Era Uma Vez, Na Idade Média
22 Capítulo 22 - Ascensão
Notas iniciais
CASTLE
Estava totalmente desorientado, Tudo aconteceu tão rápido, olhou a sua volta e, é claro, o Toupeira já tinha desaparecido. Parecia um pesadelo, primeiro sua filha, e agora isso. Observava atentamente enquanto Lanie tentava salvar a vida de Kate, lágrimas desciam pelo rosto.
–- Vamos lá Kate, você não vai morrer aqui, no meio do nada. Não comigo. Fique comigo, não morra. – Lanie conversava com ela o tempo todo, ou melhor, brigava, enquanto fazia algum tipo de massagem em seu peito. Mas, ela estava sangrando muito. Não conseguia mais ver isso. Fechei os olhos e comecei a pedir com todas as forças, para que ela voltasse para mim. Ainda ouvia a Lanie.
–- Alguém me traga a água que pedi. Ela está com pulso, mas tenho que tirar a flecha para estancar o sangue.
Abracei a Alexis com toda a minha força. Comecei a brigar comigo mesmo. Por que eu fui tão estúpido em não perceber que tinha um terceiro homem. Ela não devia ter se jogado na minha frente para me proteger. Era a minha cruz, não a dela.
Olhei novamente para elas e Lanie estava com algum tipo colher com a ponta em formato de losango (que depois descobri se chamar “colher de flecha” (¹)) na mão, ela fez um pequeno corte na pele e com cuidado, retirou a flecha. Estava concentrada e com o rosto preocupado. –- Vamos lá, Kate, você consegue. – ela pedia enquanto fazia o procedimento. Até que seu rosto ficou ameno e, com um sorriso, disse. –- Consegui! A hemorragia parou. – então ela rapidamente, cauterizou o ferimento e fez um curativo. Me aproximei ainda aflito.
–- Como ela está, Lanie? – e com o rosto aliviado ela respondeu.
–- Ela ficará bem. Consegui parar a hemorragia, ficará um pouco fraca mas, com o tempo vai se recuperar. Agora, com todo cuidado, vamos levá-la de volta ao acampamento. Lá poderei medicá-la melhor, não queremos que ela acorde de repente, urrando de dor.
–- Eu te amo, Lanie! – dei um beijo em sua bochecha, seguido de um grande abraço.
–- Ei, menino caçador! Esqueceu que eu sou comprometida, me sinto honrada mas, tenho que decepcioná-lo e dizer que eu amo outro. – eu sorri ainda mais, se Lanie estava brincando, significava que ela ia viver.
–- A esperança é a última que morre, Lanie. – abri um sorriso de alívio e, olhando para Kate e depois para Alexis. –- Agora vamos pra casa. Todos nós.
~ ¤ ~
KATE
Acordei sentindo uma dor aguda no ombro, estava deitada de lado, meus olhos pesavam. Então senti uma mão quente que segurava a minha. Tentei abrir os olhos, mas estava difícil, então apertei a mão.
–- Kate. – sua voz estava serena, então o senti passar a outra mão em meus cabelos, colocando uma mecha atrás da minha orelha. –- Kate, como você está?
–- Castle? Onde estou? O que aconteceu? – por que não conseguia abrir os olhos.
–- Está no acampamento, Kate. Você salvou minha vida mas, ... quase morreu por isso. – ele falava carinhosamente. E após uma pausa, disse com a voz embargada. –- Kate, eu pensei que nunca mais iria vê-la novamente.
–- Está tudo bem, Rick. Eu não vou a lugar nenhum. – eu não te deixaria assim, completei em pensamento. -- E a Alexis?
–- Alexis, está ótima. Eu a mandei para a cabana mas, não antes de prometer que você iria visitá-la quando melhorasse.
–- Que bom que ela está bem. Quando eu melhorar, eu vou visitá-la com certeza. E Madoxx! Pegaram ele?
