instante, concentrado. -- ... Uma menina, de uns 7 ou 8 anos. Deve ser sua filha.
–- Eu não ouço nada. – me esforçava ao máximo e.... nada.
–- Esse é seu problema Sr. Castle. O senhor está ouvindo e não escutando.
–- Qual é a diferença? Quer saber, deixa para lá, o que eu quero saber é da minha filha. Você tem certeza? Dois homens? – não estava interessado com detalhes de ouvir ou escutar.
–- Certeza absoluta, consigo identificar dois tons de voz distintos. Espero que o senhor esteja preparado, pois será necessário lutar?
–- Eu trouxe uma espada, não sou um grande esgrimista mas, é o que temos. – deveria ter trazido o Sorenson, pensei comigo. – Tenho que chegar mais perto. Ver a situação para arquitetar um plano.
–- Vamos mas, devagar. Não queremos ser percebidos antes da hora. – e assim ele foi guiando meus passos.
Chegamos perto o suficiente para ver um dos homens de guarda, em frente à caverna e o outro lhe falava algo. O segundo homem saiu em direção à floresta. Dei a volta e fui atrás dele.
Ele tinha ido se aliviar. Cheguei por trás dele e toquei em seu ombro, quando se virou. Dei um golpe com toda minha força com o cabo da espada em seu queixo e ele caiu nocauteado. – Toupeira. Amarre esse aqui. Vou pegar o outro. – menos um. Contornei novamente a caverna e joguei uma pedrinha para o lado oposto de onde eu estava. O segundo sentinela foi verificar o que era. Me aproximei devagar mas, não fui rápido o suficiente. Ele se virou, já com a espada em punho me desferindo um golpe. Tentei desviar, mas ele acabou acertando meu braço, não foi profundo, mas a dor era forte.
Ele investiu mais duas vezes e eu consegui desviar, dei um golpe diagonal com minha espada, que ele defendeu sem problemas. Droga... ele tinha que ser tão bom. Juntei toda a raiva que tinha dele e fui pra cima mas ele se desviou e, quando eu ia passando direto, me segurou por trás, com um dos braços segurava meu pescoço e com a outra mão apontava a espada para meu peito.
Neste momento, me lembrei de Beckett no treino do Demming. Então dei uma cotovelada nele e com um impulso, consegui jogá-lo por cima de mim. Ele caiu no chão e antes que pudesse se levantar, chutei sua espada e lhe dei dois socos seguidos, nocauteando-o.
–- Toupeira! Venha aqui, temos mais um. – mal terminei de falar, entrei correndo para dentro da caverna. –- Abóbora! Abóbora!
–- Pai. Estou aqui. – era a voz da minha menininha. Me sentia como se despertasse de um pesadelo.
–- Alexis. Alexis. Graças a Deus. Você está bem? Está machucada? – enchi-a de perguntas, enquanto desamarrava suas mãos. Quando terminei, dei o abraço mais apertado que consegui, não queria soltá-la nunca mais.
–- Pai, tá me sufocando... – Alexis, falou com uma voz abafada.
–- Desculpe querida. Estou tão feliz que está bem. – lágrimas se formaram em meus olhos.
–- Papai, não chore. Eu estou bem, estamos bem. Mas, cadê aqueles homens? – ela falou preocupada, olhando para os lados.
–- Eu os derrubei. Estão amarrados lá fora.
–- Você é meu herói! – e pulou no meu pescoço. –- Podemos ir para casa agora?
–- Claro Abóbora. – saímos da caverna abraçados.
–- Pai?
–- Oi, Alexis.
–- Cadê o terceiro? O que me raptou, com capuz? – ela estava tensa.
–- Terceiro? Droga! Só tinha esses dois aqui. Vamos, vamos antes que ele apareça. – saí puxando ela pela mão quando eu ouvi.
–- Castle! Castle! – era ela. Estava acompanhada do Espo.
–- Beckett! O que faz aqui? – não podia acreditar.
Ela veio vindo em minha direção com um grande sorriso mas, de repente, ela parou. Não estava mais olhando para mim e sim para trás de mim. Quando me virei, eu o vi. O homem de capuz me apontava uma flecha. Não conseguia ver seu rosto.
–- Madoxx! – era Kate. – Acabou! Meu companheiro está apontando uma flecha para sua cabeça agora mesmo e, ele nunca erra. Se renda agora e, poderemos te dar misericórdia. – ele nada disse por um instante e, então começou a rir.
–- Misericórdia... não preciso dela. Não preciso de nada seu. Meu chefe ficará satisfeito em saber que eu eliminei a concorrência. E, mesmo que seu companheiro atire, seu namoradinho aí já vai estar morto. – dito isso, Madoxx atirou.
–- Nããããoo! Castle! – tudo ficou confuso por um segundo, quando dei por mim, eu estava no chão junto com Alexis e Beckett, estava em cima de nós dois.
–- Beckett! Kate! Kate! – oh, não. Ela estava de olhos fechados, desacordada, não respondia. Foi quando percebi a flecha cravada em suas costas. Vi Espo vindo em nossa direção e, parou do nosso lado.
–- Beckett! Oh meu Deus!! Castle cuide dela, eu acertei Madoxx no ombro e ele fugiu, vou tentar encontrá-lo.
Coloquei Kate delicadamente no meu colo, passava a mão em seu rosto, e comecei a entrar em desespero.
–- Kate, fique comigo, por favor fique comigo. – ela não acordava. –- Fique comigo. Eu te amo, eu te amo, Kate. – então aproximei meu rosto do dela e delicadamente, beijei-lhe os lábios. Pude sentir o sabor salgado das minhas próprias lágrimas.
–- Pai, ela... – Alexis começou a chorar.
–- Não sei querida. – e me voltando para Kate. – Kate, por favor não me deixe, não sei o que fazer sem você. – enquanto eu a abraçava forte, percebi que algumas pessoas surgiram ao meu lado, me puxaram, separando-me dela. Então olhei para minhas mãos e vi o sangue. O sangue dela. – Por favor Kate, resista. Eu não sou nada sem você.
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