Era Uma Vez, Na Idade Média
43 Capítulo 43 - Pesadelo
Notas iniciais
BECKETT
Agora Castle dormia tranquilo, estava tão sereno. Era como se, em muito tempo, pudesse dormir em preocupações.
Recostei em seu peito e ouvia seu coração bater, o som constante e regular, foi me deixando sonolenta também. Fiquei feliz que ele encontrou o pai e, mesmo com raiva do passado, conseguiu deixar uma brecha para um bom relacionamento futuro. E, antes que pudesse perceber, a escuridão me acolheu.
Acordo de repente, e com um sobressalto, Castle acorda.
— Kate, está tudo bem? – eu estou trêmula.
— Acho que foi um pesadelo. Está tudo bem, volte a dormir. – recosto a cabeça em seu peito novamente.
— Como assim, ‘acha’ que é um pesadelo? – ele pergunta intrigado.
— É que eu não lembro, só tenho alguns flashes. Eu estava correndo muito, fugindo do que parecia ser um par de olhos gigantes. – dei de ombros, foi um sonho estranho.
— Só isso? Mais nada? É a primeira vez que sonha isso? – ainda estava com sono, não queria um interrogatório logo cedo. Levantei a cabeça para encará-lo.
— Não se preocupe, amor. Foi só um sonho. E, como já disse, são só flashes. Já tem alguns dias que tenho tido o mesmo sonho mas, nunca consigo me lembrar dos detalhes. – e deitei novamente.
— Se tem sonhado com a mesma coisa sempre, talvez tenha um significado. Talvez se soubesse o que significa, você pare de sonhar. – ele tinha uma certa razão.
— Tem um pouco de lógica mas, agora não. Vamos dormir mais um pouco, amor. Depois nós conversamos sobre isso. – sempre que tenho esses sonhos, não consigo descansar direito.
— Ou nós podíamos... – ele começou a acariciar meu corpo.
— Rick! Lembra? Sem esforço nos próximos dias. Quando estiver liberado, juro que eu te compenso. – dei um beijo suave nele.
— Eu vou cobrar, viu. Promessa é dívida. – beijou meus cabelos.
— Eu sei, eu nunca prometo o que eu não posso cumprir. Agora, vai dormir, amor. Amanhã ou, daqui a pouco, teremos um dia cheio. – como ele conseguia estar tão ativo a essa hora. E, após uns minutos, dormiu tão rápido quanto acordou e o senti ressonar novamente. Já eu, ainda demorei um pouco para pegar no sono.
–x-
De manhã, ainda muito cansada pela noite mal dormida, levantei e fui fazer o café (ainda bem que eu aprendi como fazer senão, com o Castle machucado, o que seria de mim sem café de manhã). Quando entro no quarto, tem um belo par de olhos azuis me observando.
— Bom dia. Dormiu bem? – me acomodei a seu lado, lhe entregando sua caneca.
— Acordar ao seu lado é, sempre um indicativo que eu dormi bem. – me olhou languidamente com o seu melhor sorriso e, sempre que sorria assim, eu me derretia inteira. — Mas, pela sua carinha cansada, posso dizer que a noite não foi muito boa para você.
— Eu também adoro acordar ao seu lado, sempre. Mas não, não consegui dormir. Acordei váriàs vezes durante a noite, sempre o mesmo sonho. – ele segurou minha mão e começou a fazer pequenos círculos entre o dedão e o indicador.
— E conseguiu lembrar de algum outro detalhe? – sinalizei negativamente. — De quem ou do que estava fugindo? – outra negativa. — O lugar, o terreno?
— Agora que mencionou, estava em um túnel de pedras que não tinha fim e ouvia o barulho de água a cada passo que dava. – franzi o cenho, tentando lembrar de mais alguma coisa mas, nada me veio à mente. — Acho que é só isso.
— Túnel de pedras e água... me parece ser uma mina ou, quem sabe galerias pluviais, ou ... – uma memória saltou em minha mente.
— Isso mesmo, galerias pluviais! Esse é o recado do sonho. Meu amor, você é um gênio. – pulei da cama e comecei a me vestir rapidamente.