–- Espo o acertou no ombro mas, de alguma forma, ele fugiu. Temos algumas equipes fazendo uma busca. – droga, estava com raiva. Esse desgraçado vai ter que pagar pelo que fez.
–- Não se preocupe com ele agora, Kate. Você tem que se preocupar em melhorar. – Castle estava preocupado.
–- Ok, falamos dele mais tarde. Mas por que não consigo abrir os olhos? – minha voz também estava estranha.
–- Eu te dei uma dose de láudano (²), — era Lanie. –- Ficará sonolenta por enquanto, beba bastante água, irá amenizar os efeitos. Daqui a pouco eu te trago uma sopa. Está desacordada já têm três dias, deve se alimentar, assim irá se recuperar mais rápido. – então eu a ouvi sair.
–- Três dias. Eu não me lembro de quase nada. Só que Madoxx atirou em você e em seguida senti o impacto da flecha, então tudo ficou escuro. – se lembrou da dor lancinante e depois disso, ... nada. Devo ter desmaiado com a dor.
–- Então você não lembra de ... – Castle hesitou por um momento. -- ... de nada depois disso. De mim ou da Lanie?
–- Não, não lembro. Só lembro da dor e mais nada. Algo importante?
–- Não... Acho melhor te poupar dos detalhes. Você tinha razão, o que a Lanie faz é nojento, argh! – podia até imaginar a cara dele agora, automaticamente dei um sorriso de canto da boca.
–- Castle! – Lanie tinha aparecido com a sopa. – Pode até ser nojento mas, como eu disse, chazinho não ia adiantar muita coisa.
–- Obrigada, Lanie. Sei que salvou minha vida e sou muito grata. Quaisquer coisas que precisar, pode contar comigo. – estendi minha mão, em seguida senti as mãos da Lanie.
–- Ei garota, não me deve nada. Somos amigas e, amigas são para essas coisas, ok? E se vier com esse papinho que me deve, eu mesma atiro uma flecha em você. – eu ouvi sua risada.
–- Agora eu sei que devemos deixar esse posto sempre bem abastecido. Depois fale com a Gates, caso precisar de algo.
–- Tudo bem, vou lá falar com ela e, quando voltar, quero que este prato de sopa esteja limpinho hein!
–- Deixa que eu ajudo você. – Castle me ajudou a me sentar, colocou um apoio em minhas costas e queria dar a sopa na minha boca.
–- Castle, não sou uma inválida, posso me alimentar sozinha. – tentava pegar a sopa dele.
–- Mas, Kate. Você está machucada e, por minha causa. Por favor me perdoe, devia ter acreditado na sua capacidade. Se não tivesse me aventurado sozinho, isso não teria acontecido. – senti na sua voz, toda dor e tristeza que o consumia.
–- Castle. Você só agiu como um pai. Não há nada o que perdoar. Se a situação fosse inversa, sei que faria a mesma coisa. – depois de um curto período de silêncio, disse para quebrar esse clima. -- Ok, você venceu. Pode me ajudar com a sopa. Mas só desta vez, por causa do láudano, depois eu me viro sozinha.
Mais que depressa, ele se ajeitou ao meu lado e se preparou para me dar a sopa.
–- Então lá vai. Abra a boquinha e, olha o passarinho ....
–- Castle!!!
–- Certo, desculpe. É que eu adorava fazer o passarinho para a Alexis. – fazendo bico.
–- Não sou criança. Se for para você ficar fazendo gracinhas, pode me dar a sopa aqui. – fiz um sinal com a mão para que me devolvesse a tigela.
–- Nada disso, você disse que eu podia te ajudar e, é o que eu vou fazer. — e assim seguiu minha refeição, precisei brigar com Castle a cada colherada. Mas, mesmo assim, estava feliz por estar viva e, por tê-lo ao meu lado.
~ ¤ ~
(¹). Colher de Flecha

(²). Láudano é um extrato de ópio que possui efeito sedativo.
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