— Eu já sabia disso mas, por que eu sou um gênio, exatamente? – eu estava eufórica, pela primeira vez em muito tempo, finalmente tinha uma carta na manga para vencer esta guerra.
— Você é um gênio, porque descobriu exatamente o que precisamos fazer para vencer esta guerra. – e com um beijo profundo, me despedi dele e, fui correndo contar meus planos para Gates.
~ ¤ ~
CASTLE
Essa mulher é completamente maluca e, vai acabar me enlouquecendo também. Na verdade, eu já estou louco, totalmente maluco por ela.
Se levantou e foi se arrumar lentamente, o pé já não doía como antes mas, era melhor não abusar. Terminou de tomar o café, que já estava morno (argh) e, com suas muletas, decidiu dar uma voltinha.
Mas não conseguiu parar de pensar no sonho dela. Após uma pequena caminhada, sentou-se em um tronco, o pequeno esforço o deixara cansado. De repente, um pensamento lhe veio à mente. O único lugar que ela poderia conhecer que tinha galerias pluviais, era o castelo. Ela nunca falou sobre aquela noite e, ele também nunca perguntou mas, os sonhos devem ter conexão com a sua fuga.
Como isso os levaria a vitória? Se levantou na intenção de ir ao N.Y.P.D. II mas, acabou se distraindo com as grandes construções de madeira que se erguiam mais à frente.
— Ei Espo! O que faz aqui? – disse assim que avistei meu amigo.
— Castle? Eu é que pergunto, não deveria estar descansando? – ele me cumprimentou com um tapinha nas costas.
— Eu estou descansando! Meu pé machucado não está no chão. – disse indicando as muletas. — O que estão construindo aí? – olhava o amontoado de madeira que tinha uns quinze metros de altura.
— Isso é um trabuco (1), irmão. Funciona como uma catapulta mas, é mais potente. Pode atirar pedras de até cento e quarenta quilos, a uma distância de até oitocentos metros, com uma potência incrível. – Espo estava orgulhoso do novo brinquedo.
— Uau! Isso é incrível! Bracken nem vai saber o que o atingiu. Como tiveram essa ideia? – Observava a construção com grande interesse e, ao olhar em volta, viu mais dois trabucos em construção.
— A ideia foi minha. – quando olhou para o dono da voz, viu Hunt saindo de trás do aparelho.
— Ah! Oi, Hunt. – não esperava vê-lo tão cedo, por isso não foi direto ao centro de comando.
— Bom dia, Richard. Vejo que gostou dessa belezinha aqui? Sabe como funciona? – ele acariciava a enorme máquina.
— Mais ou menos. Não estou familiarizado com as máquinas de guerra mas, já ouvi falar. – estava muito mais curioso sobre a máquina, do que constrangido com a presença de Hunt.
— Está vendo essa grande caixa aqui no centro, isso é o contrapeso, enchemos com pedras que irá impulsionar o braço, este grande mastro preso a ele. – acompanhava seus movimentos, indicando cada peça. — Lá na ponta, está a funda, que é onde colocamos a artilharia, tudo isso é preso nesse eixo central. Trazemos o braço aqui para baixo e amarramos, o contrapeso sobe, como se fosse uma gangorra e, quando cortamos a corda, o contrapeso desce e, com a força de impulso, a artilharia é lançada. Quanto mais alta ela for, maior é a distância atingida. Entendeu? – ele olhou para mim, como às vezes eu olhava para a Alexis, depois de explicar-lhe algo.
— Entendi sim, é um armamento magnífico. Será capaz de derrubar as muralhas do castelo? – se for possível, poderemos entrar e tomar o castelo mais facilmente.
— A intenção é essa, garoto. Mas, acho que não será tão necessário. Pelo que eu entendi, sua princesa tem outros planos e, na minha opinião, é um ótimo plano. – ele pareceu confiante com a declaração.
— E que plano seria esse? – estava tão intrigado, que nem percebi que ele me chamou de 'garoto'.
— Eu ainda não sei, o pouco que ouvi, me pareceu promissor. Se quiser saber dos detalhes, sugiro que pergunte diretamente a ela. – ao dizer isso, ele continuou a fiscalizar a construção.
Só me despedi do Espo e fui procurar a Kate, o que será que ela está aprontando agora?
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(1) 
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